Capítulo 23 - Investigação
Desde o dia em que pus meus pés em Konoha, a minha vida nunca mais foi calma. Geralmente quando um dia parecia ser calmo sempre acontecia algo para agitar tudo. E que no caso havia acontecido hoje mais cedo. Eu martilhava por meus problemas enquanto passava um sábado entediante sozinha em meu quarto, mas como num passo de mágica eu estava agora dentro de um ônibus com a Ino, indo para o centro de Konoha bisbilhotar algo que não era da minha conta. Ino Yamanaka tinha o poder em convencer as pessoas, e eu deveria está mais do que ciente disso para não subestimar seus dons.
O caminho foi com Ino levantando mil e umas possibilidades do que Tenten poderia estar aprontando. Para mim era paranoia de Ino, ela só estava curiosa por não estar ciente de cada detalhe da vida da outra. Ino era o tipo de pessoa que contava tudo sobre sua vida numa amizade e gostava de saber tudo a respeito da amiga. E como Tenten era um pouco mais reservada a sua vida privada, Ino achava que ela poderia estar escondendo algo. Também confesso que estava curiosa sobre o fato de ela ter o Sr. Hatake como tutor. Nós duas tínhamos matemática juntas e nunca vi nada de íntimo na relação de professor e aluna, algo de uma relação familiar. Mas isso não dava o direito de nós bisbilhotarmos a vida dela, eu me sentia uma intrometida com aquele ato fora de todos os meus padrões de ética. Mas isso era impossível quando se tem uma amizade com Ino.
Não tardou para chegássemos ao nosso destino, segundo Ino, era aonde iriamos encontrar Tenten fazendo algo de "suspeito". Quando descemos do ônibus eu pude observar melhor o céu enublado ficar cada minuto mais escuro devido à noite que chegava. Eu havia esquecido de deixar uma mensagem para Tsunade que eu havia dado uma saída, e torcia para que Ino estivesse sendo equivocada em questão a Tenten para que pudéssemos voltar para casa logo.
- E agora, Ino? – Perguntei, olhado para os lados das ruas movimentadas do centro de Konoha a procura de algum sinal de Tenten.
- Vamos por ali – ela apontou o lado oeste da cidade –, eu ouvi algo sobre um ponto de encontro. Ela citou algo sobre uma fábrica de colchões, e a fábrica fica por aquele lado.
Fomos na direção que ela havia indicado me perguntando internamente se havia sido uma boa ideia sair do aconchego quentinho de minha casa para ir até o centro. O frio me fazia encolher-me naquele sobretudo bege que Ino me fez usar. E depois de várias ruas que passamos e atravessamos, entramos numa rua larga e um enorme galpão logo se podia ver, as cercas de grades faziam a segurança a sua volta. A rua em si tinha muito pouco movimento diante do restante da cidade. Não havia comércio e nem lojas, apenas o grande galpão e os fundos dos prédios e alguns becos.
- Aqui está bem quieto - comentei estranhando aquela rua bem esquisita.
- A fábrica não funciona os finais de semana – Ino respondeu -, por isso a rua fica mais vazia. Ótimo para algo criminoso acontecer, você não acha?
Ela me fitou com um ar misterioso no olhar, apenas arqueei as sobrancelhas.
- Acho que você está viajando. - E entramos num pequeno beco sem saída e ficamos esperado.
- Espera só, e quero ver se você não vai me dar razão. – Ela sorriu. - E olhe que não será a primeira vez que isso acontece.
Ino tinha razão naquele quesito. Eu já havia duvidado de suas capacidades e pagado para ver, acabando ter que lhe dar razão. Rock Lee era um desses quesitos que ela tinha razão e que acabei pagando para ver, e agora tinha um admirador a mais. Resolvi ficar quieta, não queria dar razão para ela e inflar mais seu ego.
Passou vários minutos e nada acontecia, Tenten não havia dado qualquer tipo sinal, e a cada minuto a rua ficava mais e mais deserta e estranha.
- Ai que demora. – Ela reclamava enquanto bufava.
- Você ao menos sabe o horário do encontro? – Perguntei a fitando de relance.
- Ah, foi mais ou menos umas cinco horas da tarde.
Peguei meu celular do bolso detrás da calça e vi as horas, cinco e vinte três da tarde.
- Ou a Tenten está atrasada ou você escutou errado qual era o local.
Ino me fitou.
- Eu não escutei errado. O local é esse, a fábrica de colchões.
Guardei meu celular no bolso da calça e desviei meu olhar, voltando a fitar ao redor e foi nessa hora que a vi.
- Olha lá! – Apontei para o final da rua que dava para uma outra, do outro lado da calçada caminhava Tenten, vestida inteiramente de preto com uma mochila nas costas.
- Eu não disse – Ino olhou para mim agora mais animada e com um sorriso vitorioso no rosto.
- É, você disse – murmurei.
Saímos daquele beco e a seguimos com passos apressados para fora daquela rua deserta, e logo entramos na outra mais à frente. Tenten estava muito a nossa frente. Corremos e atravessamos a rua, ficando do lado da calçada em que ela estava. Nos escondemos atrás de uma placa em frente a um restaurante Tailandês quando ela olhou para trás. Ela atravessou a rua, ficando do lado aonde estava o galpão da fábrica de colchões. Ficamos observando seus movimentos e no final da esquina daquela fábrica ela parou, se encostando nas cercas de grades, de costa para nós. A mochila que ela carregava parecia grande o bastante e pesada o bastante para seu tamanho conseguir carregar.
- Acho que ela deve estar esperando alguém. - Comentou Ino ao meu lado. - Mas aqui está muito ruim para ver algo.
- Ali – apontei para um beco mais à frente, um pouco mais próximo de aonde Tenten estava –, a gente vai poder ver melhor.
Corremos até o beco, tomando todo o cuidado para não chamar sua atenção, e nos ocultamos naquele estreito beco com saída para uma outra rua mais movimentada. Ficamos observando Tenten.
- Eca, aqui está fedendo. – Ino reclamou tampando o nariz e fazendo uma careta.
- Você que inventou de seguir a Tenten, então aguente o mal cheiro.
- Meu pobre narizinho – sua voz havia saído estranha devido ela ainda está tampando o nariz.
Ficamos observando Tenten, de vez em quando ela olhava para trás, nos fazendo recolher para dentro do beco rapidamente. Ela fitava o celular e parecia fazer uma ligação.
- Até quando ela vai ficar parada? – Questionou Ino.
- Não sei.
As luzes dos postes estavam se acendendo e a noite já começava a dar as caras. Sabia que iria escutar muito da Tsunade quando chegasse, e não podia fazer uma ligação, pois ela havia esquecido o celular em casa quando saiu hoje de manhã.
Deixando os devaneios de lado voltei o foco em Tenten que parecia esperar alguém, as ruas não estavam tão movimentadas e alguns carros passavam. E foi aí, bem de longe, do lado aonde Tenten estava, aproximava alguém, aquele cabelo brilhoso de cuia era inconfundível.
- Aquele ali é o Rock Lee? – Minha voz soou, surpresa não por vê-lo se aproximando de Tenten, mas pelo fato de ele está vestido que nem ela, totalmente de preto, sem nenhum vestígio de verde.
- O que ele faz ali? – Disse Ino, tão surpresa quanto eu. - Não sabia que Tenten era amiga do chato do Lee. E qual é daquelas mochilas grandes? Será que são drogas?
- Isso aí já não sei. O Lee não tem cara de que está metido nessas coisas. Ele é tão bobinho.
- Sakura – Ino me fitou -, vendedores de drogas não tem cara. O Lee pode ter cara de idiota, mas nunca se sabe. Nós não sabemos nada da vida dele.
- É, você tem razão, mas acho bem radical esse lance de drogas. Eles não estão fazendo nada de suspeito – disse vendo Lee e Tenten conversando. – E além do mais, eles não seriam loucos de aparecer com mochilas enormes cheia de drogas numa rua movimentada.
- Tá, mas o que deve ter naquelas mochilas?
- E eu vou saber? – Me encostei na parede do beco, suspirando, frustrada por ter ido na onda de Ino.
Fitei o chão sujo de jornal e papelão, subindo o olhar por aquelas paredes de tijolo a minha frente, virando minha cabeça e olhando a rua do outro lado do beco, e foi nessa hora vi Hinata passando. Eu reconhecia aquele casaco lilás que eu havia emprestado, o capuz na cabeça.
- Hinata?
- Hinata, onde? – Ino havia ouvido e agora procurava com o olhar.
- Ali. – Apontei para a rua aonde ela passava.
- Uau, hoje é dia de reencontro escolar?
Hinata andava a passos apressados e logo a perdi de vista, e novamente aquele sentimento ruim apertou meu peito. Eu não podia ignorar, havia dias que eu não a via e sabia que algo estava acontecendo para ela sumir assim.
- Eu vou falar com ela. – Tomei impulso, mas Ino me segurou pelo braço, me impedindo.
- Como assim? Sakura nós estamos em missão!
Fitei os olhos de Ino, eu estava impaciente.
- Ino, é importante – e me desfiz de sua mão.
- Mas aquela é a Hinata Hyuuga! O que você vai ter de interessante para falar com ela?
Franzi o cenho, odiando por Ino me impedir daquele jeito.
- Você não iria entender.
- Mas e a Tenten? - Seu rosto era incrédulo.
Fitei Tenten que ainda conversava com Rock Lee, nada de suspeito acontecia ali, a não ser a imaginação fértil de Ino.
- Você fica aqui – voltei a fitá-la -, vai ser rápido. A Tenten só está com o Lee. O que mal deveria acontecer?
- Mas...
A interrompi:
- Ino, se acontecer algo de suspeito você me liga que virei correndo, ok?
- Não tenho outra escolha. – Ela disse contragosto, crispando os lábios.
- Daqui a pouco nos encontramos.
- Tá. Mas não demora muito.
Sai correndo daquele beco fedido, deixando uma Ino bicuda para trás. A rua era a mais movimentada do que as outras, o que dificultava em localizar Hinata. Corri olhando atentamente os lados, e numa outra rua pouco movimentada a vi terminar de subir um lance de escadas e entrar por uma porta estreita.
Entrei naquela rua e mais para frente subi os mesmos lances de escadas que Hinata havia subido. Uma mulher acompanhada por um cara descia as escadas, havia saído daquela porta. Seu rosto estava pálido, o homem ajudava a descer as escadas, apenas dei passagem para eles, e voltei a terminar de subir. A porta de madeira havia uma plaquinha escrita CONSULTÓRIO.
Quando abri a porta e entrei no consultório, minha mente gritava para que tudo aquilo fosse uma mentira. Eu não podia acreditar naquilo. Hinata não podia ser capaz...
Meu coração batia forte quando eu fitava o local todo pintado de branco com alguns detalhes na cor creme. Não havia quase ninguém a não ser uma secretária no balcão. Me aproximei.
- Olá... ahn, você viu uma garota quase da minha altura de cabelos pretos e franjinha? Ela se chama Hinata.
A mulher de cabelos roxos fitou o computador antes de dizer:
- Você é a acompanhante da paciente?
- Acompanhante? – E meus olhos tentaram captar algum sinal de Hinata, sem sucesso. Voltei a fitar a secretária. – Sou.
A secretária sorriu satisfeita com minha resposta.
- Que bom, a paciente está na sala de espera que fica ali na esquerda. Ela é a próxima...
Deixei aquela mulher falando sozinha e corri até aonde Hinata deveria estar. Abri a porta da sala e a vi sentada na cadeira, a sala estava vazia e era tão branca como o restante do consultório.
- Hinata.
Hinata tomou um susto e me fitou com os olhos arregalados.
- O que faz aqui?
- O que você faz aqui? – Adentrei o cômodo e fechei a porta. Eu estava incrédula. - Isso... não acredito que você está pensando em fazer o que estou imaginando que seja!?
- Isso não é da sua conta – ela atacou, ficando de pé e crispando os lábios.
- Como não? – Me aproximei mais, ficando a sua frente. - Você está para fazer um aborto e isso não é da minha conta?
- Vai embora.
- Ele é o seu filho! – Minha voz saiu um pouco alta. - Ele não tem culpa de nada.
- Eu só tenho dezesseis anos! – Exclamou Hinata, também aumentando a voz. Parecia perturbada. - Não posso ter esse bebê.
- Mas é uma vida que está sendo gerada dentro de você. – Argumentei, fazendo o possível para que ela desistisse daquela burrada. - Você vai matar o seu filho.
- Eu não quero ter esse filho! – Seus olhos começavam a lacrimejar, ela parecia sensível. - Será que você não entende? A minha vida já é uma droga, eu estou sendo obrigada a me casar com um cara que mal conheço e ainda tem aquelas... – seu tom abaixou - você sabe o que me atormenta. Você acha que meu pai vai me apoiar quando souber dessa criança? Ele odeia os licantropos mais do que eu. Eu estou sozinha.
Coloquei minhas mãos em seus ombros.
- Você não está sozinha. Eu disse que posso te ajudar, e também tem o Naruto...
- Eu não quero saber do Naruto. – Ela me interrompeu, arrancando minhas mãos de seus ombros e se afastando para um canto daquela sala.
- Mas você não pode fugir dele para sempre. Não tem como fugir de algo que está destinado.
Ela me fitou, agora com raiva.
- Mas eu não quero está presa a algo que não quero.
- Você o quer – eu disse -, só está com medo.
- Não tenho medo.
- Tem sim. – Conclui, minha voz saindo firme. - Eu vejo em seus olhos o quanto está amedrontada com tudo isso. Você tem dificuldade em acreditar nas pessoas e de sair machucada no final. Mas você não pode passar sua vida toda fugindo dos problemas. Um dia vai ter que enfrentar tudo isso.
- Como você está enfrentando os seus? – Ela atacou, e vi que a sua intenção era me atingir. Mas eu sabia que ela só estava na defensiva, e que afastava os outros por que estava com medo.
- Essa conversa não é sobre mim.
- Ah, não? – Seu tom saiu debochado. - Então enfrentar os problemas é rejeitar a sua essência e seguir regras de um clã que menospreza quem você é? É esse o seu enfrentar os problemas?
- Mas não sou eu que está à beira de fazer um aborto.
Aquilo pareceu atingi-la. Eu queria que ela tomasse um choque de realidade e repensasse na barbaridade do que ela estava para fazer.
- Se você estivesse na minha pele duvido que você não faria igual.
- Não faria. – Minha voz soou séria. - Isso eu tenho certeza. Não iria bancar uma assassina.
Ela crispou os lábios.
- Vai embora. Eu não preciso da sua ajuda.
- O Naruto disse que te dará todo o apoio. Ele quer essa criança.
Hinata sorriu debochada.
- Claro que quer. – Disse. – Esse bebê vai ser um deles, deve estar orgulhoso.
- Sabe qual é o seu problema? É que você julga as pessoas sem ao menos conhecê-las melhor.
- Mas eu o conheço – ela retrucou.
- Se o conhecesse não estaria agindo como uma idiota!
O silêncio se apossou naquela sala. Minha última frase parecia que havia a abalado, seu olhar desviando para o chão.
Suspirei, cansada, e me aproximei dela mais uma vez e minha voz soou agora mais calma:
- Hinata, por favor, não faça essa besteira. Um dia você vai acabar se arrependendo disso.
Ela balançou a cabeça para os lados, as lágrimas agora descendo por seu rosto.
- Não dá. – Fungou chorosa, e sua soou baixinha. – Eu tenho planos para a minha vida e essa criança não se enquadra nela. – E seus olhos me fitaram. - Não tenho condições de criar um bebê.
- Os planos sempre podem ser ajustados. Eu também tinha planos, mas a minha vida deu um giro de cento e oitenta graus e eu estou aqui agora. – Segurei a sua mão. - Eu ainda quero seguir meus planos iniciais, mas agora reajustados para a situação que me encontro. Você com certeza não estará sozinha. Se seu pai não aceitar você e a criança, saiba que tem gente que vai te aceitar. – Segurei sua outra mão. – Eu juro pela minha própria vida que irei te ajudar.
Eu fitava seus olhos embaçados pelas lágrimas, o rosto vermelho pelo choro.
- Por que você quer tanto assim me ajudar? – Sua voz era baixinha e frágil. - Por que toma para si problemas que não é seu? Não entendo.
- Por que prometi a sua mãe. – Eu fui sincera em minha resposta.
- O quê? – Ela estava surpresa, os olhos arregalados. - Minha mãe?
Assenti com a cabeça e sorri comprimido.
- Eu falei com seu espirito quando estava em meu pequeno coma. Ela me pediu que cuidasse de você e que a ajudasse.
- Mamãe.
- Ela me disse que ela olha por você e seus irmãos. E que sente muito a falta de vocês, e sente muito mais por partir cedo.
Seus lábios tremiam e mais lágrimas desciam por seu rosto.
- Eu sinto a sua falta. – Ela confessou num murmúrio, estava fragilizada. Eu a abracei, e ela aceitou meu abraço. – Eu me sinto sozinha, não sei o que fazer. Tudo na minha vida parece errado. Tudo está fora do lugar. Não suporto mais essa pressão.
- Você não está sozinha. – Disse mais uma vez, passando a mão em seus cabelos. - Eu estou aqui. E tem a Tsunade também, ela não vai renegar ajuda. E tem o... Naruto.
Hinata se desfez do meu abraço.
- O Naruto não.
- Hinata entenda, o Naruto não é uma má pessoa. Eu senti isso quando falei com ele. Ele é louco por você, e está sofrendo por sua ausência. Ele faria tudo por você.
- Não vou me rebaixar a sua raça.
- A questão não é essa. Esqueça isso, esqueça que você é uma bruxa e ele é um Lycan. Vocês têm alguém importante para proteger, e tenho certeza que o Naruto não pensa diferente.
- Eu...
Hinata havia sido interrompida pela porta se abrindo e uma mulher vestida de branco, uma enfermeira acho, apareceu.
- Paciente Hinata, é a sua vez.
Virei-me para Hinata apavorada, torcendo internamente para que tudo o que disse tivesse sortido efeitos contra sua decisão final.
- Hinata, por favor.
- Nós estamos esperando – disse a enfermeira.
Hinata fechou os olhos com força para logo sua voz soar:
- Me desculpe.
. . .
Terminava de descer as escadas, meu coração batendo forte. O lance com a Hinata havia mexido muito comigo e foi por pouco que ela não fez uma besteira.
- Eu não tenho a mínima ideia do que eu vou fazer agora. – Hinata disse, terminando de descer o último degrau. – E a culpa disso tudo é sua.
- Você vai me agradecer quando ver o rostinho e os olhinhos do seu bebê quando nascer.
Ela revirou os olhos. O meu celular começou a tocar, era Ino.
- Fala Ino.
- Sakura, tem algo estranho acontecendo – sua voz parecia cansada. - A Tenten está com uma arma na mão. Uma Arma!
- O quê? – Meus olhos arregalaram. - Ino aonde você está?
- Estou do lado norte da cidade, acabei de entrar na floresta. O Rock Lee também tinha uma arma e foi para o lado oposto. Mas dei preferência em seguir a Tenten.
- Ino, não entre na floresta é perigoso e ainda por cima está de noite. Saia daí agora.
- Não dá Sakura... ela começou a correr agora...
- Ino você está louca? Volta... Ino... Ino! Droga, caiu a ligação.
- O que vocês estão aprontando?
- A Ino e eu estávamos seguindo Tenten antes de eu te ver passando pela rua. Eu deixei a Ino lá e eu vim atrás de você. Agora a Ino viu a Tenten com uma arma entrando na floresta e a louca foi atrás dela.
- Tenten? – Hinata parecia interessada. - Acho que a Ino está em perigo.
- Como? – Balancei a cabeça para os lados. - Não dá eu tenho que ir atrás dela.
Sai correndo por aonde Ino havia de estar, torcendo para que nada de mal acontecesse aquela louca.
- Sakura, espera!
Olhei para trás e vi Hinata correndo atrás de mim.
- Estava tendo visões de confrontos entre armas e lobos a alguns dias. – Ela disse assim que me alcançou. - Vai ter algo na floresta e eu vi a Ino eu e você. Agora tudo faz sentido.
Meu coração acelerou mais quando Hinata falou sobre lobos.
- Eu preciso ir...
- Eu vou com você.
- Você?
- Vamos antes que a Ino se ferre no meio de um confronto.
Voltamos a correr por aquelas ruas, algumas pessoas nos fitaram curiosas, mas não me importei. A segurança de Ino estava em jogo.
- Vai ser pouco difícil achá-la, não conheço muito bem as localidades da floresta.
- Se tivéssemos algo da Ino, eu poderia fazer um feitiço de rastreamento. – Respondeu Hinata correndo ao meu lado.
- Esse sobretudo que estou vestida é dela.
- Me dê ele.
Tirei o sobretudo, arrepiando-me de frio com o vento gelado ricocheteando a minha pele. Entreguei a ela e paramos num canto menos movimentado. Hinata enrolou o sobretudo sobre as mãos e fechou os olhos começando a conjurar o feitiço.
- Dominus de tunica Locate. Dominus de tunica Locate. Dominus de tunica Locate. Dominus de tunica Locate.
Hinata abriu os olhos e me fitou.
- Achei ela, vamos.
Apenas assenti e segui Hinata quando voltamos a correr, nos aproximando da floresta. O céu estava escuro, e as nuvens indicavam que iria chover a qualquer momento. Não demorou para que adentrássemos a floresta, podia sentir vibrações estranhas como se algo ruim fosse acontecer ali, me deixando mais aflita. A floresta estava gritando um alerta para mim.
- Vai acontecer alguma coisa aqui. – Comentei quando estávamos agora andando com passos rápidos dentro da floresta escura, usando a lanterna do celular para iluminar o nosso caminho.
- Eu sei, estou sentindo a floresta agitada. – Respondeu Hinata. – A Ino está perto.
Assim quando Hinata terminou de falar escutamos um som de tiros que ecoava por toda a floresta.
- Ah meu Deus!
- Vamos por ali – disse Hinata.
Agora corremos, fazendo as folhas secas estralarem. Tentava achar Ino, mas a luz do meu celular não era luminosa o bastante.
- Hinata.
- Ela está ali. – Hinata apontou com o dedo e apontei a lanterna do celular e a vi, e logo mais outro tiro podia ser ouvido, agora muito mais perto.
- Ino!
