O jantar de Nick foi solitário, ele comeu rápido o que tinha na geladeira e tentou descansar um pouco antes de iniciar sua segunda jornada no dia. Às 8 e meia da noite, depois de ter tirado um pequeno cochilo, levantou-se e foi até a garagem. Deu uma última olhada nas suas queridas plantas no jardim do pequeno quintal, e entrou no carro, rumo ao outro lado da cidade.

Era um lugar estranho e completamente não propício para um orc se estar, mas mesmo assim, ele não desistia de ir diariamente durante a noite até lá. Desde a noite em que encontraram Tikka, a vida de Nick e Daryl nunca mais voltou a ser a mesma, e a elfa marcou os dois, cada um de uma forma diferente. Um tempo depois da homenagem que foi prestada a eles e aos outros policiais que foram mortos, agentes da Força Tarefa Mágica reencontraram a elfa bright.

Ela contou a eles o que julgou necessário sobre a situação, ocultando principalmente o fato de que Nick voltou à vida e o plano dos Inferni de trazer o Lorde das Trevas de volta. Pelo o que ela declarou, as autoridades competentes julgaram melhor coloca-la num programa de testemunhas. A própria Tikka pediu permissão para que estivesse sob a custódia e proteção de NIck e Daryl, já que sentia a falta dos dois. No fim das contas, agentes federais continuaram zelando pela segurança da elfa, mas permitiram que Jakoby e Ward soubessem de que ela estava bem e viva.

Já que tanto NIck e Tikka eram sozinhos, ele decidiu visita-la todas as noites e Daryl o acompanhava ocasionalmente. O velho policial, mais experiente que agora seu tão novato parceiro, ainda era relutante com toda essa conversa de magia. Magia sempre foi um tabu desde os tempos de Jirak, e agora não era muito diferente. Nick sabia que o fato de ser um Bright assustava seu colega de trabalho e orc o respeitava e o entendia, depois de tudo que tinham passado. No entanto, a experiência de superar a morte só deixou NIck cada vez mais empolgado sobre o assunto. Além disso, ele julgava importante saber mais sobre magia, caso cruzasse com ela outra vez, assim Tikka tirava as dúvidas que ele tinha.

Nick estacionou o velho carro em frente ao prédio pequeno e simples, desceu, subiu a pequena escadaria, encarou os nomes ao lado de suas respectivas campainhas, até encontrar o simples T. que correspondia ao apartamento de Tikka. Tocou a campainha e esperou, um pouco depois a porta se abriu, revelando uma mocinha meio magrela, pálida e frágil. Olhando assim, qualquer um a julgaria doente, mas ela estava muito bem, apenas mantendo uma aparência que ajudava na sua própria segurança. Ela usava o capuz do moletom sobre a cabeça, como sempre fazia.

-Boa noite Nick - Tikka deu um sorriso caloroso, embora tímido.

-Oi, boa noite, tudo bem com você? - ele respondeu enquanto ela abria caminho para deixá-lo entrar.

-Eu estou bem mas você... - Tikka se interrompeu sozinha - há alguma coisa errada? Daryl foi rude com você de novo?

-Não, ele não - Nick a tranquilizou - na verdade ele tem sido muito gentil comigo, na medida do possível pra ele, devo admitir, mas...

-Sim? - Tikka o instigou a continuar, enquanto agora eles subiam as escadas.

-Soube do tiroteio no Centro Educacional Orc Juvenil? - ele começou o assunto, entrando no apartamento e sentando-se no seu lugar de sempre do pequeno sofá.

-Vocês interceptaram o atirador? - mesmo que a televisão não havia divulgado os policiais envolvidos, Tikka pôde deduzir isso.

-Foi - Nick lamentou mais uma vez - um garoto humano atacando garotos orcs no seu próprio território. Se eu fosse mais rebelde, veria como um ato de guerra, e talvez até iria atrás dele.

-Mas você entende melhor do que ninguém que essa sempre foi a resposta errada - Tikka o compreendeu - isso tem te atormentado, não é?

-É, isso e o estado da professora que estava no meio de tudo isso - ele lamentou ao lembrar de Judy - ela estava tão assustada quando eu e Daryl a tiramos da escola e depois... ela ainda parecia abalada.

-Onde a encontrou de novo? - Tikka ficou curiosa.

-Quando ela foi prestar depoimento - Nick esclareceu - foi hoje mais cedo. Eu até ofereci ajuda, sabe, se ela precisasse conversar com alguém...

-Ela aceitou, não? - a elfa temeu pelo amigo ter sido rejeitado.

-Aceitou sim - Nick assentiu - na verdade ela insistiu para que eu desse meu telefone, e na real, nem sei direito porque fiz isso.

-Eu sei - a elfa soou como uma criança esperta - porque você é um bom policial que sempre cumpre seu dever e uma boa pessoa.

-Ora, obrigado - Nick corou um pouco.

-Estou sendo sincera - Tikka sorriu e Nick pareceu um pouco mais aliviado de toda a situação que já lidava há dias agora.