Sinopse completa:

Você já teve um sonho lúcido? Sonhos lúcidos são aqueles que, lá pelas tantas, percebemos que estamos sonhando. Então você se joga da janela e vai voar por aí, ou faz alguma outra loucura qualquer, sabendo que na realidade está dormindo, em segurança. Tem gente que consegue inclusive manipular elementos do sonho. Resumindo: é uma experiência única e muito divertida. Nessa história, Jensen Ackles é um rapaz tímido e com uma rotina medíocre: trabalha em uma padaria, e fora isso não faz muita coisa além de comer e dormir. Sua grande alegria é ter sonhos lúcidos com frequência. Quando o rapaz põe seus olhos em Jared Padalecki, sente-se atraído por ele. Atraído o suficiente para querê-lo em seus sonhos. O que Jensen não sabia era que Jared também sonhava com ele...


Capítulo 1 - Te encontro em meus sonhos

Jensen sobrevoou a colina, admirando a esplêndida paisagem formada por plantas exóticas e riachos de águas transparentes. Tudo era maravilhoso, especialmente a sensação da brisa fresca que acariciava sua face e movimentava de leve seus cabelos curtos. Vendo um lago que parecia feito de caramelo, o rapaz resolveu aterrissar. De pé em frente a ele, Jensen melou o dedo no doce e provou. Era delicioso! Ele tentou deduzir os ingredientes. Parecia ter um toque diferente... Talvez um pouco de canela? Ele precisava reproduzir o que acabara de provar. Ficou ali por um tempo. Voou até uma montanha mais acima e desceu quase em queda livre, desacelerando apenas para novamente pousar confortavelmente, dessa vez dentro de um lago de águas mornas.

O rapaz nadava apreciando a beleza a sua volta quando de repente veio aquela sensação... Talvez a sensação que Jensen mais temesse no mundo. As imagens começavam a perder a forma para finalmente tornarem-se escuridão. O louro lutou o quanto podia para permanecer onde estava, mas foi em vão. Logo ele recobrou a consciência. Finalmente estava acordado.

Ackles olhou o celular que deixava ao lado da cama. Seu alarme tocaria dali a dez minutos. Dez minutos que poderia ter aproveitado naquele sonho lúcido... Mas fazer o que? O jeito agora era se arrastar para fora da cama, tomar um bom banho e o café da manhã. Lembrou do caramelo de seu sonho e pensou que poderia até ter um dia semi-divertido se o Sr. Sheppard o deixasse ficar um pouco na cozinha... Quem sabe até poderia ter tempo de reproduzi-lo... O louro suspirou. Sabia que seria difícil...

- Não, Jensen, você vai atender os clientes. É melhor assim... O Robert fica na cozinha hoje.

O louro baixou a cabeça. Jamais enfrentaria o patrão. Ultimamente ele o obrigava a atender os clientes, apesar de Jensen ter sido contratado como padeiro. E era isso que ele gostava de fazer: mexer em massas de pães e bolos, assá-las e vê-las crescer bonitas e apetitosas. Sonhava também em tornar-se um confeiteiro de gabarito um dia.

Ele não era bom vendedor. Era tímido... Não gostava de lidar com o público. Sabia que não era simpático com quem não conhecia. Mas Mark Sheppard pouco se importava com isso. Jensen atraía pessoas, principalmente mulheres... As vendas de fato aumentavam só com a presença dele ali no balcão. Sua única sorte era dividir a tarefa com Misha Collins, que era um colega divertido e mil vezes mais simpático que ele.

- Vamos sair hoje? Tomar umas cervejas? - perguntou Misha perto da hora de terminarem o expediente.

- Estou dentro! - Respondeu Robert, que chegava da cozinha com mais uma cesta de pães quentinhos. A última fornada da noite.

Danneel também gostou da ideia. Ela era a garota do caixa. Os três estavam sempre saindo juntos, e muitas vezes insistiam para que Jensen fosse com eles.

- Jensen? - perguntou a moça, esperançosa.

- Não. Você sabe que eu durmo cedo... - respondeu o louro. Queria ir para casa ficar em paz. Merecia seu sossego após mais um dia chato de trabalho, dando sorrisos falsos para as mulheres e homens que iam lá babar em cima dele e comprar os produtos da padaria como desculpa.

Misha e Danneel ainda insistiram um pouco, mas Jensen, como sempre, era firme em sua decisão.


- Seis pães franceses, por favor.

Era mais um cliente. Jensen olhou o relógio. Talvez o último da noite. Pegou o saco de papel pardo e enfiou seis pãezinhos.

- Mais alguma coisa? - perguntou o louro educadamente, só agora prestando atenção no homem. Ele era alto. Na verdade, muito alto... Elegante, de terno e gravata. Cabelos castanhos, um pouco compridos e desalinhados. Olhos claros e penetrantes. Jensen desviou o olhar, intimidado com tamanha presença.

- Não, obrigado - respondeu o moço - e deu um ligeiro sorriso. Com covinhas... O louro engoliu em seco. Que homem perfeito!

- Obrigado a você - gaguejou com a voz fraca.

Ackles estava abalado. Aquilo era estranho... Não era de seu feitio se impressionar com a beleza de quem quer que fosse. Muitas vezes ele pensava em si mesmo como um assexual já que tivera poucas experiências e nenhuma grande paixão em seus 25 anos de vida.


Aquela noite, Jensen teve outro sonho lúcido. Pura sorte ter dois assim, em noites seguidas. Em média ele tinha um sonho lúcido por semana.

Em uma realidade onde tudo podia acontecer, e nada era perigoso e real, o rapaz deixava o medo e a timidez de lado e fazia o que bem entendesse. Era maravilhoso ter consciência de que tudo aquilo não passava de um sonho, e melhor ainda um sonho que ele podia manipular.

Voando pela cidade o louro avistou um rapaz. Ora se não era o tal das covinhas... Ackles gostou do que viu. Um agradável presente de seu subconsciente para ele. Pelo jeito o moreno o havia mesmo impressionado...

Jensen desceu e parou ao seu lado. Agora podia olhar para ele sem pressa, e admirar cada detalhe. Não precisava ter vergonha.

O rapaz era bem alto mesmo. Tinha um bom palmo a mais de altura que Jensen. E Ackles não era baixo! Seus ombros eram largos e os braços fortes. Seus olhos eram lindos, de uma cor única e híbrida que ia do azul, ao verde, e ao avelã. Por um tempo o louro ficou ali paradinho, só apreciando.

- Você... você não é o rapaz da padaria? - perguntou o moreno, confuso.

Jensen sorriu.

- Sou. - respondeu. - apesar de nem mesmo saber de porque o fizera. Não precisava dar satisfações a ninguém naquele lugar...

Em seguida Ackles teve vontade de apertar o outro em seus braços. Então, simplesmente o fez. Em um movimento quase abrupto ele puxou o moreno para perto de si e envolveu-o, apertando os músculos do outro de leve. Surpreendeu-se com o empurrão que levou.

- Hey, o que é isso?! - reclamou o homem, afastando-se.

- Você é tão lindo. Eu gosto de te sentir assim, juntinho de mim... - o louro então falou, puxando-o novamente para perto. Dessa vez, embora tentasse, o altão não conseguiu se desvencilhar. Ele era forte, mas ali, ninguém tinha mais força que Ackles.

Jensen então se apoiou nos ombros do outro e colou sua boca na dele. Beijou com vontade por um tempo, até que veio a escuridão, e com ela o despertar do sonho.


Jared Padalecki acordou sobressaltado. O suor escorria pelo seu rosto. Olhou Genevieve que dormia ao seu lado, e lembrou-se que a moça dormira aquela noite com ele. Levantou-se da cama e foi ao banheiro. Ainda era cedo, mas ele não voltaria a dormir... Não depois de sonhar com um beijo do garoto da padaria! Que porra de sonho tinha sido aquele? Logo ele, que era 100% hétero e estava noivo de uma moça linda...

O rapaz tratou de deixar aquilo para lá. Sonhos eram coisas malucas. Não significavam nada... E ele tinha mais o que fazer que se preocupar com isso.

Meia hora mais tarde, já estava arrumado, de banho tomado, prontinho para ir trabalhar. Deu um beijo na noiva, que se remexeu na cama resmungando, e virou para o lado. Depois mandaria uma mensagem para ela, para que não ficasse chateada em ter sido deixada sozinha... Já que acordara tão cedo, Jared aproveitaria para surpreender o patrão. Ele era recém contratado em uma firma de advocacia, e precisava mostrar serviço.


Duas semanas depois...

Jared entrou esbaforido e deitou no divã.

- Estou tendo uns sonhos estranhos, Dra. Smith. Estava mesmo precisando dessa sessão de terapia! - desabafou o moço.

- Sim... - respondeu a psicanalista, reticente. Era a deixa para o moreno começar a falar.

- Eu tenho sonhado com um rapaz... E eu não sei porque... Eu comprei pão na padaria lá perto de casa, há uns quinze dias atrás, e ele me atendeu. Só o vi uma vez... - Padalecki deu um suspiro alto. Já era paciente da Dra. Samantha Smith há muito tempo, mas mesmo assim estava sem jeito de contar sobre aqueles sonhos para ela. Fazia esse esforço, entretanto, pois não conseguia mais suportar guardá-los apenas para si.

- Aham... Continue.

- Bem, primeiro eu estava andando pela cidade sozinho. De repente ele chega voando, se põe diante de mim. Me olha de cima a baixo... E então ele me abraça. Eu tento fugir, mas não consigo. Ele me beija na boca. Eu acordei sobressaltado... Foi horrível...

Jared fez uma pausa e continuou.

- Depois desse primeiro sonho, eu tentei esquecer, deixar para lá... Mas então, poucos dias depois, sonhei de novo! Lá estava eu, conversando com meus ex-colegas de faculdade, quando ele chega. "Ahhh, finalmente te encontrei" - diz. E me agarra como se eu fosse um brinquedo. Eu protesto, e ele ri de mim. E então, na frente de todo mundo, rasga a minha camisa e começa a passar as mãos em mim. Meus colegas me chamam de gay, e eu estou morto de vergonha. Ele estava prestes a me arrancar as calças quando eu acordei. Graças a Deus!

- E você é gay?

- Não, Dra. Smith. Você sabe que não! Eu amo a Genevieve, nunca tive atração por homem!

- Mas te incomoda ser chamado de gay... Por que isso?

- É a minha reputação, doutora. Eu sei que é besteira... Mas você sabe como é homem...

- Não. Não sei... Como é homem? Me diga - pediu com voz analítica

- Homem hétero não gosta de ser chamado de gay, né? Sei lá... Eu respeito os gays. Sei que não tem nada a ver, cada um tem suas preferências. Mas eu sou hétero...

- Certo... - respondeu a analista, anotando alguma coisa em seu caderninho. - prossiga.

Jared ficou um tanto inseguro imaginando se sua analista duvidava de sua sexualidade agora.

- Bem, ainda teve um terceiro sonho. - prosseguiu ele - Esse foi ontem à noite. Ele corria atrás de mim... De novo! No sonho eu me lembrava dos sonhos que tive anteriormente, mas como se tivessem mesmo acontecido na vida real. Então eu fiquei desesperado, corri o mais que pude, e consegui deixar ele para trás. Mas o infeliz alçou voo e me alcançou... Sabe como é sonho, né? Eu nem estranhei que ele pudesse voar... Bem, aí o rapaz enfiou as mãos em mim e tocou minhas partes íntimas. Eu gritava e ele ainda me tascou mais um beijo na boca... Aí acordei.

- E por que você acha que sonha com esse homem, Jared? um homem que você viu só uma vez... O que nele te chamou tanto a atenção?

- Não sei! Ele é bonito, mas isso não é motivo. Eu não gosto dos sonhos, juro! Não entendo porque fico sonhando essa coisas... Me ajuda, doutora. Não quero sonhar com esse cara de novo... - suplicou.

A analista fez ainda várias perguntas para Jared refletir. Por que o rapaz era capaz de voar e fazer o que quisesse com ele? Estaria Padalecki sentindo-se impotente e exposto? Talvez em seu ambiente de trabalho, ou em seu relacionamento com Genevieve? O que o rapaz da padaria representava para ele?

- Eu não sei o que ele representa... É só um rapaz que trabalha na padaria. - suspirou Jared – nada mais...

Samantha Smith sugeriu que Padalecki fosse até a padaria novamente, prestasse bastante atenção no louro, e refletisse sobre aquela pergunta. Sem pensar duas vezes o moreno saiu afoito para comprar pães.