Capítulo 26 - Decisão

O caminho até em casa havia sido em completo silêncio, podia sentir meu corpo ainda trêmulo dos acontecimentos na floresta, e estava aérea do mundo real, presa em devaneios. Tsunade pareceu entender meu silêncio e não puxou assunto, mas isso não a deteve em me abordar quando colocamos os pés dentro de casa. Fui banhada pelo calor e o aconchego da sala, me fazendo ter aquela sensação de proteção, mas isso não aliviava a tensão que sentia.

— O que a senhorita tem a me dizer agora? – Questionou Tsunade, depois de tirar seu casaco e jogar sua bolsa nem cima do sofá, olhando para mim com seus olhos sérios. – Chego em casa e não te encontro. Ligo para você, mas não me atende. Explique-se.

Mordi o canto de minha boca, fitando os olhos caramelizados e sérios de vovó.

— Eu perdi meu celular na floresta – murmurei, desviando meus olhos para o chão e me jogando no sofá, sentindo meu corpo doer mais, o cansaço estava começando a me dominar. – A Ino veio aqui no final da tarde, ela estava desconfiada da Tenten algum tempo, pensando que podia estar metida com algo errado.

— Soube que essa Tenten é uma caçadora de licantropos, assim como aquele rapaz de cabelos claros que estava no hospital.

— O senhor Hatake – eu disse, voltando a fitá-la. – Eu sei agora, mas eu não sabia que existiam caçadores, e eu simplesmente fui com a Ino.

— Isso foi uma decisão inconsequente sua, sabendo do histórico de paranormalidade da cidade. – Brigou, mas sua voz havia saído calma, só um pouco rígida. Ela se sentou no sofá de dois lugares, de frente para mim. – Você tem que ser mais atenta, Sakura, mas te dou um desconto por que eu também estou pouco por fora desse assunto de caçadores, isso só diz respeito aos licantropos.

— Eu sei, eu fui uma idiota – umedeci meus lábios e balancei minha cabeça para os lados. – Mas também nunca imaginei que a Tenten fosse uma caçadora, fiquei muito surpresa quando soube.

— E a Ino viu?

Assenti com a cabeça positivamente, lembrando o quanto Ino havia ficado surpresa com as coisas novas que descobria.

— Ela viu tudo. – Resolvi contar a verdade, pois não tinha mais estrutura para segredos. – Os lobos... e eu e a Hinata usando a magia.

— Como? - As sobrancelhas de Tsunade ergueram para cima, surpresa, e voltou a franzir. - Você usou magia na frente dela?

— Vó, não teve como evitar, a floresta estava enfestada de lobos forasteiros, e eles estavam nos atacando, e simplesmente usamos.

— Você viu que a Ino iria entrar na floresta e não fez nada a respeito para impedi-la, Sakura?

— Eu... – hesitei por um segundo, pensando se contava o segredo de Hinata ou não. Mas resolvi abri o jogo, pois as coisas não estavam andando muito bem para o lado de Hinata e Tsunade era a única adulta que poderia ajudá-la caso ela tente fazer alguma besteira futuramente. – Antes de saber que a Ino entrou na floresta, eu a deixei vigiando Tenten e fui atrás da Hinata. Eu pensei que era só paranoia de Ino mesmo, e não dei tanta importância...

— Hinata? - Ela me interrompeu. - Espera, agora parando para pensar, como a Hinata entra nessa história? Por que você disse que saiu de casa só com a Ino.

— Então... eu tenho que te contar uma coisa. – Pausei, fitando a cara de vovó que me olhava séria. – A Hinata está grávida.

Eu vi quando a expressão de Tsunade que estava séria se transformou para uma surpresa.

— O quê? Como assim grávida? Aquela menina só tem dezesseis anos! Quem é o pai da criança? O pai dela sabe disso?

Muitas perguntas. Tomei coragem e comecei a respondê-las uma por uma:

— Ela está grávida do Naruto da alcateia do Sasuke. A Hinata é a companheira de ligação dele, e ela meio que não quer, mas não consegue ficar longe dele, pois, a ligação não permite. O Naruto quer a criança e ela não quer... quer dizer, agora ela aceitou o bebê... e os dois só tem que se entender, mas a Hinata é cabeça dura. E o pai dela não sabe, e pelo jeito vai demorar para saber, por que ele não gosta dos licantropos. Ele está pensando que a Hinata vai se casar com um cara que ele escolheu para ela, e ela disse que não vai se casar. E eu prometi que iria ajudá-la, mas estou cheia de problemas que nem sei por aonde começar e eu...

— Sakura – vovó me interrompeu, me olhando com os olhos arregalados -, se acalma.

Em seguida se levantou e sentou-se ao meu lado. Tomei o folego, eu havia metralhado sem ao menos respirar.

— Estou surpresa com isso. Hiashi vai pirar quando souber da gravidez, ele detesta aquele menino devido a alguns incidentes que ele teve com a Hinata.

— Eu meio que estou por dentro do assunto - comentei.

— Por que não me disse isso antes?

— A Hinata não queria que eu contasse, mas agora as coisas estão tomando proporções mais sérias, e temo por ela caso o pai dela saiba.

Tsunade suspirou, já prevendo o problemão.

— A situação é complicada. Eu estive com o Hiashi na semana passada e ele estava comentando sobre o futuro casamento de Hinata. O rapaz é de boa família, tem prestigio no coven dos bruxos, e vai ser um casamento vantajoso para ambas as famílias.

— Hinata disse que não se casará.

— Isso aí já é problema deles, e agora com essa criança... – vovó balançou a cabeça para os lados. – Isso é muito complicado.

— Vó – segurei suas mãos -, eu dei minha palavra a Hinata que iria ajudá-la, não quero falhar com ela. Ainda mais agora que estamos nos aproximando. Eu queria saber se posso contar com a senhora para ajudá-la futuramente!? A Hinata está muito perdida.

— Claro. – E apertou minhas mãos, passando-me confiança. – Só que ter uma criança na idade dela é muito difícil, principalmente com a quantidade de problemas que ela tem. Lembro-me quando tive sua mãe, eu tinha quinze anos, foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. Eu estava sozinha num país totalmente diferente e sem o apoio de minha família, mas pelo menos eu tinha seu avô Dan. Mas éramos muito jovens e tivemos que sacrificar um futuro para o bem da sua mãe. Não vai ser fácil para Hinata, ainda mais brigada com o pai da criança. E ainda tem a família do rapaz... Meu Deus, quero nem imaginar o problema que isso vai causar. Eles já estão implicando com você que não fez nada de errado, imagine a Hinata?

— Eu sei. – Murmurei, já imaginava os milhares de problemas que Hinata iria enfrentar pela frente. Eu torcia internamente que Naruto mantivesse sua palavra e protegesse sua companheira.

— Que isso se torne lição para você em se proteger quando estiver com aquele rapaz. – Disse Tsunade para mim, e pude sentir na mesma hora as minhas bochechas ficarem vermelhas de vergonha. – Sei que você tem planos para o futuro e uma gravidez agora só iria arruinar tudo. Pense bem antes de fazer qualquer besteira. Sei muito bem como funciona os hormônios dos jovens, já fui jovem que nem você e não tomei as medidas adequadas. Eu não quero que isso aconteça com você.

— Vó, eu ainda não... – não consegui terminar a frase, aquele assunto me deixava constrangida.

— Tudo bem, entendo. – Ela disse. – Não vou proibi-la de fazer sexo, mas só peço que se previna.

— Uhum - foi tudo o que consegui dizer, desviando meus olhos para o lado, tentando disfarçar a vergonha.

— Bom, voltando ao assunto original, a Ino na floresta.

Nunca quis tanto naquele momento voltar a lembrar dos acontecidos na floresta para desviar do assunto sobre sexo. Era muito constrangedor.

Voltei a contar o progresso do que havia acontecido e resolvi ocultar o fato de que Hinata quase fez um aborto:

— Ino me ligou quando eu estava com Hinata e disse que tinha seguido a Tenten que havia entrado na floresta, e eu fui atrás dela com a Hinata. Mas eu não sabia que Konoha estava sendo invadida por lobos forasteiros e que nem a floresta estava cheia deles.

— Fugaku comentou que Konoha foi invadida por lobos de outra alcateia e que a maioria fugiu. Eles só capturaram um que estava bem machucado.

Umedeci meus lábios com a ponta da minha língua.

— Então, o licantropo que eles pegaram fui eu que machuquei, quer dizer, quase o matei.

— Como assim?

Me ajeitei no sofá e virei meu corpo de frente para Tsunade, sentindo o arrepio na minha espinha quando lembrava daquilo.

— Vó, aconteceu uma coisa estranha comigo.

— Que coisa? – Tsunade já havia ficado em alerta.

— Eu não sei exatamente o que foi aquilo, eu só escutei uma voz soar baixinha em meu ouvido, me instruindo a fazer coisas.

O rosto de Tsunade ficou sério, e sua voz soou cautelosa:

— Que tipo de coisa?

— Quando estávamos sendo seguidas na floresta por um licantropo, a Hinata me pediu que eu fizesse um círculo no chão enquanto ela atrasava o lobo. E foi aí que escutei a voz, ela me instruiu a fazer um outro círculo em volta do primeiro. – Pausa, levei minha mão a cabeça, puxando das minhas lembranças que se embolavam na minha mente. – Aí as coisas aconteceram rápido demais, eu só me lembro de ter puxado a Hinata para dentro do círculo, e ela logo subiu uma barreira protetora para nos proteger. E foi aí que a voz soou sussurrando conjurações para mim levantar uma barreira de fogo, e eu fiz. Eu tinha tudo sob controle até um outro licantropo aparecer e nos atacar, eu o trouxe para uma armadilha e ateei fogo nele...

As lembranças borradas do licantropo caído no chão agonizando em dor enquanto as chamas do fogo o consumia me vieram à mente. Ainda podia sentir o cheiro de pelo queimado com carne queimada entranhados em meu nariz, fazendo meu estômago revirar. Os berros de morte ainda ecoavam em meus ouvidos e àquela sensação de prazer em vê-lo agoniado podia ser sentido no fundo da minha alma.

— Sakura?

Voltei a realidade com Tsunade me chamando, e a fitei. O medo era a conclusão do que havia acontecido e que podia voltar a acontecer. Meus olhos lacrimejavam, e eu via vovó embaçada agora.

— E o que aconteceu?

— Eu... – e não aguentei segurar mais as lágrimas, e desabei. Chorei tudo o que havia suprimido aquele tempo todo. Chorei por Hinata e seus problemas sem fim. Chorei por Sasuke que eu havia deixado para trás sem fazer nada. Chorei por Ino que estava machucada por minha culpa. Chorei pelo licantropo que quase o matei. E chorei por ter me sentido fraca e incompetente, por não ter feito algo que evitasse tudo aquilo.

— Querida – e me abraçou, apoiei minha cabeça em seu ombro e chorei mais, sendo acalentada por vovó.

— Eu quis matá-lo – minha voz saiu chorosa. – Eu quis matá-lo, vó.

— Sakura.

— Eu não sei o que aconteceu comigo, aquela não era eu. Eu estava gostando de ver ele sofrendo. Estou com tanto medo.

— Shiii! – Ela passava suas mãos em meus cabelos, mas o conforto dos braços dela não era o suficiente para tirar aquela angústia em meu peito. – Se acalme. Você está bem abalada com tudo o que aconteceu. A voz que escutou pode ter sido sua intuição agindo como proteção. A intuição fala com a gente sabia? Ela nos instrui em fazer algo quando estamos ameaçadas, ela aparece quando nós mais precisamos.

— Mas ela me pedia para matá-lo. – Minha voz saiu estranha devido aos soluços de choro.

— É sua intuição na defensiva, aquele licantropo iria matá-la se não fizesse isso, não é? – Em seguida me afastou dela para poder fitar meu rosto.

Funguei a coriza, passando as costas das mãos nos olhos, para afastar as lágrimas. Minha cabeça doía.

— Ele atacou para me matar. – Eu disse baixinho entre um soluço e outro. – Mas isso não me dar o direito...

— Sakura - e novamente me interrompeu -, numa batalha não se escolhe quem vai ou não vai se machucar, pois é impossível alguém sair ileso. Você atacou aquele lobo por pura defesa. Você queria proteger suas amigas, eu presumo.

Balancei minha cabeça para cima e para baixo.

— Eu queria, mas tudo saiu do controle.

— E aposto que você estava com medo quando subiu a barreira de fogo naquela hora.

— Estava apavorada por dentro - murmurei baixinho, fitando as minhas mãos arranhadas.

— Você apenas perdeu o controle por causa do medo. – Concluiu Tsunade como se todo aquele mistério não fosse nada. – Você despertou sua Pirocinese, que é a capacidade de controlar e manipular chamas, brasas ou qualquer objeto com temperatura extremamente alta. Isso requer muita concentração, e devido ao medo e a tenção do momento, você acabou perdendo o controle.

— Mas e a sensação que tive de prazer em ver aquele licantropo agonizando? – Questionei, a fitando, não tão certa do que Tsunade falava, era uma sensação muito ruim.

— Sakura – ela colocou suas mãos em meus ombros -, entenda, você estava no calor de uma batalha, estava estressada emocionalmente, e com sua intuição de defesa ativa. Óbvio que iria sentir algo como um sentimento diferente do que você está acostumada. Você é uma menina boa, presumo que não sinta nada como ódio no coração, você apenas sentiu um lado seu que não está acostumada. Todos nós temos um lado obscuro que mantemos ocultos e que controlamos para não tomar posse do nosso lado bom.

— Mas isso foi tão estranho. – Murmurei, fitando algo invisível atrás dela.

— É estranho, mas com o tempo você controla. Está evoluindo, e muito bem. Tem pouco tempo que começou a desfrutar de sua magia, e já está usando o Controle Elemental. – Eu a fitei novamente e ela sorriu. – Estou orgulhosa de você.

— Pena que não me sinto assim.

— Você tem que parar de cobrar mais de si. As coisas nem sempre sai como nós esperamos.

— Mas a Ino se machucou com isso.

— Sim, mas você não teve como evitar. Apenas aceite seus erros e tome como lição para não os cometes futuramente.

Apenas assenti com a cabeça, pouco mais calma, mas não conformada.

— Agora será um problema se a filha dos Yamanaka acordar e falar sobre tudo o que ela viu.

— Eu vou falar com ela amanhã, irei visitá-la no hospital.

— Eu poderia fazer algum feitiço para ela esquecer, mas tem sérios riscos, principalmente quando ela bateu a cabeça. É muito arriscado para a saúde dela. Você vai ter que resolver esse problema sozinha.

— Eu entendo, farei isso.

— Agora você vê o problema que pode causar a si mesma se resolver fazer esse juramento sem fundamento e ficar longe de sua magia? Esse é só a ponta dos seus problemas.

— Eu sei, mas tem o Sasuke. - Por um segundo eu havia me esquecido desse juramento. - Ele vai ficar longe da família.

— Não vai – disse Tsunade com toda a certeza. – O Fugaku não vai abrir mão do filho dele por um juramente besta.

Balancei minha cabeça para os lados, negando.

— Ele disse isso com todas as letras. Se eu não jurar lealdade quem paga o pato é o Sasuke.

— Sakura, confia na sua avó. Fugaku não vai expulsar o filho da alcateia, ainda mais depois que Itachi foi embora. Sasuke é o único que pode sucedê-lo futuramente e tomar conta da alcateia. Conheço muito bem aquele pirralho mimado, e sei muito bem o quanto ele adora sua posição de líder e que faria de tudo para manter a liderança entre a família mais próxima. E o mais próximo dele é o Sasuke.

— Eu não sei - hesitei naquela teoria de vovó. O senhor Uchiha não pareceu que brincaria com um assunto desses. Ele é tão sério que dava medo.

— Duvido que o Fugaku vá passar a liderança da alcateia para alguém que não seja o Sasuke.

— Será?

— Tenho certeza. - Respondeu com muita convicção. - Então, minha neta, não faça esse juramento que só você tem a perder. Bata o pé com sua decisão, e você verá se o Fugaku não vá ceder e lhe fazer uma proposta bem melhor. Ah, e não comente isso com Sasuke, ele pode relaxar sobre isso e se o Fugaku perceber, aí ele vai excluir o filho só por saber que Sasuke está jogando contra ele. Nem tudo se conta para um homem. Nós mulheres temos que saber jogar para conseguimos o que queremos, principalmente quando se é uma bruxa no território de licantropos. Deixem eles pensarem que tem o controle sobre tudo, mas é você que tem o real controle no final.

Tentava processar os argumentos de Tsunade, até parecia uma luz no fim do túnel. Se eu for pela lógica dela e se ela estiver certa, eu poderia me dar bem e Sasuke não ter que pagar por minha decisão. Mas e se ela estiver sendo equivocada e estiver subestimado o senhor Uchiha, o Sasuke se ferraria. E eu iria me sentir culpada, ainda mais quando a minha má sorte andava ao meu lado.

— Eu vou pensar a respeito - disse, não descartaria o conselho de Tsunade, mas também não arriscaria naquela decisão importante. Eu tinha que pensar com muita calma.

— Pense e tome a decisão certa que te favoreça. Sabe que não pode ficar longe de sua magia, então não me decepcione.

. . .

Acordei no outro dia sentindo que aquele corpo que abitava a minha alma não me pertencia. Tudo doía em mim, até meus ossos doíam. A luz do dia que passava por aquela cortina de renda clareava todo o meu quarto, me fazendo abrir os olhos lentamente e fitar meu teto. As lembranças de ontem aos poucos povoavam a minha mente, e agora, depois de uma noite bem dormida – havia apagado assim que deitei na cama –, o corpo mais relaxado – apesar de estar dolorido - e a mente mais calma, eu podia pensar melhor sobre tudo.

Começando pelo meu grande problema que era Ino e que eu tinha que resolver ainda hoje, torcia internamente para que algum milagre acontecesse, ou que ela fosse compreensiva... para falar a verdade, eu não tinha a mínima ideia do que fazer. Se ela começasse a abrir a boca e contar tudo o que viu, não só o meu segredo, mas os das outras pessoas estariam escancarados aos quatro cantos da cidade. E as pessoas ficariam sabendo que existiam bruxas, lobisomens e caçadores abitando Konoha.

Isso seria terrível.

O próximo tópico era a voz estranha que ouvi soar na minha cabeça. Agora mais calma, eu revisava na minha memória, e do quanto Tsunade havia ficado em alerta com tudo o que disse, e algo me dizia que ela tentava a todo custo me acalentar, dizendo ser só a voz da minha intuição na defensiva num campo de batalha. Eu sentia que não era a minha intuição que falava comigo naquela hora, pois que eu saiba, intuições não controla o corpo e nem a mente de ninguém. Intuição não faz a pessoa despertar uma aura assassina de uma hora para outra. E tudo indica que Tsunade sabia mais do que aparenta, e estava escondendo a verdade para não me preocupar.

E isso me leva ao terceiro tópico, meu possível juramento com os licantropos. Faltava só alguns dias para a lua ser cheia, o prazo final para eu dar a eles a minha decisão. E os acontecimentos da noite interior, com meu possível "lado maléfico" que havia sido despertado, e o sentimento angustiante de inutilidade, decepção e fraqueza havia de algum modo clareado minha mente para a minha decisão.

Eu sentia medo do que poderia vir, incerteza sobre o meu futuro, e receios de que eu poderia fazer algo errado. Isso tudo eu poderia suportar e aprender como uma lição e melhorar com esses erros. Mas nunca mais na minha vida quero sentir que sou um peso morto, uma fracassada. Nunca mais quero ter aquele sentimento de inutilidade. Nunca mais quero ver as pessoas que eu gosto se machucar por uma fraqueza minha.

Nunca mais.

As palavras de Tsunade ecoavam na minha mente, e talvez ela esteja certa. Nenhum pai que ame seu filho verdadeiramente vai abandonar por motivos bobos. O senhor Uchiha não irá abandonar o Sasuke por ele escolher a mim, já que sou sua companheira marcada, e eu não fazer um juramento. Ele seria muito miserável para fizesse isso com o sangue de seu sangue. Até por que, Sasuke não tem culpa do destino lhe dar uma bruxa como companheira de marcação.

Agora eu tinha uma decisão e bons argumentos para debater com o senhor Uchiha sobre a minha recusa em fazer o juramento de lealdade. Irei seguir o concelho de Tsunade e jogar minha sorte no ar, e torcer para que desse tudo certo.

Depois de tomar coragem para enfrentar aquele domingo que iria ser desgasto, levantei-me da cama e fui para o banheiro fazer minha higiene matinal. Fitei meu rosto no espelho vendo minha imagem ruim refletida nele. Minha cara estava com dobras de lençol, meus olhos inchados de sono, meu cabelo despenteado e com um dedo do meu loiro aparecendo na raiz e eu estava horrível.

E o dia só estava começando.

Quando saí do banheiro desci as escadas e fui direto para a cozinha, sentindo o cheiro de café e uma Tsunade sentada na cadeira comendo uma torrada.

— Bom dia, vó - murmurei, puxando a cadeira e me sentando.

— Bom dia – sorriu. – Pensei que iria ficar mais tempo dormindo, já que hoje é domingo.

Peguei o copo vazio e o enchi de leite.

— Até iria, mas tenho que visitar a Ino.

— Entendo. - Ela bebericou seu café na xícara. - Vai agora de manhã?

— Sim. Assim que acabar de tomar café da manhã.

Dei um bom gole do meu leite e agarrei uma daquelas torradas. Eu podia ver a preguiça em cada movimento que eu fazia, ainda estava com o corpo dolorido, consequência de um corpo descansado e sedentário. Eu tinha que fazer algo a respeito, pois vida agitada e sedentarismo não dão muito certo.

— Qualquer coisa me liga que darei um jeito e falarei com ela.

Ergui meus olhos e a fitei.

— Vó, esqueceu que estou sem celular?

— É mesmo, acabei esquecendo. - Ela disse. - Irei providenciar um para você no final da semana que vem, é só o tempo do cartão fechar para cair no outro mês.

— Não se preocupe, talvez eu fale com o Sasuke e vejo se ele pode recuperar para mim, já que ele conhece a floresta na palma da mão.

— Hm.

E por falar no Sasuke, lembrei do senhor Hatake e o aviso que ele havia dado para mim e Hinata. Estava tão atordoada ontem que acabei por esquecer de mencionar isso a Tsunade.

— A senhora sabe alguma coisa sobre caçadores de bruxas?

— Não muito, já que nunca vi um em toda a minha vida. A única coisa que sei sobre eles é que eles usam a flor de Lobelia para nos enfraquecer e impossibilitar a nossa magia. Por que a pergunta?

— O senhor Hatake alertou a mim e a Hinata de que existe caçador de bruxas, e que ele conheceu um, um pouco depois de Ōtsu a uns cinco meses atrás.

E eu pude ver a expressão descontraída de vovó ficar séria e preocupada no mesmo instante. A notícia de que existe um caçador de bruxas não muito longe de Konoha era realmente séria.

— Tem certeza disso? Ele tem certeza disso?

— Acho que sim, já que ele é um caçador de lobisomem.

— Minha nossa, isso é muito sério.

— Ele disse para a gente tomar cuidado, pois esses caçadores costumam ser violentos e se camuflam muito bem.

— Imagino, já que somos bruxas e temos nosso sensor de perigo para nos avisar, eles devem ser bem violentos.

Silêncio.

Tsunade pareceu perdida em pensamentos, deveria estar pensando e cogitando hipóteses de um possível ataque surpresa de um caçador. Só de pensar que existe um que mata bruxas, eu sinto um frio subir na minha espinha.

— Esse rapaz Hatake, ele é seu professor de quê? - Vovó perguntou de repente, a atenção agora em mim.

— De matemática.

— Sabe o nome dele?

— Kakashi, Kakashi Hatake. - Respondi.

— Irei procurá-lo e falar com ele ainda hoje e esclarecer mais essa história. Temos que nos precaver. Um caçador de bruxas é algo muito sério, são nossas vidas que estão em risco.

— Uhum.

— Não queria, mas serei obrigada a sair hoje, os problemas me chamam. - E depois suspirou. - Não tenho hora para voltar, então não você se importa em fazer o jantar?

— Claro, não se preocupe com isso.

Depois do café da manhã eu fui para o meu quarto, mas antes eu peguei o telefone da sala e levei comigo enquanto tentava lembrar o número do celular de Hinata. Eu havia anotado em algum lugar. Depois de procurar nas minhas coisas eu achei o número anotado na folhinha de post it sticky.

Fiz a ligação, e chamou várias vezes acabando por cair na caixa postal. Liguei de novo e nada, ela não atendia, resolvi deixar um recado, pois já estava começando a me preocupar.

— Oi, Hinata... Ahn, é a Sakura, estou ligando do telefone de casa. Então você não atende, aconteceu algo? Você está bem? Me liga, estou ficando preocupada. Eh... eu vou ver a Ino agora de manhã, então só estarei em casa um pouco antes do meio dia, então você poderá ligar, já que estou sem celular.

Desliguei e joguei o telefone em cima da cama e fui até o guarda-roupas, procurei o que vestir. Optei por um jeans, uma blusa branca de mangas com estampas e um casaco preto de lã. Mesmo o sol raiando naquele dia - dava para perceber pela claridade em minha janela - as manhãs de Konoha eram bem enjoada e fria. Vi a maldita calça rosa que Ino havia amado e que me obrigou a usar naquele dia. Como eu odiava àquela calça. Peguei ela e separei, iria levar para ela. Troquei de roupa e penteei meus cabelos, e como eles estavam bem rebeldes, resolvi atendê-lo num coque frouxo no alto da cabeça. Passei um pouco de corretivo em volta dos olhos, um brilho labial, e as sapatilhas nos pés. Eu estava pronta.

Coloquei a calça rosa dentro de uma sacola parda. Peguei um pouco de dinheiro para pagar o ônibus, as chaves de casa e coloquei tudo dentro da minha bolsa pequena de lado de alças longas e saí do quarto com a sacola numa mão e o telefone na outra. Tsunade estava na sala, procurando algo.

— Sakura, você viu o telefone?

— Aqui - ergui para ela que pegou de minhas mãos. - Já estou indo.

— Tá, boa sorte.

Sorri.

— Obrigada.

Saí de casa sentindo os raios do sol bater em minha pele e o frio enjoado me desencorajado de sair de casa e voltar para cama. Caminhei até o ponto de ônibus e não demorou para passar um, e quinze minutos depois eu já entrava no hospital. Fui até a recepção para ver se a Ino podia receber visitas. Depois que a recepcionista ter me liberado e dizendo o quarto aonde Ino estava eu saí por aqueles corredores brancos e pouco movimentados, ensaiando internamente o que dizer a Ino. Eu estava me preparando psicologicamente para o que poderia vir.

Parei em frente a porta do quarto de Ino e respirando fundo contei até três, tomando coragem e bati na porta antes de abri-la lentamente e colocar só a cabeça para dentro. Pude ter o vislumbre dela deitada na cama, o cobertor azul esverdeado a cobrindo até o peito, deixando os braços para fora com alguns arranhões, e um curativo na sua testa. Seus olhos abriram e focaram em mim e um pequeno sorriso se abriu em seus lábios, a expressão era cansada em seu rosto.

— Oi - eu disse adentrando mais o quarto, hesitava um pouco em minhas ações, era a hora da verdade.

— Oi. – Sua voz soou baixa, nem parecia a Ino elétrica que conhecia, e nem combinava com ela.

Fechei a porta e me aproximei de sua cama, e ela se remexeu, ficando meio sentada com as costas apoiadas no travesseiro.

— Como você está?

— Como se tivesse sido atropelada por um ônibus. - Ela respondeu, o humor sarcástico que eu conhecia dando as caras.

Sorri, mas meu sorriso logo morreu.

— Eu sinto muito.

— Irei ficar aqui até amanhã, a pior notícia que tive quando acordei. A comida daqui é horrorosa.

— Posso imaginar – mordi o canto de minha boca, pensando em como abordá-la. - Mas você está bem?

— Tirando a minha dor de cabeça e meu corpo todo dolorido, e eu não me lembrar do que aconteceu ontem, acho que sobrevivo.

Era inevitável não ter ficado surpresa com sua confissão. Ino não se lembrava de nada do que aconteceu na floresta ontem?

— Como assim, você não se lembra?

Ino piscou algumas vezes, desviando os olhos para o lado, tentando lembrar e voltando a me fitar novamente.

— Bom, eu só lembro eu ter ido até a sua casa e de nós ter ido até a cidade e esperamos a Tenten no beco. Depois disso não me lembro mais de nada. Meu pai disse que a gente foi assaltada e eu acabei caindo e batendo a cabeça no meio fio.

Eu não podia acreditar, a pequena amnésia de Ino havia soado como um milagre para mim. Mas eu tinha consciência de que algum momento as lembranças dela iriam voltar e ela iria querer saber a verdade. Mas por enquanto iria manter a versão do que foi combinada, minha voz saindo lenta e cautelosa, pois os olhos avaliadores de Ino me fitava com atenção, e ela iria com certeza captar algum vestígio de mentira caso eu me enrolasse na explicação:

— A gente estava esperando a Tenten aparecer e a vimos passar, quando estávamos indo atrás dela nós fomos abordadas por um homem com um revólver apontado para nós duas. Você ficou assustada e tropeçou nos próprios pés e caiu com a cabeça no meio fio.

— Caramba, isso é tão grotesco. E o cara?

— Ele fugiu depois que pegou meu celular.

— Nossa.

— Você não se lembra de nada mesmo?

— Nadica de nada. - Ela disse. - Isso é tão estranho, as pessoas saberem mais do que eu, sabendo que eu estava no local. O médico disse que essa amnésia é temporária. O trauma do momento junto com a pancada na cabeça fez meu cérebro excluir as lembranças ruins. Estou num estado meio que "negação" pelo que entendi.

— Entendi...

— E você, como está?

— Estou bem, como você está vendo. - Sorri comprimido e estendi a sacola parda para ela. - Aqui?

— O que é isso? - Ela perguntou, franzido o cenho e pegando a sacola parda.

— A calça rosa.

Ela ergueu os olhos para mim, surpresos.

Aquela calça?

Umedeci os lábios, assenti com a cabeça e sorri de lado, vendo que consegui mudar de assunto.

— Uhum, você gostou dela. É sua agora.

Ino abriu um sorriso gigante e olhou desajeitadamente dentro da sacola.

— Eu tenho uma blusa perfeita que comprei na semana passada que usarei com ela quando for passar as minhas férias na casa dos meus avós de Shibuya. - E me fitou. - Obrigada.

— De nada.

Fiquei um tempinho jogando conversa fora com Ino, e o tópico principal era as férias de verão que começavam no final da semana que vem. Ino iria para Shibuya passar as férias com seus avós paternos e eu estava mais aliviada, pois assim ela poderia esquecer os problemas em Konoha e eu torcia para que suas lembranças sobre ontem à noite não voltasse mais. Me senti um pouco egoísta, mas não era só o meu segredo que estava em risco, mas o segredo de outras pessoas.

Saí do quarto com um problema a menos - por enquanto - e logo vi Gaara se aproximando daquele corredor. Ele também parecia surpreso em me ver.

— Gaara? - Me aproximei e nos encontramos no meio do caminho. - Você por aqui?

— Eu vim ver a Ino – ele disse. – Encontrei com a Tenten agora pouco e ela comentou que você e a Ino foram assaltadas ontem e que Ino havia sofrido um acidente. Você está bem?

— Ah... - estava surpresa, Tenten disse aquilo? - Sim estou bem. Acabei de ver a Ino, ela também está bem, tirando a pequena amnésia temporária.

Gaara ergueu as sobrancelhas, surpreso.

— A Ino perdeu a memória?

— Só uma pequena parte, a do assalto.

— Nossa. - Ele disse. - Você já fez a ocorrência?

— Ah, já - outra mentira.

— A cidade mesmo que pequena não a livra de toda a violência. Que bom que você está bem, eu iria passar na sua casa depois quando saísse do hospital, mas como eu te vi e você parece bem...

— Obrigada pela preocupação - sorri -, mas como vê, estou bem. Só a Ino que não teve tanta sorte.

— Vou vê-la agora. Ela está muito chata?

Eu ri com sua pergunta.

— A mesma Ino de sempre.

— Então ela está chata - ele concluiu com um sorriso mais aberto, fazendo a covinha na sua bochecha destacar mais. - Nós vemos amanhã no ônibus.

— Ok.

Me despedi de Gaara e tomei meu rumo, e logo já estava do lado de fora do hospital e vi Sasuke me esperando ao lado de uma árvore. Admito que estava surpresa por vê-lo ali, eu não esperava. Ele me viu e eu me aproximei dele com passos rápidos.

— O que faz aqui? – Perguntei, parando a sua frente.

— Eu vim te ver. - Ele disse. - Te liguei, mas você não me atendia...

— Eu perdi meu celular na floresta naquela confusão - ergui meus ombros para cima. - Estou incomunicável.

Suas sobrancelhas ergueram para cima.

— Então isso me obriga a seguir o plano número dois.

— Que plano número dois? – Perguntei franzindo o cenho.

Ele deu um passo para frente, ficando perigosamente perto de mim.

— De aparecer no seu quarto quando eu sentir saudades - sua voz soou galante.

Essa eu tive que rir, levando minha mão até seu peito e dei um passo para trás.

— Mas esse plano é meio que velho, pois você aparece no meu quarto quando bem quer.

— Mas agora eu tenho um motivo maior - e o canto esquerdo de sua boca ergueu-se para cima. Lindo.

— Bobo. - Revirei os olhos, e tirei minha mão de seu peito, mas Sasuke logo a recuperou, segurando-a e entrelaçando os nossos dedos. - Como é que você me achou aqui?

— Sua avó me disse quando fui na sua casa. Ela disse que você veio ver a Ino.

— Hm. - Começamos a caminhar para fora do espaço hospitalar. - Eu tinha que ver ela depois de ontem.

— É como foi?

O fitei de lado por um segundo, e ele me olhava.

— Ela não se lembra de nada do que aconteceu na floresta. E eu não sei se isso é bom ou ruim. Pois agora estou aliviada, mas estarei frita quando as lembranças dela voltar e ela ver que menti na cara dura como uma traidora.

— Até lá você pensa em algo.

Suspirei, voltando a prestar atenção para frente.

— Eu sei, mas a Ino foi bem legal comigo desde o primeiro dia em que conhecemos. Ela é meio tagarela e as vezes chata, mas ela é leal. Eu tenho que ter alguma consideração por ela, entende?

— Você que sabe. - Ele deu de ombros, e depois me fitou. - E como você está? Ontem você estava tão transtornada, que por segundo eu pensei que os seus sentimentos fosse os meus.

— Estou mais ou menos, quer dizer... eu pensei muito sobre tudo o que aconteceu ontem e eu tomei uma decisão - parei de andar, fazendo Sasuke para também, e o fitei. - Me desculpe, mas não vou fazer esse juramento.

Sasuke soltou a minha mão e agarrou meus dois ombros, seu rosto era sério.

— Sakura, independente do que você decidir eu estou com você.

— Me desculpe Sasuke, mas eu não posso viver pela metade. Não posso renegar quem eu sou e viver com a sensação de que sou inútil. – Já podia sentir meus olhos começarem a marejar. – Eu sei que estou sendo egoísta e que vou acabar te prejudicando – a primeira lágrima caiu em meu rosto, sendo seguida pela segunda e a terceira –, mas não posso jurar aos licantropos. Me desculpe.

Sasuke me abraçou, agarrei forte a sua cintura, meu rosto em seu peito quente, sentindo o seu perfume bom e confortável.

— Não fique assim, você não precisa se culpar por isso. Eu vou dar um jeito.

— Que jeito, Sasuke? - Questionei, e ergui meu rosto para cima. - Você viu o que seu pai disse.

— Eu sei, mas tenho um plano, eu já disse para você.

— Que plano?

Ele sorriu e beijou a minha testa.

— Isso eu não posso contar, mas confie em mim.

Mesmo tendo em mente e seguindo os conselhos de Tsunade, a certeza de Sasuke era tão convicta que era impossível não acreditar que o seu plano - seja lá o que ele tinha em mente - fosse dar certo.

— Eu confio. - Murmurei, e eu confiava mesmo, pois sentia a sua confiança pela nossa linha de conecção. - Mas agora eu tenho que dar a resposta ao seu pai.

— Agora ele está na delegacia, se quiser eu te levo.

— Quero sim.

Sasuke me guiou pelas ruas movimentadas de uma manhã de domingo por Konoha. Voltamos a falar sobre o acontecido de ontem, e soube que o licantropo que eu feri estava quase cem por cento curado de suas queimaduras, mas que estava prezo por correntes dentro de um porão. Sasuke disse que sua alcateia não conseguiu tirar qualquer informação dele, que permanecia intacto com seu silêncio. Os outros que fugiram desapareceram depois de horas de perseguição, e a alcateia estava se preparando para um futuro ataque caso os lobos forasteiros quisessem recuperar o amigo.

Não demorou muito para chegarmos na delegacia, logo de frente havia algumas viaturas estacionadas e dois policiais enfardados conversando e comendo aquelas rosquinhas açucaradas que nem nos filmes. Sasuke e eu entramos naquele distrito e logo vi que alguns policiais que estavam lá dentro conhecia o meu namorado, e um deles veio falar com a gente.

— Sasuke, como vai? - O policial que parou a nossa frente usava óculos escuros redondo.

— Estou bem. Cadê meu pai?

— Ele está numa pequena reunião particular. - Ele disse. - Vou lá ver se ele está perto de acabar e dizer que você está aqui.

— Valeu.

E o policial saiu, sumindo de nossas vistas. Eu podia sentir minhas mãos soando, o nervosismo era presente e aumentava a cada segundo que passava. Eu iria jogar minha sorte no ar e dizer ao senhor Uchiha a minha decisão que era importante para o futuro de Sasuke.

O policial não demorou a aparecer, dizendo que podíamos entrar que o xerife estava nos esperando.

Segui Sasuke que parecia conhecer bem o local, até por que ele era o filho do xerife. Paramos em frente a uma porta e ele a abriu, e a primeira pessoa que vejo era Tsunade de pé olhando para nós.

— Vó?

— O que faz aqui, Sakura? - Ela perguntou, as suas sobrancelhas franziram levemente.

— O Sasuke me trouxe para falar com o senhor Uchiha. - Desviei meu olhar de Tsunade para o xerife sentando na sua cadeira atrás de sua mesa.

— Ebisu não comentou que você estava com o Sasuke. - Disse o senhor Uchiha, o rosto sério me fitando. - O que você quer?

Dei um passo para frente, tomando coragem, o momento havia chegado.

— Eu vim dizer ao senhor a minha decisão final.

— Sua decisão. - E suas sobrancelhas ergueram para cima, o rosto ainda intacto sem nenhum vestígio de humor. - E qual seria sua decisão?

Desviei meu olhar para Tsunade por um segundo, e eu pude ver em seus olhos um brilho de encorajamento, voltei minha atenção ao senhor Uchiha.

— Não farei o juramento a sua alcateia.

— Você sabe o que sua decisão significa, não é?

— Fugaku, você não tinha o mínimo direito de fazer isso com a minha neta. - Interveio Tsunade, se pronunciando a meu favor.

— Vó - a Interrompi, atraindo sua atenção para mim -, deixe eu terminar. - Voltei a fitar aquele homem sério. - Senhor Uchiha, eu sei muito bem das consequências de minha escolha, ambas seriam ruins tanto para mim quanto para o Sasuke. Mas não consigo renegar quem eu sou, e é a mesma coisa de obrigar o Sasuke a renegar quem ele é. Não serei eu mesma se fizer isso e viver sob um rótulo.

— Fugaku, Sakura é uma bruxa. - Disse vovó. - E uma bruxa não renega sua essência, isso não só prejudicaria ela, como todos a sua volta. Respeito suas regras em proteger sua alcateia, mas você sabe que tanto eu quanto Sakura não somos inimigas. Por que não cede os dois ficarem juntos de uma vez? Sasuke é seu filho.

— Não é por que ele é meu filho que passarei a mão por sua cabeça e infringirei as regras. - Disse o senhor Uchiha, os lábios crispados.

— Regras que você mesmo as fez - retrucou Tsunade, lamentando um pouco a voz. - Isso é um absurdo.

— Perdi um filho para uma bruxa que se infiltrou em Konoha por incompetência sua que jurou proteger a cidade e na hora não estava lá para fazer seu trabalho.

— Insolência. - Ela disse, irritada. - Não me culpe de uma coisa que não tenho culpa. Você está cansado de saber que eu tinha uma filha morando em Tóquio, e eu sempre viajo para visitá-la. Àquele incidente aconteceu numa infeliz coincidência de eu não estar em Konoha. Eu sinto muito por seu filho, mas não é justo a Sakura pagar por uma coisa que ela não tem nada haver.

E de repente um silêncio se apossou naquela sala, o clima estava pesado demais para eu interferir naquela discussão. Tsunade e o senhor Uchiha parecia que metralharia um ao outro com o olhar.

Olhei por um segundo para Sasuke ao meu lado que fitava tudo em silêncio, ele havia deixado eu expressar minha opinião sem ao menos atrapalhar. A situação era delicada.

O silêncio não durou por muito tempo e ele foi quebrado pelo senhor Uchiha, com os olhos ainda em Tsunade:

— Eu posso prolongar mais o tempo, assim a menina poderá pensar melhor.

— Não – Sasuke se manifestou pela primeira vez, atraindo a atenção de todos para ele. – A Sakura não vai fazer juramento algum, pai. Eu não irei permitir isso.

— Você está ciente do que essa decisão significa para você, não é? - A voz fria do senhor Uchiha soou impactante, e eu temi que o plano de Tsunade fosse por água abaixo.

— Estou, e aceito sair da alcateia. - Ele disse para a surpresa de todos e a minha também. Sasuke está sacrificando tudo por mim. - Mas não deixarei a Sakura fazer esse juramento. Ela é minha companheira marcada, o senhor deveria saber que é proibido separar uma pessoa marcada de outra. Se a Sakura não é bem-vinda, eu também não sou bem-vindo.

— Essa é a sua decisão? - Perguntou o senhor Uchiha, não parecia satisfeito com a resposta do filho.

— Sim. - Sasuke respondeu sem pestanejar. - Só irei pegar as minhas coisas e ainda hoje saio de Konoha.

— O quê? - Olhei para Sasuke assustada. Sair de Konoha? Isso não estava nos meus planos. Sasuke não podia falar sério. As coisas não estavam saindo como planejado, tudo estava dando errado, e a culpa era minha. - Sasuke...

— Vamos embora, Sakura.

Ele agarrou a minha mão e me puxou para fora da sala, sem deixar eu terminar de questionar por sua decisão. E quando sua mão estava na maçaneta girando para abrir, a voz do senhor Uchiha soou depressa:

— Espera!

Paramos e viramos para trás ao mesmo tempo, fitando o senhor Uchiha que agora estava de pé. Ele suspirou, fechando os olhos, parecia engolir o orgulho.

— Você não precisa sair da alcateia, e nem a Sakura jurar a nós. - E seus olhos abriram e nos fitou. - Eu tenho uma proposta.

— Que proposta? - Sasuke quis saber.

A atenção do senhor Uchiha que estava em Sasuke agora estava em mim.

— Que a Sakura jure nunca ousar atacar a alcateia com sua magia. Que proteja a cidade com sua própria vida, como nós a protegemos. Que seja leal a nós, participando de nossas tradições e reuniões coletivas, já que vai entrar para família. Ela tem que está por dentro de tudo quando você tomar a liderança um dia.

— Isso só cabe somente a Sakura responder. - Disse Sasuke ao meu lado.

Minha nossa! Como àquela situação chegou aquele ponto? Um segundo atrás pensei que Sasuke iria embora de Konoha por eu não ter aceitado jurar fidelidade aos licantropo, renegando a minha raça de bruxa. E agora eu tinha uma proposta mais vantajosa, excluindo totalmente a antiga. Era incrível como a Tsunade tinha razão, o senhor Uchiha nunca ficaria longe do filho caçula e agora estava claro que ele nunca passaria o controle da alcateia que não fosse o Sasuke.

Fitei por um segundo Tsunade que estava quieta observando o desenrolar da história, ela apenas assentiu de leve com a cabeça para mim, e vi aquilo como um sim. Voltei a olhar o xerife a minha frente, frio como uma pedra de gelo.

— Eu juro nunca atacar a sua alcateia com minha magia. - Eu comecei. - Juro que irei proteger a cidade com a minha própria vida. E juro que serei leal aos licantropos da cidade, participando de suas tradições e reuniões coletivas.

— E que você já fique ciente que a sua estadia na alcateia não será fácil. - Disse ele. - Você será apontada, será julgada, e odiada por alguns membros, e eu não vou fazer nada a respeito para te defender, e muito menos você irá atacá-los por isso. Saiba que estou passando por cima das regras e que muitos irão odiar isso. Nossas experiências com as bruxas não são boas e muitos guardam rancor, e eu não os julgo por isso. Essa exceção não é por você e sim por meu filho. Mikoto morreria se perdê-lo também.

— Pai...

— Eu entendo - disse, interrompendo Sasuke. - Não o jugo por isso, e aceito de bom agrado o seu acordo. Não quero ver o Sasuke longe de sua família e eu não quero ficar longe da minha.

— Obrigada Fugaku - Tsunade agradeceu. - Você tomou uma sábia decisão.

Ele não respondeu, apenas voltou a sentar em sua cadeira. Já não tínhamos o que falar mais, tudo já havia sido dito e um problema a menos havia sido resolvido.

. . .

Sasuke me acompanhou até em casa, eu ainda estava anestesiada com os acontecimentos. Não podia acreditar que meu namoro com Sasuke não haveria mais interferência por parte de sua alcateia, pois agora nós tínhamos um acordo. Um acordo bom para ambas as partes. Tsunade continuou na delegacia com o senhor Uchiha, deveria estar tratando dos assuntos de ontem, e do possível problema que viria com um caçador de bruxas. E pelo jeito ela só apareceria no final da tarde.

Peguei as chaves da bolsa e abri a porta, olhei para Sasuke que estava ao meu lado.

— Quer entrar? – Perguntei, escancarando mais a porta.

Sasuke apenas passou por mim sem hesitar e entrou em casa. Eu entrei logo em seguida e fechei a porta. Voltei meu corpo para trás, e o fitei de pé na sala me olhando, e o silêncio entre a gente deixou o ambiente quieto. Sasuke apenas fitava meu rosto, parecia gravar cada detalhe de minha expressão, e eu podia sentir meu rosto esquentar com seu olhar negro e profundo me avaliando.

— Por que está me olhando assim?

— Estou vendo o quanto você é perfeita – ele respondeu, ainda me fitando.

Meu rosto esquentou mais, e quebrei aquele contato visual, desviando meus olhos para o chão.

— Estou longe de ser perfeita.

— Mas para mim você é. – Ele deu três passos, parando tão próximo de mim que eu podia sentir o pequeno calor exalando de seu corpo. – E faço qualquer coisa por você.

Ergui meus olhos para cima e o fitei novamente, sua boca numa linha resta.

— Você me assustou naquela hora que disse que iria embora de Konoha. – Mordi o lábio com força. – Você ia mesmo embora de Konoha caso seu pai o expulsasse?

— Sim – respondeu. – Não podia viver em Konoha se saísse da alcatéia, eu seria um lobo exilado.

— E nós? Como nós iriamos ficar? Era esse o seu plano?

— Não. Meu plano era outro.

O abracei, meus braços o rodeando sua cintura, e o apertei com força. Sasuke não hesitou e me abraçou com a mesma proporção, nossos sentimentos mesclavam um no outro se tornando algo melancólico.

— Não faça isso novamente. – Eu murmurei, fechando os olhos. – Não faça nada com que o leve para longe de mim. Nunca mais.

— Me desculpe – ele disse, seu rosto em meu ombro. – As coisas saíram do meu controle, não tive como evitar.

Ergui minha cabeça para trás e Sasuke tirou seu rosto do meu pescoço e nos olhamos.

— Agora tudo acabou, e nós podemos ficar juntos.

Ele sorriu de lado.

— Sempre juntos.

— Eu te amo.

— Eu também a amo – em seguida nossos lábios se uniram.

Suas mãos foram para o meu rosto, e as minhas subiram por seu peito indo em direção ao seu pescoço, o trazendo mais para mim e aprofundando aquele beijo, transbordando sentimentos. Meu coração batia forte à medida que nossos lábios se movimentavam, as vezes rápido, as vezes lento. As mãos de Sasuke desciam para minhas costas, e adentraram o meu casaco e minha blusa, tocando em minha pele. O calor percorria meu corpo, conforme a boca de Sasuke ia direto ao meu pescoço, lambendo e beijando um ponto sensível, me fazendo arrepiar. Um gemido escapou de minha boca.

— Eu quero você – ele murmurou, sua boca roçando a minha, a respiração ofegante e os olhos semiabertos.

Já havia um tempo que a mesma coisa aconteceu, e o que nos impediu foi o ritual que eu tinha para fazer. Agora nada nos impedia. Tsunade só apareceria no final do dia, e eu tinha certeza do que eu queria. Eu queria o Sasuke.

— Vamos para o meu quarto.

Os olhos de Sasuke ficaram mais negros e brilhantes de excitação. Ele me agarrou, e me suspendeu para cima, e automaticamente agarrei sua cintura com minhas pernas e o beijei em seguida enquanto seu corpo se movimentava com maestria pela minha casa, em direção as escadas, como se eu pesasse como uma pluma.

Ele me pôs no chão quando chegamos lá em cima, sua mão atrás de mim abria minha porta e me empurrava com seu corpo para dentro do meu quarto. Suas mãos impacientes logo se livrou de minhas roupas, me deixando só de calcinha e sutiã. Eu fiz o mesmo, ajudando a tirar a sua camiseta preta e sua calça, o deixando só de cueca.

Sua boca cobriu meu pescoço com a umidade morna de sua língua sentindo o gosto de minha pele, e logo tomou meus lábios novamente. Sasuke parecia mais quente que o normal, e seu calor passava para mim, me deixando mais quente e excitada. Ele me empurrou e caímos juntos na minha cama, ele por cima de mim. Rimos com isso, e ele ergueu-se um pouco para cima e eu me ajeitei, puxando meu corpo para cima daquele colchão.

Nossas bocas se uniram novamente, seu corpo se ajeitando em cima do meu, no meio de minhas pernas, nossas pélvis friccionando me fazia sentir sua masculinidade excitada. Sasuke grunhiu quando minhas mãos deslizaram por suas costas quentes e nuas, parando no cós de sua cueca. Uma de suas mãos estavam em minha coxa e a outra atrás de minhas costas desabotoando o meu sutiã, e não demorou para ele se livrar dele.

Ele ergueu o seu corpo um pouco para cima e observou seus seios nus, descendo o olhar por meu corpo, estudando cada detalhe, e eu sabia que meu rosto estava vermelho de vergonha por minha nudez. Era a primeira vez que eu ficava pelada na frente de um garoto.

— Você é linda. – Ele sussurrou, voltando seu olhar para o meu rosto vermelho, e voltou a me beijar, descendo uma trilha de beijos por meu colo até o meu seio direito. Ele sugava e lambia enquanto sua mão agarrava o outro. Eu apenas me contorci, soltando pequeno gemidos, sentindo uma sensação gostosa invadindo meu corpo só por ele tocar meus seios. Era bom.

Sua mão desceu delicadamente por minha barriga, adentrando minha calcinha e tocou lá. Sua boca colou na minha, abafando o meu gemido quando seu polegar massageava meu clitóris e um outro dedo seu adentrava minha intimidade, fazendo movimentos lentos de vaivém.

Outro gemido escapou por minha boca, enquanto eu movimentava meus quadris de acordo com os movimentos dos dedos de Sasuke me dando prazer. A boca dele descia agora por minha barriga e não demorou para ele arrancar a minha calcinha, abrindo mais as minhas pernas, dando mais liberdade a seus dedos agitados. Não demorou para minha respiração ficar mais acelerada, me contorcendo por dentro e o calor subir e eu desmanchar em seus dedos, meu corpo tremendo. Fechei meus olhos com força, minhas mãos agarrando os lençóis, sentindo meu corpo se diluir em prazer.

Abri meus olhos lentamente, ainda em êxtase com o que tinha sentido e vendo Sasuke como um anjo demônio com os olhos em mim e os dedos na boca, chupando o meu líquido.

— Você é deliciosa – ele disse maliciosamente e veio como um lobo predador, ficando em cima de mim e me beijou, me fazendo sentir o gosto estranho, o meu gosto, em sua boca.

Minhas mãos desceram por suas costas e eu tomei coragem e abaixei sua cueca. Sasuke ajudou a tirá-la, liberando sua masculinidade ereta apontado para mim. Não pude evitar ficar impressionada com o tamanho, o que me fez lembrar da primeira vez que o vi nu.

Minha nossa.

Sasuke se inclinou na cama, pegando sua calça jogada no chão e tirou de dentro do bolso uma embalagem de camisinha. Apenas desviei meu rosto para o lado morrendo de vergonha enquanto ouvia o soar da embalagem sendo rasgada. Senti o corpo de Sasuke se aproximar, abrindo mais as minhas pernas e se posicionando no meio delas, seu membro encostando as minhas partes sensíveis.

— Sakura, olha para mim. – Ele pediu, num sussurro.

Virei meu rosto e fitei seus olhos negros como pedras ônix, me olhando como seu eu fosse uma deusa ou algo assim. E eu não tinha dúvidas naquele momento que Sasuke era o homem da minha vida.

Ele se inclinou para baixo e me beijou com ternura, enquanto seu membro começava a me invadir lentamente e parou quando gemi dolorosamente, sentindo que algo se partia dentro de mim.

— Você está bem? – Ele perguntou, os olhos preocupados me fitando.

— Eu estou bem – murmurei.

E Sasuke continuou fazendo pressão, adentrando-se aos poucos em mim, e apesar da dor que eu sentia, eu percebia que ele estava sendo gentil, beijando meus lábios carinhosamente. Apertei meus joelhos em seus quadris, e finquei minhas unhas em sua carne, arranhando suas costas com força. Ele pressionou mais seu membro e dessa vez parece que entrou por inteiro, e foi impossível conter meu gemido dolorido.

Ele me beijou novamente com muita paciência, permanecendo parado, para que eu me acostumasse. Era estranho ter algo dentro de mim, e apesar de ter sido doloroso, era gostoso.

— Ei – ele chamou, e eu o fitei ofegante -, eu vou me movimentar, tá?

— Tá – sussurrei.

Aos poucos e lentamente, Sasuke erguia seu quadril para cima e apertei minhas unhas em suas costas e gemi dolorosa. Ele desceu os quadris lentamente e os subindo em seguida, os movimentos sempre lentos numa maneira ritmada. E conforme ele se movimentava o meu corpo ia relaxando e a dor que sentia ia sendo substituída por algo mais prazeroso, a mesma sensação que senti quando Sasuke me tocava com seus dedos, era incrivelmente bom.

Eu queria mais.

— Mais... rápido – disse entre um suspiro e outro gemido ofegante.

E atendendo ao meu pedido Sasuke acelerou no vaivém, indo mais rápido e a sensação invadindo meu corpo por inteiro enquanto ele entrava e saía de dentro de mim. Meu corpo suava com o seu calor febril colado em mim enquanto nós éramos um só.

Sasuke tocava cada centímetro de minha pela, lambia e beijava meu pescoço, bochecha e lábios. Eu apenas o puxava mais para dentro de mim com minhas pernas entrelaçadas em seus quadris. Nossos gemidos ofegantes ecoavam no quarto, misturando com nossas pélvis se contraindo uma na outra e o rangido de minha cama tocando a parede.

— Sasuke.

Gemi seu nome, minha voz saindo rouca enquanto sentia o calor subindo por meu ventre e eu sabia que estava chegando ao meu ápice. Sasuke apenas acelerou ainda mais em suas estocada, e eu não aguentei segurar e gozei, meu corpo tremia com isso. Sasuke ainda friccionou alguns movimentos e sentir os músculos de suas costas tencionarem e para logo ele chegar ao seu limite.

Minhas pernas caíram no colchão como se fossem gelatinas, eu ofegava cansada com os olhos fechados. Sasuke havia desabado, seu peso todo em cima de mim, e inspirava ofegante com o nariz encostado em meu pescoço.

— Nossa... – comecei enquanto respirava ofegante – foi incrível.

Sasuke arqueou sua cabeça para cima e me olhou, um pequeno sorriso nos lábios e a sua pele suava o deixava terrivelmente lindo.

— Você é agora inteiramente minha – ele me beijou lentamente e em seguida sorrimos cúmplices.

— Eu te amo.

E ele piscou para mim e fez um movimento para cima lentamente e saiu de dentro de mim. Gemi com o movimento de nossos corpos se desconectando. Ele caiu ao meu lado no colchão, e eu apenas fiquei fitando o teto, sentindo meu corpo mais leve sem o seu em cima do meu.

— Aonde fica o banheiro? – Ele perguntou, ficando sentado na minha cama.

— A porta da frente – murmurei ainda tentando normalizar a respiração.

Ele se levantou, sem se importar com sua nudez e saiu do meu quarto com algo na mão. Respirei fundo e virei de bruços, o rosto no travesseiro enquanto a ficha caía.

Ouvi passos entrar no meu quarto e o lado de minha cama se afundou para logo sentir os braços de Sasuke por cima de minhas costas e seus lábios beijando meu ombro. Tirei meu rosto do travesseiro e virei minha cabeça para o lado e o fitei. Seus cabelos pretos caíam em camadas em seu rosto, os olhos negros me fitavam contrastava com a moldura de seu rosto perfeito. Sasuke estava estupidamente sexy naquele momento.

— O que você está pensando? – Ele perguntou, sua mão agora tirando algumas mechas de meu cabelo do rosto.

— No quanto você é sexy.

Ele sorriu, e eu pude ver uma coloração rosada em seu rosto.

— Você também está sexy. – Ele disse, avançando mais, e beijando meu rosto e sussurrou em meu ouvido: – Principalmente quando está nua.

Voltei meu rosto para o travesseiro, escondendo o quanto seu comentário me constrangeu. Ele me abraçou desajeitadamente, me fazendo ficar de frente para ele, um sorriso travesso estava no seu rosto.

— Eu te amo, sabia? – Ele disse me roubando um selinho.

— Também te amo.

E me rendi ao seu charme e o beijei, mas um ronco no estômago nos fez acessar o beijo e eu fitar seu rosto agora vermelho de vergonha. Eu ri com vontade.

— Vejo que alguém está com fome.

— São apenas detalhes – ele murmurou, fazendo beicinho. Fofo.

— Vamos descer, irei preparar algo para a gente comer.

— Você vai cozinhar para mim? – Ele agora estava galante novamente.

— Acho que você merece comer da minha comida ruim.

— Garanto que não é tão ruim quanto a minha.

Sorri com isso e ele me beijou e eu o beijei de volta, antes de nos levantar e catar as roupas pelo chão. Era estranho aquilo tudo, nós dois pelados pelo quarto catando as roupas para vestir. Nós acabamos de fazer sexo e era diferente nos filmes e livros que depois do ato o casal dormia. Para falar a verdade eu não sentia sono, só estava um pouco cansada e minhas pernas meio que vacilantes.

Depois que vestimos nossas roupas descemos até a cozinha, não sem antes de dar uma olhada no relógio e ver que já passava de uma da tarde. Preparei algo rápido para a gente comer, Sasuke tentou me ajudar, mas ele era um desastre na cozinha. Cortou o dedo cinco vezes com a faca quando o pedi para que picasse o tomate para o molho da macarronada. E depois de ver seu sofrimento com a sua inimiga faca, eu pedi para ele me deixar terminar de cortar, mas ele não deixou. Estava irritado e soltava alguns palavrões, e alegando que ele iria consegui cortá-los. Bom, ele conseguiu, do jeito dele, mas conseguiu depois de levar o triplo do tempo que eu levava para cortá-los.

Fiz o molho para a macarronada e depois o ajudei a colocar os Band-Aid pelos seus dedos cortados. Fomos comer depois que a macarronada ficou pronta, ainda fiz um suco de frutas um pouco aguado, já que Sasuke havia dito que não gostava de coisas muito doces.

— Sua macarronada está incrível. – Ele disse depois que engoliu uma porção que tinha levado a boca.

Sorri, gostando de ver que ele comia com vontade a macarronada, estava bem faminto.

— Obrigada. Não fica que nem o da Tsunade, mas acho que dá para comer.

— Comeria todo o santo dia, o molho de tomate está muito bom. – E em seguida levou outra garfada generosa na boca.

Comi um pouco da macarronada, mas eu não via o gosto tão saboroso que Sasuke havia dito, a macarronada da Tsunade era mil vezes melhor do que a minha.

— Semana que vem já entramos de férias – ele começou, tomando um gole do suco aguado que ele havia dito que estava bom.

— Eu não vejo a hora, esse ano foi bem turbulento para mim. – Murmurei, empurrando o prato para trás com um pouco menos da metade de macarrão. Não estava com tanta fome assim. – Ainda bem que ano que vem é o último ano do colegial.

Ele ergueu os olhos e me fitou, estava sentado à minha frente na mesa.

— Ainda pensa em ir para Tóquio fazer sua faculdade de medicina?

— Você se lembra disso? – Ergui minhas sobrancelhas, surpresa por ele lembrar do meu primeiro dia que o senhor Hatake havia me obrigado a dizer para a turma os meus planos para o futuro.

— Claro, foi a primeira vez que escutei sua voz. – Ele sorriu de lado. - Eu estava louco para fugir daquela sala, por que a atração que senti por você e a frustração ao mesmo tempo por eu não poder tocá-la, doía em todos os meus membros do corpo.

Apenas sorri, lembrando o quanto eu havia o achado estranho, agindo como se eu fosse o pior ser humano do planeta.

— Sei lá – dei de ombros. – Aquela era a minha prioridade principal antes de conhecer você. Eu queria desesperadamente sair de Konoha.

Ele ergueu as sobrancelhas.

— E agora, você não quer mais?

— Não. – E suspirei. – Bom, não é que eu não queira fazer faculdade, eu quero muito, mas só não quero mais ir para Tóquio e deixar você para trás. Eu vou ver alguma faculdade de medicina aqui por perto de Konoha.

— Hm.

— E você? Tem planos para quando terminar o colegial?

— Muitos. – Ele respondeu. - E você está incluída em todos eles.

— Ah é? E qual seria esses planos?

Seus olhos que me fitavam ficaram mais negros e sérios e uma sombra de um pequeno sorriso emoldurava o canto esquerdo de sua boca.

— O primeiro começa eu indo com você para Tóquio.

— O quê? – Era inevitável a surpresa escancarada em meu rosto com a sua resposta.

Ir para Tóquio? Como assim? Sasuke começou a explicar:

— Eu penso em estudar direito, até estava vendo umas faculdades por perto de Konoha, nas cidades mais próximas. Mas como você tem planos iniciais para fazer a faculdade de medicina em Tóquio, por que eu não?

— Mas Tóquio é muito longe de Konoha. – Eu disse ainda processando os planos de Sasuke. – Você vai ficar longe de sua família, da alcatéia.

— Poderei visita-los nas férias, e você a sua avó. Não tem mistério. Aliás, sempre tive curiosidade em conhecer Tóquio, ouvi dizer que é mais movimentado do que Konoha.

— Muito movimentado.

— Então, vai ser bom para mim conhecer coisas novas. – Ele sorriu agora, parecia animado. – Nós alugamos um apartamento, estudamos de manhã e trabalhamos em empregos de meio período a tarde. Eu tenho consciência que vai ser exaustivo, mas a noite dormiremos juntos e acordaremos juntos. Posso buscar você no seu emprego se eu sair mais cedo e pegar quem estiver dando em cima de você e quebrar a cara dele. Nós podemos noite ou outra desviar do nosso caminho de casa e namorar olhando as estrelas em algum terraço abandonado.

Minha nossa!

— Uau – eu estava surpresa. – Você pensou em tudo isso?

— Um homem tem que pensar em tudo, principalmente quando se tem uma linda garota ao seu lado – e em seguida soltou uma piscadela para mim.

— Estou impressionada. – E estava mesmo, por que eu não tinha pensado uma vida com Sasuke quando estivermos na faculdade, e Sasuke havia pensado em tudo, até em quebrar a cara de engraçadinhos que der em cima de mim.

— O fato é que eu quero voltar para Konoha com um diploma nas mãos. Quero formar minha carreira aqui na cidade. Comprar uma casa linda para gente morar. Tomar posse de líder da alcatéia. – Seus olhos brilharam. – E me casar com você e ter muitos filhos.

Só a palavra filhos, me fez lembrar do que nós fizemos no quarto agora e da gravidez de Hinata. Não podia acreditar que Sasuke estava pensado em filhos, e ele havia dito muitos. Muitos filhos. Um monte de Sakurinhas e Sasukezinhos correndo pela casa.

Ele quer muitos filhos!

— Eh... acho que vou comer meu macarrão.

Eu não tive o que contestar, muitos filhos foram demais para mim. Sasuke apenas riu baixinho, achando graça de alguma piada interna, ou do que ele acabou de dizer, voltando a comer o resto da macarronada do seu prato, e mudando o tema de nossa próxima conversa.

. . .

Sasuke foi embora faltando um pouco menos para dar as quatro da tarde, alegando que iria dar uma volta pela floresta a procura do meu celular. Nós ficamos namorando – dando amassos – no sofá e fazendo alguns projetos para as férias que iria dar início na sexta-feira, dia que aconteceria a última prova final. Eu já havia passado em todas as matérias para falar a verdade, estava despreocupada com isso. Meu passe para o terceiro ano estava praticamente em minhas mãos.

Eu dei uma arrumada na casa que estava pouco bagunçada, arrumei meu quarto que estava uma zona, arrancando aqueles lençóis sujos com vestígios de sangue e os levei para a lavanderia. Joguei tudo na máquina e a programei para fazer a lavagem e fui para cozinha arrumar a bagunça do almoço para ir preparar o jantar. Não sabia as horas exata de quando Tsunade voltaria, mas pelo horário e o céu começando a escurecer, ela já deveria estar para chegar.

Murmurando uma música qualquer enquanto fazia o jantar e a mente divagando em devaneios com Sasuke sendo o personagem principal, o som da campainha soou, ecoando pela casa.

Abaixei o fogo do ensopado de carne que eu fazia, corri para a sala imaginando quem poderia ser quando abri a porta. Fiquei surpresa com a pessoa parada ali.

— Hinata? - Nunca pensei em vê-la ali, até por que, eu havia ligado e deixado recado, mas ela não retornou. – Eu te liguei hoje mais cedo, mas você não atendia e acabei deixando um recado. Estava preocupada com você...

— Eu saí de casa.

Senti meus olhos arregalarem na proporção que suas palavras ecoavam na minha cabeça.

— O quê? Como assim?

Hinata estava abatida, seus lábios estavam pálidos e tremiam levemente. Seus olhos estavam pouco vermelhos, os cabelos bagunçados e uma mochila enorme nas costas e outra menor no chão.

— Contei para meu pai que estava grávida. – Ela começou e a puxei para dentro de casa e fechei a porta. - O Neji havia percebido que havia algo de errado comigo e me pressionou até eu contar tudo e o meu pai ouviu. Não quero entrar em detalhes, foi horrível. Peguei minhas coisas e saí.

— Minha nossa.

— Eu... – ela hesitou por um segundo, meio que acanhada. - Você disse uma vez que me ajudaria... então eu pensei que se eu pudesse ficar aqui na sua casa por um tempo... eu não tenho para aonde ir.

— Claro – disse sem pensar duas vezes -, mas é claro você pode ficar aqui.

Eu não aguentei e abracei forte, e senti que era aquilo que Hinata precisava naquele momento, pois ela havia retribuído o meu abraço, me apertando forte.

— Eu disse para você que pode contar comigo.

— A senhora Tsunade será que ela me aceitaria? – Ela perguntou, de desvencilhando do meu abraço.

Hinata parecia uma menina frágil no meio de um mundo em desastres.

— Mas claro que sim. – Sorri. - Eu contei para ela sobre sua gravidez, me desculpe por isso. Mas ela é uma adulta e pode ajudar.

— Tudo bem.

Segurei suas mãos, lhe passando conforto.

— Fique tranquila, pois eu e Tsunade vamos cuidar de você.

Hinata abriu um pequeno sorriso cansado.

— Obrigada por cuidar de mim.