Por mais que Raito, antes de ter prosseguido, estivesse certo de que aquele era o melhor plano B que poderia ter arquitetado, era difícil acreditar que conseguiria quebrar aquelas sólidas barreiras de inexpugnabilidade de L de uma forma tão...básica.

Quer dizer, é claro que ele sabia que era sexy e também irresistível, mas para conseguir o melhor detetive do mundo, em uma só enxadada... Havia de ter um talento fora do comum, não havia?

Antes de atacar, apenas por convenção, tinha refletido sob o que aconteceria se surpreendesse o detetive com um beijo nos lábios. Mas ao simular a ideia, em sua imaginação, estava sempre fixa a ideia de que à mínima aproximação suspeita, por insegurança ou precaução, L iria recuar. Portanto a única alternativa que teria, seria a de prensá-lo contra alguma parede, assistindo-o se debater.

Pode-se dizer que foi um choque notar que L só conseguiu permanecer calado e imóvel, arrepiando-se, enquanto se preparava para dar o bote. Agora, tinha quase certeza que a partir do momento que os lábios se encostassem, Ryuuzaki o empurraria ou o chutaria daquela sua forma característica, e em seguida tentaria negar insistentemente que aquilo havia acontecido. Quase certeza de que seria preciso investir muito mais antes que o detetive quisesse, de fato, se entregar a um toque.

Mas aparentemente subestimara o instantâneo poder viciante de seu beijo, porque L não fez nada do que sua mente havia premeditado. Muito pelo contrário. Um toque frio em seu pescoço anunciou que duas mãos geladas envolviam sua nuca, quase desesperadamente. Raito sentiu o ar se locomover em torno de si, conforme o detetive se erguia da cadeira para acompanha-lo. Foi praticamente instintivo morder o lábio inferior de Ryuuzaki, para poder dar passagem à língua.

Dois segundos depois, L estava correspondendo ao beijo.

Sim, realmente correspondendo. A não ser que Raito estivesse tendo alucinações com o sabor de chantilly da língua do detetive, com fome de explorar cada mínimo canto de sua boca. O que era bem improvável.

É claro que devia existir uma razão substancial para ele estar agindo daquela maneira. Talvez até alguma razão referente ao jogo que Yagami estava jogando. Porém... Aquele desespero doentio só conseguia fazer parecer que L estava ansiando aquilo durante toda sua vida, de tal modo que não conseguia lutar para permanecer com seu lado frio e calculista intacto.

Além do mais, e se houvesse algum sentimento oculto durante todo aquele tempo, desde que se conheceram? Alguma razão, além de suas suspeitas, para L pedir para ficarem juntos, sozinhos, investigando o Caso Kira ... Não se poderiam descartar opções, e essa era uma opção muito favorável. E enchia o ego de Raito de uma forma inteiramente agradável e prazerosa. Ser o primeiro, e provavelmente último amor, do melhor detetive do Mundo... Tê-lo somente para si. E então, traí-lo.

Era incrível. Quase tão incrível quanto a sincronia que suas línguas adquiriam, numa dança de ritmos perfeitos. Se aquele era o primeiro beijo de Ryuuzaki, então ele realmente aprendia muito rápido. Os movimentos que fazia estavam deixando Raito praticamente louco para aprofundar. Não que L em si, tivesse qualquer efeito no quesito de tentá-lo. Ele era irrelevante, exceto no aspecto de encher seu ego. Aquelas sensações que lhe acometiam eram apenas instintivas aos estímulos. Tanto que ia mostrar para Ryuuzaki quem iria comandar, agora que o jogo estava cada vez mais explosivo.

Colocou com força os braços ao redor de L, para poder conduzi-lo até a mesa mais próxima. Era uma grande, de magnólia, que continha, além de alguns relatórios, um açucareiro, uma xícara vazia de café e alguns objetos insignificantes. Estes, que não atrapalharam muito depois que Raito os expulsou para o chão, sem ligar para nada. A única coisa que importava agora era pressionar Ryuuzaki em cima da mesa e sentir o calor do atrito entre seus corpos, colados de forma doentia, depois de se debruçar em cima dele, violentamente, ainda sem interromper o beijo.

Satisfeito porque Ryuuzaki ficara simplesmente sem fôlego, Raito decidiu abandonar seus lábios macios. Porém, já que estava receoso de que uma vez interrompido o beijo, L pudesse acabar despertando para "realidade" das coisas, não abriu uma brecha para a lógica se instaurar, apenas continuou descendo com a boca, até chegar no pescoço do detetive. Ali, começou a aplicar beijos que começaram leves, mas logo passaram ao nível capaz-de-enlouquecer-qualquer-um, junto com mordidas e chupões tão extasiantes que, se permitissem a L dizer qualquer coisa, seria "quero mais" , e que ficariam marcados como roxos em sua pele branca por mais de uma semana.

Mas finalmente um lapso de consciência decidiu salvar L, e o detetive tomou noção de que, pelo menos, não devia se fazer de tão inteiramente entregue para Raito. Deu o troco pelos beijos violentos tateando às cegas e estourando botões, para abrir a camisa do adversário. Quando viu que Raito estava livre do tecido, fez as mãos deslizarem esfomeadas por todo o seu físico definido, e também pelas costas, arranhando, deixando os seus vestígios, e provocando involuntários arrepios.

Yagami ficou incrédulo por esse revide de L. É claro que não deveria ter esperado que ele fosse ser submisso para sempre, entretanto...Era simplesmente muito para digerir. Aquilo tudo ainda era tão inacreditável. Não dava para acreditar que estava mesmo acontecendo, que L não havia resistido como ele imaginara que resistiria, e que sua boca não parecia querer parar de beijá-lo, quase como se desejasse aquilo. Quase, porque Raito sabia perfeitamente que estava apenas fazendo como um sacrifício ao Novo Mundo.

E era bom saber contra-atacar de forma eficaz.

Rasgou a camisa branca de L, numa resposta aos seus botões estourados, para expulsá-la do corpo esguio do detetive, que pareceu não se importar muito, principalmente por Raito ter ampliado os horizontes dos beijos. Abriu os olhos de leve, pois necessitava vê-lo naquele instante quase tanto quanto seu corpo necessitava de oxigênio para respirar.

A pele do corpo do detetive era tão pálida, e ele era tão esguio que quase desaparecia por debaixo daquele acúmulo de tecido que fora sua camisa. De fato, Raito achava que L ficava bem melhor desprovido dela. Foi descendo ainda mais os beijos, até chegar nos mamilos, já rijos, e lá aplicou o mesmo método do pescoço. Suas costas ganhavam fortes arranhões a cada beijo mais intenso que aplicava na região.

—Hmmm...-Raito não pôde evitar sorrir ao som, em meio aos beijos, quase como se isso fosse um triunfo particular.

L estava reprimindo um gemido. Um gemido por ele!

Foi nesse instante que começou a sentir o formigamento familiar por debaixo das calças. Era um pouco estranho lidar com aquilo no começo. O fato de estar excitado com o seu pior inimigo.

Mas, sem dúvida, não era como se Raito estivesse realmente gostando daquilo. Óbvio que não. Era só a sensação de vencer que era boa demais. E seus retornos físicos eram totalmente involuntários, surgiriam se qualquer um os estimulasse. Sem a ajuda deles não conseguiria nem prosseguir com êxito no plano de fazer L se apaixonar.

Arrancando a coragem de pensar em sua conquista, Yagami foi contornando o corpo de Ryuuzaki com as mãos. Claro, sem parar os beijos para isso, pois tinha de mantê-lo louco e ocupado.

A pele dele estava bem quente, e era satisfatório até, ter conseguido romper inclusive aquela frieza. Mas para chegar aonde queria, no cós do jeans do oponente, pareceu demorar toda uma eternidade. Raito não hesitou em invadir as calças de Ryuuzaki com a mão, quando alcançou. Aí sim, foi que se sentiu satisfeito de verdade. O volume entre as pernas de L não só estava proporcional ao seu, como ele gemeu alto ao simples toque de seus dedos, ainda que por cima do tecido.

Era ótimo conseguir desmistificar aquela imagem pré-concebida de L em sua mente, como alguém não-humano, inatingível, que não conseguia sentir ou ter estímulos, e que estava protegido eternamente por sua frieza.

Tão bom senti-lo indefeso.

Raito interrompeu os beijos, abriu os olhos por completo e ergueu o rosto, para que além de senti-lo, também o visse sem suas defesas.

L com os olhos comprimidos, L com os lábios molhados, L com a pele vermelha, cheia de mordidas... Era uma visão excitante demais. Observar L largado naquela mesa, tão à mercê de suas vontades...Era ter o percurso quase todo andado.

Essa noite você vai selar sua plena entrega a Kira, detetive L.

Sem mais nenhum vestígio de timidez, Raito desabotoou os jeans até acabar nos pés de L, que os expulsou sem protestar. Com uma ansiedade que não reconhecia, abaixou sua boxer, e por um momento tudo o que pode fazer foi contemplá-lo, boquiaberto. De fato, a natureza havia sido bem gentil com ele nesse quesito.

Quando percebeu que Raito já estava a uns bons cinco segundos sem nenhuma reação, o detetive quase abriu os olhos, mas foi no mesmo instante em que o garoto tocou seu membro, completamente duro, portanto só pode voltar a cerrá-los, estremecendo de leve sobre o toque convidativo dos dedos.

Yagami entregou para L uma série de leves carícias provocativas, dos testículos até a extremidade, e cada vez que ameaçava prolongar ou intensificar os movimentos de uma vez, voltava a suavizá-los, apenas para torturá-lo. Seu sorriso ia de orelha a orelha cada vez que L deixava escapulir um gemido, e só podia concluir que precisava de mais daquilo, mais provas de sua entrega completa a Kira. Para isso, continuou fazendo movimentos de vai e vem com a mão, enquanto abaixava as próprias calças e se livrava dos sapatos, com barulhos estrondosos. O tecido já estava começando a incomodar diante da própria ereção.

Voltou a se inclinar para Ryuuzaki, agora completamente despido. L pareceu entender suas novas intenções, de forma que seus batimentos cardíacos começaram a acelerar, mas ele não quis, ou simplesmente não pôde se esquivar quando Raito tocou com a boca sua intimidade e brincou na glande com os lábios e língua. Era simplesmente arrebatador demais.

—R-Raito-k-kun...- O garoto se regozijava ao ouvir seu nome dito daquela forma, como uma súplica Aquela era, provavelmente, a última tentativa de Ryuuzaki recuperar a sanidade diante dos acontecimentos. Interrompeu apenas de leve o toque dos lábios no membro, para poder ir silenciá-lo de uma vez. Levantou a cabeça, sem medo da iminente troca de olhares, que seria quase uma guerra, diante do que estava acontecendo. Esperava encontrar um rosto sem expressão de perigosos olhos enfadonhos, determinados a batalhar, mas ao invés disso, tudo que achou foi um Ryuuzaki com bochechas vermelhinhas, respiração ofegante, olhos preenchidos por dúvida e hesitação e, ainda por cima, engolindo em seco. –Pare,Raito...E-eu...

Shhh...Cale a boca, detetive. Você não faz ideia do quanto está lindo assim...Yagami Raito sorriu, contemplando mais um pouco aquela visão, conforme as bochechas do detetive viravam verdadeiros tomates.

Agora não havia mais dúvida de que L não estava sucumbindo apenas numa tentativa de alterar o placar no meio do jogo. Ele, inconscientemente, não resistia, e cedia ao físico. Em breve, também iria ceder ao emocional. Estava tão desarmado, naquele momento, que não era o grande detetive L quem estava mais no comando. Tal detetive estava ocupado, prestes a reverenciar Kira.

Ryuuzaki tentou negar, diante do sorriso de glória de Raito, mas não importava o que dissesse, seria em vão. Yagami voltou a sugar o membro de L com vontade, estimulado pelo sabor de conquista que o sexo tinha. Foi distribuindo movimentos sugestivos com os lábios e com a língua, porém sem interromper os movimentos animados com os dedos. A forma com que o detetive gemia, a cada ataque mais intenso, fazia o garoto se perguntar aquilo seria tão bom quanto os espasmos de L pareciam indicar.

Mas a bem da verdade, podia ser que o detetive apenas ansiasse por aquilo, durante todo aquele tempo... Sozinhos, confinados, algemados. Compartilhavam ideias, pensamentos, até seus momentos mais íntimos, e a desculpa de L era que só assim suas suspeitas poderiam se provar inválidas. Mas talvez, na verdade, só quisesse estar ao lado de Raito.

Talvez, estivesse realizando um dos pequenos sonhos secretos do detetive.

—Aah...

Os sonhos secretos de Kira, na outra mão, estavam de fato sendo realizados. Ryuuzaki agora ofegava, murmurava coisas ininteligíveis. Saber que arrancara a frieza do detetive, conseguindo tocar no lado que ele nunca deixava à mostra, era de um orgulho descomunal. Depois que ele se entregasse naquela noite, além de ficar confuso até perder o leme de suas investigações, andaria um passo na direção de estar apaixonado.

—...Hm...

Nunca achou que pudesse ser tão simples.

Ou que o preço a pagar fosse tão... bom.

Um lado seu estava gostando daquilo, não podia negar. L contradizia a si mesmo, enquanto fincava os dedos nos ombros de Raito, induzindo-o a continuar os movimentos. Também impulsionava os quadris contra a boca do garoto, como se o máximo nunca fosse ser o suficiente. Conforme o sexo se aprofundava, mais frequente se tornavam seus arfares e espasmos. Cada um deles parecia ser um sopro para inflar ainda mais o ego de Yagami Raito.

Uma estrela a mais para seu plano.

Sabe, seus gemidos te tornam tão patético.

—Eu...

Então conseguiu recuperar a voz?

R-raito...

Ah, só foi para dizer meu nome.

R-raito, eu...

Como consegue ficar tão idiota só com algumas chupadas? Me deseja tanto assim, L?

—E-eu vou...

Vai fazer o quê, nesse estado?

—Eu não posso mais...Resistir...!

Já faz tempo que você não resistiu à mim.

—R-ra-raito-k-kun... Ahn...

Mas eu não vou ter pena de você.

Yagami simplesmente ignorou o aviso desesperado de Ryuuzaki, e ao invés de cessar, continuou abocanhando num ritmo cada vez mais forte, aumentando ao máximo que conseguia sua brincadeira com os dedos e o nível de sucções em torno da glande. Algo lhe dizia que uma parte de L se sentia inteiramente grata por isso. Mas também, era de seu agrado saber que seria o primeiro a conhecer o gosto do melhor detetive do mundo. O que, naquelas condições, não demorou muito para acontecer.

L arranhou seus ombros tão fortemente que poderia jurar que, por conta disso, estava até sangrando.

Também gemeu alto como uma vadiazinha, quando se desfez por completo na boca de Yagami.

Engolindo resignadamente o líquido viscoso, o garoto só pode fazer sorrir ao constatar o quanto era irônico que a criatura mais viciada em doces do Universo tivesse um sabor salgado.

Mas se L estava mesmo achando que Kira iria libertá-lo, agora que já havia supostamente se provado "entregue", então ele estava muito enganado. Seu orgulho, como Raito, como homem e como Kira, queria obter dele a entrega completa.

Voltou a beijar o corpo de L, sem cuidado ou cautela. Queria lamber e mordiscar violentamente, cada mínima parte da pele, avançando, até chegar a orelha.

O detetive ainda estava num estado muito grande de arrebatamento e êxtase. O torpor o dominava forte demais naquele momento, por conta do orgasmo, de modo que era difícil fazer qualquer coisa, fora permanecer soltando sua respiração pesada, com os olhos semicerrados. Mesmo assim, inevitável que eles se revelassem abertos, num lapso de susto, no instante em que o timbre rouquejado de Yagami veio a reverberar em seus ouvidos, causando mais e mais arrepios involuntários...

—Esta noite você vai ser meu, Ryuuzaki. Exclusivamente meu.