Autora: C. CLIQ
Disclaimer: Essa one-shot não é minha e nem a história de Naruto, essa fanfic pertence à C. CLIQ e foi escrita em 2009, aqui ela faz parte do meu Projeto Nostalgia. Caso você seja a autora e deseja que eu retire a sua história do site, só mandar uma mensagem para mim. :)
Aproveitem!
Deslizantes, saltitantes, meus pés iam de telha em telha. Para onde eu iria agora? Um dia irrelevante, tedioso. Missões? Não. Pacientes? Não. Que vila insignificante. Por que ter esses adjetivos justo hoje? Eu queria gritar.
Mentira.
Eu queria chorar. Ser fraca mais uma vez. Manter pose? Agora não, por favor.
Eu me cansei. Perdi esperanças. Esperança é um sentimento fraco e cansativo. Não preciso mais disso.
Em um dia que nada ocorre. Um dia de total descanso. Sem problemas. Sem interferências, chamadas, desgraças.
Mentira. Novamente.
Havia uma desgraça, que valia por todas.
Amor, palavra que significa displicência. Verbo.
Amor, massacre, tristeza, e por fim, eu. Faz sentido, não faz?
Desespero, fraqueza: sentimentos que mantenho. Então repito, para onde eu iria agora? Minha toca. Minha toca solitária. Escondida, invisível, longe. Longe de todos.
É cruel sentir isso. Mas não vou pedir justiça. Afinal, eu perdi as esperanças.
Não, eu não vou implorar.
Implorar amor? Que ideia absurda!
Eu queria minha dose, o meu vício, ou então, pelo menos, um pouquinho da substância. Mas eu não podia.
Por que eu não tinha. Ninguém iria me dar. E se me dessem um pouco, eu me descontrolaria.
Que tragédia, não? Que história de terror.
Eu disse que não pediria justiça, mas eu queria ver como reagiriam no meu lugar, na minha pele. Só uma vez, só para me divertir.
Eu o vi. E antes disso, eu estava feliz. Mas eu o vi, com outra. Não! Não com outra. Com alguma. Pois, ele nunca foi meu.
Mas mesmo assim, com esse sentimento seco, impiedoso, eu me senti fraca, triste, uma invisível, um nada, um ninguém, insignificante. Assim como sempre fui pra ele, eu me senti, de repente, para todos.
Eu nunca seria dele.
Então eu cheguei. Mesmo tendo uma visão radiante, milagrosa, nada mais me mantinha em pé. E eu me senti despencando. Caindo. Mais uma vez, eu cai.
Meus joelhos ralaram na terra áspera e nas pedras pontudas. Minha visão embaçou. Lágrimas? Talvez.
Com certeza.
Meus cabelos tamparam minhas visões laterais. E me vi apoiando-me em meus joelhos. Sim, claro. Não me apoio em ninguém. Apenas em mim. Não tenho ninguém, apenas a mim.
Meus soluços eram baixos, mas estridentes.
Mas uma ideia me ocorreu. E por fim, não imaginei me alegrar. Pois, se eu me levantasse ou, tanto faz, desse um passo para frente, eu cairia de uma altura gigantesca. Me lembrei que tinha medo de vir aqui quando eu era menor, e hoje estou alegre, na pior das ocasiões.
Eu poderia ser forte e corajosa, mas já era a hora de me livrar desses adjetivos.
Então me levantei, com custo. Meus verdes embaçados vagaram com uma lentidão incrível. Medo de encarar meu destino? Claro que não. Fraqueza, a palavra certa. Observei abaixo, inclinei minha cabeça, e vi daqui, o fim disso. O fim. Era tão longe. E tão doloroso, pensei.
Eu sabia que me chamariam de sumida. Desaparecida.
Não me encontrariam lá no fundo. No fim. Nem por sonhos.
Ainda bem. Nada mais me importava agora mesmo.
Meus sonhos, desejos, esperanças... foram como vieram, em vultos.
Parece que tudo passou muito rápido. E agora estou aqui.
Tudo o que aconteceu, todos os acontecimentos, eu e Naruto, Kakashi-sensei, Tsunade, e por incrível que pareça, Sai, foram bons.
Que despedida patética. Eu sei. Mas eu quero esse fim.
Em vez de um súbito pulo, dei um passo lento. Só assim para me sentir a dor, e a consciência de que já vou morrer, pensei.
Então eu sorri, e pude perceber o nada por debaixo do meu pé.
Forcei meu pé para baixo, como se eu estivesse dando um leve passo normal sobre o solo.
Fechei meus olhos em um ato súbito, humano.
O vento seria uma vantagem, pensei.
Mas senti fortes mãos me segurarem em um único braço, um ato extremamente veloz e eu já estava sobre seus braços. Carregada. Visível. Então a realidade apareceu, o forte chakra eu senti. E antes que eu pudesse pensar melhor, ou protestar, ele sorriu e disse:
- Tudo isso... para nada. - Meus olhos se esticaram e algo se espalhou. A surpresa, e depois a raiva. Tudo isso para pelo menos ele pudesse estar no meu lugar.
Ele saberia o meu por quê de estar ali?
Mas ouvi um baque, e a dor.
Mais uma vez aquele golpe.
Mais uma vez aquela escuridão.
Só que... recíproca.
Fim
