Naruto não me pertence.

Brilhante como ouro

- Eu – Tosse escandalosa – To bem Sakura-chan... – Fungado nojento – Seeeeeeeeeerio...

- An-ham – Eu disse de forma tedioso enquanto olhava o termômetro na minha mão

- Como imaginei você está com febre, e muita!

Ele resmungou algo incompreensível e se afundou no edredom, que tinha enrolado no corpo como uma criança de cinco anos de idade se escondendo de algum mostro inexistente. Ele recostou-se mais ainda no sofá nesse processo.

- Acho melhor mandar uma mensagem para o Kakashi-sensei... – Ele murmurou olhando algum ponto inexistente no teto e estreitando os olhos, provavelmente por conta da luz que incomodava os olhos.

Kakashi-sensei era seu editor e aparentemente agente também, sempre que tinha que resolver algo sobre trabalho recorria a ele, vez ou outra eu o ouvia falar o nome ao telefone e teve vezes dele mesmo vir aqui ameaçar o Naruto para que ele cumprisse seus prazos. Descobri que os sumiços do Naruto sempre se davam nessas épocas trancafiando-se dentro do quarto ou mesmo saia para trabalhar no estúdio. A casa ficava em um estranho estado de silêncio nesses dias, já que quietude e Naruto não são sinônimos, mas aparentemente prazos apertados tinham poder até mesmo sobre esse loiro excêntrico, mas a parte mais estranha nisso tudo era que o silêncio, dá ausência dele, me incomodava, e teve vezes em que bati na porta do seu quarto só para garantir se estava tudo bem.

Eu deveria estar ficando maluca.

- Acho que ligar é melhor, assim ele não fica dizendo que to inventando! – Ele fungou mais uma vez

Eu virei o rosto para que ele não visse o sorriso involuntário que surgiu em meus lábios.

Outra coisa que agora eu vivia fazendo, rindo a toa por causa dele!

Eu ouvi a movimentação do seu corpo e virei meu rosto para sua direção bem quando ele se levantava, ele acabou por derrubar o edredom no chão e automaticamente se abraçou como se estivesse numa nevasca no polo norte.

- Você é inacreditável sabe, está doente desse jeito e nem mesmo colocou uma camisa...

Eu me abaixei e peguei o edredom antes que ele o fizesse.

- Preciso pegar meu celular Sakura-chan! – Ele parecia exasperado

- Você precisa ir se deitar, isso sim! E por roupas melhores!

- O Kakashi-sensei vai me matar se eu não falar logo com ele! E acredite, ele pode arrombar aquela porta! – Ele disse num tom sombrio enquanto mirava a porta e se afundava novamente no edredom

Maravilha, já estava delirando.

- Onde está seu celular?! - Eu perguntei suspirando

- Unh... – Ele tinha um dos olhos fechados e fazia uma expressão estranha, como se estivesse vasculhando na mente o paradeiro do aparelho.

- Acho... Que... Na minha cama

Eu segui em direção a seu quarto.

O quarto do Naruto era mais como "o mundo no Naruto", mas ao contrário do que eu mesmo pensava, esse mundo era muito mais organizado... E não fedia como um lixão, mas também não cheira a rosas, mas sim a colônia masculina que ele usava. Como o banheiro da suíte era menor do que o da minha, isso fazia com que o espaço do quarto fosse bem maior, ao contrário do meu, que ficava subindo as escadas.

Cada parte daquele espaço parecia ser reservada para uma atividade específica e embora não estivessem necessariamente organizadas e limpas, havia coesão. O guarda roupa embutido a direita era a área de se vestir, a cama a esquerda, que estava completamente bagunçada, era a área de dormir e de frente para a janela monstruosa em arco estava a área de trabalhar que era uma mistura de aparelhos eletrônicos, caríssimos diga de passagem, papeis, lápis e canetas coloridos, poucos livros e vários mangas abarrotavam a estante de metal vazado ao lado da cama no fundo do quarto.

Fiz uma careta engraçada enquanto me perguntava se era daquela forma que o cérebro dele funcionava.

Comecei a tatear sua cama procurando o celular e à medida que eu ia afastando as cobertas o cheiro do Naruto ficava mais forte, uma mistura de colônia com seu odor característico, algo agridoce. Alguns de seus fios loiros que caíram enquanto se remexia no tempo deitado se agarraram a minha mão e de súbito me veio o desejo de sentir a textura do seu cabelo e me lembrei de uns dias atrás em que o vi trabalhando no terraço, ele estava abaixado com um pincel na mão, tinta na bochecha e aquele cabelo loiro dançava a brisa suave e brilhavam como ouro pelos raios de sol da tarde.

- Acho que está debaixo do travesseiro!

Eu movi a mão freneticamente como uma criança tentando aparentar um trabalho esforçado enquanto foi pega fazendo algo errado. Eu virei mais ainda o rosto na esperança de esconder o rubor das minhas faces e ele entrou no meu campo de visão, roçando o braço esticado no meu e pós a mão debaixo do travesseiro.

- Encontrei!

Ele se virou e tão súbito quanto entrará no quarto ele saiu e minutos depois ouvi sua voz, naquele falso tom profissional, mas dramaticamente resignado enquanto dizia a Kakashi-sensei que precisaria de mais prazo.