Judy voltou para casa da delegacia muito melhor do que pensava que voltaria, e sabia que devia tudo isso à Nick Jakoby. Ninguém ali além dele lhe daria a atenção que ela recebeu e por isso ela era grata. E pela primeira vez, depois de todo acidente, ela conseguia pensar em outra coisa que não fosse a experiência traumática. Agora seus pensamentos se enchiam do jeitinho tímido e constrangido do policial, que mesmo assim, não mediu esforços para conversar com ela. A pequena lembrança fez Judy sorrir.

Não havia muito o que fazer nesses dias sem aula, em que ela e seus alunos ainda estavam se recuperando do trauma. Se havia algo que Judy amava era estudar história, e era nisso que decidiu se concentrar no tempo livre que tinha agora. Relembrava os fatos desde a queda do Lorde das Trevas e o papel fundamental de Jirak nisso tudo. E é claro que a magia que perpassava tudo isso chamava a atenção dela, mas estudar Magia era algo comumente proibido. Não havia uma lei propriamente dita que proibia, mas procurar magia geralmente também significava procurar encrenca. Não significava que não existia livros sobre esse assunto, alguns daqueles liberados pelo governo, por maneira de dizer, estavam sob a posse de Judy, e foi neles que ela se aprofundou naquela noite em que tinha sido atendida por Nick Jakoby.

Por mais que amasse a leitura, aos pouco a atividade foi cansando Judy e ela sentiu que precisava descansar. Deitou-se esperando o sono chegar, mas nada dele vir. Parou para pensar em quando voltaria a trabalhar, se seus alunos estavam bem, se tudo poderia voltar ao normal de alguma forma. Todo trauma, com o tempo, ficava mais fácil de lidar, e era isso que ela esperava. Judy pensou em ligar para Nick, mas não achava que deveria, não naquele momento. Ele tinha sido tão gentil e ela não queria ser inconveniente. Pensou mais um pouco e então, achou melhor uma pequena mensagem.

Olá. Sou eu, Judy.

Judy não sabia porque ficou ansiosa por uma resposta. Ele deveria estar descansando, ocupado. Foi então que ouviu o som de notificação. Checou mais rápido que o normal.

Olá, como está?

Judy pensou por um bom momento antes de responder.

Vou indo. Espero não estar te incomodando.

Incomodando? Não sério, garanto que não.

Mesmo? Bom eu... desejo uma boa noite para você.

E eu o mesmo.

Aquela acabou sendo uma conversa estranha, pois nenhum dos dois sabia direito o que dizer. Queriam continuar a conversa, mas achavam aquele horário inconveniente e, no fim das contas, não tinham um assunto específico. Querendo ou não, sempre voltavam para o atentado na escola, o que ambos estavam tentando esquecer.

Foi então que Judy conseguiu ter uma ideia diferente, a tirando daquele estado de estar presa a um trauma, no entanto, seguraria a ansiedade e impaciência, pois a melhor hora de colocar seu plano em prática seria no dia seguinte.

Por hora, tentou ir dormir, e, agora, parecia que o sono chegaria mais rápido.