Os ventos gélidos começaram a soprar pelas ruelas, desde as margens do rio de Moscou até o mais profundo entrave, mas nada podiam fazer contra as chamas que tomavam a cidade.
Lambiam tudo que tocavam, corriam por tudo que consumiam.
Com o apagar das luzes as chamas se acenderam.
E eis que no meio daquele inferno, pairava sozinha uma criança, entre as ruelas daquela cidade condenada.
Com seus cabelos ruivos coberto de cinzas ao vento chamava por seus pais. As lágrimas escorriam como rios claros dentre sua face colorida pelo pó. Seus gritos soavam pelas ruas como a mais agonizante morte daquela infância dourada.
Desde o momento em que num último ato de desespero seus pais tentaram por meio da estação de trem escapar daquela loucura, não mais uma face amiga viu, não mais um acalento familiar sentiu. Naquele mar de gente que a empurrava e levava, via-se impotente e desesperada.
Após tanto gritar e procurar, não mais tinha voz.
Após tanto andar, não tinha mais forças.
Com sua boneca agarrada às mãos, e as lágrimas que não mais cabiam em seus olhos verdes, ao ser empurrada não conseguiu evitar a queda.
Enquanto todos tentavam fugir daquela barbárie dos soldados franceses e da ocupação de Napoleão, esquecida e desacordada estava a menininha, nas calçadas daquele local tão célebre.
Sob os olhos dos anjos e aos pés dos santos que decoravam a Catedral de São Basílio, Isabella rezou para o papai do céu que se aquele fosse seu momento, que houvesse piedade, pois não mais a encontrara no meio daquele inferno.
