Capítulo II

Antes de começar a descer a enorme escadaria que a levaria até as pessoas ali reunidas, Kagome respirou fundo, e com uma expressão de superioridade e confiança começou a descer lentamente os degraus, havia se arrumado especialmente pra esse dia, seu vestido longo azul Royal era incrivelmente lindo, o busto bege era coberto por um tule transparente bordado com flores azuis, que iam do ombro até as costas, abaixo do busto uma faixa de tecido chiffon azul acentuava sua cintura, e após a faixa um novo bordado de flores dava início a longa saia solta, coberta por uma fina camada de tule azul transparente, a sandália preta com pedrarias se tornava quase invisível por baixo do vestido, havia cacheado os cabelos e os deixado soltos dando um simples toque com uma trança na franja, e feito uma maquiagem discreta que tinha como destaque seus olhos verdes, por fim um par de brincos de diamantes e sua tão especial pulseira.

Quando estava no meio da escadaria pôde finalmente ser notada, não por todos, somente algumas poucas pessoas perceberam sua presença, dentre elas, duas que não esperava encontrar, e não gostou nenhum pouco de vê-las em sua casa, porém não deixou transparecer a eles sua surpresa e também desagrado.

Assim que chegou ao último degrau um jovem rapaz parou diante dela, ela o analisou, o cabelo negro dele estava um pouco bagunçado como ditava a moda, os olhos verdes como sempre continuavam brilhantes, ele trajava um elegante smoking preto que ficava muito bonito nele, porém ela sabia que aquele não era bem o estilo dele, Kagome sorriu, e então o abraçou.

- Você está incrivelmente lindo, Souta. – elogiou Kagome, após se separar dele.

- Obrigado, você também não está de todo mal. – disse o garoto, convencido.

Kagome riu de leve. – Belo elogio esse.

- Estou brincando maninha, - disse ele sorrindo. – está deslumbrante, tanto, que creio que terei que passar toda a festa ao seu lado.

- Pode me dizer de onde saiu toda essa proteção agora? – perguntou o olhando com desconfiança.

Ele riu. - Você me conhece, sabe que não gosto dessas festas. - confessou. - Entretanto, em sua companhia ela pode se tornar suportável.

- Que meigo! - riu debochada, deixando o irmão mais novo desconfortável. - Se não gosta delas por que veio então?

- A mamãe insistiu para que eu viesse, - rolou os olhos de maneira entediada. - dizendo que queria apresentar os filhos a sei lá sabe quem.

- Entendo, - disse dando um pequeno sorriso. - que tal assim, nós dois passeamos por alguns minutos no salão, nos apresentamos a essas pessoas, e após isso você foge daqui.

- Não posso fazer isso agora? - perguntou esperançoso.

Ela o olhou seriamente. - Definitivamente não. - respondeu. - Vem, vamos encontrá-los. - falou envolvendo a mão ao redor do braço do irmão, Souta suspirou derrotado, e os dois seguiram em direção ao salão.


Os dois irmãos observaram curiosos à conversa de Kagome com o garoto, achando a cena um tanto quanto inédita, parecia uma personalidade dela totalmente diferente da que viram, quase como se ela tivesse se transformado em outra pessoa.

- Irmão dela? - supôs Inuyasha, franzindo as sobrancelhas.

- É o que parece. - falou Sesshoumaru, sem dar importância ao assunto.

- Sesshoumaru, você notou a pulseira no braço dela? - questionou Inuyasha, encarando o irmão. – Também estava a usando no outro dia. – comentou relembrando o momento que a notou no braço de Kagome.

- O que tem ela? - perguntou sem entender o problema com uma simples pulseira.

- Não é estranho uma mulher usar algo daquele tipo numa festa assim? – perguntou Inuyasha, pensativo.

- Talvez a pulseira tenha algum significado importante pra ela. – supôs Sesshoumaru, dando de ombros.

- Isto está certo, agora tente a ver de outra maneira. – sugeriu Inuyasha, fazendo o irmão mais velho estreitar os olhos.

- Você está insinuando que ela...

- Estou. - concordou Inuyasha, sem hesitar.

Sesshoumaru riu sem acreditar na loucura que Inuyasha insinuava. - Sabe, a sua paranoia e desconfiança já se tornou doença.

Inuyasha sorriu desdenhoso. - Está me dizendo que em nenhum momento, nem no seu íntimo, você desconfiou dela ser um de nós? - a pergunta deixou Sesshoumaru inexpressível e quieto.

- Talvez... Talvez em certo momento eu tenha pensando a respeito disso, porém me convenci que isso era um absurdo. - confessou Sesshoumaru, seriamente.

- Mas se não for? - questionou Inuyasha, insistente.

Sesshoumaru analisou o irmão, e então soube que ele tinha algo em mente. - O que você quer fazer?

- Se ela for assim como nós, - ergueu uma sobrancelha. - aquela pulseira fará falta a ela.

A lenda sobre vampiros não andarem ao sol é mais que verdadeira, o sol é uma das poucas fraquezas que eles possuem. Vampiros queimam ao sol, não importa se é um simples vampiro criado ou um puro sangue, qualquer vampiro que se expor ao sol entrará em combustão instantaneamente, e por séculos tiveram que esconder na escuridão. Até que finalmente encontraram um jeito de andar ao sol, com a ajuda de objetos especiais de proteção criados por feiticeiras, as duas espécies fizeram um acordo que beneficiavam a ambos, as feiticeiras receberiam em troca a proteção dos vampiros, e também a promessa de deixa-las em paz.

São objetos que muitas vezes passam despercebidos aos olhos humanos, e até mesmo aos dos vampiros, pode ser qualquer coisa desde um simples anel, até uma insignificante pulseira ou colar, e raramente uma tatuagem, já que elas precisam ser feitas por uma feiticeira, que são praticamente impossíveis de encontrar, mas são justamente as tatuagens que protegem os irmãos Taisho do sol.

- Está sugerindo que a roubemos? - Inuyasha assentiu sorrindo. - E se estivermos enganados e ela só for uma garotinha rica e mimada?

- A deixaremos em paz. – respondeu com um dar de ombros.

- Sendo assim, você faz isso, ela desconfiaria de mim. - disse Sesshoumaru, e fez-se pensativo, enquanto observava de longe Kagome se aproximar de seus pais. - E se ao invés disso, ela fizer parte daqueles que nos exterminam? – questionou Sesshoumaru, voltando o olhar pra Inuyasha.

Inuyasha o encarou por alguns segundos, e então olhou na direção de Kagome. – Nós a matamos. – disse sem qualquer emoção.


Depois de ver Sesshoumaru e Inuyasha na festa, Kagome sabia perfeitamente a quem seus pais queriam os apresentar, e assim saiu à procura deles, os encontrando em pouco tempo já acompanhados do senhor Inutaisho, e de sua esposa Izayoi, uma mulher com aparência jovem e muito bonita, ela era sorridente e carismática, os cabelos negros dela estavam presos num coque, e ela usava um vestido violeta, que combinava perfeitamente com seus olhos. Ayumi, a mãe deles os apresentou com empolgação, muito orgulhosa dos filhos que tinha, em seguida, apresentou os dois novos membros da sociedade, e talvez futuros amigos da família.

- Eu conheci o senhor Inutaisho outro dia. – disse Kagome, sorrindo gentilmente pra o casal.

- Sim, nós coincidentemente voltamos a nos encontrar. – disse Inutaisho, com um sorriso.

- Seus pais falaram que você cursa medicina, - comentou Izayoi, atraindo a atenção de Kagome. – então suponho que já chegou a conhecer nossos filhos.

- Sim, eu os conheci, mas não chegamos a nós falar muito. – explicou Kagome, gentilmente.

- Tenho certeza que terão tempo pra isso. – comentou Izayoi, com um sorriso divertido, o que Kagome estranhou.

- Sinto que me darei muito bem com eles, - disse Kagome, e baixou o tom de voz. – principalmente com o mais novo, ele é um gato.

- Kagome! – repreendeu sua mãe, rindo.

- Com todo respeito, é claro. – acrescentou Kagome, sorrindo.

- Olá. – falou uma voz atrás de Kagome, que ela reconheceu de imediato mesmo sem ter a ouvido muitas vezes.

Kagome virou o rosto um pouco de lado, e se deparou com Inuyasha - a quem ela reconheceu a voz - e Sesshoumaru parados a alguns centímetros dela, abrindo um sorriso forçado Kagome os cumprimentou.

- Que felicidade tê-los aqui. - disse ela, contente.

- Pra nós também é uma felicidade estar aqui. - disse Sesshoumaru, dando um meio sorriso.

- Garotos, esse é Souta, - disse Izayoi, indicando o garoto ao lado de Kagome. - irmão mais novo da Kagome. - ambos se cumprimentaram sem muita cerimônia, totalmente diferente de como as mulheres se cumprimentam.

- Ah, Souta, - disse Kagome, se voltando pra ele. - acabo de lembrar que o Koraku ligou pra você.

- Mesmo? O que ele queria? - perguntou Souta, fingindo curiosidade, já sabendo o que a irmã estava fazendo.

- Alguma coisa sobre um trabalho importante, não sei ao certo. - girou os olhos. – Mas parecia urgente. – acrescentou séria.

- Kagome! - disse Souta, alarmado. - Irmã eu te amo, - disse beijando o rosto da irmã. - você acaba de salvar minha vida. - se virou para os pais e os demais presentes. - Por favor, me desculpem, mas terei que ir resolver algumas questões escolares, foi um prazer conhecê-los. - sorriu. – Mãe, eu estarei de volta amanhã cedo. – prometeu.

- Tome cuidado Souta. - disse Ayumi, com seu típico sorriso maternal.

Ele se despediu de todos, e Kagome decidiu acompanha-lo até a saída.

- Eles são seus únicos filhos? - perguntou Sesshoumaru, com certa curiosidade e desconfiança, se dirigindo ao pai de Kagome.

- Sim. - respondeu Akio.

Sesshoumaru sorriu pra Akio, tentando disfarçar sua confusão, Kagome não podia estar se referindo a Souta quando disse que o achou parecido com o irmão, ele era uma criança ainda, e segundo ela, os dois não se veem há muito tempo, o que não é o caso, portanto isso significa que ela mentiu sobre esse ser o motivo de sua surpresa, e mentiu principalmente sobre ter um irmão, algo que não fazia o menor sentido, por que se dar ao trabalho de inventar a existência de alguém. Não devia ficar surpreso com esse tipo de coisa, humanos mentem, passam a vida inteira mentindo pra os outros e pra si mesmo, é o meio que eles usam pra sobreviver. Contudo, não são muito diferentes dos humanos, mentir, para os vampiros é praticamente um esporte, e também é literalmente uma forma de sobreviver, talvez por possuírem a necessidade de mentir, vampiros nasceram com a habilidade de controlar a mente das pessoas, sendo capazes de manipular quem quer que seja, entretanto, os únicos que tem essa habilidade são os puros sangues, os outros vampiros não são capazes de controlar ninguém, no entanto eles podem ser controlados, por isso que são diversas vezes usados por esses, contudo, ele infelizmente não podia controlar Kagome, a chegada de sua família a cidade estava sendo observada, então não podia cometer nenhum deslize antes de descobrir quem eram os responsáveis pela desordem no mundo dos vampiros.

Mas estranhamente Kagome parecia estar sendo sincera quando lhe disse aquilo, porém ele não seria capaz de descobrir a verdade. Não por hora.

Procurou disfarçadamente com os olhos ela em meio às pessoas, porém não conseguiu encontra-la por nenhuma parte, e isso o deixou inquieto, não podia esquecer que ambos declararam guerra ao outro, no entanto agora ele não sabia que tipo de guerra esperar. Voltou sua atenção para a conversa que acontecia entre seu pai e o casal de humanos, tinha que admitir que Inutaisho representava bem seu papel de grande empresário, ele estava tão relaxado e a vontade, que se não o conhecesse diria que ele é apenas um humano idiota que só pensa em aumentar sua fortuna, bebeu um gole de sua bebida enquanto seus olhos passeavam pelo salão, e foi aí que a avistou, ela estava com uma expressão zangada no rosto, olhando pra um lugar sem importância, como se tivesse lembrado de algo ruim, então fechou os olhos e inspirou, tentando se tranquilizar, Sesshoumaru desviou a atenção dela antes que ela abrisse os olhos e o flagrasse a observando, lançou um olhar pra Inuyasha, e em seguida pediu licença a todos, seguindo em direção a Kagome, ela viu que ele ia ao seu encontro e abriu um sorriso irônico.

Sesshoumaru parou diante dela e sorriu. - O que acharia de dançar com alguém que não gosta? - perguntou estendendo a mão pra ela num convite.

- Costumo fazer isso o tempo todo, então não vejo problema. - respondeu Kagome, colocando a mão sobre a dele, e os dois começavam a se mover conforme a música, enquanto se fitavam de modo desafiador.

- Estou curioso. - falou Sesshoumaru, quebrando o silêncio entre eles.

- Sobre o que exatamente? - questionou Kagome, despreocupada.

- Sobre seu antigo professor, - falou tranquilamente. - me pergunto que circunstâncias surgiram pra ele abandonar seu cargo sem mais nem menos.

Sesshoumaru sabia perfeitamente que não devia de fato estar procurando respostas, e que fora proibido disso, mas ele estava numa posição que podia fazer tal perguntar sem se comprometer, porém se ela fosse o inimigo, ele estaria pisando em território perigoso, no qual podia ser facilmente exterminado.

Kagome riu sarcástica. - Desculpe desaponta-lo, mas não fui eu, - garantiu. - não tinha nada contra ele, diria até que ele era aceitável, eu não o importunava e ele também não. - disse girando os olhos.

- Então você não sabe o motivo dele ter partido?

- Não, - ela franziu o cenho e olhou pra cima. - foi esquisito o que aconteceu, ele deu normalmente as aulas naquele dia, e no dia seguinte estávamos sendo avisados que ele havia pedido demissão e partido em seguida. - Kagome voltou a encarar Sesshoumaru. - Não consigo imaginar porque alguém abandonaria tudo de uma hora pra outra.

- Sim, é muito confuso. - concordou ele. - Mas não se preocupe, eu não irei a nenhum lugar. - prometeu dando um sorriso de escárnio.

- Como eu deveria interpretar isso? – sorriu. – Provocação ou desafio? – questionou com um brilho divertido nos olhos.

- Que tal das duas formas? – sugeriu com um meio sorriso, fazendo Kagome rir graciosamente.

Ela balançou a cabeça de modo negativo. - Não vou voltar a provoca-lo, fique tranquilo, - disse o surpreendendo. - aquilo foi apenas infantilidade da minha parte, mas eu não voltarei a agir daquela forma. – prometeu ela, sinceramente.

- Estou chocado por ter desistido tão facilmente, - disse um pouco surpreso. - poderia me dizer qual a razão disso?

- Não existe especificamente uma razão, - apertou os lábios, pensativa. – apenas decidi que não vale a pena fazê-lo, e também eu gostei do seu pai. – um brilho diferente surgiu nos olhos dela, e Sesshoumaru o notou.

- Então eu acho que vou agradecer ao meu pai por ser tão encantador assim. – disse sarcástico.

- Deveria mesmo. – aconselhou sorrindo. – Mas, - o olhou seriamente. – isso não muda o que penso de você. – disse lentamente.

Sesshoumaru sorriu devagar, enquanto a encarava da mesma forma. – Também não muda o que penso de você.

Kagome sorriu divertida, e inclinou o rosto na direção do ouvido dele. – Você ainda não disse o que pensa de mim, – murmurou de modo sedutor. – também não disse o que achou do beijo.

A atitude dela foi inesperada, e quase suficiente pra ele esquecer o pouco de controle que tinha e arrastá-la pra longe de todos, porém não se deixaria ser controlado por ela, seria ele a controla-la.

- Possivelmente nenhuma das respostas será do seu agrado. – disse de modo desinteressado.

Ela voltou a olhá-lo. - É uma pena, - disse decepcionada. – porque eu achei fantástico. – confessou sorridente.

- Não provoque situações com a qual você não consegue lidar. – aconselhou ele, impassível. – Não sou alguém com quem você possa brincar.

- Então, terminamos por aqui. – disse Kagome, se afastando dele, quase no mesmo instante que a música terminou.

- Obrigado pela dança. – ele sorriu falsamente, e a cumprimentou com um aceno de cabeça, Kagome sorriu forçadamente, e observou Sesshoumaru passar ao seu lado.

Suspirando lentamente ela se virou na intenção de também deixar o salão, no entanto ao fazer isso se deparou com Inuyasha.

- Oi. - falou meio insegura.

Inuyasha sorriu de um jeito tímido. - Olá! Eu vi vocês dois dançando e pensei: por que não...

Kagome abriu um pequeno sorriso e disse: - Será um prazer.

Ele pegou a mão de Kagome gentilmente, e posicionou a outra mão no meio das costas dela, começando a conduzi-la lentamente de acordo com a música.

- Sabe... O que eu falei antes... Eu estava brincando. - confessou Kagome, envergonhada.

- Então não me acha gato?! - perguntou fingindo mágoa.

Ela riu da reação fingida dele. - Talvez não estivesse brincando sobre tudo. - disse franzindo os lábios.

- Não sei se estou certo, mas parece que você e meu irmão não se dão bem. - comentou a observando.

- Está sim, não nos damos bem, - confirmou. - nós simplesmente não suportamos um ao outro.

- Entendo mais ou menos como é isso, - disse soltando uma risada fraca. - digamos que nós também tivemos nossos maus momentos.

- Deixe-me adivinhar, - sorriu irônica. - mulheres?! - presumiu.

- Por favor, só uma deve ser o bastante. – comentou rindo.

- Uma mulher. – rolou os olhos, entediada. – Dois irmãos brigando por uma mesma mulher, é algo tão... Clichê.

Inuyasha a olhou com uma expressão penetrante. – E se você fosse essa mulher? – questionou. – O que faria se dois irmãos se apaixonassem por você, e você consequentemente ficasse dividida entre eles, quem escolheria: o irmão bonzinho, ou o irmão malvado?

Ela permaneceu em silêncio o encarando, enquanto parecia pensar no assunto. – Eu escolheria ficar – sorriu. – com os dois. – respondeu com uma expressão serena, Inuyasha riu pensando que ela estava brincando, mas ela continuou séria. – Não faço distinção de um lado ou de outro. – falou com um ar misterioso, e por alguns segundos Inuyasha ficou hipnotizado pelo olhar dela, até ela inesperadamente começar a rir. – Lógico que escolheria o irmão bonzinho, o malvado certamente só me daria dor de cabeça. – admitiu com tranquilidade, Inuyasha sorriu um pouco desconcertado.

- Sua escolha ainda seria essa, se amasse mais o irmão malvado que o bonzinho? - perguntou sarcástico.

- Não, - respondeu rapidamente, pegando Inuyasha de surpresa. - se esse fosse o caso, eu escolheria o malvado.

- Por que motivo o escolheria? - questionou intrigado.

Ela se calou por um instante, e encarou os olhos negros dele de uma forma tão intensa, que Inuyasha teve a sensação que ela estava entrando em sua alma. - Quando se sente um sentimento maior e mais intenso que outro, não está amando um alguém mais que o outro, está amando exclusivamente essa pessoa, pois não é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo, ou você amava essa pessoa e deixou de amá-la, ou na verdade nunca a amou, não existe um meio termo, ou você ama alguém ou não ama, é simples.

- Nossa, eu não sabia que estava falando com uma especialista no amor. – disse um pouco surpreso e admirado.

- De jeito nenhum, nem de longe sou uma especialista, - retrucou rindo. – é impossível ser quando nunca se amou alguém de verdade.

- Está brincando, não é? – questionou descrente.

Ela sorriu fracamente. – Só é amor quando as duas partes sentem o mesmo, certo?

- É... Vendo desse ponto de vista. – disse sorrindo. – Mas então, quem das partes não correspondeu às expectativas? – perguntou com uma curiosidade quase palpável.

Kagome riu. – Não vamos nos prender a detalhes, até porque, pra desconhecidos nós já tivemos uma conversa bastante... – fez uma pausa procurando a palavra certa pra usar. - Diferente.

- Está totalmente certa, devo me abster já que você não me questionou acerca do meu... Passado.

Entretidos com a conversa, sem que percebessem duas músicas haviam se passado, e ao fim da segunda os dois se separaram, continuando de frente pro outro como se ainda existisse alguma coisa a ser dita, mas não tinham, eles não se conheciam, e possivelmente nunca chegariam a se conhecer, contudo, inexplicavelmente era como se houvesse algum tipo de atmosfera amigável, como de alguma maneira absurda eles tivessem um tipo de ligação, não havia uma explicação lógica pra esse tipo de sentimento, a não ser que de alguma forma totalmente insana ele tivesse gostado dela, algo que não deveria acontecer quando se desconfia de alguém, principalmente quando se cogita mata-la.

Essa era mais uma razão pra por em prática seu plano e, descobrir se ela é de fato ou não uma vampira, o que agora parece ser mais improvável, aos seus olhos ela é totalmente comum, embora seja um pouco misteriosa, mas não há ninguém no mundo que não esconda um segredo ou dois, por exemplo, ele.

- Foi muito bom conversar com você, Inuyasha, mas agora preciso falar com alguém. - disse com um gentil sorriso, ele sorriu de volta, tentando pensar rapidamente numa maneira de tirar a pulseira dela sem que a mesma percebesse, Kagome virou metade do corpo olhando pra trás, como se tivesse ouvido a chamarem, Inuyasha viu que ela iria lhe dar as costas por completo, e decidiu agir rápido.

- Espera. - disse ele, levando a mão em direção ao braço esquerdo de Kagome, e assim que o agarrou todo o salão ficou no completo escuro, em seguida se escutou um estrondo e o barulho de algo rolando escada abaixo. - O que foi isso? - perguntou ele, preocupado.

- Não sei, mas preciso encontrar meus pais. - sua voz soou nervosa e assustada, ela deu um passo adiante, fazendo Inuyasha soltar seu pulso, nesse momento ele sentiu a pulseira se desprender do braço dela e cair no chão, Kagome saiu em meio à escuridão sem perceber que a perdeu, e sem nenhuma pressa Inuyasha abaixou-se e apanhou a pulseira, a guardando em seu bolso, e só depois seguiu a procura de Kagome.

As pessoas estavam assustadas e nervosas, sem saber o que estava acontecendo, elas sussurravam perguntas umas as outras deixando o ambiente barulhento, e assim atrapalhando a busca de Inuyasha por Kagome e pelo responsável dessa confusão. De repente um cheiro bastante comum invadiu seu olfato, Inuyasha inspirou o ar, comprovando que o cheiro era mesmo de sangue, e então a luz foi restabelecida, deixando novamente todo o lugar iluminado, assim que isso aconteceu, ele a viu, ela estava a menos de três passos dele, paralisada, suas batidas cardíacas estavam extremamente irregulares. Um alarme soou na cabeça de Inuyasha, lhe dizendo que o motivo dela estar assim era o cheiro de sangue, ele chegou rapidamente até ela, com o propósito de para-la antes que fizesse uma besteira, mas quando estendeu a mão para toca-la ela saiu correndo.

- Ele está morto! - gritou uma das convidadas, horrorizada, ao ver um homem estendido no chão.

Kagome se ajoelhou diante o corpo do homem, que estava virado pra baixo, próximo aos últimos degraus da escadaria, e sem pensar duas vezes o virou, o reconhecendo de imediato, ela não conseguia acreditar no que estava acontecendo, com as mãos trêmulas ela percorreu o corpo dele parando no pescoço, que fora quebrado durante a queda.

- Não, não, você não pode morrer! - murmurou atônita. - Myouga, acorda! Acorda! - mandou descontrolada, a aflição tomou conta dela, e antes que percebesse lágrimas estavam a rolar por sua face.

Ao seu redor todos assistiram a cena com pesar, compadecidos pelo sofrimento dela. Seus pais finalmente surgiram por entre as pessoas, se assustando com a cena diante deles, logo atrás deles Sesshoumaru observava tudo totalmente surpreso, parece que afinal eles estavam enganados sobre ela, ele principalmente, havia a julgado mal, ela talvez só fosse alguém que não consegue expressar bem seus sentimentos, alguém que a vida tornou insensível.

Rapidamente a polícia chegou ao local, controlando toda a situação, os convidados deixaram a mansão transmitindo suas condolências pela morte de Myouga, e como era um caso isolado e aparentemente um fatal acidente, a imprensa foi mantida afastada. O corpo foi levado embora, e por fim as únicas pessoas que restaram no local foram à família Taisho.

- Nós sentimos muito, - disse Inutaisho. - entendemos como é ter um empregado que faz parte da família.

- Myouga era alguém muito querido por todos nós, pra Kagome especialmente, ele a viu crescer e foi como um segundo pai. - disse Ayumi, suspirando. - Mas ela é forte e vai superar essa perda.

- Esperamos que sim, sei que ela também perdeu os avós. - comentou Inutaisho.

- Sim, mas faz muito tempo. - explicou Akio.

- Ela ficará bem sozinha? - perguntou Izayoi, preocupada.

Ayumi deu um pequeno sorriso, e assentiu. Depois de mais alguns minutos conversando com a família Higurashi, a família Taisho se despediu deles e logo após deixaram a mansão, Inutaisho e Izayoi foram à frente, e logo atrás foram Sesshoumaru e Inuyasha.

- Parece que não adiantou de nada ter conseguido isto aqui. - disse Inuyasha, erguendo a pulseira, Sesshoumaru virou o rosto de lado olhando pra o objeto, e então voltou a olhar pra frente.

- Ainda não temos certeza sobre a verdade. - disse Sesshoumaru, perdido em pensamentos.

- O que há pra ter certeza? - questionou guardando a pulseira de volta em seu bolso. - Se ela fosse uma vampira, teria se transformado bem diante todas aquelas pessoas, o cheiro de sangue teria a enlouquecido, e isso não aconteceu nem hoje, nem antes quando encontrou a garota morta, e também ela não estaria cursando logo medicina. - argumentou.

- Concordo com seu ponto de vista, mas isso nos leva a segunda opção.

- Uma caçadora de vampiros. - Inuyasha olhou pra fora do carro. - Não tem como descobrimos isso sem sermos expostos.

Sesshoumaru riu. - Desde quando se tornou tão estúpido?

- Adoro sua maneira delicada de dizer que sabe um jeito. - disse rolando os olhos.

- Podemos usar sempre alguém pra fazer o trabalho sujo. - explicou. - Mas por enquanto, vamos apenas observa-la.

- Vai ser divertido. - disse sorrindo.

- Ah, - disse Sesshoumaru se recordando de algo. - a quem se referia quando disse irmão bonzinho?

Então foi a vez de Inuyasha rir. - Não sabia que estava prestando a atenção na nossa conversa.

- Quando a conversa me inclui, é claro que vou escuta-la.

- Sei. - falou fingindo acreditar nele. - Mas caso não saiba, eu me considero o irmão bonzinho. - sorriu ironicamente.

- Vou fingir que nunca escutei isso.

- Eu só achei que ficaria sem graça perguntar qual dos dois irmãos ela escolheria, o irmão malvado, ou o irmão mais malvado ainda.

- Não vou falar mais nada sobre esse assunto. - alertou impassível, sabendo onde essa conversa iria dar.

- Não é engraçado como Kagome faria também a mesma escolha que ela? - disse rindo de modo sarcástico, Sesshoumaru continuou calado, concentrado em apenas dirigir. - No entanto seria mais hilário ainda, se nós dois também nos apaixonássemos por ela.

Sesshoumaru estreitou os olhos, irritado. - O melhor que você faz é esquecer o que aconteceu, pois nada que faça agora mudará o passado, e também não devia desejar que algo assim aconteça novamente.

- Fique relaxado, não cometerei outro erro como aquele, eu aprendi a lição. - garantiu.

Os dois seguiram o restante do caminho em silêncio, enquanto suas mentes vagavam pra uma parte da vida deles que eles preferiam não lembrar, porque afinal de contas àquela relação não foi bom pra nenhum dos dois, por pouco não se destruíram.


10 de Fevereiro

08:12

A noite anterior havia sido longa e cansativa, apesar de ter tentado por diversas vezes dormir, Kagome não conseguiu, era impossível ter qualquer momento de descanso depois de ver Myouga morto, mais uma vez o mundo brincava com ela, lhe arrancando pessoas importantes, pessoas que a ajudariam a seguir em frente. E novamente tinha que arranjar um jeito de continuar, sem se abalar, reprimindo todos os sentimentos dentro de si, não se permitindo sentir, porque sentir é doloroso.

Sua fuga: a universidade.

Cerca de quarenta minutos depois ela estacionava seu carro numa das vagas do estacionamento, girando a chave ela desligou o carro, e olhando pela milésima vez seu pulso esquerdo viu que sua pulseira não repousava nele, então suspirou frustrada, com toda a confusão que aconteceu não conseguiu prestar a atenção em que momento a perdeu, precisava a encontrar de qualquer maneira, era um item muito valioso pra ela, tanto quanto sua vida. Kagome pegou a bolsa que estava no banco do passageiro e assim saiu do carro, acionando o alarme logo após. O céu estava completamente nublado, sem evidência de qualquer raio solar, mas mesmo assim Kagome usava óculos escuros, usava um vestido branco rodado da cintura para baixo, com alças finas e decote quadrado, o estilo lembrava muito os vestidos Lolita.

Se misturando aos demais universitários ela seguiu o caminho até sua sala, sem se importar com os olhares que lhe eram direcionados, dois deles nem ao menos foi notado por ela.

Os irmãos Taisho observaram a chegada de Kagome de modo minucioso, atentos a todos os movimentos dela, e como já haviam previsto não existia nada de muito incomum em seu comportamento, além dela parecer estar triste e distraída, algo que era inevitável já acabara de perder alguém importante, e também o uso desnecessário dos óculos, porém parecia bem obvio o motivo dela o usar, então foi ignorado por eles.

- Bem, isso acaba com nossas desconfianças. – disse Inuyasha, cruzando os braços, enquanto se virava pra encarar o irmão.

- Uma delas. – retrucou Sesshoumaru, indiferente. – Devolva a pulseira a ela, e tente se aproximar dela sem causar suspeitas. – mandou lançando um olhar de aviso, para que não cometesse nenhum erro, então deu as costas a ele.

- Por que você não faz? – questionou Inuyasha, intrigado com o comportamento de Sesshoumaru, não que ele fosse tão diferente disso, mas quando o assunto em questão era Kagome, ele parecia ser bem cauteloso e insensível, mais que o habitual.

Sesshoumaru o olhou por sob o ombro. - Eu não quero. – respondeu seco, e o deixou pra trás.

- Não vá se arrepender depois. – murmurou Inuyasha, com um sorriso divertido nos lábios, sabendo que ele o escutaria.

E o escutou. Sesshoumaru franziu as sobrancelhas, irritado, já estava arrependido disso.

Havia pouquíssimas vezes em que ele sentia que não deveria fazer algo, e essa era uma delas. Portanto, somente dessa vez ele faria essa escolha, ainda que tivesse consciência que provavelmente fosse o certo, sabia que era errado, errado para ele.


Quando Sesshoumaru finalmente entrou na sala todos já estavam sentados, e incrivelmente comportados, o poupando de ter que mandar fazê-los isso, ele caminhou até o centro da sala, e parou, ficando de frente para todos, anunciou o tema da aula, então começou sua explicação, enquanto passeava com o olhar pela sala, parando repentinamente em Kagome, ela continuava de óculos, e olhava diretamente para ele, então por algum motivo ele se sentiu irritado, tentado a fazer alguma coisa contra ela.

- Senhorita Higurashi, poderia fazer o favor de guardar seus óculos, acredito que não tenha necessidade de usá-los aqui dentro. – disse Sesshoumaru, seriamente.

Kagome moveu a cabeça um pouco de lado, ponderando. – Terei que os tirar se quiser continuar aqui? – perguntou tranquila, sendo observada por todos ao seu redor.

- Exatamente. – respondeu ele, visivelmente impaciente.

Ela cruzou os braços e encostou-se à cadeira, suspirando frustrada. - Tudo bem. – disse por fim, então pegou suas coisas e levantou-se. – Vejo vocês mais tarde, meninas. – lançou um sorriso para as amigas, e começou a descer os degraus lentamente, irritando profundamente Sesshoumaru, chegando ao fim dos degraus, ela continuou a andar em direção a porta, parando antes, diante Sesshoumaru. – Até amanhã, professor. – saudou educadamente, e prosseguiu sem olhar pra trás.

Ele estreitou os olhos em direção a ela, e decidiu por ignorá-la no intuito de voltar ao que estava fazendo, porém quando pretendia abrir a boca pra continuar de onde havia parado, um dos estudantes se levantou, chamando sua atenção.

- Com licença professor. – pediu Kouga, antes de rapidamente deixar a sala, e evidentemente seguir Kagome.

Sesshoumaru ficou calado por um momento, se sentindo irritado por sua autoridade estar sendo posta a prova, mas tinha certeza que ninguém além de Kagome tentaria o confrontar, ela era a única que possuía tal coragem, contudo o Kouga já era outra história, ele saiu correndo como um cão atrás do dono, e poderia se tornar um empecilho em seus planos, podia ver de longe que ele era um problema, e que todos ao redor dela sem exceção deviam ser observados, particularmente esse Kouga.

Não. Gostava. Nenhum. Pouco. Dele.

Curiosamente, suas aulas pareceram passar rapidamente, e embora não quisesse admitir havia ficado perturbado, tendo que se esforçar pra não perder o foco diante os estudantes, pois uma pequena parte de sua mente estava concentrada na ideia de Kagome e Kouga estarem juntos, e não sabia exatamente que tipo de relacionamento eles tinham, porém era bastante óbvia a intenção dele, está bem claro que ele não enxerga ela apenas como uma simples amiga, afinal de contas essas coisas não existem, quando um homem se aproxima de uma mulher existe sempre um interesse a mais, a história de amizade é somente conversa fiada pra tentar conquista-la e manter os concorrentes afastados, já havia usado esse truque no passado, e no final sempre dava certo.

Deixou a sala tão logo o sinal bateu, estava frustrado porque ele era o responsável deles estarem na companhia do outro, não devia estar dificultando as coisas pra si, pois com esse tipo de atitude só conseguirá afastar mais ainda ela, no entanto, é exatamente o que quer: afasta-la, e se manter o mais longe possível dela, porém quanto mais deseja afastar ela e ficar distante, mais se intensifica o desejo por ela, suprimir tal sentimento só faz com que ele aumente cada vez mais, e Sesshoumaru não sabe até onde é capaz de ir pra conseguir o que quer, por isso não fará nada, porque nas circunstâncias que se encontra tomar qualquer decisão é muito arriscado, não apenas porque estão na cidade com um único propósito, mas também porque ele não sabe quem Kagome Higurashi é de verdade.

Os corredores por onde Sesshoumaru passava estavam completamente vazios, sem sinal de qualquer pessoa, ele ia a caminho da sala de professores, quando notou a poucos metros dele duas pessoas sentadas no batente alto que dava acesso ao pátio. Continuou andando sem alterar o ritmo de seus passos, e quando passou por eles não conseguiu evitar uma rápida olhada, como se era de esperar, eram eles, Kouga estava sentado à direita de Kagome, olhando pra baixo de maneira distraída, enquanto ela descansava a cabeça no ombro dele, e ironicamente ela continuava com os olhos cobertos pelas lentes escuras dos óculos, mas pôde perceber que seus olhos estavam fechados, e também que sua respiração estava lenta, como se estivesse dormindo. Ele andou um pouco mais e dobrou a esquerda seguindo um novo corredor, e alguns metros depois chegou ao seu destino, porém não entrou na sala, parou antes da entrada e concentrou sua audição.

Kouga ergueu os olhos, e observou o rosto tranquilo de Kagome, então sorriu. - Durona uma ova! - disse ele, desviando o olhar dela.

- Eu ainda consigo ouvir você caso te interesse. - murmurou Kagome, com a voz arrastada.

Kouga riu. - Então escute o que vou te dizer. - pediu.

- Estou quase dormindo. – avisou com a voz quase sumindo.

Ele sorriu novamente, e fez um pequeno silêncio antes de falar. - Tudo vai ficar bem, não se preocupe, eu estarei sempre ao seu lado. - prometeu ele, e Kagome permaneceu calada, levando Kouga a acreditar que ela tinha adormecido.

Mas então de repente ela disse:

- Espero que esteja.

E por fim ela foi levada ao mundo irreal.


Com o final das aulas todos estavam a se deslocar para o estacionamento, Inuyasha também, ele caminhava lentamente um pouco atrás de Sango e Rin, pois sabia que as duas se reuniram com Kagome lá, e assim aconteceu, Kagome estava à espera delas em frente ao carro dela, um Porsche branco, logo as três começavam a conversar freneticamente, rindo às vezes.

Inuyasha enfiou a mão no bolso da mochila e de lá tirou a pulseira que pertencia a Kagome, era uma pulseira curiosa, ela tinha três tiras trançadas de couro, e nelas estavam presos vários pingentes, um dos pingentes era uma meia lua de ouro, uma miniatura da torre de Tóquio feita de bronze, um pingente de prata do símbolo do infinito, um pequeno rubi em formato de coração, e o mais estranho deles: um pingente de ouro branco da letra T, por último uma gota de cristal azul. Provavelmente cada pingente daquele tinha um significado, que somente Kagome conhecia, se perguntou se ela diria quais eram se a perguntasse, ele guardou a pulseira no bolso da calça, e seguiu na direção das três.

- Olá garotas! - as cumprimentou.

- Oi. - disseram as três sorrindo.

- Perdão por atrapalhar a conversa de vocês, mas é que preciso falar um pouco com Kagome. - explicou Inuyasha, gentilmente.

As duas amigas olharam rapidamente na direção de Kagome, lançando a ela sorrisos maliciosos, e Inuyasha se segurou pra não rir, lembrando que Sesshoumaru estava a observar tudo de longe, e o mataria se estragasse tudo.

- Se é assim, vamos deixá-los conversar. - disse Sango, com ar divertido.

- Sim, sim. - concordou Rin. - Te vejo amanhã Kagome, vou pegar uma carona com a San.

- Se prefere desse jeito. - disse Kagome, olhando pra Rin com uma expressão bastante confusa.

- Nos encontramos em casa. - disse Sango, arrastando Rin na direção de um dos carros estacionados.

- Não ligue pra essas duas, - disse Kagome, rolando os olhos. - o cérebro delas às vezes dá defeito. Mas aí qual é o problema?

- Bom, eu não tive a oportunidade de falar isso a você ontem, mas queria dizer que lamento muito pelo senhor Myouga.

- Obrigada. - agradeceu ela, e seus olhos adquiriram um brilho triste.

- Mas a razão de querer mesmo falar com você, - ele enfiou a mão no bolso. - é porque quero te entregar isso. - Inuyasha puxou a mão direita de Kagome, e a segurou sobre a sua e em seguida depositou a pulseira em sua mão.

No primeiro momento Kagome estranhou a atitude de Inuyasha, mas ao ver o que ele havia colocado em sua mão, sua expressão mudou, seus olhos brilharam intensamente, tamanha era sua felicidade por ter recuperado a pulseira, e um sorriso feliz se formou em seus lábios, Inuyasha observou a felicidade dela encantado, mais uma vez ela conseguia causar tal efeito nele, Kagome ergueu os olhos e o olhou, ele sorriu pra ela, e sem que ele esperasse ela deu um leve beijo em seu rosto, e o abraçou, surpreendendo extremamente Inuyasha, que ficou sem ação por alguns instantes.

- Obrigada, Inuyasha. - disse ela, após se afastar dele.

Ele sorriu. - Vendo sua reação, estou contente por devolvê-la a você.

- Não sabe o quanto ela é importante pra mim. – disse feliz.

- Alguém especial lhe deu? - perguntou ele, curioso.

Kagome sorriu. - Sim, meus avós. - e ao dizer isso sua voz transmitiu tanto amor e tristeza.

Inuyasha se aproximou dela, e a ajudou a colocar novamente a pulseira em seu braço esquerdo.

- Como posso agradecer? - perguntou ela.

- Não é necessário.

- De jeito nenhum, nunca deixo de retribuir um favor. - disse decidida. - Que tal apresentar você a melhor festa da cidade?

- Devo confessar que seria uma excelente maneira de me agradecer. - disse Inuyasha, sorrindo.

- Este final de semana. - informou ela, e Inuyasha concordou com um aceno de cabeça. - Garanto que não irá se arrepender, depois passo o local pra você, vou indo.

- Até amanhã. - disse Inuyasha, e acompanhou com o olhar ela deixar a universidade.

- Você foi muito bem. - disse Sesshoumaru, repentinamente atrás de Inuyasha.

- Sim, eu acho que me dei bem. - provocou Inuyasha, sem olha-lo, e seguiu até seu carro, deixando também a universidade.

Sesshoumaru estreitou os olhos, relembrando a cena de Kagome abraçando Inuyasha, e a cena dela com a cabeça no ombro de Kouga.

- Não posso acreditar nisso.

E também partiu.


#22:35

Um ambiente elegantemente decorado nas cores vermelho escarlate e bordô com claridade a meia luz, tornando o ambiente misterioso, nas paredes estantes que iam até o teto, com obras raras, na parede em frente da porta uma lareira crepitava, com poltronas de veludo negro, duas criaturas da noite conversavam.

- O que nosso pai falou sobre o acontecido na casa dos Higurashi? - perguntou Inuyasha, sentando na poltrona em frente à Sesshoumaru.

- Parece que foram dois vampiros, um desligou as luzes, e o outro jogou Myouga escada abaixo. - explicou Sesshoumaru, concentrado no líquido que havia em sua taça.

Inuyasha estreitou os olhos. - Qual seria o propósito deles?

- Foi um aviso pra nós, dizendo que eles sabem que estamos na cidade. E nosso pai decidiu não fazer nada por enquanto, ele primeiro quer saber quem é o principal responsável por tudo de estranho que acontece aqui.

- Existe alguma ligação entre essa morte e a da estudante de direito?

- Talvez sim, - respondeu despreocupado. - dois humanos mortos misteriosamente, certamente existe algo por trás que os liguem.

- Soube que mandou Jaken descobrir informações sobre Kagome. - comentou Inuyasha, bastante interessado. - Alguma coisa importante?

- Não muito, - disse franzindo as sobrancelhas. - tudo que Jaken me revelou é muito monótono, ela é praticamente perfeita, exceto pela sua personalidade forte, não existe nenhum problema com a família, tem poucos amigos, digamos que ela tem uma vida completamente normal, a não ser por suas saídas noturnas, na qual algumas vezes ela simplesmente desaparece.

- E não é suspeito esse desaparecimento? – questionou erguendo uma sobrancelha.

- Claro que sim, por isso temos que segui-la e descobrir aonde ela vai.

- Minha vida nunca foi tão emocionante. - disse rolando os olhos.

Os dois ficaram calados, e por um momento apenas o que se escutava era o estalar do fogo, até de repente a janela bater ruidosamente, fazendo eles dois ficarem em alerta.

- Tem alguém aqui. - disse Inuyasha, os dois se levantaram devagar, seus olhos atentos, a procura do invasor.

- Como é bom revê-los, garotos.

Eles se viraram na direção que vinha a voz.

- Ah, meu deus! - bufou Inuyasha inconformado, enquanto encarava o invasor diante deles, ao seu lado Sesshoumaru suspirou cansado.

- Sim, acho melhor vocês se prepararem, pois vou tornar suas vidas um inferno. – jurou sorrindo.


N/A:

Estou de volta gente!

Como um mês passa rápido, estou um pouco atrasada na produção dos capítulos, porque tive vários momentos de travamento, e tive que refazer o que havia feito, também alterei algumas pequenas coisinhas como sempre no capítulo antes de postar, por isso as meninas que já o leram sugiro que leiam novamente, tenho certeza que perceberam a diferença.

Quero agradecer mais uma vez a minha beta por revisar o capítulo, e pela descrição da segunda roupa de Kagome, e o ambiente da sala da mansão Taisho, ela me faz favores sem eu pedir, e eu AMO! Gracias sua linda, você será bem recompensada, provavelmente.

E claro, agradeço pelas lindas reviews. Elas que me fazem funcionar, eu sinceramente necessito de motivação pra escrever, e diria que às vezes até de ameaças (não dê ideias a elas Kagmarcia). Quem quiser falar comigo é só me adicionar no facebook, adoro conversar com vocês leitoras, recentemente conheci a Lica e a Raissa, minhas novas leitoras maravilhosas, elas são uns amores, gostei bastante de conhecê-las.

Então... Se tudo der certo, daqui um mês eu estarei de volta com o capítulo três, vou tentar ao máximo termina-lo nesse tempo. Tenho toda a história planejada na minha mente, mas a partir de certo ponto, o desenrolar pra chegar até onde quero é bastante difícil de fazer, por isso estou tendo dificuldades, mas quando conseguir sei que se tornará mais fácil.

Me motivem!

Estou ansiosa pra ver as teorias de vocês, e o que estão achando da história, estão gostando da Kagome, Sesshoumaru, Inuyasha? E quem será o novo personagem a se juntar a história, alguém arrisca?

Bom, fiquem com o surto da minha beta amada.

Bye!


POV BETA

AAAAHHHHHH!

SÉRIO, AMEI...

Surtei geral em minha casa, e o legal, foi que levantei mais cedo da minha cama quentinha para revisar, e me arrependi, de não ter feito isso logo que recebi a fic...

Ficou super mega incrível, a espera valeu mais do que a pena.

Eu amo essa minha escritora, que a cada nova fic, a cada capitulo, me surpreende com seu talento!

Bjs amiga!