Divergente não me pertence.

CAPÍTULO 14

Salve-me agora

"Salve-me agora da profundidade da minha paixão,

Eu poderia me afogar neste mar de amor e isolamento

Mas, te levarei comigo se você simplesmente,

Me salvar agora."

Save me now, Andru Donalds

ERIC

Acordei escutando o bip do meu computador de mão que estava no bolso de minha calça jogada no chão. Afastei ela com cuidado para não acordá-la, e levantei com um desgosto incomum, geralmente não tenho nenhum problema com desapego pós-sexo, mas tive que fazer um esforço extra para sair do conforto que sentia ali.

Joguei esses pensamentos pro lado, levantei e peguei o pequeno computador no bolso da calça, desliguei o alarme antes que acordasse ela.

Havia uma mensagem de Max.

Preciso de você na sala de monitoramento. Urgente.

No visor a hora marcava quase quatro da manhã. Vesti minhas roupas o mais silenciosamente possível. Olhei para ela que dormia profundamente e saí do quarto.

Andei devagar pela pequena sala escura para não fazer barulho, mas antes de alcançar a porta da frente, fui assustado por um vulto que estava de pé na penumbra.

— Saindo sorrateiramente depois de conseguir o que queria, Eric?— a voz da irônica da chata da Christina irrompeu na escuridão. Ela estava recostada no balcão da cozinha e tomava uma xícara de algo fumegante.

Parei e respirei fundo. Eu queria muito dizer umas verdades para aquela intrometida, mas, primeiro: eu não tinha tempo, e segundo: precisava ser esperto, ela era a melhor amiga dela, precisava de uma aliada e não de outra inimiga.

— Eu tenho um chamado urgente. – expliquei buscando paciência. -Não estou abandonando ela, como você queria que fosse. – ironizei.

— Ah, claro. – ela replicou igualmente irônica.

— Olhe, Christina... – eu comecei. – sei que tivemos nossas diferenças...

— Diferenças? – ela replicou irritada. – Você chama de diferenças o fato de você ter tentando me matar me deixando pendurada no fosso?

— Isso foi há muito tempo. – retorqui impaciente. – Christina, eu estou com pressa, mas quero que você saiba que não tenho intenção de ser um cafajeste com a Care... Tris.

— E qual sua intenção, então? – ela indagou ainda sarcástica. – Já deixou ela apaixonada por você? Quer partir o coração dela?

— Eu acho que é o contrário. Não é ela a apaixonada. E o coração partido não será o dela. – falei e minhas palavras pareceram causar o efeito que eu queria em Christina. – Tenho que ir, -continuei me dirigindo a porta. – Diga a ela que nos vemos amanhã. Bom dia!

Saí pelo corredor tão chocado com minhas próprias palavras, quanto Christina ficara.

— Por que demorou tanto? – Max perguntou nervoso quando cheguei na sala de monitoramento alguns minutos depois. – Temos uma emergência.

— Estava com a Careta. – respondi casual de forma que só ele ouvisse, pois a sala estava lotada. – o que está acontecendo?

— Bombas, Eric! – Max quase gritou. – bombas aconteceram! Alguém explodiu uma bomba do lado de fora do Complexo!

— Não ouvi nenhuma explosão... – eu disse sem entender.

— Foram bombas de fumaça! – Max continuou. – Nossas próprias bombas de fumaça. E foram acionadas dessa sala por aquele menino, Zeke!

— Senhor, - um dos rapazes que estava nos computadores chamou por Max e nos aproximamos. – Outra bomba de fumaça foi acionada. Dessa vez no fosso.

— Mas que porra, está acontecendo? – Max resmungou. – Mande reforço pra lá! – ordenou impaciente.

Me aproximei dos monitores que mostravam as imagens das câmeras que monitoravam o fosso, estava tudo branco, não se via nada. O que Zeke poderia querer fazendo isso? Ele não conseguiria fazer ninguém entrar. – raciocinei. - As entradas tinham sensores e estavam protegidas. Então, se ele não podia deixar ninguém entrar, só podia ser uma coisa...

— Ele está tentando sair do Complexo. – concluí em voz alta. – Onde está o computador que ele usava?

— Matt está analisando. – Max apontou para o rapaz que trabalhava furiosamente em um computador à nossa esquerda. – Zeke estava de plantão hoje, saiu para ir ao banheiro cinco minutos antes da primeira bomba explodir. – explicou. - Mas pra quê explodir essas bombas para sair do Complexo? Por que ele não sairia normalmente como qualquer membro da facção?

— Zeke deve ter descoberto sobre Edward. – raciocinei. – deve ter concluído que chegaríamos até ele. Ele pode estar tentando sair com algo que não queira que visualizemos.

— Senhor, tem apenas mais uma bomba de fumaça programada - Matt interrompeu, chamando nossa atenção. – E acaba de ser acionada.

— Onde? – Max indagou rapidamente.

— No 12° andar da Pira.

E imediatamente eu descobri o que Zeke queria levar em sua fuga. Era o andar onde ela morava.

TRIS

— Tris, acorde!

Abri os olhos sobressaltada. Zeke estava no meu quarto. Olhava pra mim com um olhar meio insano. E apontava uma arma para a minha cabeça.

— Não grite! – ele ordenou aos sussurros. – Fique quieta e tudo acabará bem. Levante-se!

Olhei em volta procurando Eric, mas não o vi em lugar nenhum. Eu estava completamente nua e me cobria com o lençol.

— Vamos, levante-se! – Zeke insistiu mais nervoso.

Eu levantei e usei o lençol para me cobrir.

— Você estava com ele, não é? – Zeke me acusou com raiva. – Vi quando passaram felizes e agarrados pelos corredores... decepcionante, você. – disse quase com nojo. – Vista uma roupa, rápido. – ele mandou quando levantei.

Fui até meu armário e vesti uma calcinha, depois uma camiseta, escutamos um barulho distante de alarme quando eu peguei uma calça para vestir.

— Você vai assim mesmo! – Zeke me agarrou pelo braço fazendo eu largar a calça. – Não temos tempo.

— Zeke, para com isso! Me larga! – tentei desvencilhar.

— Não me faça ter que usar essa arma... – ele ameaçou. – Venha!

Zeke me puxou porta a fora me utilizando como um tipo de escudo, a arma colada em minha têmpora direita.

— Christina! – eu gritei quando chegamos a sala e vi minha amiga inconsciente no chão.

— Ela não está morta, só desacordada. – Zeke comentou me levando porta a fora.

Quando chegamos ao corredor, tudo estava tomado de fumaça branca.

ERIC

O alarme de ataque foi tocado no Complexo. Todos os guardas foram chamados e todas as saídas estavam sendo lacradas.

Quando cheguei ao apartamento dela, encontrei Christina desacordada. Ela tinha um machucado na cabeça.

— Zeke... — foi a única coisa que ela disse quando tentei acordá-la. Desmaiou novamente em seguida.

Will ficou com ela e fui a frente do grupo de guardas que estavam comigo. O elevador fora travado e eu sabia que Zeke não descera por ele, pois a saída estava vigiada.

— A escada de incêndio! – disse para os guardas e eles foram até elas.

Peguei o elevador querendo que ele descesse o mais rápido que pudesse, pensando se Zeke seria tão burro de sair pela entrada principal do Complexo, congelei ao pensar que ele já podia ter saído.

Que ele a tinha levado para o desconhecido.

TRIS

Zeke me arrastava pelas escadas de incêndio que estavam iluminadas apenas por luzes de emergência avermelhadas.

— Zeke por que está fazendo isso? – perguntei enquanto descíamos. – O que você quer comigo?

— Acredite, Tris, pela minha vontade, eu não estaria levando você. Eu preferia levar Shauna comigo, mas eu prometi...

— Prometeu o quê? Pra quem? – indaguei sem entender, já cansada pela correria.

— Logo você vai entender.

ERIC

Quando o elevador parou com um bip no térreo, ele foi invadido pela mesma fumaça branca que tomara o fosso e o 12° andar, corri com os guardas em meu encalço no sentido do que seria a saída principal.

A saída estava aberta e havia dois guardas baleados no chão.

Quando saí para o grande pátio do lado de fora do Complexo, eu os vi na fumaça que já se dissipava. Estavam quase no limite do pátio externo.

— Pare aí mesmo, ZEKE! – Eu gritei enquanto corria rumo aos dois.

Zeke virou-se e pude ver que ele tinha uma arma apontada para cabeça dela, ela era seu escudo e parecia muito pequena, vestida apenas com uma calcinha e uma camiseta na noite gelada.

Eu fiz sinal para que os outros soldados recuassem e me aproximei dos dois.

— Zeke, largue a ela. – eu pedi apontando minha arma para ele.

— Pra você me matar em seguida? – ele replicou. – Não, obrigado. Ela vai comigo.

— Zeke, você já está encrencado demais, - disse calmamente. – se fizer alguma coisa com a filha do chefe do conselho, aí sim será seu fim...

— Não vai acontecer nada com ela, mas ela vai comigo. – Zeke respondeu irredutível. – Nós vamos mudar essa cidade, Eric. Logo não vai haver conselho... E nossos líderes serão outros... - falou confiante. – E ah, eu não estou sozinho!

Quando Zeke disse isso, das sombras atrás dele surgiram várias pessoas armadas e encapuzadas que abriram fogo contra nós. Eu me abaixei e o vi correr carregando Tris, mas consegui mirar o suficiente para atingi-lo na perna. Zeke caiu e Tris caiu junto com ele, mas quando levantaram, era ela que empunhava a arma dele. Ela mirou contra Zeke, mas não atirou e ele correu na direção dos elementos encapuzados que estavam em sua retaguarda.

Ela abriu fogo contra o grupo encapuzado e eles imediatamente pararam de atirar. Recuaram pela fumaça levando Zeke e sumiram após o ronco de um veículo.

Quando meu grupo parou de atirar, eu fui até ela.

—Você está machucada? – perguntei tentando não parecer preocupado, embora estivesse.

— Estou bem. – ela disse olhando na direção da fumaça por onde o grupo sumira. – Eu não entendo...

— Não é hora pra explicações. – eu disse preocupado. - Por Deus, está congelando aqui e você está nesse estado, e descalça! – falei indo até ela e colocando-a em meu colo.

— Me ponha no chão! – ela exigiu quando a peguei nos braços.

— Quer que seus pés gangrenem no chão congelado? – retorqui dando meia volta com ela em meus braços, querendo voltar para a segurança do complexo.

Ela se calou e se encolheu um pouco nos meus braços. Os soldados, comandados por Dean, saíram na direção do bando que fugira.

— Por que ele queria me levar, Eric? – ela perguntou quando chegamos ao elevador e eu a coloquei no chão. – Por que ele nos traiu?

Ela parecia desolada.

— Eu não sei. – menti. Tinha minhas desconfianças, mas não podia compartilhá-las com ela. – Não sei o que deu nele...

— Será que ele...? – ela perguntou quase às lágrimas. – Será que ele teve algo haver com aquilo que aconteceu na sala de monitoramento? Com a morte dele?

— Temos quase certeza que sim. – respondi ocultando parte da verdade, pois eu desconfiava que Zeke não era o único envolvido naquela farsa.

Ela virou de frente pra parede do elevador e pareceu chorar em seguida. Eu não a abracei. Sabia por quem ela estava chorando. Lá fora, pelo vidro transparente do elevador, víamos o sol nascer.

Levei-a para meu apartamento.

Deixei que ela tomasse um banho enquanto eu fazia algumas ligações.

Falei com Max que queria ir no conselho aquele mesmo dia.

— Eu quero uma reunião com o conselho hoje. – eu dizia para Max quando ela saiu do banheiro enrolada em uma de minhas toalhas pretas. – Quero permissão para vasculhar cada centímetro dessa cidade. Vamos achar esses caras, custe o que custar.

Quando Max desligou, ela me olhava.

— Eric... – ela começou. – Me deixe participar disso. – pediu.

— Não sei se é uma boa ideia... – comecei guardando o computador no bolso e indo até ela. – você está muito fora de forma. – menti, na verdade não queria mesmo ela envolvida nisso, sabendo das implicações.

— Eu não estou fora de forma! – ela disse irritada se aproximando mais de mim. – Eu estou treinando arduamente desde que comecei a trabalhar para você. Por favor, Eric... me dê uma chance. Eu preciso fazer isso.

Ela me encarou com aqueles dois belos olhos, eu simplesmente não podia dizer não. Não podia fazer mais nada que pudesse fazê-la sair do meu lado.

— Tudo bem. Você está na operação. – eu falei me aproximando dela. – Mas... eu estarei ao seu lado.

Dizendo isso eu a beijei e tirei a toalha que a cobria. Ela não protestou e se deixou cair na cama me puxando junto.

Eu lhe beijei a boca com todo o desejo que estava sentindo, beijei o pescoço e a tatuagem com os corvos em sua clavícula, ela suspirou, tinha os olhos fechados. E era linda.

E eu não ia deixar ninguém tomá-la de mim.

Beijei-lhe os seios e devo ter mordido forte, por que ela gemeu alto, depois beijei sua barriga e desci até o ponto onde eu queria, onde eu faria ela lembrar de mim sempre, onde eu ia me tornar inesquecível.

Assim, eu a beijei entre as penas e brinquei com minha língua ali fazendo com que ela emitisse gemidos que aumentavam conforme eu lambia, mordiscava e a consumia. Eu tinha a parte mais íntima dela só pra mim. Pousei minhas mãos na cintura dela e sentia ela puxar-me os cabelos a medida que eu a tinha controlada por minha língua.

E ela disse meu nome quando chegou ao êxtase. E eu fui até a boca dela e a beijei fazendo-a sentir seu próprio gosto. E ela ficou mole e manhosa em minhas mãos. E ficamos abraçados por um tempo sem dizer nada. Ela me abraçando com mais força que o necessário.

E eu podia ficar ali pra sempre, mas apareceu uma chamada de Max em meu computador de mão.

— Acho que preciso ir. – falei levantando após beijá-la no topo da cabeça. – Nos encontramos a tarde no escritório, tudo bem?

— Tudo. – ela falou sentando-se na cama e escondendo-se com o lençol. – Vou para casa e ver se Christina está bem. Não esqueça do que lhe pedi.

— Não vou esquecer, Careta. – pisquei o olho e sorri pra ela. Saí do apartamento atendendo a ligação de Max.

Eu sabia que ela estava em minhas mãos, e ninguém ia tirar ela de lá.

Max me esperava na sala dele, parecia estranhamento pensativo quando entrei.

— Sente-se, Eric. – ele pediu e fui até a cadeira que ficava em frente sua mesa.

— Alguma novidade? – perguntei preocupado.

— Os investigadores da Franqueza já interrogaram a mãe, o irmão e a namorada de Zeke usando o soro da verdade. – Max contou. – eles não sabiam de nada.

— Claro que ele não ia contar, não é? Ele sabia que iríamos atrás da família, se fosse pego. Alguma coisa mais?

— Andrew já sabe de tudo. E não está nada satisfeito com a tentativa de sequestro da filha dele. E de como quase deixamos ela ser sequestrada.

— Hum, acho isso ótimo. – refleti pensando em tudo que Andrew não aprovaria sobre o que eu estava fazendo com a filha dele. - Só assim ele se empenha em nos ajudar, - concluí. - se ele não atrapalhasse tanto nosso trabalho, poderíamos ter sufocado esse grupo na época do primeiro ataque e nada disso estaria acontecendo.

— A garota Prior está mesmo bem?

— Está ótima e eu não me preocuparia com a Careta, se você quer saber. – Eu disse quase orgulhoso. – ela sabe se virar, não é a palerma que o pai dela acha que ela é. Ela entrou pra Audácia, isso deve significar alguma coisa.

— Eric, você gosta dela. – Max constatou preocupado.

— Deixe de ser idiota, Max. – eu retorqui na defensiva. – Só estou constatando o óbvio.

— Você não fala bem de ninguém de graça, Eric. – Max respondeu. – Principalmente das suas mulheres. Você gosta da menina. – ele concluiu. - E isso pode ser um problema.

— Por que você está dizendo isso, Max? – indaguei desconfiado.

— Olhe, nós conseguimos acessar o computador de Zeke no monitoramento. – ele começou seriamente. – Descobrimos que todo esse tempo ele mandou informações e manteve contato com alguém de fora da Audácia. Ele se comunicava com alguém que, de vez em quando, ele chamava de Tobias. E nós dois só conhecemos um Tobias. – ele fez uma pausa. - Você sabe o que isso significa, não é?

Estremeci. Sim, eu sabia. Esse Tobias, era Tobias Eaton, que na Audácia se chamava Quatro.

Pra mim, era um fantasma que havia renascido do inferno.