Capítulo 8

Apaixonada

Jack observou o duque. Ele tinha ouvido falar muitas coisas sobre ele, algumas muito duvidosas em sua opinião mas tinha que concordar que realmente o doutor morte à primeira vista merecia sua reputação sombria vestido todo de negro, a expressão austera e seu título de nobreza. O homem exalava poder.

- Muito prazer em conhecê-lo, Sr. Shepard.- o duque estendeu a mão ao rapaz que ofereceu a sua de volta. Os dois se cumprimentaram amigavelmente.

- O que o traz à Inglaterra, especificamente à esta região tão monótona? Imagino que Nova York seja bem mais badalada do que aqui.

Sawyer tomou seu lugar na imponente cadeira de espaldar de veludo vermelho em frente à sua mesa e com um gesto de sua mão autorizou que Jack voltasse a se sentar.

- A Inglaterra sempre me fascinou bastante, Vossa Graça.- ele respondeu com sinceridade. – Meus avós que eram de Bath sempre me falaram com afeição deste país e por muito tempo eu quis vir pra cá até que me alistei na guarda real para servir à rainha Vitória.

- Então o senhor foi militar?- disse Sawyer, agradavelmente surpreso.

- Isso mesmo, milorde. Servi a guarda imperial por sete anos. Foi lá que aprendi a gostar tanto de cavalos.- explicou Jack. - Durante o tempo que passei là, me especializei em cavalos e comecei a trabalhar diretamente com os responsàveis pelos cavalos da rainha, ajudando no cuidado e na seleção das raças para procriação e competição nas grandes arenas do reino.

- Isso muito me agrada, Sr. Shepard. Eu gosto muito de cavalos, mas infelizmente não possuo todo o conhecimento que gostaria na aréa para procriar em minha propriedade, por isso preciso de alguém especializado como o senhor.

- Eu adoraria trabalhar aqui, milorde. Fiquei muito feliz quando vi o anúncio no jornal sobre esta vaga de trabalho em Graves. Aqui é uma das regiões mais bonitas da Inglaterra. E honestamente as badalações de Nova York não me aprazem mais, Vossa Graça.

- Tem certeza disso?-questionou o duque. - Os invernos por aqui podem ser muito longos, Sr. Shepard por isso logo lhe pergunto, o senhor é casado? Tem família?

- Não senhor, não sou casado. Mas meus pais e minha irmã caçula mudaram-se recentemente para cá. Alugamos um pequeno sobrado em Norwich.- ele fez uma pausa, depois continuou: - Mas confesso à Vossa Graça que ando tendo pensamentos matrimoniais. Estou com trinta e cinco anos, então já està na hora.

- Já encontrou a moça?- perguntou Lorde Sawyer, curioso.

- Não, mas esse é o ano de procurà-la.- disse Jack.

- Lhe desejo sorte- disse Sawyer. – Agora vamos direto ao ponto. Estou feliz de ter um especialista em cavalos que serviu à guarda real. Portanto, ficarei satisfeito em contratá-lo. Bem-vindo à Graves!

Jack sorriu.

- Muito obrigado, Lorde Sawyer. Vossa Graça não vai se arrepender. Vou cuidar muito bem dos seus cavalos.

- Eu acredito nisso e espero que o senhor não se arrependa de trabalhar aqui.- Sawyer acrescentou.

Jack franziu o cenho.

- Ora, Jack, não me diga que nunca ouviu falar da minha reputação?- provocou Sawyer.

- Ouvi sim.- Jack respondeu. – E será um prazer trabalhar para o doutor morte.

Sawyer riu. Jack riu também.

- Vossa Graça, eu não sou superticioso. Algumas pessoas ainda vivem na Idade Média.

- Pois muito bem, não se preocupe que sua alma estará a salvo em Graves.- disse Sawyer, bem-humorado. – Daniel, meu secretário irá levá-lo à residência que ocupará em minha propriedade e irá explicar-lhe todos os pormenores do contrato de trabalho. Sua família é muito bem-vinda a se mudar com o senhor para Graves. Gostaria de vê-lo novamente amanhã para visitarmos os estábulos juntos e conversarmos sobre planos futuros de procriar cavalos de raça.

- Sim, Vossa Graça. Muito obrigado mesmo pela oportunidade.- disse Jack com uma mesura.

Sawyer assentiu e tocou uma sineta de prata que estava em cima de sua mesa de carvalho. Daniel entrou imediatamente.

- Daniel, o Sr. Shepard está se juntando a nós hoje.

- Congratulações.- disse Daniel. – Por favor, venha comigo.- Jack o seguiu.

Quando eles saíram do escritório, Lorde Sawyer abriu uma das gavetas de sua escrivaninha e retirou de lá uma caixa dourada da onde tirou um charuto e um isqueiro feito de madeira e ouro. Ele caminhou até a sacada e passou pelas portas de vitrais coloridos. Sawyer então acendeu o charuto e fumou calmamente observando os jardins. A grama ainda estava molhada por causa da chuva que caíra pela manhã.

Ele avistou a preceptora brincando de esconde-esconde com seu filho Albert. Ela estava contando, o rosto encostado em uma árvore grossa e muito alta. Albert correu a se esconder atràs de uns arbustos, não muito longe de onde ela estava.

"A preceptora era mesmo adorável".- Sawyer pensou consigo se lembrando do que acontecera da última vez em que estiveram sozinhos.

Ele sabia que precisava ficar longe dela ou iria desgraçá-la, mas não conseguia. A melhor maneira de fazer isso seria despedindo-a mas ele via o jeito que seu filho olhava para ela com adoração e a bondade com que ela tratava sua filha. Ela era uma excelente preceptora e o bem-estar dos seus filhos era mais importante que qualquer tentação. Talvez se ele pudesse tê-la o desejo arrefeceria e ele poderia se libertar...

O duque estremeceu de desejo diante daquele pensamento. Mas ele não podia fazer isso. Ela era uma boa moça e merecia casar-se com um homem de respeito e não ser deflorada por ele que não tinha interesse nenhum de se casar novamente. Alguém como Jack Shepard, um homem honrado que servira diretamente à rainha. Jack estava procurando por uma esposa e Ana-Lucia certamente precisava casar-se. Se ela se casasse com seu novo empregado poderia mantê-la como preceptora dos seus filhos e jamais poderia tocar nela. Manteria a tentação bem longe. Sorrindo diante daquele novo plano, Sawyer continuou fumando seu charuto. Ele precisava fazer com que os dois se encontrassem. Talvez pudesse convidá-la a ir aos estábulos com eles pela manhã. Sim, seria perfeito.

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Katherine mirou-se no espelho dos aposentos de sua falecida irmã. Ela usava um vestido verde-esmeralda sem alças, com babados verdes mais claros no decote e na longa saia rodada. Seus cabelos castanho-avermelhados estavam presos para trás com cachos soltos. A cintura estava tão comprimida pelo decote que a fazia parecer muito fina e frágil.

- Como eu estou, Sophie?- Kate indagou à sua criada particular que tinha trazido consigo para Graves e que acabara de ajudà-la a colocar todos os aparatos femininos que uma mulher da nobreza precisava vestir para um jantar informal com sua família.

- A senhorita está linda, milady.- respondeu a criada. – Como sempre.- Sophie acrescentou.

- Não posso estar linda como sempre. Tenho que estar mais bonita do que de costume se vou jantar com meu cunhado, Sophie.- Kate ralhou.

- Sim, senhorita. Me desculpe.- disse a criada, subserviente.

- Preciso do meu jogo de esmeraldas.

- Certamente o jogo de esmeraldas combina à perfeição com seus olhos, milady. Mas para um jantar casual com o duque penso que os mini diamantes fariam mais jus à sua beleza, senhorita. As esmeraldas no entanto, poderiam tentar ofuscá-la. Seriam mais apropriadas para um baile se a senhorita me permite dizer.

- Sim, eu permito.- disse Kate. – Acho que você tem razão.

Sophie abriu um dos baús de sua senhora e retirou uma caixa de veludo vermelho de lá de dentro, entregando-a para Kate. Lady Austen abriu a caixa e retirou os pequenos brincos de diamante e a gargantilha de prata com um único diamante em forma de gota. Ela mesma colocou os brincos e Sophie ajudou-a a colocar a gargantilha.

- Você viu a preceptora de meus sobrinhos, Sophie?

- Vi rapidamente quando fui aos jardins esta tarde, milady. Ela estava brincando com o menino.

- Ela é muito bonita, não acha?- perguntou Kate claramente esperando que a criada não concordasse com ela.

- Bonita sim, milady mas não chega aos seus pés. Ela não tem o mesmo porte e elegância que a senhorita.

Kate sorriu satisfeita com a resposta de sua criada. Sophie beliscou-lhe ambas as bochechas antes de dizer:

- A senhorita está mesmo maravilhosa.

Kate sorriu ainda mais e beijou a bochecha de Sophie.

- Você é a melhor, Sophie.

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Rose retirou o faisão com batatas à dorê do forno enquanto seu assistente de cozinha mexia um caldeirão de consomé de frango. Charlotte aproximou-se com uma bandeija de pães frescos.

- Tem certeza que os pães ficaram bem fofinhos?- indagou Rose.

- Sim, senhora.- respondeu ela. – Adicionei claras extras como a senhora me instruiu Dona Rose.

- Lady Austen é extremamente exigente quando se trata de gastronomia. Tudo tem que estar perfeito. Lady Sawyer era bem mais fácil de agradar.

- Quando ela estava de bom humor.- disse Cassidy entrando na cozinha e colocando sua mão na bandeija de pão. Rose deu um tapinha na mão dela.

- O que está fazendo aqui, Cassidy?- Rose indagou. – Você deveria estar ajudando a senhorita Cortez a se vestir para o jantar. Sabe como o patrão não gosta de atrasos e esta noite porque Lady Austen está presente, ele deseja que Albert esteja à mesa, portanto a senhorita Cortez também precisa estar.

- Pois a Srta. Cortez sempre me manda embora quando eu vou aos seus aposentos para ajudá-la a se vestir. Ela diz que pode se vestir sozinha.

- Provavelmente porque da última vez que você foi ajudá-la, apertou o espartilho dela demais e a pobre moça desmaiou nos braços do patrão.

- E desde quando você gosta dela, Charlotte?- retrucou Cassidy.

- Ela parece ser amável.- disse Charlotte.

- Eu só fiz um favor a ela porque vocês sabem que tudo o que ela queria era cair nos braços do patrão.- disse Cassidy dando de ombros.

- Já chega, Cassidy!- exclamou Rose, irritada. – Pare agora mesmo de tagarelice e vá aos aposentos da Srta. Cortez ajudá-la a se arrumar para o jantar.

- Sim, senhora.- respondeu Cassidy, rindo.

Assim que ela se afastou, Rose bradou:

- Essa menina é uma peste!

- Rose. Você sabe que a Cassie sempre foi apaixonada pelo patrão.- comentou Diana.

- Como se o patrão tivesse olhos para ela...- falou Rose.

- Mas ele parece ter olhos para a Srta. Cortez.- sussurrou Charlotte.

Rose revirou os olhos.

- Vamos trabalhar que o jantar não se faz sozinho!

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O sobrado que os Shepard alugavam em Norwich era uma residência aconchegante de dois andares com quatro quartos, sala de estar, sala de jantar, quarto de costura, cozinha ampla, dependência de empregados, vinícola, jardim e quintal com um modesto estábulo. Mesmo assim, Margot Shepard, a mãe de Jack se ressentia em viver ali. Em Nova York quando o esposo dela Christian Shepard era um renomado advogado, sem títulos mas com uma pomposa fortuna, a família vivia uma vida luxuosa em um palacete próximo ao recém inaugurado Central Park.

Mas Christian possuía um vício terrível. Rodadas de pôquer e mulheres. Inevitavelmente, o vício levou a fortuna da família restando apenas a modesta herança de Margot que ela protegia com unhas e dentes para poder pagar o dote da filha Claire que em breve debutaria na sociedade. Falidos, os Shepard não tiveram outra escolha senão procurar a ajuda do filho Jack que levava uma vida confortável como parte da guarda real inglesa.

Jack passou a enviar dinheiro para a família todos os meses até que quando se aposentou da guarda, resolveu trazê-los para morar na Inglattera e como o custo de vida na capital, Londres era muito alto, ele achou melhor alugar um sobrado no campo. Quando viu o anúncio no jornal para trabalhar no castelo de Graves, Jack viu uma excelente oportunidade de aumentar os ganhos da família, já que o pai não advogava mais e Claire realmente necessitava de cuidados até que pudessem encontrar um bom partido para ela.

Jack retornou ao sobrado depois de sua entrevista de emprego no castelo de Graves sentindo-se muito bem. Ele colocou seu cavalo no estábulo e se dirigiu para a casa. Claire avistou o irmão da janela da sala de estar caminhando em direção à entrada da casa e deu um gritinho de felicidade.

- Ele voltou, papa!- disse ela largando o bordado e correndo para a porta.

- Bom, minha menina. Bom.- disse Christian tomando um trago de uísque.

- Jack!- ela gritou pulando em cima do irmão e beijando-lhe as bochechas.

- Pequena Claire.- saudou ele.

- Conta, por favor, você conseguiu o emprego?

- Ele vai contar Claire, se você deixar ele respirar.- disse Margot vindo da cozinha e limpando as mãos no avental.

Claire finalmente o soltou. Jack começou a falar:

- Muito bem, o castelo de Graves é incrível. Não tive tempo de ver os estábulos, mas as tapeçarias, os lustres...

- Por Deus, Jack, você não é do tipo superficial, conte-nos logo se conseguiu o maldito emprego!- falou Christian, impaciente.

Jack sorriu.

- Papa, eu achei que vocês iriam gostar de saber como é o Castelo de Graves já que nós vamos nos mudar pra lá.

Margot e Claire gritaram em uníssono. Claire começou a pular ao redor da sala.

- Você está falando sério, filho?- perguntou Christian.

Jack assentiu.

- O Duque me contratou pessoalmente.

- Graças a Deus!- exclamou Margot.

- Ou ao diabo.- disse Christian com um sorriso. – Não é isso o que dizem sobre ele? Filho, você sabe que não precisa vender a sua alma por nós.

- Ah cala a boca, Shepard!- brigou Margot. – Você foi quem vendeu a sua alma em Nova York por causa de uns rabos de saia, nossa família ainda está pagando por isso.

- Mamã...-choramingou Claire. Ela não gostava quando a mãe se referia assim ao pai.

- Vamos deixar isso de lado, por favor.- pediu Jack. – Vamos comemorar porque nós vamos mudar para Graves!

Jack abraçou a mãe e a irmã, em seguida olhou para o pai convidando-o a se juntar ao abraço. Christian se aproximou um pouco incerto, mas Margot disse:

- Ora, venha logo meu velho!

Ele sorriu e finalmente se juntou ao abraço familiar.

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Ana-Lucia ouviu as batidas na porta e colocou o romance que estava lendo de lado.

- Entre.- ela autorizou.

Cassidy entrou no quarto e fez uma mesura exagerada para Ana-Lucia quando disse:

- Srta. Cortez, vim ajudá-la a se vestir para o jantar.

- Muito obrigada, Cassidy mas hoje vou jantar com Alex e as crianças no quarto de estudos.

- Pois eu ouvi dizer que porque temos visita no castelo, Lorde Sawyer quer que Albert esteja presente à mesa, logo a senhorita terá que ir também.

- Eu acho muito apropriado que o Albert jante com seu pai e sua tia esta noite, mas como eu não sou parente acho melhor jantar com Alex e Nicole então. -disse Ana-Lucia calmamente.

- Como queira, senhorita.- disse Cassidy com um sorriso falso deixando o quarto.

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Os criados terminavam de acender as velas dos lustres da sala de jantar quando Lorde Sawyer e Lady Austen chegaram de braços dados para o jantar. Ele fora buscá-la em seus aposentos como mandava a etiqueta. O duque puxou uma das cadeiras de espaldar dourado para que Katherine se sentasse à mesa ao seu lado. Ela graciosamente aceitou o gesto polido do cunhado. Assim que ela se acomodou, ele tomou seu lugar à cabeceira. Albert desceu acompanhado por Eloise e Daniel alguns minutos depois.

- Mestre Albert.- disse Sawyer cumprimentando o filho.

- Meu pai.- cumprimentou o garoto com uma mesura indo sentar-se ao lado do pai no oposto da mesa en frente à sua tia. – Tia Kate.- ele a cumprimentou assim que tomou seu lugar.

- Albert.- disse ela, sorrindo.

Eloise e Daniel fizeram mesuras para o Duque e sua cunhada e então tomaram seus lugares à mesa.

- Podemos começar a trazer as bebidas, Vossa Graça?- indagou Charlotte, de pé ao lado da mesa acompanhada de mais um criado.

Sawyer olhou ao seu redor e voltou sua atenção para a Sra. Hawkins.

- Onde está a Srta. Cortez, Eloise?

- Ela disse à Cassidy que preferia jantar na sala de estudos com Alex e Nicole, Vossa Graça.- ela respondeu um pouco preocupada.

O Duque franziu o cenho, olhou para Charlotte e disse:

- Vá agora mesmo dizer à senhorita Cortez que ela deve descer imediatamente para o jantar.

- Eu posso ir chamá-la, papa.- ofereceu-se Albert.

- Mas eu pedi à Charlotte que o fizesse.- ele respondeu.

- Sim, senhor.- respondeu Charlotte fazendo uma mesura e deixando a sala de jantar imediatamente.

Ela subiu os degraus das escadarias de dois em dois e logo chegou aos aposentos de Ana-Lucia. Bateu na porta.

- Sim?- disse Ana.

- Senhorita Ana, sou eu Charlotte.

- Pode entrar.- ela autorizou.

Charlotte viu que Ana-Lucia não estava vestida para o jantar e preocupou-se.

- Senhorita, milorde quer que você desça para jantar imediatamente.

- Eu disse à Cassidy que mandasse avisar que eu não vou descer.

- Mas senhorita...

- Charlotte, por favor diga ao duque que eu agradeço imensamente o convite, mas que vou declinar afinal ele está muito bem acompanhado por sua família.

Charlotte deixou os aposentos de Ana-Lucia e retornou para a sala de jantar.

- E então?- indagou Sawyer quando a viu.

- Ela disse que agradece o convite mas que não descerá, Vossa Graça...

- Diabos!- Sawyer exclamou batendo na mesa com sua mão. Albert quase pulou em sua cadeira.

O duque se levantou e caminhou para fora da sala de jantar em direção às escadarias. Kate ia dizer alguma coisa quando Eloise lhe deu um olhar advertindo que não dissesse nada.

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Em seus aposentos, Ana-Lucia finalmente largou o livro que estava lendo e pegou seu xale de lã para ir jantar na sala de estudos. Pegou um susto quando o duque entrou em seu quarto de repente sem ser anunciado.

- Presumo que a senhorita não saiba que ordens são ordens.- disse ele à Ana com a voz baixa, intimidante e rouca. – Por que não desceu para o jantar?

- Vossa Graça.- Ana fez uma reverência. – Perdoe-me mas eu não quis atrapalhar o jantar com sua cunhada que o está visitando. Eu achei inapropriado.

- Quem decide o que é ou não apropriado nesse castelo sou eu.- Lorde Sawyer afirmou.

- Sim, senhor.- respondeu Ana. – Então beijar a preceptora dos seus filhos é muito apropriado.- ela o provocou. Não pretendia fazer isso, mas as palavras acabaram saindo.

Sawyer lançou-lhe um olhar furioso que fez o estômago de Ana-Lucia se contrair. A tensão no quarto era latente. Por alguns segundos ela temeu que ele fosse fazer alguma coisa com ela, parecia tão zangado. Mas no minuto seguinte ele a surpreendeu puxando-a contra seu corpo e beijando-a profundamente.

- Hummm... – fez Ana, perplexa com o beijo dele. Mas ao invés de empurrá-lo, ela correspondeu ao beijo com o mesmo ardor.

- Maldição!- ele exclamou quando eles se separaram para recobrar o fôlego, mas a pausa não durou muito. Ele logo a agarrou novamente, voltando a beijá-la. Os braços fortes dele envolveram a cintura dela, seus lábios desceram do pescoço para o colo macio e convidativo no vestido simples que ela usava.

- Milorde...- Ana gemeu quando o sentiu mordiscando sua pele suavemente.

A mão dele segurou a saia dela, torcendo o tercido, querendo levantá-la. Ana-Lucia se encostou mais no corpo dele e sentiu uma protuberância interessante contra si. Ela o olhou direto nos olhos, cheia de desejo e curiosidade, já imaginando o que aquilo significava. Foi nesse momento que Sawyer voltou a si, soltando-a bruscamente.

- Sawyer... – ela o chamou sentindo-se afogueada por dentro. Mas estava com medo de que ele fosse ser rude como tinha sido da última vez que eles tinham desfrutado um pouco de intimidade como aquela. Porém, ele segurou na mão dela delicadamente antes de pousar um beijo casto em sua testa.

- Por favor, senhorita Cortez desça para o jantar.

- Ou Vossa Graça vai fazer o quê?- ela provocou. Ela não estava interessada em jantar, queria continuar beijando o patrão.

- Eu vou...vou despedi-la!- anunciou ele se afastando dela. – Se a senhorita não descer em dez minutos estará des-pe-di-da!

Quando ele saiu, Ana riu. Tocou o próprios lábios e suspirou.

- Ai meu Deus, eu acho que estou apaixonada... – ela sussurrou.

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Lorde Sawyer retornou à mesa do jantar, tomou seu assento e disse aos criados:

- Ninguém come nada até a senhorita Cortez descer para o jantar.

Os adultos presentes à mesa não disseram palavra. Mas o pequeno Albert logo se manifestou:

- Mas papa, eu estou com fome!- queixou-se.

Sawyer deu apenas um olhar para ele e o menino calou-se. Exatos dez minutos depois Ana-Lucia surgiu na sala de jantar trajando um vestido amarelo rodado de alças finas, com brocados da mesma cor no corpete. Uma medalhinha da Virgem Maria era tudo que lhe adornava. Seus cabelos estavam presos em um coque solto e uma parte de sua franja caía de lado em seu rosto.

O duque e Daniel levantaram-se imediatamente quando a viram.

- Boa noite.- disse Ana-Lucia. – Perdoem o meu atraso por favor.

Kate observou Ana e tomou um gole de vinho. O líquido desceu amargo por sua garganta. Aquele jantar não estava indo muito bem.

Continua...