– Ninguém... acho que esse porta-retratos entrou aqui por acaso... – Ele disse e então sorriu – Deixe comigo essas coisas, podem ir para a cozinha comer, eu limpo o resto.

Eu e Hermione nos olhamos rapidamente, mas concordamos, indo para a cozinha logo em seguida.

– Estranho... – Eu disse, me apoiando em uma das cadeiras que estavam ali.

– Eu também achei... Você viu a cara dele?

Eu só concordei com a cabeça rapidamente, pois Molly estava entrando na cozinha.

Conforme os dias foram passando eu pude quebrar o gelo com Harry, ele finalmente foi inocentado das acusações de uso indevido de magia, o que o deixou muito mais tranquilo e de bom humor já que eram constantes os ataques de raiva que ele andava tendo com Ron e Hermione. Aliás, eles foram nomeados monitores e ganharam belos distintivos, que Fred e George já arranjaram um jeito de esconder de Ron só para deixa-lo nervoso.

Confesso que até achei engraçado, mas definitivamente eu não gostava nem um pouco das brincadeiras dos gêmeos, as pegadinhas que eles pregavam em Gina e Hermione eram completamente imaturas! Eu não os aguentaria por muito tempo.

No dia em que voltaríamos a Hogwarts, acabei por acordar tarde e então fui uma das últimas a ter a mala pronta, ainda estava arrumando-a quando escutei Fred.

– E aí, Chris... – Ele tinha entrado no quarto para chamar Gina, pois a senhora Weasley queria a sua ajuda para empacotar os lanches que ela havia feito para levarmos para a viagem de volta a Hogwarts.

– Oi Fred – Cumprimentei-o sem desviar meu olhar das poucas roupas que eu ainda não tinha botado na mala.

– Não é o Fred, é o George – Ele disse, aparecendo logo em seguida na minha frente.

Ele estava com aquele sorrisinho maroto que os gêmeos insistiam em deixar no rosto o tempo inteiro, por isso sempre parecia que estavam aprontando algo.

– Não tente me enganar Fred, eu sei que é você.

– Como você sabe?! – Eu pude notar um tom de indignação na voz dele, sorri internamente por isso, era maravilhoso acabar com as brincadeiras dele.

– Sabendo oras! - Terminei de arrumar a minha mala e a fechei, empurrando-a logo em seguida para Fred – Já que você é o homem aqui, se importaria de levar a minha mala para baixo? – Sorri sincera para ele, que retribuiu pegando a mala com uma das mãos.

– É claro que eu levo senhorita. – Ele enfatizou a "senhorita", talvez ele achasse que era uma forma de me irritar.

Não me demorei a descer, já estavam todos lá embaixo. Harry acabou indo acompanhado de Tonks, Molly e Sirius para Kings Cross (a casa de Sirius era apenas vinte minutos de distância da estação de trem). Como Sirius tinha sua forma animaga para acompanha-lo a senhora Weasley acabou deixando-o ir, mas deixando claro que seria por conta e risco dele.

Acabou que eu, Ron e Hermione fomos juntos com o senhor Weasley e Fred, George e Gina com Lupin, que apareceu um pouco atrasado na sede, mas felizmente chegamos a tempo de embarcar no trem.

Já que eram monitores, Ron e Hermione não sentaram conosco na cabine, que, aliás, foi difícil de achar, pois todas já estavam cheias e acabamos nos conformando em dividir a cabine com Neville e Luna.

Conversamos durante toda a viagem, pude perceber Harry alheio a alguns assuntos, mas não tentei inclui-lo na conversa de Luna, pois sabia que ele queria ficar sozinho com seus pensamentos.

– Acho que já podemos nos trocar não é mesmo? – Gina falou quando começava a escurecer.

Concordamos e eu, Gina e Luna seguimos para o banheiro com as nossas respectivas vestes nas mãos, nos trocamos e então voltamos para a cabine. Não demorou mais de trinta minutos para que chegássemos em Hogsmeade. Dividi a carruagem com Neville e Gina, Luna acabou ficando para trás, assim como Harry, Ron e Hermione e então combinamos de nos encontrar no castelo.

Chegando ao Salão Principal, sentamo-nos na mesa da Grifinória a fim de ouvir o discurso de Dumbledore, porém ele foi interrompido por uma mulher que eu nunca tinha visto na vida. Uma senhora chamada Dolores Umbridge que não teve a delicadeza de esperar a sua hora de falar, foi logo cortando Dumbledore para dizer asneiras. O discurso dela foi realmente estranho! A mulher seria a nova professora de Defesa Contra as Artes das Trevas e pelo discurso parecia que não iriamos ser muito felizes com ela em sala de aula.

Percebi que Harry ficou especialmente incomodado com a presença da professora, mas quem não ficaria? As aulas da minha matéria preferida seriam quase impossíveis de aguentar este ano.

Após o jantar, me limitei a ficar no salão comunal, estava cansada e queria me preparar para o primeiro dia de aula. Hermione veio comigo, já que não havia ninguém no dormitório pudemos conversar por um bom tempo antes de dormimos.

No dia seguinte, quando eu e Hermione já estávamos prontas e esperávamos os meninos no salão comunal, vimos um cartaz pregado no quadro de avisos:

GALEÕES DE GALEÕES!

Sua mesada não está acompanhando suas saídas?

Procure Fred e George Weasley, sala comunal da Grifinória,

Para trabalhos simples, meio expediente e indolores.

(Todo o trabalho será realizado por conta e risco do candidato)

Os meninos chegaram bem na hora que Hermione iria começar a ter um surto psicótico.

– Eles são o fim! – Hermione gritou, arrancando o cartaz com tanta força que acabou arrancando o qual dizia a data da primeira ida a Hogsmeade em outubro. – Vamos ter que falar com eles, Ron.

Ron pareceu não ter ouvido, mas quando se deu conta do que era, aparentou estar decididamente assustado.

– Mas por quê?!

– Porque somos monitores, oras! É nossa obrigação acabar com esse tipo de coisa. – Ela disse enquanto atravessávamos o quadro da Mulher Gorda.

Ron não disse mais nada, a ideia de acabar com o trabalho dos irmãos não lhe parecia muito convidativa. Eu até entendia Ron, por mais que eu seja filha única como Hermione, eu conseguia imaginar como poderia ser difícil enfrentar irmãos mais velhos.

Já no salão principal, nos acomodamos e começamos a comer. Sentia falta da comida de Hogwarts, os elfos cozinhavam muito bem e acredito que será a coisa que eu mais sentirei falta quando tudo isso acabar.

Logo, a professora Mcgonagall apareceu com os nossos horários do ano.

– Merlin! Olhem só o que temos para hoje! – gemeu Ron.

– História da Magia, dois tempos de Poções, Adivinhação, e dois tempos de Defesa Contra as Artes das Trevas – Eu disse, apoiando minha cabeça sob a minha mão e dando um longo suspiro.

– Gostaria que Fred e George trabalhassem mais nesse Kit Mata-aulas... – Ron falou.

– Opa... – Ouvi Fred – Acho que ouvi meu nome.

– E o meu também – Completou George.

Os dois se sentaram entre Harry e Ron, ficando assim os dois de frente para mim e Hermione. O olhar de Fred pousou sobre o meu durante alguns segundos e eu fiz questão de não desviar em nenhum momento, ele desviou primeiro. Ganhei.

– Com certeza os monitores de Hogwarts não gostariam de matar aulas! – Exclamou George, me fazendo acordar para vida e parar de prestar atenção no gêmeo.

– Olha só! – Ron passou o horário para Fred que o analisou, fazendo uma careta logo em seguida.

George fez o mesmo com o horário que Harry o entregou.

– É um argumento realmente válido Roniquinho... – Disse Fred – Poderia te oferecer um Nugá Sangra-Nariz bem baratinho...

– Por que bem baratinho? – Perguntou Ron, desconfiado.

– Porque você vai murchar de tanto sangrar... – Começou Fred.

– Ainda não temos um antídoto – Completou George.

– Ah é! Falando em seus Kits Mata-Aulas... – Falou Hermione de repente – Vocês não irão poder contratar alunos para serem suas cobaias nesses seus experimentos.

– Ué! Quem disse? – George perguntou.

– Eu estou dizendo! – Ela exclamou – E o Ron também acha isso!

– Quê? Eu? Eu não disse nada!

Hermione o encarou com um olhar de puro ódio, mas digamos que Ron foi salvo de levar um esporro, eu a puxei para irmos para nossa primeira aula do dia, que seria História da Magia.

Odiava essa matéria, Bins fazia todos os temas que ele dava nas aulas serem totalmente entediantes! Um fantasma dando aula não é lá tão estimulante.

Na aula de Snape, fiz dupla com Hermione e consegui completar a minha poção sem nenhum erro, estava realmente perfeita, mas é claro que Snape era bom demais para elogiar minha poção, só disse que estava "até que boa para uma Grifinória".

– Agora eu quero que coloquem uma amostra das suas poções no vidro que está ao lado de seus caldeirões e me entreguem antes do fim desta aula. – Ele disse quando já estava bem no final do período.

Me enrolei para botar o líquido no vidro e quando percebi, todos já haviam saído, até Hermione que disse que me encontraria no salão principal.

– Desculpe a demora professor – Eu disse, lhe entregando logo em seguida a minha amostra.

– Sua poção estava perfeita Vanderline, vou conceder cinco pontos para a Grifinória. – Eu sorri de orelha a orelha, Snape nunca foi gentil comigo, na verdade nunca foi gentil com nenhum grifinório. – Mas se eu descobrir que a senhorita contou para alguém dessa nossa conversa, eu tiro vinte.

Ele disse tudo aquilo sem nem olhar na minha cara, eu não me importei, nunca pensei que Snape seria o professor que inflaria meu ego agora no quinto ano. Eu o agradeci e saí de lá quase saltitando.

O almoço passou voando, assim como a aula de Adivinhação. Eu quase caia no sono na aula de Trelawney, particularmente preferia estudar sozinha essa matéria porque quando tentava me concentrar na professora, eu acabava sempre me confundindo.

– Meu Deus, Mione, eu não sei como eu vou aguentar as aulas dela durante esse ano... – Eu falei quando já estávamos saindo da sala de Sibila, partindo para a aula de DCAT.

– Nem eu! Quem é que passa como dever de casa um diário de sonhos? Eu nunca lembro o que eu sonhei quando eu acordo. – Hermione definitivamente não gostava das aulas de adivinhação e isso não era de hoje, desde a primeira vez que tivemos aula com ela no terceiro ano já foi evidente que Hermione pensava que era perda de tempo.

Agora finalmente a aula que eu tanto esperei nas férias estaria para começar. Infelizmente, eu tinha certeza que teria uma grande decepção com Umbridge após aquele discurso nada convidativo, eu já tinha perdido a fé nessa professora.

Quando já havíamos nos acomodado nas nossas respectivas carteiras, a professora entrou na sala e todos ficaram em silêncio, só se podia escutar o som de seu salto batendo no piso de mármore. Ela agitou a varinha, começou a escrever algumas coisas no quadro e logo iniciou a sua fala.

A vozinha dela era estridente, sua roupa era muito parecida com a que ela estava usando ontem no jantar: um conjunto de cashmere com uma saia rosa bebê. Umbridge era uma mulher baixa, corpulenta, que tinha bochechas muito rosadas e um sorriso meigo no rosto a todo momento.

– Guardem as varinhas – Ela disse quando percebeu que vários alunos estavam com a varinha em mãos –, não iremos usar magia na minha aula.

Exclamei um protesto, assim como todos os alunos. O que ela pensava que era aula de DCAT? Teoria? Ah, faça-me o favor e tire essa mulher de Hogwarts!

Hermione tentou protestar falando diretamente com a professora, mas não conseguiu, a mulher era realmente uma megera, não aceitaria nossa opinião nunca. Até que, pela primeira vez na aula, escutei a voz de Harry.

– Então quer dizer, que não devemos nos preparar para o que tem lá fora? Não tem como aprender somente na teoria! – Ele exclamou com sua mão erguida no ar.

– Não tem nada lá fora senhor Potter! – Ela exclamou em resposta, suas bochechas estavam começando a ficar mais vermelhas do que naturalmente já eram. – Quem é que você acha que vai querer atacar criancinhas?

– Ah, não sei... – Eu conseguia notar a raiva em sua voz, ele estava atrás de mim, mas pude senti-lo se levantando – Talvez... Lord Voldemort?

Ouvi alguns gritinhos e alguns suspiros vindo de outros alunos, mas pude notar que a professora tinha em seu rosto uma expressão sinistra de satisfação. A sala se aprofundou em um completo silêncio, Umbridge só o encarava, sem nem piscar.

– Fiquei sabendo, que há um boato, de que certo senhor das trevas retornou para o mundo bruxo, - Ela começou extremamente calma – e que ele teria sido a causa da morte de Cedrico Diggory, mas tenho de falar que o que aconteceu com esse rapaz foi um trágico acidente.

Talvez fosse o rumo que a conversa tinha tomado, ou talvez fosse o tanto de besteiras que essa mulher disse que me fez exaltar, mas não pude ficar quieta.

– A senhora está querendo me dizer que Cedrico Diggory morreu porque quis?

As pessoas me olharam com certo espanto, pois não era do tipo que falava muito, na verdade desde o primeiro ano essa tinha sido umas das pouquíssimas vezes que me manifestei em aula.