Capítulo 25 - Decepção
Eu fitava o chão daquele hospital alheia a tudo ao meu redor, os pensamentos em tudo o que havia acontecido. Eu culpava a minha incompetência de ter me levado aquela situação angustiante e com uma Ino machucada. Eu poderia ter evitado tudo aquilo, e o fato de ter não só me exposto como Hinata a nossa essência verdadeira de bruxa para alguém que estava alheia a tudo. Por minha culpa eu mostrei de alguma forma o mundo paranormal a Ino e eu não sabia o que fazer depois que ela acordar e começar a falar tudo o que ela sabia aos quatro cantos.
Era uma situação irritante.
Depois que Kakashi nos encontrou, eu não havia pensado duas vezes em sair daquela floresta, deixando para trás o caos de lutas de licantropo, e Sasuke. Eu apenas queria fugir de tudo e me manter em segurança. A presença de um adulto – humano - ameniza o medo que me consumia por inteira do acontecido em que eu não era eu mesma e que havia agido como uma assassina.
Àquela palavra fazia meu estômago embrulhar, e o peso de um mundo inteiro estava em minhas costas com àquela sensação ruim de que eu havia matado alguém.
Aquele licantropo era uma vida. Ele era uma pessoa e eu não tinha o menor direito de tira-lhe a vida.
Eu havia o matado?
Aquela dúvida me corroía por dentro, e foi assim o caminho todo, até saímos todos da floresta em segurança. Pelo caos de lobos aparecendo por todos os cantos, nenhum deles apareceu para nos seguir ou nos atacar. Fato de que Tenten ou Lee – seja lá o que eles estivessem fazendo – estavam nos dando cobertura, assim como o senhor Hatake pediu. Agradeci internamente por isso, e pude suspirar pouco aliviada. E agora a preocupação era Ino que havia se machucado por incompetência minha, que não havia feito o suficiente para evitar àquele desastre. Mais um feito de minha culpa que só aumentava o peso em minhas costas.
O caminho até o hospital havia sido silencioso, não dissemos uma só palavra. O senhor Hatake não fez nenhuma pergunta do por que estarmos na floresta. E tanto eu como Hinata não ousamos abrir a boca para que desse motivo para que ele fizesse àquela bendita pergunta que eu não estava afim de responder.
Quando chegamos ao hospital, entramos logo na emergência, havia uma marca e com dois enfermeiros de plantão como se estivesse esperando a Ino. O senhor Hatake pousou Ino na marca com todo o cuidado e os enfermeiros a levaram para dentro onde a nossa presença era proibida. O senhor Hatake foi até a recepção fazer a ficha de Ino e uma outra para mim. Passei por uma avaliação rápida e depois na enfermaria para fazer uns curativos nos machucados que havia adquiridos devido a força do poder de Hinata que me jogou para longe. Devido algumas dores no corpo eu não havia quebrado nada. Eu estava bem. Depois de alguns minutos o senhor Hatake havia ido procurar notícias de Ino e aproveitando para ligar para os pais dela. E agora eu estava na sala de espera, sentada no banco com os cotovelos apoiados nas pernas e as minhas mãos apoiando minha cabeça. Não havia quase ninguém ali a não ser eu, Hinata e uma senhora que estava acompanhada de um homem e que logo saíram, depois que uma enfermeira apareceu, os chamando.
- Ei - chamou Hinata que estava sentada ao meu lado -, não adianta nada você ficar desse jeito.
- A culpa é minha. - Murmurei sem ao menos olhar para ela. Eu estava com vergonha de mim mesma.
- Você não tem culpa de nada. – Ela disse. - A culpa é minha da Ino ter parado no hospital. Eu devia ter pensado em vocês antes de soltar aquilo.
Balancei minha cabeça para os lados, negando, fechando os olhos.
- Não. – Mordi o lábio com força. - Você apenas tentou nos defender.
- E acabei machucando vocês.
Abri meus olhos e levantei minha cabeça e a fitei, segurava-me para não chorar. Tudo o que eu não queria naquele momento era entrar em prantos, mas estava difícil.
- Eu fui inútil Hinata. Eu poderia ter feito melhor. – E abaixei meu tom em um sussurro para que ninguém que entrasse naquela sala pudesse escutar. - Olha só o que aconteceu quando tentei usar meus poderes? Eu sou um desastre.
Hinata franziu o cenho e crispou os lábios.
- Pare de se lamentar desse jeito. Você foi incrível lá na floresta. - Se fosse uma outra hora eu teria ficado feliz por seu elogio. Era a primeira vez que ela me elogiava, mas eu não merecia isso. - Se não fosse por você eu estaria acabada.
- Você viu o que eu fiz com àquele lobo? – Só de mencionar aquilo em palavras eu podia sentir um frio na espinha, e uma sensação agoniante em meu peito. Aquela não era eu.
Silêncio.
Hinata desviou os olhos para o lado, parecia pensativa. Ela sabia de alguma forma o que eu fiz era errado. Ela viu com seus próprios olhos, e se não fosse ela ali para me impedir, eu não sei o que aquele sentimento - que senti por ver aquele lobo agonizando - poderia ter me levado. E algo me dizia que não era coisa boa.
- Admito que fiquei com medo do seu jeito queimando aquele lobo – ela se pronunciou depois de alguns segundos em silêncio -, você parecia outra pessoa.
Desviei meu olhar para o chão cinza fosco daquela sala, os pensamentos vagando ao Lycan e a angústia aumentando mais e mais em meu peito.
- Eu não sei o que me aconteceu naquela hora, parecia que eu tinha o controle, e depois não sentia ser eu. – Ergui meu olhar e vi que ela me fitava. – Você viu o que fiz? Eu matei àquele cara.
- Você não sabe se ele morreu. – Ela parecia tentar de alguma forma me confortar. - E ele mereceu. Era você ou a gente. Você fez por pura defesa.
- Se eu tivesse todo o controle a Ino não estaria aqui.
- Mas ela bem que procurou.
- Hinata!
- O quê? – Ela ergueu as sobrancelhas. - Quem mandou ela xeretar no que não devia?
- Eu podia ter impedido ela, eu podia ter ficado com ela...
Não consegui terminar a frase, pois tanto eu quanto Hinata sabia que eu tinha abandonado Ino para ir atrás dela na clínica. Não me arrependi em partes, apenas o fato de ter sido grossa com Hinata em fazê-la não tirar a criança. Agora a ficha de minhas palavras caía sobre a minha pedra que eu carregava nas costas.
- E não ficou. – Ela murmurou, parecia pensar a mesma coisa que eu.
- Me desculpe.
- Por que está se desculpando?
- Por eu ter falado aquelas coisas para você. – Disse, arrependida. - Eu não tinha o direito de ter te chamado de assassina. Me desculpe. Eu fiquei com medo de você fazer algo e acabar...
- Deixa para lá - ela me interrompeu -, talvez você tenha razão. Eu me precipitei, talvez eu me arrependesse futuramente. Apenas agi no impulso do desespero.
- Mas mesmo assim, me perdoe. – Pus minha mão em cima da sua que estava em seu colo.
Hinata apenas deu um pequeno sorriso cansado, desviando seu olhar para frente. Trouxe minha mão de volta para meu colo e ficamos novamente em silêncio, mas ele não durou muito tempo, pois Hinata o quebrou, a voz soando baixinha e aérea enquanto fitava algo invisível no chão:
- Ele me salvou naquela hora.
Ergui meu olhar e a fitei. Não precisava de muito para saber de quem Hinata se referia.
- Aquele lobo cinza era o Naruto?
- Não tem como não saber quando a ligação fala mais alto.
- Sei como é. - E senti uma pontada no peito por ter deixado Sasuke para trás, eu me odiava muito naquele momento.
- Eu andei pensando muito o caminho todo, e talvez ter essa criança não seja tão ruim. Eu devia imaginar isso, minhas visões não mentem - e me fitou. - Eu via olhos azuis em minha visão quando fui a sua casa fazer o trabalho daquela vez. É os olhos azuis do meu filho. Os mesmos olhos azuis dele. Essa criança está no meu destino e você, Sakura, tampou o buraco em que os olhos azuis caiam. Você me impediu de fazer àquela besteira. Obrigada.
Eu estava surpresa com aquilo, Hinata me agradecia. Depois de tantas coisas ruins, uma coisa boa havia acontecido. Eu havia a impedido dela fazer um aborto, eu havia impedido ela tentar mudar o rumo de seu destino. Eu havia de alguma forma salvado o seu bebê.
Sorri comprimido, sentindo um calorzinho de conforto - de que eu fiz alguma coisa certa - circular meu coração. Mas de repente um lampejo me veio à cabeça, me fazendo arregalar os olhos e me sobressaltar na cadeira, lembrando-me de Tsunade.
- Ah meu Deus, eu tenho que avisar Tsunade. Ela vai me matar quando chegar e não me encontrar em casa.
Procurei meu celular no bolso, mas não encontrei. Agora havia dado por falta dele.
- Droga, acho que perdi meu celular na floresta.
- Aqui. – Hinata estendeu o seu desbloqueado para mim
- Obrigada.
Vi as horas no display e quis chorar, eram quase nove horas da noite. Tsunade iria me matar. Disquei o número do telefone fixo de casa e não demorou nem dois toques eu escutei a voz dela:
- Alô?
- Vó...
- Sakura?
- Sim, sou eu...
- Sakura, aonde diabos você está? – Ela praticamente gritou do outro lado da linha, era notável o quanto ela estava irritada. - Estou te ligando a não sei quantas horas e você não atendente.
- Me desculpe, eu saí com a Ino e... – Hesitei – eu estou no hospital com a Hinata.
- O quê? Você está no hospital? Se machucou? O que a Hinata está fazendo aí? Sakura, me responde!
Fechei os olhos por reflexo, sendo metralhada por perguntas.
- Não vó, eu estou bem e a Hinata também. A Ino que se machucou. Ahn, a senhora pode vir nos buscar?
- Já estou indo para aí.
- Tá.
Desliguei e entreguei o celular para Hinata, vendo quando o senhor Hatake entrou na sala. Ele havia deixado sua arma no carro antes de entrarmos no hospital.
- Senhor Hatake, e a Ino? - Fiquei de pé no impulso.
- Os médicos a examinaram e ela teve uma pequena fratura na costela e alguns arranhões superficiais. – Ele disse se aproximando mais da gente e parando a nossa frente. – Eles agora vão encaminhar ela para bater uma tomografia na cabeça para ver se não teve algum dano cerebral devido a pancada que levou. Os pais dela já estão vindo para cá.
- Não sei o que dizer a eles. – Murmurei, voltando a sentar na cadeira ao lado de Hinata.
- Vocês estavam passeando pela cidade e foram assaltadas, Ino caiu e bateu a cabeça no meio fio. - Sua resposta estava na ponta da língua, saindo tão firme que parecia verdade.
Eu não tinha uma desculpa melhor, a do senhor Hatake parecia mais cabível aquela situação. Eu apenas assenti com a cabeça, concordando com sua versão dos fatos.
- Mas ela viu tudo, Sakura. – Questionou Hinata atraindo minha atenção.
Droga, por um momento eu havia esquecido daquele detalhe. Ino do jeito que a conheço iria questionar, iria querer saber mais sobre a respeito, e ela não iria engolir se caso eu mentisse e fingisse que nada do que ela dizia aconteceu. Até por que, mentir não era meu forte e Ino era muito esperta.
- Eu...
- Talvez se vocês conversarem com ela, ela guarde o segredo. – Disse o senhor Hatake, atraindo nossa atenção para ele. Em seguida franziu o cenho, e fez aquela bendita pergunta: - A propósito, o que vocês estavam fazendo na floresta?
- Nós não somos obrigadas a responder. - Disse Hinata em seu modo de defesa.
Os olhos do senhor Hatake focou nela.
- Correto. Mas vocês estavam com alguém que não é que nem vocês, se é que me entendem. Então isso me dar o direito de saber o porquê?
Hinata crispou os lábios, contrariada, e meu coração disparou. O senhor Hatake sabia o que nós éramos? Aquilo me deixou receosa, mesmo ele nos ter ajudado, mas aquilo não dava o direito de saber o nosso segredo. Não sabia se ele podia ser de confiança. Até ontem eu só o via como o meu professor de matemática que havia obrigado a me expor na frente dos meus colegas os meus planos para o futuro. Agora eu sabia que ele não era um simples professor de matemática, como também sabia que Tenten não era uma simples amiga de colégio ou o Lee um simples garoto esquisito que tinha uma paixão platônica por mim. Eles manejavam armas de fogo e caçavam lobos.
- Não vou machucar vocês. – Ele disse, o seu tom de voz soando calmo e sereno, traspassando confiança.
Eu podia ver em seus olhos que ele estava sendo sincero, e sua aura clara em volta de sua cabeça indicando ser uma pessoa boa me deixava mais aliviada.
- Estávamos seguindo a Tenten - resolvi ser sincera e falei tudo de uma vez, e Hinata bufou ao meu lado. - A Ino estava desconfiada dela, pensávamos que ela estava metida com coisas erradas. Me desculpe.
O senhor Hatake suspirou cansado.
- Vocês sabem o que eu sou? – Ele perguntou e eu assenti com a cabeça. Ele era um caçador. - Caçamos licantropos, a floresta estava cheia deles, e alguns eram forasteiros que invadiram a cidade. Vocês têm noção do perigo que correram estando lá?
- Eu não sabia que haveria confrontos com os... – me interrompi quando Hinata empurrou meu pé com o seu e o senhor Hatake percebeu.
- Ok. – E ele sentou-se ao meu lado, virando seu corpo para mim e Hinata que estava sentada do meu outro lado. - Olha, eu e meu pessoal só caçamos licantropos – sua voz soava baixa e cautelosa, atenciosa -, e queria que vocês soubessem, que se tem caçadores de licantropos, também tem caçadores de bruxas. – Senti meus olhos arregalarem. - Conheci um a cinco meses atrás, um pouco depois de Ōtsu. Eles são bem preparados e agressivos, não tem piedade e muito menos fazem acordos, eles matam. Fiquem atentas e não exibam seus poderes assim para estranhos, vocês nunca sabem quem pode ser o caçador ou não. Nós nos camuflamos pela sociedade, é muito difícil de identificar. Tomem cuidado.
- Por que você está falando isso para a gente? - Perguntou Hinata.
- Por que vocês são minhas alunas e me simpatizo com vocês. - Ele sorriu, fechando os olhos.
Caçadores de bruxas? Era só o que me faltava para completar a coleção de problemas, como se fosse pouco os problemas que tínhamos. Olhei para Hinata e ela me olhou de volta, como se compartilhássemos da mesma opinião. O senhor Hatake pareceu sério quando disse aquilo, e eu não queria duvidar e pagar para ver. Só achei estranho a vovó não ter mencionado nada sobre caçadores de bruxas andando por aí assassinando pessoas que tinham dons de magia.
De repente senti algo aquecendo meu peito, aquele mesmo sentimento quando estava com Sasuke. Ergui meu olhar para porta a tempo de ver o dono do meu coração aparecer por ela, vestido de jeans, camiseta preta e tênis converse nos pés. Ao seu lado o senhor Uchiha com o uniforme de xerife e Naruto vestido de bermuda, casaco e chinelos nos pés.
- Sakura? – Ele me fitou pouco aliviado e se aproximou.
- Sasuke – levantei-me da cadeira e corri até ele e o abracei com força, sentindo o alívio em meu coração por ver que ele estava bem. Meu rosto afundado em seu peito, sentindo o calor de seu corpo aquecendo o meu. A linha que nós conectada estava transbordada de sentimentos de ansiedade em ambas as partes e o alívio de vermos um ao outro bem.
- Você está bem?
Balancei minha cabeça para cima e para baixo com o rosto ainda colado em seu peito.
- Sim, e você? – Levantei meu rosto e fitei o seu com alguns arranhões. - Me desculpe de ter saído daquele jeito - sussurrei só para ele ouvir. - Eu poderia ter ficado lá e ter-lhe ajudado, mas...
- Sakura, eu estou bem. – Ele me interrompeu, colocando suas duas mãos em meu rosto e olhando no fundo dos meus olhos. - Não se preocupe comigo, sua segurança era mais importante.
Balancei minha cabeça para os lados.
- Não, eu podia ter feito mais, mas eu não consegui.
- Ei, não fique assim. – Sua voz era calma, mas eu podia sentir a sua agitação em nosso fio invisível.
- Me desculpe.
- Não precisa pedir desculpas. – Sorriu comprimido, ele calculava seus movimentos, estava próprio se restringido e foi aí que me toquei.
Podia sentir minhas bochechas ficarem quentes. Todos olhavam para mim e minha cena patética de garota apaixonada desesperada. Bom, quase todos, Naruto mantinha um olhar fixo em Hinata que estava atrás de mim.
- Vejo que vocês estão bem. – Disse o senhor Uchiha, com sua expressão séria, fitando tanto a mim quando a Hinata, parando seu olhar no senhor Hatake.
- Elas estão bem, menos a filha dos Yamanaka da floricultura. – Respondeu o senhor Hatake o fitando, a expressão era séria, ocultando toda a sua simpatia de minutos atrás. – Ela estava com as meninas na floresta e acabou se acidentando. Os pais dela vão querer fazer uma ocorrência de assalto.
O senhor Uchiha apenas assentiu com a cabeça, concordado, como se já esperasse por isso.
- Podemos conversar?
O senhor Hatake concordou e os dois saíram para fora da sala para conversar em particular.
- Sakura – chamou Hinata, me fazendo virar-me para trás e olhá-la já de pé -, eu vou indo para casa.
- Hinata, espere um pouco mais, a minha avó já vai chegar para nos levar para casa.
- Não. – Ela negou e se aproximou mais de mim, parando ao meu lado, uma distância considerável longe de Sasuke. - Fiquei muito tempo longe de casa. E também estou muito cansada.
- Eu te levo – se pronunciou Naruto pela primeira vez, ele parecia medir as palavras e agia cautelosamente.
Hinata não respondeu, e nem ao menos olhou para ele, apenas saiu de lá e passou por ele. Naruto esperou um tempinho, como se respeitasse seu espaço, antes de ir atrás dela. O clima entre os dois era muito intenso, e eu torcia muito para que os dois se entendesse de uma vez por todas, o que eu achava muito difícil.
- Estou aliviado em vê-la inteira. – Disse Sasuke fazendo minha atenção volta-lhe para ele.
- Eu estou bem, só a Ino que não teve a mesma sorte. – E segurei sua mão, e elas se entrelaçaram uma na outra. – Ela vai bater uma tomografia na cabeça, para ver se a pancada não afetou em nada.
Sasuke apenas assentiu com a cabeça, apertando mais a minha mão e o cenho franzindo.
- Mas o que diabos vocês estavam fazendo na floresta? – Ele quis saber, parecia bravo. – Porra, Sakura, eu passei na sua casa, você parecia que iria passar o dia todo no seu quarto meditando, sei lá... e de repente eu sinto sua presença na floresta no meio daquele caos... você não sabe o que senti quando te vi lá.
- Me desculpe – eu fitava seus olhos irritados. – Eu não tinha a mínima intenção em entrar na floresta, só fui idiota o suficiente por ouvir a Ino em seguir a Tenten. Achávamos que ela poderia está metida em encrenca. Não fique bravo.
- Eu estou muito puto, Sakura. – E suas sobrancelhas franziram mais. – Você não tem ideia do quanto fiquei preocupado com você. – E em seguida ele me abraçou forte e em seguida murmurou, seu rosto em meu ombro: – Não faça isso novamente, não se coloque em perigo, por favor. Não me faça ter esse sentimento de medo em te perder.
- Você não vai me perder. – Meu tom soou meio que desesperado. – Me desculpe.
Ele se afastou e me olhou no fundo dos meus olhos, sua expressão agora havia suavizado, mas havia um pequeno vínculo entre as suas sobrancelhas. Ele levou uma mão em meu rosto, o polegar acariciando meus lábios delicadamente, fazendo meu coração acelerar mais nas batidas. Seu rosto se aproximava lentamente do meu e nossos lábios roçaram um no outro, mas não fomos muito além por que havia entrado gente na sala. Nos separamos rapidamente e fomos nos sentar na cadeira.
- Quer que eu te leve para casa?
- Não, a minha avó está vindo para mim buscar. – Umedeci os meus lábios que estavam ressecados. – E também, quero saber se a Ino vai ficar bem, e tenho que ter uma boa desculpa para lhe dar quando ela acordar sobre o que ela viu.
- Você tem alguma desculpa?
- Não – e fiz uma careta – sou péssima com mentiras.
- Eu sei – ele concordou, erguendo um pouco o seu lábio esquerdo para cima, debochado.
- Ei - empurrei seu ombro com o meu, fazendo seu sorriso aumentar mais um pouco. – Mas a culpa é minha, eu devia ter convencido a Ino de que era uma péssima ideia.
- A Mitsashi é uma caçadora de Lycans – ele respondeu. – Ela, o senhor Hatake e um estranho com sobrancelhas grossas.
- Lee. Eu sei agora. Mas nunca imaginei, você nunca me disse nada.
- Não sabia que era importante. Desculpe por não a manter informada deste detalhe.
Pisquei meus olhos algumas vezes seguidas, me tocando de algo.
- Espera – franzi o cenho -, se eles são caçadores então eles estavam caçando vocês?
- Não. – Sasuke suspirou. – É complicado. Não somos inimigos, mas também não somos aliados. Tivemos um confronto alguns anos atrás quando eles vieram para Konoha... o confronto foi com o senhor Hatake... bom, resumindo tudo, nós ficamos no nosso canto e eles no deles. Eles sabem que somos maioria e temos o poder, só não o interferimos quando eles atacam os forasteiros, como aconteceu hoje.
- E o que eles queriam?
- Não sabemos ainda. O senhor Hatake havia dado um toque no meu pai sobre uma movimentação suspeita nas fronteiras da cidade e perguntou se não era um dos nossos. Ele ficou monitorando e nós atentos a um possível ataque.
- Ahn, e aí?
- A maioria fugiu, com alguns nosso a sua cola, estamos sem notícias até agora. Mas pegamos um que estava caído na floresta com machucados de queimadura. Iremos interrogá-lo.
Senti minha garganta ficar seca e hesitei por um segundo em saber o estado do licantropo que eu havia tostado com as chamas.
- Ele está vivo?
- Sim – e me fitou –, os lycans não morre facilmente, Sakura. Nossos ferimentos curam dez vezes mais rápido do que um humano comum. Precisa de muito para nos matar.
Pude suspirar aliviada, acalmando a tensão de meu corpo e todo aquele peso sumir como um passe de mágica das minhas costas. E Sasuke percebeu.
- Está aliviada?
- Estou – não menti. - Aquelas queimaduras no corpo do lobo fui eu que fiz. – Desviei meus olhos para o chão, balançando a cabeça para os lados. – Eu pensei que ele tinha morrido. Fiquei com muito medo.
Senti a mão de Sasuke agarrar a minha, me fazendo erguer o olhar para ele, e um pequeno sorriso estava em seu rosto.
- Não sabia que era tão forte para derrubar um dos grandes com seu poder.
- Não fale assim, eu não sou tão forte, apenas me descontrolei e ele quase o matei.
- Ele não morreu – ergueu as sobrancelhas – ainda.
- Sasuke, não fale assim – o repreendi. – Você não sabe o quão ruim é ter a sensação de que matou uma pessoa.
- Mas ele é inimigo, e está no nosso poder. Se ele não começar a abrir o bico, as coisas não vão ficar bem para o lado dele.
Tentei forçar o meu cérebro não projetar imagens de um possível interrogatório Lycan, onde o espancamento e tortura fazem parte. Era muita violência, e minha cota de violência já havia esgotado hoje.
Não demorou muito para que os pais de Ino aparecessem, afoitos e preocupados com o estado de saúde da filha. Eu me senti na obrigação de falar com eles e explicar o acontecido como Kakashi havia me instruído. Tomei todo o cuidado para não tropeçar nas palavras e dar a entender que havia algo a mais do que um assalto violento. O senhor e a senhora Yamanaka pareceram em choque com a violência, alegando numa possível mudança de cidade. O senhor Hatake e o senhor Uchiha apareceram e esclareceram mais o assunto, e me senti aliviada por não ter que dar mais explicações.
O senhor Hatake conversou sobre o estado de Ino, e disse que nos encontrou na rua e nos ajudou. Ele também disse o estado em que Ino se encontrava, e que estavam esperando o médico aparecer com o resultado do exame de tomografia que havia feito nela.
Tsunade apareceu cinco minutos depois, desesperada, os olhos varrendo tudo ao seu redor até parar em mim. Ela suspirou aliviada por ver que estava inteira.
- Sakura – e veio até mim.
- Vó – me levantei e recebi seu abraço apertado.
- O que aconteceu? – Ela perguntou assim quando nos separamos, fitando meu rosto e meus pequenos machucados já desinfetados pelos meus braços e mãos.
- Bom...
Comecei a me explicar, mas logo fui interrompida pela voz do senhor Yamanaka que se aproximava da gente.
- Senhora Tsunade, sua neta e minha filha foram assaltadas – ele disse. - Ino não teve tanta sorte e caiu com a cabeça no meio fio e está desacordada. Uma lástima nessa cidade pequena, ter um ato tão grotesco de violência.
- Sinto muito por sua filha, Inoichi. – Disse vovó, com sua atenção toda voltada para ele e a senhora Yamanaka que agora estava ao seu lado, segurando um terço nas mãos, os olhos marejados. – E como ela está?
- O senhor Hatake disse que levaram ela para fazer uma tomografia na cabeça, e que ela teve alguns arranhões e uma costela fraturada.
- Estou rezando para que nossa preciosa filha saia bem. – Disse a senhora Yamanaka, e naquele momento me senti péssima por eles.
- Mas vamos torcer para que tudo ocorra bem. – Disse Tsunade.
- Amém.
Em seguida vovó me fitou e com uma cara de que havia muito mais do que aparentava. Pois um simples assalto não iria emplacar o xerife sair de seu gabinete para estar numa sala de espera de um hospital. Ela sabia que havia algo por trás disso e eu sabia que quando chegasse em casa teria que me explicar.
- Você está bem?
- Estou – respondi.
- Cadê a Hinata? - Ela havia dado por falta.
- Ela foi para casa.
- Senhora Tsunade – chamou o senhor Uchiha -, podemos conversar?
- Claro.
E eles foram para um canto e começaram a conversar baixinho, sabia que o pai de Sasuke estava colocando minha avó a par da verdadeira situação. Voltei a me sentar ao lado de Sasuke e ficamos sem silêncio.
Depois de mais vinte minutos o médico apareceu na sala procurando por algum responsável de Ino.
- Nós somos os pais dela. – Disse a senhora Yamanaka, afoita por uma notícia da filha.
- Como está a minha filha, doutor?
- A sua filha está aparentemente bem, fora de qualquer risco. – Ele disse. – Ela teve uma pequena fratura na costela direita e um corte pouco profundo na testa e alguns arranhões superficiais. Fizemos uma tomografia em sua cabeça, mas os exames deram tudo normal, nenhum tipo de alteração.
- Graças a Deus – disse a senhora Yamanaka pondo uma mão do coração.
- Vamos mantê-la em observação até segunda ordem, iremos averiguar quando ela acordar. Como ela teve uma pancada na cabeça ela pode ter dores cabeça, tonturas, ânsia de vômito ou até mesmo uma pequena amnésia passageira. Só saberemos quando ela acordar.
- Posso ver minha filha?
- Ela está dormindo no momento, mas liberarei a visita só para a família.
O senhor e a senhora Yamanaka saíram da sala acompanhados do médico para ver sua filha. Suspirei aliviada por ver que Ino estava bem, e ansiosa por vê-la e tentar elaborar alguma explicação merda para o que ela viu na floresta.
- Sakura, vamos para casa. – Disse Tsunade para mim
- Não vó, eu preciso saber da Ino.
Tsunade crispou os lábios.
- Não vai adiantar em nada você ficar aqui agora por que não vai poder vê-la hoje. Creio que as visitas só vão acontecer amanhã, e temos muito o que conversar em casa.
- Mas...
- É melhor você ouvir sua avó. – A voz do senhor Uchiha soou fria, me fitando com seus olhos sérios. – Amanhã você resolve seus problemas.
- Pai – pronunciou Sasuke, ficando de pé automaticamente.
O senhor Uchiha o fitou com o cenho franzido, e Sasuke não se pronunciou mais. Eu resolvi ceder as vontades deles, até por que, eu já havia causado problemas demais naquele dia. Minha decepção comigo mesma era grande.
Eu poderia ter evitado tudo aquilo.
- Tudo bem – e suspirei, e depois fitei Sasuke que havia tomado uma posição de defesa contra o pai. – Tchau.
- Tchau. – Ele respondeu depois de alguns segundos em silêncio.
Dei uma olhada no senhor Hatake e o cumprimentei com a cabeça em forma de agradecimento e saí da sala com Tsunade ao meu lado.
