Beta: Claudia Ackles.

Jared olhava de segundos em segundos a hora em seu relógio de pulso. Tentava não ficar preocupado com o tempo passando e o sol indo embora, dando a enorme floresta que rodeava os trilhos dos trens um ar sombrio. Era uma visão linda, mas particularmente não achava isso quando anoitecia. Jensen estava calado e andava ao seu lado e sua expressão parecia tranquila.

Enquanto caminhavam, observavam as colinas tão distantes e belas, assim como algumas árvores na floresta que começavam a exibir seus frutos.

Por mais que tentasse apreciar e sorrir despreocupadamente, não conseguia. Estava nervoso, queria um ponto de segurança, queria uma âncora para se segurar se ele e Jensen caíssem. E se eles se machucassem? E se morressem? E se ficassem presos ali para sempre? E se...

- Jared eu posso ouvir as engrenagens da sua cabeça funcionando daqui... – Jensen comentou divertido.

- Como pode estar tão calmo? Estamos perdidos e você não está nem um pouco preocupado! – Jared parou de andar e franziu o cenho irritado.

- E porque eu ficaria? Estamos seguros, e não estamos perdidos. – Jensen cruzou os braços erguendo o queixo em desafio.

Jared cruzou os braços também, e apertou os olhos ajeitando a postura desafiadora parecendo mais alto. Mas para o Gênio, ele estava adorável com aquela expressão rabugenta.

- Por que não nos transporta logo até a cidade? Está anoitecendo Jensen, será que não percebeu ainda? E se algo acontecer conosco? Nem sequer apareceu um trem por aqui. Estamos perdidos, eu estou com fome, com sede e...

- Estressado.

- E... – Jared que começava um novo discurso parou indignado quando viu o outro retomar a caminhada. – Hey, não me deixe falando sozinho!

- Continue falando enquanto andamos, senão chegaremos tarde da noite em Belfast. – Jensen sorriu abertamente ao ouvir os passos barulhentos pelas pedras. Sentiu seu braço ser puxado e encarou o rosto irritado de Jared.

- Me leve até Belfast, Jensen.

- Curta a viagem, meu Amo. – O loiro fez uma reverência baixando sua cabeça e seguiu o caminho sorrindo como se não tivesse dia mais belo que aquele.

- Jensen, vamos cair fora daqui! – Jared o parou e tinha os olhos suplicantes. Isso só fez o sorriso do loiro se alargar mais e este deu uma piscada extrovertida. – Deus, estamos parecendo dois adolescentes! Se bem que era tudo mais fácil naquele tempo...

Jensen que tinha se soltado do aperto suave da mão de Jared em seu braço deu um sorriso um tanto... Maroto e Jared sentiu medo por ele mesmo.

- Jensen...?

E foi então que começou a sentir um calor estranho no corpo, e observou desesperado que ou estava diminuindo cada vez mais ou as árvores estavam aumentando de tamanho assim como o Gênio que o observava com um sorriso satisfeito. As mangas de sua camisa aumentaram ficando folgadas em seus braços assim como a calça jeans. Os fios castanhos caiam mais ainda em seus olhos em um corte juvenil. Os dedos de seu pé não atingiam mais a sola do tênis e fechou os olhos rezando para que aquilo não fosse paranoia.

Correu até uma poça de água entre as pedras cinzentas do trilho e abriu a boca horrorizado ao ver o seu reflexo de quando tinha dezessete anos.

- O que você fez comigo?! – Jared gritou sentindo uma raiva imensa se apossar de seu corpo e sua voz sair menos grossa. A única coisa que passava na sua cabeça era esganar Jensen até tirar aquele sorriso bobo dos lábios carnudos, beijáveis, e totalmente vermelhos do Gênio.

Jared por deus, seus hormônios estão descontrolados ou você realmente está pirando!

- Você disse que tudo é mais fácil quando se é adolescente, então... – Jensen deu de ombros, mas parou de sorrir no instante em que viu os passos duros do outro vindo em sua direção e começou a recuar lentamente. – Jared?

- Eu vou matar você! – Jared largou a mochila que carregava e correu fechando os punhos atrás de Jensen que corria adentrando a floresta rindo e se divertindo ao olhar para trás e ver Jared tentando lutar para não cair aos tropeços enquanto pisava na barra da calça jeans, tentando tirar a franja dos olhos.

Quando voltou a olhar para frente não teve tempo para frear seus pés e acabou batendo sua testa em um galho baixo de uma árvore e por fim caindo e se sujando de terra. Soltou um gemido de dor esfregando o local dolorido e pode escutar a gargalhada de Jared cada vez mais perto.

Jared ao parar para regular a respiração, viu com alívio que logo adiante, a direita entre algumas frondosas árvores, havia uma fumaça... Devia ser a chaminé de alguma casa que abrigava um morador de bom coração que seria gentil e lhes daria um carona até Belfast, pensou ingenuamente.

Estava tudo se encaixando, Jared pensou com um sorriso. Voltou a caminhar com passos rápidos em direção a Jensen, se desviando das árvores e de alguns galhos baixos. Até que pode ouvir barulho de passos perto deles, e não parecia ser de apenas uma pessoa. Voltou a olhar para trás ao escutar um pio alto de uma águia e quando voltou a olhar para árvore baixa onde Jensen estava sentando embaixo, apenas encontrou um rapaz. Um lindo rapaz.

Os seus cabelos continuavam curtos, arrepiados e mais loiros, os olhos intensamente verdes já que o Gênio estava usando sua magia. A camisa verde estava folgada no corpo esbelto, mas não parecia um pijama como a sua camisa xadrez estava nele. O viu se agachar e se esconder atrás de uma grande pedra suja de musgo como se estivesse se escondendo de alguém.

- Jensen? O que aconteceu com você? – Perguntou assombrado se aproximando com passos cautelosos ao rapaz que parecia ter uns dezoito anos no máximo.

- Shh! Venha rápido e abaixado. – Ele sussurrou e parecia nervoso, sua voz também estava menos grossa também.

Jared agachado e escondido ao lado de Jensen começava a ficar nervoso também. A expressão do Gênio estava divertida e alegre minutos atrás por que estavam perdidos e sem saber que horas chegariam a cidade e agora lá estava ele com uma preocupação evidente nas íris verdes.

- O que está havendo Jen... – A voz de Jared foi abafada pelas mãos do loiro que tremiam levemente, recebendo um olhar severo. Prendeu a respiração ao escutar passos se aproximando para logo de repente pararem e restar apenas o silêncio, deixando os dois jovens receosos e nervosos. Jared aparentava isso enquanto Jensen se segurava para não transparecer e proteger seu Amo o quanto podia.

O sol estava se pondo reluzindo seus últimos raios. A floresta parecia maior ainda sem a luz do dia e assustadora com a chegada da noite.

Sabiam que eles estariam encrencados quando a poucos passos, dois homens mal encarados o observavam com maldade e malícia. Suas vestes eram típicas de caçador, usavam bonés e um deles estava com um machado pingando a sangue fresco. E quanto ao outro, segurava um enorme saco sujo nas costas.

Jared apertou sua mão na de Jensen, pois de alguma forma com aquele pequeno gesto, ele saber que ele não era o único a estar tremendo da cabeça aos pés era reconfortante.

- O que nós temos aqui... Dois forasteiros, curiosos... – A voz do homem roliço e de barba se fez presente, dando um sorriso maldoso. Mesmo com a pouca luz, dava pra reparar que os dentes dele eram amarelados.

O outro caçador que até então estava calado, largou o saco no chão de terra e andou até os jovens, mas parou subitamente achando graça quando Jensen passou Jared para trás de seu corpo, como se quisesse protegê-lo.

- Forasteiros? Acho que não é bem isso... – Deu uma risada estrondosa, passando a língua pelos lábios sujos. Os olhos eram cobertos pela aba do boné, mas seu porte era enorme, apesar de ser magro. O outro caçador sorriu mais ainda, esticando as rugas do rosto e a verruga do lado da boca, se aproximando deste e logo em seguida sussurrando algo no ouvido, rindo.

- Ok, irmão. Como quiser.

Jensen virou-se rapidamente para trás e encarou os olhos temerosos de Jared que agarrava seu braço como se aquilo os salvasse. Ele parecia tão frágil e apenas uma criança comparado a cena que sabia que estava prestes a acontecer.

- Não vamos sair vivos daqui, Jensen. – Jared sussurrou andando para trás, puxando o seu braço, mas ainda olhando para os dois caçadores que pareciam não se preocupar por estarem se afastando com passos lentos. – Nos tire daqui, por favor...

- Jared, saia daqui agora. Meus poderes diminuíram por eu estar exausto e pela quantidade de magia que executei hoje, não conseguiria nos transportar para um lugar seguro. – Jensen respirava rápido, o caçador de boné fez um gesto curto com a cabeça para o irmão e começaram a andar rápido a poucos centímetros deles. – Corra! Agora!

- Mas e você? Eu não vou te deixar sozinho aqui! – Jared falou nervoso, seu corpo tremia dos pés a cabeça e o desespero assolava seu peito. Arregalaram os olhos ao ver o homem barbudo erguer o machado em direção a eles, certamente acertando um dos dois. – Jensen!

- Corra! Vai!

E então Jared se virou se embrenhando na mata, sem saber aonde ia ou para onde ir. Seus pés o levavam cada vez mais para dentro da enorme floresta. Escutou um grito e um tremor violento passou por suas pernas o fazendo tropeçar e cair, ao reconhecer o timbre da voz de Jensen. Ofegava e tentava buscar ar, mas o desespero estava tomando conta de seu corpo a cada segundo que passava. Olhou para trás a procura de algum sinal de Jensen, mas a neblina da noite cobria alguns lados da floresta escurecendo-a mais ainda.

Alguns fios de seu cabelo ocultavam sua visão, sua camisa xadrez que havia comprado no começo do dia até então alegre com Jensen, estava ensopada e grudada ao seu corpo, não mais tão forte como quando tinha 26 anos.

Ainda ajoelhado no chão, buscando forças sentiu uma ardência forte e então olhou para suas mãos e viu que estavam sujas de sangue. Provavelmente tinha se cortado em algum graveto escondido pelas folhas escuras. Olhou para frente e para os lados e nada, apenas árvores e mais árvores. Apoiou-se em uma perna tentando se colocar em pé e antes de dar o primeiro passo sentiu uma respiração atrás de si. E antes mesmo de virar-se sentiu uma dor excruciante em sua cabeça. E tudo se tornou escuridão.

~OoO~

Dor.

Uma dor desconfortável nos pulsos, que estavam amarrados em volta de um tronco de madeira. Levantou a cabeça devagar tentando evitar as pontadas acima do pescoço, mas percebeu que foi inútil. Sentia sua testa úmida e pelo cheiro, desconfiou que fosse seu sangue. Seus pés estavam descalços e deu um gemido baixo de dor, ao senti-los feridos. Estava impossibilitado de mexer qualquer parte de seu corpo, a não ser pelo pescoço e a cabeça. Respirou fundo e olhou para o lado. Seu coração deu um salto.

O rapaz loiro que tinha visto antes estava amarrado como ele em outro tronco e parecia adormecido como se não estivesse prestes a ser morto. Parecia alheio aquela confusão, dormindo um sono tranquilo. Este mesmo rapaz, que apesar de toda a emboscada e estarem correndo perigo, minutos atrás havia lhe dado um sorriso. Um sorriso preocupado, mas era um sorriso. Um sorriso que deixava Jared paralisado.

Tirando sua atenção do Gênio ao seu lado, resolveu tentar sair dali de alguma forma. Estavam sozinhos naquele barraco, parecido com uma choupana. O lugar fedia e estava completamente sujo, aparentando ter em todo canto, lama e cupins cobrindo as paredes de madeira. Mais a frente, tinham duas camas velhas de solteiro e lenhas no chão. Uma prateleira com diversos potes com líquidos escuros e um baú que parecia ser bastante pesado e empoeirado.

Forçou a amarra de seus pulsos mais uma vez, mas estava conseguindo apenas se ferir. Chamou o nome do outro diversas vezes, mas este parecia não acordar, sequer fazia algum movimento. O que garantia que o Gênio estava vivo era apenas sua respiração calma e ritmada.

"Não se desespere, não se desespere, vai ficar tudo bem."

Enquanto pensava em alguma solução para tirar ele e Jensen daquela situação, Jared deu um pulo ao ver a porta se abrir e os dois homens que o abordaram antes na floresta entrarem. O mais baixo e barbudo colocou as lenhas perto das outras no chão, enquanto o outro segurava um saco, não muito grande, mas estava manchado de sangue.

Engoliu em seco ao vê-los cochichar algo inaudível e o mais alto de boné se aproximou dele. Inevitavelmente se encolheu sentindo seu coração bater mais forte no seu peito, mas no fundo não se culpava por agir deste modo, tinha 16 anos agora. Em sua vida normal nessa idade, ele apenas se preocupava em estudar para as provas e ingressar para a universidade, e quem sabe conhecer um dia, Dublin.

É... E estava conhecendo. - O que pretende fazer? Fique longe de mim! – Jared tentava a todo custo se soltar, mas só fez os dois caçadores rirem em caçoo. Arregalou os olhos ao ter o queixo levantado pela ponta afiada da faca que o caçador de olhos pequenos tinha. E percebeu que teria que deixar seu orgulho de lado naquele momento se quisesse sair dali com o Gênio... Vivos. – Por favor... Não fizemos nada a vocês, só queremos...

- Querem o que? – O outro que estava abaixado a sua frente ainda com a faca em seu punho fechado. Sorriu com gosto, cheirando o pescoço do adolescente para logo depois dar um chupão ficando satisfeito ao ver a marca na pele morena. – Seja o que for que queriam fazer no meio de uma floresta, conseguiram muito mais... E acho que você e o seu namoradinho podem gostar.

Jared franziu o nariz totalmente enojado, respirando rápido. Como estava de costas para o que o caçador fazia e uma vontade tremenda de vomitar surgindo, não percebeu que este afrouxava o aperto o levantando em seguida, mas suas mãos ainda continuavam atadas atrás do corpo. Cambaleante foi puxado pelo mais alto, sentindo uma grande tontura e ao pisar na madeira velha do lugar as feridas de seu pé arderam mais. Não conteve um gemido alto de dor.

A tatuagem de estrela com sete pontas brilhou no braço de Jensen, o acordando de um sono profundo. E quando os olhos verdes pairaram sobre a figura de seu Amo com uma careta de dor enquanto os dois caçadores o encurralavam, um sentimento se apossou completamente de seu corpo e estava cegando sua mente.

Ódio.

- Então Joe... Vamos brincar um pouco com o gostosinho aqui. Depois com a bela adormecida ali... – Apontou rapidamente para o rapaz loiro que estava aparentemente dormindo. O caçador robusto segurou o corpo cambaleante de Jared por trás afundando seu rosto sujo arranhando com sua barba por fazer no pescoço do moreno. Este apenas tentava respirar tentando não vomitar e tremer. Estava sentindo um medo que não era familiar para ele, Jared, sentir. Não queria que sua vida acabasse daquele jeito, não assim.

Jensen sentia seu poder ficar descontrolado à medida que a estrela de sete pontas prateada ardia em seu braço, pois já não aguentava mais trancafiar toda sua magia. Ainda estava fraco para transportar ele e Jared dali, mas o protegeria de qualquer mal. E apenas pelo olhar malicioso que lançaram a seu Amo na floresta, sabia que eles iriam ser punidos severamente. Era mais forte que ele... Uma fúria que instigava seus instintos a serem liberados.

Enquanto Joe tinha se afastado, parecendo se deliciar amolando a lâmina de um facão, seu irmão Billy roçava seu corpo atrás do adolescente que tremia compulsivamente de olhos fechados. A mão do caçador ia descer para a fivela do cinto de Jared, mas nem um dedo pode tocar por que foram estalados até quebrar fazendo-o berrar de dor.

Jared abriu os olhos assustados e lentamente se afastou enquanto observava ofegante o outro largar o facão e ir em direção ao irmão que estava ajoelhado no chão segurando a mão direita e os dedos torcidos para trás.

- Foi o moleque?! Hein? Diga! – O caçador magro de corpo forte e gigantesco para os padrões normais, se levantou indo em direção a Jared, mas seu corpo foi jogado para trás batendo ruidosamente na parede da choupana.

O adolescente arregalou os olhos esverdeados e com um alívio seu coração se acalmou ao ver Jensen com a mão erguida mirando o homem que estava pregado a parede sem se mexer ou poder falar.

Jensen mais do que depressa correu até Jared e desamarrou a corda que prendia suas mãos atrás de seu corpo magro e trêmulo. Ergueu o rosto cabisbaixo do moreno com as mãos e viu com pesar que ele estava bastante assustado, mas o que deixava Jensen propriamente assustado era que não podia sentir Jared o culpando com aquele olhar, mas sim, que queria ser salvo.

Padalecki que até então olhava diretamente para os olhos incrivelmente verdes do Gênio olhou para trás deste e viu o caçador robusto ranger os dentes sacando uma arma e antes mesmo de abrir a boca para avisar ao loiro a sua frente ou sequer ouvir o gatilho ser disparado, Jensen virou-se e ergueu a mão a fechando aos poucos com fúria ao mesmo tempo em que a garganta de Billy era fechada e este não pudesse fazer nada para deter.

O loiro se aproximou ainda mais do corpo que tombava ao chão, sua mão fechada estava quase branca pela sua força. O homem se contorcia totalmente desesperado buscando ar com os olhos arregalados, o rosto sujo por terra ficando roxo.

- Nunca mais vai poder tocar nele, ou em alguém inocente... – A voz de Jensen havia saído tão sombria e sem vida que Jared sentiu um arrepio enquanto franziu o nariz pelo cheiro forte de gasolina. Encarou os potes das prateleiras do armário que caia aos pedaços tremerem violentamente até se estilhaçarem um por um assim como as velhas tábuas das janelas rangerem e os parafusos enferrujados soltarem o apoio. A água que fervia na panela sobre a lenha caiu ao chão fazendo o líquido inflável espirrar e uma gota atingir o fogo. Dentro de instantes as chamas começaram a crescer iluminava o lugar escuro e de mau cheiro.

- Jensen vamos embora! Esse lugar vai ficar em cinzas logo! – Jared gritou segurando o braço de Jensen e não sabia que se era errado ou não, não sentir nenhuma compaixão ao ver o corpo do homem que há minutos atrás se esfregava ao seu. Engoliu o mal estar e seus olhos se encontraram aos do Gênio que estavam vagos, mas ainda verdes quase escuros tomado por uma raiva que nunca pensaria em ver nas íris sempre divertidas ou cheias de carinho.

Até que olhou para a tatuagem de estrela no braço de Jensen, a tocando e quase praguejou ao tirar sua mão antes mesmo de encostar completamente na pele branca. Estava queimando como um ferro em brasa! Jensen olhou ao redor e finalmente pareceu acordar e lá estavam os olhos carinhosos outra vez. Mas com uma determinação gigantesca.

- Vamos embora. – O Gênio olhou rapidamente para o outro caçador que ainda continuava na parede, pregado e os olhos arregalados olhavam a madeira crepitar pelo fogo que crescia deixando o lugar abafado pela fumaça, e ainda por cima dificultando a visão dos dois adolescentes. Jared segurou a mão de Jensen e o puxou para fora da cabana. Correram em direção a fria e escura floresta. Não tão escura como antes já que a cabana estava em chamas e era o ponto que iluminava ao redor.

Jared gemia de dor a cada passo, seus pés sangravam com o contato a terra molhada, os gravetos e pedras. Jensen corria atrás dele ainda com suas mãos entrelaçadas fortemente, sequer com menção de se soltarem. O desespero, medo e uma pontada de esperança tomavam conta do agora jovem veterinário que se embrenhava mais e mais na floresta sem saber aonde dariam, apenas seguia em frente desviando-se das árvores até quando chegassem em algum lugar, ou até chegarem em lugar seguro para Jensen recuperar sua magia desgastada para transportá-los.

Além de a neblina dificultar a visão dos dois, Jared se atrapalhava pela calça do dobro de seu corpo assim como sua camisa, e seus cabelos que caíam aos olhos do rosto jovial. Pensou ter ouvido um barulho de água caindo, quando foi bruscamente puxado para trás e estava prestes a gritar com Jensen sobre estarem correndo risco de vida quando o viu se abaixar e grunhir de dor, se curvando e apertando os olhos. Ajoelhou-se a sua frente e então balançou a cabeça não acreditando.

A lateral do estômago de Jensen sangrava bastante. Parecia ter sido cortado por algo afiado e o corte profundo manchava a camisa com o sangue vermelho vivo. As mãos do Gênio estavam geladas e o seu rosto estava pálido. A luz da lua apenas dava menos cor a ele e mais ainda aos olhos irradiados de magia.

- Jensen, nós temos que continuar, por favor... Eu... – Jared falou com a voz trêmula e desesperada. – Podemos continuar apenas mais um pouco, escutei barulho de água, talvez seja alguma cachoeira, podemos descer, pegar uma trilhar e lavar esse corte.

Jensen que estava ajoelhado assim como ele, sujo de terra e sangue apoiou a testa fria em seu ombro e o moreno não aguentou mais conter as lágrimas. O medo de ficar sozinho ali naquele lugar, o medo de não sair vivo dali... O medo de perder Jensen era insuportável, esmagando seu coração sem dó. - Por favor, não me deixe aqui sozinho. – A voz trêmula e baixa ecoou no ouvido do rapaz loiro e este levantou a cabeça, parecendo frágil.

- Me ajude a levantar. – Jensen disse, se apoiando no ombro de Jared e o braço deste enlaçou sua cintura. – Eu vou atrasar você, então apenas continue seguindo.

- Jensen, se você está pens...

- Você tem que seguir, eu vou atrás. Mas preciso dar um jeito em nosso último obstáculo. – Jensen deu um pequeno sorriso, grunhindo de dor colocando a mão por cima do ferimento, a sujando de sangue.

Jared o observava confuso não entendendo o que o outro queria dizer, mas então pode ouvir as folhas secas estalarem, cada vez mais rápido. Alguém se aproximava.

O primeiro tiro. O segundo tiro. Antes de o barulho ecoar na enorme montanha onde estavam, Jared olhou com lágrimas nos olhos para o Gênio que parecia tentar se recompor enquanto uma luz prateada saía da tatuagem deste.

- Estarei logo atrás, meu Amo, eu prometo. – Jensen virou-se de encontro onde o barulho se intensificava, seus olhos verdes mais hipnotizantes, com as mãos erguidas e sussurrando algumas palavras inaudíveis. – Apenas vá.

Jared ainda relutante balançou a cabeça então virou as costas e correu.

E mesmo mancando por causa dos pés feridos, correu o quanto pode, o mais rápido que podia. Nem a neblina, nem a barra da calça o impedia, nem os cabelos castanhos e lisos em seu rosto, e nem a vontade de se entregar ao cansaço e desabar ao chão lamacento de terra. Só corria, e corria para onde o barulho da água se fazia presente enquanto apertava o punho, e o seu peito descendo e subindo ofegante buscando ar, buscando alguma direção, a cada passo apertava os olhos pela dor física e também, por estar deixando seu Gênio maluco para trás.

Mas ele prometeu que o seguiria. Ele não iria deixá-lo, por que ele prometeu.

Jared não se deixava dar ao luxo, e há muito tempo, de confiar tanto em alguém assim. Benjamin, Traci e sua Tia Margareth eram suas únicas pessoas de confiança. Não acreditava em promessas, nem em juramentos.

Mas no momento em que Jensen ignorou a dor de seu ferimento para protegê-lo, estava abolindo aquele pensamento por ele. Por eles.

Desviando entre as árvores altas e copas enormes ocultando qualquer luz além da própria lua que estava meio escondida entre as nuvens, apertou os olhos parando bruscamente ao sentir por um segundo o chão faltar aos seus pés. Tinha acabado. Sentiu uma leve vertigem ao ver a cachoeira que contornava a passagem para o outro lado da floresta. Jamais conseguiria atravessar. Ou cairia no enorme vão negro onde apenas o barulho ensurdecedor da água caindo ou deixava ser levado pela própria sorte...

Respirava ofegante limpando as lágrimas e a todo custo evitando o tremor que sentia, fechou os olhos desejando que ele estivesse ali. Com aquele sorriso divertido e as ruguinhas discretas ao lado dos olhos. Ah... Os olhos. Tão verdes e... Cheios de Magia.

Então ouviu, passos rápidos. Alguém corria em sua direção. Sua respiração ficou mais ofegante, estava prestes a se entregar a escuridão ladeira abaixo quando viu um rapaz cambaleante sair entre as árvores e sua silhueta entre a neblina. O par de olhos verdes tempestuosos mais intensos que já vira na vida. E o grito trêmulo do outro ecoou no lugar.

- Pule Jared, Pule!

Jensen olhou para trás com a testa vincada de preocupação e receio, mas este então correu até ele ficando frente a frente. E com a respiração rápida o olhou daquele jeito carinhoso, os olhos verdes cristalinos com as pintas prateadas em volta dando uma beleza assustadora. Mesmo sangrando, o suor frio nos cabelos loiros e os lábios sujos de sangue.

Tristan viu a mão do Gênio se erguer e parar em seu rosto acariciando levemente como se apreciasse a textura de sua pele. Mas então, aquele momento confortador naquela noite aterrorizante se acabou quando escutou um desculpe dos lábios carnudos e então foi empurrado para a escuridão que escondia a larga cachoeira.

O que apenas restou a fazer foi gritar enquanto caía. Até que foi engolido pela água fria, o corpo sendo puxado para baixo, sua roupa ficando pesada dificultava sua tentativa de subir a superfície em busca de ar. Mas o cansaço o abatia e então um último pensamento sobre como Jensen ficava adorável com os lábios sujos de catchup e maionese quando comia lasanha veio a sua mente.

- Não vai escapar, você vai morrer assim como aquele viadinho do seu namorado bruxo! – O homem alto e corpulento mirou a arma na cabeça de Jensen que estava a um passo para cair na escuridão onde seu Amo o esperava.

Jensen conteve a sua raiva de torturá-lo da pior maneira possível, e de costas apenas sussurrou uma palavra.

- Órdaimse!

O que escutou antes de pular e ser engolido pela água foi o pescoço do caçador estalar bruscamente e o corpo cair pesadamente a terra. E ao fundo da floresta a cabana terminava de ser incendiada.

Viu o corpo do adolescente que antes estava de mãos dadas correndo na floresta ir para o fundo cada vez mais. Nadou até ele, suas íris cristalinas pareciam iluminar cada vez mais enquanto o alcançava. E quando segurou sua mão novamente, apertando mais os olhos para melhorar sua visão, o puxando contra seu corpo, buscando nas suas últimas forças, a magia. Levando-os para o mais fundo até que então foram girando e girando como se estivessem em um redemoinho sendo sugados por um buraco mais negro que a água da cachoeira que cortava a enorme montanha. Onde alheio a tudo o que aconteceu, um trem naquele instante passava aos trilhos, onde pessoas bebiam, liam livros, ou conversavam esperando sua viagem naquele lugar fantástico terminar e o levar até a cidade.

Enquanto ele e um Jared desacordado estavam sendo sugados pela força da água para banheira da suíte do hotel onde estavam hospedados em Dublin.

Jensen abriu os olhos cansados e em seus braços, Jared estava acordando. Estavam totalmente ensopados e com as roupas que não estavam mais folgadas, pois estavam com a idade atual deles. Tudo voltara ao normal.

Pois antes de Jared abrir os olhos, Jensen tocou sua testa onde a linha prateada de sua tatuagem envolvia o moreno.

Jared não se lembraria de nada que acontecera há algumas horas atrás. Pois, Jensen ainda ia salvar aquela viagem. Ainda iam ver os arcos espanhóis da cidade e beber uma boa cerveja.

Jensen deu o seu último suspiro antes desacordar na banheira abraçado a Jared.

Continua...


Olá leitores! Tudo bem com vocês? Espero que sim, lindos. Bem, esse capítulo foi um pouco maior que os anteriores, mas pelo tempo de atraso que levei para postar, acho que compensei, rs. Estou muito feliz pelos novos leitores, e por estarem aprovando a história até aqui.

E aos leitores que favoritaram a história... Deem um Oi, fantasminhas, rs. Também quero saber a opinião de vocês.

Acho que posso dizer que no próximo capitulo, algo acontecerá para alegrar mais a história. Envolvendo paz, luta por liberdade de expressão, muita ''viagem'' Cores, e... Quem sabe um pouco de Amor, hm? Veremos se acertam sobre o que eu falo, Rsrs.

Beijos a vocês e para minha linda beta.