... para a Mãe Exigente
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Mãe...
Estou escrevendo essa carta tem tanto tempo!
Mal consigo arrumar um espaço na minha agenda para almoçar com a minha própria filha. Cuidar da casa, tarefas, trabalho, amigos e tentar ser uma boa mãe não tem sido fácil e, admito, pequei em muitas coisas.
Espero que quando eu te entregar essa carta, eu tenha tido tempo para te dar todos os beijos atrasados. Se eu não tive, sinta-se abraçada, beijada e tente não ficar zangada comigo, principalmente pelo que vai ler agora, tá?
Por muitos anos, eu te chamei de chata!
Sei que não é novidade nenhuma, que já gritei isso na sua cara antes de bater a porta do quarto ou sair por aí sem falar aonde eu ia. A novidade é que eu não sabia o significado daquele "chata" e agora eu sei, ou melhor, eu não sabia o significado de "exigente" e agora eu sei.
Pedir para que eu dobrasse as roupas nas costuras não era chatice, era zelo.
Pedir que eu arrumasse a cama todos os dias quando levantasse não era chatice, era comprometimento.
Pedir que eu arrumasse o quarto quando ele estava bagunçado não era chatice, era responsabilidade.
Pedir para que eu cuidasse da casa quando você não tinha tempo não era chatice, era meu dever.
Pedir para que eu voltasse cedo para casa não era chatice, era preocupação.
Pedir para que eu tomasse cuidado nas missões não era chatice, era prevenção.
Pedir todas as coisas mais que a senhora sempre me pedia, quando na verdade eu deveria fazê-las sem que a senhora me pedisse não era chatice, era ser mãe. Era ser a minha mãe, uma mãe exigente, gentil e atenciosa.
Agora eu entendo tudo o que a senhora fazia, todas as suas broncas e toda aquela irritação por eu "apenas" ter deixado as roupas sujas jogadas pela casa ou qualquer coisa do tipo, isso porque agora eu também sou uma mãe, porque agora eu estou me esforçando para não ser chata, mas sei que hora ou outra é assim que eu vou ser vista, porque agora eu sei que toda a "ajuda" que eu dava em casa não é mais só uma "ajuda", é minha responsabilidade, quase uma obrigação subentendida.
Espero que eu saiba ser uma mãe exigente, porque sem toda aquela sua "chatice" eu estaria perdida agora.
Espero que quando for mais velha, a Sarada entenda que ser mãe é muito mais do que passar a mão na cabeça, elogiar e ser amiga. Ser mãe também é por limites, saber corrigir e ser dura quando precisa.
Espero que eu tenha tempo para falar tudo isso pessoalmente com a senhora, mãe. Imagine só: nós duas sentadas em um café, conversando, como a senhora faz com suas amigas quando pode parar um pouco de ser mãe, esposa, avó e pode se deixar ser apenas – não que a senhora não seja muito mais que isso – a Mebuki.
Eu apenas espero, porque o tempo passa sem que tenhamos controle sobre ele.
Da sua filha que era verdadeiramente chata, que agora tenta ser tão "chata" quanto a senhora, Sakura.
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Depois de ler, a mulher de cabelos loiros sorriu um tanto implicante e encarou a filha. Ambas estavam sentadas em um café, conversando, quando Sakura se lembrou da carta e resolveu que era hora de entrega-la.
— Já pode começar a falar pessoalmente...
— O que? — A de cabelos rosa arqueou a sobrancelha — Mas mãe...
— Anda, Sakura! — ela disse em tom de bronca.
— Você é tão...!
— Tão o que? Chata? — Mebuki tentou segurar as risadas, reconhecendo aquela frase que já ouviu tantas vezes outras.
— Não, você é tão exigente!
As duas riram. As duas, além de mãe e filha, estavam sendo amigas aproveitando aquela tarde juntas.
