Divergente não me pertence.

CAPÍTULO 10

A falha no plano de Eric

"É amor isso que estou sentido?

Esse é o amor que eu estive procurando?

Isso é amor ou eu estou sonhando?

Isso só pode ser amor, pois isso realmente toma conta de mim"

Is this Love? Whitesnake

Anteriormente em "Save me now":

De repente fui atingida por uma onda de emoção, como a ebulição de tudo que eu vinha guardando nos últimos dias, tudo que se passara na minha cabeça, tudo o que se passara em meu coração.

E tudo convergiu para uma única ação:

Eu beijei Eric.

TRIS

Sim, fui eu que o beijei e isso pareceu atordoá-lo por uma fração de instante, pois no momento seguinte ele estava correspondendo meu beijo de forma tão ardente quanto a que eu o beijei.

Sua mão pousou sobre minhas costas puxando-me para perto, enquanto a outra apertava minha nuca, Eric quase me ergueu, pois eu estava me equilibrando na ponta dos pés para alcançá-lo. E era um beijo tão bom que eu não tinha vontade de terminá-lo nunca mais, minhas mãos agarraram os ombros de Eric.

Meu corpo ardia e eu talvez o devoraria com meu beijo se ele não fizesse isso antes, poderíamos nos beijar para sempre, mas não foi isso que aconteceu.

— Devo admitir que isso não é uma coisa que se vê todo dia por aqui.

Me afastei de Eric com um susto após ouvir a voz feminina próximo a nós. Quando me afastei de Eric o suficiente para ver quem nos flagrara, dei de cara com a ruiva com quem eu tinha visto Eric na festa no fosso.

Ela tinha os longos e cheios cabelos ruivos encaracolados e usava botas, uma calça preta colada demais e uma blusa justa com um grande decote que mostrava o busto protuberante.

Ela nos olhava entre surpresa e zombaria.

— Tris, essa é Nicole. – Eric falou com certa irritação na voz, não parecendo nenhum um pouco abalado com nosso flagra, - Ela é uma das responsáveis pelo arsenal.

Eu estendi a mão para cumprimentá-la, mas Nicole não percebeu ou preferiu ignorar.

— Eric, se você vai trazer um dos seus casos pro meu arsenal, me avise pelo menos, baby. - ela disse levando a mão ao ombro de Eric.

— Você não toma jeito, Nick. – Eric ralhou, mas não tirou a mão dela de seu ombro, nem a afastou. – Acho melhor irmos. – disse pra mim.

Eu assenti.

— Não tão rápido, bonitão. – Nicole falou. – Max está lhe esperando na esteira número um. Por isso vim lhe chamar. Ele está avaliando um protótipo novo e secreto e quer você lá agora. – completou olhando para mim.

— Pode ir. – eu me apressei em dizer. – acho que dou conta do caminho de volta.

Eric pareceu querer falar algo, mas não disse nada. Apenas acompanhou Nicole por uma porta oposta a que tínhamos entrado.

Fiz o caminho de volta sozinha.

ERIC

— Ela caiu. – contei para Max quando voltamos a minha sala após avaliarmos o protótipo. – Ela me beijou hoje. Nem precisei fazer muito esforço.

— Esse foi um grande dia então... – Max falou empolgado. – Mas você não acha que esta indo devagar demais?

— Não é assim que a Careta funciona Max, - expliquei. – Se eu pressionar, ela foge. Ela não é uma menininha boba que a gente engana fácil. Ela precisa achar que a decisão foi dela. Mas eu não me preocuparia, está tudo indo conforme o que planejei.

— Se você tem tanta certeza... – Max se deu por vencido. - Acho que trazer a garota Prior pro seu lado foi a coisa mais inteligente que você pensou. E você já a convidou para a confraternização dos líderes na sexta?

— Ainda não. – respondi servindo uma bebida para Max e outra pra mim.

— Você precisa levá-la. – Mas retrucou tomando um grande gole. – Esfregue na cara do Andrew Prior que a filhinha dele está do nosso lado agora. Ela já sabe de Marcus?

— Não. – respondi recostando-me na cadeira pensando vagamente no beijo que ela me dera. – como abafamos a informação aqui na Audácia, - continuei - ela parece que também não sabe de nada.

— Então ela não sabe ainda que o pai dela é o novo líder do conselho? Não sabe que o ex-sogro morreu?

— Ela não sabe de nada. – confirmei. – E é melhor assim. Quanto essa morte do Marcus... – refleti. – não é estranho o filho dele ter morrido, ele ter morrido poucos meses depois de ataque cardíaco, justamente quando que descobrimos que a mulher dele que estava morta, está viva e liderando um grupo dentro dos sem-facção?

— O que você está insinuando, Eric?

— Nada. – falei. – Só acho que seu fosse uma mulher que passou anos sendo agredida e tivesse fugido e me tornado líder de um grupo de criminosos, uma hora eu iria querer voltar pra me vingar.

Max pareceu refletir. Eu sabia, que assim como eu, ele não achava aquela ideia tão insana.

TRIS

Não consegui pegar no sono rápido aquela noite.

Estava ardendo com a lembrança do beijo de Eric e todas as sensações que ele despertou em meu corpo que há tanto tempo não era tocado. Eu sabia que meu corpo só pedia mais, mas eu também sabia que não podia dar o que ele queria. Eu ainda lembrava do modo como Nicole me olhou, não queria que as pessoas me olhassem assim, como mais um caso de Eric, como a esposa do ex-inimigo que ele seduziu só mostrar que podia. Isso era desrespeitar a memória de Quatro e eu me sentia muito culpada por isso. Mas aquele beijo...

Ah, estava muito difícil esquecer aquele beijo. E mais difícil ainda, me convencer de não querer mais.

Na manhã seguinte, voltei a sala de treinamento.

Treinei sozinha, pois eu ainda não tinha combinado com Eric quando ele me treinaria e não sabia como faria isso depois dos últimos acontecimentos e da minha imprudência. Demorei um pouco depois do almoço tomando coragem para ir para o trabalho, sabendo que teria que encarar Eric.

Quando finalmente me decidi e cheguei a sua sala, ele estava em sua mesa, trabalhando no computador.

— Está atrasada. – ele disse sem levantar o olhar quando entrei.

— Desculpe, tive um contratempo. – me expliquei enquanto guardava meu casaco e minha mochila em um pequeno armário de madeira para este fim.

— Espero que isso não se torne um hábito. – ele falou indiferente enquanto trabalhava.

— Não se preocupe não se repetirá. - eu disse ficando de pé em frente à mesa dele, ele continuou sem parar o que fazia no computador. – Então, o que você quer de mim hoje? – perguntei tentando soar o mais profissional possível.

Eric parou de digitar e ergueu o olhar pra mim.

— Não me faça esse tipo de pergunta, Careta. – respondeu sério. – Estou tentando ser profissional aqui.

Algo despencou no meu estômago. Ele não soou malicioso, mas entendi o que ele quis dizer.

— Eric, sobre ontem... – eu comecei.

— Não precisamos falar sobre isso. – ele cortou. – por hoje, vamos trabalhar. Tem muita coisa a ser feita. Deixe que as coisas se acertam naturalmente. – concluiu com uma piscadela.

Uma onda de alívio me invadiu. Eu nunca imaginaria que Eric poderia ser tão compreensivo. Ele estava me deixando totalmente a vontade novamente, e evitou o meu constrangimento de ter que me explicar pelo beijo que roubei.

— Tem uma lista ali na mesinha com as coisas que preciso pra hoje. – ele continuou apontando pra mesa. Eu tenho uma reunião com Max daqui apouco, mas volto no fim do expediente.

Dizendo isso ele levantou, juntou algumas coisas e saiu levando apenas uma pasta.

Reencontrei Eric apenas no fim do expediente conforme ele dissera.

Eu estava jogada no divã da sala dele, exausta.

Exaurida até o fim das minhas forças.

Eric me deixara uma senhora lista de coisas para fazer. Chequei com o supervisor de suprimentos tudo que tínhamos recebido da Amizade para aquele mês, realizei os pagamentos dos créditos de toda a ala administrativa da Audácia, por fim, ainda tive que ir até uma loja de roupas pegar duas grandes encomendas que só poderiam ser entregues mediante minha assinatura. Ao fim do expediente, meus pés doíam e eu só queria me deitar por muito tempo.

Estava no divã dando um tempo para tomar coragem pra levantar e ir pra casa. Eu não estava esperando Eric, de jeito nenhum. Pelo menos isso era o que eu dizia para mim mesma.

E foi nesse momento que ele voltou para sala, com um semblante tão cansado quanto o meu.

— Que folga, heim? – ele ralhou com divertimento enquanto me viu deitada em seu divã. Eu não levantei.

— Estou exausta. – respondi. – Você acabou comigo hoje.

— Já lhe disse pra não me falar essas coisas. – ele falou ficando de pé ao lado do divã. – Mas o dia está quase terminado. Você pegou as encomendas da loja de roupas? – perguntou indo checar a correspondência que eu colocara na mesa dele.

— Estão ali no canto. – disse me levantando para pegar os embrulhos. Era uma caixa clara e outra escura, pus as duas sobre a mesa dele.

— Essa aqui é sua. – Eric disse pegando a caixa clara e me entregando. – é um traje social da audácia.

— E pra que eu iria querer isso? – perguntei confusa. – já tenho minhas roupas.

— Amanhã à noite teremos a confraternização anual dos líderes das facções. – ele explicou parecendo entediado. – Você deve saber o que é.

Eu assenti, pois sabia o que era isso. Era um evento comemorativo, onde os líderes se confraternizavam após fechar os orçamentos e metas do ano seguinte, meu pai e minha mãe sempre participavam, pois meu pai era membro do conselho. Era a única noite do ano onde meus pais colocavam um traje social da Abnegação e minha mãe sempre ficava lindíssima.

— Você quer que eu lhe acompanhe? – indaguei surpresa com o convite.

— Sim, - ele respondeu com simplicidade. – Não se assuste... não é grande coisa. Como sou solteiro, sempre vou sozinho e isso torna tudo ainda mais entediante. Você nos ajudou tanto que Max sugeriu que eu lhe convidasse.

Saber que o convite tinha partido de Max me deixara um pouco desapontada.

— Venha comigo, - ele insistiu, de pé do outro lado da sala. - É uma oportunidade de ver seus pais...

— Eles me odeiam, Eric. – disse desanimada.

— Mas você não os odeia. E além do mais, eu vou estar lá. Faremos companhia um para o outro.

— E por que você não leva Nicole? – indaguei sem conseguir me conter.

— Um evento diplomático não é lugar para alguém explosivo como Nicole.

Ele deu um argumento plausível ao invés de apenas dizer que preferia me levar.

— Eu também sou explosiva e não muito diplomática.

— Mas você eu acho que posso controlar.

— Você realmente não me conhece, Eric. Eu não posso ser controlada. – disse pegando minha mochila, o casaco e o embrulho. – mas aceito o convite. Boa noite.

Demorei muito tempo me arrumando na noite seguinte. Eu estava nervosa e ansiosa. Por vários motivos.

Ir pra esse evento tendo Eric ao meu lado era apenas um deles. Eu ia ver meus pais. Eu só tinha visto minha mãe uma vez no primeiro dia de visita que tive na Audácia, meu pai nunca veio e minha mãe nunca voltou. Nem quando casei, nem quando enviuvei.

O traje que Eric me dera era mais bonito do que eu imaginava e me serviu completamente bem. Era um vestido preto longo com um decote grande demais em V nas costas e também na frente. Ele colava-se no meu corpo, mostrando-me no espelho que eu tinha mais curvas do que imaginava. O símbolo da Audácia estava bordado em prata do lado esquerdo do peito. Aquele vestido mostrava muito bem aonde eu pertencia agora.

E tinha também aqueles sapatos de salto, que graças a meu bom equilíbrio, não tive muita dificuldade em usar.

Arrumei meu cabelo em um coque frouxo, o melhor tipo de penteado que eu conseguiria fazer sozinha e também fiz uma maquiagem simples, usando as coisas de Christina. Acabei ousando um batom vermelho. Não pedi ajuda de Christina, primeiro por que ela, graças a Deus, não estava em casa e segundo, por que isso despertaria um mar de perguntas que eu não gostaria de responder.

Eu estava totalmente pronta quando a campainha tocou. Eu não sabia quem era, mas tive que atender, mesmo não querendo que alguém me visse arrumada daquele jeito.

Mas, quando abri a porta, vi que era Eric.

E ele estava incrível.

O cabelo estava penteado para trás e ele vestia um paletó preto e um sobretudo comprido. Era um homem verdadeira bonito, eu pude constatar.

Ele também pareceu impressionado ao me ver.

— Até que você não está tão mal pra uma Careta. – ele quebrou o silêncio.

— Eu... eu não sabia que você viria me buscar. – disse atrapalhada.

— Assim você não se atrasa. Está pronta?

— Claro, só um instante.

Fui até meu quarto e peguei meu casaco. Deveria estar congelando lá fora.

Eric me deu o braço e saímos juntos de braços dados, eu me sentindo extremamente deslocada e agradecendo aos céus por ninguém nos ver no corredor e nem no elevador.

— Andrew vai ficar impressionado quando ver que tem uma filha tão linda. – Eric falou quando descíamos no elevador.

— Ele não vai nem olhar pra mim. – retruquei com amargura. – Não sou mais filha dele.

— Isso é o que você pensa. Nunca esquecemos quem amamos.

Eu não respondi. Era muito estranho ouvir Eric falar esse tipo de coisa, não parecia algo que achava que ele diria. A cada dia que passava eu achava que o conhecia menos. Ou mais.

Saímos do complexo e encontrei o veículo militar da Audácia estacionado, o mesmo em que Eric fora me buscar na cerca anos atrás. Olhei para o carro sem entender.

— O que foi? – Eric indagou jogando as chaves no ar. – Achou que a gente ia pular em um trem vestidos desse jeito?

Eu ri e entrei no carro. Seguimos pra sede do conselho.

A noite estava congelante.

Foi um grande alívio quando pudemos entrar na sede do conselho onde tudo era mais quente. Já havia muita gente quando chegamos, todas as cores das facções misturadas.

Eric me deu o braço novamente e entramos juntos. Eu pude perceber que muitos rostos viraram-se para nos ver entrar. Acredito que éramos as pessoas mais jovens ali.

Não circulamos muito e Eric me levou direto para a mesa onde estavam os outros líderes da Audácia, o que foi uma alívio. Max levantou quando nos viu.

— Achei que não vinham mais. – ele disse animado pegando em minha mão e beijando-a. Um ato cavalheiresco que eu nunca imaginei vir de um homem enorme e endurecido como Max. – Você está linda. – ele me disse galanteador.

— Max, não olhe demais para minha acompanhante, ou Serena ficará com ciúmes. – Eric disse simpático indo cumprimentar a bela mulher negra de grande cabeleira que estava sentada ao lado de Max.

— Ela sabe que não tem nenhuma concorrente. – Max falou ao sentar e segurar na mão de Serena, que parecia muito a vontade. – Vocês chegaram quase na hora do discurso do líder do conselho.

Eles todos olharam para um pequeno palco onde uma pessoa conhecida entrou e se aproximou do microfone. Eu logo o reconheci. Era meu pai e ele vestia o mesmo traje social cinza que eu o via vestir para essa confraternização desde que era criança. Meus olhos ficaram molhados.

Mas por que meu pai estava ali para o discurso? Me perguntei. O discurso não devia ser de Marcus?

— Onde está Marcus? – sussurrei ao ouvido de Eric quando meu pai agradeceu a presença de todos.

— Marcus não é mais o líder do conselho. – Eric falou baixinho próximo a meu ouvido. – Seu pai é.

Aquela revelação me acertou em cheio.

— E quando você iria me contar isso? – sussurrei irritada.

— Achei que você soubesse. – Eric sussurrou em resposta. – É uma informação pública, todo mundo sabe.

Eu estava chocada. Isso fazia de meu pai o homem mais influente da cidade. E agora eu entendia por que todas as sugestões que dei para Eric convencer o conselho funcionaram, por que foi meu pai que falou tantas vezes daquelas sugestões, eu aprendi com ele.

— E onde está Marcus? – indaguei ao olhar em volta procurando-o entre os membros da Abnegação presentes no salão.

— Morto. – Eric respondeu naturalmente.

— Como assim? – sussurrei ficando mais surpresa a cada momento.

— Um belo dia, ele simplesmente não acordou. – Eric disse como se fosse engraçado. – Parece que foi o coração.

Senti um aperto na garganta. Eu não gostava de Marcus, mas mesmo assim ele era o pai Quatro, o último vivo que tinha o sangue dele.

O último, por que eu não consegui gerar o filho de Quatro.

Senti o aperto na garganta me sufocar após lembrar daquele fato que eu tentava esquecer desesperadamente. Mas já era tarde, as lágrimas começaram a sair.

— Você não está chorando por causa de Marcus, né? – Eric indagou ao ver meu estado, as outras pessoas da mesa já olhavam pra mim.

Eu fiz que não com a cabeça, mas só comecei a chorar mais.

— Venha, vamos sair daqui. – Eric disse pegando minha mão. – Levantamos juntos e muita gente no salão nos olhou, pois meu pai ainda discursava algo que eu não escutava.

Eric me levou até uma varanda, a essa altura eu já chorava desesperadamente e tremia de frio, pois havia saído sem casaco. Ele me abraçou e chorei por algum tempo em seu peito.

— Por que você está assim? – ele perguntou enquanto acariciava meus cabelos. – Você gostava tanto assim de Marcus?

— Eu odiava Marcus. – respondi entre lágrimas. – Mas a morte dele me fez lembrar de uma coisa.

Eric não perguntou o que era, mas eu queria dizer mesmo assim. Me afastei dele e o olhei, ele me olhava com preocupação.

— Eu estava grávida quando Quatro morreu. – revelei. – ele nunca chegou a saber. E a morte dele me fez perder o bebê. Perdi os dois.

Eric não disse nada, apenas me abraçou outra vez. Só que eu não chorei mais. Fui me acalmando aos poucos. Quando senti que estava bem, me afastei dele.

— Acho que estou melhor. – eu disse limpando os olhos. – desculpe por isso.

— Estou á disposição. – ele falou com um pequeno sorriso.

— Acho melhor voltarmos. – falei um pouco constrangida. – Vou ao toalete dar um jeito no meu rosto. Daqui a pouco te encontro na mesa.

Eric não discutiu, eu saí antes dele e caminhei até o toalete.

Estava retocando a maquiagem quando minha mãe chegou ao meu lado.

— Beatrice... – ela falou calmamente. – Você esteve chorando?

Eu guardei o pequeno estojo de maquiagem em minha bolsa e encarei minha mãe, ela continuava linda como sempre.

— Estou bem. – respondi sem jeito. – E eu me chamo Tris agora.

— Você sempre será Beatrice pra mim. – ela replicou de forma serena. – Estive muito preocupada com você... Principalmente depois da morte de Tobias...

— Você nunca me disse que o conhecia.

— Eu sempre soube que era ele, desde quando te visitei pela primeira vez. E eu fiquei feliz por que sabia que com ele você estava segura, mas tenho estada aflita depois que ele se foi... e seu pai também.

— Ah, por favor... – eu disse sem acreditar. – Vocês nunca nem me visitaram...

— Max nos dá notícias de você. E ficamos preocupados quando você esteve em depressão... - ela revelou. – Pedimos pra Max ajudá-la. E eu estou tão feliz de vê-la tão linda e recuperada.

Então entendi que Eric me ajudara por que Max pediu, isso a pedido de meus pais. Por isso não me expulsaram da Audácia, por isso me deram outro emprego. Muita coisa fazia sentido agora.

Então senti um agradecimento profundo a minha mãe. E a abracei, e chorei novamente.

E tive que retocar a maquiagem novamente antes de sair.

Quando voltei a mesa, Eric que me chamou antes que eu sentasse e começamos a circular juntos. Ele me ofereceu uma taça do mesmo líquido dourado e espumante que tomamos no dia que terminamos o relatório.

— Você está melhor? – ele indagou ao meu ouvido.

Eu fiz que sim com a cabeça. Vi minha mãe voltar para a mesa onde agora meu pai estava, ele não me olhou nem por um momento.

— Ah, Eric, aí está você.

Fomos parados por uma mulher loira que vestia um belo vestido azul Royal. Eu a reconheci na hora. Jeanine não era um rosto que se esquecia facilmente, mas o que me impressionou foi a pessoa que estava a seu lado, Caleb.

— Jeanine. – Eric cumprimentou. – Acho que não preciso apresentar Tris.

— Claro que não. – Jeanine respondeu me olhando com um sorriso genuinamente falso. – Você está linda.

— Vocês estão juntos agora? – Caleb perguntou de mal humor. Ele estava com ciúmes?

— Não que eu não gostaria, - Eric brincou. – Mas ela é minha assistente.

— Parece que todos os Prior subiram na vida, então. – Jeanine replicou em tom de brincadeira. – Caleb também é meu assistente.

- Receio que temos que ir, Jeanine. – Eric disse educado. – mas como sempre, foi um prazer revê-la.

Olhei uma vez mais para Caleb que nada disse, apenas nos olhava seriamente.

Eric me conduziu para longe deles.

— Acho que é hora de irmos. – Eric comentou. – Já circulamos o bastante e o resto da noite aqui vai ser entediante, além do mais, parece que seu irmão vai me atacar a qualquer momento...

— Caleb? Ele é um covarde, - disse com amargura. - seria mais fácil você rachar o crânio dele no primeiro golpe.

— É impressão minha ou alguém aqui está revoltada com o irmão? – Eric brincou quando pegamos nossos casacos. Nesse momento pude ver meu pai do outro lado do salão.

Ele nos olhava com o mesmo olhar que Caleb nos olhou.

Quando chegamos do lado de fora do prédio, o carro da Audácia não estava mais lá.

— Vamos ter que voltar de trem. – Eric me informou. – Cedi o carro para levar alguns guardas até a cerca.

— Tudo bem. – eu disse feliz por ter saído daquele salão que me sufocava. – Vai ser o salto mais chique da nossa vida.

Chegamos próximo dos trilhos e ficamos aguardando o próximo trem. A noite tinha esfriado mais ainda, e mesmo com o casaco, eu estava congelando.

— Eu não quis dizer antes, mas você está linda demais essa noite. – Eric falou sério ao meu lado.

Eu estremeci mais ainda pelo frio e pelo o elogio.

— Você também não está de se jogar fora. - Retruquei tentando deixar a situação menos tensa.

Cruzei os braços para me esquentar, Eric fez o mesmo, mas não se aproximou de mim. Um apito ressoou ao longe, avisando que nosso trem chegara. O trem passou e Eric correu rápido, pulando em um dos vagões, eu corri com um pouco de dificuldade por causa do vestido, e mesmo com minha experiência, quase perdia o vagão, mas segurei a mão de Eric, que me puxou com uma força incrível. Entrei desequilibrada e caí por cima dele.

— Obrigada, - falei com a respiração cansada.

— Não há de quê. – ele respondeu e antes de eu poder esboçar qualquer reação, ele me beijou.

E apesar de uma vozinha na minha cabeça dizer: NÃO, NÃO, NÃO, uma vontade incontrolável me fez corresponder o beijo instantaneamente.

Nosso beijo traduzia tudo o que eu sentia naquele momento. Meu corpo ardendo, e o desejo que era implacável e inebriante.

Eu continuava por cima de Eric e me ajustei em cima dele sem parar de beijá-lo sentindo que ele estava tão excitado quanto eu. Eu não fugi daquela excitação, muito pelo contrário, me juntei a ela, forçando meus quadris contra os dele. Ele desceu uma das mãos pelas minhas costas e com a outra desnudou meu decote deixando meus seios à mostra, ele parou de beijar minha boca e desceu os beijos por meu pescoço e colo, chegando até meus seios e tomando um deles na boca o que me fez gemer de satisfação.

Eu tinha certeza do que eu queria, eu queria tudo. Então levei uma mão até o cinto de Eric e o desafivelei com um pouco de dificuldade, abrindo em seguida o botão de sua calça.

— Garotas caretas não fazem esse tipo de coisa... – ele gemeu entre suspiros quando peguei o membro dele e o expus para fora da calça.

— O diabo que não fazem... – eu disse conduzindo ele para dentro de mim com uma urgência que não permitiu, nem precisou que eu tirasse a calcinha. Eu continuei em cima dele, conduzindo aqueles movimentos de acordo com minha vontade, com minha excitação. Nós nos beijávamos ardentemente e gemíamos nos intervalos à medida que eu aumentava os movimentos em meus quadris para senti-lo mais dentro de mim, tê-lo todo pra mim.

Quando eu cheguei ao limiar do prazer, estremeci e deixei um gemido longo ecoar pelo vagão. Eric estremeceu em seguida, entrando mais profundamente dentro de mim.

Foi rápido, intenso, profundo. Quase animal.

Deixei-me cair por cima dele, enquanto minha respiração se desacelerava. Depois de um breve silêncio, rolei para o lado.

Eric manteve-se calado, ainda respirando com dificuldade.

— Acho que sim. – ele disse ainda com a respiração entrecortada pouco depois. – Seu irmão me mataria nesse momento.

Eu ri muito alto. Eric quebrou a tensão. Ele fazia as coisas serem fáceis demais.

— Pelo menos quando as pessoas perguntarem, - ele disse abotoando a calça e ajeitando o cinto de volta. – posso dizer que foi você quem me seduziu.

— Prefiro que as pessoas não saibam de nada, - eu disse me sentando e ajeitando o vestido. – Não preciso lidar com a censura delas.

— E por que censurariam? – ele disse sentando-se também. – Você é uma mulher jovem, linda e livre.

— Eric, foi muito bom o que aconteceu agora. Eu quis e não me arrependo, - expliquei. – mas não vai voltar a acontecer. – falei me levantando. – Acho que é o nosso ponto.

Saltei antes dele e consegui parar de pé, sem perder o equilíbrio. Senti o chão gelado antes de calçar novamente meus saltos.

— Boa noite. – eu disse quando Eric chegou ao meu lado. Saí apressada pelo complexo. Ele não me impediu e nem me acompanhou.

ERIC

As coisas não tinham saído muito bem como planejei.

Tudo estava dando certo. Andrew Prior me viu com sua filha e eu percebi que causei o efeito esperado. Eu havia finalmente transado com a Careta, mas tudo aconteceu diferente do que eu achava que aconteceria. Eu gostei mais do que achei que gostaria. E no final, ela não parecia uma boba apaixonada por mim.

E além do mais, foi ela quem me dominou. E foi ela quem me chutou depois.

Tomei mais um gole de bebida enquanto pensava nisso tudo, seria uma longa noite sozinho naquele apartamento.

No fim da noite, eu já entendia por que Quatro era vidrado naquela mulher.