Capítulo 21 - Desconfianças
Acordei ao som do despertador. Virei-me na cama, sentindo algo ao meu lado. Hinata. Ela também acordava resmungando algo enquanto tapava o rosto com o travesseiro. Desliguei aquele som chato e me espreguicei, tomando coragem para se levantar e ter mais um dia estressante de aulas.
Ontem fiquei algum tempo pensando em tudo o que ocorreu naquele dia. Eram tantas coisas, tantas revelações e vários contras que fui vencida pelo sono sem ao menos perceber.
Resolvi deixar isso de lado e me levantei, fui direto ao guarda-roupas procurar o que vestir naquele dia. Optei por um skinny claro, uma camiseta branca e um cashmere rose médio.
- Você vai acabar se atrasando se ficar deitada aí. – Comentei enquanto pegava minha toalha de banho.
- Acho que não vou para escola hoje – ela murmurou.
Virei-me para Hinata que continuava na cama, havia tirando o travesseiro do rosto.
- O quê? – Franzi o cenho. – Hinata, eu soube que você não anda frequentando às aulas. As provas finais começam semana que vem, e se você ficar faltando desse jeito você vai acabar reprovando.
Hinata bufou, abrindo os olhos, o rosto emburrado.
- Você consegue se mais chata que o meu irmão Neji.
- Deve ser por que ambos queremos o seu bem. – Respondi, ignorando seus resmungos. – Olha, vou tomar banho. Você fique à vontade para procurar o que vestir no guarda-roupas.
Ela não respondeu, e eu saí do quarto, entrando no banheiro. Fiz minha higiene pessoal e tomei um banho. Optei por não molhar o cabelo por causa da friagem da manhã. Quando entrei no quarto já vestida encontrei Hinata de pé caçando roupas no meu guarda-roupas. Ela se virou para mim e ergueu as roupas que escolheu.
- Eu peguei isso aqui se não tiver problema.
- Tudo bem – sorri comprimido. - Ahn, tem uma escova de dente nova no banheiro, você pode usar.
Hinata apenas assentiu e saiu do quarto. Penteei meus cabelos e os prendi num coque alto. Passei um pouco de corretivo em volta dos olhos e um brilho labial na boca, e já estava pronta. Arrumei minhas coisas na mochila, e ouvi algo vibrando na mochila da Hinata, deveria ser o celular.
Desci as escadas e como todas as manhãs, Tsunade estava na cozinha terminado de preparar o café da manhã.
- Bom dia, vó.
- Bom dia, queria. – Ela sorriu, mas seu sorriso não parecia tão animador como nas outras manhãs. – E a Hinata?
- Está no banho – e sentei-me na cadeira.
- Hm.
E não demorou nem dois minutos Hinata desceu as escadas e apareceu na cozinha, vestida com o meu jeans azul, uma t-shirt preta com uma frase em inglês estampada no meio e um casaco lilás de capuz que eu havia ganhado da Shion no inverno passado.
- Bom dia – ela disse, pouco tímida.
- Bom dia. – Tsunade respondeu, sorrindo. – Dormiu bem? Sente-se.
Ela assentiu com a cabeça enquanto puxava a cadeira ao meu lado.
- Sim.
O café da manhã até que foi tranquilo. Tsunade não tocou no assunto de ontem e eu agradeci por isso, mas eu tinha certeza que mais tarde quando estivermos a sós isso iria acontecer. Hinata não havia comido quase nada, apenas bebericou um pouco do leite, alegando que não estava tão bem do estômago.
Depois do café, Tsunade disse que iria nos levar a escola, e juntas saímos da casa indo em direção ao Jeep. O tempo estava enublado, o chão todo molhado e as árvores caindo gotículas devido à chuva forte de ontem, e o frio que batia em meu rosto deixava o meu nariz gelado.
- Droga! – Tsunade praguejou baixinho enquanto revirava a sua bolsa, chamando nossa atenção.
- O que foi? – Perguntei, vendo-a voltar em direção a casa.
- Esqueci os documentos para uma reunião hoje.
Ela abriu a porta e logo me vi sozinha com Hinata. O celular que estava em sua mão vibrava. Ela olhou o display e ignorou a chamada. E não deu nem dois segundos e o celular voltou a vibrar.
- Você não vai atender?
- Não é nada importante.
Alguns segundos de silêncio e logo ele foi quebrado por ela:
- Você disse alguma coisa que conversamos ontem para a senhora Tsunade?
- Não.
Ela assentiu com a cabeça, desviando sua atenção para a floresta a nossa frente.
- Não conte nada para ela – disse -, não quero que meu pai saiba.
- Eu não vou contar. Mas Hinata, você não pode se esconder para sempre. – E ela me fitou. - Uma hora a sua barriga vai aparecer, o Naruto vai te abordar, e todos vão acabar sabendo.
- Eu vou dar um jeito antes que tudo vá pelos ares.
Eu fiquei meio com receios da sua última frase, mas resolvi confiar nela.
- Você sabe que pode contar comigo.
Seu olhar que me fitava desviou-se para o lado, e eu pude ver uma sombra de um pequeno sorriso no canto esquerdo de sua boca.
- Obrigada.
Conti o meu sorriso que teimava em aparecer com àquele agradecimento de Hinata. Eu sentia que ela estava começando a confiar em mim.
Tsunade não demorou a aparecer, entramos no Jeep e logo estávamos na estrada em direção a escola. Minutos depois o Jeep parou no estacionamento da escola e saímos não antes de escutarmos um Boa Aula de Tsunade.
Caminhávamos por aquele extenso pátio aberto da frente do colégio. Hinata logo puxou o capuz para cima, cobrindo toda a sua cabeça.
- Seu namorado parece um cachorro fazendo marcação na sua presa.
O comentário irônico dela me fez olhar para aonde ela fitava, e vi Sasuke encostado numa pilastra de concreto do prédio três, o cenho franzido enquanto olhava para nós.
- Você poderia ser um pouquinho mais gentil? – Eu disse, e a fitei.
Ela apenas revirou os olhos, conectando os fones no celular e depois levando ao ouvido.
- Eu vou para sala antes que o amiguinho dele me veja – e em seguida se afastou de mim e tomamos rumos diferentes.
Aproximei-me de Sasuke, e ele agora estava com o semblante suave e um pequeno sorriso de lado - que eu amava - em seu rosto. Mordi o lábio, desviando o olhar para o lado por alguns segundos, e logo voltei a fitá-lo, agora de frente para ele.
- Oi.
- Oi – ele respondeu, agarrando minha cintura, trazendo-me para mais perto e me beijando em seguida.
Minhas mãos foram de encontro ao seu peito, saboreando sua boca contra a minha e logo o empurrei para trás.
- O que foi? – Ele murmurou abrindo os olhos, me fitando.
- Aqui não – disse dando uma olhada em volta, percebendo que estávamos chamando atenção. – As pessoas estão olhando.
- Que olhem. – Voltei a fitá-lo. – Não estou fazendo nada de errado. Apenas estou beijando a minha namorada.
Não pude conter o sorriso com o jeito que ele pronunciou namorada. O meu coração havia dado alguns saltos nas batidas. Ele fez mais uma investida em me beijar, mas consegui virar meu rosto para o lado, colocando meus dedos em seus lábios.
- Mas acontece senhor Lycan, que fico desconfortável em ser o centro das atenções.
E mesmo que minha voz houvesse soado tranquila, meu interior estava desesperado para sair daquela mira de olhares curiosos que as pessoas a nossa volta davam.
- Então vamos para os fundos, lá está vazio.
Sasuke já segurava a minha mão e tomava impulso para me puxar, mas o puxei de volta.
- Não. Esqueceu que temos aula daqui a pouco? O sinal já vai tocar.
Ele apenas suspirou contrariado, mas isso não o impediu de roubar um selinho rápido de mim.
- Ei! – Exclamei, agora podendo ver um sorriso maroto iluminar o seu rosto, fazendo o meu coração bater mais rápido.
- Tudo bem – ele levantou as mãos para cima -, vamos mudar de assunto.
- Acho ótimo. - Dei um passo para trás, saindo daquela linha perigosa em que estávamos, cruzei os braços. – Então, o Naruto veio?
- Uhum. Ele está bem perturbado depois do encontro com a louca da sua amiga ontem. Ela disse algo a respeito?
Eu hesitei em dizer algo, mas a situação de Hinata era muito delicada e queria ajudá-la. Então resolvi abrir o jogo:
- A Hinata está grávida do Naruto. – E pude ver os olhos de Sasuke se abrir mais. – Ela me pediu segredo. Só estou te contando por que ela está numa situação difícil, e eu acho que o Naruto pode ajudá-la.
- O Naruto comentou algo assim ontem, mas não pensei que ele estivesse certo. Aquela garota é perturbada, ela tentou matá-lo uma vez.
- Eu soube que ela fez isso por defesa. Ele tentou matá-la primeiro.
- Mas acontece que isso aconteceu devido a primeira transformação dele. Sabe que perdemos totalmente a nossa consciência quando isso acontece. Ela só estava no lugar errado e na hora errada.
- Você está dizendo que a culpa é dela por ele ter a atacado?
- Estou dizendo que ela deu o troco quando ele foi se desculpar.
E foi só agora que percebemos que estávamos discutindo alto, chamando mais atenção para a gente.
- Acho melhor nós encerramos esse assunto por aqui – ele disse.
- Também acho. – Um tom de irritação soava na minha voz. - Nós não compartilhamos da mesma opinião.
Sasuke franziu o cenho.
- Você não acha que está defendendo essa garota de mais não? Ela é louca.
- Ela não é louca. Ela tem os seus motivos e eu a entendo.
O sinal tocou, o som soando um pouco baixo da onde nós estávamos. Sasuke levou a mão nos cabelos e os bagunçou, desviando o olhar para o lado enquanto suspirava, parecia irritado.
- Estamos brigando por um assunto que não é nosso. – E depois me fitou. – Estou com raiva do Naruto e estou com raiva da Hinata.
- Você se irrita com muita facilidade – e dei um passo para frente, levando minha mão ao seu rosto quente.
Sasuke fechou os olhos, pondo sua mão em cima da minha e a segurou, levando até seus lábios e a beijou.
- E você tem o dom de me acalmar. – Ele disse agora me fitando.
E como um passe de mágica aquela irritação que sentia com a angustia por termos brigado havia desaparecido.
- Vamos entrar.
Entramos no prédio dois de mãos dadas e novamente fomos alvo de olhares curiosos e comentários do mais novo casal do colégio. Apenas fingi que não me importava, mas estava uma pilha por dentro, queria sair correndo dali e me esconder, mas sabia que não poderia bancar a covarde para sempre. Sasuke fez questão de me acompanhar até minha sala, e agradeci por aquele corredor estar um pouco mais vazio do que o anterior, a maioria dos alunos entravam em sua sala e logo cheguei a minha.
- Eu vou entrar agora – disse, parada de frente para ele que me olhava de um jeito manhoso.
- Pelo menos um de despedida?
Ele disse aproximando seu rosto do meu. Apenas fechei meus olhos e senti sua boca na minha, suas mãos em meu rosto. O beijo era calmo e bom, mas logo fomos interrompidos por um pigarro de garganta. Nos separamos e demos de cara com o Sr. Sarutobi a nossa frente nos fitando com os olhos sérios. Dei um pulo para trás, sentindo meu rosto quente de vergonha.
- O corredor não é lugar de se namorar, senhor Uchiha e senhorita Haruno.
- Foi mal, Asuma – disse Sasuke, e depois me fitou. – Nos vemos depois.
Apenas assenti com a cabeça, comprimindo os lábios para dentro. E Sasuke se afastou, indo para a sua sala. Fitei o Sr. Sarutobi, ainda consumida pela vergonha de ser pega no flagra.
- Me desculpe – murmurei.
- Apenas entre senhorita.
Entrei na sala e fui quase que correndo para o meu canto, onde Hinata já estava sentada. Ela apenas me olhou de solaio, mas não disse nada e eu apenas fiquei quieta no meu canto.
A aula de biologia passou lentamente e dei graças a Deus quando o sinal tocou. A matéria que o Sr. Sarutobi revisava era bem chata e ele ainda alegava que cairia na sua prova da semana que vem. Hinata foi a primeira a se levantar e sair da sala, e por mais que eu quisesse sair correndo dali também, eu era lenta para arrumar as minhas coisas da mochila. Lenta o suficiente para que Rock Lee conseguisse uma brecha para me abordar como ele fazia nesse exato momento:
- Oi, Sakura – ele disse sorrindo mais que o normal, os olhos redondos de amêndoas me fitando.
- Oi, Lee.
Terminei de jogar minhas coisas na mochila e a fechei. Rock Lee continuava parado, coçava a cabeça, parecia nervoso.
- Posso te fazer uma pergunta?
Hesitei por um segundo, enquanto ficava de pé e colocava minha mochila nas costas. Eu tinha receios do que podia vir de Lee, já que eu havia percebido que ele tinha uma paixonite platônica por mim.
- Claro – resolvi responder.
- Err... então, você e o... quer dizer, você e o Sasuke Uchiha estão saindo? – Sua frase saiu toda cortada, ele parecia nervoso. - Sabe, eu vi você e ele ontem no intervalo. O Uchiha, ele tem uma fama com as meninas. Elas todas caem loucas por ele e ele não dá bola.
Eu sabia. Era de se esperar uma pergunta assim vinda dele, e logo resolvi esclarecer a minha situação:
- Eu e o Sasuke estamos namorado. – Eu disse, e pude ver pela expressão de Rock Lee que àquela notícia caiu como um balde de água fria nele.
- Vocês dois... – ele não conseguiu terminar a frase, o choque era demais para ele.
- Sim – conclui. – Ahn, Lee, eu tenho que ir.
Assim quando fiz menção de sair dali a voz de Lee soou alta e de bom som:
- Sakura, eu gosto de você.
Virei-me para ele, fitando-o com os olhos surpresos.
- Ahn?
Não! Isso não pode está acontecendo. Eu dizia para mim mesma vendo Rock Lee tomar coragem e terminar de concluir sua declaração:
- Eu gosto de você ardentemente com todo o meu fogo da juventude.
Meu Deus. Não acredito que ouvi isso. Ardentemente? Não tinha reação para aquilo. Lee havia me pego de surpresa, havia me surpreendido quando menos esperei.
- Lee – comecei, tentando procurar as palavras certas -, agradeço seus sentimentos por mim. – Balancei a cabeça para os lados, negando. - Mas não vai rolar. Eu gosto de outro.
- Mas eu posso fazer você gostar de mim – insistiu, como se tivesse alguma chance.
- O quê?
Ele deu um passo para frente e eu automaticamente dei um passo para trás.
- Eu sou alto, moreno e tão lindo quanto o Sasuke. Garanto que se você ficar comigo te tratarei como uma imperatriz.
- Lee, chega! – Minha voz soou dois tons mais alto, dando um basta naquilo tudo. - Eu gosto do Sasuke. Eu amo o Sasuke. Me desculpe, mas eu e você não vai rolar.
- Mas...
- Eu tenho que ir.
Passei por ele quase que correndo e saí logo daquela sala, atônita com aquela declaração espalhafatosa de Rock Lee. Eu sabia que ele tinha uma queda por mim, mas não imaginava que era um penhasco, e ainda por cima ganhar uma declaração daquela.
Ah meu pai, o que mais poderia acontecer hoje?
- Bom dia, flor do dia – a voz animada de Ino soou no corredor quando cheguei.
- Vamos, Ino – agarrei sua mão e a reboquei por aquele corredor cheio, indo o mais longe possível de Rock Lee e sua paixão ardente por mim.
- Ei, o que foi? Parece que está fugindo de algo. – Protestou Ino.
– Do Lee caso queira saber.
Soltei a sua mão e subimos as escadas. Dei uma olhada para trás, mas não vi sinal do meu admirador.
- Eita, o que aconteceu?
Ergui meus olhos e a fitei ao meu lado.
- Ele acabou de se declarar para mim.
Pude ver Ino arregalar os olhos e logo comprimir os lábios, prendendo uma risada, mas estava falhado.
Crispei os lábios.
- Não ria, isso é sério.
E Ino acabou rindo, atraindo olhares para nós.
- Desculpe amiga, mas não aguentei – e ela riu mais.
Apenas revirei os olhos e continuei subindo as escadas, deixando-a para trás.
- Ei, me espere – ela conseguiu me alcançar. – O que você fez?
- O dispensei, claro. Disse que estava com o Sasuke e deixei ele falando sozinho.
- Tadinho – sua voz havia soado debochada e risonha. – Eu te disse para não dar muita bola para ele.
- Eu sei – e a fitei –, e me desculpe por não ouvi-la.
Entramos na sala da nossa próxima aula. A Sra. Mitarashi já estava lá sentada na sua cadeira apenas esperando os alunos terminarem de entrar. Sentamos em nossos lugares e Ino começou com as suas perguntas do dia:
- E então, como foi lá na casa dos pais do Sasuke? Já adianto que quero saber os detalhes.
- Mais ou menos – respondi, tirando meu caderno e minhas canetas da mochila, colocando em cima da mesa.
- Como assim? – Ela me olhou. – Eles não gostaram de você? Mas você estava tão linda com aquelas roupas. Será que era a maquiagem?
- Não é por conta das roupas e nem da maquiagem, Ino – e suspirei. – É complicado.
- Explica, assim talvez possa te ajudar.
Sorri comprimido, sentindo as vibrações positivas de Ino. Sabia que ela estava sendo sincera nas suas demonstrações, o que me deixava a vontade em desabafar minhas frustrações.
- Os pais do Sasuke tem uma tradição diferente do que estamos acostumadas, vamos dizer assim.
- Eles não comem rã não, né? Sabe, eu namorei um garoto que a família toda tinha uma tradição em comer rã, e eles me fizeram comer também. Claro que não comi, é nojento e eu acabei terminando com ele.
- Claro que não. Rã? Fala sério.
- Ah, nunca se sabe - ela deu de ombros.
- Eles não comem rã... não que eu saiba..., mas a questão não é essa. Eles querem que eu siga seus costumes quando estiver com o Sasuke.
- Mas vocês são só namorados.
- Eu sei, por isso que eu disse que é complicado.
- Gente, todos sentados que vamos começar a aula. – Disse a Sra. Mitarashi fechando a porta da sala e começando a escrever no quadro a matéria do dia.
- E o Sasuke não disse nada? Ele não se opôs aos pais? – Ino voltou a perguntar, agora baixinho enquanto abria o caderno para começar a escrever.
- Ele se opôs, mas sabe como é famílias tradicionais.
- Sei – ela murmurou. – Você quer um conselho? Seja você mesma, e não faça aquilo que não queira – e depois me olhou. – Sabe, às vezes os caras não merecem os esforços que fazemos. Faça àquilo se você tiver certeza que ele irá fazer o mesmo por você.
- Você está bem filosófica hoje, senhorita Ino. – Sorri, agradecida por seu conselho.
- Eu sempre tento fazer o meu melhor, honey. – Ela sorriu piscando para mim.
- Que falatório é esse aí atrás?
A Sra. Mitarashi havia parado de escrever e agora olhava os alunos. Ino e eu ficamos quietas, escrevendo a lição no caderno enquanto prendíamos a risada. Ela voltou a escrever no quadro e nós ficamos quietas por alguns minutos, mas Ino sempre tinha formigas na língua e já sabia que ela não iria aguentar ficar calada por muito tempo.
- Eu tenho uma coisa para te contar que eu descobri da Tenten.
- Você ainda não esqueceu esse assunto?! – Cochichei enquanto escrevia no caderno.
- Claro que não. Eu iria te contar ontem, mas foi tantas coisas que eu acabei esquecendo.
- Hm. E o que você descobriu?
- O professor Hatake é o tutor dela.
Parei de escrever e virei meu rosto para ela, surpresa.
- Ahn?
Ino sorriu vitoriosa por ter conseguido chamar minha atenção.
- Não disse que ela tinha segredinhos.
- E como você descobriu? – Eu quis saber, eu realmente estava curiosa.
- Eu inventei uma situação na semana passada e entrei na secretaria e consegui ver a ficha dela.
- Ino, você é louca – disse. - Você poderia ter sido pega.
- Mas não fui, isso que importa. Sou boa em espionagem – e piscou para mim.
- É boa em xeretar a vida das pessoas.
- Também. – Admitiu totalmente dissimulada.
Parei.
- Espera, Tenten é órfã?
- Eu não sei. Ela quase nunca fala sobre sua vida. E na sua ficha só tinha a escola que ela havia sido transferida a dois anos e o nome da pessoa responsável por ela e só. O que é meio estranho, já que não havia nada a respeito dos seus pais.
- Será que ela é adotada?
- Não sei, ela nunca disse nada a respeito. E nunca mencionou que o senhor Hatake era seu responsável.
- Talvez ela não se sinta à vontade para falar a respeito.
- Sakura, sou amiga dela a dois anos e ela não se sente à vontade de falar da sua vida? Fala sério.
- Isso eu não sei, não conheço ela tanto tempo quanto você.
- É disso que estou dizendo – ela disse. – Se ela escondeu quem era o próprio tutor, o que mais ela pode esconder?
- Você não está pensando em xeretar a vida dela de novo, está?
Ino sorriu, erguendo as sobrancelhas para cima.
- O que você acha?
Eu achava que não adiantava dizer o contrário, sabendo que Ino iria fazer do mesmo jeito. Havia percebido que quando Ino colocava algo na cabeça ela movia mundos e fundos para conseguir o que queria. E Tenten era seu alvo da vez. Não adiantava dizer para ela parar de procurar algo que não era da conta dela, pois por pura experiência ela iria acabar encontrando o que não devia. E tudo o que eu podia dizer era:
- Só não se meta em encrencas.
- Deixe comigo, sou uma verdadeira Sherlock Holmes.
. . .
Depois da aula de história e de mais duas, o sinal do intervalo tocou. Arrumei minha mochila e peguei meu dinheiro do lanche, colocando no bolso da calça e saí da sala. Zapeei por entre a multidão de alunos no corredor, descendo as escadas até o térreo. Quando estava chegando na cantina senti uma mão no meu ombro me fazendo virar e ver quem era. Fiquei surpresa quando o vi.
- Você?
- Oi, você tem um minuto?
Naruto parecia sem jeito, seus olhos azuis céu me fitavam apreensivo, ansioso, e eu já imaginava o que ele queria.
- Claro.
Ele me guiou para um canto mais vazio, debaixo das escadas que levava ao refeitório do prédio três.
- Você quer saber da Hinata!? – Eu disse, o que era óbvio em sua expressão.
- É. – Ele parecia meio sem jeito. – Ela está bem?
- Está.
- O Sasuke disse que você chegou com ela hoje na escola.
- Sim, ela dormiu na minha casa.
- Ela está grávida, não é?
Apenas balancei minha cabeça para cima e para baixo, concordando.
- Eu sabia – ele começou a andar em círculos com suas mãos segurando seus cabelos loiros bagunçando-os ainda mais. – É por isso que ela não me deixava chegar perto, ela sabia que eu iria perceber.
- Ela está assustada.
- Eu sei – ele parou e me fitou. – Eu sinto isso. Também estou assustado. Eu vou ser pai, e só tenho dezessete anos!
- Me desculpe dizer algo numa hora dessas, mas existe preservativo.
- Eu sei. Mas na hora... – ele coçou a cabeça meio que sem graça – você sabe, não pensamos nisso... enfim, eu não estou maldizendo a criança. Eu estou feliz, quero esse filho. E eu quero que a Hinata saiba que eu estou aqui para ela. Mas ela foge de mim, isso me mata por dentro, ela é a minha companheira, poxa!
- Eu sinto muito, por você. – Eu disse, tocada profundamente com seu sofrimento. – Tenha um pouquinho de paciência, a Hinata está passando por algumas situações difíceis. Acho que ela precisa de um tempo sozinha.
- Isso é tão difícil. Me ajude, Sakura. Eu sei que não somos íntimos, mas você é a pessoa mais próxima da Hinata que conheço. Estou desesperado.
- Vou ajudá-lo. – Eu disse, vendo um pequeno sorriso se abrir no rosto de Naruto como se eu mostrasse uma luz no fim do túnel. – Mas só peço que dê um tempo para ela. Hinata não é uma pessoa fácil de se lidar, a minha amizade com ela é uma coisa muito frágil, não quero romper algo que mal acabou de começar.
- Tá. – Ele pegou as minhas duas mãos. – Estou colocando toda a minha fé em você. E diga a ela que faço qualquer coisa para tê-la comigo.
Apenas assenti com a cabeça, percebendo o tamanho da responsabilidade que eu tinha futuramente, e torcia para que desse tudo certo. Pois Naruto acabara de jogar o seu futuro com Hinata em minhas mãos, e eu mal estava dando conta do meu.
