Beta: Claudia Ackles.

Ele respirava ofegante limpando as lágrimas e a todo custo evitava o tremor que sentia. Fechou os olhos desejando que ele estivesse ali, com aquele sorriso divertido e as ruguinhas discretas ao lado dos olhos. Ah... Os olhos. Tão verdes e... Cheios de Magia.

Então ouviu passos rápidos. Alguém corria em sua direção. Sua respiração ficou mais ofegante e estava prestes a se entregar a escuridão ladeira abaixo quando viu um rapaz cambaleante sair dentre as árvores, e sua silhueta entre a neblina. O par de olhos verdes tempestuosos mais intensos que já vira na vida e apesar de sua visão estar turva, podia ver sangue na camisa dele. O grito trêmulo do outro ecoou na floresta.

- Pule Jared, Pule!

Onze horas antes...

Jared preparava o suco de laranja enquanto os pãezinhos de mel assavam no forno. O cheiro do café feito na hora estava impregnado no ar, fazendo com que suspirasse. Após alguns minutos, seguiu com uma bandeja até a sala de estar e sorriu ao ver o homem mais estranho da sua curta vida, enrolado em um cobertor azul abraçado aos joelhos, deixando apenas a sua vista, as meias verdes e o rosto belo de Jensen. Naquele instante nada importava para ele a não ser a tal novela mexicana que passava na televisã aqueles humanos eram tão astutos em criar algo assim? O gênio demorou um bom tempo para compreender a explicação de seu Amo, de que não existiam pessoas dentro da caixa quadrada com botões esquisitos. Que era uma espécie de vídeo em que poderia ver aquelas mesmas cenas repetidamente quando quisesse. Que nada naquela novela era verdade. E nem que Margarida havia traído Fernando com o seu melhor amigo.

''Mas aquilo era uma catástrofe! Como Fernando se sentiria ao saber que sua vida era uma mentira?!''Jensen pensou indignado enquanto a novela deu espaço aos comerciais.

Mas os pensamentos saíram de foco quando viu ao seu lado Jared, com um sorriso divertido nos lábios finos e uma bandeja na mesinha de centro com as guloseimas do café da manhã. Abriu um sorriso alegre ao sentir o cheiro do café, que definira ser como sua bebida predileta. E mais do que isso, o que estava deixando-o contente era que podia sentir o alto astral de Jared. Mesmo estando recluso e tímido, afinal era o seu jeito mesmo.

- E então? Margarida não procurou mais o tal... – Jared fez uma careta confusa enquanto tomava em seguida um gole de seu suco.

- Fernando! – Jensen assoprava a bebida quente na caneca. – Não... Ele tem que esquecê-la! Ele tem que abrir os olhos e o coração. Ele pode ser amado por alguém que realmente o mereça.

Jared só fez acenar lentamente com a cabeça tentando esconder o largo sorriso mesmo não entendendo absolutamente nada do que o outro dizia. Geralmente não ligava a televisão, pois chegava cansado da clínica e apenas bebia um uísque, escutava alguma música e depois ia para o quarto descansar. E ter uma semana a seu dispor para fazer o que quisesse que não envolvesse trabalho era um tanto desconfortável para a sua opinião.

Ainda faltavam seis dias para as suas férias provisórias terminarem e do lado de um gênio mágico pareceriam seis meses...

- E o que acha que o tal Fernando... É esse o nome dele? – Jensen balançou a cabeça enquanto mordia um pão. – O que acha que ele deveria fazer? Afinal ele não tem mais ninguém.

- Isso é o que você pensa. Ele tem um mundo inteiro ao redor dele, esperando que ele se dê conta de que há um universo a sua volta. E bem... Ele podia mudar os horizontes.

Os lábios carnudos se curvaram em um sorriso malicioso.

- Está querendo dizer que... Jensen! – Jared o encarava surpreso. Não conseguia deixar de se surpreender com o gênio.

- Não estou querendo dizer nada, meu Amo. - Balançou a cabeça como reverência, mas logo virou a cabeça com tanta rapidez em direção a televisão, que Jared poderia ter jurado ter escutado um osso do pescoço de Jensen estalar. - Hey, começou!

-Amo? – Jared ergueu a sobrancelha.

-Shh! – O outro sibilou concentrado e esquecido de tudo mais uma vez.

Jared apenas suspirou e voltou a tomar seu café da manhã apreciando as diversas expressões no rosto do gênio.

~oOo~

Totalmente vestido com um suéter preto e uma calça jeans da mesma cor, e os seus até então inseparáveis All stars, girava lentamente na cadeira de rodinhas no quarto enquanto levitava a luminária roxa. Tinha uma expressão tediosa enquanto fazia com que as luzes girassem por todo o quarto, mesmo com um sol radiante iluminando do lado de fora. Jared chegou esbaforido no quarto e sua boca pendeu levemente ao ver o outro ali totalmente à vontade. As cortinas estavam fechadas deixando o ambiente escuro, se não fosse pelas luzes da luminária que tinha desde quando havia saído da faculdade.

- O que está fazendo no meu quarto?

Jensen desviou os olhos do objeto e olhou para Jared que segurava em uma mão uma mochila que parecia com as de acampamento. Prestou mais atenção a ele mesmo que internamente se divertisse ao vê-lo um pouco corado. Apesar disso, Jared parecia ansioso.

E a última vez que viu Jared assim foi...

- Eu quero fazer o meu próximo desejo.

Jensen deu um sorriso largo dando uma cena bela. As luzes agora piscavam lentamente ora roxas, ora azuis e Jared pode ver depois de sentir sua respiração falhar, que os olhos verdes de Jensen brilhavam mais que o normal. Colocou a mochila no chão perto da cama, onde se sentou encarando suas mãos.

Jensen estava surpreso por poder ver as barreiras de Jared baixadas. Ele era difícil de entender algumas vezes, como uma incógnita indecifrável com o seu jeito tímido, rabugento e sempre em postura de defesa, mas agora só restava o Jared encantador e garoto. Seu sorriso denunciava isso, mesmo que estivesse de cabeça baixa. Viu as mãos grandes e morenas se torcerem levemente como um gesto nervoso. Ele parecia se lembrar de algo, que esperava ser compartilhado ali entre as luzes ritmadas no quarto do moreno.

- Sabe... Quando eu tinha uns dezesseis anos, eu... – A voz dele era calma e era o único som audível. Jensen chegou mais perto se sentando ao seu lado na ponta da cama. Ficou satisfeito ao ver que Jared não se afastou. Até que este se jogou para trás, deitando-se completamente olhando as luzes no teto. Juntou-se a ele ficando em uma distancia segura. – Eu tinha um cartão postal, minha tia Margareth me deu e disse que o lugar da foto no cartão era incrível. Sempre tinha algo bonito para mostrar, coisas para se descobrir...

Jared virou-se apoiando o cotovelo na cama e ainda não encarava Jensen diretamente nos olhos. Mas ele não parecia desconfortável em estar tão perto do gênio assim. Seu rosto estava sereno enquanto se lembrava do dia em que relatava o acontecimento.

E Jensen bebia aquela cena com as suas íris verdes e a linha prateada em volta deles. E Jared alheio não percebeu, mas continuou contando.

- E bem, eu não liguei muito naquele tempo, eu mal tirava os olhos dos livros. Era um nerd e só vivia para os estudos. Mas, em uma noite qualquer, nos amontoados de papéis, lá estava o cartão como se quisesse atenção. Parei e observei o majestoso castelo Malahide e a paisagem maravilhosa, e imaginei que ele deva ter guardado uma história que vale a pena sentar e escutar. Não como os contos de fada ou clichê, mas... Algo realmente bom de ouvir. Até mesmo comprei uns livros para aprender o pouco do idioma de lá e...

Jared direcionou o olhar para Jensen e ficou contente consigo mesmo por não ter ficado tão balançado pela cor chamativa do outro como na primeira vez. Mas não podia negar que eram belos, mesmo sendo de uma pessoa que não era bem... Do seu mundo.

- Não sei nem por que estou conversando sobre isso...

- Isso é muito bom de ouvir, Jared. Contar algo que faz você se lembrar de algo especial, sempre é bom. Se gravar em sua memória, sempre terá algum motivo para sorrir. – Jensen murmurou sem tirar os olhos de Jared que voltou a deitar de costas observando novamente as luzes da luminária que passaram a ser verdes e alaranjadas. Sorriu e as covinhas se acentuaram.

- É... E o meu desejo é esse. Sei que parece bobo, mas em meio à papelada, os óculos tortos sobre o meu nariz e um abajur que piscava sem parar, com o cartão me mostrando outro tipo de mundo, eu deveria achar especial. – Jared fechou os olhos sentindo a respiração acelerar e não percebeu quando a mão do outro tocou o seu pulso. – Eu desejo...

Não abriu os olhos e sempre ficava hesitante em fazê-lo. Não sabia o que iria encontrar, ou enfrentar. Mesmo tendo certeza que apesar de Jensen ser pirado, ele o protegeria. Grunhiu com os pensamentos incoerentes novamente e percebeu que ainda estava deitado, mas não sentia a maciez de sua cama e nem a presença de Jensen ao seu lado. Depois de alguns segundos e assolado pela curiosidade, abriu os olhos.

Por um momento pensou em estar em sua casa, sonhando que estava dentro de algum filme sobre a Idade Média. Mas quando tocou com a ponta do dedo, a grama verde e viu o sol radiante no céu, percebeu que era muito, muito real.

E o responsável por aquilo estava em pé a alguns passos dele, sorrindo animado, segurando a sua mochila que até alguns minutos atrás estava jogada perto da cama onde estavam deitados olhando as luzes da sua luminária.

Que cena Jared... Então observar o teto do seu quarto deitado na cama junto com outro cara, é muito...

Jared balançou a cabeça como se afastasse um mosquito e Jensen deu uma pequena risada, colocando a mochila nas costas, e assim arregaçando mais o suéter azul por cima da camisa social branca enrolada nos braços.

- Esse é... É o Castelo de Malahide? – Jared perguntou ainda olhando para o enorme Castelo de pedras se aproximando de Jensen. - Jensen... É incrível! Não dá pra acreditar que estamos mesmo aqui!

- Venha, vamos observar mais de perto. – O loiro sorriu mais ainda ao ver a felicidade nos olhos de seu Amo, e caminharam juntos até o imponente castelo que parecia cada vez maior, enquanto chegavam mais perto.

As inúmeras árvores ao redor no campo verde balançavam com o vento frio. Jared sentiu um leve calafrio, já que estava apenas com uma camisa de algodão preta e calça jeans. Pensou rapidamente que tivera a esperteza de estar com o seu tênis, ou teria sido transportado descalço.

Jared observava ainda deslumbrado a paisagem em si e o castelo, que parecia mais lindo do que no próprio cartão que tinha há anos. Feito de pedras, as portas escuras e conservadas, e as janelas de vidro em cada torre. Galhos e trepadeiras contornando as partes baixas das beiradas das portas, subindo até as altas janelas de vidro. Até que sua atenção se direcionou para Jensen que tentava abrir a porta de madeira escura, mas falhava miseravelmente. Riu e o loiro se virou para encará-lo com uma expressão confusa e até um pouco birrenta.

- Você acha que vai poder simplesmente entrar no castelo? – A voz do moreno era de total deboche.

Jensen apenas sorriu virando-se novamente para a porta e fechou os olhos concentrado.

Órdaimse!

E os olhos de Jared se arregalaram de leve ao ver a porta então com um estalo baixo se abrir com um rangido. O outro fez um sinal com a cabeça para que o seguisse, e assim Jared fez, mas não sem antes olhar para os lados como se procurasse por alguém os vigiando.

As expressões de Padalecki eram de puro êxtase e alegria. Apenas uma vez, tinha imaginado visitar o castelo como todo turista, pagar para apreciá-lo nas terras de Malahide e ficar apenas na lembrança. E agora lá estava ele, observando maravilhado tudo bem de perto. As mobílias antigas, os livros nas variadas salas escuras sendo iluminadas apenas pelos candelabros e os quartos, com as camas de dossel, os seus armários que ainda continham roupas do príncipe Richard Talbot que viveu ali no século doze. Jensen o seguia de perto e escutava avidamente os comentários de Jared sobre algum lugar das torres, por onde passeavam. Apesar de o desejo ter sido dele, de alguma forma, também estava curtindo aquela viagem pela Irlanda por um dia.

Depois de muito andarem, finalmente estavam saindo das terras de Malahide. E Jared estava satisfeito por conhecer o lugar que aprendera a gostar apenas por um cartão postal nos seus dezessetes anos. Fora um desejo que realmente gostara de ter sido realizado, e não se esqueceria de quando chegasse em casa, agradecer Jensen por essas últimas horas que pareceram tão únicas.

- Bem, para onde vamos agora? – Jared perguntou curioso quando Jensen se aproximou e colocou a mão sobre a sua, em um claro sinal de que seria transportado para outro lugar. Sua boca abriu em descrença ao pensar em Dublin.

- Daqui a alguns segundos você vai descobrir Jared. – Jensen respondeu com uma expressão concentrada e o mais alto sentiu a já conhecida e leve tontura de quando faziam aquela pequena viagem.

Padalecki abriu os olhos e tentava não parecer desconcertado por estar uma avenida movimentada da cidade de Dublin. Olhou para Jensen ao seu lado, que ria deliciado pela forma como Jared parecia encantado a cada lugar que passavam. Só que ele realmente não conseguia crer que estava na Irlanda, sendo que há horas atrás estavam em sua casa em Nova Jersey. Era surreal, inacreditável.

- Ainda não consegue acreditar que estamos na Irlanda, por um desejo seu a mim? – Jensen perguntou e alternava o olhar para o moreno a sua frente e aos prédios antigos.

- Eu seria louco se não acreditasse não é? É só que... – Jared revirou os olhos percebendo que estava gaguejando e Jensen se divertindo as suas custas. – Deixa pra lá. Eu ia dizer depois, mas... Obrigado Jensen. Por isso tudo e por estar realizando os meus desejos.

- Seu desejo é mais do que um pedido. É uma ordem que eu tenho que cumprir. – O gênio sorriu de forma doce e Jared se viu preso pelo olhar intenso e isso o fez acordar para um problema. Os olhos deste estavam de uma cor verde muito intensa, e as pessoas iriam reparar se prestassem a devida atenção a Jensen.

Jared procurou em volta até que sorriu ao ver uma loja de roupas e acessórios na próxima esquina. Suspirou e puxou Jensen pela manga da camisa e esperava que pelo menos o dólar fosse aceito ali, já que não sabia onde ficava o banco de Dublin.

Meia hora depois saíam da loja, após Jensen deixar a balconista com uma expressão abobalhada pela magia que irradiava de seus olhos, agora protegidos por um óculos escuro. O loiro parecia alegre pelo "novo visual" e Jared havia comprado algumas camisas para ele e para Jensen, que tinha trocado a sua, por uma camisa xadrez vermelha. Estavam em Porterhouse, uma cervejaria muito conhecida na capital da Irlanda. Ela tinha cinco andares e várias luminárias no teto para dar um clima mais íntimo e aconchegante.

Jared e Jensen estavam sentados em uma mesa no bar, olhando a vista da cidade pelas altas e largas janelas de vidro. O sol da tarde chegava forte e puderam enxergar nos campos afastados da grande cidade, tulipas amarelas e rosadas dando mais cor ainda a Dublin. Poucas pessoas estavam ali, pois passava da hora do almoço e geralmente as cervejarias e bares enchiam mais a noite virando a madrugada.

- Você está morando comigo há dois dias, e ainda não me contou sobre você. A única coisa que sei é que o cara a minha frente é um gênio da lâmpada e milagrosamente está realizando os meus desejos...

Jensen deu uma gargalhada baixa para logo em seguida tomar um gole de sua cerveja.

- Não é um milagre, e não sou uma alucinação, meu Amo. – Respondeu com a voz rouca encarando pelos óculos escuros os olhos de Jared que se desviaram dos seus. O moreno se sentia um idiota por ficar tão nervoso do lado de Ackles. E não conseguia mais controlar o que estava começando a sentir por ele. Sua mente o recriminava e dizia que era errado estar se sentindo atraído por outro homem, mas seu coração dizia totalmente o contrário. Por isso tentava ficar na defensiva sempre que aqueles sentimentos o traíssem.

- Amo? Por que me chama assim?

- É o que você é, Jared. Você tem a posse da minha lâmpada agora, apesar de ela estar no museu, como você disse. Eu tenho o dever de realizar sete desejos seus e deixá-lo satisfeito. Essa é a missão para qual eu fui escolhido. – Jensen tirou os óculos ao perceber que sua magia havia se estabilizado e seus olhos estavam na cor normal novamente. Apesar de ter pouca diferença já que eles eram sempre de um verde vivo e intenso.

- Acho que prefiro Jared mesmo. É meio desconfortável quando me chama assim em público... Se não se importa. – O moreno sorriu e Jensen sorriu junto.

- Tudo bem, vou tentar chamá-lo por seu nome... Na maioria das vezes.

- Já é um progresso. – Jared riu passando a mão por seus cabelos, a franja indo para trás, deixando desalinhados alguns fios que caíam sempre em frente aos seus olhos. Na mesa em frente a eles, uma mulher loira e de olhos penetrantes que estava de mãos dadas a um homem, piscou para o moreno em uma tentativa de paquera.

Jared franziu o cenho e logo voltou a atenção para a conversa agradável com o gênio ao seu lado ignorando o flerte. Não deveria reparar tanto em como Jensen passava a língua pela espuma da cerveja em seus lábios agora vermelhos e nem como os seus olhos estavam mais brilhantes. Era o terceiro copo de cerveja que este bebia como se fosse água.

- Essa bebida é muito boa! É a minha segunda favorita, os humanos fazem realmente algumas bebidas muito saborosas não? O café é uma delas. Tem aquele tal do hot dog que você me levou para provar e é muito agradável também, assim como essa tal de batata frita... – Jensen comentava rapidamente, gesticulando e parecia enérgico demais, olhando para a porção de batatas fritas na mesa fazendo Jared rir.

- Tem muitas coisas que você vai conhecer neste abre aspas mundo diferente fecha aspas. – Jared disse gesticulando.

- Aspas? É um tipo de mosquito?

Jared balançou a cabeça rindo.

- Deixa pra lá... Que tal conhecermos outros lugares? – Jared tirou algumas notas de dinheiro pousando em cima da mesa de vidro e Jensen acenou positivamente antes de degustar a última batata frita do prato do moreno.

Ao saírem do lugar, Jensen seguia o outro logo atrás e olhou de relance para uma mulher loira que estava sentada em uma mesa próxima a qual eles estavam antes e viu que o olhar furtivo dela se direcionava para a parte traseira de Jared. Sussurrou uma palavra qualquer e logo deu uma risadinha. Antes de saírem completamente do bar, pode escutar um gritinho afeminado e palavras desconexas como "cabelo cheio de gosma verde" "careca" e "bruxaria" e logo depois alguns choramingos.

"Humanos..."Jensen suspirou satisfeito com um sorriso inocente nos lábios carnudos.

A tarde passava e Jared nunca pensou que se divertiria tanto assim na sua vida. Jensen às vezes comentava alguma coisa sobre as pessoas dali, e a cultura do país. E como ele próprio havia estudado um pouco sobre o local, explicou alguns tópicos mais interessantes claramente agradando o gênio que ficava empolgado assim como o moreno.

Passavam pelo Phoenix Park e admiravam as mansões do século quinze rodeadas por flores exóticas que davam mais beleza ao lugar. Pararam ali perto, um do lado do outro enquanto Jared buscava alguma coisa dentro de sua mochila, enquanto Jensen comia uma suculenta maçã vermelha.

O loiro estava tão alheio admirando o parque, que acabou não ouvindo o flash discreto da câmera de Jared. Este sorriu ao ver que a foto revelava o outro comendo a maçã com os olhos fechados. Parecia um gesto normal para quem passava por perto, mas para o veterinário, era diferente. Jensen dava vivacidade e cor para pequenos gestos absolutamente comuns que fazia.

- O que acha de ficarmos um pouco mais? – Jensen perguntou enquanto jogava o talo da maçã na lata de lixo. – Poderíamos ficar em Dublin até amanhã.

- Mas os planos era apenas um dia, eu pensei. – Jared disse confuso.

- Eu pude perceber um rastro de tristeza nos seus olhos por um momento enquanto via o sol se distanciar, Amo. – Comentou e sorriu amarelo ao ver o outro arquear a sobrancelha e cruzar os braços. – Desculpe. Vou me acostumar a chamá-lo por Jared. Mas então, o que acha?

Jared pareceu pensar e deu um sorriso. – Tudo bem, podemos ficar mais um dia. Mas, temos que procurar um hotel antes que escureça.

Jensen acenou e tomaram o caminho para as avenidas de Dublin.

Depois de uma hora, um Jared carrancudo encarava a vista da capital pela janela do quarto.

O gênio ao sair do banheiro apenas com uma toalha na cintura se perguntava mentalmente o porquê de Jared estar com a expressão fechada desde que entraram na recepção do hotel. O quarto parecia bonito e aconchegante, não compreendia.

Poderia dizer que o motivo do sorriso do moreno ter diminuído fora a recepcionista ter achado que eles eram amantes, e tentar reservar um quarto com uma cama de casal, mas não tinha certeza. Jensen não ligou por que tinha motivos para ficar chateado por isso. Depois de Padalecki respirar fundo e pedir calmamente por duas camas de solteiro, ali estavam.

Seu Amo era tão complicado...

- Então, o que acha de irmos para Belfast? Viajamos de trem até lá. – Jared comentou sem tirar os olhos do céu azul que estava começando a ser coberto pelas nuvens escuras, dando indícios de que logo iria chover.

Jensen abotoava os botões da camisa de algodão verde, e pensou que seria uma ótima ideia. - Tudo bem.

Jared virou-se e pegou sua mochila e decidiu deixá-la no quarto. Iria apenas levar algum documento e uma parte do dinheiro. Jensen juntou-se a ele e este entrelaçou sua mão a do moreno sentindo a leve tontura voltar quando fechou os olhos. Sentia tudo girar, como se estivesse em algum brinquedo de parque de diversões. Apertou mais firme a mão de Jensen para ter algum apoio.

Quando voltou a abrir os olhos estavam na estação de trem em Belfast. Não exatamente na cidade...

Olhou torto para o gênio que deu um sorriso constrangido e um pedido mudo de desculpas nos olhos verdes, que chamavam atenção mais uma vez pelo uso da magia. Apontou com o dedo para os óculos no bolso da calça jeans preta de Jensen e este entendeu, o colocando no rosto parecendo mais discreto.

Voltaram a andar em silêncio pelo trilho do trem que estava totalmente vazio. A floresta, que parecia não ter fim, rodeava os trilhos, assim como as colinas verdes rodeava o grande rio abaixo deles. O sol da tarde estava começando a partir, deixando uma digna paisagem, de deixar os olhos encantados, e assim estava Jared, apesar de andar mais um pouco até a cidade.

- Órdaimse! – Jensen sussurrou e uma linha prateada saiu de sua tatuagem envolvendo suas mãos abertas até que surgiu um pergaminho ilustrando o mapa da cidade. Sorriu ao ver que não andariam tanto para chegar ao destino deles, provavelmente levariam meia hora mais ou menos. Jared andava em cima dos trilhos, tentando se equilibrar, em um gesto até infantil para um cara de um metro e noventa e três de altura, médico e com uma vida reclusa. Ele apanhava pequenas pedras acinzentadas e as jogava tentando atingir uma distância cada vez maior.

Antes de escurecer estariam em Belfast.

Era o que Amo e gênio pensavam, afinal, não tinha o porquê de ficarem preocupados. Mas não desconfiavam do que enfrentariam naquele fim de tarde em algum lugar da Irlanda.

Continua...


Oi Leitores!

Bom, eu demorei um pouco mais para postar, mas é por que o tempo está apertado mesmo. E tende a ficar mais ainda... Infelizmente. Mas, obrigada pelos reviews, muitos deles são hiper carinhosos que me fazem sorrir sempre. É um prazer imenso ver que desde o primeiro capitulo ainda permanecem acompanhando e comentando. E espero que continuem, rsrs.

E aos leitores que apareceram agora, sejam bem vindos a Sete Desejos! Espero que curtam também.

Beijos a vocês e a beta.