Handshake
Autor: Flamingo in Chaos
Rated: T
Sinopse: Bella se forma na faculdade e lá está Edward, observando-a da plateia, feliz por estar presenciando este momento tão especial.
Crepúsculo pertence à Stephenie Meyer
N/A: Estava afim de escrever algo dramático e esta ideia me veio à mente rapidamente. Nesta história, Bella nunca pulou do penhasco em Lua Nova, mas também não ficou com Jacob, escolhendo estudar fora e seguir com sua vida.
"Eu menti, e isso não foi pelo meu orgulho.
Eu sei que esta foi a minha vez. (...)
Feche os olhos, então você verá que eu estou lá."
- Handshake, Two Door Cinema Club.
Edward
Seus cabelos estão mais longos, caindo em suas costas como uma cascata de chocolate. Seu rosto ainda é belo, suas maçãs do rosto mais proeminentes, lhe dando um semblante mais maduro e elegante. Ela anda suave e graciosamente pelo palco em direção ao reitor, sua mão se fecha no diploma e várias pessoas gritam seu nome.
Ela é popular e bastante querida por muitos. Sou bombardeado com dezenas de pensamentos a respeito dela. Como ela é uma boa amiga e uma excelente monitora, sempre ajudando os calouros e dando conselhos valiosos. Diversas lembranças dela organizando eventos no campus e saraus de poesia.
Isabella Swan pega seu diploma e o ergue, dando um grito de alegria. "Isso!" A plateia grita novamente. Charlie e Renée não estão muito longe de mim, ambos com sorrisos largos, claramente felizes e animados com a nova conquista da filha. Suas bochechas estão coradas como sempre, esta Bella mais madura superou sua timidez.
Seus lindos olhos marrons e profundos avaliam a plateia sem medo, passando pelos seus amigos animados, seus pais orgulhosos e, por um terrível momento, por mim. Sei que ela me viu. A proximidade com as pessoas ao meu redor, me impede de sair correndo, Bella parece surpresa com minha presença. É a primeira vez que ela me vê desde seu fatídico aniversário de dezoito anos.
É claro que eu a vi muitas vezes.
Sua formatura no colegial.
Sua mudança para Londres.
Seu primeiro dia de aula.
E agora sua formatura na faculdade.
Uma parte de mim, está satisfeita que ela tenha me visto. Mesmo prometendo que jamais iria interferir em sua vida novamente, sempre me mantive vigilante, cuidando de sua segurança, para que ela aproveitasse o máximo de sua vida sem arrependimentos e sem um demônio empurrando-a em direção ao perigo.
Bella me surpreende, oferecendo um sorriso e um aceno animado. Estou chocado demais para fazer expressar qualquer tipo de reação. Ela desce do palco e se junta novamente aos demais formandos. O reitor continua chamando e entregando os diplomas, coloco a mão no bolso, pronto para fingir que meu celular está tocando e me retirar, quando meu celular realmente começa a tocar.
Alice.
Saio do prédio, feliz pelo clima sempre fechado de Londres e sento na beira da fonte localizada no centro do pátio.
"Ela está linda, não é mesmo?"
"Ela sempre foi." Conseguia imaginar Alice revirando os olhos para mim.
"Vocês vão se encontrar no aeroporto, pode tentar não fugir dela?" Alice estava tentando manter a voz relaxada, mas consegui notar uma leve tensão por trás.
"Sabe que não devemos interferir na vida dela."
"O problema é que este encontro é importante, não importa pra onde você vá, este encontro em Londres tem que acontecer." Ela frisou a palavra.
"E porque o aeroporto é o melhor local?"
"Ela vai deixar os pais e vai estar frio demais para andar até em casa, vai ser a oportunidade perfeita." Suspirei, passar algum tempo com Bella era o que eu mais queria. Mesmo depois de todos esses anos, ainda estou perdidamente apaixonado por ela, me arrependi de tê-la deixado assim que comecei a correr pela floresta naquele dia infeliz, mas fiz uma promessa e pretendo cumpri-la.
"Sei que você está se afogando em autopiedade novamente, apenas me escute e decida por si mesmo: o futuro de Bella está sem foco, o que significa que ela só pode seguir em frente e superar esta indecisão depois dessa conversa de vocês dois. É isso que você quer, certo? Que ela siga em frente e seja feliz." Ela estava praticamente gritando agora, derramando sua mágoa.
Alice e Bella foram feitas para serem grandes amigas, quase irmãs, meu afastamento a forçou a se separar de Bella também. Sei que ela fez isto apenas porque pedi e sempre fui grato por isso, por respeitar meus desejos e deixar Bella prosseguir com sua vida, livre de qualquer vampiro.
"Tudo bem, eu deixarei este encontro acontecer." Não esperei que ela respondesse e apenas encerrei a chamada.
Podia escutar o discurso do reitor chegando ao fim. Saí correndo antes que a porta do auditório abrisse e os diversos alunos e pais saíssem e inundassem o pátio com suas conversas animadas.
Bella
Observei meus pais embarcarem com um pesar no coração, Charlie havia perguntado novamente se eu tinha planos de retornar para Washington em breve e, ao mesmo tempo, mamãe começou seu discurso a respeito do incrível programa de pós-graduação das faculdades da Califórnia. Ambos ficaram mais do que decepcionados enquanto contava a respeito do meu novo estágio e sobre a bolsa de estudos que estaria recebendo a partir do próximo mês.
Sabia que suas intenções eram as melhores e que sendo filha única, eles me queriam por perto, mas simplesmente não consigo ficar nos Estados Unidos. Cada segundo em Forks é um pesadelo, um lugar cheio de lembranças dolorosas e incômodas. A Inglaterra é um lugar neutro, mas igualmente frio, fazendo eu me sentir em casa.
Pelo menos era um lugar neutro. Pensei amargamente, me lembrando do olhar intenso de Edward dois dias atrás. Estava me sentindo observada desde o instante em que entrei no palco e, depois de vários minutos analisando cada rosto em meio à multidão, eu o vi. Não fiquei surpresa com sua aparência inalterada, apenas com sua presença. De todos os lugares do mundo, não esperava vê-lo aqui.
Talvez sua família esteja vivendo aqui. Balancei a cabeça. Não, isso não explica sua presença durante a minha cerimônia de formatura. Ajeitei meu cachecol, protegendo meus lábios do frio cortante enquanto saía do aeroporto, haviam vários táxis, mas todos estavam ocupados demais ajudando os recém-chegados à cidade.
Comecei a cogitar andar até a estação de ônibus mais próxima, quando notei uma figura conhecida no carro à minha frente.
"Precisa de uma carona?" Edward estava casualmente apoiado em uma BMW preta, segurando a porta aberta para mim. Dei de ombros e entrei no carro sem questionar, o observo andar a um ritmo humano até o lado do motorista, meus olhos captam os detalhes que denunciam sua verdadeira natureza.
O andar firme e rápido no chão gelado e escorregadio, além das roupas que não são quentes o suficiente para esta cidade. "Eu até diria meu endereço, mas tenho certeza que você já sabe." Comento e ele apenas ri sem jeito. O trânsito não permite que ele dirija rápido, sua frustração me faz rir internamente. Tento esconder meu sorriso, mas tenho certeza de que ele o viu.
Permanecemos em um silêncio desconfortável. Nada me vem à mente: nenhuma piada ou comentário sobre o clima ou sobre o trânsito. Sinto que se comentar qualquer coisa, irei explodir com ele. Felizmente, meu apartamento não fica longe do aeroporto. Logo estamos andando lado a lado, o silêncio constrangedor ainda entre nós.
Algumas meninas passam por nós enquanto subimos as escadas, ambas ficam caladas e coradas enquanto analisam Edward. Reprimo a vontade de revirar os olhos. É apenas um rosto bonito, meninas.
"Eu moro aqui." Abro a porta para ele entrar. Meu apartamento está uma bagunça. Livros empilhados, post-its coloridos grudados aleatoriamente nas paredes e nos móveis.
"Você tem muitas plantas." Ele comenta enquanto eu fecho a porta. Depois de tanto tempo morando em Forks, verde se tornou uma das minhas cores favoritas e eu sentia muita falta do verde de Forks.
"Se tornou um hobbie cuidar delas. Sente-se." Puxo a cadeira da minha pequena mesa de jantar, ela fica bem de frente para a grande janela.
Tiro as minhas botas, cachecol, luvas e casaco e vou direto pra cozinha. Não tem nada que eu possa oferecer para um vampiro, então apenas pego uma garrafa de vinho para mim.
Ele levanta uma sobrancelha quando nota a garrafa e a taça em minhas mãos. "Um hábito adquirido da minha antiga colega de quarto. Ela não mora mais aqui, prefere ficar com o namorado." Explico. Me sento a sua frente e me sirvo. Tomo um gole, dois goles, três goles.
O silêncio constrangedor parecia pior aqui dentro. Lá vamos nós...
"Eu sei que você mentiu."
"Como...?" É, talvez essa não tenha sido a melhor abordagem. Respiro fundo.
"Logo depois que vocês foram embora, Laurent e Victoria começaram a me rondar. Victoria queria vingança e, em sua cabeça, fazia sentido me matar, já que você matou o parceiro dela. É claro que ela logo percebeu que você tinha partido."
A angústia daqueles dias ainda é bastante fresca em minha mente, o medo constante de que algo acontecesse com Charlie por minha causa. Eu jamais teria me perdoado se algo tivesse acontecido.
"Alice nunca viu nada disso." Sua mandíbula estava apertada e as mão fechadas em punhos fechados. Ora ora, ele está furioso.
"Imaginei que não. Tivemos um confronto, ela percebeu a quão quebrada eu estava com sua partida e chegou à conclusão de que eu já estava sendo castigada o suficiente, assim como você, ficando longe de mim. E foi assim que eu soube."
Edward engoliu em seco, seus olhos nunca deixando os meus. Balancei o vinho, deixando o aroma suave chegar ao meu nariz, tomei outro pequeno gole.
"Durante todos esses anos, vivi minha vida plenamente, sempre aproveitando cada dia como se fosse o último, do jeito que você queria, mas ainda estamos entrelaçados e precisamos tomar uma decisão a respeito disso." De repente, parecia que meu olhar era intenso demais para ele manter, seus dedos traçavam com cuidado o bordado da toalha de mesa. "Você nunca acreditou no meu amor."
Ele bufou.
"Bella, essa afirmação é ridícula. A veracidade do seu amor nunca foi algo questionável."
"Então porque você foi embora? Se me dissesse o que estava planejando, teria ficado magoada, mas ainda teria entendido. Você me deixou pra trás, agindo como um mártir e me abandonando no escuro. Aquela sua promessa jamais poderá ser cumprida."
Fiquei surpresa que minha voz ainda soasse calma, minha pulsação soava cada vez mais alta em meus tímpanos, meu coração certamente entraria em colapso a qualquer momento.
Edward pareceu confuso.
"Tudo será como se eu nunca tivesse existido. Essa promessa esteve fadada ao fracasso no instante em que eu continuei viva pra contar a nossa história. Seus atos egoístas destruíram meu primeiro amor e não sei se irei conseguir perdoá-lo por isso." Deixei a mesa, pegando a garrafa vazia e abrindo a geladeira para pegar outra, podia sentir seu olhar sob mim novamente, enquanto abria a garrafa de vinho tinto e enchia meu copo.
"Planeja ficar bêbada?"
"Minha resistência ao álcool é alta e, além disso, preciso de coragem para terminar essa conversa." Confessei enquanto sentada à mesa novamente. "Não vou descontar minha raiva em você, mas preciso seguir em frente e só você pode me ajudar com isso."
"Jamais negaria algo assim a você."
"Bom saber. Eu preciso encerrar isso." Tranquei meu olhar no seu, ainda é incrivelmente belo, mesmo com o semblante preocupado. "Daqui a três dias, farei uma viagem a Paris, em comemoração à minha formatura. Alice provavelmente já sabe todos os detalhes do meu voo. Me encontre lá se quiser tentar novamente."
"Bella..."
"Se não quiser..." Tomei um longo gole, esvaziando a minha taça. "Não apareça e, é claro, se mantenha distante, de alguma forma, consigo sentir presença. Alguma pergunta?"
"Você ainda me ama?"
Ele se inclina um pouco, esperando minha resposta.
"Sim." Olho para a garrafa de vinho e estou prestes a pegá-la, quando Edward a pega.
"Você disse que sua resistência é alta, mas não sei se devo deixá-la continuar." Edward Cullen, você é um cavalheiro.
"Eu não tenho mais nada a dizer." Comento, depois de alguns minutos. Ele se levanta, meu coração dá um pulo. Me levanto em um salto. "Não estou te expulsando!"
"Estou apenas levando a garrafa de volta para a cozinha." Ele responde calmamente com um pequeno sorriso. Mortificada, minhas bochechas vão esquentando enquanto volto para meu lugar em silêncio.
Ponho meus pés na cadeira e abraço as minhas pernas, por algum motivo, me sinto extremamente triste com esta situação. Conhecendo Edward, já sei qual será sua escolha. Ele não é egoísta, jamais irá me escolher, não quando a outra opção envolve uma vida longa e humana.
"Bella?" Olho para cima e ele está ao meu lado com um copo d'água, ele deixa o copo na mesa e se abaixa. "Aconteceu algo? Porque está chorando?" Seus dedos frios limpam as lágrimas que eu nem percebi que tinha derramado.
"Não é nada, Edward." Senti a dor fantasma do antigo buraco em meu peito. Saber que ele ainda me amava ajudou a fechar o buraco e a viver meus dias plenamente, mas esse conhecimento também era a fonte da minha raiva e tristeza. "Apenas vá embora, por favor."
"Você acredita mesmo que irei lhe deixar desse jeito?"
"Nada que você já não tenha feito antes." Minhas palavras pingavam veneno. Ele recuou como se eu tivesse lhe dado uma tapa.
"Bella... Eu..."
"Não me peça desculpas. Quero que me diga que está satisfeito com tudo isso, que todos esses anos não foram perdidos e que..." Respiro fundo, tentando engolir o enorme caroço que está se formando. As lágrimas estão fluindo livremente. Desvio meu olhar, sem saber o que fazer.
Ele se levanta e me puxa junto, me abraçando com força. Lembranças de nossos meses de namoro, nós dois juntos se abraçando na minha cama e no sofá de Charlie conversando e traçando planos... Todas essas memórias me atingem com força e não consigo mais evitar o choro. Um soluço me escapa, minhas lágrimas estão molhando sua camisa, mas seus braços continuam ao meu redor protetoramente.
Ele espera meu choro acabar pra poder falar. "Eu queria que você fosse feliz."
"Eu pareço feliz pra você?" Pergunto enquanto dou um passo para trás, permitindo que ele me visse melhor. "Você é tão egoísta." Bato em seu peito, mesmo sabendo que terei alguns hematomas em minhas mãos.
Edward segura meus pulsos quando meus golpes ficam mais fortes. "Você vai acabar se machucando."
"Eu não me importo!"
"Bella..." Seus braços estão ao meu redor novamente, só que desta vez estão me contendo.
"Apenas vá embora, por favor."
De repente, me sinto extremamente cansada. A presença dele no meu pequeno apartamento é demais para mim. Ele me solta.
"Tudo o que você quiser, Bella."
N/A: Esta fanfic terá apenas quatro capítulos e, eles serão bem curtos, nunca ultrapassando 3 mil palavras. Espero que tenham gostado.
