Divergente não me pertence.

CAPÍTULO 19

Um barril de pólvora e algumas faíscas

"Você é uma arma carregada.

Não há para onde correr, ninguém pode me salvar,

O estrago está feito.

Estou baleado no coração e você é a culpada.

Você dá ao amor uma má reputação."

You give love a bad name, Bon Jovi

LADYRIVERS

Quatro não planejara tudo o que fizera de uma hora pra outra. Ele certamente não tinha a intenção de largar Tris e fingir a própria morte no momento em que prometeu que a amaria eternamente, no dia em que festejaram sua união em frente aos membros da Audácia enquanto Eric os observava tomado pela inveja.

Ele também, certamente, não pensava em matar todos os membros da facção que escolhera no momento em que passou a discordar do sistema de liderança da mesma.

Claro que eu não queria isso, Lady!

Tobias, me deixe contar...

Isso mesmo, Lady. Ele não tem nada que estar se metendo...

Nem você, Eric! Já não basta essa ser uma história sobre você roubar a minha mulher...

Roubei por que você enlouqueceu... Aliás, eu sempre devia ter sido o protagonista dessa história. Se eu fosse, não teria deixado a Careta levar dois tiros no final. Francamente...

Calem-se vocês, dois! Lady, continue por favor... as pessoas querem saber o final dessa história. E eu também.

Obrigada, Beatrice.

Então, apesar dos anos de abuso físico e psicológico incutidos por Marcus, Tobias parecia conseguir equilibrar muito bem a balança da sanidade e manter seus demônios adormecidos.

Contudo, essa balança começou a pender perigosamente para o lado da insanidade e os demônios começaram a acordar no momento em que Tobias recebeu um bilhete de sua mãe morta.

A mente machucada de Tobias e seu descontentamento com a liderança de sua facção foram terreno fértil para que Evelyn semeasse suas ideias sobre mudanças no sistema de facções. De início, Tobias a renegou, mas não levou muito tempo para ser seduzido pelo colo da mãe de quem sentiu falta por anos a fio. Daí foi um passo para ela convencê-lo a deixar a facção e ajudá-la a comandar seu grupo rebelde.

E como é de pequenos passos que se cai grandes quedas, no começo ele caiu devagar, mas após dar o primeiro passo, não custou muito para que a loucura se instalasse na mente de Tobias Eaton e tomasse conta dela como um câncer metastático.

Foi por isso que ele concluiu que assaltar o arsenal subterrâneo da Audácia e em seguida matar todos da facção a qual pertencera era uma ideia razoável e a forma mais fácil e prática de tomar o controle da cidade.

E era isso que ele faria dali a dois dias, e não havia mais nada que pudesse impedi-lo, pois a única chance que ele tivera de retomar a sanidade fora embora com seu pior inimigo.

ERIC

Deixei ela dormir em minha cama e fui me ajeitar no sofá. Tris não quis muito assunto comigo depois que subimos para o meu apartamento, quando chegamos, trancou-se no banheiro e pensei tê-la ouvindo vomitando antes de ligar o chuveiro.

Era tarde e eu ainda estava no sofá com meu computador ligado, verificando os dados que a Erudição havia me mandado a respeito do grupo de Evelyn, concluí que tínhamos conseguido mais informações indo até o O'Hare do que a Erudição conseguira vasculhando a rede por semanas.

Eu estava cansado, mas não conseguia dormir. Em um certo momento, vi um vulto de pé contra a luz do abajur.

Tris estava na minha frente, tinha os braços cruzados contra o peito e vestia uma blusa de alças e uma calça de pijama de algodão, poderia se passar muito bem por uma adolescente qualquer, não fossem os hematomas pelo rosto e pelo corpo.

Eu podia notar uma pequena protuberância em seu abdômen, algo que certamente não estava ali semanas atrás, ela pareceu perceber para onde eu olhava, pois levou uma das mãos a barra da blusa e a puxou para baixo.

— Tem algo que preciso lhe contar. – ela falou sem sair do lugar.

Eu tirei o computador do colo e pus no chão ao lado do sofá.

— Pode dizer...

Ela se aproximou e sentou ao meu lado, as pernas muito juntas, as mãos entrelaçadas sem parar de contorcê-las.

E então ela me contou sobre o que Evelyn estava planejando. A invasão a Audácia.

E eu percebi como aquilo tudo era muito, muito grave.

— Você devia ter me contado isso antes! – eu disse com raiva quando ela terminou, mas ao vê-la recuar, me contive. – Desculpe... enfim, preciso checar isso tudo.

Levantei-me e liguei para Max, precisava de uma reunião com os líderes aquela noite mesmo, independente do horário.

Quando saí do apartamento, ela continuava sentada no mesmo lugar.

TRIS

Eric saiu enlouquecido depois que contei a ele o que eu descobrira sobre os planos de Evelyn. Me culpei por não ter contado antes, mas o choque de tudo que acontecera me fez colocar isso em segundo plano, atrás da segurança de meu filho.

Eu queria poder ajudar em alguma coisa, mas sabia que naquele momento, eu não seria muito útil, machucada e grávida. Pensei que já era de grande ajuda eu não ficar atrapalhando, nem ficar causando preocupação a todos.

Me recostei no sofá me sentindo impotente e pensando sem parar.

Eu podia estar de volta a Audácia, mas estava longe de estar segura. Tobias com certeza acabaria descobrindo sobre meu resgate, pois não fomos muito discretos em esconder pistas. Eu estava tão decepcionada com o homem que um dia eu amara... tanto que sentia a garganta apertar... ele havia enlouquecido, disso eu tinha certeza. E era triste ver acontecer isso com o homem com quem eu me casara, principalmente por não ter conseguido impedir isso.

E ainda havia Eric. Nossa situação não estava resolvida. Ele parecia muito preocupado comigo, mas tudo parecia relacionado à criança que eu estava esperando. Era surpreendente vê-lo interessado nisso, mas parecia ser o único motivo pelo qual ele me queria por perto. E eu não poderia me afastar dele tão cedo por causa disso, talvez nunca mais poderia me afastar dele totalmente. O certo é que estar perto dele também não me fazia bem, pois eu já havia admitido para mim mesma que havia me apaixonado por ele, embora não fosse recíproco esse sentimento.

Estava girando por esses pensamentos quando a campainha do apartamento tocou me fazendo quase pular de susto.

Eu não me mexi e a campainha tocou novamente. Vi no relógio da parede que já passava da meia noite. Quem poderia estar ali? Quem quer que fosse era muito insistente e continuava a tocar a campainha.

Me levantei disposta a atender, mais por curiosidade do que por qualquer outra coisa. Fui até a cama e peguei uma arma que Eric mantinha na gaveta da mesa de cabeceira a prendi no elástico das costas da calça do pijama e fui atender a campainha que tocava novamente.

Atendi muito cautelosa, mas quando abri a porta, a pessoa que me esperava era uma mulher conhecida e, para meu desagrado, espetacularmente bonita. Nicole estava na porta e me olhava com indiferença.

— Eric está? – perguntou com desinteresse quando abri a porta.

— Ele saiu. – eu respondi a contragosto.

Ela não disse nada por um momento. Depois falou e me surpreendeu:

— Posso entrar um pouco? – pediu.

— Por quê? Eu já disse que ele não está. – insisti não achando uma boa ideia receber àquela hora uma pessoa que claramente mostrava desagrado por mim.

— Quero falar com você.

— Não acho que –

— Por favor, - ela insistiu me interrompendo.

Sem saída, saí da frente da porta e dei espaço para que ela entrasse.

Nicole parecia conhecer o apartamento muito bem. Atravessou a sala e seguiu até o degrau mais alto do piso onde começava a cozinha. Eu a segui.

Ela chegou perto do pequeno bar que ficava em um canto, pegou uma das bebidas, uma vermelha que eu já vira Eric consumir algumas vezes, e se serviu.

Ela sentou à mesa da cozinha e me olhou enquanto tomava o primeiro gole.

— Eu lhe ofereceria... – começou. Eu estava de pé próximo à mesa, observando-a. – mas acredito que não possa, no seu estado...

— Você sabe? – indaguei um pouco surpresa.

— E quem não? – ela deu de ombros. – as notícias correm rápido nos corredores da Audácia, você sabe. E o pessoal da enfermaria não é muito discreto...

— Não se preocupe, - eu falei. – não pretendo estragar seu relacionamento com Eric por causa disso...

Ela gargalhou alto.

— Relacionamento? Qual relacionamento? – ela indagou rindo muito. – Tris, Eric e eu não temos nenhum relacionamento.

— Mas vocês...

— A gente se pegava. – ela continuou, subitamente séria, tomando outro gole de sua bebida. – A gente se pegou por anos. E Deus, como eu amo aquele homem! – confessou. – Ele é tudo de bom, você deve saber... e sempre será o amor da minha vida. A questão é que eu não sou o amor da vida dele...

— Eric não ama ninguém além dele mesmo. Você devia saber disso... – repliquei com amargura lembrando o que ele me fizera.

— Sim, eu pensei isso por muito tempo. – ela falou parecendo refletir. – Ele nunca assumiu nada comigo, nem sequer cogitou a ideia. Mas eu também não cogitava a ideia de largá-lo. E apesar de todo mundo falar horrores dele, ele sempre foi muito honesto comigo e de certa forma cuidou de mim. Eu devo muito àquele desgraçado. – ela tomou outro gole. – Sabe, quando não dá liga desde o começo, a coisa nunca vai dar certo. E eu devia saber disso... mas achei que podíamos levar o que tínhamos indefinidamente. Até que você apareceu...

— Mas você sabia que Eric só se aproximou de mim por conta do meu pai... – interrompi.

— É, foi o que ele me disse. – ela continuou. – mas aí, ele mudou. Ele parou de me procurar com frequência, e quando estava comigo, só falava de você o tempo todo... como você o irritava, como ele estava cansado de ter que lhe aturar para conseguir se aproximar do seu pai... mas eu sabia que algo tinha mudado. Mas ele não parecia ver isso, nem sei se já viu...

Foi minha vez de rir.

— Ah, por favor... Eric nunca mudou. Muito menos por causa do envolvimento dele comigo...

— É sério. – ela continuou. – E agora que sei que você está grávida. Sei que não tem mais volta. Você está realizando o sonho dele...

— Que sonho? – perguntei interessada.

— Eric sempre quis ter um filho. – ela revelou parecendo degustar minha cara de surpresa, - algo sobre os problemas familiares dele na Erudição. Não sei muita coisa, aquele cara é difícil de se abrir... Eu nunca consegui engravidar, embora estivesse tudo bem comigo. Ele achava que o problema era com ele... mas agora vemos que não era, não é mesmo? – ela falou levantando um copo em um brinde na minha direção.

— Eu já tinha mesmo percebido o quanto ele parecia interessado nessa gravidez. – confessei.

— Não apenas na gravidez, Tris. – Nicole disse se levantando. – Pensei que você fosse mais esperta. Enfim, - ela falou levantando e indo na direção da porta. – eu estou saindo do jogo, só queria que você soubesse.

— Você gosta mesmo dele, não é? – eu concluí fazendo-a parar. Ela estava perto da porta e me olhou.

— Você deve saber tanto quanto eu que não é difícil se apaixonar por Eric Coulter depois que você se aproxima dele. – falou e tinha um pouco de tristeza na voz. - Você também deve saber que não é fácil amá-lo. Até mais, Tris.

Dizendo isso ela saiu fechando a porta atrás de si. Eu fui até lá e tranquei a fechadura.

Pensei por muito tempo em tudo que Nicole me dissera.

Acordei muito mais tarde aquela noite com o barulho de alguém chegando no apartamento. Eu tinha acabado adormecendo no sofá.

Eric se aproximou quando me viu sentando no sofá. Ele parecia exausto.

— Você dormiu aqui? – perguntou de pé na minha frente, segurava as chaves do apartamento em uma das mãos, ele raramente usava a fechadura eletrônica. – Não devia, esse sofá pode ser muito desconfortável...

— Eu não ligo. – respondi me levantando, todas as coisas que Nicole me dissera estavam passando na minha cabeça.

— Você... você devia ir pra cama... – ele disse meio sem jeito, eu o encarava frente a frente.

— Você também. – respondi sem deixar de encará-lo. – a cama é sua, afinal.

— Mas você não me quer por lá...

— Isso prova que você não sabe muito sobre mim. – rebati repetindo a mesma frase que ele me dissera mais cedo.

No momento seguinte, estávamos nos beijando apaixonadamente. Tenho certeza que a iniciativa foi minha, mas também tenho certeza que a iniciativa foi dele, no fim das contas poderia ter sido dos dois ou poderia não ter sido nenhum, poderia ter sido só aquela força louca que nos compelia um para o outro.

Eric me colocou nos braços e me levou até a cama. Ele me colocou sobre ela e parou para retirar suas luvas e seu casaco, tirando suas botas e sua blusa e camisetas em seguida. Tirou também a calça antes de vir até mim e voltar a me beijar de forma apaixonada como antes.

— Eu tive tanta saudade... — ele disse ao meu ouvido enquanto mordia o lóbulo de minha orelha, me fazendo estremecer inteira enquanto suas mãos iam até o elástico de minha calça e puxavam-no para baixo.

— Eu também senti...— confessei quase num gemido quando ele veio retirar minha camiseta. Talvez fosse culpa da excitação, mas eu realmente quis dizer aquilo pra ele.

Quando eu disse, ele voltou a me beijar novamente com paixão. Meus lábios estavam doloridos pela forma como ele os mordia, mas eu também mordia os dele. Eric parecia muito empenhado em me deixar sem roupa e retirou minha calcinha enquanto beijava e mordia minha clavícula.

Em determinado momento, quando eu já estava completamente despida, ele parou e me olhou. Levou suas mãos até meus hematomas nas costelas e praticamente os acariciou. Depois tocou em meu rosto.

Eu achei que ele ia dizer algo, mas não disse. Ele me olhou bem nos olhos. Em seguida, desceu e beijou meu ventre com um carinho imenso e tanta reverência que chegou a me emocionar um pouco. Eu teria parado ele naquele momento, mas Eric me impediu no momento seguinte, afastando minhas pernas e passando a usar a língua entre as minhas pernas como fizera tempos antes, tirando o resto da sanidade que eu ainda tinha. Naquele momento eu deixei os problemas se dissiparem no ar e agradeci aos céus por o apartamento de Eric ser tão afastado, pois eu gemi muito alto com todo o prazer que ele conseguia me dar com sua língua e seus dedos.

Contudo, ele não me deixou chegar até o fim. Antes de isso acontecer, ele parou o que estava fazendo e voltou a me beijar, se colocando entre minhas pernas e entrando totalmente dentro de mim, como já fizera tantas vezes antes.

Eu estava muito molhada e o prazer foi imenso quando ele começou a estocar contra o meu corpo, me fazendo dizer seu nome. Ele mordeu meu ombro quando começou a aumentar aquele movimento e entrar em mim mais profundamente. Eu senti dor onde ele me mordia e apertei seus cabelos com uma mão, enquanto a outra levei até os quadris dele, pressionando-o cada vez mais contra mim.

A partir desse momento eu não poderia descrever mais muita coisa, meu corpo foi atingido por uma onda imensa de prazer que vinha do ponto onde ele me tomava e eu amoleci totalmente nos braços dele em prazer. Ele também gemeu de uma forma insanamente sexy antes de me estocar pela última vez.

Ele caiu sobre meu corpo, quando eu já estava caída.

E nós levamos muito tempo antes de dizer qualquer coisa novamente.

— Eu espero não ter machucado você – Eric me falou quando rolou o corpo para o lado, ainda respirando com dificuldade. – Tentei me conter, mas você não colaborou muito...

— Eu estou bem, - disse sem me mover.

— Eu estava precisando de um pouco disso... – ele brincou, levantando-se em seguida.

Eu o olhei, completamente nu contra luz do banheiro que ele acendera. Seu corpo era tão perfeito... imaginei como seria o filho dele, se seria parecido...

Ele entrou no banheiro e escutei barulho de água, vi um pouco de vapor que saía lá de dentro. Em seguida, ele apareceu na porta do banheiro, ainda sem roupa, totalmente indecente.

— Você não vem?

— Não sei... está tarde... estou cansada.

— Ah, você precisa disso. – ele falou vindo até mim e estendendo a mão.

Eu sabia que seria inútil resistir, então levantei e o acompanhei até o banheiro, pelo menos naquele momento, parecíamos um casal de amantes normal que tomaria um banho após o sexo. Apesar de que o conceito de normalidade passava muito longe de nós dois.

Ele me ajudou a entrar na banheira e depois entrou comigo. Ele sentou atrás de mim e pegou uma grande esponja, começou a passá-la nas minhas costas.

— Você passou por maus bocados, heim? – ele disse enquanto passava a esponja nas minhas costas e eu tinha certeza que se referia aos hematomas pelo meu corpo. - Quem bateu em você?

Eu demorei um instante antes de responder. Sabia o que ele queria saber.

— Não foi Tobias, se você acha isso. – cortei, sem conter irritação na minha voz.

— Eu não o acusei, - ele disse também irritado, parando de passar a esponja pelo meu corpo.

— Mas poderia pensar isso. – retorqui. – Ele não me bateu.

Eu parei e não disse mais nada.

Então, Eric apenas me abraçou por trás e beijou meus cabelos.

— Ele enlouqueceu, Eric... – eu falei finalmente, sem conter as lágrimas. – Ele está louco... Ele não é o homem com quem eu me casei... isso me assusta tanto! — confessei o que eu não tinha confessado ainda nem pra mim mesma.

— Ele te fez alguma coisa? – Eric perguntou de forma cuidadosa, ainda sem largar meu corpo do abraço molhado.

Eu estaquei. Sabia o que ele estava me perguntando.

— Ele ia mandar tirar meu filho. – falei voltando meu corpo para trás, para olhá-lo. – E ele estava obcecado por mim, então, eu fiz tudo que eu tinha que fazer, Eric. Fiz tudo que eu tinha que fazer para me proteger...

Comecei a chorar copiosamente e Eric me abraçou novamente. E não perguntou mais nada, apenas manteve-se calado. Quando parei de chorar, ele me ajudou a levantar, me secou e me levou novamente pra cama.

Ele me abraçou até que eu dormisse, mas permaneceu calado pelo resto da noite.

ERIC

Eu estava furioso.

Iria matar Quatro com minhas mãos quando o encontrasse. Eu mal podia pensar em tudo que ele fizera com ela enquanto a aprisionara, a raiva me atingia em cheio, mas eu não tinha raiva dela. Ela fez o que foi necessário, fez o que qualquer membro corajoso da Audácia teria feito. Era a cabeça dele que eu queria.

Deixei-a dormindo quando parti pra reunião do conselho na manhã seguinte, eu não teria saído se imaginasse que quando retornasse horas mais tarde, eu iria encontrar a Audácia em chamas.

E que ela não estaria mais lá.