Beta: Claudia Ackles.
Gordon andava de um lado para o outro, sem deixar a expressão séria e furiosa em seu rosto desaparecer.
Muitos Gênios já sabiam e estavam acostumados com o constante humor fechado deste. Não que Samantha fosse um pouco mais tolerante, alguns já tiveram chance de vê-la sorrir, mesmo que o sorriso não chegasse a ser totalmente sincero ou aberto.
O homem pegou uma adaga de seu cinto, e afastou a manga de sua capa mostrando seu pulso. Rasgou-lhe em uma cicatriz pequena e um pouco profunda, jorrando um filete de sangue na água que antes cristalina, agora, de tom escuro quase negro. Sussurrou algumas palavras e então depois de alguns minutos, a água voltara a sua cor normal.
Gordon com um sorriso presunçoso olhou para os lados antes de pronunciar as últimas palavras.
-Hide an tairseach chailfidh anois le haghaidh mo chuid forla…
Seus passos foram ecoados até sumirem completamente.
Alona saiu de trás de uma pilastra de madeira, tentando causar o menor barulho possível. O vestido azul arrastava no chão de pedras das masmorras, enquanto seus olhos claros procuravam o portal por onde Gordon tinha passado. As pedras feitas de cristais estavam em sua aparência normal, ou seja, o guardião havia fechado o recipiente onde havia derramado seu sangue.
E o que a mais preocupava não era pelo o fato de Gordon usar uma magia que desconhecia totalmente e ter uma energia inebriante e fria, mas sim, sentir um aperto no peito ao ter escutado um nome entre as palavras sussurradas.
Ackles.
~oOo~
Jared abriu a porta tentando equilibrar as sacolas em seus braços enquanto fechava-a com o pé.
E mais uma vez, as luzes estavam todas apagadas. A noite escura lá fora dava uma aparência fantasmagórica a sua casa, com apenas a luz da lua entrando pela grande janela do corredor.
Ao se dirigir a cozinha, colocou com cuidado as compras em cima do balcão, armazenando os alimentos na geladeira, e alguns outros nos armários. Buscou a chaleira, ligando o fogão e logo a água fervia silenciosamente. Até então, tudo perfeitamente calmo, até Jared escutar, bem baixinho uma melodia no andar de cima da casa.
Tirou seu casaco e o pendurou atrás da porta da sala. Deu mais uma olhada ao redor da cozinha e satisfeito, subiu as escadas sendo movido pelo som que agora, pela distancia percorrida, estava consideravelmente mais audível. Parou em frente à porta branca de madeira e com a mão na maçaneta dourada, abriu a porta devagar e com a visão privilegiada a sua frente, não pode deixar de sorrir, mesmo que não quisesse.
O quarto de hóspedes também estaria totalmente escuro, se não fosse pela lua cheia no céu de Nova Jersey. Mas, Jared achava que apenas naqueles segundos observando Jensen vestindo o mesmo roupão cinzento, no qual estava usando desde o inicio da tarde, rodeando o quarto com passos lentos, com um fio largo no pescoço e em volta dos braços, contendo várias luzinhas brancas, que ele mesmo tinha guardado desde o natal, a lua perdia um pouco de seu encanto perto do Gênio.
Jared pode reconhecer a música. Era Gone away from me, que ele mesmo tinha gravado em fitas até então antigas. E sorriu mais ainda, pelo fato de Jensen ter achado o tocador de fitas que tinha guardado, como lembrança de sua mãe.
O loiro ainda não tinha percebido sua presença, por isso, seus passos lentos enquanto girava, de olhos fechados, o levaram em direção ao humano que o observava, encantado.
Jensen sentiu mãos em seus braços e sorriu surpreso ao ver Jared a sua frente, o proporcionando aquele sorriso tão raro em seus lábios. As luzinhas brincavam com a pele desnuda do loiro, e Jared realmente não se importou em rodear a cintura deste, e se aproximar mais ainda o envolvendo em uma dança lenta pelo quarto.
O sorriso do Gênio sumiu e seu rosto possuiu uma expressão quase de êxtase. Rodeou seus braços ao redor do braço de Jared, o envolvendo com o pisca-pisca fraco, fazendo o moreno rir baixinho.
Yesterday is gone
O ontem passou
Yesterday is dead
O ontem está morto
Get it through your head and walk away
Entenda isso e vá embora
Ain't no use hanging on to her memory
Não adianta se prender a lembrança dela
It only causes you pain
Isso só te causa dor
Jensen e Jared estavam tão distraídos tentando descobrir como tudo aquilo começou e nas íris um do outro, tão compenetrados naquele momento, que nem sequer escutaram o barulho da chaleira avisando que a água estava mais do que fervida.
De repente, Jared apertou mais a cintura de Jensen, e este arqueou uma sobrancelha em confusão, até que riu ao ser rodopiado sem deixar o contato do abraço com o moreno que também riu apenas por escutar o som de sua risada se confundir com a música.
For a while I sat there staring at her photograph
Por um tempo eu sentei lá olhando a foto dela
For a while I cried and tried not to make a scene
Por um tempo eu chorei tentando não fazer uma cena
There was a time when we were young
Houve um tempo em que éramos jovens
I used to make her laugh
Eu costumava fazer ela sorrir
But life is long, my love has gone away from me
Mas a vida é longa, meu amor foi para longe de mim.
A música terminou e um discreto estalo sobressaiu do toca fitas. Mas o barulho não fora o suficiente para que Jared soltasse Jensen dos seus braços. Eles ainda se encaravam, abraçados, com os corpos colados. A mão do loiro que antes, estava no ombro do mais alto, subiu até os cabelos molhados recentes do banho deste, e sentiu a maciez deles entre seus dedos. A ponta dos dedos de sua mão fazia uma leve massagem um pouco abaixo da nuca de Jared, que com os olhos entreabertos, suspirou.
Até que Jared arregalou os olhos finalmente se dando conta de algo.
- A chaleira!
Se desvencilhou dos braços de Jensen cruzando a porta, deixando o Gênio confuso no meio do quarto, mas então, mais surpreso ainda, viu Jared voltar com passos rápidos e dar um selinho rápido em seus lábios, antes de voltar a correr em direção as escadas e ir para a cozinha.
Jensen balançou os braços ao lado do corpo desfazendo-se das luzinhas brancas e balançou a cabeça rindo e seguindo pelo mesmo caminho que seu Amo tinha tomado.
~oOo~
Ainda eram nove da noite, e os dois homens haviam passado o tempo vendo alguns filmes na televisão. Ou como o Gênio da lâmpada dizia, ''Bugiganga de anteninhas''. Era um novo apelido.
- Jensen? – Jared olhava o outro ao seu lado sentado com as pernas cruzadas juntamente a barriga, com um pote de pipoca na mão.
- Sim?
- Por que você está fazendo esse pequeno movimento com o nariz?
Jared se referia ao pequeno movimento de um lado para o outro que Ackles fazia com a ponta do nariz, como um pequeno tique. Na verdade ele já sabia a resposta, mas queria escutar da boca dele.
Jensen, que estava com a boca completamente cheia, parou de mastigar. E se virou para o outro que o encarava de forma curiosa e divertida.
- Ah... Bem, é que eu gostei, sabe? Do filme A Feiticeira. Não que eu acredite que Aladim e esse filme sejam reais, por favor, claro que não. – Jensen rolou os olhos voltando a mastigar. – Mas, tem algumas coisas razoavelmente boas.
- Sei... Vai dizer que também gostou do tapete mágico e essas coisas? – Jared segurou o riso ao ver o rosto do outro corar fracamente.
- Er... Olha, depois dos comerciais, vai passar um bom filme de suspense. – Jensen encheu a mão de novo dentro do pote com pipoca, levando-as a boca.
- Coma devagar, desse jeito vai acabar se engasgando. – Jared pegou a caneca de café na mesa de centro, e ofereceu a ele que agradeceu e deu um gole. Balançou a cabeça ainda não entendendo de onde Jensen tinha esse gosto diferente para combinação de comida.
Depois de três horas de filme, Jared estava adormecido em uma posição torta no sofá, sentado com uma perna cruzada e a outra esticada, com rastros de pipoca por toda sua roupa. Jensen tentara acordar o humano Padalescki tirando as pipocas que restaram, mas não adiantou. O jeito, foi assistir outros programas na TV.
E bem, a cada canal que Jensen aprendera a mexer no controle remoto, aprendera que, sim, alguns mocinhos com sorriso perfeito demais eram demasiados chatos e enjoativos. Que, uma pessoa pode ser lerda a ponto de encarar um maluco de máscara de hóquei em vez de tentar salvar sua vida, ou que não devemos confiar em alguma velhinha com uma verruga na ponta do nariz oferecendo uma maçã com as suas "boas intenções."
- Ahã, corta essa velha gananciosa. – Jensen deu um sorriso sabichão cruzando os braços.
A madrugada chegou e ele já havia assistido filmes de variados gêneros, e bem, até mesmos os eróticos. No momento em que o ator do filme tinha gemido um tanto alto, Jensen abriu a boca totalmente pasmo, e em desespero procurou o controle para baixar o volume daquela coisa barulhenta antes que Jared acordasse e visse... Aquilo.
- Argh, será que dá pra gemer um pouco mais baixo?! – Jensen sibilou irritado para tela da televisão, mas o ator parecia mais ocupado em esfregar seu corpo com o da mulher, do que dar ouvidos a ele. O que o deixou mais irritado ainda.
Jared deu um bocejo, fazendo uma careta ao sentir uma leve dor no pescoço e antes mesmo de abrir os olhos, sentiu uma movimentação ao seu lado e observou sonolento, Jensen em pé a sua frente com uma mão no peito e os olhos fechados, parecendo aliviado. Em sua outra mão, estava o controle da televisão, que estava desligada.
- Está tudo bem? – Jared se ajeitou no sofá olhando em volta ainda meio desnorteado.
- Sim, e estranhamente estou com fome. Vamos para a cozinha! – Jensen deu um sorriso torto antes de puxar a mão de Jared que quase tropeçou ao ser levado ao outro cômodo. – Ainda temos lasanha?
O loiro se sentou a mesa, com a uma expectativa típica de uma criança de sete anos de idade. Só faltava balançar as pernas e batucar com os dedos nas pernas.
Jared com o cabelo bagunçado e a roupa amarrotada, olhou para o relógio de parede da cozinha, vendo que eram três e quarenta e cinco da manhã.
- Anh, Jensen, são quase quatro horas. Mais tarde tomamos café da manhã ok? – Jared passou por ele dando uns tapinhas em seu ombro, seguindo pelo corredor até as escadas.
Jensen fazendo uma careta de nem um pouco satisfeito, foi quase saltitante atrás do moreno.
- Mas... O que vamos fazer então? – Jensen se escorou no batente da porta do quarto de Jared e levantou uma sobrancelha ao chegar a tempo de ver o outro se despindo de forma vagarosa e despreocupada totalmente alheio ao seu olhar que agora era de... Desejo.
Jensen lambeu os lábios e não pode evitar um suspiro de contentamento. Um pensamento malicioso se passou por sua mente e não pode deixar de fazê-lo. Afinal, estava sem sono, e seu Amo estava tão... Encantador.
- Dormir Jensen, dormir. – Jared bocejou mais uma vez sentando-se na cama, apenas de boxer.
Bem, pelo menos, ele achava que estava de boxer.
Jared sentiu algo estranho até que olhou para baixo e viu que estava nu. Arregalou os olhos e como o quarto estava em total escuridão, prendeu o ar quando percebeu que a porta estava fechada.
E não se lembrava de ter escutado, Jensen batê-la.
Engoliu em seco ao ver um par de olhos verdes quase claros em meio ao escuro. Tentou buscar os lençóis ou cobertores da cama, mas não havia nada. Apenas ele nu e para o seu nervosismo, um Gênio um tanto excitado vindo em sua direção em passos lentos, e também nu.
- Pare com essa brincadeira agora! Jensen, não se aproxime. – Jared falou devagar tentando respirar de forma tranquila, mas falhava miseravelmente procurando inutilmente outra saída no quarto. – Por favor, por favor, que seja um sonho.
O seu pescoço tinha um pingo de suor, pelo nervoso e os olhos de Jensen pareciam mirá-lo com fome. Terminando a total distancia entre eles, subiu na cama, engatinhando em direção a Jared que prendeu a respiração fechando os olhos e involuntariamente suas costas se encontraram com os travesseiros.
Arfou ofegante quando sentiu um peso em seu colo. Suas mãos tremiam assim com o resto de todo o seu corpo.
- Abra os olhos. – A voz rouca disse em seu ouvido, os lábios quase tocando sua orelha.
Jared fechou mais ainda suas pálpebras e não conseguiu evitar um gemido baixo quando sentiu uma mordida em seu pescoço.
- Abra os olhos, meu Amo. – Jensen observava o homem que naquele momento parecia tão encolhido quanto conseguia e miseravelmente como se quisesse se esquivar dos seus toques. Sabia que não devia fazer aquilo, daquele jeito tão repentino, era tão errado...
Quer dizer, tentar ler a mente de seu Amo não era aconselhável, mas se sentiu tão tentado que não resistiu.
Jensen por breves segundos sentiu a energia do outro em sua mente, ofuscando quaisquer outros pensamentos seus. Sentiu a sua insegurança, timidez e por fim, teimosia. Cortando bruscamente a magia exalada, sentiu a estrela em seu braço vibrar.
Passou os dedos carinhosamente nos cabelos castanhos sussurrando outra vez. – Abra os olhos.
Sentiu as mãos de Jensen em seu cabelo, e enfim, buscando coragem que tinha se esvaído, abriu seus olhos. E apesar do escuro, ficou mais ofegante ainda pelo que conseguia ver. E mais ainda, sentir.
Jensen totalmente acomodado em seu colo, suas mãos descendo até seus ombros tensos. Ele o observava de forma curiosa.
- Por um momento eu pensei que você tivesse desmaiado. – Jensen sorriu largamente, os olhos brilhando como dois pontos de luz no quarto.
- E-Eu, eu... – Jared pousou as suas mãos em sua cintura tentando empurrá-lo, mas Jensen não parecia nem um pouco com vontade de sair daquele lugar tão... Apropriado ao momento. – Por que você está fazendo isso?
- Por que? Por que... Eu estava com fome, e você me negou comida. Então... Eu tenho que me entreter com algo não é?
Jared apertou os olhos tentando buscar algum controle ao sentir Jensen se remexer em seu colo.
- Ah, e claro, isso é um sonho.
Jared abriu os olhos boquiaberto e quase aliviado. – Como assim? Então tudo isso é mentira?
- Na verdade, mais ou menos. – Jensen coçou a nuca pensativo, mas ao olhar para baixo entre os seus corpos deu uma risada. – Mas, acho que pelo fato de estarmos um pouco... Acordados agora, as sensações são bem reais.
O moreno corou.
- Jensen, seja lá o que for isso, é melhor parar com essa brincadeira agora! – Jensen ficou sério ao ver a expressão chateada e tensa do outro.
- Você quer isso tanto quanto eu, Jared.
O moreno vacilou por alguns segundos, baixando os olhos. – Não, eu não quero.
- Bem, não é bem isso o que eu estou sentindo... – Jensen não resistiu e riu divertido. Jared balançou a cabeça sorrindo.
- Você é impossível.
Jensen afagou seu rosto, depois, dando um beijo demorado no canto de sua boca. E Jared inclinou-se um pouco na direção de seus lábios.
- Mas, não é... Sexo, entende?
- Não? – Jared perguntou assustado.
- Eu queria apenas... Pode te sentir hoje. Só, tocar você.
Jared suspirou, e sentiu sua costumeira franja ser afastada de sua testa um pouco suada.
- Faz pouco tempo em que admiti que... – Percebendo o que ia falar, contornou. Seus olhos estavam baixos. – Que gostei do nosso beijo, não me sinto preparado para algo além disso, entende? Pelo menos, não por enquanto.
Jensen o observou por um tempo, e por fim, suspirou concordando. Saiu de seu colo, e deitou-se ao seu lado, mostrando seu belo corpo. Jared o olhou e pode ver que Jensen estava meio chateado.
Aproximou-se dando um beijo em seus lábios, sendo prontamente correspondido.
- Esse é um belo pedido de desculpas. E já que não terei diversão por hoje, vou tomar um banho. – Mas, antes mesmo de se sentar, sentiu seu quadril ser rodeado pelo braço forte de Jared e ser beijado mais uma vez. – Hey...
- Hm? – Jared se afastou um pouco, surpreso consigo mesmo de estar enfrentando todo o constrangimento de estar abraçado a outro homem, trocando carícias, nus.
- E se... Por uma hora. Apenas uma hora, nós...
- Jensen... – O tom de voz era de alerta e desconfiado.
Jensen tentou ficar sério olhando para o outro lado do quarto por uns instantes, pensativo.
A luminária que ficava no cômodo ao lado da cabeceira de Jared, ligou-se sozinha, e as luzes arroxeadas iluminaram o teto, dando formas abstratas. O moreno arqueou as sobrancelhas e o outro deu de ombros.
- Não, sério. Por apenas uma hora, poderíamos ser... Atores. Eu falei certo? –Jared acenou e Jensen sentiu-se orgulhoso pela "conquista".
- Você está sugerindo o que exatamente?
- Atuarmos em cinco filmes possíveis! Ou... Vivermos dentro da telev... Tela...
- Televisão.
- É! – Jensen arqueou o corpo e deu um beijo rápido em Jared que sorriu pela empolgação do outro. – Seria, muito bom. Quer dizer, nada pode dar errado.
- Podemos ficar presos para sempre na TV. – O moreno o olhou sério por um momento. Sentiu uma carícia em seus cabelos, mas mesmo assim ainda continuou preocupado. E perguntando-se se tinha batido a cabeça por ainda pensar em aceitar mais uma proposta doida de Jensen.
- Nada pode dar errado. Confie em mim, Amo. – Jensen disse seriamente, e ficaram se olhando por longos segundos.
O moreno apoiou sua cabeça na mão direita, o cotovelo no colchão.
- Não acha que já passamos por muitas coisas em menos de uma semana?
- Ah, nem foram tantas assim... Foram situações simples. – Jensen deu de ombros, mas seu coração se apertou ao lembrar-se do incidente na floresta em que ele e Jared passaram por apuros, mesmo que esse não fosse capaz de lembrar.
- Simples? Nós viajamos de balão durante a noite inteira, fomos a Irlanda, invadimos um castelo, tive que aturar um Gênio da lâmpada completamente bêbado, e ainda por cima, e pior do que tudo isso, um Jensen hippie e pessoas completamente malucas e algumas até nuas! – Jared riu sendo acompanhado pelo loiro. – Ok... Mas, eu não posso dizer que eu não gostei.
Jensen segurou sua mão.
- É... Acho que não vivi nada assim na minha vida. E olha que eu já passei por várias coisas inimagináveis para vocês humanos. – O loiro deu um sorriso pequeno, não chegando aos olhos. Jared reparou, mas preferiu mudar de assunto.
- Sabe, eu nem ligo mais de você chamar meu sobrenome errado... E a cada vez que você me chama de "humano" me parece que você é uma criatura ou um monstro! Você tem a aparência humana, é igual a nós do mesmo jeito.
- Fisicamente. – Jensen um tanto arrogante, cruzou os braços.
Padalecki virou-se de bruços o encarando e o Gênio viu a curiosidade em seus olhos esverdeados. Antes mesmo de este abrir a boca para perguntar, ele respondeu com outra pergunta:
- Tem certeza de que quer realmente saber minha idade?
Ackles riu quando viu Jared com os lábios entreabertos, pasmo. – Eu realmente mereço viver com um Gênio metido a sabichão. E pare de ler a minha mente.
- Desculpe. – Deu um sorriso sapeca.
De repente, Jensen arqueou uma sobrancelha em uma expressão quase indignada parecendo ter se lembrado de algo.
- Como assim errado? Eu digo o seu nome certamente e não aceito opiniões contrárias a isso. – Bufou ao ver o moreno revirar os olhos. – Estou gostando de ver você mais solto.
Jared que olhava a luminária acesa, olhou de relance para Jensen e viu que ele olhou rapidamente para o seu corpo desnudo, e um sorriso malicioso brotou em seu rosto.
- Aposto que se eu tentar abrir meu armário em busca de roupas, não vou encontrar nada, e a porta do quarto provavelmente está trancada, assim como a porta do banheiro, o que significa que estou sem saída, certo?
- Certo. Ah sim, você sabe o que eu quis dizer, Jared. – Ele riu beijando a covinha que havia aparecido em seu sorriso tímido. – E então?
Depois de alguns minutos, Padalecki suspirou rendido.
- Uma hora Jensen. Dentro de uma hora e eu quero acordar disso tudo, e estar aqui, na minha casa em Nova Jersey.
Jensen riu contente.
- Ok! Hm, mas eu posso sugerir algo antes?
Jared com certo receio acenou com a cabeça.
Jensen voltou a subir em seu corpo, alinhando-se a ele. Pousou sua mão em seu peito e sentiu o coração de Jared bater acelerado debaixo de sua palma, quase disparado. Moveu-se até sentir os lábios finos contra os seus, e depois se sentiu satisfeito ao sentir a energia de insegurança se esvair, e comprovou isso quando o moreno ergueu o corpo para cima o obrigando a sentar novamente em seu colo. Jensen o beijava calmamente e de forma profunda.
Eram tantos sentimentos sendo descobertos enquanto eles se abraçavam fortemente um ao outro, quando sentiam suas línguas se tocarem com precisão e os corações batendo de forma ritmada, que por um momento, Jensen imaginou se já teria sentido algo assim, dessa maneira.
A maneira ainda tímida, mas firme das mãos de Jared passearem em suas costas largas quase molhadas de suor, ou como o cabelo castanho caía em sua testa quase cobrindo os olhos que agora estavam fechados, enquanto seus lábios ainda estavam juntos. A maneira como podiam se tocar e sentir tanto prazer sem ao menos chegarem as vias de fato. Ou a maneira como Jared, seu Amo, o beijava.
Foi então que sentiu sua magia subir como a temperatura no quarto, como o próprio prazer que sentia ao sentir um aperto em sua cintura enquanto mexiam-se devagar, um contra o outro. Como o prazer do próprio homem a sua frente ao sentir os lábios carnudos em seu pescoço, e soltar pequenos gemidos teimosos que ele tentava abafar nos ombros sardentos.
Jared ofegante, abriu os olhos e segurou o rosto de Jensen entre as mãos quase maravilhado ao ver a tonalidade do verde claro, e a linha prateada em volta da íris preta.
- Seus olhos... – Foi beijado mais uma vez, e se sentia tão entorpecido ao momento que por muito pouco não escutou as palavras sussurradas e entrecortadas em seu ouvido.
- Não... Importa o que aconteça agora... Faça o que tem a ser feito. Interprete seu papel, não importam quais sejam as consequências.
O Gênio segurou as mãos de Jared entre as suas e fechou os olhos. A estrela em seu braço brilhou repentinamente, saindo uma linha prateada da tatuagem envolvendo-os em um abraço apertado até que então, o moreno sentiu o quarto todo girar e escurecer.
Quarenta e sete, quarenta e oito, quarenta e nove...
Jared tropeçou ao chão, dando com a cara na terra molhada pela chuva.
Tinha acordado há cinco minutos no meio da terra molhada em uma floresta. Ventava bastante e a noite deixava todo ao seu redor, em quase um breu. Sentado ainda desnorteado, se lembrou do último momento até ali e sentiu seu rosto esquentar um pouco. Escutou folhas e galhos sendo partidos, pisados, e então voltou-se para trás e viu a última coisa na qual imaginara ver diante dos seus olhos.
- Oh não... Se eu sair dessa, eu juro que mato você seu Gênio maluco! – Jared gritou para o ar se levantando, e correndo entre as árvores.
Continua...
Gone Away From Me – Ray Lamontange.
Oi Leitores! Bem, acho que consegui cumprir o prazo da atualização antes do fim do mês, Rsrs.
Quero agradecer aos novos leitores que deram os seus comentários e que fizeram esta escritora dar um largo sorriso aqui do outro lado, e claro, os leitores que acompanham a história desde o começo, meu muito obrigado, seus lindos!
Bem, eu não vou prometer quando vou postar novamente por motivos de férias que chegaram ao fim, e com certeza será mais difícil atualizar Sete Desejos. Mas, prometo que a brecha de tempo que sobrar, eu farei isso.
Beijos a vocês e a beta!
