PRÓLOGO
"Pois nada dura para sempre,
E ambos sabemos que corações podem mudar"
November Rain, Guns N' Roses
Ele sabia em seu íntimo que sempre estivera à sombra de Quatro, mas jamais sentira tanta inveja do desafeto quanto naquela noite particularmente quente de julho.
Na Audácia não haviam muitos ritos de pompa e circunstância para as uniões matrimoniais, mas a facção também tinha seu próprio modo de celebrar seus enlaces amorosos. E naquela noite, para o desgosto de Eric, um desgosto que nem ele mesmo sabia da onde vinha, um feliz Quatro levava nos braços sua então esposa, e ex-inicianda, Tris.
Eric bem que tentara desacreditar o casal quando os boatos começaram a surgir. Pensou que seria um bom modo de prejudicar Quatro ao colocar sob questionamento o processo de seleção de Tris, que agora estava envolvida com o ex- instrutor. Max chegou a chamar Quatro para uma conversa, mas não dera muito crédito às alegações de Eric, referindo que sua função como líder da facção não era intervir na vida pessoal de seus membros.
Contudo, o interesse mútuo entre Quatro e Tris mostrou-se muito mais que uma mera aventura passageira. A relação dos dois consolidara-se e agora, mais de um ano após tornarem público seu relacionamento, os dois assinavam o contrato de união estável da audácia.
Eric, no entanto, não sentia-se nada feliz com isso. Ele tinha conquistado o lugar de líder, mas aquela noite, mesmo que apenas por um momento, ele permitiu-se sentir mais uma vez inveja de Quatro. Inveja por que o rival não mais teria noites de solidão nos apartamentos lúgubres e frios da audácia. E Eric sabia, que por mais uma vez, o rival o havia superado.
Mas, naquela noite, Eric também desejou que aquela felicidade que lhe dava náuseas se despedaçasse, e seu desejo foi atendido em outra noite quente mais ou menos um ano depois que aquele dia se passou. Nessa noite, Quatro estava morto. E é exatamente por essa época que começa nossa estória.
