Anass, vou responder seus comentário aqui. Espero que essa história tenha te inspirado mesmo a sonhar com os Js, principalmente se tiver sido um sonhos lúcido! :) De fato, Jared está vivendo uma confusão de sentimentos, e certamente um deles é uma grande atração pelo louro (que ele, é claro, não admite). Essa violência realmente foi longe demais, mas Jensen irá se defender da melhor forma que conseguir ;) Obrigada pelos comentários. Espero que continue lendo e se divertindo com essa fic.
Capítulo 5 - Agora é guerra
Jensen esperou por muito tempo amarrado e amordaçado, rezando em silêncio, enquanto Jared fazia uma pequena mala de mantimentos e separava umas roupas para a viagem. Às vezes pensamentos racionais passavam pela cabeça do moreno. Como assim ele estava sequestrando uma pessoa? Ele tinha ido longe demais... Mas logo em seguida o ódio irracional, e o desejo de vingança, falavam mais alto. Aquele homem merecia um castigo, e o teria! É claro que não pretendia tirar a vida de ninguém... Mas Ackles tomaria no mínimo um grande susto.
Por volta das duas horas da manhã, Padalecki finalmente soltou Jensen da cama.
- Vem, anda. Nós vamos viajar... – disse entre dentes, e encostando uma grande faca de churrasco nas costas do rapaz.
Jensen nem pensou em reagir. Caminhou ao lado do moreno como este o instruiu. Estava cansado, dolorido, com fome, e principalmente morrendo de sede. Mas mais do que tudo, estava apavorado. Jared sabia que ele não tinha dinheiro... Aliás, Jared não precisava de dinheiro! Aquele sequestro só podia ser para torturá-lo e matá-lo, e com requinte de crueldade. Quem mandou sair por aí sonhando com um psicopata?
Quando saíram do apartamento, Ackles torceu desesperadamente para que encontrassem com algum vizinho no corredor, que talvez percebesse alguma coisa estranha. Contava que Padalecki pelo menos iria esquecer que a bicicleta da padaria estava estacionada no prédio. Mas, para azar de Jensen, os corredores estavam completamente vazios. Padalecki foi cuidadoso, e evitou todas as câmeras de segurança instaladas no prédio. O porteiro não ficava de vigia vinte e quatro horas, e, de madrugada, estava dormindo. Tudo saiu como o moreno planejara. Antes de entrarem no carro, Jared ainda se lembrou de apanhar a bicicleta do louro.
Fizeram uma viagem de duas horas, em total silêncio. Jensen preferia que Jared tivesse colocado música, ou até falado alguma coisa, o que não aconteceu. Foram para ele duas horas de tortura. Sorte que, ao menos, seus olhos não foram vendados, e ele pôde se distrair tentando chamar a atenção das pessoas que cruzavam em outros carros, apesar da escuridão e do vidro com insulfilm. Ao fim da viagem, se embrenharam por uma estrada de terra bastante deserta.
- Pronto. Pode sair do carro...
Jensen saiu, novamente ameaçado pelo facão.
- Você precisa fazer xixi?
O louro acenou a cabeça afirmativamente. Jared então caminhou com ele até o mato, há alguns metros da casa. Com cuidado para que Jensen não pudesse reagir, deu um jeito de tirar as algemas e depois recolocá-las, agora deixando os braços de Jensen para frente. deixou que ele aliviasse a bexiga, e levou-o em seguida para a cabana.
A cabana era pequena e tinha uma única cama de casal. Foi lá que Jared prendeu Jensen, antes de finalmente libertá-lo da mordaça.
- Pronto. Agora se quiser gritar, grita. Não tem ninguém para te ouvir.
Mas Jensen não gritou. Estava com a garganta seca. E de nada adiantaria, de qualquer forma...
- Eu quero água, por favor - suplicou o louro.
- Hmmmm. Não. - respondeu Padalecki - Eu estou aqui para te torturar. Ficar com sede é horrível... - concluiu.
Em seguida o advogado usou o banheiro e ainda pegou uma garrafa de água fresquinha e se esbaldou na frente do sequestrado. Também comeu alguns sonhos. E nem ofereceu...
Que ódio! Jensen queria enforcar aquele homem malévolo.
- Você é maluco, sabia? Você disse que eu tinha destruído a sua vida, mas você que está fazendo isso... Vão descobrir o que fez comigo, e você vai ser preso.
- Eu não tenho mais nada a perder, seu desgraçado... Mas de qualquer forma, vai ser a sua palavra contra a minha. Em quem você acha que vão acreditar? Em um advogado gabaritado e de boa família, ou um empregadinho de padaria, que nem tem onde cair morto?
Jensen ficou um tanto aliviado ao perceber que Jared tinha a intenção de deixá-lo sair dali vivo. Mesmo assim, não conseguiu evitar a raiva. O louro puxou o braço com força, tentando se soltar, e só conseguiu machucar o pulso. Se pudesse, teria esmurrado a cara do moreno. Como ele era arrogante... E pensar que Jensen perdera tanto tempo apaixonado, suspirando por ele...
- O que você pretende fazer comigo então, hein, maravilhoso e poderoso advogado gabaritado? - perguntou com ironia.
- O que for passando pela minha cabeça, seu ajudante de padeiro vagabundo...
- Pois sabe o que eu acho? Você podia me deixar ir embora... Eu já disse que não vou mais atrapalhar os seus sonhos! - falou com raiva - Podia pedir desculpas para a sua noiva. Voltar para o seu emprego, ou arranjar outro, sei lá... - Jensen bufou - Mas não! Você quer a todo custo me manter por perto. Deve ter é um desejo louco e reprimido por mim!
Desgraçado! Jensen falava como se tudo fosse muito simples... Fácil falar quando não tivera sido ele a passar noites e noites sofrendo, sem dormir, e com a saúde mental abalada. Seu noivado não tinha mais salvação. Seu emprego, Jared esperava recuperar. Mas apenas após um mês de férias forçadas... E agora o louro ainda vinha dizer que estava atraído por ele? Que grande filho da puta!
- Idiota! - o moreno esbravejou, jogando o resto da água que tinha na garrafa na cara do outro.
Ótimo! Agora além de tudo ele estava todo molhado... Jensen queimava de ódio por dentro, mas respirou fundo e tratou de ficar quieto. Era burrice continuar naquela guerra quando ele estava em total desvantagem. Fechou os olhos. Precisava dormir.
Jared deitou-se na cama ao lado de Jensen, que já parecia estar adormecido. Não havia outro lugar para deitar afinal... O louro ao seu lado parecia tão inofensivo agora... Seu belo rosto exibia as marcas de um soco e da mordaça que o apertara por tanto tempo. A cabeça de Jared estava a mil. Ele devia mesmo estar ficando maluco... Talvez devesse deixá-lo ir embora no dia seguinte. Fechou os olhos na tentativa de descansar um pouco, apesar de seus pensamentos ainda estarem a mil por hora.
Lá pelas tantas Padalecki olhou para o lado. Onde estava Jensen? Desesperou-se. O moreno levantou da cama de supetão. As algemas estavam presas à cama, mas nem sinal do louro. Jared olhou rapidamente por toda a cabana, mas não o encontrou. Como ele conseguira se soltar? Jared já estava prestes a sair para procurá-lo do lado de fora quando Jensen entrou janela a dentro, voando.
- V... Você voa? Na vida real? - apavorou-se o advogado. - Eu sabia! É um bruxo de verdade! - gritou em desespero.
- Deixa de ser idiota - o louro respondeu sem paciência - Será que não consegue perceber que está sonhando?
Despertar Jared para a lucidez era um risco que Jensen precisava tomar. Queria que o moreno tivesse consciência de que naquele "mundo", era ele - um mero empregadinho de padaria - quem mandava. É claro que ao perceber que estava sonhando, Jared poderia também desenvolver o poder de manipular as coisas. Entretanto, Ackles sabia que seria difícil para ele. Jensen já era expert, além de praticar desde muito novo, lêra uma dezena de livros sobre o assunto.
Jared olhou em volta assustado. Tudo parecia tão real... Mas... Realmente... Talvez Jensen tivesse razão. O louro não podia voar de verdade...
Sem dizer mais nada, Jensen começou a assoprar, e assoprar, cada vez mais forte. Jared sentiu seus pés se desprendendo do chão e seu corpo sendo levado por um violento redemoinho. A sensação era horrível, como se um furação tivesse atingido sua pequena e frágil cabana.
- Socorro! Pare com isso! - berrou Padalecki.
- Não! Por que haveria de parar? - a voz de Jensen era estrondosa. Mais poderosa que um trovão.
Padalecki viu com pavor a cabana se desfazer, e voou, junto com madeira e árvores, para bem longe. Seu corpo todo doía. Mas, pelo menos, ele sabia que estava sonhando. Tentou manipular alguma coisa com o pensamento, como Jensen fazia, mas não conseguiu mover uma palha... Bem, pelo menos logo logo ele iria acordar.
- Você é um idiota - xingou o moreno - quando eu acordar você vai se ver comigo! - berrou Padalecki a plenos pulmões. Jensen não estava por perto, mas o moreno acreditava que ele pudesse escutá-lo.
- E quando dormir de novo, você vai se ver comigo! - ameaçou a voz do outro. Em seguida o louro apareceu ricamente vestido, como uma rei de histórias infantis, e segurando um cetro dourado. Tinha capa e tudo...
Os dois estavam em um descampado, com nada em volta. Jensen apontou o cetro para o chão e roedores de todos os tamanhos correram em direção ao moreno para atacá-lo.
- Ahhhhh! - Padalecki gritou e se sacudiu, tentando afastar os bichos, enquanto Jensen ria. Quando finalmente os animais se afastaram Jared fitou o louro com ódio.
- Você é muito burro, sabia? Porque pode fazer o que quiser comigo aqui, mas não pode me machucar de verdade. Se continuar me torturando todas as noites, vou ser obrigado a te matar.
Jensen já tinha uma resposta pronta para isso. Ele não era burro de fato...
- Melhor para mim! Dizem que a consciência dos mortos fica presa em seus sonhos -inventou - Se eu morrer você nunca mais vai poder dormir em paz. Eu sempre estarei aqui para te desgraçar.
Jared engoliu em seco. Estaria o outro blefando? Talvez. Mas ele não podia ter certeza.
- Então vou te aleijar. E colocar música bem alta para você não dormir nunca mais... - Bufou o moreno.
- Eu consigo dormir sob qualquer circunstância... E você pode me aleijar se quiser... - ponderou Ackles - Mas não isso não é pior que ser despedaçado e depois curado novamente por vezes seguidas. E ainda posso usar a minha imaginação... Por exemplo, já pensou em ser mordido pelo Godzilla?
Com pavor, Jared avistou o gigantesco réptil se aproximando pesadamente. O moreno esfregou os olhos. Respirou fundo. Estava tudo bem... Aquilo era apenas um sonho... Aliás, um terrível pesadelo... Padalecki se beliscou fortemente, na esperança de acordar. Ser atacado por aquele troço não seria nada agradável, mesmo que não fosse realidade. Ele estava apavorado...
- Você está com fome, querido? Quer um pedaço de carne? - Atiçou Jensen. Ele estava gostando de ver Padalecki tão assustado. Pelo menos ali, no sonho, era ele o todo poderoso.
O animal de aproximou e Jared, em um impulso desesperado, começou a correr. Correu o máximo que pôde e constatou que não saía do lugar. Jensen o olhava do alto. Plainava agora por cima dele, todo soberano, e apreciando a cena. Viu quando o gigantesco réptil mordeu uma das pernas de Padalecki. Sangue jorrou para todos os lados, formando um rio de sangue.
- Buáááááá! Socorro! - O moreno gritava e chorava, porque aquilo doía de verdade. Jensen até sentiu pena, pois aquele homem choroso agora lembrava a ele do Jared por quem se apaixonou. Pensou em lhe estender a mão, mas logo se lembrou de todo o desprezo que moreno nutria por ele na vida real, e voltou a ficar com raiva.
Não demorou muito para que o sangue fosse tanto que Jared tivesse que nadar para não se afogar nele. O réptil não estava mais lá, porém a situação do moreno parecia cada vez mais horrorosa. Ele agora nadava em um rio de sangue e lágrimas e lutava bravamente para não se afogar. Ficou naquele suplício pelo que pareceu a ele ser uma eternidade.
Jensen assistia à cena quando Padaleck desapareceu diante de seus olhos. Não custou muito para que acordasse também, após o choque de seu corpo batendo dolorosamente contra o chão . O pulso, ainda preso a cabeceira, doía bastante com a pressão e posição desconfortável. Tinha sido empurrado para fora da cama.
- Agora é a minha vez, desgraçado! - anunciou Padalecki com um brilho de ódio no olhar.
