Divergente não me pertence.
CAPÍTULO 13
Paixões que ardem, fantasmas que assombram
"Eu perco o controle por sua causa, baby.
Eu perco o controle quando você me olha deste jeito.
Há algo mágico em seus olhos que está dizendo que esta noite eu não sou mais uma criança e a vida nos abriu uma porta para uma nova e incrível vida."
You and I, Scorpions
TRIS
Encontrei Eric muito cedo na sala de treinamento na manhã seguinte. Ele estava lá conforme o combinado.
Nos cumprimentamos de uma forma distante e profissional e ele passou a falar comigo da mesma forma que fazia quando eu estava na iniciação. Totalmente distante.
Mandou que eu fizesse aquecimento, enquanto ele mesmo fazia o dele. Depois algumas séries de abdominais e musculação, enquanto eu fazia os meus exercícios, ele fazia os dele sem parecer prestar atenção em mim. Em nenhum momento tivemos qualquer contato físico, quase nenhum contato visual e pouco contato verbal. E isso estava me deixando oscilar entre estar tranquila e ansiosa o tempo todo.
Quando terminei todas as séries que ele tinha me passado em um papel, fiquei de pé observando ele terminar uma série particularmente longa de levantamento de halteres que pareciam pesar uma tonelada. Ele estava deitado e eu ficava observando seu tórax subir e descer na regata preta e o short que mostrava as coxas trabalhadas de quem se dedicava tanto ao corpo quanto a mente. Ele não fez muito esforço para terminar enquanto eu fiquei parada observando-o.
Quando ele finalmente terminou, deixou o haltere sobre uma barra acima de sua cabeça e levantou completamente suado.
— Da próxima vez, vou cobrar ingresso, Careta. – ele disse com um sorriso safado ao levantar e passar por mim. – Esse seu olhar vidrado me deixou pelado. Acho que isso é assédio... – completou enquanto pegava uma garrafa d'água e bebeu em grandes goles.
— Engraçadinho... – respondi sarcástica, não demonstrei o quanto de verdade eu sabia que tinha na afirmação dele. Eu realmente, por um momento, o imaginei completamente sem roupa. Algo que nunca tinha acontecido, apesar do que já tinha acontecido entre nós.
— Vamos treinar com armas agora. – ele disse subitamente mudando de assunto, como se não tivesse feito nenhum tipo de gracinha. Então, andou até uma das áreas de tiro e eu sabia que devia acompanhá-lo. Eric voltara ao modo instrutor, e eu conhecia aquele modo em que ele encarnava um general.
Quando chegamos a área de tiro, vi algumas das armas que eu já conhecia e as quais sabia perfeitamente manipular. Quatro me ensinara a usá-las em um tempo que parecia ter pertencido a outra vida.
Eric não se deteve nessas armas e nem me perguntou se eu ainda sabia usá-las. Ele foi até uma mesa onde havia armas mais modernas que eu não conhecia.
— Essas são as armas que estamos fabricando atualmente. – ele começou mostrando-as e parecendo particularmente fascinado. – primeiro quero ensinar você à montá-las.
Eric pegou a primeira arma e habilidosamente a montou e com rapidez e precisão. Eu peguei outra igual e repeti o movimento quase tão rápido quanto ele.
Ele pareceu um pouco surpreso com minha habilidade, mas não fez nenhum comentário a respeito. Montei quatro modelos diferentes de arma, aproximadamente umas dez vezes cada uma.
— Eu acho que já podemos passar dessa parte. – ele disse quando terminei de montar a última arma pela décima vez. Por mais habilidosa que eu fosse, Eric não me dispensou de nenhum exercício. – Agora podemos começar a atirar. Vamos ver se sua mira ainda funciona, Careta. – disse debochado.
Não sei se Eric fez de propósito, mas ele pegou a arma mais diferente que tinha na mesa. Eu não fazia nem ideia de como segurá-la. Peguei uma igual e fiquei esperando ele me mostrar. Ele empunhou a arma e apertou o gatinho que mais parecia um botão. Um laser laranja foi lançado e abriu um pequeno buraco redondo no centro do alvo.
Eu tentei imitar, e empunhei a arma, mas não conseguia acessar o botão de atirar com facilidade e quando finalmente consegui, atirei a quase três metros do alvo, fazendo um pequeno buraco circular no alto da parede.
Eric riu.
— Você está mais enferrujada do que eu imaginava. – ele zombou, - tente novamente.
Da segunda vez encontrei o botão com um pouco mais de jeito e o laser passou a menos de um metro do alvo, mas ainda era longe.
Tentei mais cinco vezes e lembrei de Will me dizendo certa vez, que eu já devia ter acertado pelo menos por acaso, por probabilidade estatística. Eric devia estar pensando a mesma coisa.
— Chega. – ele falou quando eu ia tentar novamente. – Eu estava me perguntando que horas você ia se tocar que está segurando a arma de forma errada, mas parece que você nunca vai se tocar disso.
Eric veio até mim e se aproximou por trás. Colocou as mãos sobre as minhas que seguravam a arma e ajustou meus dedos na posição correta. Minhas mãos tremiam e rezava internamente para que ele não percebesse, eu podia sentir a respiração dele no meu pescoço e a regata roçando nas minhas costas. Ele estava me ensinando a empunhar a arma da mesma maneira que Quatro me ensinara quando eu era apenas uma iniciante, e assim como daquela vez, eu tinha borboletas no estômago.
Atiramos juntos e finalmente eu acertei o alvo. Não em uma posição muito promissora, mas pelo menos eu conseguira. Olhei para o lado e meu rosto encontrou o de Eric muito perto. Nossos narizes quase se encostando.
Senti vontade de beijá-lo novamente. Mas não o fiz. Ele tirou as mãos das minhas e se afastou.
— Pode continuar. – falou mecanicamente, se afastando e ficou me olhando com os braços para trás naquela pose de general tão característica dele.
Eu fui melhorando e cerca de vinte minutos depois já acertava o alvo com facilidade.
Eric conferia alguma coisa em seu computador de mão enquanto me observava de vez em quando. Quando ele fez sinal para que eu parasse, minhas mãos já doíam.
Ele apanhou sua mochila de treino e eu fui pegar a minha, eu entendi que a sessão daquele dia tinha terminado.
— Dean vai terminar seu treinamento essa semana. – ele me informou casualmente. – Vou estar fora pelo resto da semana. Você também só precisa ir ao escritório para organizar as coisas, deixei uma pequena lista. Pode sair mais cedo nesses dias.
— Pra onde você vai? – perguntei sem me conter, não sei se gostei da ideia de não ver Eric por muitos dias.
— Essa informação é restrita aos líderes.
Dizendo isso, Eric me deu as costas e saiu da sala de treinamento me deixando confusa, curiosa e levemente perturbada.
Não vi Eric pelo resto da semana, e quando digo que não o vi, não o vi mesmo.
Dean, um dos soldados de elite da Audácia, continuou meu treinamento, assim como Eric dissera. Eu bem que tentara persuadi-lo a me dizer o paradeiro de Eric, mas ele não sabia e parecia estar sendo sincero, apenas me disse que ele deveria estar envolvido em algo secreto da facção, o que eu já sabia. Na quarta-feira, eu confirmei isso com Selena, a esposa e assistente de Max que me disse para não me preocupar que eles estavam fora resolvendo questões importantes.
Eu não me contentei com essas explicações. Nunca fui o tipo de pessoa que aceitava meias explicações. Eric nunca ficara fora tanto tempo, e visto que vivíamos em uma cidade totalmente cercada, ele não poderia ter ido muito longe.
Sem pudor algum eu vasculhei o que pude nos arquivos de Eric e até tentei invadir o computador dele, mas com minha parca experiência com computadores isso se tornava impossível, fora que o filho da mãe tinha senha pra tudo e não consegui nada nas minhas tentativas.
Vasculhei as gavetas dos armários e da mesa dele, pelo menos as que não estavam trancadas a chave, mas não havia nada, apenas os arquivos organizados da Audácia, Eric não era o tipo de cara que deixava pistas de sua vida por aí. Não consegui nada vasculhando a sala toda.
Naquela quarta-feira, exausta de procurar e de ficar imaginando o que Eric estaria fazendo e entediada em ficar naquela sala estranhamente lúgubre sem ele, saí mais cedo e dei uma volta pelo complexo. Era final de tarde quando me sentei no fosso e fiquei refletindo sobre tudo aquilo, de repente, lembrei de minha conversa com Zeke ali no fosso tempos atrás e da conversa que se seguira na sala de Eric cuja marca rosada ainda desaparecia de meu braço.
Por que Zeke me tratara daquela maneira? Eu não tinha mais topado com ele desde aquela conversa e soube por Christina que ele tinha sido trocado de turno e trabalhava exatamente nos horários em que eu estava de folga. Eu tinha certeza absoluta que havia o dedo de Eric ali.
O treinamento e a preocupação com o paradeiro de Eric me fizeram esquecer de Zeke por um tempo, mas agora eu lembrava do que aconteceu e me sentia sinceramente assustada.
Zeke e eu nunca fomos muito íntimos. Depois da morte de Quatro, ele aparecia de vez em quando junto com os outros, na verdade, apenas Christina e Uriah tentaram por mais tempo me tirar da depressão, os demais pareciam ter medo de se aproximar e se contaminar com meu sofrimento.
Então lembrei de Uriah. Ele era o irmão mais novo de Zeke e sempre fora um dos meus melhores amigos na Audácia. Ele me aceitara quando eu era apenas uma iniciante transferida e sem a menor chance de permanecer na facção e eu o amava por isso. Na verdade, acho que se Quatro e Marlene não existissem, não teria sido nada difícil eu e Uriah nos apaixonarmos. Nossa simpatia um pelo outro foi imediata.
Eu ri da ideia sem noção e decidi que ia visitar meu amigo, talvez através de Uriah eu conseguisse decifrar qual era a de Zeke e também pudesse esquecer um pouco minha preocupação a respeito de Eric, e o que eu não podia admitir nem pra mim mesma, a falta que ele estava fazendo.
A mãe de Uriah me recebeu com uma cara de poucos amigos. Ela nunca gostara realmente de mim e eu pensei que foi melhor mesmo o destino não ter feito eu e Uriah um casal, pois não seria nada fácil tê-la como sogra. Ela simplesmente me levou ao quarto de Uriah e o chamou batendo na porta. Ele abriu pouco depois com cara de sono. Uriah trabalhava no período noturno como vigilante na cidade e dormia quase o dia todo.
— Tris! – ele pareceu surpreso e animado em me ver. – Entra aí!
Eu entrei sob o olhar severo da mãe de Uriah que sumiu quando ele fechou a porta atrás de nós. Conheci Uriah quando ele era um meninão negro, alto e meio magricela, agora, ali só de short eu tinha percebido que ele se tornara um homem bonito e atlético.
Uriah vestiu uma blusa e puxou uma cadeira para que eu sentasse.
— Por que veio me ver, Tris? – ele perguntou sem rodeios. – Em todos esses anos na Audácia, você nunca me fez uma visita. Vai me dizer que finalmente percebeu meu charme irresistível e veio se jogar a meus pés? – ele brincou. – É uma pena, mas já estou namorando...
Eu ri. Uriah sempre me fazia rir. Era automático.
— Bem, você sempre foi um bom amigo, Uriah. – eu comecei sincera, - Eu nunca disse isso, mas eu sempre fui muito grata por você ter me apoiado na iniciação quando pouca gente acreditava em mim...
— Careta, não fale assim, se não me emociono... – ele brincou novamente. Uriah era assim, sempre usava brincadeiras para bloquear emoções.
— Bem, - eu continuei, - eu sei, portanto, que posso contar com você sobre uma coisa...
Então eu contei tudo a Uriah. Contei sobre minha depressão, o por que de eu ter afastado todos, do meu aborto espontâneo, da minha demissão e do resgate que Eric me fizera, de nossa aproximação e do fato de termos transado. Depois disso tudo, falei de Zeke e de seu comportamento estranho.
— Ele fez isso? – Uriah indagou irritado quando eu contei sobre a cena na sala de Eric. – Vou quebrar a cara daquele idiota! Olhe, Tris, eu odeio Eric como a maioria das pessoas nesse complexo, mas nenhum de nós tem o direito de se meter nas suas escolhas,- reiterou indignado. - e pelo que percebi, até agora, ele te fez mais bem do que mal. Eu não sei o que se passou na cabeça retardada do meu irmão...
— Nem eu, Uri. – suspirei cansada. – por isso vim até aqui, para saber o que você poderia achar.
— Pensando bem, ele tem andado estranho, sabe. – Uriah disse pensativo. – às vezes ele some por muitas horas e nem Shauna sabe por onde ele anda, eles chegaram até a brigar sério por causa disso. Você sabe que meu irmão sempre foi um pouco mulherengo... – brincou. – Ele não é o mesmo depois da morte do Quatro. Ele passa muito tempo sozinho, muito tempo nos computadores da sala de monitoramento, até quando não está no seu turno. É como se estivesse escondendo algo. Ou talvez esteja apenas sofrendo. Não faço ideia do que seja.
— Bem, eu só queria compartilhar isso com você. – disse por fim. – Se souber de algo. Me procure. – eu disse me levantando.
— Não se preocupe. – Uriah disse repetindo meu gesto. – E Tris, você sempre vai ser a Careta que me impressionou quando pulou primeiro pro desconhecido naquele primeiro dia. – ele confessou. – eu sempre quis proteger você, claro, até descobrir que você não precisava ser protegida. E olha, se Quatro não tivesse chegado primeiro... – dizendo isso ele me deu um grande e demorado abraço que eu sabia que deixaria Marlene furiosa se presenciasse.
Mas afinal, era só uma possibilidade que nunca tinha se concretizado. E Uriah era um dos meus melhores amigos da minha vida.
Era sexta a noite e eu estava, inutilmente tentando me concentrar na leitura de mais um dos livros que pegara da sala de Eric. Se continuasse assim, em menos de um ano eu consumiria toda aquela biblioteca.
Eu geralmente me sentia muito próxima de Eric lendo os livros que ele lera, vendo suas marcações e anotações, a maioria coincidia com minhas próprias ideias. Eu estava mais uma vez, tentando inutilmente me conectar a ele e me sentia envergonhada por isso.
A campainha tocou e fui atender, era um dos rapazes da ala administrativa, me entregou um envelope pardo, eu assinei o recebimento antes de agradecer e fechar a porta.
Era um envelope pequeno. E continha um cartão com a letra rebuscada de Eric.
Preciso de sua ajuda essa noite.
Esteja no meu apartamento as 20h. Leve as pastas do arquivo A.
E.
P.S: Não vista farrapos, teremos convidados.
Eu não sabia qual era a de Eric, mas meu coração acelerou na possibilidade de vê-lo. Já era mais de 19h e me apressei em achar algo que eu pudesse vestir. Acabei encontrando uma saia lápis muito sofisticada e uma blusa frente única entre as coisas que eu comprara com Christina e nunca tinha usado, quando me olhei no espelho, me achei parecida com Jeanine, a bruxa velha da Erudição. Eu parecia muito séria naquela roupa, mas acabei gostando do resultado.
Saí apressada e passei no escritório para pegar as pastas que Eric queria. Quando toquei a campainha do apartamento dele, eram 20:05h.
Ele atendeu a porta e tinha uma cara de terrível mal humor. Mas não foi isso que me deixara aflita. O que me preocupara é que seu braço esquerdo estava em uma tipoia e ele vestia uma camiseta sem mangas, pois seu antebraço estava enfaixado. Ele também parecia um pouco pálido.
— O quê?... – perguntei de súbito, mas ele me interrompeu.
— Depois, Careta. Entre. Está atrasada. – ele falou me dando passagem e subitamente percebi que seu apartamento estava lotado. Parecia estar havendo algum tipo de comemoração ali, havia música, as pessoas bebiam, falavam alto e as mulheres vestiam-se de forma provocante. O que eu não entendia era o por quê da comemoração se Eric estava em um estado nada bom.
— Eu trouxe as pastas. – disse segurando desconfortavelmente o volume com as duas mãos.
— Pode colocar ali. – ele falou apontando para uma mesa em um canto.
Eu coloquei as pastas e voltei até ele.
— Então, por que me chamou? – eu perguntei fingindo não perceber que os olhos de Eric estavam inapropriadamente postados no meu decote.
— Ah, sim, - ele pareceu voltar à realidade. – preciso que você me ajude com isso aqui. – falou olhando em volta. – expulsar essas pessoas.
— Mas, eu achei que você estava dando uma festa. – falei observando o ambiente.
— Eu pareço alguém quer dar uma festa? – ele disse com ar cansado. – Max trouxe todos pra comemorar o sucesso da nossa missão, mas é o que menos preciso nesse momento.
— Eric, acho que eles não vão sair tão cedo. – constatei olhando em volta, vendo as pessoas bêbadas, conversando animadamente na sala, na cozinha e na varanda onde eu nunca tinha estado.
— Ok, então tome um drink comigo. – ele disse indo até a cozinha. – mas vou precisar que você prepare. – falou referindo-se a sua condição.
Poucas pessoas pareciam olhar para mim quando o acompanhei até a cozinha onde havia algumas pessoas bebendo e conversando. Peguei uma das garrafas que estavam sobre a mesa e servi um copo para Eric e outro para mim, peguei gelo na geladeira. Ele sentou em um banco alto e eu sentei em outro próximo, poderíamos perfeitamente ser um casal de jovens bebericando numa festa qualquer.
A bebida tinha um sabor forte, mas bebi rapidamente. Eric parecia concentrado na sua própria bebida.
— Então, onde você esteve? – perguntei em meio à música e conversa que inundava o ambiente.
— O quê? – ele falou alto sem conseguir me ouvir.
— ONDE VOCÊ ESTEVE? – eu praticamente gritei.
— O QUÊ? – ele repetiu aos berros.
Afastei meu banco para ficar bem em frente a ele, então perguntei em seu ouvido.
— Onde você esteve?
— Isso não posso contar, Careta. – ele falou ao meu ouvido.
— Foi nesse lugar que você tomou um tiro? – eu perguntei mais próximo do ouvido dele, minha mão indo parar em sua nuca e eu fiquei surpresa com minha própria ousadia.
— Também não posso contar. – ele repetiu próximo ao meu ouvido, a boca roçando no meu pescoço.
Nos olhamos em seguida, muito perto. E nos beijamos ao mesmo tempo. Uma decisão conjunta.
Eric me puxou apertando o braço livre contra minhas costas, fazendo eu descer do banco alto que estava e ficando de pé entre as pernas dele.
Ficamos ali abraçados e nos beijando por um período de tempo que eu não podia mensurar. Nem passava pela minha cabeça que estávamos nos beijando sofregamente em um ambiente lotado de gente e que todos os olhares deveriam estar pousando sobre nós.
— Sabe, eu gostaria de sair daqui. – ele falou no meu ouvido enquanto me dava beijos suaves no pescoço.
Eu podia dizer não, mas eu me sentia elétrica e excitada e também queria sair dali e ficar a sós com ele.
Terminei minha bebida rapidamente e o puxei pela mão dele que estava livre.
— Vamos. – falei muito alto.
— Pra onde? – eu não escutei, mas li seus lábios.
— Venha! – repeti alto puxando a mão dele e ele se levantou.
Eu o conduzi segurando em sua mão até perto da porta da frente.
— Espere. – ele pediu um instante e pegou a chave que estava sobre uma mesinha próximo a porta, ele a jogou para um jovem rapaz de cabelo moicano que estava abraçado a uma curvilínea garota de cabelos verdes. – Feche ao sair. – eu ouvi ele gritar para o outro.
— Pra onde iremos? – ele perguntou segurando minha cintura quando saímos do apartamento. Uma sensação gostosa subiu por minhas pernas.
— Vamos para minha casa. – eu disse levando uma das mãos ao tórax dele. – Vamos para aquele apartamento decadente onde você mandou me instalar. – eu disse sarcástica, mas não estava zangada.
Andamos pelos corredores como um casal bobo de apaixonados. Era muito divertido e eu não queria pensar em mais nada, só na excitação e antecipação que estavam me tomando. No elevador, Eric me apertou contra parede e subiu minha saia com a mão livre enquanto me beijava. Eu podia sentir o quanto ele estava excitado e isso só aumentava minha excitação.
Quando chegamos a o meu apartamento, estranhamente eu não me importei com o fato de Christina e Will, que estavam juntos nos sofá, nos lançarem um olhar de total perplexidade.
— Boa noite, pessoal. – eu disse com um sorriso, puxando Eric com uma mão para o meu quarto como se fosse a coisa mais natural do mundo. Eric apenas os cumprimentou com um movimento de cabeça.
Quando entramos no quarto, caímos na gargalhada.
— Meu deus! A cara deles era impagável. – Eric disse sentando-se na minha cama.
— Anran, e eles devem ainda estar com a mesma cara. – eu sorri e ele me chamou com a mão que não estava machucada. Ele estava sentado na cama e eu fiquei de pé entre suas pernas, pus as mãos em seu pescoço e o beijei de novo.
E percebi que o que eu queria a semana inteira era beijá-lo.
Eric, então, apertou minha bunda sem nenhum pudor como nunca tinha feito antes.
Eu soltei um pequeno gemido de satisfação.
— Você parece uma daquelas garotas da Erudição nessa roupa, só que muito sexy. – ele sussurrou. – Eu quase pulo em cima de você quando você entrou no apartamento. Mas agora, queria que você tirasse ela pra mim.
Eu fiquei excitada e inibida com o pedido, mas estava na cara que com o braço machucado ele não poderia tirar.
Então desamarrei a blusa frente única e a tire-a o mais lento que pude. Os olhos dele estavam em mim. Eu estava sem sutiã, o que me deixou novamente excitada e inibida. Ele mesmo abriu o zíper na parte de trás da saia e eu a tirei aos poucos.
— Acho que falta algo. – ele disse levando a mão ao elástico da minha calcinha, que aquela hora estava totalmente úmida.
Então eu a retirei e fiquei lá, de pé na frente dele, totalmente exposta. Ele retirou a tipoia e vi que fez uma face de dor ao esticar o braço.
Eu o ajudei a tirar a camiseta enquanto explorava suas costas, depois fiquei de joelhos para ajudar a desabotoar a calça e tirá-la.
— Ah, Careta... não faça isso comigo. – ele suspirou. - É demais pra mim, te ver desse jeito.
Ele ficou só de box e eu podia perceber como realmente estava excitado. E ajudei a tirá-lo também. Libertando-o e deixando-o exposto como eu. Eu me aproximei e tentei ficar por cima dele, mas ele me impediu. Ele me puxou e rolou, ficando por cima de mim.
— Dessa vez eu não vou ser seu brinquedinho. – disse me beijando novamente enquanto suas mãos percorriam meu corpo.
Eu entreabri as pernas e senti quando ele me tomou, com força e urgência. Ele mal tinha começado e eu já me sentia em êxtase.
Eric não era bruto, mas era urgente e intenso. Me tomou com força e foi muito difícil abafar os gemidos meus e deles. E dessa vez não foi rápido, nem feroz.
Foi forte, e depois lento e extremamente gostoso. Nos beijamos muito, como se fosse a última vez que nos beijaríamos. E ele ficou dentro de mim tanto tempo quanto necessário para que eu chegasse ao êxtase, chegando a ele depois de mim e ainda prolongando o máximo possível o momento.
Ao final, nos beijávamos, estávamos suados e tínhamos a respiração entrecortada.
Ele saiu dentro de mim, e deitou a cabeça no meu peito.
— Sabe que faz muito tempo que não faço isso? – ele perguntou com a voz rouca.
— Sexo? - indaguei. - Fizemos a poucos dias... ou esqueceu? – brinquei enquanto mexia no cabelo dele com uma das mãos, alguns cachinhos aparecendo no cabelo quase sem gel.
— Não. Não é sexo. Faz muito tempo que não faço amor. – ele disse com naturalidade e eu não fui capaz de dizer mais nada. Estava meio chocada.
Acho que adormecemos em seguida.
ERIC
Já é tarde e ela dorme profundamente aconchegada sobre o meu peito. Mas eu não consigo dormir apesar do cansaço causado pela semana e do cansaço que ela me causara.
Isso por que as cenas daquele do dia não saíam da minha cabeça.
Chegamos em um esconderijo do grupo que procuramos. Conseguimos surpreender alguns deles, mas logo percebi que ali não era a sede principal, havia poucos deles e foram surpreendidos por nós.
Eles abriram fogo contra nós e um deles me acertou de raspão no braço, mas éramos muitos e eles poucos.
Em pouco tempo eles caíram um a um e logo estavam todos mortos. Quando fomos juntar todos os corpos, não havia sinais de Evelyn Eaton. Mas encontramos algo ainda mais surpreendente.
Um dos corpos era de um garoto de mais ou menos vinte anos que usava um tapa olho. Eu poderia conhecer aquele rosto em qualquer lugar. Edward fora um de meus iniciandos.
Era Edward ali no chão a quem eu acabara de matar. O mesmo Edward que supostamente tinha sido morto por Zeke há mais de um ano, após atirar em Quatro.
Isso queria dizer que Edward não tinha morrido na sala de controle naquele ataque, ele tinha sido morto por mim naquele mesmo dia.
Saí um pouco de meus pensamentos quando ela se mexeu um pouco e eu a aconcheguei em meus braços, apertando-a com mais força que o necessário, como se para protegê-la de alguém que quisesse tirá-la de mim. Como se um fantasma estivesse à espreita, pronto para ressuscitar e tomá-la de mim.
Passei o resto da noite atormentado pelas minhas suspeitas e constatações. Será que Edward era o único que forjara a própria morte naquela noite?
Eu amargava a sensação terrível de que tínhamos sido enganados.
NOTAS
Incluí essa cena com Uriah, por que, depois de Quatro, ele é meu personagem favorito na série. Sério, ele é muito magia e para mim, se não existisse Quatro e Marlene, seria com ele que Tris ficaria, pois ele foi com a cara dela mesmo quando ela ainda era desacreditada por todo mundo.
