... para a Mãe Forte
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Já era tarde da noite e, mais uma vez naquela semana, Sakura estava chegando horas mais tarde do que pretendia. Seu trabalho sempre foi puxado, mas nos últimos dias ela estava coordenando um projeto com as crianças órfãs para que não se sentissem tão mal no Dia das Mães.
A pressa fez com que a casa ficasse em caos, já que ela mal tinha tempo para cozinhar, imagine lavar a louça! Isso sem contar em todas as roupas espalhadas que não encontravam o caminho até o cesto sozinhas... também haviam papéis e relatórios em todos os cantos, mesmo que ela tentasse não levar trabalho para casa, parte de sua vida estava comprometida e entrelaçada com o hospital e com as crianças que ela atendia lá.
Ao abrir a porta, uma surpresa boa: estava tudo impecavelmente limpo e todas as coisas no lugar. Maravilhada, a de cabelos rosas entrou reparando em cada detalhe da casa:
Na sala estava uma pilha de roupas perfeitamente dobradas, roupas estas que ela havia esquecido na corda; na cozinha, uma refeição de aparência maravilhosa esperando para ser devorada enquanto que a louça estava completamente lavada e guardada.
Grata por tudo, a Haruno decidiu agradecer a filha e aproveitar ao menos as poucas horas que ainda restavam daquele dia. Ela encontrou Sarada no quarto, dormindo como um anjinho e se contentou em dar alguns beijos na filha - beijos delicados para não acorda-la - e depois ir descansar também. Quando entrou no quarto, notou um pequeno embrulho vermelho em cima de uma cartinha, ambos sobre a cama.
Como se tudo aquilo já não fosse bom o bastante, ela mal se aguentou de alegria ao ver o presente. Ela abriu o embrulho com toda delicadeza possível, encontrando dentro dele um colar de pingente em formato de flor de cerejeira, muito semelhante ao seu antigo, o qual ela experimentou na mesma hora. Com um sorriso, ela abriu a cartinha e começou a ler.
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Mamãe,
Eu queria confessar que sempre admirei a sua força!
Não estou me referindo a toda sua força física capaz de quebrar qualquer obstáculo que fique no seu caminho. Estou falando da sua força interior que te mantem sorrindo enquanto pensa em uma maneira de contornar os obstáculos para não quebrar eles.
Essa sua força interior também te faz confiar no papai, mesmo sem saber onde ele está, e continuar esperando por ele enquanto cuida sozinha de mim, sendo uma ótima mãe.
Essa sua força que faz ser gentil com todas as crianças que atende, quando na verdade você sente vontade de chorar com elas por sentir empatia e saber o que elas passam.
Essa sua força que te fez lutar para passar por tantas coisas e continuar sendo feliz e querer continuar lutando cada vez mais.
Essa sua força que faz seus olhos brilharem quando você está feliz e que faz seu sangue ferver quando você está irritada, mas que mesmo assim te mantem centrada.
Mamãe, eu já me decidi por não seguir os passos do papai, eu quero me tornar Hokage! Para isso, mamãe, eu quero ser tão forte quanto você!
Da pessoa que mais admira você no mundo todo, Sarada.
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Em uma letra diferente, no finalzinho da carta, havia um pequeno bilhete deixado por Sasuke: "Você é uma mãe forte, Sakura, como as flores de cerejeira na primavera".
Sakura acabou pegando no sono enquanto lia aquela adorável cartinha pela quinta ou sexta vez. Mesmo sendo tão forte, ela precisava recarregar as energias. Porém, depois de um breve cochilo, ela acordou em um pulo e praguejou contra si mesma por ter esquecido algo muito importante:
— Meu jantar! — ela murmurou, saindo apressada do quarto e indo para a cozinha.
