Autora: 流鬼。 ( *`ω´)b / 満月 - mitsuki - / Marianna

Disclaimer: Essa fanfic não é minha e nem a história de Naruto, essa fanfic pertence à Mari e foi escrita em 2009, aqui ela faz parte do meu Projeto Nostalgia. Caso você seja a autora e deseja que eu retire a sua história do site, só mandar uma mensagem para mim. :)

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Avisos da autora

[CONCURSO.H] Bom, essa one foi feita especialmente para o concurso de dia das bruxas *-* ~

•Disclaimer: O anime Naruto não me pertence, somente a personagem Sayuri - nee-chan da Sakura, un.

¹shinigami: De acordo com a mitologia japonesa, shinigami é o Deus da Morte, o qual leva as almas para o outro mundo.

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Aproveitem!


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31 de Outubro, noite de halloween.

A garota dos cabelos rosados saíra de casa juntamente com uma espécie de sua versão em miniatura; sua irmã de apenas dez anos chamada Sayuri. A pequena insistira para que Sakura a acompanhasse em sua jornada à petição de doces nas diversas casinhas da rua, já que sua mãe não deixara que a jovem menina saísse sozinha à noite.

Sakura, depois de muito sua irmãzinha suplicar, aceitou o pedido, mas com uma condição: enquanto Sayuri pedia seu tão desejado docinho nas casas vizinhas, a rosada mais velha iria até a casa de seu amigo, que ficava bem no final da rua, prometendo não demorar.

Acompanhou Sayuri até a casa de sua amiguinha, a qual ficava em frente à sua própria, e depois seguiu seu caminho, indo em direção à enorme e sombria mansão no final da rua.

Enquanto sua irmã mais nova pedia doces em casas alheias em uma fantasia de vampirinha, Sakura já não via essa necessidade. Não por ser seis anos mais velha, e sim porque suas roupas casuais já encaixavam-se perfeitamente no requisito de vestimenta para tal ocasião.

Ultrapassou o assombroso portão de ferro levemente enferrujado e adentrou o terreno da mansão assustadoramente colossal. O jardim não possuía decoração nenhuma pelo dia de hoje, uma vez que Sakura provavelmente era a única que conseguia vê-lo em todo o bairro.

Tocou a campainha, a qual a melodia antiga da mesma seria facilmente ouvida pelo dono da casa.

- Olá, Sakura. – cumprimentou gentilmente ao abrir a porta.

Ela sorriu.
O homem de cabelos negros, cujo fora o que atendera a porta, analisou meticulosamente a aparência da rosada, mostrando um pequeno sorriso sarcástico quando terminara.
Sakura o encarou sem compreender.

- O que tanto olha?
- Nada demais. – Os olhos negros encontraram-se com os esverdeados. – Mas nunca disseram a você que é comum fantasiar-se no dia das bruxas?
- Ha-ha. – ironizou uma risada e logo depois revirou os olhos. – Eu nunca levo a sério o que é comum, de qualquer forma. – Ele deu de ombros. – Não vai me convidar para entrar, Sasuke?
- Claro. – Um canto de sua boca repuxou-se num meio sorriso. – Entre.

Ele abrira mais a porta, dando espaço para que a garota passasse.

- E aí? – indagou ela, sentando no sofá negro e felpudo que ficava bem no centro da imensa sala de estar. – Está de folga hoje?

Um sorriso surgiu em seu rosto. Ela já sabia da resposta; Sasuke nunca tinha folga.

- Não. – Após fechar a porta, sentou-se no sofá ao lado de Sakura. – Daqui a pouco, provavelmente, já terei a quem levar.
- Hmm... Ser um shinigami¹ não deve ser muito fácil, né?
- Na verdade, não há muitos problemas. – explicou ele. – É incrivelmente irritante quando ninguém morre, quando não há ninguém para levar. – Sakura riu.
- Ah, mas você não é o único shinigami existente, né? – Ao perceber que os olhos negros a encaravam sem desviar, a menina corou de constrangimento. Como a morte poderia ser tão bela?

Sasuke sorrira.

- Não. – respondeu. – Há, na maioria das vezes, um por cidade em cada estado de cada país. – disse ele, recostando-se no sofá. – A não ser quando há cidades muito pequenas e aglomeradas, pois nesse caso apenas um shinigami cuidará de todas essas cidades. E, quando por algum motivo tal shinigami não se encontra em seu posto, outro virá para levar o dito cujo que morrera.

- Não é... perturbador, ver uma pessoa à beira da morte e ter que levá-la? – indagou aterrorizada, pois imaginara uma cena nada agradável. Sasuke soltou um murmúrio abafado, algo similar a uma risada.
- Além de estarmos acostumados, nós não possuímos nenhum sentimento. – comentou. – E, de qualquer forma, não acho que levamos a alma de uma maneira que vocês, humanos, considerariam horrível. Não é muito parecido com o que vocês vêem nos livros, não usamos foices.
- Então como é?

Os lábios de Sasuke formaram um sorriso de canto, e, lentamente ele aproximou seu rosto da face envergonhada e avermelhada da garota. Com seus lábios a menos de sete centímetros de distância dos dela, ele sussurrou docemente:

- Com um beijo nos lábios.

O rosto de Sakura enrubesceu ainda mais, sentiu os pelos de seu braço eriçarem, um frio bastante peculiar descera por sua barriga. Quase que inconscientemente, ainda aproximou seu rosto, acabando pouco a pouco com a mínima distância que restava.

Velozmente o moreno se esquivara, mantendo-se agora em pé.

- Francamente, eu não a entendo, Sakura. – Ele a encarava com seu lindo sorriso lateral presente no rosto. – A maioria das pessoas passa a vida tentando se livrar de mim, adiando o encontro inevitável que tem comigo, mas você não. Você quer encurtar ao máximo esse tempo de espera.
- Eu nunca fui uma pessoa muito paciente. – sorriu. – E você sabe o que eu sinto por você... – sussurrou tão baixo que seria incapaz de qualquer pessoa ouvir. Mas ele não era qualquer pessoa.

Sasuke agachou em sua frente, e, delicadamente pousou sua mão sobre o rosto dela, pressionando de leve suas bochechas com seus dedos. Sua expressão estava séria, os olhos negros nunca estiveram tão frios.

- Foi um erro apaixonar-se pela morte.

As finas sobrancelhas cor-de-rosa contraíram-se numa expressão emburrada, e, como uma criança manhosa, mostrou-lhe a língua.
Sasuke riu.

- Podemos combinar uma coisa? – ele indagou ao pôr-se de pé novamente. – Você irá viver sua vida baseada em seus desejos humanos, como todo mundo, está bem? E então, quando chegar à hora, não importa o lugar que você esteja, eu mesmo irei buscá-la. – O moreno encarou a jovem sentada no seu sofá, analisando sua expressão. – Feito?
- Ah... – gemeu ela. – Mas quanto tempo isso vai demorar?
- Eu não posso alterar seu destino, Sakura. – explicou-lhe ele. – Mas, do jeito que você tem um ímã para atrair seres sobrenaturais e a aptidão que também possui para se meter em confusão, nosso tão esperado encontro não irá lá demorar muito.
- Eu não considerei um insulto, porque sei que não foi sua intenção. – Respondeu cínica.
- O trato está feito?
- Tá, tá, não vou pedir mais para que você me carregue. – sorriu. – Mas ainda poderei continuar a vê-lo, não é? – Ele confirmou, acenando com a cabeça. – E... – ela hesitou. - Hm... Eu estava pensando... Como você se tornou um shinigami? Quer dizer... O que tem que fazer para tornar-se um?

Assim que o moreno abrira a boca para lhe responder, o mesmo congelou.

- Sasuke? – perguntou preocupada. – Sasuke?
- Tenho que ir. – Sua face agora estava vazia. A fez lembrar de quando se conheceram, da primeira vez que se viram; sua expressão era exatamente a mesma.
- Ah, o trabalho o chama, não é? – suspirou desapontada, levantando-se do sofá.

Ele a acompanhou enquanto dirigiam-se até a frente da casa e abriu a porta.

- Amanhã eu volto. – sorriu ela.
- Estarei aqui. – Ele também sorrira.

Virou-se para ir embora, mas avistou uma pequena figura de cabelos rosados próxima do portão de ferro na frente da casa.

- Ah, Sayuri, venha cá! – chamara Sakura.

A menina não pensou duas vezes, e, com um enorme sorriso no rosto, abriu o portão e correu até sua irmã, tomando cuidado para que os diversos doces não caíssem de sua cestinha em forma de abóbora.

- Sakura!

A garotinha enlaçou seus braços pequeninos na cintura de Sakura, mas logo a soltou quando viu o homem de cabelos negros ao seu lado, o qual certamente poderia contribuir para o aumento da quantidade de doces em sua cestinha.

- Doces ou travessuras? – Sayuri estendera a cesta para frente, esperando os docinhos ansiosamente.

Sakura estava espantada; ela conseguia vê-lo também.

- Espere aqui. – Dissera ele, adentrando a própria casa.
- Sayuri, eu irei com ele. – disse Sakura. – Espere aqui fora, está bem?
- Ahh, onee-chan! – gemeu ela, tristonha.
- Ou você espera aqui, ou não ganha mais doce nenhum. – ameaçou ela.
- Tá, tá, espero aqui!

Sakura adentrou a casa e vira Sasuke no que julgara ser uma cozinha – pois os móveis eram realmente antigos -, segurando um enorme pote de plástico lotado de balhinhas e chocolates.

- Como ela pode te ver? – indagou ela ainda surpresa, apoiada com as costas na parede da cozinha.
- Da mesma forma que você pode. – dissera ele. – E crianças, em sua maioria, são sensitivas, muito sensíveis a espíritos e outros seres.

Sasuke dirigira-se novamente à frente da casa, entregando à pequena Sayuri o pote completamente abarrotado de diversos doces coloridos.

- Ah, muito obrigada! – agradeceu ela. Os olhinhos, verdes como da irmã, brilhavam como nunca. Parecia até noite de natal.
- Sayuri, por que você não vai indo pedir mais doce nas casas que faltam, hein? – Sakura sorriu. – Já estou indo acompanhá-la.
- Ok! – O sorriso exuberante dela não sumia de jeito nenhum, e tinha medo que sua irmã pegasse à força seus doces caso não cooperasse.

Sayuri assim distanciou-se, e a rosada mais velha virou-se para o moreno.

- Você deve estar atrasado... – Dissera sem graça.
- Não tem problema. – Deu de ombros. – O cadáver não vai a lugar nenhum.
- Hmm... Você não vai responder à minha pergunta? De como se tornar um shinigami?

Sasuke sorriu torto e aproximou-se do corpo de Sakura, colando ao seu. Suavemente, passara seu braço esquerdo pela cintura fina da rosada, aproximando novamente seu rosto do dela.
Os lábios dele arrastaram por sua maçã do rosto, indo em direção à sua orelha.

- Eu te sinto tremer... – ele comentou aos murmúrios em seu ouvido. – É o que você quer, não é? – Sakura não conseguia falar, não conseguia se mexer. Estava inerte.

A boca dele deslizou agora por seu pescoço, subindo novamente até a maçã do rosto da menina. Repentina e lentamente, ele selou seus lábios em uma das bochechas de Sakura.

- Por que apenas não segue de acordo com o que nós combinamos, hã? – murmurou, sua voz grossa e rouca a fez arrepiar-se novamente.

- Sakura! – gritou Sayuri impaciente do lado de fora do portão. – Vamos logo!

Sasuke a soltou e afastou-se recuando um passo.

- Até amanhã. – Ele despediu-se com seu sorriso costumeiro e fechou a porta.

Sakura caminhou até o portão atônita, sem nenhum pensamento a vagar por sua mente, sem nenhuma palavra aprisionada em sua boca.

- Sakura-oneechan – dissera a pequenina, segurando no braço da irmã. -, ele era seu namorado?
- O quê? – As palavra de Sayuri a despertaram de seu transe momentâneo.
- Não, é que... – ela corou. – Ele é bem legal, sabe? Foi o que me deu mais doces. – ela estendeu o pote de plástico cheio de pequenos pontos coloridos dentro. Sakura sorriu.
- Não, ele não é meu namorado. É apenas um... amigo... – A palavra "amigo" saíra de uma forma ressentida e melancólica.
- Hmm... Se você diz... – deu de ombros.

Como Sayuri já pegara o suficiente de doces – graças a Sasuke -, ambas foram para casa. Sakura precisava de um banho e uma boa noite de sono para colocar as ideias no lugar. Fora um dia de muita informação.

Em vão, inútil. Não conseguia pegar no sono, não queria pegar no sono, pois quando fechasse os olhos e acordasse no dia seguinte, não queria correr o risco de confundir o que houve hoje à noite com um sonho, algo fruto de sua imaginação. Não queria isso. Não fora apenas uma ilusão.

De qualquer forma, ela sabia que não poderia ficar sem dormir pelo o resto da vida, pois uma hora suas pálpebras cederiam. A não ser... que fosse uma shinigami, mas Sasuke não a revelou como tornar-se uma.

Droga... Por que a morte fora morar justo ao seu lado? E, por que diabos, tinha que se apaixonar justo por ela?

Com a cabeça apoiada no travesseiro, virou-se pela milésima vez para o lado esquerdo, tentando achar uma posição confortável para tentar adormecer. Entretanto, nesse exato momento, vira um vulto indo rapidamente em direção à janela aberta, sumindo na escuridão.

Sorriu.
A morte sempre estaria ao seu lado para observá-la, sabia disso.

Owari