Beta: Claudia Ackles.

Nada se passava em sua cabeça naquele momento.

Jared estava com os olhos levemente arregalados em surpresa.

Os lábios macios do Gênio estavam colados aos seus em um encaixe quase perfeito, se não fosse pelo fato de estarem sentados um ao lado do outro. Os lábios finos juntamente aos carnudos, em uma carícia firme, até que, Jared por fim se deu conta do que estava acontecendo e olhou chocado para o homem sentado ao seu lado que deu um pequeno sorriso. Jensen nem sequer se preocupou em pedir desculpas, ou ficar preocupado pela reação espantada do outro, ele apenas lhe deu um curto e simples beijo.

Mas Ackles se sentiu tentado a rir ao ver Jared a ponto de hiperventilar com as pernas grandes cruzadas, parte de seu casaco grande estendido na areia e engolindo em seco olhando para o enorme mar em frente deles. O que quebrou o silêncio depois de uma respiração lenta e profunda de Jared, foi...

- Estranho.

Jensen riu ajeitando os óculos de lente arroxeada, o observando calmamente. Estranhamente e mesmo sem usar magia, a estrela de sete pontas em seu braço começou a brilhar discretamente. Colocou as mãos do lado do rosto de Jared, agora com os olhos azuis esverdeados o encarando, enquanto a lua minguante despontava no céu quase escuro.

- Talvez... Se eu fechar os olhos, eu... – Jared disse sem piscar olhando para as íris verdes brilhantes e os lábios quase vermelhos de Jensen. Seus narizes encostando um ao outro, e então decidiu fechar seus olhos, e seu estômago parecia dar voltas. Suas mãos começaram a tremer em expectativa.

E Jared dessa vez pode sentir de verdade em apenas um beijo, todos aqueles sentimentos que surgiram a pouco tempo esmagando seu peito. E satisfeito consigo mesmo, por desligar sua mente e por fim dar ouvidos ao seu coração teimoso, que o traía batendo rápido demais quando encarava em diversos momentos um sorriso aberto de Jensen.

A mão branca do loiro subiu até o pescoço coberto pelos fios castanhos do cabelo de Jared, permanecendo lá, e com as pontas dos dedos acariciou devagar sentindo a sua maciez. Sentiu o braço forte de seu Amo rodear sua cintura encaixando-se ali enquanto aprofundava o beijo lentamente, sentindo seu peito ficar sem ar, suas línguas se acariciando assim como suas mãos no pescoço e ombro do mais alto. O beijo foi longo, mas nenhum dos dois sequer pensou em quanto tempo estavam beijando-se com a maior calma possível.

Jared, enquanto aprofundava o beijo podia sentir o perfume de Jensen. Ele achou que naquele momento, nenhum frasco do mais caro perfume existente naquele planeta, tinha aquela essência. Era único e entorpecente. Infelizmente, separam-se buscando ar, mas Jared foi presenteado pelo sorriso enigmático do Gênio.

- Está na hora. – Jensen levantou-se e estendeu a mão para Jared o puxando até que ele o guiou para perto do mar. A maré começava a ficar alta, e a areia fina e branca era coberta pela imensidão azul. O vento ficou mais forte, e os cabelos do mais alto balançaram levemente.

''E agora, para os nossos queridos ouvintes da maior Rádio de São Francisco, Eight days week da Banda Beatles, escutem e se apaixonem!''

Oh, I need your love babe

Ooh eu preciso do seu amor, baby

Guess you know it´s true

Acho que você sabe que é verdade

Hope you need my love babe

Espero que você precise do meu amor, baby

Just like I need you

Assim como eu preciso de você

Jared olhou para Jensen parecendo adivinhar o que se passava pelos olhos curiosos e vivos de magia. Acenou positivamente, virou-se de costas e ficou um pouco agachado ficando na sua altura. Deu uma golfada de ar quando o loiro pulou em suas costas passando os braços em seu ombro buscando apoio, enquanto ele passou os braços por baixo de suas pernas arqueadas encaixando-as em sua cintura.

- Preparado? – Jared perguntou animado sentindo a respiração quente do outro em seu pescoço e mesmo sem ver, sabia que Jensen sorria como criança.

- Sempre.

Hold me, love me

Me abrace, me ame

Hold me, love me

Me abrace, me ame

I ain´t got nothin´but love babe

Eu não tenho nada além de amor, baby

Eight days a week

Oito dias por semana

Padalecki então aumentou o sorriso e correu em uma velocidade considerável pelo peso a mais em direção a água, percorrendo um pouco da praia, enquanto seus chinelos afundavam na areia. A gargalhada de Jensen o fez rir e girar devagar para logo em seguida começar a correr e sentir o vento bater em seu grande casaco. Os braços de Ackles agora estavam abertos para cima, fazendo com que as mangas grandes caíssem folgadamente em seus braços e mais e mais pétalas amarelas saíam de suas mãos até que aos poucos foram saindo daquela paisagem e realidade.

Estavam voltando para Dublin.

Mas antes de fechar os olhos, e começar a sentir a tontura e o formigamento em seu corpo pela "viagem" ouviu a voz rouca do outro em seu ouvido.

- Obrigado.

As covinhas apareceram e depois de longos minutos e cambaleante pelo cansaço, Jared se viu no quarto de hotel onde ele e Jensen estavam hospedados. Com as roupas de antes e a aparência também. Tocou em seu pescoço e percebeu que seus cabelos voltaram ao tamanho normal também. Sem conter, deu um suspiro aliviado ao ter um pensamento um tanto constrangedor e Jensen percebeu.

- O que foi?

Padalecki deu um pequeno sorriso sentindo toda a adrenalina de segundos atrás se esvair dando lugar ao cansaço em seu corpo.

- Seria muito estranho aparecermos em qualquer rua da Irlanda vestidos daquele jeito.

Jared foi em direção ao criado mudo e viu que tinha novos roupões e toalhas. Provavelmente a camareira deve ter deixado enquanto ficaram fora o dia todo. Olhou para trás e ficou admirando por alguns segundos, Jensen sentado na cadeira estofada perto da janela coçando os olhos com as costas das mãos em um gesto infantil e bocejando.

- Tome um banho e depois descanse. Vou pedir algo para comermos... Partiremos logo de manhã, certo?

Jensen ainda com os olhos verdes sonolentos permaneceu em silêncio encarando o céu escuro.

Resolveu se aproximar e então sentou-se rapidamente a sua frente, conseguindo a atenção do loiro que deu um sorriso pequeno, mas não parecia triste e sim, pensativo.

- Foi muito bom não foi? Achei muito divertido... Queria poder ter conhecido você lá, acho que talvez você seria menos cético com algumas coisas, mas, não que eu esteja julgando ou apontando defeitos, é só que lá, naquele tempo, os humanos pareciam tão despreocupados e livres, diferentes dos humanos de hoje.

- Sim... Bom, não concordo com a parte de ter sido melhor me conhecer naquele ano... Meus pais provavelmente devem ter se conhecido por volta daquela época, ou um pouco depois. E afinal, eu não fiquei nada bonito naquelas roupas e o meu cabelo estava horrível!

O sorriso do Gênio aumentou antes de dar mais um bocejo. Este se levantou, pegou um dos roupões de cor azul escuro e deu um forte e confortante abraço em Jared o pegando de surpresa, antes de ir em direção ao banheiro, fechando a porta em seguida.

Depois que o outro sumira de suas vistas, Jared por fim, fechou os olhos se recostando na cadeira e suspirou. Ainda podia sentir seu coração bater furiosamente dentro do peito, seus joelhos tremerem e sua boca secar. Fora tudo tão intenso... A viagem, as pessoas, aquela alegria toda e a simpatia que ofereciam sem nada em troca, interesse ou ganância. Ele sabia da frase muito conhecida por filmes açucarados de romances de Hollywood que "O dinheiro não pode comprar o amor de quem se gosta." E ele tinha que concordar que presenciar por três horas, jovens e adultos se amando, rindo e serem felizes, por algo não relacionado a dinheiro, a frase possuía sentido.

E fora bom, ainda mais por que o responsável por toda aquela felicidade que havia sentido em São Francisco estava no banheiro ao lado, imerso na banheira transbordando espuma.

E por fim, o beijo... Jared poderia ter se afastado completamente enojado. Poderia ter xingado Jensen de vários nomes horríveis, poderia até ter tentado parar com o rumo que aquilo estava tomando, mas ele percebeu que talvez tenha cedido há muito tempo, e se rendido aquele par de olhos verdes sem contestar. Ele não sabia se tinha começado na primeira vez que o viu na penumbra escura de seu quarto, no dia do seu aniversário, ou no passeio de balão. Também poderia ter sido depois de ver o brilho exuberante dos olhos de Jensen após o beijo que trocaram na praia de Santa cruz.

Ou até quando olhara para aquela lâmpada mágica prateada tão escondida em uma das inúmeras prateleiras do museu nacional de Nova Jersey, ele não sabia.

Ele só sabia que estava em uma estrada onde não tinha curvas para tentar fugir de todos os sentimentos que o convidavam a mergulhar de cabeça, dando fim as dúvidas, e talvez até aos medos e preconceitos existentes em cada lugar do mundo. Ele não era ingênuo, havia perdido sua inocência há muito tempo, e da forma mais terrível que poderia ter imaginado, e sabia que o preconceito e as expressões retorcidas de nojo continuariam por muito tempo, vagando nos rostos das pessoas... Mas era libertador sentir que ele não estava mais se importando com as opiniões alheias. Finalmente, Jared estava dando atenção para suas emoções. E não somente para os atos metodicamente calculados e projetados.

Sua rotina era ir para a clínica. Talvez, ir para algum bar, beber até sentir sua vista turvar um pouco, sair com alguma mulher que tenha interesse de diversão pelo resto da noite e voltar para a casa, deixando claro que pela manhã, não queria ninguém do lado oposto de sua cama. E assim, começaria tudo de novo, e de novo, e de novo...

Abriu os olhos e por um momento pensou em seus pais. Ele fez o que eles planejaram para ele. Tornou-se um grande profissional, um médico bem sucedido financeiramente. Só faltava uma bela moça, duas crianças, uma casa com cerca branca e um cachorro. Talvez, no futuro, ele procuraria por isso, por que tinha que ser assim não? Gerald e Sharon Padalecki diziam que o sucesso da família, seria continuado por ele! Não poderia ter imaginado nada diferente do que fora "escrito".

E então, um gênio da lâmpada aparece. Mas, sem as roupas que Aladim usava no desenho... Não, não. E a magia dele era capaz de ser sentida por apenas um olhar, por um sorriso pequeno, ou até em sua seriedade assustadora. Para qualquer outra pessoa que observasse, Jensen seria apenas mais uma pessoa. Normal, dentro dos padrões de um cidadão pacato. Jared deu uma pequena risada divertida ao pensar em quão normal ele era...

Respirou fundo pensando que há três dias ele pensava em agir e viver como o que fora planejado. Hoje, ele queria viver de verdade. Se sentir humano, ou estranhamente ser o humano Padalescki que o seu Gênio maluco admirava tanto.

~OoO~

Os Arcos Espanhóis são uns dos últimos vestígios das muralhas que antigamente circundavam Galway, na Irlanda. Atualmente o grande arco avolumado feito de pedras passava por um litoral de gramado que serve de paisagem e ponto de encontro para jovens, amigos e outros programas.

- Então deixa ver se eu entendi. – Jensen tomou uma pose sábia apoiando o queixo na mão, e os braços cruzados. – Essa bugiganga... Ela tem um botão onde tira papeis iguais a um pergaminho de onde sai as pessoas imprensadas nela? Essa bugiganga é confiável? Amigável?

Jared riu baixinho, balançando a cabeça enquanto via discretamente as fotos na máquina fotográfica, as fotos que tinha capturado de Jensen no dia anterior, antes de irem para São Francisco.

- Mais ou menos isso, mas percebi que você gostou da palavra bugiganga.

- Hm, sabe como é... – O loiro levantou um pouco o queixo com um sorriso quase triunfante. – Eu aprendi naquela sua caixa das anteninhas. Tele... Tele, Hm...

- A televisão.

- É! – Jensen virou-se de costas andando até a parede de pedra do arco que estava sobre eles, e colocou a mão para sentir as formas. Coincidentemente a sua tatuagem começou a brilhar discretamente. – Onde o Fernando ficou preso. Espero que ele seja feliz lá...

Prazer, Jensen Ackles, sábio Gênio da Lâmpada.

Jared não conseguia conter o sorriso e aproveitou que o outro estava distraído e posicionou a câmera, tirando fotos dele de olhos fechados, com as mãos tocando as paredes, os lábios entreabertos em apreciação. A bermuda jeans escura ia até os joelhos, a camisa de gola V preta ajustada perfeitamente, e os inseparáveis All Stars. Jared, diferente do loiro, vestia uma calça jeans escura e uma camisa xadrez marrom.

- Que tal uma última cerveja em Porterhouse? – Jared perguntou enquanto Jensen colocava os óculos escuros de forma devagar até demais, e tinha um sorriso malicioso nos lábios carnudos. Inclinou a cabeça para o lado levemente como se fosse fazer uma proposta irrecusável para quem quer que fosse.

- Bond... James. Bond. – O loiro levantou o dedo polegar da mão em um gesto afirmativo. – Duvido que saiba qual seja este filme. E então? Como eu me saí?

Definitivamente, Jensen parecia ser um excelente aluno se tratando de filmes e novelas.

- Brilhante. – Jared revirou os olhos, o puxando pelo braço, caminhando pelo gramado e juntos observaram o sol tocar o mar de Galway.

- É Blond não é? Eu sabia que tinha algo errado.

E a cena que antes Jared havia visto com admiração discreta, naquela mesma mesa, quando chegaram em Dublin, e vieram a Porterhouse pela primeira vez, agora quando olhava para o homem ao seu lado, que bebia avidamente a cerveja na enorme caneca de vidro, não disfarçava mais o olhar e nem procurava se afastar. Já era algum progresso, pensou enquanto sorria ao olhar o bigode de espuma no rosto do Gênio.

- Eu já disse que essa bebida é maravilhosa? – A voz de Jensen estava arrastada e alegre. Resultado das outras duas canecas cheias de cerveja que agora estavam vazias.

Jared tentou não ficar preocupado, por que afinal, o outro não parecia ficar afetado com a bebida e parecia levemente sóbrio. Jensen bebia a cerveja como se fosse água, mas por mais que ainda estivesse vendo tudo em seu devido lugar e não de forma dobrada, ele estava mais tagarela, sinal de que o álcool estava fazendo efeito.

- Sim, já disse e por acaso essa é décima vez que você comenta. Está se sentindo bem? Não pode beber cerveja como se fosse água Jensen, é uma bebida alcoólica. E temos apenas uma hora para nos arrumarmos e voltarmos para Nova Jersey.

Jared viu o outro bufar acenando a mão com descaso como se ele estivesse falando a maior besteira do mundo. Pegou a caneca novamente e a virou. O movimento da garganta do loiro hipnotizava seu Amo sem que percebesse.

- Eu acho que... – Jensen começou a rir dando tapinhas na mesa de vidro circular. Suas bochechas e lábios estavam vermelhos. – Acho que... Preciso só de mais uma, e você também. Vamos chamar aquela mulher com o nome engraçado, você lembra? É a Caaaarlie!

- Jensen quer parar com isso, todo mundo está olhando pra você sabia? – Jared sibilou perto de seu ouvido.

O outro olhou e bufou mais uma vez, rindo da expressão sem graça de um homem de quase dois metros de altura ao seu lado. Seu Amo era tão adorável e rabugento...

- Humano Padaleski, por que você não relaxa? – Antes que o moreno falasse alguma coisa, Ackles continuou. – Vamos contar até duzentos e quarenta e sete de trás pra frente ok? Duzentos e...

- Jensen para! – Jared segurou seu rosto entre as mãos o olhando seriamente. – Pare, você precisa de um café. E não de mais uma caneca de cerveja... Por deus!

O Gênio o olhou com as íris verdes brilhando e o sorriso antes bobo se tornou uma risada.

- Duzentos e quarenta e seis...

Jared revirou os olhos tirando algumas notas da carteira colocando na mesa e se levantou puxando o loiro pelo braço que se desequilibrou brevemente, antes de voltar seus olhos verdes a caneca que ainda tinha a bebida gelada pela metade. O outro pareceu perceber o que ele estava prestes a fazer e apertou um pouco sua mão envolta de seu ombro.

- Nem ouse fazer isso.

Saíram do lugar às pressas, mas antes de passarem pela porta Jensen gritou com a voz embolada um "Tchau Caaaarlie!"

Uma hora e dezesseis minutos depois, Jared e o Gênio estavam pisando na sala de estar da casa de Padalecki em Nova Jersey.

Uma hora e dezoito minutos depois, Jensen correu apressado subindo as escadas até o seu quarto provisório e pulou na cama, afundando seu rosto belo nos travesseiros macios, dormindo instantaneamente. Seus pés calçados pelos All stars beiravam na cama confortável enquanto era observado por um Jared risonho.

Uma hora e vinte cinco minutos depois, Jared ainda o observava calmamente, mas certo de um fato.

Uma hora e trinta e dois minutos. E como um raio cortando o céu em uma rapidez na velocidade da luz, Jared se deu conta de que estava apaixonado.

Ainda perdido em pensamentos aleatórios, voltou-se para o quarto ao lado desabotoando sua camisa lentamente, vendo a tarde surgir pela janela grande que ia até o chão assim como as cortinas pesadas. Seus cabelos caiam em seu rosto cabisbaixo e a expressão pensativa, mas serena.

Fechou as cortinas, antes de se jogar em sua cama e cair no sono.

~OoO~

- Segure bem firme, e depois solte.

Jensen estava com o braço erguido, a palma de sua mão aberta e virada para cima, enquanto em cima dela, estava pousada uma maçã vermelha. Ela era alvo de uma flecha de uma lâmina bastante afiada sendo suportada por um arco de madeira, que nas pontas tinha as iniciais "MB" cravadas em letras pequenas.

- Eu não consigo. Acho que talvez eu precise de ajuda...

Jensen, que estava com a expressão séria deixou a mação levitar no ar na mesma posição onde estava, e andou pela grama do alto monte rodeado por uma imensidão verde, por árvores gigantescas, e de todas as formas. Chegando perto de Matthew, posicionou-se atrás de seu corpo que estava sem a habitual capa verde escura, e pousou sua mão direita em cima de seu braço erguido, puxando a flecha de madeira escura. Sua respiração calma batia no pescoço do outro, e um arrepio bom passou pelo corpo dos dois, que estavam quase alinhados de forma perfeita. A voz rouca do outro Gênio contraiu em sua orelha.

- Mire. Respire fundo. Puxe com precisão e solte.

Os olhos azuis miraram com mais concentração na fruta distante por mais de 50 metros. E então antes de dar um impulso, soltou a flecha. Mas, antes que pudesse ver o resultado, foi puxado pela cintura, largando imediatamente o objeto que antes estava em suas mãos.

Soltou um suspiro calmo ao ser beijado por Jensen, assim como este sentiu o nervosismo esvair ao sentir o toque da mão de Bomer subir até seu pescoço fazendo uma carícia firme. Enlaçou mais ainda seus braços em volta do corpo de Matt, enquanto era abraçado pelos seus braços, beijando-se de forma lenta, com a lua cheia no céu escuro brilhando entre as nuvens.

- Perfeito alvo.

Matt olhou para a mão de Jensen, onde viu a maçã vermelha, até minutos atrás intacta, agora com a flecha atravessada, derramando um filete de seu suco. Deu um sorriso feliz antes de juntar seus lábios novamente aos de Ackles que no fundo, sabia que a maçã agora caída na grama, não era o único alvo acertado pelo Gênio de olhos azuis.

O corpo adormecido do gênio deitado na cama começou a levitar devagar, enquanto uma linha prateada saía da estrela de sete pontas em seu braço rodeando Jensen e o deixando em uma temperatura muito alta. Seu corpo apenas não entrou em combustão por causa da magia que começava a se estabilizar novamente.

As pálpebras se abriram lentamente, e o gênio olhou para o teto com os olhos verdes totalmente escuros, sem brilho, perdidos e úmidos. Apesar de aquela visão ter terminado, seus olhos ainda pareciam ver a cena se desenrolar diante deles. Trazendo um aperto imenso em seu peito, roubando seu ar.

Com o poder de volta a seu corpo, parou de levitar, sentando-se na cama e sentiu uma leve vertigem. Decidiu ir ver como seu Amo estava, não queria pensar por hora no que acabara de ver.

Enquanto dava uma generosa garfada na lasanha em seu prato, Jared olhava para o jornal em busca de notícias surpreendentes, ou qualquer uma que não abusasse em tragédias ou gráfico que mostravam o crescimento dos preços dos alimentos no mês. Ou como o consumo dos americanos só vinha crescendo e crescendo.

Passou a mão pelos cabelos, que voltaram para frente de seus olhos, mas não ocultando sua visão. Escutou passos lentos na escada, que aumentavam de proporção no corredor e logo se viu acompanhado por um homem vestido em uma boxer preta, e um modesto roupão cinza escuro amarrado frouxamente. Os olhos verdes estavam sonolentos, mas o encaram diretamente. O cabelo curto estava desgrenhado e mais arrepiado.

Jensen ficava entre a imagem da inocência e sensualidade apenas com um roupão no corpo.

E ainda eram três e quarenta e cinco da tarde.

- Bom... Dia? – A voz rouca do loiro se propagou pela cozinha. O Gênio ainda arrastando os pés, sentou-se na mesa em frente ao dono da casa que deu um pequeno sorriso.

- Boa tarde. Aposto que está com fome, vou buscar um pedaço pra você. – Levantou-se enquanto Jensen olhava ao redor sempre com os olhos curiosos, mas logo caindo no moreno.

Jared voltou com um prato e o cheiro da comida invadindo sem dó os sentidos aguçados do outro que lambeu os lábios em um gesto ansioso. A reação de prazer no rosto dele foi tão grande que realmente Padalecki pensou que as lasanhas congeladas eram a comida favorita do homem a sua frente.

Mas ele percebeu que tinha algo errado... Jensen devia estar tagarelando ou até mesmo com o rosto sorridente, por mais que seu rosto expressasse satisfação, seus olhos estavam brilhando na cor normal, ainda chamativos, mas não de forma tão intensa como quando estava alegre na maior parte do tempo.

Colocou uma caneca cheia de café puro na frente de Jensen que sorriu de forma discreta e deu um gole na bebida quente, fazendo com que os olhos do moreno se distraíssem de volta aos lábios carnudos.

Sim, Jensen tinha uma estranha mania de misturar todos os tipos de comida possível.

Ele respirou fundo sentindo seu peito contrair e novamente. Tentava decifrar o que o outro tinha.

- Tudo bem?

Jensen voltou os olhos para cima e se viu observado atentamente por Jared. Acenou positivamente com a cabeça, antes de dar uma última garfada no queijo derretido e dar mais um suspiro em deleite totalmente saciado. Levantou-se e andou até a bancada onde erguia o braço em direção à cafeteira em busca de mais café, até que o microondas deu um apito indicando que o que quer que estivesse lá dentro, estava devidamente esquentado. Mas como o Gênio estava distraído em pensamentos acabou dando um pulo de susto e recuando um passo para trás.

Jared se levantou prontamente e desligou o aparelho da tomada e deu uma risada ao ver a expressão assustada de Ackles.

- Essa bugiganga está viva! Saia de perto!

- Jensen, está tudo bem é só uma...

- Eu vou protegê-lo! - O loiro ergueu a mão e começou a pronunciar palavras de outra língua que Jared desconhecia, só sabia que o encarava de boca aberta e arregalou os olhos ao ver o microondas dar um grande e barulhento estalo e sair uma discreta fumaça na parte de trás.

- O que você...?

- Pronto! – Os olhos verdes brilhantes estavam de volta. – Puxa, eu pensei por um momento que algo tenebroso pudesse sair daí de dentro. Como você abriga uma bugiganga dessas dentro da sua casa? É perigoso! Acho que preciso de mais café.

Jared olhou do aparelho, agora queimado, para o Gênio que balançava a cabeça em desaprovação. Ignorou o fato de suas pernas bambearam ao chegar mais perto do homem e tocou em seu braço buscando sua atenção, e conseguiu.

- Tem algo que está deixando você aflito? – Diante do silêncio do outro, continuou. – Não quer me contar?

Jensen que olhava para Jared sem entender, pareceu acordar de um transe e ter levado um choque elétrico ao escutar aquelas palavras da boca de seu Amo, dando um passo para trás sem acreditar que aquilo tinha acontecido. Era tão familiar, era confortante, que só outra pessoa, apenas uma além de Jared conseguia o fazia se sentir bem pela expressão atenciosa e levemente preocupada.

Jared o encarava com o cenho franzido, ainda sem entender o que estava acontecendo. Por que primeiro, a postura de Jensen estava diferente. Estava mais sério, cansado e os olhos estavam em uma tonalidade escura, mesmo pelo uso da magia, que tinha um discreto brilho. Ele parecia com medo de alguma coisa, ou até mesmo de... Ficar perto dele. A memória do beijo se propagou em sua cabeça e o fez engolir em seco, nervoso.

- Eu fiz algo a você? – Jared perguntou hesitante, ao ver a expressão surpresa e assustada do outro mudar rapidamente para um olhar preocupado.

- O que? Não! Eu só... Eu tive um... Péssimas horas de sono. Pesadelos. – O loiro ao acabar de falar, arregalou os olhos subitamente com o rosto branco virado para cima e a boca aberta. O Gênio poderia ter caído de cara no chão, se não fosse o homem ao seu lado a segurá-lo em seus braços.

- Por que você não consegue ler a minha mente? Você consegue ler a de todos os outros humanos do vilarejo, e até mesmo de alguns Gênios... – Jensen comentou um pouco ofegante, enquanto se desviava das árvores, com rapidez e habilidade. As esferas douradas tentavam o acertar. Ele servia como um "inimigo" para o seu oponente que chegava a suar ofegante como ele. Os cabelos negros estavam molhados pela chuva que caía e dificultava mais ainda sua visão.

Bomer sabia a resposta para aquela pergunta. Mas não era a hora de dizer a Ackles, não ainda.

- Como você é escorregadio! – Matthew falou para si mesmo, e ao escutar um barulho de pisadas na terra, ao seu lado esquerdo, lançou mais uma esfera de sua mão em direção ao ruído, e soltou um som de desaprovação ao ver que acertara a lasca da madeira de um carvalho, em vez do ombro do Gênio de olhos verdes. – Eu não quero acertar você, por que eu não posso treinar com outra coisa?

O barulho de passos quase o desconcentrou e por bem pouco, não tinha caído na armadilha de Jensen, por que ele queria que pensasse que ele, estivesse a passos a frente dele. Mas na verdade, podia sentir a vibração da magia do bracelete do outro atrás dele. Virou-se mais rápido do que a pretensão do braço de Jensen prestes a revidar, quando a esfera finalmente o acertara o jogando a alguns metros atrás. O corpo de Ackles caiu pesadamente na terra quase negra e lamacenta, enquanto os passos da bota de Matt afundavam, até que seus olhos se encontraram, em divertimento.

Bomer sentou em cima de seu quadril, ambos totalmente ensopados enquanto um trovão ao longe ecoou no céu. O rosto de Jensen era salpicado por pingos fortes da chuva, mas ele estava com os olhos entreabertos contemplando os de Matthew. Este lambeu os lábios antes de beijar os lábios do outro que passou seus braços em volta de seu corpo molhado. Ficaram um bom tempo assim, sem se importar com a chuva, e sem se importar se deviam estar treinando para a próxima missão resignada aos dois.

Jensen fechou a boca colocando a mão sobre seu coração que batia acelerado e parecia querer sair de seu peito. A outra mão se apoiava no ombro forte de Jared que já pensava em pegar as chaves de seu carro e ir para o hospital mais próximo. O rosto do Gênio estava branco como papel e se antes os olhos verdes estavam escuros, as suas pupilas agora eram quase invisíveis enxergadas de longe.

- Jens...

- Eu vou descansar, obrigado pelo café.

E então, observou ainda aturdido o vulto do homem que até então estava em seus braços com os olhos desfocados e com a barra do roupão arrastando no chão, sumindo nas escadas. Seu corpo tremia levemente como se tivesse acabado de sair de uma chuva fria. Antes de tentar por as ideias em seu devido lugar, a campainha tocou e se viu andando até a porta, forçando um sorriso ao ver Ben com um sorriso grande diferente do seu.

- Wow, está certo que você está de férias, mas demonstre alegria! – O homem mais baixo que Jared passou pela porta e se abraçaram rapidamente. Jared estava feliz em ver o amigo, só que infelizmente ele não estava muito bem para qualquer tipo de conversa que não fosse sobre o Gênio da lâmpada no andar de cima.

- Desculpe, estou um pouco indisposto. Tudo bem com você? E Traci? – Jared fechou a porta e arqueou a sobrancelha ao ver uma sacola de papelão nas mãos do outro veterinário. – Isso é pra mim?

- Indisposto, mas cheio de perguntas. – Jared revirou os olhos, mas sorriu. – Estou bem, acabei de vir da casa de James, jantar em família, sabe como é, conhecer os futuros "sogrões".

- Depois de cinco anos, adiando esse momento, e pela sua reação, parece que tudo correu bem. Fico feliz, por vocês dois Ben. De verdade.

Benjamin sorriu dando de ombros.

– Já estava na hora de vestir a camisa "Estou bobamente apaixonado pelo seu filho, mas apavorado de estar falando isso na frente de vocês". Frase grande, eu sei, mas é como eu me senti.

Jared riu.

- Bem, Traci está bem e com saudades também. Quer marcar uma saída na boate com o novo namorado. E adivinhe? Piercings e tatuagens. Acho que com esse, ela se casaria. – Ben entregou a sacola, e viu Jared sorrir pegando a garrafa de vinho branco nas mãos. – James mandou para você e pediu desculpas pelo presente atrasado.

- Tudo bem, está desculpado. – Brincou.

Depois de papearem e com o tempo cronometrado, já que Benjamin voltaria para a clínica onde ele e Jared trabalhavam diariamente, o amigo do moreno viu que Padalecki estava com um brilho estranho no olhar. Podia ser a euforia da conversa, ou as férias estavam fazendo bem a ele.

Ou... Ele preferia acreditar que seu amigo estava apaixonado. Mas por alguém realmente bom, que o amasse do jeito que ele merecia, e que o fizesse feliz. Ele sabia que Jared, mais do que qualquer outra pessoa que conhecia, merecia ter a felicidade ao seu lado, e ter alguém que fizesse as lembranças de uma parte de sua adolescência serem curadas.

- Está gostando de alguém, grandão? – Perguntou cautelosamente. Jared até tentou disfarçar por impulso, mas seus olhos o traíram sem hesitar.

- Ben... Você sabe que eu deixei de me importar com isso desde aquela noite.

- Não, você ainda se importa. Sei que está quebrado, e sei que não merecia passar pelo que passou quando mais novo, mas a vida continua cara. – Benjamin olhou para o outro que ainda encarava o chão, o cabelo caindo em seu rosto. A expressão impassível. Os ombros tensos. – Você tem que começar a sorrir para felicidade, Jared. Se não quer contar, tudo bem.

- Mesmo? – Jared levantou o olhar quase ingenuamente acreditando nas ultimas palavras.

- Não, você sabe que eu vou te perturbar até me dizer. – Ben deu um sorriso largo quebrando a tensão e logo se despedindo do outro. – Nos vemos na próxima semana, e curta o resto dos dias vagos... – Ben olhou de relance para algum ponto atrás de Jared, dentro da casa. - Com aquela pessoa que parece ter um bom par de pernas... Tchau garotão!

A expressão no rosto de Jared era de confusão, mas deu de ombros e fechou a porta. Quando virou-se, seu coração deu um pulo, quando viu em um canto da sala, a sombra perfeita do corpo de Jensen, e seus olhos estavam verdes cristalinos outra vez. A expressão dele parecia serena, até que sua voz denunciou totalmente o contrário, saindo em um tom baixo e sombrio.

- Quem quebrou você Jared?

Padalecki não entendeu, até que sua postura se contraiu ao se ver imerso nas lembranças dolorosas de dez anos atrás.

Continua...


Eight days a week - The Beatles.

Oi Leitores!

Tudo bom com vocês? Enfim, como eu falei, capitulo 8 seria postado no fim de abril. E aqui estou rs! Obrigada pela paciência e o carinho de vocês, é muito legal. Espero que tenham gostado deste capitulo, que demorou a vir, mas veio Rsrs.

Não sei quando eu postarei o próximo, mas tentarei ser o mais breve que eu puder.

Beijos a vocês, e a beta.