Capítulo 10

Prelúdio

A surpresa que Ana-Lucia sentiu ao reconhecer a voz do patrão por trás da máscara da figura mais alta foi tanta que suas pernas ficaram bambas, e ela quase caiu quando tentou deixar o local rapidamente. Acabou tropeçando em umas caixas de madeira que estavam em um canto chamando a atenção que não queria para si.

Lorde Sawyer ouviu o barulho das caixas caindo e largou o instrumento cortante que tinha nas mãos deixando o pedaço de metal cair com um estrondo no chão de pedra. A segunda figura que acompanhava o duque, um pouco mais baixa e esguia olhou diretamente para onde as caixas tinham se movido e conseguiu vislumbrar Ana-Lucia, mesmo com a penumbra que cobria o local. A figure se aproximou dela carregando uma única vela com a mão direita, a outra mão estava pousada na cintura, o gesto demonstrando irritação.

Ana se encolheu em meio às caixas como se os objetos pudessem escondê-la do ser que se aproximava.

- O que fazes aqui?- soou uma voz feminina fria e calma, mas com entonação zangada por trás do tecido branco que a escondia.

Ana-Lucia não conseguiu responder, mas seus olhos focaram num par de olhos azuis muito inquisidores, mirando-a. Lorde Sawyer se aproximou e soltou um suspiro resignado ao ver a preceptora de seus filhos encolhida no chão, com a feição aterrorizada. Ele retirou a máscara e Ana viu que a expressão dele estava tão zangada quanto deveria estar a da outra pessoa ao lado dele.

- Sinceramente, Srta. Cortez, na sua carta de apresentação para o emprego não lembro-me de ter lido nada sobre os seus hábitos de espionagem na casa de seus patrões.

- Perdão, Vossa Graça.- Ana disse.

Sawyer estendeu a mão para ela gentilmente. Ana-Lucia aceitou o gesto dele e levantou-se com cuidado.

- A senhorita machucou-se?- ele perguntou.

- Não, senhor.- ela respondeu. – Mil perdões por estar aqui sem ter sido convidada, milorde, mas foi um acidente, eu estava andando no corredor e acabei parando aqui.

- Claro.- disse a mulher ao lado de Sawyer, dessa vez com ironia na voz.

- Vossa Graça vai desculpar-me mais uma vez, mas o que é tudo isso?- ela apontou ao redor de si pela sala semi-escura e para a mesa onde o corpo jazia. Ana ainda não sabia dizer do que se tratava.

- Que ótimo!- exclamou a mulher ao ouvir a pergunta de Ana-Lucia. – James, diga para o Sayid trazer o meu cavalo, sim? Tu sabes que não tenho tempo para pilhérias.

- Acalma-te, minha querida.- o duque disse com a voz divertida. – Não te preocupes com nada. Sayid?- ele chamou em seguida e o mouro apareceu na sala como se tivesse surgido do nada.

Ana-Lucia não conseguiu esconder um grito abafado porque não esperava vê-lo ali.

- Vou buscar seu cavalo imediatamente, baronesa.- disse Sayid com uma mesura.

A mulher retirou a máscara deixando uma única e longa trança loira recair sob o seu ombro direito.

- Depois.- ela disse para Sawyer e retirou-se juntamente com Sayid por uma outra porta que Ana obviamente não notara antes.

- Depois.- resondeu Sawyer.

Ana-Lucia ficou olhando para ele ainda com a expressão atordoada.

- Vamos, senhorita Cortez. Vou acompanhá-la de volta aos seus aposentos.

- Mas... – ela começou a dizer sentindo-se confusa, mas não conseguiu terminar a sentença porque sentiu uma picada na parte baixa de suas costas por cima do penhoar branco que usava, caindo imediatamente em um sono profundo. O duque a aparou com maestria, erguendo-a nos braços e descartando a seringa de vidro com a agulha que ele usara para fazê-la adormecer.

- Perdoe-me, doce anjo.- ele sussurrou.

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Ana-Lucia abriu os olhos de repente e deu de cara com a Sra. Hawkins, de pé em frente à sua cama, com os braços cruzados sob o peito e olhar de reprovação.

- Sra. Hawkins?- ela disse sentando-se na cama e tentando se recompor. – O que houve?- perguntou, confusa.

- Eu é quem pergunto à senhorita, o que houve? Já são quase meio-dia e a senhorita ainda está na cama? Perdeu o café da manhã e as lições matinais de Albert.

- Perdão, senhora.- desculpou-se Ana-Lucia, estupefata consigo mesma. Como poderia ter dormido tanto assim? Pensou.

- Eu e Alex tivemos que cuidar de tudo e o menino se negou a fazer as lições de aritmética alegando que eu não sou tão boa professora quanto a senhorita. Eu eduquei Vossa Graça!

- Sim, é verdade.- concordou Ana-Lucia. – Albert jamais deveria ter dito isso. Sinto muito, Sra. Hawkins. Eu vou falar com ele.

- Está doente?- indagou a governanta com uma sobrancelha erguida. – Parece-me pálida.

- Não, senhora.- Ana respondeu depressa. – Acho que eu estava mais cansada do que imaginva.

- Suas regras estão normais?

Ana-Lucia corou, mas respondeu que sim mesmo sem entender o porquê de ela ter feito aquela pergunta.

- Se não te sentes bem talvez devesses fazer uma consulta com Vossa Graça e tirar o resto do dia de folga já que dormiu até tão tarde.- Eloise sugeriu com a voz mais branda.

- Não, senhora. Eu estou bem. Prometo que vou vestir-me e estarei pronta para comparecer ao almoço em cinco minutos.

- Pois bem.- concordou Eloise. – Vou avisar ao patrão.

- Lorde Sawyer vai almoçar conosco?- Ana perguntou, surpresa. Geralmente ela almoçava algo informal com Alex e as crianças no quarto de estudos.

- Sim, ele irá!- respondeu Eloise. – Quando temos visitantes o duque faz a maior parte de suas refeições na sala formal com seus convidados e ele espera que agora que Albert completou cinco anos, que o filho o acompanhe nessas ocasiões e é seu trabalho estar lá para ensiná-lo a portar-se à mesa.

- Sim, Sra. Hawkins.

- Desça o mais rápido possível.- ordenou a governanta antes de deixar o quarto de Ana-Lucia.

A preceptora estava chocada com aquela situação. Não entendia como poderia ter dormido tanto. A única coisa de que se lembrava era de ter deixado Lorde Sawyer sozinho com Albert no quarto do menino e ter ido para a cama.

Embora estivesse confusa com tudo, Ana-Lucia escolheu um vestido simples branco com saia de linho e organza, adequado para aquela hora do dia e se arrumou o mais depressa que pôde depois de lavar o rosto e assear-se.

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- Não vai levar-me para dar uma volta na vila hoje, cunhado?- Kate perguntou enquanto mexia delicadamente sua sopa de milho para que esfriasse.

O duque deu um sorriso educado e cortou uma fatia de presunto assado no prato de porcelana ricamente decorado com motivos de dragões em amarelo e vermelho, herança da família de sua falecida mãe.

- Infelizmente hoje eu não posso, milady. Estou indo para a vila, mas tenho negócios para resolver, além de alguns pacientes que preciso visitar.

- O senhor poderia deixar-me no comércio para que eu possa fazer compras enquanto estás ocupado.

- Não creio que funcionaria, querida.- ele respondeu voltando-se para Albert que estava sentado ao seu lado e começando a cortar o presunto no prato do filho.

Alex que estava de pé ao lado do menino, pronta a auxiliá-lo na mesa ficou muito impressionada quando o duque resolveu ajudar ao filho. Ela nunca tinha visto o nobre fazer isso antes.

- Eu pensava que maneiras à mesa eram ensinadas pela preceptora.- comentou Katherine, obviamente criticando Sawyer por estar ajudando o filho. Cuidar das crianças não era trabalho do pai, principalmente de um duque.

- Foi por isso que não aprendentes?- retrucou Lorde Sawyer para a cunhada com um sorriso de escárnio. – Sei que estudastes em um colégio interno assim como eu, então sei muito bem que tipo de ensinamentos aprendemos na escola.- ele riu, malicioso.

Lady Austeu corou.

- Por favor, Vossa Graça, não sejas impertinente.- repreendeu ela usando um leque para abanar-se embora o verão ainda não tivesse dado o ar de sua graça em Graves.

- Boa tarde,Vossa Graça.- disse Ana-Lucia adentrando a sala.

Lorde Sawyer levantou-se imediatamente. Kate franziu o cenho perguntando-se desde quando os patrões tinham que fazer gentilezas para seus empregados?

- Ouvi dizer que a senhorita estava indisposta essa manhã.- comentou ele.

- Perdão por ter...perdido a hora.- disse ela aproximando-se de Albert. – Sei que eu deveria estar com o Albert...

O duque estava particularmente mais bonito ainda naquele início de tarde. Ele usava uma camisa de linho branca com cordões no peito, calça escura também de linho e botas de montaria de cano alto. Seus longos cabelos loiros estavam cuidadosamente presos em uma trança para trás, o que fazia com que ele lembrasse um viking. Os olhos azuis sempre tão profundos e inquisidores e a barba loira como seus cabelos muito bem aparada. Lorde Sawyer foi para trás dela e puxou a cadeira para que ela se sentasse. O nobre não perdeu a oportunidade de dar-lhe um olhar intenso. Ana-Lucia quase suspirou, mas conteve-se.

Kate revirou os olhos, mas nada disse.

- Não precisa desculpar-se, Srta. Cortez. Quando eu soube que a senhorita ainda dormia hoje de manhã pedi à Eloise que não a acordasse.

Kate arregalou os olhos verdes, com raiva. Ela estava ficando cansada do jeito que Sawyer estava tratando a preceptora, era gentil demais, embaraçoso demais.

- Sawyer, o que está fazendo?- ela bradou. – Se ela dormiu durante o horário de serviço, o senhor deveria descontar do salário dela!

- Não!- gritou Albert, zangado antes que Sawyer pudesse dizer alguma coisa. – A senhorita é muito má, tia Katie. Papai, não faças isso!

Ana-Lucia ficou muda. Kate largou o prato e levantou-se da mesa, caminhando em direção às escadarias, os saltos de seus delicados sapatos de cetim ecoaram pelo piso de pedra. Lorde Sawyer levantou-se quando ela saiu e fez-lhe uma mesura como mandava à etiqueta e voltou a sentar-se à mesa.

- Tu não te preocupes, filho.- disse com a voz branda para Albert. – Eu ainda sou o senhor desse castelo e ninguém vai descontar do salário da Sra. Cortez.

- Mas Lady Austen está certa, Vossa Graça. Eu não trabalhei...

Lorde Sawyer a interrompeu colocando sua mão na dela, discretamente.

- Só existe uma pessoa certa em Graves, senhorita. Eu.- disse arrogante antes de voltar a comer.

Ana-Lucia permaneceu em silêncio pelo resto da refeição.

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Kate entrou nos aposentos de Lady Evangeline e começou a atirar suas coisas no chão, acabou quebrando um dos porta-joias musicais da irmã. Sophie correu a ampará-la.

- O que houve, milady?

Kate deixou sair um soluço e falou com a voz embargada:

- Por que Evie tinha que morrer, Sophie, por que? Se ela não tivesse morrido, mamã não estaria obrigando-me a me casar com meu cunhado. Ele nunca vai casar-se comigo, nunca! Ele fica derretendo-se pela preceptora!

Ela desatou a chorar e deitou a cabeça no colo de sua criada. A moça acariciou-lhe os cabelos, ternamente.

- Por favor, não chores, milady.

- O duque não gosta de mim.- Kate continuou ainda chorando. – Ele amava a Evie mas nunca vai amar-me e se eu não conseguir casar-me com ele, mamã irá obrigar-me a casar com um ancião. Sophie, eu não quero perder minha castidade com um ancião. Preferia morrer...

Sophie continuou confortando-a até que disse:

- E se milady perdesse sua castidade para o duque?

Kate levantou a cabeça do colo de Sophie e enxugou as lágrimas.

- Como assim, criatura?- questionou. – Pois eu acabei de te dizer que meu cunhado não me quer...

- Ele é um homem, Lady Austen. E todos os homens são fracos pela carne. Se a senhorita fizer uma visita ao quarto dele hoje à noite, tenho certeza de que ele não irá recusá-la.

Kate pegou um espelho de mão que estava no chão entre as coisas que ela tinha atirado anteriormente e mirou-se nele, observando seu rosto molhado de lágrimas.

- A senhorita é muito bela.- disse Sophie. – Mais bela ainda do que tua irmã foi um dia e o duque não irá resistir aos teus encantos. Depois que ele tirar tua castigade vai ter que contrair matrimônio com a senhorita, ele jamais a deixaria desonrada.

Kate esboçou um sorriso.

- Casando-me com o duque, eu me livro de mamã para sempre.

- Sim, e a senhorita irá ser muito feliz com Lorde Sawyer e os filhos dele.

- Sim!- Kate concordou mais uma vez.

- Vamos planejar tudo para esta noite, mas agora por que a senhorita não vai dar um passeio à cavalo para espairecer um pouco? Eu irei com milady à estrebaria.

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Depois do almoço, Ana-Lucia não conseguiu mais parar de pensar na arrogância de seu patrão. Ela cometera um erro dormindo até tarde quando deveria estar trabalhando e Lorde Sawyer não deveria ter abonado as horas que ela perdera. Ela era uma funcionária e o duque deveria tratá-la como tal ao invés de sorrir para ela daquele jeito, seduzindo-a com seu olhar impertinente, libidinoso. Como assim ele era a única pessoa certa naquele castelo? Ela sabia que ele era muito rico, mas na opinião dela isso não era motivo de sabedoria. Mesmo assim ela o admirava por ser médico. Cuidar das pessoas não era necessariamente uma das profissões que os nobres queriam abraçar.

Ana ainda estava pensando nisso depois que Albert terminou sua lição e foi aproveitar seu tempo para brincar. Ela despensou Alex e ficou no quarto de brinquedos com ele e Nicole. A menininha dormia tranquila em seus braços quando a Sra. Hawkins apareceu.

- Ei, Albert!- ela disse, sorridente. – Gostaria de um pirulito de melaço?

Os olhos do garoto brilharam diante daquela pergunta.

- Sim, sim, Sra. Hawkins!- ele respondeu vibrante.

- Pois desça as escadas com cuidado e vá à cozinha. Rose acabou de desgrudá-los da panela.

- Ebaaa!- disse Albert correndo para deixar o quarto.

- Cuidado com as escadas, mocinho.- advertiu Eloise, carinhosamente.

Assim que Albert se foi, ela sentou-se ao lado de Ana-Lucia na cadeira de balanço aonde a antiga dona do castelo costumava amamentar o menino anos atrás.

- Diga-me, Srta. Cortez. Está gostando de sua estadia em Graves?

- Sim, muito.- Ana respondeu.

- Talvez esteja gostando demais, não acha?- Eloise acrescentou.

- O que quer dizer, Sra. Hawkins?- indagou Ana-Lucia levantando-se da cadeira de balanço e indo colocar Nicole de volta em seu berço.

- Quero dizer que já alertei-lhe uma vez.- respondeu Eloise. – Faças teu trabalho e fique longe de Lorde Sawyer. Quando juntares um bom dinheiro volte para Londres para viver com sua mãe. Seria o melhor para a senhorita.

- E como a senhora sabe o que é melhor pra mim?- retrucou Ana-Lucia.

- Depois não diga que não lhe avisei.- Eloise falou por fim, deixando o quarto.

Ana ficou ainda mais encucada depois da estranha conversa com a Sra. Hawkins. Acabou decidindo que conversaria com Lorde Sawyer sobre as histórias da governanta e insistiria com ele que não lhe pagasse as horas que ela dormira. Era o mais certo a fazer.

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A brisa da tarde estava fria, mas Jack estivera escovando os pelos dos cavalos por tanto tempo que a tarefa repetitiva acabou deixando-o com calor. Como ele estava sozinho na estrebaria, decidiu tirar a camisa e refrescar-se um pouco até o calor passar.

Retirou a veste e a camisa de linho pendurando-as na porta gradeada de uma das baias. Pegou um jarro com água limpa e derramou sobre o peito. Ele acabou não ouvindo quando Lady Austen e sua criada Sophia adentraram o espaço.

Sophia soltou um gritinho de surpresa ao vislumbrar o homem semi-desnudo na estrebaria. Lady Austen, ao contrário dela não conseguiu desviar os olhos do torso masculino nu, musculoso e coberto de pelos castanho-escuros.

- Perdoem-me, senhoras...senhoritas!- disse Jack ao vê-las. – Eu não sabia que tinha companhia.

Ele viu o olhar fascinado da moça mais bem vestida das duas e sentiu um calor inundar-lhe o peito. Ela era linda.

- Cubra-se, senhor!- exigiu a outra mulher que deveria ser sua criada, Jack pensou.

Ele saiu do transe que a visão daquela moça esguia, de longos cabelos castanho- avermelhados cheios de cachos lhe provocara e agarrou a camisa de linho imediatamente.

- Está tudo bem, Sophie.- disse Kate. – O cavalariço estava trabalhando. Deve fazer muito calor aqui nos estábulos. Eu mesma estou começando a sentir-me...quente.

Jack engoliu em seco.

- A senhora..senhorita...

- Senhorita.- Kate enfatizou com um sorriso.

- Gostaria que eu lhe selasse um cavalo? Se estiver muito quente aqui eu posso levar o cavalo lá para fora.

- Está tudo bem.- Kate respondeu. – Que cavalo o senhor acha que eu deveria montar?

Jack tinha muitas respostas para aquela pergunta, mas concentrou-se em apontar para ela a baia de uma égua negra muito mansa chamada Raio de Sol.

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Naquela noite Ana-Lucia imaginou que Lorde Sawyer apareceria para jantar com o filho e a cunhada como estava fazendo, desde que Lady Austen viera visitar o Castelo de Graves. Ela aproveitaria a oportunidade para falar com ele depois do jantar; no entanto, a Sra. Hawkins comunicara à ela que poderia comer com Albert e Alex porque Lorde Sawyer decidira jantar em seu escritório já que sua cunhada tinha saído para cavalgar e ainda não retornara.

Ana decidiu que não esperaria outro dia para falar com ele sobre o que a incomodava, por isso foi à cozinha e pediu para Rose que a deixasse levar o jantar do patrão no escritório.

- Por que quer fazer isso, menina?- indagou, Rose.

- Porque eu preciso dar uma palavrinha com ele, Rose, Por favor!- insistiu Ana.

A cozinheira acabou por aceitar e Ana-Lucia seguiu as instruções dela para chegar ao escritório do duque. Bateu na porta e assim que ele autorizou, ela entrou. Ele ficou surpreso ao vê-la.

- O que estás fazendo aqui, senhorita Cortez?

Ela pousou a bandeja na escrivaninha dele.

- Eu vim trazer seu jantar, Vossa Graça.- disse ela. – E também vim dizer que não vou aceitar o abono pelas horas que não trabalhei.

- Não vai aceitar?- o duque retrucou levantando-se de sua cadeira e ficando frente a frente com ela.

- Não. De jeito nenhum.- enfatizou.

Ana-Lucia não soube como mas no momento seguinte, ela e o patrão beijavam-se intensamente. Ele a sentara na escrivaninha e se colocara entre suas pernas. Ousado, ele desceu a mão por debaixo de suas saias e Ana suspirou ante a palma da mão quente dele acariciando suas coxas por cima das meias de cetim.

Continua...