Capítulo 11
Resistência
- Senhorita Cortez, espero que não continue insistindo em me desafiar.- disse Lorde Sawyer baixinho ao ouvido de sua preceptora. As mãos dele ainda estavam perigosamente embaixo das saias dela. – Se eu já disse que não vou descontar nada de seu salário, está dito! Eu não gosto de ser contrariado, moça!
Ana-Lucia tentou dizer alguma coisa, mas os lábios dele tomaram os dela novamente, impedindo-a de falar e de raciocinar. Quando eles se separaram para retomar o fôlego, ela finalmente disse:
- O senhor não gosta de ser contrariado, mas alguém tem que fazer isso!
Sawyer riu.
- A senhorita está mesmo desafiando-me?- retrucou o duque.
- Estou!- ela respondeu, ousada.
- Foi por isso que veio aqui trazer meu jantar? Para desafiar-me, donzela linda?
- Sim.- ela repetiu. – Eu desafio milorde a deixar-me ir agora mesmo! Desafio o senhor a libertar-me de seus braços!
- E de meus beijos?- ele indagou lambendo e beijando os lábios dela.
Ana-Lucia espalmou as mãos no peito dele, seu coração estava muito acelerado. Ela não sabia aonde esse interlúdio os levaria dessa vez. Temeu novamente por sua castidade.
- Vossa Graça... – ela murmurou encarando os olhos cheios de desejo dele. Tocou-lhe os lábios com o dedo indicador, o duque o beijou e sugou-o. – Eu disse ao senhor que não lhe darei a minha castidade sem um anel...
- Até quando vai poder resistir, senhorita?- Sawyer perguntou e a mão dele se moveu da coxa para o meio das pernas dela. Os quadris de Ana-Lucia pulararam quando ele tocou-lhe a feminilidade por cima da roupa de baixo.
- O senhor é um...- ela começou a dizer.
- Eu sou o quê?
- Um demônio que está me tentando a cometer um pecado!
Ele sorriu maldosamente.
- Um demônio com quem a senhorita está louca para ir pro inferno! Afinal, por que veio até aqui?
- Para falar com o senhor!- Ana respondeu com exasperação sentindo o dedo dele roçando em sua abertura. – Não vim aqui para fornicar!
- Eu acredito.- ele disse. – Mas o seu corpo quer outra coisa!
Ele rodeu o sexo dela com o dedo e apertou em um ponto sensível.
- Ohhhhh!- ela gemeu.
- Eu posso te dar o que tu precisas agora mesmo, Ana-Lucia.- ele disse deixando as formalidades de lado. – Tu só precisas dizer sim!
- Eu não posso!- ela disse, mas suas pernas tremiam e ela sentia uma ânsia louca de esfregar sua feminilidade contra a mão dele.
O duque beijou-lhe a boca novamente calando seus protestos e Ana-Lucia não se controlou mais, mexeu os quadris contra ele sentindo que o dedo dele subia e descia em sua parte mais íntima. Seu corpo começou a queimar por dentro e ela ficava cada vez mais molhada à medida em que Sawyer a acariciava. A sensação era inexplicavelmente prazerosa e ela não conseguia parar a si mesma. Ficava cada vez mais gostoso até chegar ao ponto em que ela sentiu que não aguentaria mais; foi então que apertou as pernas com força ao redor da mão dele sentindo-se tomada por um espasmo de luxúria.
Sem perceber ela o abraçou forte e mordiscou-lhe o ombro enquanto aquelas sensações ainda a tomavam. Sua respiração estava pesada e ela tentou acalmar-se enquanto sentia o duque passando as mãos carinhosamente por suas costas.
- O que foi isso?- ela perguntou sentindo-se tão relaxada nos braços de Lorde Sawyer que achou que se tentasse se levantar da mesa levaria um pouco de tempo para se firmar apropriadamente.
Ele sorriu gentil e disse:
- Sua castidade continua segura, senhorita.
Ana-Lucia sentiu o impulso de beijá-lo e o fez. O duque correspondeu ao beijo apaixonado dela. Quando eles se separaram, Ana disse com um pouco de divertimento na voz:
- Eu sei que a minha castidade continua intacta, milorde. Mas do que jeito que as coisas estão acontecendo devo advertir-lhe mais uma vez: para ter minha virgindade o senhor precisa colocar um anel no meu dedo!
Ela o empurrou gentilmente e juntando todas as forças que tinha conseguiu levantar-se da mesa.
- Um anel?- ele retrucou. – Tem certeza de que se casaria com o demônio, anjo?
- E um duque se casaria com uma preceptora?- ela devolveu para ele.
Sawyer lhe deu um belo sorriso que fez o coração de Ana-Lucia derreter.
- Obrigado por trazer meu jantar, Srta. Cortez.
- O prazer foi meu, milorde.- Ana-Lucia respondeu fazendo uma mesura e deixando o escritório do duque.
Assim que ela saiu, ele tocou o sino de prata sobre sua mesa, chamando seu secretário pessoal. Daniel veio de imediato.
- Sim, milorde? O secretário indagou assim que abriu a porta.
- Eu quero que providencie duas dúzias de rosas vermelhas para serem entregues ainda esta noite.
- Para a baronesa, milorde?
- Não.- Sawyer respondeu. – Quero que essas rosas sejam colocadas nos aposentos da senhorita Cortez juntamente com um cartão com os seguintes dizeres...
Ele narrou para Faraday o que gostaria que fosse escrito no cartão. O secretário memorizou palavra por palavra e em seguida pediu licença para ir cuidar do que o seu senhor lhe havia pedido.
Sawyer ficou sorrindo sozinho, pensando que aquela doce donzela com seu jeito simples, beleza estonteante e personalidade forte estava seduzindo-o pouco a pouco. De repente, ele já não queria que ela conhecesse outro homem porque a desejava para si. Talvez já fosse tempo para que ele tomasse uma nova esposa em sua vida. Seus filhos pareciam amá-la e ela estava longe de ser uma dama entediante. Ele tinha gostado muito quando ela dissera que alguém deveria confrontá-lo, mas ninguém o fazia além de sua doce amada Evie.
Mas ela se fora e chegara o tempo de ele aceitar isso. Naquele momento, o duque de Sawyer decidiu que cortejaria a preceptora e veria aonde a côrte os levaria. Ele queria conhecê-la mais a fundo, saber de suas origens, de seus sonhos, de seus desejos e quem sabe Ana-Lucia Cortez poderia se tornar a nova senhora do castelo de Graves? A mulher à quem ele não teria medo de contar seus mais profundos segredos, mesmo os mais sórdidos.
- Ana-Lucia... – ele murmurou ainda sentindo o perfume dela no ar.
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Jack segurou as rédeas da égua Raio de Sol que Lady Katherine Austen ainda montava, guiando o animal para a entrada do celeiro onde Sophie, sua criada a esperava. Kate sorria abertamente para o cavalariço. Ela o tinha achado muito atraente e gentil e Sophie tinha percebido isso, mas não gostara nada porque conhecia a natureza impulsiva da patroa e sabia que se Lady Kate se envolvesse com qualquer homem abaixo de sua posição social, este seria veementemente reprovado por sua família tradicional. Sohpie gostava de Kate e não queria que sua senhora sofresse.
- Milady cavalgou muito bem.- Jack elogiou quando eles entraram no estábulo.
- Muito obrigada, Sr. Shepard.- disse Kate, toda melosa.
Sophie revirou os olhos e disse:
- Lady Austen, precisamos voltar para o castelo. Já passou da hora do jantar.
- Eu não estou com fome, Sophie.- Kate respondeu com rispidez e em seguida deu um olhar doce para Jack antes de perguntar: - O senhor já terminou seu trabalho por hoje?
- Quase.- Jack respondeu ajudando Kate a desmontar. – Eu ainda tenho que alimentar os cavalos e dar um pouco de atenção para Violeta.- ele apontou para a última e maior baia do estábulo. – Ela está prenhe.- ele contou.
Os olhos de Kate brilharam diante daquela revelação. A lady era apaxionada por animais, especialmente cavalos.
- Eu posso ajudar o senhor a alimentar a égua prenhe?- ela perguntou, mas antes que Jack pudesse responder, Sophie falou.
- Lady Austen, precisamos mesmo ir, a senhorita tem aquele compromisso lembra-se?
Kate deixou sair um suspiro de frustração e disse:
- Verdade, infelizmente tenho um compromisso esta noite que não posso adiar, mas será que podemos fazer isso outro dia?
- Quando a senhorita quiser.- respondeu Jack, galante.
- Milady?- insistiu Sophie.
Jack fez uma mesura.
- Tenha uma boa noite, Sr. Shepard.
- A senhorita também, Lady Austen.- disse ele.
Assim que elas caminharam para longe dos estábulos Kate reclamou,
- Por tudo que é mais sagrado, Sophie, por que tinha que lembrar-me desse "compromisso"? Eu estava gostando de ser entretida pelo Sr. Shepard.
- O Sr. Shepard pode até ser boa companhia, milady, mas certamente título de nobreza ele não tem! Então a senhorita já sabe que não deve perder tempo com ele. Precisa focar no seu cunhado!
- Está bem.- concordou Kate. – Confesso que deixei-me levar pelo momento.
- O momento agora já passou, milady. Esqueça o cavalariço e vamos prepará-la para a noite mais importante da sua vida.
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Ana-Lucia olhou para o quebra-cabeças metade completo sobre a mesa e sorriu para Albert que observava atentamente um dos espaços incompletos que formariam, eventualmente a figura de um dragão vermelho voando ao redor de um castelo. As peças eram muito elaboradas, pintadas a óleo. O menino franzia o cenho, concentrado. O dedinho indicador da mão direita se movia nervoso tocando as peças soltas enquanto ele se preparava para escolher uma.
Albert finalmente colocou seu dedo sobre uma peça que exibia a imagem de um pedaço da orelha escamosa do dragão com o que parecia ser um chifre de cor azul acima dela. Ele empurrou a peça até o topo da imagem e estudou com cuidado os cantos arredondados que surgiam do final de um quadrado. O menino então empurrou a peça perto de outra que já estava encaixada no quebra-cabeças e a encaixou junto à esta peça, abrindo um belo sorriso quando descobriu que mais uma parte da imagem se formava.
Ana-Lucia bateu palmas para ele:
- Muito bem, Albert. Bom trabalho!
- Obrigado, Srta. Cortez.- respondeu o menino sem esconder o quanto estava orgulhoso de si mesmo.
Alex que caminhava pelo quarto ninando a bebê Nicole se aproximou deles e também cumprimentou Albert por estar se saindo tão bem com o quebra-cabeças. Foi nesse momento que eles foram interrompidos pela entrada repentina do duque no quarto de aulas e brinquedos das crianças.
- Papa!-Albert gritou empolgado antes de correr até o pai e escalar as pernas dele para ser pego no colo. Sawyer puxou o menino para cima e o acomodou em seus braços musculosos.
- Vossa Graça.- cumprimentou Alex respeitosamente com uma mesura.
- Vossa Graça.- disse Ana-Lucia polidamente, tentando não olhar nos olhos do patrão e arriscar reviver os momentos de paixãoque tivera com ele há poucas horas atrás em seu escritório.
- Eu creio que já esteja próximo da hora dos pequenos irem dormir mas eu gostaria de alguns momentos a sós com os meus filhos se as senhoritas permitem-me.
- Sim, senhor.- disse Ana-Lucia fazendo mais uma mesura e se retirando do quarto imediatamente.
Sawyer colocou Albert no chão e estendeu os braços diante de Alex para tomar Nicole no colo. Alex estendeu o bebê para ele que a segurou com cuidado e ternura, coisa que a babá nunca tinha visto ele fazer com a filha.
- Volte em dez minutos.- ele ordenou.
Alex assentiu, fez uma mesura e saiu do quarto. Sawyer foi sentar-se em um tapete de crochet colorido que ficava no meio do quarto, em cima do chão de cerâmica escura.
- Papa, o senhor viu o meu quebra-cabeça?- Albert perguntou apontando para o jogo em cima da mesa.
- Vi sim, meu filho.- ele respondeu. – Está fazendo um excelente trabalho!
O garoto sorriu e saltitou alegre diante do elogio do pai.
- Agora eu preciso que tu venhas aqui porque quero contar à ti e tua irmã um segredo.
Os olhos de Albert arregalaram-se curiosos e ele correu para sentar-se junto do pai.
- Que segredo, papa?
- Bem, antes de eu contar o segredo preciso fazer uma pergunta muito importante e tu precisas ser muito honesto na tua resposta.
Albert assentiu. Nicole choramingou e Sawyer balançou-a suavemente em seus braços.
- Eu quero saber o que tu achas da Srta. Cortez? Gostas dela?
Os olhos do menino se iluminaram.
- Gosto muito, papa. Gosto mais dela do que de qualquer outra preceptora que já tivemos.
- Pois bem.- disse Sawyer com um sorriso genuíno antes de indagar ao filho:
- Que te pareces se eu casar-me com a Srta. Cortez?
Albert abriu a boca e quase gritou de tanto entusiasmo, mas lembrou que o pai lhe dissera que a conversa deles era um segredo e então se controlou e respondeu baixinho: - Simmmmm!
- Eu andei pensando e eu acho que ela seria uma excelente mamãe para ti e para Nicole.
- Sim! Sim!- ele disse batendo palmas mas mantendo o tom de voz baixo. – E quando o senhor irá casar-se com ela? Amanhã?
Sawyer deu uma risadinha e disse:
- Não, mestre Albert, primeiro preciso perguntar a ela se casaria-se comigo.
- Mas papa, o senhor é o dono do castelo e pode fazer o que quiser. Por que não ordena que a Srta. Cortez case-se com o senhor?
- Porque uma mulher nunca pode ser obrigada a aceitar um homem.- respondeu Sawyer com seriedade. – Ela precisa ouvir o seu coração primeiro, por isso vou cortejá-la.
- O que significa cortejar, papa?
- Significa ser gentil com uma dama, conversar com ela, levá-la para dar passeios no parque, participar de refeições juntos...
- Daí ela diz sim?
- Eu espero que sim.- disse Sawyer rindo novamente e bagunçando os cabelos escuros do filho. – Mas tu não podes contar isso à ninguém, promete?
- Prometo.- disse Albert estendendo o dedo mindinho para o pai que fez o mesmo, entreleçando o dedo mindinho com o dele e selando o acordo.
Alex e Ana-Lucia voltaram para o quarto exatamente dez minutos depois, mas Ana surpreendeu-se quando ele a dispensou dizendo que Alex poderia colocar Albert na cama e que ele mesmo faria o bebê dormir. Ela assentiu, desejou boa noite às crianças e se recolheu aos seus aposentos. No entanto, ela tomou um susto ao entrar no quarto e encontrar um enorme buquê de rosas-vermelhas em sua mesinha de cabeceira.
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Sophie espirrou perfume nos pulsos de Lady Kate que os esfregou e passou-os ao redor do pescoço. Ela mirou-se no espelho enquanto arrumava os cachos castanho-avermelhados soltos e analisava seu robe de seda branco. Por baixo do robe ela usava uma camisola de rendas muito fina sem nenhuma combinação por baixo dela. Estava sentindo-se tensa. A criada tentou acalmá-la:
- Está deslumbrante, milady.
- Sophie, eu não sei ao certo o que fazer...
- A senhorita não vai precisar fazer nada. Deixe que ele faça tudo.
Kate respirou fundo e esperou até que o castelo estivesse em completo silêncio antes de se esgueirar para fora de seu quarto e seguir em direção aos aposentos do duque.
Continua...
Meninas, o que acharam? Será que a Kate vai conseguir seduzir o Sawyer depois dele estar pensando em se casar com a Ana?
Próxima atualização: Lost Alternativo 3 Temporada
