Sophia hesitou em conversar mais, mesmo sendo tão jovem, ela era uma menina sensível e amável, e não deixou de perceber que a namorada de seu amigo estava apreensiva e nervosa, e a menina sendo apenas uma visita, não queria constrangê-la ainda mais.
-Então, faz tempo que conhece o Nick? - Sophia finalmente conseguiu pensar num assunto que pudessem conversar, mas não estava tão satisfeita com sua ideia.
-Ah faz quase um ano, eu acho - Judy respondeu, notando que a menina só queria ser gentil e dar atenção a ela - foi um jeito... diferente o jeito que nos conhecemos.
-Se não tiver problema, podem me contar? - a srta. Ward olhou de um lado para o outro, Nick, seu pai e Judy, esperando pela resposta deles.
Era claro que Ward ficou preocupado com a situação, achava que toda a história do tiroteio era algo muito forte para sua filha ouvir e saber.
-Foi por causa do trabalho, Sophia - Nick se interpôs, tentando responder a pergunta dela do jeito mais delicado possível e Judy se sentiu grata por isso - nós ajudamos ela e a ouvimos como testemunha, e nos aproximamos e nos tornamos amigos, foi mais isso que aconteceu.
-Isso mesmo, Nick foi bem mais que só um policial comum, ele me ajudou a me acalmar numa situação bem difícil - Judy completou.
-Ah mas o Nick é assim mesmo, meio super protetor - sorriu a menina, orgulhosa de seu amigo.
-Isso é bom ou ruim, Judy? - Ward perguntou à professora, tentando animá-la e tirá-la de um possível clima ruim por causa das lembranças antigas.
-Bom, com certeza muito bom - ela mesma sorriu para Nick, aprovando essa característica dele - mas e você Sophia? Eu também queria saber mais sobre você, o que mais gosta de fazer?
-Ah eu comecei a treinar futebol ano passado, às vezes é bem difícil e eu perco a paciência, mas eu tento não desistir - ela contou.
-Desistir? Não, a Sophia Ward que eu conheço jamais faria isso - Nick disse a ela, com tom de incentivo.
-É, Nick, tô me esforçando pra isso - ressaltou a menina.
-Eu lembro que uma vez quando eu era criança, eu tentei jogar tênis - Judy contou, se recordando da própria infância pelos relatos de Sophia, e esse fato surpreendeu Nick, que não sabia disso - só que os treinadores falavam que eu era um tanto desastrada pra isso, eu lembro de cair várias vezes e me machucar, é porque eu só me concentrava na bolinha e não via onde tava pisando.
-E aí você acabou desistindo? - Sophia deduziu, mas não queria acreditar que era isso que tinha acontecido.
-Bom, eu preferi desistir, achei que não tinha jeito pra isso, mas foi aí que eu descobri outra coisa que eu gostava muito, livros de história - continuou Judy num tom otimista.
-Então foi assim que decidiu ser professora? - perguntou Sophia.
-Bom, foi daí que surgiu a ideia, primeiramente - explicou a professora - eu fiquei tão fascinada com tantas coisas novas que eu aprendi que eu queria muito mostrar isso pra alguém, então foi assim que o meu pai me disse que eu poderia ensinar.
-E seu pai te viu se tornar professora? - Sophia fez mais essa pergunta.
-Sim, sim, deu tempo antes que... bem, ele faleceu faz uns 7 anos - confessou Judy.
-Ah desculpa, eu não sabia, sinto muito, de verdade - a menina se sentiu culpada por tocar num assunto delicado.
-Não tem problema, Sophia, você não sabia - Judy a assegurou que estava tudo bem.
-Eu fico feliz que ele tenha te visto trabalhar com o que gostava - considerou a menina - eu ainda tenho dúvida do que eu vou ser quando crescer.
-Não tem vontade de seguir a carreira dos seus pais? No que a sua mãe trabalha? - Judy continuou a conversa, a levando para outro lado.
-Nunca quis que meu pai fosse policial, mas é o que ele escolheu ser - ela olhou para Ward com um pouco de tristeza - mas a minha mãe é enfermeira, de certa forma, eles estão ajudando as pessoas.
-Ah com certeza - concordou Judy - eu sei o quanto seu pai e Nick se arriscam por aí, mas é pelo bem de todos, só que mesmo assim, eu não deixo de ficar preocupada, e acredito que você também não.
-Hum hum - respondeu Sophia, tendo o mesmo pensamento da professora.
-Mas mesmo assim, o esforço deles nos deixa orgulhosas, não é? - Judy continuou - o que podemos fazer é sermos gratas por eles estarem bem e voltarem são e salvos quase sempre.
-Acho que sim - assentiu a menina, vendo que era melhor olhar desse ângulo positivo.
No final da conversa, os quatro acabaram jantando juntos e no fim da noite, se despedindo. Judy tinha ficado impressionada com o jeito meigo e inteligente de Sophia, era fácil entender porque Nick era tão apegado a ela, essa afeição acabou passando para Judy também.
Com o tempo, a professora se tornou amiga de Sophia, as visitas dela e do pai foram se tornando mais frequente e assim, Judy tinha encontrado uma família. Só faltava um pequeno detalhe para que essa família fosse oficial e Nick estava disposto a fazer algo quanto a isso.
Por um longo tempo, depois de ter encontrado Judy em sua vida, Nick considerou se casar com ela. Ela era o que o motiva, quem o fazia se sentir vivo, amado, uma pessoa real, com uma razão real para viver, e tudo que ele mais queria era fazer com que ela se sentisse assim também, todos os dias que eles compartilhassem juntos. Só bastava pensar em como fazer tamanho pedido tão solene.
