Desabafo De Uma Escritora

By Kagmarcia


Nunca pensei que o amor fosse algo que pudesse ser repassado para outra pessoa, tipo uma matéria que você estuda e aprende sobre o assunto. Então um dia, me encontrei fazendo um curso intensivo sobre o amor, no entanto, ao final do curso acabei sendo reprovada. Não consegui aprender. Porque o amor tem mais a ver com sentir. E eu não podia sentir.


Parte Dois

O dia seguinte passou rapidamente, tomei café da manhã com Sango, uma tentativa bem sucedida para que a desculpasse por ter faltado ao jantar. Contei a ela que Sesshoumaru me ajudaria com livro, e quando mencionei o nome dele, ela simplesmente surtou, ficou tão eufórica que pensei que fosse ter um ataque cardíaco, pois minha adorada amiga é uma fanática, do tipo que não perde nenhum trabalho do ídolo e sabe cada mínimo detalhe da vida dele, essa informação serviu para eu rir durante muito tempo dela, debochando sobre ela parecer uma adolescente, ainda mais quando me mandou conseguir um autógrafo dele. Algo que eu não iria fazer de jeito nenhum.

Mas graças a toda essa comoção, Sango acabou esquecendo-se de perguntar o motivo dele estar me ajudando, e agradeci imensamente por isso, pois não tinha uma mentira convincente para contar, porém precisava encontrar uma desculpa bastante convincente, porque ela iria perguntar mais cedo, ou mais tarde. Também acabou esquecendo de perguntar sobre o jantar com Kouga, mais uma vez te agradeço por isso, Sango.

Passei o restante do dia sem fazer nada, tecnicamente devia estar escrevendo meu livro, mas como não sabia como escrevê-lo, tentei não morrer de tédio até a noite chegar, e também acalmar meus nervos, não sabia explicar exatamente a razão de estar tão nervosa, pois existiam vários motivos para isso. Porém, o principal motivo é que estava com medo, não de tudo dar errado, mas de me decepcionar como escritora, porque em primeiro lugar preciso me impressionar, se não ficar satisfeita com o que escrevi não posso sequer mostrar a alguém.

Às seis horas da noite recebi uma mensagem de texto de Sesshoumaru, não imagino como ele conseguiu meu número de celular, tinha ligado para ele do telefone fixo.

- Privacidade minha filha, onde está você? – disse sarcástica, enquanto abria a mensagem.

Oito horas, jantar.

S. Taisho

P.S. Não se atrase!

Rolei os olhos, me perguntando como alguém poderia ser tão chato assim, eu provavelmente morrerei de tédio antes de terminar o livro. Ou talvez não.

Quero sobremesa, e de preferência chocolate.

P.S. Não me diga o que fazer!

Enviei a mensagem com um sorriso nos lábios. – Vamos brincar de sermos arrogantes juntos.

Só para deixar bem claro que ele não me dar ordens, cheguei dez minutos atrasada, por isso e, porque estava brigando com o meu armário de roupas, porque será que é tão difícil achar uma roupa discreta quando não se tem pretensão de impressionar alguém, porque eu não tinha a menor intenção de me arrumar para Sesshoumaru, digamos que ele não é alguém que valha o esforço, é basicamente desperdiço de tempo e beleza, já que não estou à altura dele.

A altura uma ova!

Ele que não está a minha altura! Portanto, não tenho porque tentar ser discreta, ao contrário, eu mostrarei quão atraente Kagome Higurashi pode ser. Com isso, finalmente me vesti e sai para a casa de Sesshoumaru.

A mesma empregada do dia anterior me guiou novamente, dessa vez para sala de estar. Encontrei Sesshoumaru sentado numa poltrona, concentrado na taça de vinho que segurava nas mãos, até ele perceber minha presença, o olhar dele veio até mim, e por um segundo vi a surpresa e a admiração tomar conta de sua expressão, rapidamente sua expressão voltou a ser o que era, rígida e intimidadora.

Abri um estonteante sorriso, orgulhosa de tal efeito. – Boa noite, Sesshoumaru.

Ele depositou a taça ao lado da poltrona, em uma pequena mesinha, e se levantou. – Vamos ao escritório, os papéis estão prontos.

- Claro. – falei despreocupada, e comecei a segui-lo até lá.

Enquanto ele pegava os papéis na mesa, tomei a liberdade de sentar, e depois de procurar um pouco, ele os entregou a mim, os peguei e comecei a ler cuidadosamente tudo, duas páginas encerravam nosso acordo, após constatar que estava tudo dentro do que combinamos, assinei, e aguardei que ele fizesse o mesmo.

- Agora me diga qual a necessidade do jantar?

Sesshoumaru colocou os documentos dentro de um envelope, depois os guardou na gaveta da mesa, trancando-a. – O jantar já faz parte do meu trabalho em te ajudar, mas primeiro vamos conversar, explicarei o que espero de você.

- O que espera de mim? – perguntei erguendo uma sobrancelha.

Ele sorriu. – Sim. Não tem como eu explicar como tudo funciona apenas através de palavras, é necessário que veja na prática.

O olhei mais confusa ainda. – Bom, e como exatamente isso vai acontecer?

- Vamos encenar. – disse simplesmente.

Franzi as sobrancelhas. – Não sei se percebeu, mas eu não sou uma atriz. – disse debochada.

- E isso é perfeito, pois você precisa responder a minha atuação. – disse sorrindo. – Vou despertar em você o que precisa para escrever.

Sorri sarcástica. – Ah é? E o que eu preciso?

- De sentimentos. – respondeu ele, sério.

Fiquei extremamente séria e quieta com as palavras dele, não esperava que ele dissesse isso.

- Como faremos isso? – perguntei por fim. Não estou gostando do rumo que as coisas estão tomando.

- Primeiramente quero que você tenha em mente seus personagens, não precisa os determinar completamente, apenas algumas características, que tema você usará para desenrolar a história, o tipo de coisa que está familiarizada a fazer. – explicou ele, com um ar profissional.

- Sim, essa é a parte simples. – disse dando de ombros.

- Agora, vem meus conselhos sobre o assunto. A parte que o casal se conhece sempre é a mais importante, mas para não beirar ao clichê, sugiro que transforme essa parte em algo sem valor, como se sua personagem apenas tivesse cruzado com alguém qualquer, e ao mesmo tempo em que ignora sua importância na história, ofereça aos leitores outro personagem, faça os pensar que será com ele que ela viverá o romance, em seguida introduza novamente o personagem principal, dessa vez numa situação inesperada, e faça o relacionamento deles se desenvolver. – explicou Sesshoumaru, pacientemente.

Certo. Esse mega conselho foi bastante inesperado. Não esperava ver esse homem falar por tanto tempo, ainda mais como se não fosse nada, como se estivesse tratando de um simples trabalho. Mas pensando bem, agora trata-se de um trabalho mesmo.

- Como desenvolvê-lo é justamente meu problema. – disse entediada.

- Por isso encenarei com você, para que saiba como fazer, e que sentimentos descrever. – explicou impassível.

Franzi os lábios, pouco convencida dos métodos dele. - Não tenho certeza se funcionará.

- Irá funcionar, acredite! Só tem que colocar-se no lugar da personagem, e depois como escritora analisar as situações, como também o que sentiu diante delas. – explicou totalmente entediado.

- Acho que posso fazer, apenas não sei se teremos resultados positivos. - disse com um dar de ombros.

- Cuidarei para que tenhamos. - disse e então sorriu. - Nós viveremos um romance fictício, mas aviso desde já: não se apaixone por mim, pois eu não irei me responsabilizar por isso. – debochou.

Ergui uma sobrancelha, cética, chegando à conclusão que ele possuía um alto grau de convencimento, quase doentio. Com quem ele pensava que estava falando? Não sou o tipo de mulher que caí aos pés de um homem por receber um pouco de atenção. E daí que ele era a tentação em forma de homem? Claro que eu percebi. Não sou cega. Mas também não sou idiota, se apaixonar por esse homem seria a maior idiotice do mundo. Sango comentou sobre sua fama de destruidor de corações.

- Estarei ciente disso. - disse rolando os olhos.

- Bom. - disse simplesmente.

- Mas queria saber como sabe tanto sobre o assunto? – perguntei e ele me olhou sem entender. - Tipo, você sabe até mesmo a respeito do desenrolar, e como tornar a história mais interessante. Apenas devido seu trabalho em filmes de romance? – questionei curiosa.

- Sim, os filmes em sua maioria são criados a partir de livros, dos quais acabo tendo que ler para interpretar os sentimentos do personagem, então possuo um vasto conhecimento acerca dos romances. – explicou de modo desinteressado.

- Livros da Kagura, presumo? – perguntei sorrindo falsamente.

Ele riu com a pergunta. – Alguns. – respondeu dando de ombros.

Algo me diz que ele sabe do meu ódio por Kagura. Acredito que todo mundo sabe, menos o verdadeiro motivo para isso, a maioria das pessoas acham que é apenas uma rivalidade de escritoras. Em parte sim, porém nunca foi apenas por isso.

- Não se preocupe quanto a isso. – disse debochado. – Você não conseguiria escrever como ela.

- Quer dizer o que com isso? – perguntei visivelmente com raiva.

- Pontos de vista diferentes, apenas. – disse simplesmente. – Vamos então? – disse se levantando.

Está bem. Talvez seja melhor deixar essa história para lá, não ganhei absolutamente nada deixando meu orgulho falar por mim, por causa dele me encontro nesse tipo de situação.

- Não iremos jantar aqui? – perguntei confusa.

- Prefiro que seja em um local público, isso pressionará mais você e fará agir como quero. – explicou.

- Alguém já lhe disse que você é muito controlador e detalhista? – questionei franzindo o cenho.

- Não, você não é a primeira a me dizer isso. – respondeu tranquilo. – Quando estivermos à mesa esqueça quem você é, e incorpore sua personagem, e o mais importante: improvise.

- Está seguro que poderá corresponder ao meu improviso? – perguntei debochada.

Ele sorriu de modo convencido. – Preocupe-se consigo mesma.

Maldito convencido!

O olhei entediada, e me virei em direção à saída. – Estarei logo atrás te seguindo.

Acompanhei o carro de Sesshoumaru sem muito entusiasmo, mas estava curiosa para saber onde exatamente estávamos indo, que restaurante ele escolhera para sermos vistos juntos. Quando ele finalmente parou, identifiquei o tal restaurante, não sei dizer se era surpresa ou raiva que estava sentindo, pois ele me levara justo ao restaurante que estive com Kouga no dia anterior.

- O que ele pretende com isso? - perguntei-me estacionando o carro a contragosto. - Espero que não seja apagar o ótimo momento que tive com Kouga.

Desci do carro e caminhei até a entrada, suspirei lentamente tentando me acalmar, então me dirigi a recepcionista, que imediatamente me reconheceu, sorri gentilmente de volta para ela. Expliquei que o senhor Taisho me aguardava, ela assentiu e chamou alguém para me levar até ele. Segui o homem de uniforme branco e preto sem dizer nada, até ele parar diante o elevador.

- Estamos indo a sacada? - perguntei desconfiada.

- Sim, senhorita Higurashi, - respondeu ele. - o senhor Taisho reservou especificamente uma mesa lá. - explicou ele, e indicou o elevador para que eu entrasse.

Expirei aborrecida e entrei, insatisfeita com tudo que estava acontecendo, as coisas não estavam saindo como imaginava, a manipulada era eu, e não ele como tinha que ser. A sacada era frequentada apenas por casais e empresários, porque era reservado e tranquilo, somente o fato de estarmos nos encontrando era suspeito, ainda mais em um lugar tão discreto, as pessoas chegariam a conclusões erradas, e talvez não fosse bom para mim, mas no momento eu tinha objetivos mais importantes. Quando avistei Sesshoumaru, subitamente me lembrei do que ele disse: Esqueça quem você é.

Vamos lá! Se torne Misaki, Kagome.

Andei até a mesa onde Sesshoumaru estava, ao me notar ele levantou-se e veio até mim sorrindo, sorri em resposta ao cumprimentando, ele puxou a cadeira para que me sentasse, e após eu o fazer, voltou ao seu lugar.

- Eu não esperava um convite seu para jantar. - falei soando um pouco surpresa.

Ele sorriu. - Eu não esperava que você aceitasse. - confessou. - Por que resolveu aceitar? - perguntou intrigado.

Ri de leve. - E por que eu não aceitaria? - perguntei despreocupada.

- Você não pareceu ter uma boa impressão de mim. - disse sério.

- Você acha? - disse indiferente.

Não era totalmente mentira, eu não tive.

Um garçom aproximou-se da mesa e me serviu vinho, depois afastou-se dando um leve aceno de cabeça para Sesshoumaru.

- Acho que não deveria ter beijado você. - disse ele, num tom culpado, me surpreendendo.

Agarrei a taça de vinho, e tomei um longo gole, tentando disfarçar minha reação involuntária. Bastou uma simples frase para ele me desconcertar, me fazendo esquecer que tudo não passava de encenação, e que estava apenas atuando conforme queria, improvisando. Eu não sei o que esperar, ele é imprevisível, e ainda por cima um ator, portanto não importa o quanto me esforce para me manter no controle da situação, Sesshoumaru sempre conseguirá contorná-la sem problemas.

Tudo bem Kagome. Vá até onde você conseguir ir. Seja forte! É capaz de manipulá-lo, diferente de você, ele não pode discernir se está fingindo.

- Está preocupado por ter me ofendido, ou arrependido de ter feito isso? - perguntei o encarando com firmeza.

Ele franziu as sobrancelhas. - Na verdade, ambas as coisas. - respondeu calmo.

Entreabri a boca, novamente surpresa, o que ele estava querendo dizer com isso? Não fazia sentido algum.

- Ah, - fingi decepção. - acho que você estava somente me usando para atingir alguém. - falei magoada.

Ele ficou em silêncio por alguns instantes, me encarando, não sei se estava apenas me analisando, ou procurando o que dizer.

- Eu jamais faria algo assim com você. - falou extremamente sério. - Apenas queria tê-la beijado com sua permissão.

Merda! Esse canalha consegue tão facilmente me encurralar. Mas eu ainda não perdi!

- Pensou pelo menos por um momento em me permitir escolher? - perguntei amargamente.

Ele suspirou cansado. - Você teria permitido?

O fitei por um momento, ele parecia esperançoso. - Não, eu não teria. - respondi por fim.

- Então não me arrependo de fazê-lo sem seu consentimento. - confessou.

Bebi um pequeno gole de vinho, pensando novamente numa saída, pousei a taça sobre a mesa, e ergui o olhar novamente para Sesshoumaru, ele estava me observando, provavelmente pensando que eu não conseguia mais ir adiante.

- Se eu te disser que aceitei seu convite apenas para dizer que não quero vê-lo novamente. - disse mantendo minha expressão contida.

Estou começando a ficar boa nisso.

Os olhos dele se arregalaram levemente. - Não posso fazer isso.

- Você pode sim, e vai fazer. - falei seriamente, sem deixar de encará-lo.

Ele suspirou lentamente. - Não consigo mais ficar longe de você, Kagome.

Maldição!

Minha boca está aberta, eu posso sentir, devo também estar com cara de idiota.

Ah, eu não consigo mais continuar com essa encenação.

- Por quê? – perguntei sem querer.

- Quer mesmo que eu responda? – questionou com um brilho diferente no olhar.

Meu coração falhou uma batida. Por que estou tão nervosa? Isso é apenas atuação! Se recomponha Kagome.

Suspirei pesadamente. - Não responda. - disse confiante. - Vou lhe dar a oportunidade de se redimir, mas não tenha falsas esperanças.

- Está bem. – concordou simplesmente. Ele acenou para o garçom, que veio até a mesa e anotou nossos pedidos, saindo em seguida, só então percebi que estava faminta, estava tão concentrada em não perder para Sesshoumaru que esqueci disso.

Quando a comida chegou, comemos em silêncio, e suponho que tenhamos acabado com a encenação, porém ao terminamos me dou conta que não, por causa do que ele diz.

- Você não vai se arrepender. – prometeu sorrindo.

- Espero sinceramente que não. - disse suspirando, estava cansada desse jogo de atuação.

- Sobremesa? - perguntou ele.

Senti um leve humor em sua voz, ele estava evidentemente me testando, mas não iria sucumbir facilmente a ele, posso facilmente recusar a sobremesa.

Então num passe de mágica, um pedaço de torta de chocolate foi colocado diante de mim pelo garçom.

Ah, eu desisto! Ele me venceu. Eu amo muito a torta de chocolate desse lugar.

Sem me importar mais com Sesshoumaru, cortei um pedaço da torta e o levei a boca, saboreando a sobremesa, que era simplesmente deliciosa, não era à toa que esse era meu restaurante favorito. Quando terminei toda a torta, percebi que Sesshoumaru estava me observando todo o tempo, vi quando um sorriso se formou em seus lábios e rapidamente sumiu, ele estava divertindo-se com o meu comportamento quase infantil, mas não liguei para isso, por ora estava tranquila e feliz.

- Está tarde, eu preciso ir para casa. - disse depois de um tempo, e me levantei sem dar a chance dele me impedir.

Sesshoumaru também se levantou. - O jantar foi ótimo. - disse sorrindo, e parou ao meu lado.

- Ele teve seus bons momentos. - disse abrindo um pequeno sorriso.

Eu estava me referindo à comida.

Ele puxou minha mão, e se inclinou em minha direção, depositando um suave beijo em meu rosto, depois afastou-se, provavelmente para observar minha expressão, e não sei exatamente o que ele viu nela, pois ele sorriu. Fiquei completamente chocada com a atitude dele, tanto que perdi a capacidade de falar, tentei ir embora, mas ao não conseguir me mover lembrei que Sesshoumaru continuava a segurar meu braço, engoli em seco e voltei a olhá-lo, mas ao invés dele falar algo, ele novamente se inclinou em minha direção, e sussurrou próximo ao meu ouvido:

- Você foi muito bem Kagome, espero que eu tenha despertado sentimentos bem úteis em sua mente. - falou e afastou-se, soltando também meu braço.

Então inesperadamente consegui me recompor, foi como se as palavras dele tivessem apertado um tipo de gatilho que me fez voltar à realidade.

- Tomara que seu plano melhore, pois não consigo enxergar grande coisa nisso tudo. - disse impassível. - Obrigado pelo jantar, nos vemos amanhã. - e o deixei para trás.

Cheguei rapidamente em casa, e com certeza receberei algumas multas por excesso de velocidade por isso. Agora deitada em minha cama noto o quanto estou exausta, e não estou falando de exaustão física, aquele ser desprezível revirou completamente minha mente, ele conseguiu me confundir, brincou comigo, me colocando numa posição desfavorável, mas apesar disso continuei até o fim, felizmente meus esforços não foram em vão, agora posso pelo menos enxergar a personalidade de cada um dos meus personagens, eles estão ganhando vida em minha mente, só preciso torná-los parte de uma história.

Bom, isso já é um começo.

De repente me lembrei de uma parte da nossa conversa de antes do jantar, sobre ele mencionar que eu precisava de sentimentos, embora tenha disfarçado, aquilo me magoou de uma maneira profunda. Não é como se nunca tivesse sentido algo por alguém, posso dizer que senti algo, não do jeito que os filmes e livros retratam, mas senti. Porém a outra pessoa nunca sentia o mesmo por mim, por isso os únicos sentimentos que me vem à mente quando falam de amor, é unicamente a rejeição e desilusão.

Prova disso era minha paixonite pelo garoto da bicicleta vermelha, não estava brincando quando falei sobre ele. Por muitos anos continuei a sentir algo por ele, esperando o dia em que finalmente me notaria. Mas esse dia nunca chegou, sempre aparecia alguma garota por quem se interessava, algumas que eu mesma tive que providenciar o romance, e como me doía fazer isso. No entanto, eu me contentava com sua amizade, estar perto dele, mesmo que como amiga me parecia bem melhor que longe dele. Os romances sempre chegavam ao fim, algumas vezes ele acabava se afastando de mim, sei que por ciúmes de suas namoradas, porém ele nunca afastava-se completamente de mim, e isso me deixava feliz.

Só que um dia eu finalmente dei por fim esse sentimento, quando ele sem me contar a respeito, simplesmente pediu sua namorada em casamento. Eu fiquei sabendo pela televisão. Não que ele me devesse qualquer explicação, ou precisasse pedir minha permissão. Mas foi nesse dia que qualquer traço de sentimento que ainda existia por ele, desapareceu completamente.

Sim. Eu era apaixonada pelo Inuyasha. E fui por tempo demais. Mas agora isso era passado.


Acordei com um irritante som que não parava de jeito nenhum de perturbar meu sono, meio acordada, meio dormindo tentei desligar o despertador, mas ao tentar desligá-lo, ainda de olhos fechados, percebi que o som não vinha dele, abri um dos olhos e vi que já passava das dez da manhã, fechei o olho tentando ignorar o barulho, a preguiça dominava todo meu corpo, e me aconcheguei melhor na cama tentando voltar a dormir. No entanto, o barulho se intensificou, na verdade surgiu um novo som irritante, sem conseguir mais aguentar abri os olhos, bastante furiosa é claro, e finalmente consegui identificar de onde vinham os sons, o primeiro som, reconheci como sendo do meu celular, e o segundo que tocava insistentemente, era da campainha.

- Pare com esse maldito som! – gritei enfurecida, e quando mesmo assim a campainha continuou a tocar, levantei da cama pronta para matar quem quer que fosse - torci pra que não fosse uma visita surpresa da minha mãe -, pois sinceramente com o humor que estou agora, provavelmente ela nunca mais apareceria na minha frente, avisando ou não.

Agarrei a maçaneta e abri a porta ao mesmo tempo em que gritava: - Vou fazer você engolir essa campainha!

Entrei em choque quando encontrei Sesshoumaru parado do outro lado da porta, em nenhum momento cogitei a possibilidade de ser ele a me perturbar, era inacreditável sua presença ali, pisquei diversas vezes sem acreditar no que via, então fiz exatamente o que qualquer pessoa faria, fechei a porta, eu só podia estar sonhando, essa era à única explicação para isso, ele não sabia onde eu morava, nem existia razão para ele me visitar.

Então o escutei falar. - Embora sua aparência não esteja das melhores, sua camisola é bem convidativa.

Imediatamente olhei para baixo, verificando que camisola estava vestindo, suspirei aliviada ao ver que era uma camisola vermelha de seda, nada muito reveladora, voltei ao quarto e vesti um robe, em seguida fui novamente abrir a porta.

- O que veio fazer aqui? – perguntei ríspida. - E como sabia onde eu morava?

- Não seria mais educado me deixar entrar antes? – questionou impaciente.

O olhei por um segundo, cogitando a ideia de novamente fechar a porta na cara dele, mas não podia fazer isso, pois ele era meu único meio para escrever o livro.

- Entre. - disse lhe dando passagem, e quando ele passou pela porta imediatamente a fechei, me virando para encará-lo.

Ergui uma sobrancelha, interrogativa. - Já entrou. Por que não me diz o motivo de estar aqui?

- Não sou bem vindo? - perguntou com falsa mágoa.

- Sesshoumaru, sem joguinhos, por favor. - pedi impaciente.

- Vim buscá-la. – informou calmamente.

- Como assim me buscar? - questionei sem entender.

- Estou apenas cumprindo com o nosso acordo. - disse dando de ombros. - Acredito que uma rápida mudança de cenário a ajude com a história, sei que escrever requer concentração e algumas horas de viagem trazem isso.

O observei por alguns segundos pensando sobre o assunto. – Que tipo de viagem é essa?

Ele sorriu vitorioso. – Preciso ir a Kyoto assinar um contrato para um comercial, algo não muito demorado, - explicou. - nós ficaríamos lá o restante do dia, e partiríamos no dia seguinte.

- Presumo que tenha planejado alguma coisa para fazemos durante esse tempo?

- Obviamente que sim, você mesma disse que quanto antes nos apressasse, mais rápido se livraríamos um do outro.

- Oh, vejo que tem mais pressa que eu. – comentei de maneira despreocupada.

Sesshoumaru ergueu uma sobrancelha, parecendo se impressionar com o meu comentário. - Isso a incomoda?

- De modo algum. – respondi rindo. – Sinto muito se passei uma impressão errada, foi um comentário inocente, sem nenhuma importância.

A expressão no rosto dele disse claramente que ele não acreditou em minhas palavras. – Mesmo? Por que tenho a vaga impressão que você quer perguntar algo a mim?

Cruzei os braços e o olhei de forma determinada. – Tem realmente algo que quero perguntar, porém não é uma coisa que deva me intrometer, ao perguntar estaria apenas alimentando minha curiosidade.

- Perguntar não ofende. – disse ele, tranquilo.

- Esteja ciente disso. – disse séria.

Suspirei criando coragem para falar o que queria perguntar, era somente algo que despertava minha curiosidade, que me intrigava completamente, mas que embora eu pensasse muito sobre, não conseguia chegar à conclusão alguma.

- Por que se envolveu com Kikyou? – perguntei sem mais rodeios. – Pergunto isso não pelo fato de ter traído Inuyasha, mas porque razão se envolvera com a noiva dele. Você não teve intenção de atingi-lo com isso, pois se fosse assim não teria se preocupado em esconder o que aconteceu.

A expressão no rosto dele era indecifrável. Ele se manteve em silêncio, me encarando, como se estivesse tentando desvendar minhas intenções em relação a essa pergunta.

- Talvez eu só quisesse me divertir com ela e nada mais. – disse vagamente.

Franzi os lábios, pensativa. - Não ficaria impressionada.

- O que lhe impressionaria então? – perguntou curioso.

Pensei um pouco, e a resposta me fez rir. – Que você sentisse alguma coisa por ela. – disse sorrindo, no entanto algo no semblante dele fez meu sorriso desaparecer completamente, pisquei surpresa, não acreditando no que aquilo significava.

- Prepare suas coisas, mandarei alguém para te buscar dentro de uma hora. – falou friamente, e simplesmente saiu porta afora.

Mais que droga!

Em que confusão eu fui me meter?


Eu gosto de viajar. E não estou falando apenas sobre conhecer novos lugares e se divertir, gosto principalmente do percurso, o que muitas pessoas acham entediante e cansativo. Não sei direito como explicar, mas simplesmente sinto-me tranquila e em paz, em um momento posso não pensar em nada, e noutro em tudo. Eu amo de verdade esses momentos. E foi durante minhas diversas viagens que grande parte das minhas histórias surgiu.

Gostaria de dizer que nesse momento estou completamente concentrada, e com ideias fluindo aos montes, mas para minha completa infelicidade não estou, isso porque não consigo tirar da mente o que descobri, pois como sempre não pude conter minha curiosidade doentia, acabei na situação que me encontro, agora em vez de estar concentrada pensando na história que tenho que desenvolver, não paro de pensar nisso, e em como tudo pode terminar pior que imaginei.

Deixei um suspiro de frustração escapar por meus lábios, para só então lembrar que Sesshoumaru estava sentado ao meu lado, olhei institivamente para ele, e me aproximei um pouco dele tentando descobrir se estava dormindo, já que os óculos escuros que ele usava me impediam disso.

- O que é? – ele perguntou de repente, fazendo com que me afastasse rapidamente dele.

Limpei a garganta tentando disfarçar meu nervosismo. – Nada, apenas pensei que estava dormindo. – disse desinteressada, observando a vista pela janelinha do avião.

- Não perca seu tempo com isso.

Movi a cabeça lentamente na direção dele, completamente afetada por suas palavras, era como se ele conseguisse adivinhar o que se passava na minha mente, e encontrar seus olhos âmbar focados em mim só me fizeram acreditar mais ainda nisso, algo que era bastante assustador, ou deveria dizer desconcertante?

Continuei a fita-lo incredulamente por incontáveis minutos, até que por fim desviei meu olhar dele, ao perceber que essa era uma situação bastante constrangedora, então pelo resto do percurso fiz questão de não voltar a olhá-lo, apenas fechei os olhos e não pensei em mais nada, pois de uma alguma forma sabia que logo minha mente estaria uma bagunça, porque novamente encenaria algum tipo de encontro bizarro com Sesshoumaru, e não tinha jeito de prever suas intenções. Não importa o quanto eu tente, ele sempre encontrará uma forma de me vencer, esse jogo é dele, e não posso vencê-lo nele.

Não mesmo.

A parte ruim em ser famoso – sim, existe uma parte ruim – é que sempre terá alguém mais famoso que você, não que me importe com isso, prefiro que meus fãs demonstrem isso comprando meus livros, e pedindo que os autografe para eles, e não que me cerquem por todos os lados eufóricos, gritando meu nome, pedindo autógrafos e tirando fotos minhas. Mas não estou falando de mim, claro que não, me refiro a Sesshoumaru, ele é mais famoso que eu, ou talvez apenas mais popular, suspeito que deva ser porque ele é um ator incrivelmente atraente e sexy, o que explica porque só estou vendo mulheres ao redor dele.

Suspiro pela milésima vez, cansada de esperar que ele consiga livrar-se de todas aquelas fãs, eu realmente não esperava tamanha recepção.

- Com licença. – disse alguém sentado ao meu lado.

Virei o rosto de lado, e fiquei surpresa ao me deparar com um lindo homem de olhos verdes.

- Sim? – perguntei dando um leve sorriso.

Ele sorriu largamente. – Sabia que era você. - disse contente. – Sou um grande fã seu Kagome, e estou muito feliz de conhecê-la pessoalmente.

- Verdade? – perguntei feliz e ele assentiu. – E como se chama?

- Shippou.

- Então Shippou, - disse sorrindo. – já que é um grande fã meu, poderia me ajudar com algo muito importante? – perguntei seriamente.

- Com todo prazer.

- Qual a sua opinião sobre eu escrever um livro de romance? – perguntei. – Embora tenha decidido escrever um, não perguntei a opinião daqueles que realmente importam. – expliquei um pouco preocupada com a resposta dele.

Ele sorriu de modo tranquilizador. – Sinceramente falando, eu não gosto dessa ideia, porque não é um gênero que me interesse - não pude evitar ficar decepcionada com a opinião dele, e ele percebeu isso, mas mesmo assim continuou. -, mas embora eu ache isso, acredito que qualquer coisa que você decida fazer, terá grande sucesso, mesmo um romance.

Não posso descrever o quanto as palavras dele me fizeram feliz.

- Agradeço por sua sincera opinião, e por acreditar que sou capaz. – disse sorrindo. – Só espero que eu consiga superar as expectativas de todos.

- Você não precisa superar as expectativas de ninguém, apenas a sua, - franzi as sobrancelhas, confusa com as palavras dele. – criar algo que nem você mesma se julgava capaz de fazer já é a própria superação, não precisa se preocupar em surpreender a todos, isso é algo que tem que fazer para você, esqueça todas as preocupações em torno do livro e escreva como sempre escreveu...

- Dando o meu melhor. – completei desviando meu olhar do dele.

"Dei o meu melhor, faça o mesmo sempre!" Era isso que estava escrito no início de todos os meus livros. Que engraçado eu esquecer dos meus próprios conselhos.

De repente me dei conta que estava sorrindo. Não lembro de um dia ter sorrido assim, um sentimento diferente me preenchia, algo realmente bom, que me impulsionava, me induzindo a continuar independente do resultado que obterei no final. Sinto que é exatamente desse tipo de sentimento que preciso agora, e ele surgiu graças a alguém que acabei de conhecer.

Voltei a encarar Shippou, que estava a me observar, abri um pequeno sorriso para ele, em seguida me inclinei em sua direção e depositei um leve beijo em sua bochecha, depois me afastei dele, e vi que minha atitude o deixou levemente envergonhado.

- Obrigada Shippou, não sabe o quanto me ajudou. – me levantei e ele fez o mesmo, rabisquei rapidamente meu número em um papel e entreguei a ele. – Foi um enorme prazer conhecê-lo, e ficaria feliz em conversar novamente com você.

- Para mim também, e você certamente terá notícias minhas. – disse contente.

- Estarei aguardando. – disse sorrindo, com um aceno de cabeça o deixei, seguindo em direção à saída do aeroporto.

Estava a ponto de entrar num táxi quando me senti sendo puxada por alguém, quando me virei dei de cara com Sesshoumaru, e não é que esqueci completamente dele.

- Ah, até que fim, eu estava indo sem você. – disse fazendo pouco caso.

- Para onde exatamente? – perguntou ele, estreitando os olhos.

- Para o hotel. Para onde mais eu estaria indo? – perguntei o encarando de modo estranho.

Ele me analisou por alguns segundos, então suspirou pesadamente. – Entre logo. – disse impaciente.

- Eu já teria entrado se você não tivesse me parado. – disse dando de ombros, e com isso recebi um olhar fulminante dele, do qual não dei importância. – Te vejo em breve. – disse entrando no carro, sentei no banco, e quando virei o rosto para olhá-lo, ele estava também entrando no táxi. – Não tinha especialmente um carro para levá-lo? – perguntei enquanto o observava fechar a porta.

- Um táxi passa melhor despercebido.

Movi a cabeça para o outro lado rindo. – Já está querendo se livrar dos fãs?

- Diferente de outras pessoas. – comentou sarcástico.

Olhei de volta para ele, e compreendi de imediato suas palavras, direcionadas a mim de maneira bastante clara.

Sorri divertida. – Não é todo dia que encontro alguém como ele.

Ele estreitou os olhos. - Como ele? - questionou com ar de riso.

- Sim, agradável, simpático e principalmente atraente, sem mencionar que é um fã.

- O que sugere que ele tem um péssimo gosto.

- O que disse? - perguntei ofendida.

- Exatamente o que escutou! - disse calmo. – Não entendo como seus livros podem ser tão famosos.

- Você ao menos se deu ao trabalho de lê-los antes de formar uma crítica? – questionei irritada.

- Não afirmaria com tanta confiança se não tivesse.

- Se não acredita na minha capacidade de escrever, então por que está me ajudando a escrever um novo?

Ele riu sem humor. - Acho que sabe bem a resposta para isso.

Mas é obvio que sei. Eu o obriguei a fazer.

Pude sentir as lágrimas se formando em meus olhos, então virei completamente o rosto para janela, não queria que ele visse o efeito que as palavras dele causaram, pois isso só me tornaria mais lamentável.

Quando o carro enfim parou diante o hotel, me voltei mais uma vez para ele. - Depois de hoje não precisa mais me ajudar. – disse e me apressei em sair do carro, deixando o para trás com uma expressão surpresa no rosto.


Nunca fiquei tanto tempo encarando o teto, e olha que eu costumo fazer muito isso, mas não fiz isso por tédio, nunca por esse motivo, sempre se trata de respostas, decisões a serem tomadas. Depois de horas pensando e repensando, eu estava completamente determinada em continuar com minha decisão, não importava o que isso significaria.

Somente por uma última vez teria a ajuda de Sesshoumaru, depois disso continuaria sem ele, encontraria um jeito, meu próprio jeito de fazer as coisas, e terminaria o livro. E não somente com ele.

Tomei um banho, me arrumei e desci para o restaurante, indo ao bar para tomar algo, queria ficar sozinha por um tempo, pois sabia que logo estaria na companhia dele. Pedi uma bebida, e enquanto esperava, comecei a vasculhar o celular verificando se tinha alguma mensagem, ultimamente o deixava muito de lado, sem se importar com quem queria entrar em contato comigo. Recebi um e-mail da editora querendo uma reunião comigo, vários e-mails de fãs, tinha que procurar um tempinho para respondê-los, mensagens de texto da minha mãe mandando me cuidar, e uma mensagem de dois dias atrás que me fez prender a respiração.

Inuyasha.

Abri a mensagem tremendo levemente, e a li imediatamente.

Kagome... preciso de alguém para conversar.

Essa mensagem só podia significar uma coisa, que Kikyou realmente cumpriu com o que disse e terminou com Inuyasha. Que droga, Kikyou. Agora ele queria me ver para falar a respeito, enquanto afogava as mágoas no álcool. Isso acabou acontecendo mais de uma vez, mas dessa vez sabia de algo que ele não sabia, e não tinha certeza se conseguiria esconder isso dele. Entretanto, não podia simplesmente ignorá-lo, sabia perfeitamente como estava se sentindo.

Digitei uma mensagem rapidamente, antes que mudasse de ideia.

Amanhã à noite estou livre. Mesmo lugar de sempre?

Enviei a mensagem, e tomei um gole da bebida que tinha sido deixada na minha frente em algum momento que não percebi. Suspirei lentamente nervosa. Isso iria acabar hoje mesmo. Passei alguns minutos fitando o copo a minha frente, enquanto passeava meus dedos em sua borda. Senti o celular vibrar, alertando que havia chegado uma mensagem. Então peguei o celular esperando ver uma mensagem de Inuyasha, mas não era dele, agora era do Sesshoumaru.

Abri a mensagem entediada. Vendo um simples:

Onde está?

Respondi rapidamente um:

Restaurante.

Coloquei o celular de lado novamente, bebendo outro gole da bebida quase intocada. O clima não estava dos melhores entre nós, não sabia como conseguiriam ignorar tais sentimentos. Para ele talvez fosse muito fácil fazer isso, mas para ela não.

O celular vibrou novamente, e dessa vez sabia que não era uma mensagem de Sesshoumaru, pois ele acabara de sentar ao meu lado, ignorando-o, peguei o celular e visualizei a mensagem que Inuyasha tinha mandando.

Finalmente. Te encontro lá as nove horas.

Não senti necessidade de responder mais nada. Guardei o celular na bolsa, suspirando.

- Querendo usar o outro irmão em sua pesquisa também? – questionou Sesshoumaru, com uma raiva contida.

Olhei-o assustada, ele conseguiu ver a mensagem de Inuyasha. Que intrometido!

- Acho que Kikyou terminou com ele. – disse o pegando de surpresa. – Agora ele quer me ver e provavelmente desabafar.

- Temos um acordo, lembre-se disso. Você não vai querer quebrá-lo. – ameaçou.

- Não se preocupe, - disse séria. - se depender de mim seu amor por Kikyou nunca será descoberto.

Sesshoumaru me olhou com um ódio profundo. – Não repita isso nunca mais. Não vai querer que meu irmão descubra sobre seus sentimentos.

Agora quem estava surpresa era eu. Como ele soube? Eu nunca contei isso a alguém, nem mesmo a Sango.

- Do que está falando? – perguntei rindo.

- Não adianta negar, Kagome. – disse me olhando fixamente, como se estivesse procurando qualquer sinal de fraqueza.

- Desculpe, mas você está atrasado alguns anos, Sesshoumaru. – disse o encarando calmamente.

- Que bom saber, - disse sorrindo. - isso significa que meu caminho está livre.

Espera. O que está acontecendo? Ele não pode estar atuando agora! Não sobre esse assunto! O encarei perplexa. Meu coração batendo rapidamente em meu peito. Não consigo mais distinguir atuação da verdade. Me sinto tão frustrada. Tão confusa.

Baixei a cabeça escondendo meu rosto dele, fechando os olhos, comecei a rir, abri os olhos e o encarei seriamente. Sesshoumaru me observava bastante confuso. – Sesshoumaru, - disse lentamente. – não havia absolutamente nada que o impedisse.

- Mesmo? – questionou erguendo uma sobrancelha.

- Não, você que nunca teve coragem suficiente de fazê-lo. – disse com tanta confiança, que até mesmo eu acreditei nisso.

Sinto muito, Sesshoumaru. Mas não vou permitir que somente eu fique confusa. Nesse seu jogo, eu não serei apenas uma marionete.


N/A:

Olá minhas leitoras lindas!

Voltei bem rápido, né?

Esse capítulo já estava quase pronto, então apenas alterei algumas coisas, melhorei e coisa e tal. E vim super rápido por causa da reação de vocês kkkkk.

Não lembro de ter dito que ia abandonar vocês. Por que será que vocês tiveram essa impressão? Será que a autora aqui manipulou para parecer exatamente isso? Ou vocês não perceberam alguma coisinha ai? Mas acho que agora vão compreender melhor.

Bom, eu não tenho a intenção de deixar de escrever, na verdade, na verdade, quero terminar essa história aqui logo por ser algo mais rápido de terminar, e após ela, continuar The Vampire Blood, inclusive postei um capítulo novo a alguns dias, mas minha nota de autora não foi junto e acabei nem indo alterar, depois faço isso.

Espero que tenham gostado desse capítulo, o próximo talvez demore mais a sair, ainda vou começa-lo, mas já tenho tudo planejado na minha mente.

Até a próxima, beijos! Fiquem bem!


Resposta aos reviews:

Neherenia: te respondi no pv.

Tinker: Olá! Voltei sim kkk

Mas pode ficar feliz porque não vou embora. O Sesshoumaru e a Kikyou foi algo bem bizarro mesmo, mas foi a ideia que tive kkkk. Em breve você vai descobrir tudinho. Veremos o que vai acontecer com ambos né? Espero que tenha gostado da continuação, beijos!

Bye Kagmarcia ;)