Naruto não me pertence.

Abduzido por aliens

- Bem... É... Uzumaki-san, você disse que se formou em designer, mas trabalha como mangaka... – Eu falei enquanto olhava para as poucas informações sobre o rapaz a minha frente, fornecidas por ele mesmo através das mensagens no celular.

Na realidade eu ainda estava me perguntando por que raios falei a shishou que iria conversar com ele, por que pelo pouco que ela já havia falado sobre o afilhado foi o suficiente para chama-lo de, no mínimo, excêntrico, mas nunca em milhões de anos, achei que ele seria daquela forma.

- An-han – Ele respondeu, mas parecia estar hipnotizado pelas janelas.

- Bem... – Comecei novamente tentando saber como raios iria continuar aquela conversar

Maldito loft caindo aos pedaços! Se tivesse uma câmera eu poderia ter inventado uma desculpa qualquer para fazê-lo ir embora.

Agradeço aos céus por toda a minha experiência em controlar minhas expressões faciais. Foi só assim que consegui disfarçar a surpresa, uma palavra mínima nessa situação, para quando o vi.

Seu sapato era tão velho e surrado que de branco estava com uma cor encardida, isso se algum dia ele já tivesse sido branco! A calça jeans rasgada no comprimento das pernas, mas o mais chocante não era isso, não, foi o berrante casaco jeans laranja, sim, LA-RAN-JA, que ele usava e ainda tinha um boné na cabeça, mas o mais incrível era que a única peça que parecia ligeiramente nova, embora amassada, era a camisa branca por debaixo do casaco.

- É realmente velho... - Ele disse examinando o teto

- Ah... Sim... – Respondi de forma vaga, estava ocupada revirando minha mente tentando encontrar alguma ideia de como tirá-lo dali, para nunca mais voltar!

Não adiantava mentir dizendo que tinha outra pessoa se eu afirmei pelo interfone que ainda estava vago.

- Sabia que construções assim são bem raras por essa área?! Na realidade é raro em toda a Konoha! E olhava essas janelas! Isso é tipo... UAUUU! São mesmo originais?! – Ele tinha se levantado para perto de um dos janelões e tinha expressões como de uma criança ganhando um jogo novo e jogava as mãos para o alto.

- Sim... E obrigada, eu acho, mas Uzumaki-san...

- Espere, esse é o último andar certo?!

Eu movi a cabeça em afirmação meio temerosa do que viria a seguir. Ele arregalou ainda mais os olhos.

- Tem um terraço... ? – Sua voz era baixa e recheada de excitação

Os olhos dele brilhavam mais que o meu, modéstia a parte, lustroso piso de madeira.

- Ah, temos sim.

- Posso ver?!

Não, não pode, mas sabe o que você pode?! SUMIR!

- Unh... – Foi à única coisa que respondi

Sério Sakura?!

Eu joguei a culpa no sono que se recusava a sair do meu corpo depois de mais um longo plantão. Eu havia dormido pouco e se não fosse por esse pseudo-adulto super hiperativo eu ainda estaria babando na minha cama quentinha.

Saí do apartamento e segui pelo corredor com ele no meu encalço, que por sinal parecia tão animado com tudo aquilo quanto a Ino em dias de liquidação.

Se eu acreditasse em outras vidas certamente pensaria que havia feito algo muito, mas muito ruim para merecer isso!

Eu virei à chave na porta velha e pesada de metal e abri empurrando com relativo esforço, a luz da manhã começou a nós banhar e parecia que quanto mais a porta abria mais eu podia sentir a animação dele, que passou quase voando por mim e nem se deu ao trabalho de perguntar se eu precisava de ajuda com a porta.

Eu fiquei uns segundos brigando com a maldita porta tentando retirar a chave da fechadura e quando me virei quase tive um troço.

- UHUUUUUUUUU!

O pseudo-adulto super hiperativo estava de pé, DE PÉ, no beiral de pedras.

- Ah meu Deus... - Eu sussurrei sem acreditar na imagem a minha frente - U-Uzumaki-san! Você precisa descer daí!

Mas o idiota não me ouvia! Ele pegou o celular no bolso, se eu não estivesse tentando tirá-lo de lá de cima teria reparado em como era caro.

Ele começou a tirar fotos e pelos movimentos no corpo parecia estar gravando também.

- Uzumaki-san, por favor, desça daí, é realmente perigoso!

Eu disse com a voz quase falhando de agonia enquanto me abraçava pelo vento frio que passou espalhando meu cabelo ainda úmido pelo banho de mais cedo, embora fosse um dia ensolarado por aqui sempre tinha um vento mais frio por estarmos em uma região mais afastada do centro.

Ele me olhou sorrindo e se alongou, ALONGOU, e inspirou o ar como se estivesse em um pasto verdejante e não num beiral de prédio a metros o suficiente do chão que poderia fazê-lo virar uma panqueca caso caísse.

Ele pulou na minha frente e virando-se para mim com um sorriso quilométrico disse:

- Se me passar os dados da conta ainda hoje eu faço a transferência, acho que consigo adiantar o valor do próximo mês dattebayo!

Ele se virou assobiando alguma música enquanto ia em direção à porta de metal.

- Ja ne Sakura-chan! – Ele falou de costas enquanto acenava com uma das mãos

Eu fiquei ali uns minutos sem acreditar no que acabara de acontecer e passei a mão pelo rosto enquanto procurava algum sentido naquela criatura que provavelmente algum dia já deve ter sido normal, mas que foi abduzida por um grupo de aliens e submetida a tantos testes que teve seu cérebro reduzido a-

- Espera aí... – Eu murmurei falando comigo mesma – Ele me chamou de Sakura-chan!