Naruto não me pertence.

Churrasco

- Eu ganhei um prêmio – Ele disse recostando-se na cadeira estilo praia que havia trazido sabe-se lá de onde

Eu o olhei surpresa.

- Jura?! Que incrível! – Eu falei sorrindo – Quando recebeu a notícia?!

Ele olhava fixamente para as estrelas.

- Faz uns dias...

Eu verifiquei se a fatia de carne estava assada. Desde mais cedo no supermercado o humor do Naruto oscilava entre sua animação típica e o silêncio melancólico, isso de certa forma me deixava mais animada, já que meus esforços não foram tão em vão.

- Foi o prêmio Kage

Eu engasguei.

- Você tá falando de O prêmio KAGE?!

Eu o encarei atônita.

- Un...

Um dos prêmios literário de maior sucesso, se não o maior, do nosso país era o premio Kage, todos queriam receber, eu mesma já sonhei um dia, mas havia deixado mais de lado a área de pesquisas e decidi me dedicar à prática. Era quase como um Pulitzer, sendo que abrangia as mais diversas áreas, das ciências médicas a música.

- Mangá?

- Un

Claro Sakura, física é que não poderia ser!

Ele ainda estava olhando fixamente as estrelas no céu, imóvel e me pareceu estar mais para triste com isso do que feliz.

- Então... Por que você está tão triste?

Ele suspirou forte enquanto sentava-se e esticou o braço para pegar um dos espetos com marshmallow. Segundo ele não se pode faltar marshmallow em um churrasco. Recordei da expressão alegre que ele tinha ao falar aquilo mais cedo agarrando três pacotes com os braços, completamente oposta a de agora. O terraço estava quase em completo escuro, exceto pelas fracas luzes acima da porta e o clarão pela fogueira improvisada por ele mais cedo.

O clarão das chamas dançava em seu rosto, dando um brilho diferente a seus olhos que eram tão azuis quanto o mar, a barba ainda não feita estava baixa, mas marcava seu rosto jovial dando-o uma distinção mais máscula.

- Eu quis ganhar esse prêmio desde que soube o que ele significava, mas na época eu não tinha direção – Ele fez uma rápida careta examinando o marshmallow - mas eu sabia que o queria.

- Passei a morar com meu padrinho nessa época, que me apoiou continuamente pelos anos, me tronei mangaka, embora eu fosse horrível no início – Ele riu – Mas nunca desisti e mesmo quando me sentia cansado ele me animava, a seu jeito – Ele ergueu as sobrancelhas de forma irônica e cômica.

- Eu sabia que ele acreditava tanto quanto eu que conseguiria esse prêmio. Mas ele morreu – Ele falou de forma tão direta que foi como se essa informação não tivesse o peso que de fato tinha.

Eu engoli em seco pensando que mesmo que uma pessoa possa rir muito ela não está livre de sofrimentos.

- Quando eu recebi a notícia foi como se tudo voltasse, de uma vez só, a minha mente. Passei tanto tempo querendo algo... E quando finalmente chegou aquele pervertido não está aqui para eu dizer... – Seus olhos assumiram um tom pesaroso, sombrio, mas embora aquilo doesse ele não derramou nenhuma lágrima.

- Agora não me parece ser grande coisa afinal... – Sua voz era baixa e mais rouca do que o normal.

Um silêncio se estabeleceu que durou alguns minutos e eu o olhava atentamente, inerte, mas consciente de que algo se agitava dentro de mim.

- Acho que não tenho sido uma boa companhia esses dias! – Ele deu um sorriso amarelo ainda olhando para a fogueira

- Você pode me contar... – Eu disse baixo, sem pensar, de uma única vez, quase cortando o ar, olhando-o fixamente, com meu rosto apoiado em umas das mãos.

Ele virou-se para mim olhando-me de volta.

– Qualquer coisa... – Sussurrei

E naquele momento eu senti que poderia me lançar sobre ele, poderia afundar minhas mãos em seu cabelo dourado como o sol, poderia sentir a textura da sua pele bronzeada, que estava tudo bem em me perder na imensidão de seus olhos oceânicos.

Seu rosto assumiu uma expressão profunda, como se fosse engolindo pouco a pouco tudo a sua volta, como se pudesse ler a minha mente, como se quisesse exatamente a mesma coisa que eu queria...

Mas ele não se mexeu um centímetro se quer, nem eu.