Disclaimer: Naruto não me pertence.

DezaGabi: Eu adorei essa musica da Avril, nunca tinha ouvido e quando descobri fiquei ouvindo por semanas kkk Muito obrigada por todo os elogios! Fico feliz que você gostado e imensamente grata por você estar acompanhando esse meu projeto maluco. Espero que também goste desse novo capítulo! Eu sempre fui loucamente apaixonada pelo Neji, mas quando ele morreu transferi todo o meu amor para o Gaara e nunca mais consegui parar de criar cenários com o casal. Espero que você consegue escrever, quando o fizer, estarei lá dando o meu apoio também! Obrigada pelo recadinho, espero te ver mais por aqui!

Sabaku no Hana: O Kazekage passou por uns apuros não foi? kkkkkkk Obrigada por estar sempre por aqui acompanhando os meus trabalhos, sou muito muito grata! Espero que você goste desse capítulo também. Prossigo sem desistir de Castelo, não perca as esperanças kkk

Nanami: ¡Muchas gracias! Me alegra que lo haya disfrutado y espero que este capítulo también lo complazca.

Notas: Adaptei esse capítulo de uma história original que eu comecei um tempo atrás, mas nunca terminei. Essa é a parte de mim que NUNCA superou a onda de vampiros e lobisomens. Tentei fazer um Gaara diferente, menos sério e mais leve, espero que não tenha ficado muito fora do personagem. Mas afinal, esse é o objetivo do projeto, conseguir colocar no papel muitas faces dos mesmos personagens. Espero que vocês gostem e por favor, me escrevam. Mandem suas opniões e ideias, eu absolutamente amo interagir co vocês. Obrigada por tudo e bom capítulo!


Fragmentos

Capítulo III: Devaneio

- Sakura. – Ouço meu nome em um tom de voz mais do que familiar. Irritado e impaciente, duas palavras que também poderiam descrever perfeitamente a dona da voz. – É a terceira vez que chamo o seu nome, onde você estava com a cabeça?

- Eu sinto muito, mãe. O que você disse?

- Seu pai me ligou, ele precisa que eu vá buscá-lo na fazenda do Sr. Harris antes que a chuva piore. Preciso que você fique de olho na loja. – Ela diz revirando sua bolsa sem olhar para mim, só então percebo que ela já está pronta para sair com um guarda-chuva na mão e protegida por um casaco impermeável, fechado até o pescoço.

Tenho que me debruçar levemente sobre o balcão para ver melhor a enorme vidraça ao lado da porta. As letras vermelhas coladas no vidro dificultam um pouco a minha visão, mas ainda assim consigo ver o céu carregado de nuvens, cinzas o suficiente para escurecer o dia. Observo a calçada e noto um vento forte rolar, fazendo as árvores balançarem e carregar para longe folhas e qualquer lixo leve o suficiente.

- Duvido que haja algum cliente com esse clima. – Digo e ela me encara quando finalmente encontra suas chaves. – Quem seria louco o suficiente de enfrentar essa chuva por um pacote de ração?

- Sakura – Ela murmura, rola os olhos e joga seu cabelo para trás, como ela sempre faz quando sabe que eu tenho o mínimo de razão. – Tudo bem, se a chuva piorar você pode fechar tudo e subir, só não se esqueça de trancar o caixa e virar a placa.

Ela bate na placa de plástico pendurada na porta de vidro, a lado escrito "Fechado" está virado para dentro e eu aceno com a cabeça para demostrar que compreendi.

- Certo, até logo. – Ela abre a porta e uma rajada de vento serpenteia por ela, provocando um barulho característico e fazendo seu cabelo balançar.

- Tome cuidado! – Digo um pouco mais alto, mas ela sai depressa sem me dar a certeza de que realmente me ouviu.

Quando me vejo sozinha, suspiro e deixo meu corpo relaxar sobre a cadeira de rodinhas atrás do balcão. Sempre odiei ficar responsável pela loja, principalmente quando sabia que papai estava em atendimento. Desde pequena sempre preferi acompanhá-lo do que ficar presa na loja ajudando minha mãe. Ele é veterinário e foi por isso que essa também foi a carreira que escolhi para mim. Em apenas um ano estaria pronta para ingressar nesse meu sonho. Há alguns livros preparatórios para o vestibular abertos sobre o balcão a minha frente, mas a minha cabeça doí e já havia decorado a maioria dos exercícios. Levanto e estico os braços com as mãos unidas acima da cabeça, ouço meus músculos estralarem e faço uma careta desfrutando a mistura de dor e alívio que os alongamentos costumam trazer. Dou uma olhada ao redor percebendo que está bem mais escuro que antes e agora posso ouvir as primeiras gotas de chuva que começaram a cair. Olho de relance para o relógio do computador para confirmar que ainda é cedo, mas graças a tempestade parece ser bem mais tarde do que realmente é.

Nossa loja é pequena, mas minha mãe realmente tem o dom para o negócio. As prateleiras são bem distribuídas e fica fácil de diferenciar as sessões para animais domésticos e as de animais de grande porte. O balcão fica no centro, próximo aos cavaletes que expõem selas e outros acessórios de montaria, por isso, a essa altura do dia o cheiro de couro já começa a me incomodar. Nos fundos temos uma sala de atendimento, mas papai raramente a utiliza. Morar em uma cidade pequena, cercada de ranchos e fazendas faz com que a maioria dos atendimentos seja a domicilio, ou em campo, como ele insiste em dizer. E no andar de cima, a nossa casa. Simples e pequena, com apenas dois quartos, mas com o meu próprio banheiro e isso é mais do que o suficiente para me deixar completamente satisfeita.

Sento e chego a colocar a mão no mouse para checar minhas redes sociais, mas desisto ao lembrar que a qualidade da internet na loja é miserável. Não consigo evitar um pulo quando um trovão explode no céu, acompanhado de relâmpagos fortes o suficiente para iluminar a loja quase completamente. A tempestade prometida começa a cair logo em seguida, tão forte que o barulho me assusta um pouco. Sempre fui grata por River Hills ser uma cidade ensolarada na maior parte do ano, eu simplesmente odiava tempestades como essa. Saio de trás do balcão e caminho até a janela para avaliar o estrago. Não há uma única pessoa na rua, apesar de ainda haver alguns poucos carros circulando. Sei que o vento e o gelo da chuva não podem me alcançar aqui dentro, mesmo assim, esfrego minhas mãos em meus braços e forço as pontas do meu suéter ao redor da cintura para me aquecer. Me pergunto quanto tempo mais eu deveria esperar para fechar e loja e subir para me esconder no conforto do meu quarto.

Mais um trovão seguido de relâmpagos quase me faz tomar a decisão, mas sei que se a minha mãe descobrisse que fechei a loja depois de apenas cinco minutos de chuva ela me mataria. Ao invés disso, decido me servir um copo de café, grata pela ideia decisão que minha mãe teve em comprar uma cafeteira e deixá-la disponível para os clientes. Embora eu, com toda a certeza, fosse sua consumidora número um.

A cena que vejo ao me virar para a porta novamente é mais eficiente que qualquer eletrocardiograma para testar a resistência do meu coração. Há um garoto parado na porta, me olhando sem se mover. O susto me faz largar o copo e reprimir um grito. Uma porção de palavrões me vêm à mente quando o líquido se esparrama no chão e alguns realmente escapam quando o café respiga na minha calça. O garoto veste uma jaqueta jeans sobre um moletom preto e o capuz da blusa esconde seu cabelo e parte do rosto, mas quando ele percebe que me assustou remove o capuz e levanta a mão como se desculpasse. Ele está completamente encharcado e molhando-se cada vez mais a cada segundo que fica parado em frente a porta. Suspiro e desvio da poça de café para abri-la.

- O que diabos você está fazendo? – Digo assim que sei que ele pode me ouvir.

- Sinto muito, eu não queria te assustar... E não sabia se poderia entrar.

- Bem, está escrito Aberto, não está? – Minha mãe definitivamente me mataria se soubesse que usei esse tom com um potencial cliente.

- Sim, mas... – Ele gesticula para as suas próprias roupas e ergue os ombros ainda incerto se é bem-vindo ou não.

Suspiro e abro caminho para que ele possa entrar. – Espere um minuto exatamente onde você está, vou buscar uma toalha.

Ele sorri e seu sorriso perfeitamente alinhado ilumina o seu rosto e me constrange levemente porque só então, percebo sua beleza indiscutível. Apesar de encharcado seu cabelo é perceptivelmente ruivo e encaracolado, longo para cobrir seus olhos sutilmente. Seus olhos são verdes tão claros quanto sua pele coberta de sardas. Seu sorriso diminui alguns centímetros e percebo que talvez eu tenha encarado por mais tempo do que imaginei. Me reprendendo mentalmente, me virando e caminhando depressa até o andar de cima.

Quando volto para a loja, percebo que a jaqueta e o moletom se foram e tornaram-se um amontoado encharcado no chão ao lado da porta. Restou apenas uma camiseta azul e um jeans escuro, visivelmente pesado da chuva. Seu braço direito é coberto por tatuagens do punho até sob a manga da camiseta e é assim que tenho a certeza de que ele não é daqui. River Hills é pequena demais para esconder alguém tão exótico. Entrego a toalha para ele e jogo um pano de chão sobre a poça de café.

- Sinto muito por isso. Eu realmente não queria te assustar. – Ele ri enquanto esfrega a toalha no cabelo.

- Então não deveria ficar parado me encarando no escuro como um maluco total.

Eu não tinha a intenção de ser engraçada, mas por algum motivo, ele ri alto.

- Eu estava parado ali há literalmente um segundo quando você se virou. – Ele enrola a toalha ao redor dos ombros. – Meu nome é Gaara, a propósito. Gaara Sabaku.

- Sakura Haruno. – Seus olhos cintilam por um instante e constrangida, me abaixo para secar o chão com mais eficiência.

- Precisa de ajuda? – Ele se move em minha direção, mas balaço a cabeça negativamente. – Bem, Sakura, eu realmente sinto muito pelo susto e obrigado por me deixar entrar. Fui pego de surpresa por essa chuva.

- Surpresa? Estava tão escuro lá fora que parecia meia noite.

Ele ri mais uma vez.

- Bom, de onde eu venho um céu como aquele nem sempre significa chuva. Acho que as coisas são diferentes por aqui.

Ficamos em silêncio, mas nem por um segundo deixo de sentir os olhos dele sobre mim.

- Você está sozinha? – Gaara pergunta e ergo o olhar rapidamente, considerando a possibilidade de que ele pudesse ser perigoso. – Ei, calma ai!

Ele ergue as mãos do mesmo modo que fez diante da porta de vidro.

- Não estou planejando te assassinar nem nada do tipo. Apenas tentando puxar assunto. – Ele sorri torto.

- Você me diria se estivesse?

Gaara faz uma expressão confusa e eu me levanto segurando o copo plástico que estava no chão.

- Você me diria se estivesse planejando me assassinar? – Jogo o copo no cesto de lixo ao lado da cafeteira e me viro para encará-lo. – Ou algo do tipo.

Ele corresponde ao me olhar e permanecemos na mesma posição por alguns instantes, o silêncio que surge é desconfortável, mas permaneço firme e então, ao contrário do que eu esperava, o silêncio não é quebrado com outro "sinto muito" ou desculpa, ao invés disso, Gaara ri abertamente, jogando a cabeça para trás. Quando seus olhos voltam aos meus, noto o mesmo brilho de quando lhe disse o meu nome. Eles cintilam em um verde vivo, suspeito, mas não sinto medo.

- Você é interessante, Sakura Haruno.

Sua afirmação me deixa um pouco atordoada, porque eu realmente não estava esperando por isso. Cruzo meus braços e desvio meu olhar, um pouco constrangida.

- Isso foi um elogio. – Gaara explica como se fosse a coisa mais óbvia.

Mas antes que eu possa responder, o ronco familiar da caminhonete da família Haruno nos interrompe e ela surge em frente à loja com seus faróis tão altos que me obrigam a fechar os olhos levemente. Eles desaparecem quase ao mesmo tempo que o ronco some, mas minha visão demora para se acostumar e mal posso ver meus pais através do para-brisas. Ouço as portas abrirem e baterem fechando-se novamente, a caminhonete é bem conservada, mas velha o suficiente para que qualquer barulho produzido por ela soe mais alto que os demais carros. E logo em seguida, meus pais correm para dentro da loja, rindo por estarem tentando fugir da chuva. Meu pai tem esse efeito sobre a mamãe, ela fica automaticamente menos irritada e ri com mais facilidade quando ele está por perto.

Os dois estão com os cabelos úmidos e meu pai não estava tão preparado quando minha mãe, por isso sua camisa xadrez agora encontra-se consideravelmente molhada. Mamãe é a primeira a notar Gaara parado meio da loja, não que um rapaz ruivo desconhecido e com uma de suas toalhas ao redor dos ombros fosse algo difícil de notar, mas meu pai demora um segundo a mais, como era de se esperar. Apesar disso, é ele quem fala primeiro:

- Hey, olá. – Gaara retira toalha dos ombros e a descansa sobre o antebraço tatuado.

Ele estende a mão para o meu pai, sorrindo como fez comigo. – Olá, boa noite. Meu nome é Gaara Sabaku.

Meu pai aceita o aperto de mão e sorri também. – Eu sou Kizashi e esta é Mebuki.

Ainda sorrindo, Gaara acena com a cabeça para minha mãe e ela retira seu casaco e caminha pela loja para pendurá-lo na parede ao lado da cafeteira. Meu pai passa a mão pelos cabelos e a umidade faz com que eles fiquem para trás, como se ele tivesse usado gel fixador.

- Aquela moto lá fora é sua? – Papai pergunta e ele responde com um aceno de cabeça.

Eu nem se quer havia reparado em moto alguma.

- Bem, Gaara, no que podemos ajudar?

- Não, não. Eu estava apenas precisando de um abrigo para esperar a chuva passar e Sakura gentilmente abriu para mim.

Imediatamente sinto o olhar da minha mãe queimar minhas costas. Se eu não tivesse aberto com toda certeza ouviria um longo sermão sobre como devo tratar potenciais clientes com mais gentileza, mas agora, com certeza ouviria um sermão duas vezes maior sobre abrir a porta para motoqueiros misteriosos e tatuados viajando sozinhos no meio da noite.

- Ah sim. Está em River Hills de passagem? – Era obvio que minha mãe faria o tipo de pergunta que ele estava desde o começo da noite esperando ouvir de mim.

- Na realidade não, estou procurando uma pessoa. Kakashi Hatake, vocês o conhecem?

Meus pais trocam um olhar carregado de curiosidade e apreensão.

- Sim, ele é bem conhecido por todos na cidade. – É verdade, mas não em um bom sentido.

Kakashi é dono de uma das maiores propriedades da cidade. Terras com centenas de hectares com uma mansão bem no centro, todos sabem quem ele é, mas pouco se sabe sobre a sua pessoa. Ele é excêntrico e recluso, nunca participa dos eventos na cidade e raramente é visto. Ninguém sabe dizer quando ele chegou a River Hills, ou de onde vem a sua fortuna, mas de acordo com os boatos, sua família foi uma das primeiras a se estabelecer por aqui, sempre igualmente discretos e reservados.

- Posso te explicar como chegar à propriedade, mas ele não costuma aceitar visitas. – Papai explica.

- Não se preocupe, ele está me esperando.

Ele sorri, ignorando o nosso desconforto. Suspiro imaginando que tipo de negócios poderiam haver entre esses dois.


Quase uma semana depois, fico sozinha na loja mais uma vez, mas agora por muito mais tempo. Papai teve uma dificuldade enorme em convencer a minha mãe, mas depois de muita discussão, eles dois partiram para um fim de semana romântico em Fox Point e pela primeira vez, me deixaram completamente encarregada da loja. Eu estava nervosa, principalmente depois do longo discurso da minha mãe, mas ao fim do sábado, percebi o quanto poderia facilmente me acostumar com isso. Fecho a loja e sigo para o andar superior sem grandes problemas. Já passa das 22hrs quando finalmente posso me jogar o sofá, a louça lavada e o cabelo molhado pelo banho. A casa está silenciosa e iluminada pela luz da televisão. Com frio, puxo meu cobertor de lã até o queixo, encolhida sobre o sofá e coloco minha série favorita para tocar pela milésima vez.

Horas mais tarde, acordo de supetão, assustada com um barulho no andar inferior. Imediatamente vem o garoto de cabelo ruivo vem a minha mente, mas depois daquela noite, quando ele partiu em direção a mansão Hatake, não tornei a vê-lo. A televisão desligou-se sozinha, por isso tudo está assustadoramente escuro. Busco meu celular entre as almofadas do sofá e ao encontrá-lo, ouço o barulho mais uma vez, só que agora mais próximo da escada.

Assustada, levanto o mais devagar possível e tomando todo cuidado para não fazer nenhum barulho, sigo para a cozinha. Sei que há uma faca de carne no escorredor de louças e quando finalmente a alcanço, abaixo atrás do balcão e tremendo, disco os números da polícia. Mas não há tempo para completar a ligação.

A criatura pula atravessando a cozinha, em direção a lavanderia. Tenho que usar cada célula do meu ser para não gritar e cubro os lábios com a mão, mas meu celular cai no chão e o baralho parece chamar a atenção dele.

Mal consigo acreditar no que vejo. É como se fosse um cachorro quatro vezes maior que um rottweiler, as patas da frente são maiores que as de trás. A boca cheia de dentes pontiagudos, babando saliva pelo chão da cozinha. Sua respiração é pesada, selvagem e ele faz um barulho como um rosnado aterrorizante. Ele é coberto de pelos pretos, com as orelhas levantadas e os olhos vermelhos.

- O que é isso? – Murmuro para mim mesma, engolindo um soluço.

Não é um cachorro, nem um lobo. É algo bem maior e bem pior, como um monstro saído dos contos gregos do papai. Seu rosnado fica ainda mais alto e isso funciona como um alarme da minha cabeça. Desesperada, viro para o outro lado e me arrasto através da cozinha. Ele avança com tanta força que bate nos armários ao tentar me alcançar.

Grito ao me levantar, minha mente registrando rapidamente que fui burra o bastante para deixar meu celular no chão da cozinha. Ele urra enquanto avança, me seguindo conforme eu corro pelo corredor, em direção ao banheiro. Fecho a porto apenas um segundo antes de senti-lo chocando-se contra ela. As dobradiças tremem e percebo que a porta não irá aguentar por muito tempo. Olho ao meu redor desesperada. A janela do banheiro é grande o suficiente para que eu passe por ela, mas do outro lado não há nada além de uma queda de quase dez metros, ainda assim, é a minha única escolha. Sigo sem pensar duas vezes me segurando firme contra a parede, ouço a criatura bater enlouquecidamente contra a porta. Não há muito espaço, mas se eu conseguir me segurar, posso chegar até o telhado da loja.

O barulho para e só então ouço meus próprios soluços. Continuo me arrastando contra a parede em direção ao telhado. Meu corpo todo está tremendo e eu não consigo entender absolutamente nada do que está acontecendo, mesmo assim, me forço até o telhado ao lado, sem olhar para baixo. O barulho volta, mas dessa vez, vem de cima. Olho para o alto e a criatura está lá, em cima da casa, babando furiosamente e pronto para me atacada como um leão selvagem.

Grito alto, o susto me faz soltar da parede e quando percebo já estou caindo. Mal tenho tempo para reagir ou me preparar para o impacto, apenas fecho os olhos torcendo para não sentir dor. Mas nada acontece, meu corpo não encontra o chão. Ao invés disso, sinto braços ao meu redor e perco o folego quando colido contra outro corpo. Abro os olhos, e vejo a última pessoa que esperaria encontrar.

- G-Gaara. – Ele dá um sorriso, mas sem tirar os olhos da criatura no meu telhado.

- Sinto muito, Sakura, você nunca deveria ter se envolvido nisso.

- Nisso o que? O que diabos está acontecendo? O que é aquela coisa?! – De repente estamos no chão.

- Voc- Ele é interrompido por outro som, dessa vez vem de trás. – Droga.

Do meio das arvores atrás da nossa casa, ouço outro rugido como o da criatura no telhado e então vejo os mesmo olhos vermelhos, brilhando por entra a mata.

- M-Meu Deus, tem outro.

- Não se preocupe. – Gaara se move e das suas costas retira um bastão comprido. – Não vou deixar que ninguém te machuque, Sakura.

- O que? Q-Quem é o você? – Minha voz é um mero sussurro. – Por favor.. Eu...

- Preste atenção – Ele segura a minha mão, forçando-me a encara-lo, ainda que a minha visão esteja turva. – Sei que é muito coisa para assimilar, mas essas criaturas são lobisomens e farão de tudo para te matar.

- P-porque? – Mal consigo raciocinar, tudo parece uma grande loucura.

- Porque você os viu. Mas eu não vou deixar que isso aconteça. – Sua expressão é seria, muito diferente daquele dia quando nos vimos pela primeira vez. Só então percebo que ele usa uma espécie de uniforme, com muitos bolsos e protetores, mas principalmente com uma grande pistola presa a sua cintura.

- Quem... O que é você?

- Eu sou um caçador. – Seus olhos brilham, uma das mãos ao redor do bastão em posição de ataque e a outra segurando firmemente a minha. – Por favor, confie em mim.

Eu apenas aceno com a cabeça, sem ter a certeza de nada.

- Quando eu der o sinal, preciso que você corra. Corra ao redor da casa, em direção a entrada. Há um carro parado em frente a loja, entre. De a partida e não pare, Sakura. Não pare por nada!

- Para onde? E você, Gaara?

- Não se preocupe comigo. Vá até a mansão. – Por algum motivo, os animais não se movem, ficam quietos no escuro, com os olhos fixos nele, quase como se estivessem com medo, ou se preparando para atacar.

- S-São dois Você não vai conseguir.

Sua expressão muda, ele parece constrangido e ri. – Que ofensa, Sakura. Isso não é nada para mim.

As criaturas rosnam e eu agarro seu braço, assustada. Gaara fica sério mais uma vez. – Está pronta?

- Não, eu estou apavorada.

- Eu te dou a minha palavra, Sakura. – Seus olhos são suaves apenar da sua postura dizer exatamente o contrário. – Não vou deixar que nada aconteça com você.

Aceno com a cabeça mais uma vez, movida por um ímpeto dentro de mim me dizendo que devo confiar nele.

- Agora vá, corra, Sakura! – Faço exatamente o que ele diz.

Corro sentindo meu coração bater em minhas orelhas, o rosto molhado e a mãos tremendo de desespero. Não olho para trás, mesmo que cada célula de mim implore pelo contrário. Ouço sons que jamais ouvi, como o de animais liberando toda a sua selvageria. Encontro o carro, onde Gaara disse que estaria, entro, dou a partida e parto em direção a mansão Hatake sem parar um instante para pensar sobre o que estou fazendo, pois tenho certeza que se parar, vou chegar à conclusão de que estou ficando completamente louca.


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