Beta: Claudia Ackles.
Jared já havia acordado há um bom tempo.
Ainda deitado na imensa cama e embrulhado pelo cobertor, observava calmamente a fina chuva que caía do lado de fora. Pelo costume de levantar cedo para ir a clínica, acordava sempre antes de o sol sair tímido entre as nuvens como nos últimos dias. As folhas amarelas do outono só davam um toque especial ao clima daquela estação.
Suspirou se aconchegando mais ainda na superfície macia e fechou os olhos, deixando que as cenas do dia anterior viessem a sua mente, não tinha por que ignora-las. Ainda tentava entender o porquê de ter feito aquele desejo tão... Sem sentido para Jensen.
Mas, pensando por outro lado, Jared compreendia. Em todos os seus aniversários, pensava no quanto sua vida poderia ter sido diferente. Sua família poderia ter sido mais harmoniosa e mais unida. Mas sua vida não seguiu do jeito que realmente quis, e o trajeto que percorreu até ali não era o que imaginara quando criança. Se antes tinha sonhos, por mais bobos que parecessem, eles ficaram muito bem guardados a sete chaves em algum lugar do seu coração e da sua mente.
Não que estivesse reclamando da sua atual vida, não tinha mentido para Jensen sobre ser feliz. Era feliz... A sua maneira metódica. Achava que a vida que levava, apenas trabalhando, saindo muito raramente para beber ou ficando apenas por uma noite com alguma mulher atraente era uma rotina normal. Claro que muitos sonham em ter a vida tradicional, casar, ter filhos, uma casa com cerca branca, um trabalho modesto para assim serem felizes. Mas, Jared não se enxergava em um futuro assim, há muito tempo havia deixado esse pensamento de lado.
E quando tudo estava perfeito a sua maneira, seguindo de acordo como o esperado, aparece um louco e adorável por assim dizer, gênio da lâmpada mágica em sua casa no meio da noite.
E Jared nem sequer, durante a sua vida, tinha ingerido alguma droga para culpar.
Apesar de ter escolhido voltar para aquela época triste de sua vida, Jared não se arrependeu, pois ainda guardara alguns momentos felizes no lugar, como jogar beisebol depois da lição de casa, sua mãe em um vestido florido e o seu sorriso contagiante, a limonada gelada no fim da tarde e as poucas vezes que o seu pai oferecia um sorriso orgulhoso quando dizia ser um dos melhores alunos de sua sala.
Poucos momentos que valiam a pena lembrar.
Ele foi um garoto de sete anos vestido em um terno preto sentado encolhido em uma cadeira qualquer na sala da casa de sua tia Margareth depois do velório dos pais. Ele teve o apoio dela para seguir com sucesso nos estudos e ser alguém que sua mãe se orgulhasse, mesmo ela não estando no dia de sua formatura, ou quando completou a maioridade e até quando comprou sua própria clínica veterinária.
''Um dia Jared, você dará um orgulho imenso a seu pai! Será um grande médico ou advogado e trará fama para o sobrenome Padalecki.'' Sua mãe dizia com os olhos brilhando.
É... Estava ali, afinal de contas.
Deu um bocejo e se espreguiçou levantando-se e indo em direção ao banheiro, mas dessa vez procurou trancar a porta... Mesmo sabendo que aquilo não impediria Jensen de entrar no banheiro com um simples estalar de dedos, o que seria muito desconfortável para ele.
Logo depois, descendo as escadas, escutou vozes um tanto alteradas. Não pode evitar sorrir ao ver Jensen sentado em um canto do sofá enorme abraçando os joelhos totalmente concentrado no programa que passava na TV. Parecia ser uma novela, na verdade. O protagonista chorava de costas para uma mulher que também parecia emocionada e pedia perdão sem parar, transformando a cena em uma melancolia tremenda.
E Jensen nem sequer piscava. Até que...
- Não Fernando. Não a perdoe... – Jensen murmurou sem tirar os olhos da televisão e nem parecia notar uma segunda pessoa no cômodo.
- Jensen?
- Espera! – Jensen disse subitamente e logo sua expressão se entristeceu, suspirando como se lamentasse ao ver a mulher de olhos chorosos passar pela porta e pelo visto, não voltaria mais. – Ela se foi, mas era o melhor.
Jared ainda o olhava estupefato sem acreditar que tinha visto um momento desses tão... Surreal. E inacreditável.
Balançou a cabeça passando a mão pelos cabelos molhados e foi em direção a cozinha para preparar o café da manhã, dessa vez para duas pessoas. Ainda podia escutar de longe a risada do loiro e suas exclamações.
"Eu não acredito que você fez isso!" "Você é maluco! Devia ter ficado com ele, em vez dela!"
Riu enquanto mexia os ovos na frigideira pensando em como estava encrencado por permitir que uma pessoa sem noção como o gênio, que estava na sua sala de estar, ficasse em sua casa.
E que agora, estava o observando sentado no banco alto em frente ao balcão de mármore.
O moreno buscou os pratos no armário e quando se virou totalmente alheio, levou um tremendo susto ao ver o gênio sorrindo. Acabou derrubando os pratos, que acabaram se espatifando no chão. O outro ainda continuava sorrindo.
- Jensen! Por que não avisa quando chega a um lugar?! Ficou maluco? – Jared esbravejou, mas naquele momento achou o sorriso nos lábios carnudos e sempre rosados do outro, irritante.
- Desculpe Amo, eu não pude evitar ver você cozinhando e acabei ficando curioso. – Jensen ficou tão sério que até mesmo fez Jared repensar se tinha sido rude demais. Ele não costumava ser daquele jeito, mas algo em Jensen fazia com que algo nele entrasse em erupção.
Jared piscou uma vez, duas vezes e na terceira suspirou logo se abaixando para catar os cacos de porcelana dos pratos quebrados. Mas lá estavam eles, intactos em cima do balcão. Como se nunca tivessem caído de suas mãos.
Jared olhou dos pratos a Jensen e percebeu que a expressão chateada do outro estava o incomodando, então resolveu reverter à situação.
-Você gosta de panquecas? Eu... Posso fazer pra você, se quiser.
Jensen ainda não o observava.
- Olha... – Jared disse hesitante e se postou na frente do loiro, sendo separados apenas pelo balcão. – Me desculpe ok? Mas é que não estou acostumado a conviver com alguém, muito menos uma pessoa que eu não conheço, que tem poderes, magia e agir de forma normal. Somos diferentes, e isso é novo pra mim, tudo bem? Não que eu queira me acostumar a ter sua presença aqui, mas termos uma relação pacífica já é alguma coisa.
Os olhos verdes agora o encaravam com intensidade e um sorriso por mais tímido que fosse do gênio, foi um sinal de que estava tudo bem para Jared.
- Hm, acho que vou querer provar essa tal de panquecas que você disse. – Jensen disse ansioso.
Jared não pode evitar sorrir e percebeu que tinha feito muito isso desde a chegada daquele gênio maluco.
Depois de terminarem o café da manhã, com um Jensen tagarela sobre os filmes que tinha assistido na caixa quadrada com botões esquisitos, Jared resolveu levar o outro para uma caminhada em um parque florestado que tinha a algumas quadras de sua casa. O vento estava frio, então usava um agasalho de moletom, enquanto o homem a seu lado usava um casaco do dobro do seu tamanho, que pertencia a ele.
Sentaram-se em um banco de pedras perto das árvores de galhos baixos que balançavam calmamente de acordo com o vento. As folhas do outono caíam em volta deles, algumas em seus próprios pés. Os cabelos arrepiados de Jensen estavam molhados pelos respingos e este sorriu com a sensação.
Ele se sentia bem. Um pouco estranho por estar naquele "mundo'' diferente do seu, com costumes variados, roupas e comidas que nunca imaginou. Era um cenário que estava curioso e receoso de conhecer, mas algo lhe dizia que o seu guia rabugento não iria deixa-lo se perder. Observou uma moça com roupas apropriadas para caminhada passar por eles segurando uma coleira onde passeava com o seu Golden Retriever. Também observou algumas crianças correndo e brincando em alguns brinquedos ali perto, e um carrinho de hot dog.
Jared, que estava distante voltou seu olhar para o lado e franziu o cenho ao ver Jensen pensativo como se estivesse em outro universo que não fosse aquele.
- Tudo bem?
- Está sim. O que é Hot, Hm... Hot...
- Hot Dog, você quer dizer? – Jared se divertia com as caras e bocas que o outro fazia ao tentar pronunciar a palavra, ou até mesmo quando observava as coisas ao seu redor. Parecia um total estranho por onde passava, mas não ia perdê-lo de vista. E pensou por um momento, que nem conseguiria. Era como se os dois estivessem ligados em um imã.
Pensamentos incoerentes, Jared... E estão abrindo seus olhos cada vez mais. O moreno respirou fundo, mas uma vez ignorando a vozinha irritante que o importunava.
- Quer provar um? – A resposta que teve foi um sorriso largo do loiro. – Então vamos lá.
Jared estava totalmente divertido ao ver Jensen comer com tanto entusiasmo, e por ter se melecado de "Catchup sangrento'' como o próprio tinha dito. Mas, o divertimento durou pouco. Jensen, em vez de buscar algum guardanapo, lambeu os lábios e fez um barulho estranho com a língua e sorriu de satisfação em seguida.
- Oh, seu queixo está meio sujo. – Jensen alheio a expressão concentrada que recebia e, apontou o dedo para o rosto do mais alto, que desviou os olhos e tentou limpar o lugar sujo de molho.
- Saiu? Está limpo?
- Não, me deixa ver. – Jensen se aproximou mais, o corpo quase colando com o de Padalecki que sem perceber ficou tenso com a aproximação. Os olhos ficaram entreabertos ao sentir o toque dos dedos em seu queixo e no próximo segundo, o gênio estava a passos a sua frente saboreando novamente o seu hot dog. Olhou para o lado a tempo de ver a senhora que vendia os lanches em seu carrinho desviar o olhar, preparando outro qualquer pedido.
Jared pigarreou e sentiu suas bochechas esquentarem. – Acho melhor irmos logo à locadora, antes que feche.
Jensen deu de ombros e seguiram caminhando lado a lado até a locadora de filmes.
A adolescente tinha cabelos pretos e algumas mechas azuis e roxas, e um piercing no nariz. Sua blusa preta estava estampada por uma foto do Ramones e no crachá estava o nome Myla. Ela escutava música nos fones de ouvidos, sentada despojadamente na cadeira de rodinhas na recepção da locadora.
Jensen a olhou por alguns segundos vendo que aquele era um estilo que não tinha visto enquanto passeava pelas avenidas com o seu Amo. Achou muito interessante e então seus olhos brilharam de forma estranha ao encararem os sapatos da garota que agora direcionava um olhar tedioso para ele.
- O que foi? Já escolheu o que quer levar? – Disse mascando o chiclete e largando a revista que lia em cima do balcão.
- O que é isso? – Jensen perguntou apontando para os pés da adolescente. Não estava se contendo de curiosidade e empolgação.
- São All star. Sabe... Tênis. – Myla disse pausadamente como se aquele cara tivesse cheirado algo bem forte, apesar de não parecer. Mas aquele estranho tinha um ar um tanto desligado, aéreo, sorria quase o tempo todo. Se a sua praia fosse essa, até que jogaria um charme nele, mas não a interessava realmente.
- São... Muito legais! Quer dizer, eles são engraçados. – Jensen riu como se tivesse acabado de escutar a piada do século. A balconista sorriu contagiada pelo o bom humor do outro, olhou de relance para o moreno alto que parecia estudar os filmes nas prateleiras.
- Eles realmente combinariam com você. Por que não pede ao seu namorado pra dar um de presente a você? – Ela disse para Jensen e o moreno, que agora estava perto deles, arregalou os olhos.
- Ah não, ele é o meu Amo, apenas. – Jensen disse despreocupadamente.
- Amo?
- Hey, já escolhi os filmes. – Jared interviu na conversa olhando de modo cortante para o loiro que nem se abalou, pois sorria gentilmente para Myla que verificava alguns dados no computador. O moreno pagou o valor da locação e pegou a sacola com os Dvd´s. Ignorou o sorrisinho da garota e puxou Jensen pelo braço. – Obrigado.
A Casa de Jared já estava a vista dos dois, e desde a locadora, eles permaneceram em silêncio. O mais alto estava pensativo e a todo custo tentava enterrar seja lá o que estivesse sentindo naquele momento, por que era errado sentir aquilo. Era só um momento de maluquice da sua mente tentando pregar uma peça nele mesmo.
Jensen chutava distraidamente as folhas alaranjadas no chão enquanto pensava no All Star da garota com o cabelo arco íris. Era bem interessante, mas pensou melhor que, se o tênis fosse dele, mudaria a cor dos cadarços e...
- Jensen!
O Gênio olhou para Jared, que estava a uns passos atrás dele, o olhando de modo repreendedor.
- A minha casa é aqui, Jensen. Você estava quase dobrando a esquina.
- Oh, desculpe. – Jensen coçou a cabeça em gesto envergonhado. Juntou-se ao outro que balançou a cabeça e fechou a porta atrás dele.
Depois de almoçarem uma lasanha congelada que tinha na geladeira, e Jensen a cada garfada dar um suspiro de contentamento, Jared foi para o seu quarto descansar. Como estranhou não escutar nenhum barulho pela casa, foi até o quarto ao lado e abriu uma fresta da porta de madeira branca e lá estava Jensen sentado de ponta cabeça na poltrona florida do quarto, lendo um livro. – Que descobrira depois, ser um dos contos dos irmãos Grimm que tinha guardado todos esses anos. – E a página se movia de acordo com a sua leitura devagar, enquanto o quarto reinava em pleno silêncio.
Não sabia o porquê de ter entrado a passos lentos no quarto e se sentar na ponta da cama de solteiro, para observar o homem que lia o seu livro que tinha desde os seis anos. Mas só sabia que tinha que fazer aquilo. Seu coração estranhamente se aquietava quando estava perto daquele maluco com poderes extraordinários.
Deu uma risada baixa ao ver que perto da poltrona tinha um par de All Star preto, com uma pequena estrela que parecia ser de sete pontas perto dos cadarços, também pretos. Estava de cabeça baixa, mas pode sentir os olhos de Jensen pousados em cima dele. Tentava pensar em uma desculpa plausível para aquele momento, mas nada vinha a sua mente.
-Sabe, esse livro... Ele é muito bom. Quer dizer, as histórias são horripilantes e tudo mais, mas eu gostei muito dessa história.
- Eu também. – Jared disse sorrindo e se levantou indo em direção a porta. – Venha, vou pedir uma pizza.
E saiu. Jensen sorriu ao imaginar que devia ser outra comida muito saborosa com nome esquisito.
E as horas se passaram. As fatias das pizzas foram diminuindo até restarem apenas a caixa colorida em verde e vermelho, vazia. O filme rolava na televisão e apenas as vozes dos atores se fazia presente na sala de estar. Amo e Gênio sentados de forma preguiçosa no mesmo sofá, mas os olhos quase não piscavam ao assistirem o filme de terror.
Jensen achou que aquele cara mascarado com uma espécie de faca na mão era um "cavalheiro desequilibrado de suas emoções'' como ele pensava, seriamente. Este perseguia uma mulher que corria se escondendo pela casa e chorava escandalosamente. Sorriu de canto ao lembrar-se dessa frase, que tinha visto no livro que lera mais cedo.
Depois do filme terminar, começaram a ver outro e agora, estava em uma cena de dois jovens transando no quarto. Parecia ser de suspense ou de ficção científica, Jensen não sabia. Mas estava começando a ficar entediado. Jared percebeu a inquietação do loiro e ficou confuso, pois se fosse pelo filme, também estava entediado já que a história estava dando voltas e mais voltas sem chegar a lugar nenhum. Pegara o Dvd e mal tinha visto o nome, pela pressa.
Depois de vários filmes assistidos, copos jogados no chão e a televisão ligada em qualquer canal de documentários, Jensen pensava e repensava. Olhou para o lado e viu Jared adormecido, os cabelos bagunçados o deixando com aparência infantil e não como um homem de 26 anos.
Levantou-se sem fazer muito barulho e desligou a televisão. Logo depois subiu até o seu quarto e tomou uma ducha gelada. Estava se acostumando a todas aquelas bugigangas na casa de Jared e começando a gostar delas. E não apenas delas, uma voz em sua mente o lembrou.
Sentia a espuma cair lentamente por seu corpo enquanto apreciava a água fria, que levava qualquer tensão ou pensamento ruim naquele instante. Em alguma parte dos filmes, apesar de sorrir, viajou para outro momento, outro tempo. Sentia saudades... Mas não sabia exatamente do que. Era quase esmagador, mas era incrível como se sentia perto de Jared. Ele esquecia, e se tornava um Jensen divertido e curioso por saber de coisas novas e acontecimentos que fazia seus olhos verdes brilharem em expectativa. Saiu debaixo dos "furinhos d'água"quando seus dedos começaram a enrugar.
Já vestido com o seu pijama atual, calça moletom cinza e uma camisa de manga curta preta e meias verdes, desceu até a sala de estar novamente e percebeu que Jared não estava mais ali, então resolveu esperar sentado no sofá. E não demorou muito para que o moreno descesse vestindo também uma calça moletom só que azul escura e uma camisa sem mangas cinza, deixando seus músculos aparecerem. Os cabelos castanhos molhados estavam penteados para trás e o perfume de Jared tomou o ambiente.
- O que acha de darmos um passeio? – Jensen perguntou empolgado.
Jared se perguntou se a pilha do Gênio não se esgotava em algum momento.
- Dar uma volta? Jensen, são quase dez da noite!
Jensen revirou os olhos, cruzando os braços. – E? Vai ser um passeio legal Jared.
- Jensen... – Não queria admitir, mas sentiu receio ao ver as íris verdes brilharem determinadas, daquele jeito intenso. O outro se aproximou mais, até ver novamente a linha prateada rodeando os orbes de Ackles.
Apenas a luz da cozinha estava acesa, e transmitia pouca iluminação para a sala de estar. Eles dois estavam praticamente em uma fina penumbra, e as respirações descompassadas. Mas cada um sentia-se alterado por motivos diferentes.
- Fique calmo e feche os olhos. – Jensen murmurou segurando a mão de Padalecki, sentindo o formigamento de sempre ao usar sua magia. – Órdaimse!
Jared sentiu algo o envolver juntamente a Jensen, tanto que sentiu a respiração dele se misturar com a sua. Estava de olhos fechados e não se atreveria de abri-los.
E depois de alguns segundos, quando sentiu as mãos de Jensen o soltarem abriu os olhos e não pode evitar a surpresa e a descrença ao sentir seus pés, cobertos apenas pela meia cinza, pisando na grama verde de um morro gigantesco e alto. Dava para enxergar várias montanhas a sua frente, apesar de já ter anoitecido.
- Vem, está na hora! – Jensen riu como uma criança travessa e segurou a mão de Jared o guiando, correndo juntamente com ele, a sensação gostosa de suas meias na grama molhada, até chegarem à parte mais alta do morro e avistarem um balão de ar quente.
- Jensen, espera! – Tentou dizer mais alguma palavra, mas tudo se perdeu quando se viu dentro do cesto. Jensen já soltava os pequenos balões com gases em volta. O loiro fechou a portinhola e agora estavam saindo da terra, e flutuando em direção ao céu negro iluminado pela lua cheia e as estrelas em volta. Algumas brilhavam mais que as outras, piscavam exalando sua beleza, enquanto os morros e as montanhas gigantescas faziam parte do cenário que era parecido com aqueles que normalmente as pessoas viam na televisão ou em telas de pintura.
Jared olhava tudo embasbacado sem acreditar que estava em um balão de ar quente, subindo cada vez mais, o chão fugindo de sua visão e apenas deixando um enorme e infinito vão negro embaixo deles. E as montanhas. E a lua e as estrelas. E a brisa fria da noite.
E Jensen. Que alternava seu olhar ao redor deles e para Jared, pois não queria perder nenhuma expressão de contentamento, felicidade, surpresa, incredulidade, medo e por fim de se sentir livre do mundo que os esperava lá embaixo. Com todas as suas luzes, tecnologias avançadas, deveres a cumprir e uma missão em troca de ser liberto de um pesadelo.
Mas Jensen percebeu que Jared não estava transformando sua missão em algo difícil. Estava começando a descobrir como uma pequena faísca em uma lasca de madeira, que naquelas horas tinha se divertido tanto, sorrido muito mais do que podia imaginar.
Aquela missão estava fazendo Jensen renascer.
Quis ver o sorriso com direito a covinhas e os olhos brilharem levemente. Quis ver a beleza de cada lugar onde passavam, refletida nas íris azuis esverdeadas de Jared. E mais do que tudo, naquele instante, em vez da dor ou tristeza nos olhos ou gestos do moreno, queria vê-lo contente. Liberdade e serenidade.
Jared tinha os olhos fixos no céu estrelado, mas vez ou outra olhava para as montanhas abaixo deles, enquanto subiam mais e mais pelo ar e a sensação... Era indescritível. Não tinha como não sentir a emoção de estar ali, tão distante de tudo de uma hora pra outra. E se sentir livre de negações ou culpa.
Virou-se e encontrou o olhar do Gênio que sorria de forma doce. A estrela prateada de sete pontas em seu pulso brilhava timidamente. Observou impressionado um objeto surgir aos poucos nas mãos dele até se transformar em um taco de beisebol. O seu taco.
Jensen o entregou sem deixar de sorrir. Só que agora ele parecia mais ansioso.
- O que acha de criarmos algumas estrelas hoje?
Jared o olhou como se tivesse batido a cabeça na parede repetidas vezes. Tinha que se acostumar com aquelas mudanças drásticas de humor do outro e as suas ideias malucas.
- Como assim? – Perguntou receoso pegando o taco e cada vez mais o enorme balão vermelho subia e subia... De acordo com a mudança do vento.
Jensen tirou uma bola de beisebol de dentro do bolso da calça de moletom que usava e se colocou do lado do moreno que ainda não entendia o plano que estava sendo arquitetado. Agora, passavam por entre algumas neblinas e consequentemente sentiram mais frio.
- Eu vou jogar essa bola no ar, e você apenas irá rebatê-la ok? – Jensen sorriu mostrando seus dentes, em um sorriso aberto, com uma pequena confusão presente no rosto. – Apenas faça, crie, invente, imagine Jared. As estrelas brilharão somente a você hoje.
Jared ainda calado acenou positivamente.
Jensen respirou fundo e lançou a bola no ar. Jared ergueu o taco, rebatendo-a e vendo com satisfação a bola começar a cair, mas antes de sumir totalmente, ela explodiu no céu escuro em várias luzes coloridas como fogos de artifício em réveillon.
Se Jared antes observava encantado, agora seu corpo estava tremendo totalmente maravilhado.
As pequenas luzes antes coloridas no céu escuro da noite, agora se tornavam alaranjadas e em formato de várias estrelas de sete pontas, todas elas. Dançavam em volta deles, como uma fina cascata, iluminando o caminho por onde seguiam, por onde passavam no céu. Seus rostos eram iluminados pelos pontos de luz que buscavam incansavelmente algum espaço obscuro para brilhar e brilhar.
Jensen e Jared estavam emocionados. Não disseram nenhuma palavra e apenas compartilharam juntos aquele momento. Jared não perguntou como sairiam dali, ou se aquelas estrelas povoando tudo por onde passavam ficariam ali para sempre. Jensen não comentou absolutamente nada e seus olhos verdes brilhavam de acordo com a luz das estrelas refletida por elas.
Eles se sentiam livres.
E a liberdade ali era doce e tinha cor alaranjada.
E era infinita.
Lights you guide you home
(E as luzes te guiarão até em casa)
And ignite your bones
(E aquecerão seus ossos)
And I will try... The Fix You.
(E eu tentarei... Consertar você).
Continua...
Coldplay - Fix You.
Oi Leitores! Bom, eu tenho uns avisos a dá-los.
O primeiro é que, o tempo vai estar super apertado por causa de alguns motivos pessoais. E por isso, a rotina de sempre postar na quinta feira pode ser mudado, poderei demorar duas semanas ou mais pra postar um capitulo. E não, não abandonarei a história. Sei bem como é esperar e ficar em expectativa por uma fic que não foi completa... Mas cada um tem seus motivos. Farei o possível para não atrasar tanto.
E segundo... Quanto aos leitores fantasmas... Se gostam do que leem, apreciam qualquer fic que seja, por que não dizer que gosta? Por que não comenta? Não é preciso ter uma conta aqui para deixar uma breve ou longa opinião. E isso deixaria um autor que escreve com dedicação para agrada-los, satisfeitos. Mas, isso é um critério aberto e não obrigatório.
E como amanhã é um dia especial, desejando logo Congratulations para Lara e Jullie! Vocês são demais, pequenas Cupcakes!
Obrigada aos reviews, lindos leitores. É bom ver que a minha escrita agrada a vocês e isso me deixa verdadeiramente feliz, obrigada. E logo, o próximo desejo de Jared será realizado, aguardem, rs. Espero que tenham gostado deste capitulo.
Beijos a vocês e para a beta.
