– Senhorita... ?

– Christine Vanderline.

– Senhorita Vanderline, creio que não saiba o que realmente...

– Foi assassinato! Eu estava lá, eu vi! – Harry exclamou batendo o punho na mesa. Sabia que agora seria o fim para ele.

– Potter, menos dez pontos para a Grifinória! – Ela gritou, realmente tinha perdido a calma, mas aquela expressão de satisfação ainda estava lá, talvez ela só não sorrisse porque seria muita ironia – Venha cá!

Harry não hesitou em ir até lá, ele saiu da sala logo em seguida, e eu sabia que ele tinha ganhado uma detenção, era o que ela mais queria desde que entrou na sala.

– Que mulher insuportável! – Exclamou Hermione, quando já estávamos a caminho do salão principal.

– Realmente, o que ela fez com o Harry foi injusto, eu a respondi também e ela não me deu uma detenção...

– Isso só prova que ela estava perseguindo o Harry – Disse Ron.

– Aposto que ela está com raiva só porque o Harry foi inocentado daquelas acusações! – Ela jogou os livros com força na mesa do salão principal e se sentou.

Olhei-a sem entender.

–Chris, ela estava no julgamento do Harry, e ainda votou contra ele voltar para Hogwarts.

Agora eu entendia o porquê da raiva de Harry.

Ele chegou logo em seguida, mas evitou comentar sobre o assunto, e eu e Hermione então seguimos, depois de jantarmos, para o salão comunal, começar a fazer as tarefas que Binns e Snape haviam pedido.

Quando estávamos completando a atividade pedida por Snape, Harry, Ron, Fred e George chegaram ao salão, os dois últimos acompanhados de uma trupe de alunos do primeiro ano.

Harry e Ron se juntaram a nós, e eu estava ajudando Ron quando vi uma cena que eu sabia que não iria agradar nada Hermione.

Fred, George e agora Lino, estavam entregando para os alunos, pequenas balas coloridas, elas por sua vez comeram com muito gosto e de repente, sem nenhum aviso, desmaiaram. Algumas caíram diretamente no chão, outras deslizaram pelo braço da poltrona, com as línguas penduradas para fora.

Foi o limite para Hermione.

Ela marchou até eles e com um cutucão em George, exclamou:

– Já chega!

– É... Eu achei essa dosagem forte demais – Disse George.

– Eu disse hoje de manhã que eu não iria deixar vocês testarem essas porcarias nos alunos!

– Nós estamos pagando a eles! – Respondeu Fred, indignado.

– Não me interessa, isso pode ser perigoso!

– Bobagem... – Murmurou George que agora apanhava uma prancheta que estava em cima de uma mesinha próxima dali.

Ele começou a anotar algumas coisas, talvez o efeito que o doce havia causado.

– Calma aí Hermione, eles estão bem! – Disse Lino, que agora enfiava na boca de cada calouro um doce roxo.

De fato, alguns dos alunos estavam voltando a si, vários deles pareciam tão chocados de terem acordados no chão que eu tive a completa certeza de que Fred e George não tinham explicado o efeito dos doces.

– Não me importa! – Ela gritou – E se tivessem deixado eles realmente doentes?!

– Eles não vão ficar doentes, testamos o doce em nós mesmos, queríamos ver a reação em outras pessoas!

– Escuta aqui, se vocês não pararem, eu...

– Vai nos dar uma detenção? – Debochou Fred.

– Mandar a gente escrever frases? – Caçoou George.

– Não! – Eu pude ver a raiva que Hermione estava sentindo, suas bochechas estavam atingindo um tom rubro – Eu irei escrever para a mãe de vocês.

– Você não faria isso! – Exclamou Fred, sorri ao perceber que ele havia agora, finalmente se rendido.

– Ah, faria sim... Só esperem para ver.

E nisso, Hermione voltou marchando para a nossa mesa, onde Ron nem tentava a olhar nos olhos, sabia que ela estava braba, ele nem a defendeu dos irmãos.

– Muito obrigado pelo apoio Ron – Hermione disse, recolhendo suas coisas da mesa e logo em seguida subindo para o dormitório.

(...)

– Você realmente acha que é uma boa ideia? – Uma voz masculina perguntou.

– Mas é claro! É para o bem do Lord, não é mesmo? – Uma segunda voz disse.

– Não sei não ein... – Disse o terceiro, que detinha um tom de medo na fala.

Me vi amarrada em uma cadeira, junto a alguém que eu não conseguia identificar, afinal, essa pessoa estava amarrada atrás de mim.

Tentei sair dali, mas não consegui, o que chamou a atenção de uma das pessoas que estavam presentes.

– Ei! Não se mexa! – Identifiquei aquela voz como sendo de uma mulher. – Crucio!

Senti como se mil agulhas atravessassem meu corpo, tentei gritar, mas estava amordaçada, só conseguia emitir alguns sons abafados.

O outro que estava ali ao lado da mulher que eu não conseguia enxergar o rosto – por conta da dor, mas também por conta de o lugar estar muito escuro –, começou a torturar o homem que estava atrás de mim, percebi que ele também estava amordaçado, pois não escutei nenhum grito, somente gemidos.

Acordei como se realmente tivesse sido torturada, minha cabeça latejava e eu estava toda molhada de suor, olhei ao redor e vi Hermione acordada, ela me olhava de modo preocupado.

– Outro pesadelo? – Ela perguntou, se levantando da cama em que estava e indo sentar-se na beira da minha.

Apenas concordei, pois ainda estava confusa e minha dor na cabeça não estava me ajudando a pensar.

– Christine, você precisa falar com Dumbledore! – Ela exclamou.

Já não era a primeira vez que eu tinha um pesadelo desses, era igual em todas às vezes e eu sempre acordava desse jeito, totalmente encharcada e morrendo de dores na cabeça.

Da última vez, havia prometido para Hermione que se acontecesse novamente eu iria procurar Dumbledore, e não havia outro jeito, se eu não fosse por bem, Hermione me faria ir por mal.

– Está bem Hermione! Mas eu irei amanhã, preciso descansar...

Ela me interrompeu:

– Não! Você vai agora, não quero nem saber! – Ela se levantou e pegou meu hobby que estava por cima de uma poltrona. – Ponha isso agora e vá!

Ela parecia minha mãe às vezes, não tive outra escolha, me levantei e bufei, botando o hobby logo em seguida e saindo do quarto.

Enquanto eu andava, os quadros reclamavam por causa da luz que irradiava da minha varinha, mas como eu poderia apaga-la? Não iria enxergar nada!

Quando eu estava chegando perto das gárgulas mal feitas que abriam caminho para o escritório de Dumbledore, me lembrei de um detalhe: Eu não sabia a senha.

Xinguei baixinho vários nomes e então, quando estava voltando para o salão comunal, trombei com Filch, que estava com um sorrisinho no rosto.

Puta que pariu Hermione, muito obrigada!

– Oi... – Eu disse, seguido de um sorriso sem graça.

– O que é que você está fazendo aqui, perambulando pelos corredores as três horas da madrugada?

Eu definitivamente não gostava de Filch, ele tinha essa maldita mania de se achar superior aos alunos, preferiria levar uma bronca de Snape a de Filch.

– Eu precisava conversar com Dumbledore sobre...

– Não me importa garota! – Ele começou – Pois fique sabendo que a professora Umbridge saberá disso, agora!

Aquele sorrisinho dele só aumentou, assim como a minha raiva.

– Não seria imprudente acordar a professora a essa hora, só para lhe falar de uma aluna que estava andando pelos corredores?

Ele parou por um instante, aquela cabecinha parecia funcionar muito lentamente.

– Irei falar pela manhã, e não se preocupe que não irei esquecer – Ele disse a última parte quando me viu abrir a boca para interrompê-lo.

Bufei de raiva, Umbridge? Quem tinha que saber era a Mcgonagall, afinal, ela que era a diretora da Grifinória.

Sai dali esbarrando no ombro de Filch propositalmente.

Não dormi nada a noite inteira, minha cabeça latejava ainda e eu não estava nem um pouco disposta para assistir a uma aula de Herbologia.

(...)

– Deixe-me ver a sua mão Harry – Hermione pediu, assim que Harry sentou-se na mesa do salão principal.

Ele lhe mostrou a mão que estava sob a mesa.

– Não Harry, a outra.

Ele então mostrou a mão que ainda tinha um corte meio profundo das noites em que passara nas mãos de Umbridge.

– Ainda não cicatrizou! – Ela exclamou.

– Você tem que falar com Dumbledore Harry... – Eu disse.

– Eu não vou falar com Dumbledore, esqueçam!

– Mas...

– Hermione, deixa ele quieto – Interrompeu-a Ron, com aquele olhar de quem diz: Ele vai ter outro ataque de raiva.

Naquele momento, pude ouvir Fred me chamando perto da porta do salão principal, ele andava em direção a nossa mesa e eu só o acompanhei com o olhar.

– Umbridge quer falar com você – Ele sorriu, aquele maldito sorrisinho maroto.

Lancei um olhar mortífero para Hermione, afinal, a culpa foi dela. Ela apenas desviou o olhar para Ron, que pude escutar perguntando o que havia acontecido quando já estava longe da mesa.

– Olhe só... – Ouvi Fred, ele estava andando atrás de mim e eu nem percebi.

– O que foi Fred? – Perguntei sem nem olhar para trás.

– Não entendo como é que você sabe que sou eu... Mas, bem, gostaria de saber o que a senhorita aprontou.

– Filch me viu perambulando pelos corredores de madrugada. – Enfatizei o "perambulando" e fiz uma careta.

Fred riu.

– Que sacanagem ein – Ele murmurou.

Seguimos o resto do caminho em silêncio e quando chegamos em frente a sala de Umbridge, eu o encarei e então perguntei:

– Por que é que você veio comigo?

Ele hesitou por um momento.

– Porque, hm, eu preciso falar com o professor Snape.

Eu ri, pois sabia que era mentira, a sala do professor Snape ficava do outro lado do castelo, em uma masmorra.

– Ok, eu me rendo, eu queria te fazer companhia, só isso – Ele sorriu de canto e botou as mãos no bolso.

Confesso que até o achei fofo naquele instante, só naquele instante.

– Tudo bem Fred, eu gostei da sua companhia – Retribui o sorriso e então nos despedimos.

Eu bati na porta algumas vezes e depois de alguns segundos escutei aquela vozinha estridente pedindo para eu entrar.

Aquele lugar era realmente um santuário de gatinhos.

Havia quadros e vários pratos com um gato diferente do outro ilustrado. A parede era cor de rosa claro e tinha cortinas com estampas floridas cobrindo as janelas, a roupa que ela usava fundia perfeitamente com a toalha que cobria a sua mesa.

Me sentei em uma poltrona de frente para ela.

– E então senhorita... – Ela começou, bebericando logo em seguida uma xícara de chá – O que fazia acordada naquela hora da madrugada?

– Bem, eu precisava muito conversar com o professor Dumbledore.

– E por que...?

– Professora... É meio particular – Eu disse, arriscando um sorrisinho meigo, coisa que eu não sabia fazer.

Ela suspirou, tomou outro gole do seu chá e então me encarou.

– Entendo querida... – Ela começou, descansando sua xícara na mesa – Mas sinto lhe dizer que achei essa sua desculpa um tanto quanto, tola...

Franzi o cenho, indignada.

– Professora... é a mais pura verdade!

Outro suspiro de reprovação.

– Já que a senhorita não quer me contar, iremos fazer o seguinte... – Ela pegou um pedaço de pergaminho e começou a escrever ali – Já que o senhor Filch lhe encontrou, ele que irá decidir a sua detenção, apareça na sala dele às oito horas da noite, em ponto.

Ótimo, pensei.

– E isto – Ela me encarou, apontando para o pergaminho que estava escrevendo a pouco –, vai para o seu histórico.

Depois de uma pequena pausa em que eu cruzei meus braços e quase a matei com o olhar, ela disse:

– Pode ir.

Sai de lá quase batendo a porta, continue assim Christine, belo futuro pela frente!

O resto do dia passou voando, não sei se era a minha detenção e o ódio que eu sentia de ter de fazer algo que Filch queria que fez o dia passar tão rápido, mas lá estava eu, indo para segundo andar, onde ficava a sala de Filch e da sua – nada – bela gata.

Bati na porta uma vez, ele não demorou a abrir e aquele sorrisinho da noite anterior já estava lá, estampado em seu rosto.

– Está meio atrasada não é, garota? – Ele grunhiu.

– Desculpe. – Pedi.

Ele deu as costas e andou até sua mesa, sentando-se na sua cadeira e me fitando. Eu entrei em sua sala, mas não me sentei, esperei suas ordens em pé mesmo.

– Eu quero que você vá até a sala de troféus e limpe todos, e é claro, sem magia.

Cruzei os braços e concordei, já ia saindo quando ouvi:

– Tem um moleque lá, não quero papo ein garota, eu vou lá daqui a pouco para ver!

Eu não disse nada, só bati a porta de seu escritório e pude ouvir uma risada saindo de lá. Revirei os olhos, mas continuei meu caminho até a sala de troféus.

Assim que abri a porta notei que um ruivo estava em cima de uma cadeira, pegando um troféu grande que estava no meio de outros menores. Entrei cautelosamente, tomando cuidado para não fazer muito barulho.

– Oi Fred – Cumprimentei-o quando já estava bem perto dele.

Notei que ele se sobressaltou e o troféu pulou de suas mãos, mas ele não o deixou cair, somente me olhou.

– Sua maluca! Quase quebrei o troféu agora! – Ele exclamou e botou a mão em seu peito.

Eu só ri da cara que ele tinha feito, reparei que suas orelhas estavam começando a ficar vermelhas, assim como as de Ron ficavam quando algo desse tipo acontecia.

– Desculpe – eu falei –, mas foi engraçado.

– Haha, estou rindo muito aqui – Ele disse em seu tom mais sarcástico possível.

Revirei os olhos e o observei enquanto descia da cadeira em que estava.

– Filch escolheu a sua detenção, né? – Ele caminhou até mim e sorriu debochadamente.

– É... – Eu disse enquanto pegava um pano que estava sob uma prateleira.

– Filch não tem lá muita criatividade, acho que já limpei esses troféus umas quinze vezes.

Eu ri, começando logo em seguida a limpar alguns troféus que estavam ao meu alcance.

Conversei na maioria do tempo com Fred, ele me ajudou com os troféus que ficavam em prateleiras muito altas, já que ele era bem mais alto do que os meus meros um metro e sessenta. Até que ele era legal, posso dizer que o julguei mal, pois naquele tempo em que conversamos ele não fez nenhuma piadinha sobre alguém ou brincadeiras sem graça comigo. Talvez fosse possível ser amiga de Fred Weasley.

– Sua mãe sabe disso? – Ele perguntou, referindo-se à detenção.

– Não, nem pode saber, ela me mataria.

– Ah! – Ele exclamou, saindo de perto das taças de quadribol e aproximando-se de mim – Quer dizer que a sua mãe não sabe...

– É... Por que é que você 'ta com esse sorrisinho aí? – Eu acrescentei rapidamente quando eu percebi que aquele sorrisinho que eu tanto odiava estava estampado em seu rosto.

– É que agora você terá de ir junto comigo a Hogsmeade. – Ele botou as mãos no bolso, mantendo aquele sorriso em seu rosto e apoiando-se na estante de troféus que eu estava limpando. – Se você disser não, irei contar para sua mãe da detenção.

O encarei meio confusa, afinal, eu era a pirralha excluída do quinto ano e nunca pensei que chamaria a atenção de Fred.

– Você joga muito baixo Weasley – eu disse, cruzando os braços logo em seguida. –, mas, antes de "aceitar" – eu fiz aspas no ar –, já que estou sendo obrigada... Gostaria de saber o porquê.

– Ah, bom... – ele passou a mão em seus cabelos – Quero ser seu amigo.

Sorri.

– Tudo bem então, eu irei com você.

Ele sorriu, e logo jogou o pano sujo que eu tinha posto sob o armário no meu rosto, dei um tapa em seu braço, porém logo voltei a limpar as taças, estava tarde e eu já estava cansada.