Naruto não me pertence.

Ótimos filhos

Eu não tinha a menor ideia do motivo, mas já fazia alguns dias em que o Naruto estava taciturno, de início eu pensara que era pelo trabalho, que aquele silêncio que tomava a casa era por que ele estava concentrado em terminar mais algum daqueles prazos doidos do Kakashi-sensei, porém quando eu perguntei como ia o trabalho ele disse que já havia enviado no dia anterior e estava esperando para saber se precisaria de correção.

Aquilo em parte me espantou por que em todas as vezes que Naruto terminava algum prazo ele comemorava se entupindo de ramen deixando a casa com aquele cheiro odioso e depois corria para o terraço como uma criança sendo liberta depois de oras enclausurada na escola.

Mas ele estava calmo, conversava normal, respondia a todas minhas perguntas, respondia um foi mal quando eu reclamava de alguma coisa no lugar do sorriso amarelo e tentativas de me agradar e não fazia questão sobre o que comeríamos no jantar e no lugar de estar lá fora queimando mais ainda sua pele bronzeada em inúmeros trabalhos manuais ele se enfiava no quarto e rabiscava algo na sua mesa com fones no ouvido.

Eu tomei mais um gole do meu suco natural de laranja e pus a garrafa vazia numa sacola debaixo da pia junto com mais outra garrafa igualmente vazia, Naruto havia me pedido para juntar, algo sobre um projeto que, nas palavras dele, me deixaria de queixo caído.

Eu olhei para o relógio mais uma vez, eu havia tido a ideia mais cedo quando abri a geladeira e num impulso decidi por em prática assim que ouvisse qualquer movimentação no quarto dele, então estava olhando fixamente para a brecha da porta a pelo menos meia hora, mas estava começando a querer dar com o pé para trás por que parecia uma daquelas ideias malucas que só ele teria, mas sabe, até que não era tão ruim assim pensar como ele.

Ser impulsivo, quando necessário obviamente, é algo bom e até me fazia sentir mais leve.

Então eu ouvi um barulho suave que pensei que poderia estar vindo da rua, mas ao me aproximar mais do quarto dele percebi que era de lá que vinha o som. Eu marchei para lá antes de perder totalmente a coragem e bati na porta.

- Naruto, posso entrar? – Eu já estava nervosa

- Sim

Eu abri a porta e me deparei com um Naruto ainda jogado na cama. Ele usava um moletom cinza e uma das suas inúmeras bermudas laranja, a TV estava ligada em algum canal sobre games.

- Ohayo Sakura-chan! – Ele falou com um sorriso e a cara completamente amassada, estava com o celular em mãos.

- Ohayo! – Eu sorri de volta encostando a porta do quarto dele

Eu fiquei ali parada olhando para ele tentando formular uma desculpa ou algo que fosse bom o suficiente para o convencer a sair comigo até o mercado, mas eu simplesmente não consegui. Ele me olhou e ergueu suas sobrancelhas

- Sakura-chan...?

Pensei Sakura, pense!

Ele piscou e parecia que iria se levantar.

- Voc-

- Precisamos fazer compras! Venha comigo!

Céus, eu poderia ter dito mil coisas, mas só isso saiu da minha cabeça, mas talvez fosse por que no final das contas eu só queria uma desculpa para sairmos, de alguma forma achei que outros ares poderia ser bom, embora francamente, era um mercado que eu estava falando, mas eu lembrava que perto de lá havia um parque com um ótimo café. Eu esperava que isso não fosse interpretado de forma estranha por ele.

Ele sorriu como se achasse graça daquilo.

- Sakura-chan, não precisa fazer tanta cerimonia por algo tão bobo assim!

E embora ele continuasse sorrindo seu olhar assumiu um aspecto vago e eu quis desesperadamente saber o que se passava por seus pensamentos. Mas antes que eu abrisse a boca ele disse que iria tomar um banho rápido, eu fiz que sim com a cabeça e saí e quando tive a certeza de que ele não poderia me ouvir eu suspirei sonoramente.

- Droga Sakura! Droga!

- A aparência é boa... – Eu disse analisando a carne do açougue

- Você quer fazer algo em específico? – Os olhos do Naruto varreram por cada pedaço de carne, parecia deliciado e imaginando as centenas de pratos diferentes que poderia por no estômago.

- Pensei em fazermos um churrasco, com alguns acompanhamentos – Ele me olhou como se não acreditasse no que eu dizia

- Mas não sei ao certo qual carne seria a melhor

Ele ainda me olhava incrédulo.

- O que?! Você sabe que sei cozinhar

Ele deu um risinho.

- Ah sim, você faz uma água fervida de ótima qualidade Sakura-chan!

Eu o olhei pasma e percebi que uma senhora que estava ao lado dele nos mirava de canto

- Não fale besteiras! Quando ficou doente quem foi que cozinhou para você em?!

Ele parecia estar se divertindo com minha reação.

- Sakura-chan, faz quase um ano que moro com você e posso contar nos dedos às vezes que te vi cozinhar!

- Como se VOCÊ cozinhasse

- Eu não cozinho por que não sei, e nem tento porque se eu queimar uma de suas panelas você vai me cozinhar vivo!

E eu cozinharia mesmo.

- Mas ao menos eu estaria cozinhando... – Eu falei de forma irônica

Ele gargalhou e eu percebi o quanto eu sentia falta daquele som que era capaz de preencher não apenas todo o ambiente, mas também o meu coração.

Corei diante desse pensamento, eu estava pensando besteiras de mais ultimamente, e fingi estar a avaliar a qualidade da carne.

Quando finalmente já estávamos na fila Naruto pediu que a senhora, a mesma que nos fitava de esguelha passasse na nossa frente. Ela sorriu educadamente.

- Are, are, acho que posso contar nos dedos às vezes que vi casais como vocês...

Naruto que estava fuçando a sacola atrás de um iogurte virou a cabeça para ela como um relâmpago e eu fiquei corada e petrificada de mais para falar qualquer coisa.

- Continuem assim, estão no caminho certo! Tenho certeza que terão ótimos filhos!