Ainda um pouco abalada, mas bem melhor do que nos últimos dias, Judy se levantou e começou a se aprontar para o seu depoimento. Em seu subconsciente, era como se arrumar para ir à escola outra vez, em mais um dia de trabalho. Ela tentava acreditar nisso enquanto se arrumava.
Uma hora e meia depois, havia chegado à delegacia. Apesar do zelo que se percebia em manter a fachada apresentável, podia se notar uma falha aqui e ali na pintura, e algumas pequenas rachaduras. Era assim com a maioria dos prédios públicos, as aparências tentavam enganar como realmente funcionavan por dentro. Essa era uma verdade na qual Judy nunca duvidara.
A polícia sempre foi inimiga dos orcs. Era muito mais fácil eles te agredirem do que te defenderem e era por isso que Judy hesitou tanto em entrar. Mas não entrar seria pior, talvez se encontrasse o oficial Jakoby as coisas fossem mais fáceis lá dentro.
Judy respirou fundo e subiu os degraus do prédio. Quando entrou, havia alguns policiais no corredor, provavelmente jogando conversa fora ou realmente trabalhando. Judy reparou que alguns a olharam de cara feia. Ela abaixou o olhar para o chão.
Notou o sargento que provavelmente estava ali para atender quem chegasse, mas Judy sabia que ele a estava evitando. Se conteve para não perder as estribeiras e apenas deu outro suspiro exasperado.
-Que é que tá fazendo aqui?-ouviu alguém se dirigir a ela.
-Eu fui intimada para um depoimento nesse departamento-ela respondeu meio apreensiva.
De qualquer forma a resposta não surtiu efeito no policial.
O homem uniformizado só fez uma cara de desdém e continuou tentando tolerar a presença de Judy. Ela esperou mais um pouco, morrendo de vontade de ir embora, mas também sabia que não podia ir sem prestar a satisfação pela qual estava ali.
Começou a bater os pés em inquietação até que viu alguém que não esperava, o que deu a Judy uma chance.
-Policial Jakoby!-ela falou exasperada, o que o fez se virar rapidamente.
-Srta. Snow-a memória de Nick funcionou rapidamente-o que faz aqui?
Por mais que a pergunta fosse a mesma que ela ouviu a pouco, a maneira que ele perguntou era infinitamente melhor.
-Eu fui intimida a prestar depoimento-Judy disse aliviada por não ter que explicar o porque-só não sei quem devo procurar.
-O inspetor está esperando-Nick se lembrou-se quiser te levo até a sala.
-Muito obrigada mesmo-Judy conseguiu sorrir.
Ela queria dizer mais, "obrigada por me salvar outra vez" mas não o fez.
Nick apenas a guiou e indicou a porta. Ele abriu para ela e a deixou entrar sozinha.
Judy respirou fundo antes de encarar o detetive inspetor. Era um humano bem comum, com uma expressão séria, querendo acabar logo seu serviço.
-É Judy Snow certo? - perguntou ele-sente, por favor. Sou o detetive inspetor Spryss. Me diga seu nome completo e profissão.
-Judith Barbra Snow, sou professora de história do 7. ano na CEO Juvenil.
-Conhece o acusado?-prosseguiu o detetive.
-Não senhor, nunca o vi-Judy alegou-ele claramente não era um estudante da escola onde trabalho, eu mal vi seu rosto, na verdade senhor...
Ela deu um suspiro.
-Está nervosa demais srta. Snow-comentou Spryss de um jeito suspeito.
-Delegacias me deixam nervosas-Judy olhou para baixo ao responder.
-Não entendo o porque se sua ficha criminal é limpa-o detetive deu de ombros.
Judy só pensou "em que mundo ele vive?".
-Lembrar do evento é ainda difícil pra mim senhor-ela admitiu-quero dizer que, depois do tiroteio, quer dizer... o acusado entrou na minha sala de aula, faltavam uns 5 alunos para chegar ainda e eu percebi o gatilho na direção deles. Eu os mandei se proteger e me escondi debaixo da mesa, fiquei lá até que os oficiais Ward e Jakoby chegassem e controlassem a situação. Quando eu já estava fora da escola, vi o garoto na viatura, foi aí que vi seu rosto.
-É esse garoto?-Spryss mostrou a foto no sistema de Mark Samson.
-Ele mesmo-Judy afirmou.
-Então confirma que ele tento matar você e seus alunos-perguntou o detetive.
-Eu não sei quais eram as reais intenções dele mas tudo leva a crer que esse é o motivo.
-A srta. argumenta muito bem-disse Spryss-apenas assine aqui e está dispensada, obrigado.
Quando Judy assinou seu nome, sua mão esquerda estava trêmula.
Assentiu para o detetive e saiu, respirando fundo ao passar pela porta.
O incômodo de Judy não passou despercebido por Nick, que a chamou a fazendo esperar.
