Desabafo De Uma Escritora

By Kagmarcia


Antes de iniciariam a leitura gostaria de dizer que essa será minha última obra publicada, infelizmente não voltarei a escrever ou publicar algo. Encerro minha carreira com uma história que pensei nunca ser capaz de escrever, obrigado por acompanharem meu trabalho.

E obrigado S.


Parte Um

Depois de anos me dedicando ao meu trabalho de escritora, me vejo numa situação no mínimo humilhante, e eu não podia estar mais revoltada com isso, durante horas, dias e até meses, eu me esforcei ao máximo para criar algo digno, capaz de despertar o interesse das pessoas, e principalmente a aprovação e reconhecimento geral. Cada página que escrevi continha tudo de mim, exigia de mim toda uma preocupação, cuidado e muita dedicação para que a história se encaixasse de uma maneira impressionante, para agradar não somente aos meu leitores, como também a mim mesma, e com isso consegui criar histórias que nenhum autor foi capaz de superar. Mas agora todos os meus esforços estão sendo menosprezados, todos parecem esquecer que todos os meus livros bateram recordes de vendas, e são considerados os melhores de seus respectivos gêneros. Então me pergunto porque para eles isso já não é suficiente, nenhum deles seria capaz de escrever um parágrafo melhor que eu, ainda assim, sentem-se no direito de me fazer cobranças, só tenho apenas uma coisa para dizer a eles:

VÃO PARA O INFERNO!

Isso mesmo.

Bom, talvez eu esteja exagerando. Eu nem preciso me importar com os que eles pensam ao meu respeito mesmo. São apenas críticas construtivas. Eu sei lidar bem como elas! Sei? Bem, não lembro de ter recebido nenhuma no decorrer desses anos. Então talvez eu não esteja sabendo aceitar bem essa opinião sobre mim. Quem sabe eu posso estar surtando um pouquinho com isso. Só um pouquinho.

Porque não foi graças a minha beleza que consegui ter meu rosto estampado por todo o mundo, mas sim ao meu nome gravado nos livros, conquistei tudo com a minha habilidade de escrever as histórias mais aterrorizantes e misteriosas já escritas, a nível psicopata por assim dizer, também me aventurei na comédia e no drama, tendo um excelente resultado e, assim, arruinando a opinião daqueles que me julgaram incapaz de tal proeza. Muitos me criticaram ao decidir tentar novos gêneros, afirmando que uma autora como eu não se adequaria a tão diferentes ares, seria completamente impossível, e poderia colocar um fim na minha carreira caso falhasse. Ainda consigo lembrar claramente da expressão de total derrota de cada um deles, confesso que foi gratificante, pois provei ao mundo que também sou boa escrevendo outros estilos além daqueles que mais me destaco.

No entanto, parece que o mundo gosta de conspirar contra mim, pois agora eles me desafiam a mudar radicalmente a forma que escrevo, migrando para um gênero considerado por mim como abominável. Devo dizer que foi uma punhalada covarde, nunca esperei receber uma ofensa dessas.

Bom, acho que agora eu deveria explicar a razão de todo esse surto de raiva. Então lá vai.

Era um dia como qualquer outro, cheio de compromissos, e o último deles era uma entrevista para uma revista Japonesa famosa, após andar de um lado para o outro durante todo o dia, eu estava completamente exausta, desesperada para ter algum descanso, por isso meu humor não estava dos melhores, mas teria que me conter até que tudo chegasse ao fim, então coloquei meu melhor sorriso no rosto, e recebi o repórter.

No começo ele foi fazendo perguntas de praxe sobre as ideias para escrever e coisa e tal, sem muita relevância a respeito do processo de escrita do meu livro, até que tocou num assunto inesperado para mim.

- Kagome, todos nós sabemos que possui capacidade para escrever diferentes tipos de gêneros, terror, aventura, ação, mistério e até mesmo comédia. - falou ele, com aquele ar profissional e crítico, eu sorri orgulhosa. - Entretanto, existe um que nunca tentou, - fez uma pausa, e o incentivei a continuar com um leve aceno de cabeça. - o romance. - completou me pegando de surpresa, entreabri a boca pensando em algo para dizer, ele estava gravando toda a conversa, então tinha que escolher bem minhas palavras.

- Bom, eu não me sinto atraída por esse estilo. - expliquei sem me importar com o assunto, e esperei que ele mudasse para o assunto em questão que era o meu livro recém lançado.

- Por que não? - questionou confuso, e continuou sem esperar minha resposta. - Imagine se você juntasse todos os gêneros dos quais domina ao romance. Conseguiria ter uma história extraordinária.

- Acho que sim. - concordei dando de ombros. - Mas quando há romance numa história, ele se torna o foco principal dela, e todo o resto se torna insignificante, então veja bem, não tenho a intenção de menosprezar o que faço de melhor.

Ele assentiu, concordando comigo. - Já que não aprova a mistura de gêneros, então o que acharia de escrever um romance?

- Como mencionei antes: não me atrai. - disse entediada, desesperada para que ele desse por fim esse assunto.

- Quer dizer que superar a Kagura Nakamura nem pensar? - questionou com um riso contido.

Ele tinha que mencionar aquela ordinária! Todo o sistema solar sabe que nos detestamos, e introduzi-la a conversa significa que ele quer me ver perder a compostura. Mas eu não daria esse gosto a ele de jeito nenhum!

- Um livro erótico, é isso? - perguntei dando um sorriso sarcástico.

- Mesmo uma obra erótica possui romance, - argumentou. - e também ela não se destaca apenas nele, Kagura é conhecida por escrever os mais famosos romances.

Rolei os olhos, enojada. - Sim, depois de ler um livro dela tive que ir ao hospital verificar a taxa de glicose.

O repórter riu do comentário. - Já pensou na possibilidade de não ser sua opinião sobre o assunto que afasta um possível talvez, mas sim o fato de saber que é incapaz de escrever um romance? – questionou com um sorriso sarcástico nos lábios.

O que esse imbecil está dizendo?

O olhei indignada, me levantando rapidamente do sofá onde estava sentada. - A entrevista acabou! - declarei irritada, alertando que ele devia desligar o maldito gravador, e comecei a me dirigir para fora do recinto. Eu não ia ficar ouvindo tamanha idiotice.

- Admita Kagome, você nunca seria capaz de criar um romance. – ele instigou andando atrás de mim, não sabia se ainda estava gravando, então me segurei para não dizer algo que me prejudicasse depois.

- Não importa o que diga, não conseguirá mudar minha decisão. - falei despreocupadamente.

Controle-se Kagome. Mantenha a calma.

- Te desafio a mudar minha opinião sobre você.

Dei uma rápida olhada de canto para ele, pensando se valia a pena enforcá-lo com o meu cachecol, porém acabei me convencendo que estaria apenas perdendo meu precioso tempo, e não queria ir para cadeia por causa de um assunto tão insignificante, por isso o deixei para trás sem mais comentários.

E após uma semana, aquelas malditas palavras ainda estavam ecoando na minha cabeça.

"Admita Kagome, você nunca seria capaz de criar um romance."

E agora a maldita entrevista tinha sido publicada. Consegui que as falas após eu encerrar a entrevista não fossem publicadas, mas infelizmente isso não foi suficiente para dar um fim na história, e assim o assunto ganhou repercussão na mídia. E claro, eu tinha certeza que isso não seria bom para minha imagem, muito menos para os meus nervos.

- Isso é para você aprender a não dar entrevistas. – disse frustrada, jogando a revista de qualquer jeito na mesa de centro, peguei o controle remoto e liguei a televisão na intenção de me distrair. A televisão estava em um programa de notícias, então meu impulso foi trocar de canal imediatamente, mas ao ouvir o assunto em questão mudei de ideia.

- Pesquisas apontam que os leitores preferem livros de terror, suspense, e ação...

Sorri alegre com a informação. São os melhores sem sombra de dúvida.

- No entanto, os romances estão ganhando alto destaque misturado aos demais gêneros, muitos leitores que não curtem romances, dizem aprovarem a mistura, mas criticam as histórias românticas por as acharem superficiais demais. O que nos leva a observar, que nem todos os escritores tem capacidade para atender as expectativas dos leitores...

Não quis ouvir o resto dessa idiotice e desliguei a televisão, agora mais irritada que antes. - Isso só pode ser algum tipo de brincadeira. É muita ironia. - larguei o controle remoto de lado, e deitei a cabeça no encosto do sofá. - Não vou deixar isso me afetar, não vou! – repeti para mim mesma tentando me acalmar, mas não surtiu efeito.


A noite chegou de forma demorada e perturbada, a entrevista terminou causando o alvoroço que eu temia acontecer, constantes ligações de todos os lugares, todos curiosos em saber minha posição sobre o tema. Para piorar a situação - porque ela sempre se tornar pior -, teria que fazer uma aparição em público à noite, uma festa de premiação, onde estaria recebendo o prêmio de melhor escritora do ano nas categorias: mistério e terror, logo, eu não podia faltar, principalmente com toda essa confusão. Sei muito bem que o que eles querem é me ver encurralada, querem que eu admita não conseguir, ou pior, me forçar a escrever e assim mostrar que posso, ou me ver falhar e destruir minha imagem com isso, e sinceramente, nenhuma das alternativas me agrada.

Às vinte horas e ponto eu chegava ao evento, acompanhada do meu irmão mais novo Souta, achei que me sentiria mais confiante se alguém estivesse ao meu lado, e estava certa, mostrei a todos que não havia me abalado com os inúmeros comentários. No entanto, a verdade por trás dessa máscara, é que eu estava furiosa com a simples ideia de ser questionada sobre escrever uma porcaria de romance, não sei o que tinha de errado em não querer escrever romances, não é natural não querer escrever sobre algo que não gosta? Ainda tenho que preservar meu gosto pessoal. E além de tudo, meu orgulho como escritora!

- Quer se acalmar! Daqui a alguns minutos subirá ao palco para receber um prêmio. - falou Souta, rindo de mim, já que não bastava o mundo inteiro estar.

- Acredite, estou me esforçando. – disse forçando um sorriso.

- Por que não os ignora e pronto? Uma hora eles vão parar. - sugeriu Souta. - Você nunca fez o tipo romântica mesmo. - sussurrou perto do meu ouvido.

Nesse momento surge alguém diante nós, e ao identificá-la rapidamente, garanto ter em meu rosto a expressão mais cínica que o mundo já viu, Kagura Nakamura encontrava-se bem a minha frente, sorrindo de modo irônico. Ela estava presente no evento para receber o prêmio de melhor escritora de romance. Que maravilha! Sorria Kagome. Sorria.

- Kagome Higurashi. - disse ela, num tom desdenhoso. – Tenho que dizer que amei a entrevista que deu, no entanto me pergunto como vai sua taxa de glicose? - perguntou sarcástica.

- Ah, muito bem, já que não li mais dos seus livros. – sorri de modo triunfante para ela.

Ela me olhou irritada. - Sabe, está fazendo uma boa escolha em não se envolver no mundo dos romances, você seria facilmente esmagada! – disse com grande confiança, e devo dizer com um pequeno tom de ameaça.

- Presumo que por você? - perguntei irônica.

- Sim! – afirmou tranquilamente. - Porque você nunca conseguirá criar um romance, principalmente um que supere qualquer dos meus! – debochou sorrindo com grande triunfo.

Estreitei os olhos, enfurecida. Ela está morta!

Antes que pudesse abrir a boca, meu nome foi chamado pelo o apresentador do evento, e minha raiva se esvaiu instantaneamente, abri um enorme sorriso, e segui até ao palco, recebendo os aplausos de todos os presentes, cumprimentei o apresentador ao mesmo tempo em que ele me entregava uma estatueta de ouro em formato de livro, então me posicionei diante o microfone.

- Não vou agradecer, já que foi algo que conquistei por mim mesma. - falei com seriedade, surpreendendo as pessoas com minha arrogância.

- No entanto, preciso agradecer ao repórter Naraku pela publicidade que a entrevista dele trouxe, graças a ele, agora toda atenção da mídia está voltada para mim, todos querendo um pedaço de mim. - disse num tom divertido, fazendo as pessoas rirem, direcionei meu olhar em direção a Kagura, que continuava ao lado de Souta, e pela expressão do meu irmão, ele sabia perfeitamente que eu ia fazer merda. E foi o que eu fiz.

– E agora aproveitando a oportunidade de estar aqui recebendo mais uma vez esse prêmio maravilhoso, - disse olhando o prêmio em minhas mãos. - irei aproveitar para anunciar que minha próxima obra será é claro... – fiz uma pequena pausa, observando o olhar das pessoas presentes.

Já havia visto aqueles olhares críticos ao meu respeito. E eu não gostei de ver novamente. Então conclui dizendo: - um romance. - e enquanto Kagura expressava total surpresa, eu exibia um encantador sorriso, satisfeita com a reação dos repórteres e convidados, os flashes dispararam freneticamente, e as pessoas aplaudiam incansavelmente.

– Mas não qualquer romance, um que supere os da atual melhor romancista Kagura Nakamura! – finalizei chocando mais ainda todos, inclusive a pessoa citada.

Embora naquele momento parecesse estar tão segura de mim, por dentro não existia tanta confiança assim. Sim, eu me deixei levar pela provocação de Kagura, e esse erro pode me custar bem mais que somente minha carreira, poderá custar minha honra como escritora. Como você foi ingênua Kagome Higurashi. Caiu direitinho na armadilha de seus inimigos.


Dois dias após essa declaração bombástica, finalmente decidi iniciar o que talvez viesse a ser a mais difícil das coisas que já fiz na vida, então depois de estar completamente relaxada, sentei diante meu notebook, no conforto do meu escritório, fitei a página em branco do Word por alguns segundos, e comecei a digitar pausadamente.

Misaki não esperava esbarrar em alguém, e então se apaixonar instantaneamente, o homem a sua frente era a personificação de Adônis, seus olhos eram hipnotizantes, era impossível deixar de encará-los, seu corpo estava petrificado, e tudo que mais desejava era que ele a beijasse.

Eca! Que droga é essa? Personificação de Adônis?

Apaguei tudo imediatamente, envergonhada com tamanha baboseira. Certamente eu teria muito trabalho. Muito mesmo.

Voltei a encarar a página em branco do word, com o maldito traço piscando incessantemente, como constante lembrete que estava me esperando escrever algo, e continuei a olhá-lo por incontáveis horas, sem ter escrito nada afinal. Suspirei frustrada, e fechei o aparelho, desistindo de escrever.

- Eu preciso de inspiração, uma caminhada talvez ajude. - disse em voz alta, peguei um sobretudo, luvas, cachecol e um gorro também, estávamos no inverno e lá fora fazia muito frio.

Segui para uma praça que ficava a alguns minutos de onde morava, gostava de ir para lá em busca de inspiração. Durante a noite era muito tranquila, pois as crianças não a frequentava nesse horário, somente alguns casais, e solitários como eu. Enquanto caminhava pela praça, observei tudo ao meu redor, chegando ao banco de costume me sentei, então comecei a observar as pessoas, as árvores, qualquer coisa que me despertasse o mínimo de inspiração, tudo estava perfeito, como em todas as outras vezes, e embora estivesse, não sentia nada que pudesse me fazer começar a escrever.

- Não está funcionado. - murmurei descontente. - Já sei! - saltei do banco e segui com pressa na direção de antes. - Isso pode dar certo. - disse procurando o celular na bolsa sem parar de andar, precisava verificar a hora, e por não está olhando para frente acabei esbarrando em alguém, ergui a cabeça e vi que era um homem, ele usava gorro, óculos de leitura, e cachecol, e camadas de roupas assim como eu, então a única coisa visível eram seus os olhos. - Perdão, a culpa foi minha. - me desculpei educadamente.

- Claro que foi. - disse ele, ríspido, acenei com a cabeça me desculpando, já acostumada com pessoas rabugentas, as vezes eu era uma delas, depois segui meu caminho.

Uma hora depois eu estava sentada numa poltrona de cinema, assistindo a um filme de romance, no intuito de aprender um pouco como essa coisa funcionava. O ator era extremamente atraente tinha que admitir, e também atuava muito bem, tinha ótimas expressões faciais, e um charme incontestável, mas acho que havia algo de errado com o filme, pois durante as cenas de romance (onde eles diziam todas aquelas mentiras), eu simplesmente começava a rir, tendo que inventar que estava chorando, porque as pessoas começaram a me olhar como se eu fosse louca, mas era inevitável, eu achava a cena hilária, e convencida de que não me ajudaria voltei para casa.


Eu precisava falar com alguém que me entendesse, uma pessoa que me dissesse: Sua burra! Por que disse que faria algo apenas para não ter o ego ferido? Sua morte será lenta e dolorosa.

Ok. Estou exagerando, não quero ouvir ninguém me dizer isso, ao contrário, eu necessito desesperadamente que alguém me diga: Você consegue Kagome!

- Você não vai conseguir! – determinou Sango, fazendo pouco caso.

Se a minha melhor amiga está afirmando isso com tanta confiança, eu já posso ir para Amsterdã me esconder do mundo, enquanto lamento até o fim dos meus dias minha desgraça.

- Sango! – choraminguei. – O que eu vou fazer? Se não for capaz de escrever serei massacrada publicamente, especialmente por aquela insignificante.

- Kagome, você nunca se apaixonou, como espera escrever sobre romance? – perguntou num tom calmo.

- Do que está falando, eu já me apaixonei. – disse estreitando os olhos.

- Quando isso ocorreu, eu não me lembro desse fato marcante. – disse confusa.

Olhei para cima pensativa. – Ah, foi quando eu tinha dez anos, ele tinha uma bicicleta muito maneira, vermelha se não me engano. – falei me sentindo nostálgica, então senti algo se chocar contra minha cabeça, olhei pra baixo e vi que havia sido atingida por um livro, que melhor forma de golpear uma escritora. – Sango! – reclamei massageando o local da pancada.

- Isso não é estar apaixonada, é interesse material! – retrucou aborrecida.

Dei de ombros.

- Você tem vinte e seis anos e nunca sentiu qualquer sentimento sequer por alguém? - perguntou esperançosa. – Por mais insignificante que ele fosse?

- Não que eu me lembre. – respondi. – Eu deveria ir ao hospital então?

- Por quê? Está se sentindo mal? – perguntou preocupada.

- Não sei, mas pode ser que meu coração esteja com defeito. – disse debochada, e dessa vez fui atingida por uma almofada.

- Idiota! – xingou Sango, revirando os olhos. – E tecnicamente não é o coração que é responsável pelos sentimentos, mas sim o cérebro. – argumentou com aquele ar de quem sabe tudo.

- Então está explicado porque nunca me apaixonei. – disse compreensiva. – Meu cérebro não encontrou a pessoa certa para eu me apaixonar, ainda não conheci alguém que fosse digno do meu amor.

E Sango rompeu num riso que durou vários minutos.

- Pobre do seu cérebro, ele vem enfrentando uma longa e difícil jornada a procura do ser perfeito. – falou e voltou a rir novamente.

Rolei os olhos e balancei a cabeça, ignorando completamente a reação dela.

- Pensando bem, teve um cara que namorei por dois anos, o nome dele era Houjo.

Sango saltou da poltrona a minha frente, e pulou ao meu lado no sofá. - Oh, meu deus, pode ser que ainda exista alguma esperança para você. Marque um encontro com ele!

- Não sei, - disse incerta - faz tanto tempo, e se ele estiver comprometido?

- Não importa, o mais importante é que você relembre o sentimento, e a emoção de reencontrá-lo, junto com todas as lembranças de vocês. – falou de modo teatral. – Ligue para ele e salve sua pele das garras daquela megera.

É... Sango também odeia a Kagura.

Consegui o número Houjo ligando para alguns velhos amigos em comum, e de imediato liguei para ele, falei que gostaria de encontrá-lo o mais breve possível, ele pareceu surpreso com o pedido, e perguntou se estava tudo bem comigo, inventei que precisava conversar com um amigo sobre determinado assunto, e o convenci, combinando de nos encontrarmos a noite. Ele me informou estar num hotel, resolvendo algumas pendências do trabalho, e sugeri que nos encontrássemos no restaurante do hotel, Houjo concordou e me passou o endereço do lugar, e curiosamente o número do quarto dele também.

Cheguei no horário marcado, mas ao perguntar por Houjo fui informada que ele não havia descido, perguntei o andar que o quarto dele ficava, e após receber a informação segui para lá, por algum motivo não queria ficar esperando-o no restaurante, tinha me vestido de maneira ousada justamente para poder ver a cara de surpresa e admiração dele ao me ver tão linda, e estava completamente decidida a seduzi-lo para me ajudar se fosse preciso.

Por isso, escolhi um vestido vermelho justo que possuía um pequeno decote v, deixei meus cabelos longos e negros soltos e levemente cacheados nas pontas, fiz uma maquiagem simples que destacava meus olhos azuis, e passei um batom vermelho que realçava meus lábios, por fim coloquei um scarpin preto e uma bolsa de mão da mesma cor. Subi até o oitavo andar, e parei diante o quarto 509, toquei a campainha, e aguardei um pouco ansiosa que a porta fosse aberta, sinto que ando fazendo muita besteira ultimamente.

No entanto, ao invés da porta a minha frente ser aberta, abriu-se a porta a minha esquerda, por puro reflexo acabei voltando meu olhar para porta recém aberta, e por ela saiu um casal ainda aos beijos, imaginei se minha noite não acabaria assim, balancei a cabeça afastando tal pensando, foi então que percebi que eles finalmente notaram minha presença ao cessarem o beijo, e me olharam assustados, eu estreitei os olhos finalmente identificando as duas pessoas. Eu não esperava ver isso.

O homem que havia conhecido recentemente, possuía cabelos negros curtos, olhos de um dourado que eu jamais vi igual, vestia uma calça esporte fino preta, uma camisa de mangas compridas branca, levemente amassada e justa ao seu corpo visivelmente musculoso, por cima da camisa um blazer preto, e um sapato social também preto. A mulher ao seu lado, era bastante conhecida para mim, tinha cabelos pretos e longos, olhos castanhos, estava usando um vestido vermelho midi, salto alto preto e uma bolsa também vermelha. Muitas pessoas diziam que nós duas éramos muito parecidas, embora não tenhamos nenhum parentesco. Eu não discordava totalmente, mas não me sentia tão parecida com ela, tínhamos características em comum, mas nós duas nunca poderíamos ser confundidas uma com a outra. Isso era um absurdo na minha opinião.

- Kikyou Takamatsu, - disse sorrindo, e olhei para o homem ao seu lado lembrando de onde o conhecia. - e o cara do filme. – era o ator bonitão do filme de romance.

- Kagome! Não é o que está pensando. - falou ela, nervosa.

- Essa é a pior desculpa que poderia dar. - retruquei sarcástica. - Tenho certeza que Inuyasha, seu noivo, vai compreendê-la. – disse rolando os olhos.

- Por favor, não diga nada ao Inuyasha, - implorou. - ele me odiaria, ainda mais por traí-lo com o irmão dele.

- Agora que a coisa ficou interessante. - comentei rindo. Nunca havia conhecido o irmão do Inuyasha, também não me interessava saber a respeito dele.

- Eu faço tudo que você quiser, mas não conte, eu imploro! - pediu desesperada.

Franzi o cenho, nenhum pouco tocada ou interessada. Então o cara do filme - vulgo irmão mais velho do Inuyasha -, veio em minha direção, e me estendeu um cartão de visita.

- Entre em contato comigo, e poderemos resolver essa situação. - falou ele, impassível.

- Não vou esconder isso do meu melhor amigo! - disse irritada. Quem eles estão pensando que eu sou? Eu nem deveria estar conversando com eles, deveria estar ligando para o Inuyasha.

- Estarei esperando sua ligação. - falou ele, sem se importar com o que disse, ele enfiou as mãos nos bolsos e começou caminhar em direção ao elevador, eu abri a boca pronta para xingá-lo, mas finalmente Houjo abriu a porta e chamou meu nome, voltando minha atenção para a porta a minha frente, suspirei guardando não sei porque o cartão que o imbecil me deu, e dando uma última olhada para Kikyou, que me olhava preocupada, encarei Houjo.

- Vamos? – perguntei a Houjo. Ele assentiu, e em seguida andamos em direção a um segundo elevador, Kikyou entrou logo depois de nós, com uma expressão envergonhada, seguimos em silêncio os três, até que o elevador chegou ao térreo, o alerta avisou que a porta seria aberta, e nesse instante Kikyou virou-se para mim.

- Eu cancelo o casamento, só não conte. - pediu com uma profunda tristeza. - Errei e não mereço o perdão dele. - dito isto ela se virou e saiu do elevador.

- Kikyou! - a chamei, fazendo ela se virar para mim novamente. - Não faça isso. Confesse o que fez, e talvez ele te perdoe, mas não o deixe no escuro sem saber a razão pela qual acabou. - aconselhei, ela acenou com a cabeça e sorriu, passamos por ela e nos dirigimos ao restaurante.

Fomos conduzidos à mesa que nos fora reservada, e fizemos nossos pedidos. E agora pela primeira vez desde que nos encontramos, eu estava olhando de verdade para ele, então todos os momentos que passei ao lado dele vieram à minha mente, mas apesar disso, eu não senti nada, eram lembranças muito distantes que perderam o valor que tinham, como se de alguma forma elas não fossem minhas. Eu não sentia saudade de estar com ele.

Sorri pra ele. - Então, como é a vida de um cirurgião? – perguntei curiosa.

- Muito cansativa. - respondeu Houjo, suspirando. - Mas a vida de escritora, como ela é?

- Cansativa e solitária. - respondi rolando os olhos. - Como estão seus pais, estão bem?

- Muito bem, e agora muito felizes também. – disse com grande felicidade.

- Mesmo? E por quê? - perguntei sorrindo.

- Por que daqui a um mês estarei me casando. - respondeu com um sorriso estonteante.

Meu sorriu se desfez num passe de mágica. - Mas que droga! - murmurei irritada, virando a cabeça de lado.

- O que você disse? - perguntou confuso.

- Que ótimo! - voltei a olhá-lo com um sorriso digno de óscar. - Meus parabéns! – parabenizei fingindo felicidade.

- Obrigado, estou muito contente com essa escolha.

Dei um leve sorriso para ele, embora eu quisesse mesmo era gritar de frustração.

Meus planos foram pelo ralo.

Todo o resto do jantar foi um completo saco, com ele falando o quanto incrível era a noiva dele, a Yuka, e o quanto os dois estavam apaixonados. Juro que por diversas vezes tive vontade de vomitar, estar apaixonado por alguém é sem sombra de dúvida doentio, torna as pessoas idiotas e irracionais, acho que vou tomar nota disso, deve servir para alguma coisa.

Voltei pra casa frustrada, minha ideia era usar Houjo para escrever o livro, o usando como pesquisa para o assunto, tipo sair com ele e ver onde isso levaria, e a que tipo de situações e sentimentos, parecia um bom plano, mas enfim, não deu muito certo, e não imagino outra pessoa que pudesse me ajudar nisso. Não tentei escrever nada, pois sabia que não produziria nada bom, então simplesmente fui dormir, no intuito de clarear a mente, pois preciso urgentemente de uma solução para esse problema de falta de conhecimento sobre o assunto.


Acordei cedo e saí para correr, me ajudaria a pensar com calma, corri até meu corpo não aguentar mais, e meus pulmões reclamarem pela falta de ar, mas de nada adiantou, não me veio nenhuma ideia, e eu estava começando a ficar desesperada com isso, como iria escrever uma história de amor sem saber nada sobre ele, poderia até ler alguns livros e assim ter uma visão mais clara, no entanto temia acabar criando uma história semelhante às demais, que seria considerada plágio ou clichê, me tornaria uma piada se isso acontecesse, além de não superar Kagura.

- O que aconteceu? - questionou Sango, assim que atendi o telefonema.

- Foi um desastre Sango. - disse frustrada.

- Como assim, o que aconteceu? O que você fez? - perguntou agitada.

- Eu não fiz nada! - disse ofendida. - Foi ele! Ele!

- Meu deus Kagome, o que ele fez? - perguntou assustada.

- O desgraçado vai se casar. - disse com raiva.

- Ah, não posso acreditar nisso, sua única oportunidade foi pelos ares.

- Sim, eu sei. - disse suspirando. - Não faço ideia do que vou fazer agora.

- Acredito que sua única alternativa seja desistir.

- De jeito nenhum, isso está fora de cogitação, - peguei o sobretudo que usei ontem, e comecei a revistar os bolsos a procura da minha carteira. - não vou me dar por vencida tão facilmente. - tirei a carteira do bolso, a abri e dentro dela encontrei o cartão de visita daquele cara, havia esquecido que tinha o guardado, eu devia tê-lo rasgado bem diante os olhos daquele idiota.

- Então, me explique como fará para descrever sentimentos dos quais desconhece, como escreverá um romance sem nunca ter vivido um? - questionou.

No pequeno cartão negro, o nome Sesshoumaru Taisho estava gravado em letras prateadas, e logo abaixo a direita havia um número de telefone.

Um ator. Ator.

Pessoas que fingem sentimentos.

Isso é perfeito.

Fiquei calada por alguns segundos, enquanto olhava o cartão em minhas mãos, e de repente me surgiu algo. - Sango, eu não preciso ter vivido, ou viver um romance para escrever um.

- O que está dizendo? Como irá fazer então? – questionou confusa.

- Tenho um plano novo, um que não vai falhar. - disse sorrindo. - Depois nos falamos, tchau. - e antes que ela dissesse algo desliguei, e disquei rapidamente o número escrito no cartão.

- Alô! - respondeu uma voz rouca e firme após o quarto toque.

- Sesshoumaru, - disse sorrindo. - quanto o seu segredo vale para você?

- Estava esperando você me ligar. – disse ele, sem muita emoção. - Kagome, não é mesmo? - perguntou friamente.

- Sim, e espero que esteja disposto a pagar um alto preço pelo meu silêncio, pois não aceitarei nada além do que pedirei a você. – disse seriamente.

- Quando podemos nos ver? – perguntou depois de alguns segundos calado.

- Daqui uma hora. – respondi rapidamente. - Tenho pressa.

- Está bem, anote meu endereço.

Peguei caneta e papel e escrevi o endereço. - Chegarei aí logo. - disse e desliguei com um enorme sorriso.

E mais uma vez fiz merda. Isso está tornando-se corriqueiro.

Antes de ir ao encontro dele, pensei por bastante tempo, considerando o resultado que eu poderia chegar, ou não chegar, pela impressão que tive dele, Sesshoumaru Taisho não é um homem fácil de persuadir, teria que ser muito mais esperta que ele. No entanto, eu tinha vantagem sob ele, enquanto ele não tinha nada, na realidade tinha sim, o que eu precisava, e em algum momento isso poderia também servir para me manipular, um jogo arriscado eu sei, mas já estava decidido.

Dirigi-me ao endereço que foi me dado, uma fantástica mansão que ironicamente ficava a alguns metros da minha casa, e pensar que nós somos quase que vizinhos. Adentrei na casa depois de ter a passagem liberada pelo porteiro, depois de dizer quem eu era, e minutos depois estava sendo conduzida por uma empregada até o escritório, aonde o "senhor Taisho" me aguardava.

A empregada finalmente parou diante de uma porta, e bateu nela, avisando que eu tinha chegado, ouvi a voz abafada dele dizendo que eu poderia entrar, a empregada abriu a porta e me deu passagem para entrar, caminhei para dentro do escritório e a porta atrás de mim foi fechada. Olhei ao redor, o escritório era enorme, ele possuía dois andares, no andar de cima existia prateleiras abarrotadas de livros, e por um segundo me perguntei se algum dos meus livros estaria entre eles, porém Sesshoumaru não parecia ser do tipo que curte meus livros, no andar de baixo, móveis típicos de escritórios, o procurei na mesa onde imaginei que ele estaria, mas a poltrona detrás estava vazia, porém logo meu olhar o encontrou, ele estava parado diante uma janela lateral, que suspeito ter visão para a entrada da casa.

- Está atrasada! – disse ele, se virando para me encarar.

- Nunca disse que seria pontual. – retruquei tranquilamente.

- Vamos terminar logo com isso, - ele parou diante de mim e estendeu um papel dobrado ao meio, o peguei curiosa, e o abri, descobrindo que se tratava de um cheque com um valor exorbitante. – pensei que uma escritora ganhava bem, mas pelo que eu vejo não, já que teve que recorrer à chantagem.

Ri irônica, e ele me olhou confuso, ainda mais quanto rasguei o cheque.

- O quê? Não é o suficiente? – perguntou incrédulo.

- Não seja ridículo, não quero seu dinheiro! – disse aborrecida. – Tenho dinheiro suficiente pra sustentar até meus tataranetos. – disse convencida, exagerando um pouco por sinal.

Ele me estudou por alguns instantes, então se dirigiu até a poltrona e sentou-se nela. – Então o que quer de mim? – perguntou desconfiado.

- Para o meu próximo livro, eu preciso tomar conhecimento sobre um assunto que desconheço... – ele franziu as sobrancelhas, confuso, então prossegui com minha explicação. – Um que tenho certeza, você domina muito bem.

Ele soltou uma breve risada. – Espera, é a história do livro de romance? – perguntou ligeiramente debochado.

Agora sim tenho certeza que todo o mundo sabe da merda que fiz.

Estreitei os olhos, irritada com o tom dele. – Exatamente. – respondi a contragosto. – Eu preciso de ajuda para escrevê-lo, pois falando sinceramente, não sei praticamente nada sobre romances. – confessei sem me importar com o que ele pensaria.

- Você não precisa fazer isso só porque eles querem que você faça. – disse calmo, como se quisesse me convencer sobre o assunto.

- Eu sei. – disse franzindo as sobrancelhas. – Mas, o que quero de você é sua ajuda e, não sua opinião sobre o que devo ou não fazer.

- Sua personalidade é bem o que eu esperava. – disse ele sorrindo, estreitei os olhos sem compreender o comentário dele. – Se entendi bem, você quer que eu ensine a você praticamente tudo sobre romance, e em troca disso você não me delata ao Inuyasha?

- Basicamente isso. – disse dando de ombros.

- Parece muito simples, - disse se desencostando da poltrona. - mas quero garantias de que não vai abrir a boca.

- Não vejo problema nisso, podemos chamar nossos advogados e providenciar um acordo por escrito. – sugeri sorrindo.

- Gosto do seu jeito de resolver as coisas, - comentou satisfeito, e eu sorri orgulhosa. – mas ainda temos que resolver como faremos isso.

- Imagino que seja uma pessoa muito ocupada, e esteja fazendo algum trabalho.

- Sim, na verdade estou. – confirmou.

- Quero todo o tempo livre que tiver, quanto antes eu conseguir desenvolver algo, mais cedo nos livraremos do outro.

- E como exatamente é sua disponibilidade? – questionou ele.

- A partir do momento que começo a planejar um livro, todos meus compromissos são cancelados, os adio para depois de terminar o livro. Então pode me considerar disponível. - informei deixando claro que não havia desculpa.

- Tudo bem, eu entro em contato. – disse depois de um longo suspiro.

- Se você não fizer isso, eu faço! – avisei. – Nos vemos em breve, tenha um bom dia. – e antes de me virar para deixar o escritório pude jurar que vi um sorriso formar-se em seus lábios, o que achei muito estranho.


Enquanto voltava para casa planejei mentalmente o que faria do restante do dia, e decidi que ficaria em casa pensando em mil possibilidades dessa história terminar muito mal, as piores que poderia acontecer seria:

Livro ruim = fim de carreira.

Inuyasha descobrir que escondi a traição de Kikyou dele, e ainda chantageei o irmão dele com essa informação = fim da amizade.

Romance fracassado = Kagura vitoriosa.

As três possibilidades poderiam me levar ao mesmo resultado, fim da minha carreira como escritora, eu viraria uma piada no mundo inteiro. Eu estava completamente encurralada. Não conseguia pensar em nenhuma solução que não viesse a ter consequências no final.

A não ser que eu desistisse dessa ideia idiota de escrever um romance. O que estou pensando? Não posso mais voltar atrás, eu disse publicamente que iria escrever um livro de romance, viraria uma piada de qualquer jeito. Melhor que seja pelo menos tentando. Ou será que tentar e falhar é pior?

Meu deus. Não sei o que estou fazendo com a minha vida, nem pensar direito eu consigo.

O toque do meu celular me despertou dos meus pensamentos, Sango me ligou e decidiu que eu sairia para jantar com ela, como ela me convidou tão educadamente resolvi ir, sabia perfeitamente que ela queria saber qual era meu plano nada bom, talvez contar a ela me ajudasse a pensar melhor sobre como fazer isso, mas se bem que eu já imagino a opinião dela a respeito disso, então estou num dilema entre contar e não contar.

Quando uma pessoa convida alguém para sair, ou melhor, obriga a sair, geralmente se espera que a pessoa em questão esteja a sua espera, ou que pelo menos não se atrase uma hora. Tomei o restante do vinho que havia em minha taça, e tentei pela vigésima vez ligar para Sango, e diferente das outras vezes a ligação não foi para caixa de mensagem.

- Sango, se você não chegar aqui em cinco minutos esqueça que somos amigas. – disparei irritada.

Desculpa Kagome, - disse rindo. – te juro que esqueci o nosso jantar.

- Você é inacreditável Sango. – disse furiosa.

- É que Miroku acaba de chegar de viagem. – explicou.

- Oi Kagome. – disse o safado ao fundo, rindo.

- Filha da... – parei de falar me lembrando de que estava em local público, e suspirei cansada. – Tudo bem, eu estou indo para casa.

- Não, fique aí! – ordenou subitamente. – Enviei alguém para acompanhá-la em meu lugar, e ele já deve estar chegando.

- O quê? – questionei nervosa. – Quem você mandou?

- Calma amiga, você conhece ele.

- Quem Sango? – questionei impaciente.

- Okay, é meu primo Kouga, satisfeita? – perguntou aborrecida.

- Teremos uma boa conversa depois. – ameacei.

- Espero que sim. – disse rindo. – Tchau, aproveite bem à noite, se é que me entende.

- Eu te odeio! – disse rindo.

Sango riu. - Também te amo! – disse e então desligou.

Guardei o celular novamente na bolsa, e quando ergui o rosto encontrei Kouga parado em frente à mesa, não sei dizer se foi pela forma súbita que o vi que fiquei tão surpresa, ou se foi pelo Kouga que vi diante de mim, a última vez que nos vimos foi há cinco anos, e naquele tempo ele já era consideravelmente atraente, e agora cinco anos depois ele conseguiu ficar mais irresistível, parecia mais maduro e seguro de si, algo que pensei não ser mais possível de acontecer.

Sorri educadamente para ele. - Kouga, que bom revê-lo. – disse me levantando, ele veio até mim, e me cumprimentou com beijo no rosto e um abraço.

- Também é um prazer vê-la novamente. – disse Kouga, dando um dos sorrisos sedutores dele.

Nós dois nos sentamos à mesa.

- Estou curiosa sobre como nós dois acabamos nesse jantar.

Ele riu. – Não foi nada planejado, se é o que pensa. – replicou sorrindo. – A verdade é que nós dois fomos dispensados.

– Isso explica muita coisa. - girei os olhos. – Aquele casal apaixonado grudento.

Ele deu um sorriso torto. – Um dia quando você se apaixonar também agirá como eles.

Franzi o cenho. – Eu espero que esteja errado Kouga. – disse preocupada, e ele riu.

- Sempre sincera. – disse rindo.

- Eu tento. – disse sorrindo divertida.

O jantar transcorreu muito bem, talvez melhor que se eu estivesse com Sango, já que provavelmente ela teria tido um chilique quando eu contasse o que havia feito - e que iria fazer -, o que me fez decidir que não contaria toda a verdade a ela, somente o essencial, ocultando a parte que eu estava chantageando o ator Sesshoumaru Taisho para que ele me ajudasse com o livro. Estávamos indo embora quando resolvi ir ao banheiro, o que era uma desculpa para mandar uma mensagem para Sango, dizendo que a amava e que seria a madrinha dos filhos dela.

Estava voltando para mesa quando alguém repentinamente parou diante de mim, e o que mais me assustou foi que esse alguém era Sesshoumaru.

Pisquei surpresa. – O que foi? – perguntei confusa.

- Presumo que minha ajuda não seja mais necessária. – disse ele, seco.

- Não, está errado. – disse franzindo as sobrancelhas. – Por que teve essa impressão?

- Seu acompanhante pode servir como professor bem melhor que eu. – retrucou calmo.

- Infelizmente ele não pode, - disse tranquilamente. – então pare de tentar fugir do nosso acordo, te encontro amanhã na sua casa. – disse irritada.

- Vá à noite. – disse ele, e depois desapareceu da minha frente, seguindo para um local desconhecido por mim.

Suspirei e prossegui com o meu caminho. Há um minuto eu estava tão contente, graças a amável companhia de Kouga, talvez eu tivesse uma pequena queda por ele, algo simples e pequeno somente, apenas me sentia muito bem na presença dele, sem comentar que o charme dele também me afetava. Sim, eu estava obviamente interessada nele, como presumo que ele também esteja em mim, e isso deveria ser uma coisa boa, e na verdade era, no entanto existia um problema em meio a isso, nossos interesses são até certo ponto os mesmos, até que eles tomam caminhos completamente diferentes, pois as coisas que ele provavelmente esperará de mim, eu não posso dar, e não sei se ele compreende meu lado, por esse motivo não pretendo ir além da amizade até que eu saiba.

Mas inesperadamente Kouga me fazia repensar sobre essa coisa de amor, eu não me importaria de me apaixonar por alguém como ele. Quem sabe ao final desse livro eu aprenda uma lição, ou duas e considere.

Nós nos despedimos na entrada do restaurante, e combinamos de nos encontramos outro dia. Voltei para casa e dormir tranquilamente, esquecendo que o mundo poderia desabar a qualquer instante sobre minha cabeça.


N/A:

Olá, pessoas! Como estão?

Ainda existe alguém por aqui? Kkkk

Depois de muitos anos eu apareço aqui de novo, pensando bem, sempre sumo por alguns anos e volto depois como se nada tivesse acontecido kkkkk.

Bom, muita coisa aconteceu nesses últimos anos, então me afastei do mundo das fanfictions, inclusive perdi contato com as meninas: (neherenia, czc, lica e nutelinha). Saudades, meninas!

Mas vamos ao que interessa... Essa história foi começada faz alguns anos, e era para ser uma one-shot, mas acabou ficando maior que eu pretendia, então já estou no segundo capítulo e provavelmente renderá mais um, mas não pretendo ir além que três capítulos.

Bem, espero que se divirtam com a história.

Até a próxima, beijos!