Divergente não me pertence.
CAPÍTULO 15
Isso eu não vou contar
"Quando ele abraçar você,
Quando ele puxar você para perto,
Quando ele disser as palavras que você precisa ouvir,
Eu queria ser ele porque essas palavras são minhas (...)
E não há preço que eu não pagarei para dizer estas palavras a você"
Always, Bon Jovi
Anteriormente em "Save me now":
— Olhe, nós conseguimos acessar o computador de Zeke no monitoramento. – ele começou seriamente. – Descobrimos que todo esse tempo ele mandou informações e manteve contato com alguém de fora da Audácia. Ele se comunicava com alguém que, de vez em quando, ele chamava de Tobias. E nós dois só conhecemos um Tobias. – ele fez uma pausa. - Você sabe o que isso significa, não é?
Sim, eu sabia. Esse Tobias, era Tobias Eaton, que na Audácia se chamava Quatro.
Pra mim, era um fantasma que havia renascido do inferno.
ERIC
— Então, Eric. Agora que sabemos que é Tobias Eaton quem está por trás disso tudo, você vai contar para a garota Prior que o marido dela está vivo? – Max me perguntou após perceber que eu havia entendido.
— Claro que não! – eu retorqui irritado. – Se depender de mim, ela nunca vai saber!
— Ela vai acabar sabendo, Eric. – Max me alertou. – Ele vai procurá-la mais cedo ou mais tarde. Não creio que Zeke queria levá-la para usá-la como arma contra Andrew. Quatro deve ter pedido o amigo que a levasse para encontrá-lo. É uma questão de tempo até ele vir atrás dela. E ela vai aceitá-lo de volta, ou você esqueceu que eles eram o "casal dos sonhos"?
Senti um desgosto ao ouvir o apelido antigo que demos quando ela e Quatro se casaram.
— Só se ela for muito burra. – resmunguei. – o cara traiu a facção, forjou a própria morte e foi embora deixando-a à própria sorte! Ela não seria tão estúpida...
— Não subestime uma mulher apaixonada. – Max disse desacreditado. - Ela definhou por meses sentindo a falta dele, claro que vai aceitá-lo de volta! Não creio que ela seja uma aliada confiável quando souber que o marido não está morto.
— As coisas são diferentes agora... – eu insisti.
— Por que? Por que ela ficou com você? – Max desdenhou. - Eu não confiaria tanto nisso.
— A Careta não é burra. – disse tentando convencer a mim mesmo. – Mas, prefiro que ela não saiba de nada agora. Ela está quase nas minhas mãos, - conclui. - e vou fazer ela odiar tanto Tobias Eaton que talvez seja ela a meter uma bala na cabeça daquele traidor.
— Pro seu próprio bem, Eric. Espero que você esteja certo. – Max sentenciou sombrio.
TRIS
Demorei um pouco no apartamento de Eric, sentindo o cheiro cítrico e amadeirado que eram típicos dele, custei a levantar, mas consegui.
E quando levantei, percebi que não tinha roupa para voltar pra casa. Eu tinha apenas a calcinha e a camiseta que vesti as pressas quando estava acuada por Zeke.
Fui até o armário de madeira escura e extremamente organizado de Eric. Organização parecia ser a marca registrada dele, disciplina militar. Peguei um casaco preto particularmente grande que cobria minhas coxas pela metade e vesti, saindo em seguida do apartamento que estava meio bagunçado pela festa da noite anterior, sabendo que Eric não ia gostar nada disso quando chegasse em casa.
Quando cheguei em meu apartamento a porta estava aberta, eu já havia visto um certo alvoroço pelos corredores da Pira, mas nada se comparava a como estava minha casa.
Christina estava no sofá e tinha a cabeça enfaixada, era amparada por Will e, por sua vez, na mesa da cozinha encontrava-se Shauna em um choro alto, sendo amparada por Lynn e Marlene. Uriah estava largado em uma poltrona, anormalmente quieto. Tori estava na cozinha preparando alguma coisa com uma chaleira.
Quando eu entrei, todos me olharam e ficaram em silêncio. Eu também não disse nada até Christina vir até mim e me abraçar.
— Ah, meu Deus, que bom que você está bem! – ela me disse aflita me abraçando um pouco apertado demais.
— Eu estou bem, Christina. – disse abraçando-a meio desajeitada. – Eu estava mais preocupada com você do que comigo.
— Nós não sabíamos ainda se Zeke tinha conseguido te levar ou não. – ela disse me soltando, parecia aflita. – ficamos tão preocupados!
— Eu consegui fugir dele antes de ele sair da margem do complexo. – expliquei sem comentar sobre o tiro que Eric dera na perna de Zeke.
— Me perdoe, Tris. – Uriah disse vindo até mim e me abraçando também, estava desolado. – Eu devia ter ouvido seu alerta, não sei o que aconteceu com meu irmão... nossa família está destruída, minha mãe está sedada nesse momento. Eu... – os olhos dele marejaram.
— Por favor, Uriah... – eu pedi. – Vocês não tem culpa...
— De quem é a culpa então? – Shauna perguntou com raiva, levantando-se da mesa. – de Zeke? Por que ele quis fugir com você, Tris? – perguntou alto e com raiva. – por que ele veio aqui? Por que não foi nem se despedir de mim? – indagou voltando a um choro convulsivo.
— É por que seu pai é o novo líder do conselho, não é? - Will indagou quase em tom de constatação.
— Não sei... – eu dei de ombros. E não sabia mesmo. O motivo pelo qual Zeke queria me levar ainda era uma incógnita na minha cabeça.
— O que vai acontecer agora, Tris? – Christina perguntou preocupada. - A facção inteira está em pânico com esse novo ataque...
Eu não soube o que responder, contudo, Tori nos interrompeu naquele momento, trazendo várias canecas fumegantes numa bandeja grande.
— Todos vocês, tomem isso. – ela praticamente ordenou apontando as canecas.
Todos bebemos em silêncio e, depois de quinze minutos, todos adormecíamos calmamente enquanto Tori fechava as cortinas do apartamento.
Tori me acordou muito mais tarde aquele dia.
— O que você colocou naquele chá? – perguntei me espreguiçando. Estava em minha cama, ainda usando o casaco de Eric.
— Era um chá calmante. – ela respondeu placidamente. – Vocês todos estavam em choque. – explicou. – os outros já acordaram e foram pra suas casas. Só Christina ainda está dormindo com Will, mas ela precisa, pois está machucada. Você precisa se arrumar, Eric pediu que o encontrasse às 16h na saída principal do complexo. Vocês vão ao conselho essa tarde.
Eu não comentei que estava surpresa por Eric me levar ao conselho, mas me vesti e pontualmente estava na entrada do complexo onde encontrei Eric me aguardando no veículo militar da Audácia.
— Não entendi por que você me chamou. – falei ao entrar no veículo, ele estava sentado ao volante me aguardando.
— Os outros líderes estão ocupados com algumas coisas urgentes. – ele respondeu ligando o carro. – E você é minha assistente, e eu prometi que lhe envolveria nessa operação, não prometi?
— Touché. – eu respondi colocando o cinto de segurança. Não pude contar um pequeno sorriso.
Chegamos na sede do conselho uma meia hora depois. Era uma tarde nublada e Eric passara o caminho inteiro em silêncio e eu poderia achar que estivesse com raiva de mim, não fosse a mão que ele pousava de vez em quando sobre minha perna durante o trajeto. Era um gesto carinhoso e transmitia uma maior intimidade do que expressa em palavras.
Quando chegamos à sala do conselho, descobri que já éramos esperados e não apenas pelos membros do conselho vestidos de cinza. Havia outros rostos ali. Uma mulher negra vestida de amarelo, um homem de cabelos pretos e muito sisudo vestido de preto e branco e uma mulher que eu conhecia bem, loira e vestida de azul. Todas as facções estavam representadas.
— Achei que ia falar só com você, Andrew. – Eric falou confiante, puxando uma cadeira para que eu sentasse. – Não achei que teríamos uma conferência com todas as facções. – ele disse sentando em seguida.
— Pela gravidade da situação, Eric, concluí que todos os líderes deveriam estar presentes. – Meu pai respondeu sem nem ao menos olhar para mim.
— Acho necessário que todos intervenham. – Jeanine começou em um tom presunçoso. – Visto que sua facção não conseguiu resolver o problema sozinha. – disse em tom provocativo.
— Você sabe muito bem por que não conseguimos, Jeanine. – Eric respondeu com aquele olhar perigoso de quando eu o conheci. – Não tivemos permissão nem para sair do lugar. Pelo menos não ficamos sentados atrás de uma pilha de livros como você o dia todo...
— Chega! – meu pai interrompeu com um tom de voz severo que o ouvi usar poucas vezes na vida. – Estamos aqui pra resolver um problema sério, não pra ficar trocando provocações... Eric, contextualize o que aconteceu hoje na Audácia para conhecimento de todos, por favor. – pediu.
Então, Eric falou sobre Zeke, seu contato com pessoas de um grupo dentro dos sem-facção, sobre as bombas de fumaça e sobre o meu quase sequestro. Eu fiquei calada e muito desconfortável quando todos os olhares se voltaram para mim, menos o de meu pai.
— E ela foi interrogada com o soro da verdade também? – Jeanine perguntou quando Eric terminou o relato, referia-se a mim. – O que Zeke queria com você, garota? Eram cúmplices por acaso? Ou talvez, amantes? – sugeriu venenosamente.
— Tris não tem nada a ver com isso. – Eric defendeu irritado e me senti estranha ao vê-lo não me chamar de Careta, como sempre. – Ela foi uma vítima apenas...
— Você parece muito empenhado em defendê-la, Eric. – Jeanine sibilou.
— Jeanine, isso não vem ao caso... – a líder da amizade falou. – pare de provocar Eric. Devemos agradecer pela garota estar bem.
— Você está certa, Johanna. – meu pai respondeu. – o que você acha que esse grupo quer, Eric? Será que querem fazer reivindicações para melhorar as condições de vida dos sem-facção?
— Se quisessem isso, já tinham pedido. – o líder da Franqueza interveio.
— Concordo com Kang. – Eric continuou. – Mas ainda não sabemos o que eles realmente querem.
— Zeke disse que logo a cidade teria novos líderes e estaria sob novo comando. – eu falei me assustando com o tom de minha própria voz. – Acho que não querem reivindicar nada. Acho que querem... – estremeci. - o poder sobre a cidade. – disse sentindo os olhares de todos sobre mim.
— Então é um golpe. – Jeanine concluiu acertadamente. - E não sabemos quem são, ou quantos são ou onde estão... belo trabalho, Audácia. – ela disse olhando para Eric.
— Jeanine, por favor! – a líder da amizade interveio novamente.
— Sabemos que Evellyn Eaton está no comando deles. – meu pai falou. – e começo a achar que a morte repentina de Marcus pode não ter sido natural. – falou preocupado.
O sobrenome não me passou despercebido. Evellyn Eaton era a mãe morta de Tobias. Ela estava no comando desse grupo? Eu não entendi, mas Eric me lançou um olhar muito significativo, que dizia que me explicaria depois. Resolvi ficar calada e ouvir.
— Sabemos que se escondem entre os sem-facção. – o líder da Franqueza falou cortando meus pensamentos. – e que tinha pessoas infiltradas na Audácia, assim, podem ter em qualquer facção... Se ao menos tivéssemos pego um deles para interrogar com o soro da verdade...
— Todos temos que fazer alguma coisa para resolver essa questão. – meu pai continuou. – Jeanine, acho que vocês podem analisar melhor os computadores de Zeke e também procurar pistas na rede de computadores para tentar encontrar suspeitos. Jack pode ajudar nas investigações e todos temos que repassar para nossas facções sobre a situação, mas sem alarmá-los.
— E a Audácia, finalmente, terá permissão para caçar esses caras? – Eric perguntou impaciente.
— Sim, - meu pai respondeu. - Desde que usem a violência somente quando for estritamente necessário.
— Você fala como se fôssemos monstros... – eu me surpreendi novamente com minha própria voz pronunciada em voz alta.
Meu pai me olhou novamente, parecia incrédulo.
— Sei que vocês não são monstros. – ele respondeu me olhando, quase ofendido. – mas soldados podem se exceder em certas situações, principalmente já havendo baixas do lado de vocês... Então, - ele disse novamente se voltando ao grupo. – Vamos fazer o seguinte...
A reunião acabou mais ou menos uma hora depois. Cada líder saiu com algumas atribuições e Eric com a autorização que ele queria para caçar o grupo liderado pela recém ressuscitada Evellyn Eaton. Minha cabeça ainda pipocava de interrogações a respeito disso quando o grupo saía da sala.
Para minha surpresa, quando levantei para sair da sala, meu pai fez um gesto na minha direção, pedindo que eu o aguardasse.
— Te espero lá fora. – Eric disse ao meu ouvido, saindo em seguida.
Me aproximei de meu pai que ainda estava sentado à cabeceira da mesa. Ele se levantou e me olhou.
Inesperadamente, me envolveu em um abraço tão apertado quanto o de Christina.
— Eu estive tão preocupado todo esse tempo... – ele disse enquanto beijava o topo de minha cabeça, me abraçando mais forte. – Nós te amamos tanto, Beatrice...
Fiquei surpresa e extremamente emocionada. Passei tanto tempo achando que meus pais me odiavam que não esperava por isso. Mas abracei meu pai de volta com muita força, como nunca antes tinha feito.
— Também amo vocês, papai. – disse com os olhos cheios de lágrimas. – Senti tanta saudade...
— Nós também, querida... – ele disse se afastando e tentando esconder os olhos marejados. – Nós também... Me perdoe pela distância... – falou pegando em minhas mãos. – Levei muito tempo para perdoar e perceber que seu lugar não era mesmo conosco. Veja! Você se tornou uma mulher maravilhosa...
A essa altura eu já chorava descontroladamente.
— Papai, por favor... – tentei começar, mas ele me interrompeu.
— Não diga nada, querida. – ele recomeçou. – só quero dizer que ainda estamos preocupados com você. Você precisa se proteger.
— Eu sei me cuidar, papai. – respondi mais calma.
— Eu sei que sim, - ele disse mais sério. – Bem, acho melhor você ir agora, seu namorado está lhe esperando.
— Eric não é meu namorado... – eu respondi beijando o rosto do meu pai antes de deixar a sala.
Eu não fazia ideia ainda do que Eric era pra mim. Eu só sabia que, o que quer que fosse, era forte.
Quando saí da sala de reuniões, procurei Eric no saguão, mas ele não estava. Olhei para uma das varandas que se projetavam das grandes portas que iam do chão ao teto e o localizei. Eric estava em uma varanda acompanhado de Jeanine, eles pareciam discutir furiosamente.
Eu fiquei observando a discussão, porém sem conseguir ouvi-los. Em um determinado momento, Jeanine levou uma das mãos ao ombro de Eric, ele a tirou de forma brusca e saiu da varanda, mudei de posição para ele não perceber que eu os olhava.
— Ah, aí está você... – ele disse parecendo muito calmo quando chegou próximo de mim, pôs a mão na minha cintura e me conduziu para fora do complexo. Percebi que ao longe, Jeanine nos observava.
Ela poderia nos matar com aquele olhar.
ERIC
Já devia passar da meia noite.
Estávamos deitados na minha cama e ela me abraçava e mantinha a cabeça sobre meu peito, ainda respirava de forma entrecortada após nossa última transa. Ela se mantinha calada, e estava pensativa desde que saímos do conselho, me ajudara a arrumar o apartamento e a fazer o jantar, mas não tínhamos comentado nada sobre os últimos acontecimentos desde então.
— O que foi, Careta? – perguntei, tentando soar divertido. Passei uma mão pelo cabelo dela bagunçando-o. – Em que anda pensando?
— Por que você não me chama pelo meu nome? – ela indagou, sem raiva. – mais cedo você me chamou por ele no conselho...
— Estou tentando me acostumar com isso... – disse ainda brincando. – Foram anos de prática, né?
Ela sorriu e me olhou, mas depois ficou séria.
— Eric, por que você não me contou que a mãe do Tobias estava viva? – ela perguntou de súbito.
Eu sabia que essa pergunta surgiria em algum momento, estava preparada pra ela.
— Era confidencial, eu não podia compartilhar isso com ninguém. – respondi. – E, além do mais, só confirmamos essa informação há pouco tempo...
— Como ela pode estar viva? – ela insistiu.
— Ela fugiu da facção e Marcus simulou a morte dela para evitar que as pessoas soubessem que sua mulher o odiava tanto que fugiu de casa. – eu expliquei.
— Marcus era um monstro... – ela comentou expressando ódio. E eu sabia que aquele ódio era por causa de Quatro.
— Vamos deixar isso pra depois... – eu falei beijando os cabelos dela, tentando jogar pra longe meus próprios pensamentos sobre os pensamentos dela sobre Quatro.
Mas ela não se calou, e falou novamente.
— E Eric, por que você ficou tão incomodado com Jeanine? Ela parece te afetar demais... vi vocês dois discutindo na varanda do conselho.
Pra essa pergunta eu não estava preparado. Eu suspirei, era difícil falar desse assunto, não sabia se estava preparado pra falar desse assunto com ela.
— É uma longa história... – desconversei.
— Eu não estou com sono... – ela insistiu. – Por que ela te afeta tanto, hein?
— Eu não gosto de falar sobre isso... – disse sincero. – é bem íntimo...
— Achei que éramos íntimos agora. – argumentou irredutível. – Vamos, Eric, me deixe conhecer mais sobre quem você é... Você sabe quase tudo sobre mim, não é justo.
Eu suspirei novamente. Ela não era o tipo de mulher que desistia fácil.
— Eu conheço Jeanine há muito tempo... – comecei e algumas lembranças foram se acendendo na minha cabeça. – do tempo em que eu era da Erudição.
— Ah, sim... – ela não pareceu surpresa. – só podia ser de lá.
— Você sabia que eu era da erudição? – perguntei surpreso.
— Quatro me contou. – ela disse de forma impessoal. – mas não é muito difícil de concluir isso depois de conhecer sua sala. Mas, então, o que se deu entre você e Jeanine?
— Lá na Erudição os pais não são muito ligados aos filhos. – eu comecei sabendo que ela não desistiria. - Acho que meus pais só aceitaram me ter por que é uma obrigação da facção, mas eles sempre foram mais interessados por seus projetos científicos do que por mim, ou um pelo outro. Então, quando eu tinha quinze anos, eu era muito promissor na facção, mas já tinha uma série de advertências por meu instinto que não se adequava as regras, eu sempre fugia e saía por aí. Numa dessas detenções, eu conheci Jeanine pessoalmente e ela se tornou minha supervisora e tutora para garantir que eu me comportasse na facção. Foi aí que nos envolvemos...
— Como assim? – ela pareceu surpresa agora. – Vocês se apaixonaram? Mas ela é tão mais velha...
— Eu me apaixonei. – confessei me achando estranho por partilhar essa história que nunca havia partilhado com ninguém. – acho que esse era o plano dela. – continuei. – Ela me manipulava e eu fazia tudo que ela queria, por que estava apaixonado, mas logo eu descobri que eu não era o único adolescente a quem ela tinha seduzido. Por isso, decidi vir pra Audácia. – disse vendo que ela me observava com atenção. – Pra fugir do controle dela. Só que Jeanine não desistiu e achou que ainda podia me controlar, e tentou me usar pra ter influência aqui na Audácia. E eu fiz o jogo dela por um tempo... ela fez a cabeça de Max pra me tornar líder e eu deixei. Mas quando eu me tornei líder, eu acabei definitivamente com ela, mas ela nunca aceitou totalmente... e por isso é tão revoltada. – concluí cansado.
— Eric, isso é nojento! – ela falou indignada quando terminei. – Você era praticamente uma criança... Ela era responsável por você... ela abusou de você, não vê isso?
— Eu não era exatamente um santo, Care... Tris. – falei sincero. – eu deixei ela me manipular e me controlar e gostava de ser o protegido dela, mas agora isso é passado.
— Está tudo bem... – ela falou me abraçando mais. – todo mundo tem um passado... Confesso que você e Jeanine... difícil de visualizar.
— Melhor nem pensar nisso. – eu disse aliviado por ela compreender tudo tão bem. – Eu estou muito melhor hoje... – falei abraçando-a.
— Pode apostar que sim.
Então, ela me beijou e, em pouco tempo, voltávamos a fazer amor.
TRIS
Eric me deixou na porta do refeitório na hora do café naquela manhã, me deu um beijo rápido nos lábios e saiu, pois precisava encontrar Max.
— Careta, tenho que tirar o chapéu pra você... – eu ouvi a voz irritante de Peter que estava recostado na parede e tinha me visto com Eric, com certeza. – primeiro, você ficou com o cara que podia te colocar aqui na Audácia e agora, está dando o golpe mais uma vez, pegando um dos líderes... uma pena eu não ter uma boceta...
— Peter, você quer apanhar de novo? – eu falei ficando subitamente de mau-humor. – vai encher outro... – disse me dirigindo para o refeitório.
— Só era bom que você soubesse careta, que o Eric é como eu. – ele continuou. - Não faz nada sem uma intenção por trás. Se eu fosse você não ficaria tão confiante só por que é a preferida dele por um tempo. No mínimo, ele deve tá te usando pra algum objetivo escuso, é típico dele.
— Peter, - falei com todo meu auto-controle. – seja como for, eu estou com ele agora, e se eu fosse você me deixava em paz. – ameacei. - Como você mesmo disse, você sabe como o Eric é... explosivo, violento... um psicopata, não é o que todos falam? Ele pode não gostar de saber que você está falando mal dele pra mim...
Eu sorri e pisquei para a cara assustada de Peter.
Entrei no refeitório só um pouco incomodada com as constatações de Peter, pois, durante muito tempo, foram as minhas.
E eu não sabia se ainda eram.
Quando cheguei no meu quarto um pouco mais tarde aquela manhã, havia um envelope pardo sobre a minha cama.
Eu peguei o envelope sentindo um desconforto anormal, abri-o muito devagar. Havia uma mensagem ali, escrita em uma letra conhecida.
Estarei esperando você
No lugar que você escalou para achar a bandeira,
No horário em que fez isso e
No dia em que você jogou as cinzas.
Não deixe de ir, Seis, é muito importante.
Eu deixei o papel cair no chão. Só havia uma pessoa no mundo que me chamava de Seis.
O problema é que essa pessoa, não estava mais nesse mundo.
