Depois de deixarem a escola na comunidade orc, Ward e Jakoby seguiram em silêncio, o que o seu prisioneiro também fazia, ajudando a manter a tensão constrangedora.

Daryl admitiu a si mesmo que gostaria de perguntar ao jovem o que tinha na cabeça dele para entrar atirando num lugar público cheio de orcs, mas ele mesmo pidia pensar numa lista de motivos para fazer isso, sejam os motivos fundáveis ou não. Entendeu também porque Nick pediu para que ele prendesse o garoto. Não importasse a situação, orcs sempre seriam os vilões.

Nick queria entender porque o garoto fez aquilo. As razões que pensou eram as mesmas que as que Ward pensou, no entanto, sabia que o ato de violência tinha que ter uma razão específica.

E além disso, Nick podia sentir esses motivos na própria pele. E mais uma vez questionou a si mesmo, quando orcs seriam vistos sem preconceito.

Chegaram à delegacia e o garoto ainda não tinha abrido a boca. Só o que tinha trocado com os policiais era olhares duros e cheios de ódio. Nick os interpretou como se ele dissesse "eu tenho orgulho do que fiz e faria de novo, vocês estão todos errados".

-Nick me espere pra voltarmos ao noaso posto-disse Ward-eu vou registrar o caso sozinho.

-Tá legal-o orc aceitou mais uma vez e, novamente, estranhou a situação. Daryl estava anormalmente compreensivo. De qualquer forma, viu que era melhor que um policial humano conduzisse um criminoso humano, pelo menos naquele caso em particular.

-Diga seu nome por favor-Ward perguntou quando Jakoby já estava longe.

-Mark Samson - murmurou o garoto, completamente mal encarado.

-Qual sua idade? - continuou Ward.

-17 - respondeu Mark.

-Cara... - comentou o policial, num jeito que soava mais como "tão jovem pra fazer tanta besteira" - vem, vai ficar sob custódia até que te interroguem.

-Tanto faz... - disse o jovem um pouco mais desafiador.

-Não tem ideia do que aprontou, né garoto? - Ward estava impressionado com a ousadia - te mandaram fazer isso por acaso?

-Não é detetive, oficial - comentou o meliante em tom debochado - isso não te interessa, senhor e, ninguém liga pros orcs mesmo.

Daryl não podia argumentar com aquilo. Apenas prendeu o garoto antes que perdesse a paciência.

Quando saiu Nick ainda estava o esperando, e assim, retornaram para sua patrulha.

Judy tomava chá compulsivamente, sentada no sofá de sua casa, na noite do dia do tiroteio. Ao chegar ao bairro, ninguém pareceu se importar muito com ela. O único lugar que tinha conseguido alugar era predominantemente humano, embora tivesse alguns outros orcs ali. Para não serem rechaçados, viviam uma vida bem discreta e silenciosa, o que Judy também fazia.

Ao respirar devagar, buscava controlar o medo e o pânico que crescia dentro dela, tentava se convencer de que estava segura, de que nenhum mal aconteceria a ela. No entanto, tentava também se preparar para conversar sobre o que tinha visto, principalmente quando a polícia a intimasse. Pensando na polícia, Judy lembrou-se do policial orc, Jakoby, e como ele tinha a apoiado e a confortado durante toda a situação. Pelo menos tinha essa memória agora como alívio.

Judy sentiu o cansaço bater forte, e graças a ele, conseguiu pegar no sono, mas não sem ter pesadelos que envolviam morte e sangue. As imagens eram distorcidas mas sempre envolviam ela e Jakoby, ele tentava socorre-la quando já era tarde demais.