-Oh não... Se eu sair dessa, eu juro que mato você seu Gênio maluco! - Jared gritou para o ar se levantando, e correndo entre as árvores.

Terror...

Seus pés o levavam por um caminho desconhecido.

Ele corria e corria sem saber o que esperar exatamente. – além de um psicopata usando uma mascara de hóquei e um facão. – Então decidiu que ficar parado esperando por uma solução não seria uma ideia sensata naquele momento.

A chuva caia sem dar trégua. Alguns fios de seu cabelo caiam em seu rosto o impossibilitando de ter uma visão da terra molhada na qual deixavam suas pegadas para trás seguidas por um homem enorme e um tanto furioso. O cansaço, os pingos fortes da chuva, e o desespero de não saber o que estava acontecendo estavam-no perturbando mais do que ser esfaqueado até a morte, o que aconteceria se ele diminuísse os passos que começavam a ficar trôpegos.

Ofegante, arriscou olhar para trás e parou de correr imediatamente quando não viu ninguém atrás dele o perseguindo ou sequer barulho de passos nas folhas misturadas a lama. E isso o deixou mais preocupado ainda. Ele podia ser grande e até mesmo se garantir em alguma briga, mas ele conhecia muito bem o destino de uma pessoa que fugia de um louco assassino no meio de uma floresta.

As opções eram: Morrer... Ou Morrer.

E Jared realmente queria mais uma opção.

Decidiu correr mais um pouco até que conseguiu ver um ponto de luz a alguns metros, sendo distanciados por uma trilha íngreme e estreita por arvores de tronco fino. Olhou para os lados, e continuou o caminho chegando logo depois a enxergar a cabana que aparentemente parecia abandonada.

Um pouco distante da casa, havia pilhas de carros desgastados cobertos por uma lona de plástico grande. E em vez de analisar o restante do lugar, ele decidiu entrar e bem, talvez a cabana fosse um pouco aconchegante. Se não fosse pelas tabuas faltando no chão, as velas acesas e espalhadas por todo o canto, além de algumas peças de roupa amontoadas em um canto do cômodo.

Jared pressentia algo terrivelmente ali. E ele não precisou pensar por muito tempo nisso, até por que a porta se abriu em um baque surdo pelo próprio morador da cabana. Os trovões e as batidas do coração do moreno eram o único barulho no lugar enquanto este de alguma forma tentava buscar alguma saída. Devagar, andou para trás sem deixar de encarar o homem que apertava o facão entre os dedos.

Até que então ele tropeçou em algo no chão e viu de relance que era portinhola que dava para uma passagem abaixo das tabuas empobrecidas. A muralha humana parecendo entender a intenção que Jared pretendia, então este apertou os passos duros em sua direção.

Dentro de segundos, Padalecki tinha conseguido abrir a porta e passar metade de seu corpo para baixo, mas antes de pensar em como fugir, sentiu uma dor excruciante no ombro quando seu corpo caiu no chão de terra na passagem subterrânea. Mais do que depressa, fechou a portinhola, quase recebendo a ponta afiada do facão em seu rosto quando foi atravessada pelo chão de madeira.

Soltando um gemido alto de dor, segurou seu ombro, assim, sujando sua mão de sangue. Levantou-se e começou a caminhar rápido em direção a uma fraca luz depois da curva de terra. Ele realmente esperava que tivesse alguma saída por ali, por que ele estava realmente surtando em imaginar seu outro ombro ser alvo de um golpe com uma faca.

Mas talvez ele tivesse continuado a correr pela floresta.

Por que ele não apenas errara em entrar naquela cabana, mas como entrar na passagem subterrânea e ainda encontrar uma pilha de corpos desnudos e cobertos de sangue no chão de terra.

Sua mão foi até sua boca, tentando engolir o súbito enjoo, além do cheiro do sangue em seu ombro que latejava pela lamina, antes cravada em seus músculos. Resolveu voltar por onde veio, porém ao sentir uma pancada forte em sua cabeça, o que viu foi apenas escuridão.

Os braços e pernas estavam amarrados.

Seu corpo estava deitado em uma maca enferrujada, e sua cabeça estava presa por uma liga de couro, impossibilitando qualquer movimento para os lados. Além da luz do lampião na parede de terra, ele enxergava apenas um vulto passar em volta dele. Como se estivesse sendo observado, analisado.

Um Experimento.

Até que enfim, com a sua visão turva, Jared pode reconhecer um homem encapuzado, seu rosto sendo oculto pela penumbra do lugar. Quando então, reconheceu uma lamina na mão enluvada do estranho, começou a se debater.

-Shhh...

Jared respirava de forma ofegante, sentindo um nó na garganta, enquanto os seus pulsos começavam a sangrar, pelos puxões que ele dava nas ligas de couro, tentando inutilmente se soltar e cair fora dali.

-Me deixe ir, por favor... –Começou a tossir, sua garganta estava seca e a dor em seu ombro latejava o deixando tonto. – Por favor, eu não conto a ninguém, apenas me deixe ir.

O homem encapuzado permaneceu observando-o silenciosamente. Puxou a mesinha de metal geralmente usada em cirurgias médicas, e seus olhos através das lentes dos óculos arredondados, buscaram o vidro de morfina. Suas mãos mexiam nas laminas, como se soubesse o que fazer, até mesmo de olhos fechados. Como se não fosse a primeira vez que fazia aquilo.

Cerrou os punhos, quando pode escutar suas roupas serem rasgadas com precisão e rapidez. Depois de alguns minutos, soltou um gemido alto de dor, quando sentiu a agulha da seringa perfurar seu braço desnudo. O suor em seu peito e rosto deixava sua pele brilhosa e corada.

-Me deixe ir, me deixe ir... – Os murmúrios saiam soltos, fracos, quase inaudíveis.

Já não podia mais movimentar nem sequer um dedo de seu pé. Seus olhos tentavam ficar abertos, mas ao mesmo tempo não queria presenciar seja lá o que aconteceria em seguida. O peso da consciência de que não sairia vivo dali, o abatia mais e mais.

-Shhh... Vai ficar tudo bem.

O rosto do homem havia sido iluminado rapidamente por uma das luzes do local, e Jared pode ver com horror antes de ter seus lábios pressionados...

Um par de olhos verdes brilhantes.

Seus olhos começaram a ficar pesados e então, sentiu-se por um momento, aliviado pela chegada de sua inconsciência.

Comedia Romântica...

-Oh meu deus, isso é fantástico!

Charlie pulava alegre, seus cabelos ruivos e ondulados balançavam a deixando com a aparência de uma garotinha.

-Fantástico? – Jared perguntou quase furioso. – Fantástico ficar a noite toda com a pessoa que eu mais odeio nesse planeta?! Charlie!

-Qual é, vai ser legal! Quer programa melhor do que passar a sexta feira a noite embrulhando os brindes do meu casamento com uma pessoa que você, supostamente... – Ela fez aspas com as mãos. – Odeia e blah, blah blah.

Jared passou as mãos pelos cabelos, totalmente nervoso e irritado.

-Nós vamos acabar nos matando, e você sabe disso. Nos odiamos desde o colegial e apesar da incrível ironia de eu ser seu melhor amigo e ele ser o melhor amigo da sua noiva, eu não o suporto!

Charlie por um momento ficou indecisa.

Ela sabia que Jared estava parcialmente certo. Na ultima briga que ele e o melhor amigo de Abby, ambos foram parar no hospital. Mas ela também apostava que aquilo tudo, não passava de uma tensão sexual.

Ou pelo menos, ela arriscava que fosse. Os olhares mal disfarçados com a raiva e antipatia acabavam denunciando o que os dois tentavam esconder.

E ela não se perdoaria se eles não se acertassem até o dia de seu casamento. O que seria amanhã à noite. Eles seriam os padrinhos do casamento, então, melhor do que uma carranca no rosto dos dois seria duas expressões leves e apaixonadas.

-Olha, não vai ser tão difícil ok? Apenas embrulhem as cestas que faltam, e voi lá! Fim de tortura psicológica! – Charlie passou os braços em volta do pescoço do mais alto que continuava sério. – Por favor, sejam os melhores padrinhos do mundo inteiro ok?

-Não! Abby, eu não acredito que você está me pedindo isso! – O loiro a encarou indignado. – Nós nos odiamos, por deus!

A ruiva revirou os olhos, estacionando o carro em frente ao apartamento dela e de Charlie.

-Você esta criando tempestade em um copo d'agua...

-Não, você sabe que não. Você estudou comigo por anos, e sabe como a minha relação com o Padalecki é! O que você e Charlie estão me pedindo é uma sentença de morte e não um simples favor.

-Nós apenas estamos pedindo que você e Jared ajudem com os brindes enquanto eu e Charlie vamos entregar os convites que faltam.

-Na véspera do seu casamento? Sério? – Ackles a olhou mais do desconfiado. – Não espera que eu acredite nisso não é Abaddon?

-Argh, Abby ok? – A mulher deu um tapa na cabeça do amigo que bufou. – Olha só, não vão se matar por que realmente não temos condições de procurar outros padrinhos um dia antes da cerimonia. E sabe o que eu realmente acho? Que tudo isso é...

-Tensão sexual. Blah, blah, blah. Tremenda baboseira. E tanto você e sua noiva sabe que eu e Padalecki somos heteros, obrigado.

Abaddon riu maquiavelicamente.

-Tem certeza? As vezes eu consigo ver um olhar erótico seu para uma certa parte do corpo do Jared...

Ackles arregalou os olhos.

-Você é uma mentirosa!

-Pode tentar me enganar, mas sabe que não vai conseguir. Eu conheço você há quinze anos, Jensen. De puro e recatado, você não tem nada.

-De puro e recatado, você não tem absolutamente nada, Padalecki. – Charlie bebeu um copo d'agua. Jared ia retrucar, mas suspirou pesadamente quando a porta do apartamento abriu-se passando por ela, Abby e...

Ackles.

O desgraçado. O cara mais idiota que eu conheço. O cretino, filho de uma...

-Oi, terra para Jared? – Abby aproximou-se o abraçando ganhando um sorriso sem graça deste. – Como você está?

-Quer mesmo saber? – Ele olhou de relance para o homem que ainda permanecia perto da porta, como se a qualquer momento fosse sair correndo por ela.

-Ok ok, Charlie, acho melhor irmos antes de sermos assassinadas. – Elas riram, antes de darem as mãos em direção a saída onde Jensen estava de braços cruzados. – Ah, caso forem se divertir, usem proteção e no quarto de hospedes ok?

-Cai fora! – Jensen resmungou corando, e suspirou tentando se acalmar.

E enfim, eles começaram a missão de serem os melhores padrinhos de todo o planeta mesmo estando com o meu inimigo ao lado.

E depois de quinze minutos de silencio...

-Pode me passar a tesoura? – Jared pediu distraído.

Ackles e Padalecki estavam sentados no mesmo sofá, enquanto arrumavam as cestas com os brindes dentro. Sabonetes e loções com vários aromas da perfumaria que a família de Charlie tinha há anos e era bem conhecida por muitos estados.

Jensen balançava a cabeça cantarolando alheio ao pedido até então, educado do homem ao seu lado.

-Ackles, a tesoura. – Jared parou de amarrar a fita azul na cesta em seu colo enquanto contava mentalmente até mil. – Ackles!

Jensen arrumava os sabonetes dentro da cesta e seu coração quase saiu pela garganta quando os seus fones foram retirados delicadamente de suas orelhas.

-Ouch, seu idiota! O que pensa que esta fazendo? Seu cérebro derreteu de vez?!

-Eu estou pedindo a tesoura a mais de cinco minutos e estou sendo ignorado por sabe-se lá que musica horrível que você estava escutando.

-Meu deus, você é muito idiota. – Jensen o olhava estupefado sentindo uma vontade imensa de enfiar a tesoura no corpo do outro.

-Ok legal, agora dá pra me dar a tesoura? – Jared estendeu a mão para pegar o objeto do outro lado do assento onde Jensen estava.

Só que o outro foi mais rápido e pegou-a saindo do sofá.

-Por que Padalecki? – Jensen girava com ela entre os dedos o encarando com um semblante brincalhão. – Vai fazer o que se eu não atender o seu pedido tão educado?

-Eu vou matar você. – Jared fechou a cara com os punhos cerrados, observando o loiro andar de um lado para o outro. Ele ia pegar aquela tesoura, terminar de arrumar aqueles brindes e cair fora antes de cometer um crime contra aquele asqueroso do Ackles.

-Hmm, vejamos... Igual aquela vez em que você disse o mesmo, e eu te dei a pior surra da sua vida em frente a classe da Sra. Campbell? Acho que nem ela conseguiu segurar o riso quando ela viu o quão fracote você era. – Jensen riu debochado. – Oh não, como pode ser fracote quando se foi jogador de basquete do time do colégio? Não, fracote não...

Jared sabia que o seu limite de paciência se esgotaria quando a palavra que Jensen pronunciaria fosse dita...

Cinco, Quatro, Três, Dois...

Ackles deu um sorriso torto.

-Perdedor.

Ackles soltou uma gargalhada enquanto era perseguido pela casa toda, e o alvo daquela briga toda, em sua mão, reluzindo.

Até que este não correu o suficiente, e caiu no chão em um baque pesado, seu corpo sendo pressionado por Jared que estava possesso de raiva.

O punho se ergueu e estava descendo, quase aterrissando no rosto belo do loiro quando pingos de sangue começavam a sujar o rosto sardento deste.

-O que...

Jensen olhou para a mão direita onde segurava a tesoura e viu que tinha cortado sua palma e pelo visto era um senhor corte. A sua visão começou a ficar turva, e o rosto pálido...

-Ackles? Qual é, quem é o fracote agora? Passando mal com sangue, sério? – Jared levantou-se rindo debochado e ajudou o outro que cambaleou pra frente segurando a mão que sangrava mais e mais.

-Eu...

Jared ao ver o outro homem com a cabeça baixa olhando para a mão coberta de sangue, apenas revirou os olhos e andou em direção contrária.

-Vamos logo terminar de embrulhar os presentes e cair fora.

Só que ele não escutou passos o seguindo.

-Você ficou surdo, ou precisa de...

Jared não pensou que ficaria perturbado ao ver o rosto pálido de Jensen, o suor em sua testa enquanto este segurava a mão machucada, e a tesoura ensanguentada no chão.

-Por deus... – Ele correu de volta até o loiro, verificando a pulsação deste e suspirou ao perceber que estava lenta. – Não dê uma de donzela e desmaiar ok? Vou procurar uma caixa de curativos.

-Jared, eu não consigo, eu vou... – E antes mesmo que ele terminasse de se pronunciar, as luzes da casa se apagaram deixando-os em uma escuridão total, exceto pelas luzes dos postes na rua.

Jared jogou a raiva e o orgulho de lado e segurou Jensen pelos ombros e o levou ate o sofá da sala. Padalecki buscou em sua volta, um pano qualquer e então, como não tinha muita opção, pegou uma das fitas das cestas que estava embrulhando.

- Respire fundo, e não desmaie ok?! Vou tentar achar algumas velas na cozinha.

Quando o moreno voltou, em suas mãos havia uma caixa de velas aromáticas. Ele devia desconfiar, já que Charlie comprava para coloca-las em volta da banheira quando ela e Abby... Bem... É.

Jared posicionou uma vela na mesinha de centro em frente a par de sofás. A luz amarelada contrastava no rosto de Jensen que estava com os lábios pálidos e entreabertos, os olhos quase fechados, enquanto sua cabeça estava recostada contra o sofá. Ele ainda segurava a mão cortada enfaixada pela fita de cetim.

-Como você está?

Ele recebeu alguns resmungos incoerentes.

E em um momento, Jared o encara preocupado, e em outro, furioso.

-Sabe, qual é o seu problema Ackles? O que você tem nessa sua cabeça, hã? – Ele exclamava, enquanto pegava a caixa de curativos esquecida no chão, logo em seguida, preparando uma faixa com gazes. – Você sempre se achando o melhor e superior desde os quinze anos, e agora com um corte de nada na sua mão, você acha de surtar? Você sabe não é? Que o fracote aqui não sou eu?

Ele tirou a fita da mão, agora fria e pálida de Jensen, e viu a profundidade do corte e engoliu em seco.

-Você é um filho da mãe.

Jensen pareceu despertar por um estante e olhou para Jared que estava sentado ao seu lado fazendo o curativo em sua mão.

-Essa frase é minha, Padalecki. Não cometa um plágio.

-Cale a sua maldita boca Jensen, ninguém pediu a sua opinião e quer saber? Eu devia te deixar aqui, sangrando até morrer e daí eu poderia ir comemorar em um bar, beber todas e finalmente me sentir feliz por que eu não precisaria mais olhar pra sua cara insuportável e...

Um sorriso pequeno surgiu nos lábios de Ackles sem que este percebesse.

-Jared...

Jared resmungava alheio ao seu murmúrio, enquanto enfaixava a sua mão sem notar que as suas próprias tremiam.

-Jared...

-Você não é homem o bastante pra enfrentar uma coisa insignificante como essa, e agora quer dizer alguma coisa, você é tão patético, ora, por favor, devia ter visto a si mesmo ensanguentado no chão como se fosse uma marionete sem vida e então eu queria ver se você ainda teria uma fama de ''garanhão'' como tinha no colegial, as garotas iriam rir de você e te deixariam a própria sorte sem se importar e...

A voz de Jared começou a ficar tremula, e este mesmo assim, não encarava as íris verdes de Jensen.

-Jared...

-E sabe do que mais? Isso só me faz acreditar mais ainda o quão estupido você é, por fingir que é forte e autoritário quando não passa de uma mulherzinha, que não pode ver uma gota de sangue esta a beira de um ataque, mas olha só Ackles, você vai ter que viver por muito tempo sabe por que? Por que eu ainda tenho que te perturbar tanto e deixar sua vida infeliz assim como você faz da minha, e se você acha que eu vou deixar você sair dessa ganhando, não se iluda por que eu te odeio e eu não posso deixar você morrer por que eu vou provar e-

-Hey, Jared! – Jensen gritou segurando o rosto de Padalecki que pareceu sair do transe, quando sentiu a mão não machucada do outro tocar sua pele.

-O que?! Eu não disse pra você calar a maldita boca?

Foram apenas alguns segundos, até que eles estivessem se beijando. E se tocando como desejavam há muito tempo, mas como medo da rejeição e confusão dos próprios sentimentos envolvidos com a raiva e rancor, guardaram a si mesmos.

A madrugada chegou, mas os toques e a excitação de ambos os dois homens no sofá daquele apartamento estava longe de terminar. Enquanto o tempo passava, a chama da vela, ia diminuindo, consumindo a cera, derretendo-a vagarosamente. Os rolos de cetim, estavam abandonados no chão, juntamente com as cestas de brindes.

Jensen ofegava entre o beijo, e Jared sentiu um formigamento nos pés, conforme os minutos de prazer passavam.

-Eu te odeio tanto Jared, tanto... – Mordeu o lábio inferior, fechando os olhos, sentindo o calor do corpo do outro homem em cima do seu.

O cabelo de Padalecki apontava para todos os lados.

-Eu também te odeio, muito...

Horas depois, no começo do amanhecer, a porta do apartamento foi aberta e logo depois, foi fechada com um clique suave. Passos suaves no carpete, muito cuidadosos, seguiram até a sala e por fim, dois suspiros aliviados foram presentes.

-Eles não incendiaram nosso apartamento. – Charlie sorriu e sua noiva, sorriu carinhosamente a ela.

-Finalmente conseguimos, malandrinha. – Ela deu um pequeno beijo na mulher ao seu lado e riu quando viu as cestas e o resto da bagunça que os dois amigos fizeram.

Charlie separou-se de Abbadon e sumiu no corredor do apartamento.

Cinco minutos depois, ela voltou com uma tesoura manchada de sangue.

-Ok... Eu não sabia que esses dois além de malucos, eram psicopatas e talvez... Suicidas? – Ela encarou a outra ruiva que abafou o riso com a mão.

-Seria bem pior se os dois soubessem que esses brindes na verdade foi apenas parte do plano, e isso mostra que não devemos confiar neles para enfeites e decorações.

Charlie sorriu, se aproximando na ponta dos pés e a abraçou pela cintura.

-Eles devem um sofá novo a nós. E uma faxina. E...

-Charlie?

-Hm? – A ruiva deixou de olhar a cena a sua frente para olhar a ruiva abraçada a ela. O olhar apaixonado que ela recebia era o melhor presente que recebera em sua vida até ali. Sabia que seus olhos denunciavam tudo o que sentia por Abby.

-Deu certo. Dá pra acreditar?

Charlie deu uma risadinha.

-É difícil... Se eu não visse com os meus próprios olhos, talvez não acreditaria. Eles realmente se odiavam anos atrás, mas... – Ela e a noiva olharam para Jared que dormia com a cabeça no peito de Jensen. Os braços do loiro estavam envoltos no corpo grande e nu igualmente ao seu, a sua mão enfaixada estava entre os cabelos castanhos do mais alto, as pernas entrelaçadas. – Nós percebemos quando isso mudou...

-Bem, temos um casamento a ir mais tarde... Aceitaria me acompanhar até a banheira? – Abby sorriu, os lábios tingidos pelo batom vermelho.

-Claro! Ultimo banho como namoradas, não posso perder. Vamos deixar as vadias no sono de beleza – Elas riram, e foram de mãos dadas até o quarto.

Ackles e Padalecki suspiraram.

-Eu vou esganar as duas.

-Tem o meu total apoio, Padalecki. – Jensen sorriu ainda de olhos fechados.

Suspense...

Sua visão estava turva, quando abriu os olhos. Seu corpo sacudia com os movimentos da caminhonete que percorria a estrada de terra, rodeada pela floresta.

Afinal, onde ele estava? E para onde estava indo?

Olhou para o seu relógio de pulso e um arrepio percorreu seu corpo quando viu que eram duas e quarenta e cinco da manhã. O céu escuro, e a estrada vazia... Ele não podia enxergar muita coisa de onde estava, afinal, na parte de trás de uma caminhonete coberto por uma lona, não era bem um lugar confortável para se fazer observações.

E o pior é que ele não se lembrava de nada antes de acordar ali.

Ele tentou ver algo pelo vidro que separava a cabine da caminhonete, mas só podia enxergar um homem dirigindo.

Pingos de água começaram a cair vagarosamente em si, e viu que nuvens escuras estavam se formando, a lua escondia-se entre elas. O farol do carro iluminava a estrada de terra, mesmo que isso não adiantasse muito, para que ele, Jared, se localiza-se. Olhou para a floresta que ficava para trás e percebeu que a neblina entre as arvores era de cor azulada.

Prendeu a respiração quando a caminhonete dobrou em um caminho estreito de terra, adentrando uma parte não tão fechada das arvores. Avistou ao longe, uma velha cabana de madeira, caindo aos pedaços sendo segurada apenas por estacas de madeira polida. Uma fumaça discreta e fraca saia da chaminé de pedra.

A caminhonete estacionou a sua frente, e imediatamente Jared se escondeu com a lona pesada, enquanto a chuva ficava cada vez mais grossa.

O homem que dirigia, caminhou com passos lentos até a cabana, sumindo na escuridão atrás da porta.

Depois de alguns segundos, tentando acalmar seu coração que batia acelerado, Jared desceu da caminhonete, seus sapatos afundando na lama molhada. Sua camisa acinzentada estava totalmente úmida, grudada em seu corpo, assim como seu jeans. Alguns fios de seu cabelo caiam em seu rosto, dificultando um pouco sua visão, além da chuva que caía.

Mas, ele sabia que o frio que sentia em seu corpo, não era apenas pela chuva.

Olhou para a floresta adiante da cabana, e a neblina manchada pelos troncos finos e altos das arvores. E ali, parado no meio do nada, ele percebeu que não tinha muitas opções. Ele não sabia quem era, onde estava e nem para onde ir.

Então ele tentaria buscar respostas, com as opções que tinha naquele momento.

Caminhou lentamente em direção a cabana velha, sem olhar para os lados e para trás. A madeira do chão, rangia com os seus passos que entravam no lugar abandonado. Jared ainda não conseguia entender como alguém podia ter morado ali, ou no caso daquele homem, morar.

No primeiro cômodo da cabana, Jared pode ver um corredor, totalmente escuro. O que podia enxergar com dificuldade, era as sete maçanetas douradas das portas. O fogo crepitava em galhos secos, quase sumindo. Seu corpo ficou um pouco tremulo, já que não estava mais sob a chuva.

O barulho dos seus passos, caminhando pelo corredor, eram os únicos ruídos ali dentro. Não ousou abrir nenhuma das portas fechadas. Não ainda. Algo nele, o puxava em direção a escada que estranhamente, era a parte mais intacta da cabana. E ela não parecia combinar nada com o cenário todo.

A escada era feita de uma madeira polida, quase reluzente. O carpete que cobria os degraus era de cor vermelho vivo, e os seus corrimões longos eram dourados. Quando se aproximou, pode ver seu próprio reflexo neles. Por fim, subiu um por um, com cautela, até chegar na segunda parte da cabana.

E havia mais um corredor. Só que neste, não havia sete portas.

Apenas uma.

Jared poderia virar-se e ir embora. Procurar ajuda com o homem que dirigira até ali ou se não, buscar outro caminho pela floresta. Mas era como se... Ele estivesse ali há tanto tempo...

Ele tinha que estar ali.

Andou pelo corredor, o seu coração batia desenfreado ao contrario dos seus passos que pareciam leves e calmos na madeira podre. Então, ele encontrou mais uma escada. Só que esta, era curta e simples e vinha do teto da cabana.

Um Sótão.

Jared fechou os olhos por um momento e engolindo em seco, subiu os degraus que quase não conseguiam suportar seu peso. E a sua reação poderia ser de assombramento, ou de confusão ao ver o vulto perto da janela suja de poeira.

Mas, ele podia reconhecer aqueles olhos verdes em meio a uma escuridão.

Como se ele estivesse sendo puxado até o homem, seus pés o levaram até o homem que ainda estava escondido pela penumbra do lugar. Seus olhos encheram-se de lágrimas e ele mesmo nem sabia o porquê, mais no momento em que ele o viu, seu peito ficou sufocado. Como se a sua respiração não bastasse naquele instante.

-Você chegou...

-Eu não sei... – Jared engoliu o nó na garganta, sentindo a sua voz quebrar. – Eu não sei onde eu estou. Eu não sei quem eu sou, ou até mesmo quem é você.

Jared não pode ver o rosto a sua frente, mas os olhos verdes pareciam sorrir.

-Não deixe que o medo cegue você, Jared.

O moreno deu um passo para frente, soltando a respiração.

-Você sabe quem eu sou? De onde me conhece?

Um raio apareceu no céu, mas os olhos esverdeados de Jared permaneceram no vulto escondido nas sombras.

-Nos conhecemos há pouco tempo. Em outra dimensão... – A voz masculina pareceu hesitar.

Um grito de dor ecoou pela cabana toda e Jared se virou em direção ao som, seus olhos arregalados pelo susto.

-O que foi isso? Quem está aí? – O moreno voltou-se para o vulto novamente. – Por favor, eu quero ir para casa.

-Você terá que lidar com isso sozinho. Mas antes, você tem que se libertar Jared. Esse é o propósito de ter chegado até aqui.

Mais um raio riscou o céu, e Jared olhou para a floresta. Entre os troncos finos das arvores, varias pessoas observavam à cabana, algumas até mesmo ensanguentadas. Quando o céu escureceu novamente, ele viu apenas as arvores, como antes.

Quando seus olhos voltaram-se para frente, o homem tinha aparecido por completo. Loiro, um pouco mais baixo que ele, e os olhos verdes o miravam cheios de vida.

-Você precisa ir.

-Aquelas... Aquelas pessoas...

O homem espalmou sua mão cheia de sardas no vidro da janela. A poeira não sujou a palma branca e pálida.

-Mortas... Todas elas.

Jared levantou a mão para toca-lo, mas hesitou e desistiu.

-Você também, não é?

O homem deu um sorriso e Jared achou-o um tanto sinistro, mesmo que as feições dele continuassem belas.

-Digamos que eu devo levar essas almas até para outra dimensão. É o meu trabalho.

-Você é um ceifador? – Jared não conseguia acreditar que aquele homem que parecia conhecê-lo apenas com um olhar, era algo sobrenatural. Ele viu a capa negra que o outro usava, arrastar no chão sujo.

-Eu não tenho muito tempo para explicar, Jared. Mas, eu quero que preste atenção no que eu vou explicar.

Outro grito pela casa ecoou, e o moreno pode escutar também, choros e batidas de portas no andar de baixo.

-Todas essas pessoas que você viu na floresta, estão mortas. Eu tenho que ceifa-las o quanto antes.

-Eu... – Uma lagrima caiu no rosto de Jared. – Eu estou morto?

A expressão no rosto do ceifador, se fechou.

-Não. Eu tenho que ceifar a sua alma, já que você veio até a mim. Se você veio por este caminho, é por que o seu destino pode ser como qualquer uma dessas pessoas que sofreram por alguma tragédia. Mas, eu não quero que perca a esperança. E nem sinta medo.

-Mas como... Eu sinto, um frio tão grande. E eu me sinto preso aqui, como se eu não pudesse estar em outro lugar.

O homem aproximou-se e Jared não se afastou. E não afastou a mão fria do seu peito, onde seu coração batia ritmado.

-Você deve voltar para o mundo dos mortais. Seu lugar não é aqui, mesmo que isto seja contra a tudo que eu fiz durante milênios. – Outro raio riscou o céu, e por segundos o rosto do belo homem ficou desfigurado totalmente em pedaços. – Siga a neblina azul, Jared. Percorra a floresta e não dê atenção a nenhuma alma que o chame. Só pare de andar quando você enxergar a si mesmo.

-Eu não entendo. Mas e você? Como sabe que eu realmente tenho que voltar?

Jared ouviu passos no corredor abaixo deles.

-Eu tenho muito trabalho a fazer agora, e você tem pouco tempo para voltar. E Jared, não hesite. Se você ainda tiver uma chance nas mãos, agarre-a. Viva.

Jared balançou a cabeça, um pouco desnorteado. Quando pensou em se afastar, o ceifeiro aproximou-se mais e colou os lábios pálidos em sua orelha, fazendo o humano fechar os olhos, como se apenas uma brisa fria assopra-se na curva do seu pescoço.

-Eu sei o que aconteceu com você. Sei que você foi machucado... Eu poderia ter ceifado sua alma ali, quando você segurou aquela arma. E poderia te levar agora e você nunca mais voltaria.

Jared fechou os olhos, angustiado. Sorriu quando sentiu os dedos limparam suas lagrimas.

-Mas você não vai.

O homem riu.

-Não... Não ainda. Agora vá.

Jared acenou e desceu a escada do sótão. Varias pessoas estavam em pé no corredor o observando em total silencio. Mas ele sabia que não podia parar, então continuou andando. Desceu a escada e caminhou pelo corredor do primeiro andar, e agora, as sete portas estavam abertas. Memorias que ele tinha esquecido, ou deixado para trás, estavam por trás das portas... Mas ele não podia mergulhar na escuridão, não outra vez.

Ele tinha que ir. Não podia ficar.

Então, ele correu. Desviou dos troncos das arvores, seguindo a neblina azul que as cobria. Seus olhos procuravam por algo que não sabia o que era, mas seus passos nunca paravam. Mulheres, Homens e crianças observavam um ponto de luz pela floresta, seguir direção contraria.

Jared era o ponto de luz.

Até que ele parou em um campo aberto. O cheiro da grama molhada, distraiu-o por alguns segundos. Mas sua atenção foi desviada para um ponto amarelo a alguns passos dele. Andou até no meio da floresta e reconheceu uma flor.

Na verdade, uma tulipa.

E quando Jared arrancou-a da terra, as lembranças invadiram sua mente, levando-o para outra dimensão.

Romance...

-Jensen! Ainda não terminamos esse assunto!

Jared exclamou enquanto seguia o loiro pela pequena casa deles. O loiro subiu as escadas e entrou no minúsculo quarto e puxou a mala velha debaixo da cama de casal, para logo em seguida abrir a porta do armário de madeira e tirar algumas peças de roupa. Ambos pareciam tensos por fora. Mas, por dentro estavam quebrados.

Jensen estava indo embora.

-Eu sabia, sabia desde o começo que os seus amigos não eram nada confiáveis! – Jared observava o outro colocar alguns de seus objetos na mala, e finalmente o moreno pareceu cair em si. Jensen, a pessoa que ele mais amava, seu amigo de infância e há sete anos, seu marido, estava indo embora.

Estava deixando-o.

Jared no começo não conseguia acreditar que a pessoa que ele conhecia tão bem, melhor do que a si mesmo, poderia ceder as provocações dos amigos e ligar para opiniões dos outros. Houve discussões que o próprio Jared, achava desnecessário.

Ele e Jensen eram melhores amigos, desde crianças. Conheceram-se em um orfanato da pequena cidade onde moravam, até ali. Pode-se dizer que foi uma amizade à primeira vista. Os anos foram passando, e quando fizeram 17 anos, começaram a trabalhar e conseguiram alugar uma das casas antigas, em um dos becos gelados e escuros da cidade Othuos. Muitas casas ali, eram precárias assim como o modo que as pessoas viviam também. Havia pequenos comércios como lojas, lanchonetes, a estação de trem, e a confeitaria.

Os donos dela eram Jared e Jensen.

Mas há alguns meses, ela deixou de dar lucro. Pessoas pararam de encomendar bolinhos, tortas ou qualquer outra guloseima, e por mais que Jared abaixasse os preços de seus bolos confeitados e saborosos, os lucros haviam diminuído bastante, a ponto de não ter quase o que comer no final de cada mês que passava. E em algum momento, Jensen se cansou daquilo.

O que deixou, Padalecki muito surpreso. Pois, eles já vivam naquelas condições desde crianças. Jared nunca ficou tão feliz quando conseguiu comprar uma aliança de ouro barata para dar a Jensen no casamento deles. E ele pode ver, o brilho nos olhos verdes, que pareciam se contentar com tão pouco, dividir tudo o que ganhava com ele, tanto nas coisas materiais, quanto nos sentimentos.

Eles não viviam de amor, por que o tal sentimento não pagaria suas contas ou compraria ingredientes para a confeitaria. Mas, movia os dois a viverem felizes na companhia um do outro.

E Jared o amava tanto, e sabia que o amor deles não havia acabado. Por isso, lutaria o quanto pudesse para ter Jensen com ele. Ackles era a sua ancora, o motivava a abrir os olhos e dar um largo sorriso pela manhã. Sentir o calor do corpo sardento ao seu lado, na modesta cama deles, nos primeiros raios de sol.

Sentir os dedos de seu marido enroscar aos seus, quando eles sentiam a desesperança assola-los. Ou ate mesmo quando Jensen se sujava completamente com um saco de farinha apenas tentando fazer uma bela torta e colocar, todo orgulhoso, sua obra prima na vitrine da confeitaria.

Jared lembrou com um sorriso triste, quando Jensen havia feito uma torta de morango. A expressão de felicidade que ele tanto amava, ao colocar a guloseima a venda, e ninguém ate então compra-lo. Então, ele aproveitou a saída repentina do marido ao mercado e colocou uma nota de dez dólares no caixa, e deu a torta para um senhor que trabalhava na estação de trem. Como o homem conhecia-os desde pequenos, ficou totalmente agradecido.

E o coração de Jared bateu descompassado quando viu o brilho nos olhos de Jensen quando este viu que a sua torta não estava mais na vitrine junto com os cupcakes, bolinhos de primavera e tortas.

Eles eram uma parte um do outro. E Padalecki, sabia que não suportaria perde-lo.

-Jensen... Por favor, você não tem que fazer isso. – Aproximou-se do marido que estava de costas para ele, enquanto estava com a testa apoiada na porta do armário. – Eu e você nunca precisamos de luxo para sermos felizes. Nunca nos faltou nada e... Olha me dá mais um tempo ok? Eu... Prometo reverter isso, só não vai embora.

Jensen fechou os olhos quando sentiu as mãos tremulas de Jared em seus ombros. Seus olhos lacrimejaram e antes mesmo de derramar uma lagrima, se afastou do toque, pegando seu casaco que estava jogado sobre a cama, e a mala. E nem um momento desde que falara para ele que estava indo embora, olhou diretamente nos olhos de Jared. Por que sabia que não aguentaria ver a magoa e dor nos olhos da pessoa que ele amava.

-Adeus, Jared.

Ackles passou pela porta do quarto, e depois de alguns segundos de estupor, Jared virou-se ofegante para alcança-lo.

Mas quando chegou à sala de estar e se viu sozinho, finalmente se deu conta de que ele havia ido. Com passos cambaleantes, sentou-se no único sofá da casa e afundou os dedos em seu cabelo. Respirou fundo uma, duas... Muitas vezes, tentando manter sua respiração normalizada, mas não conseguia. O aperto em seu peito estava insuportável.

Quando ele, Jared, sentia-se pequeno, com medo e confuso, ele não demonstrava. Pelo menos, em todas vezes ele achava que disfarça bem. Mas, Jensen sempre sabia. Ele chegava silenciosamente atrás dele o abraçando, colocando sua cabeça em seu ombro, cantarolando alguma musica que os dois gostavam. Fechavam os olhos, e deixavam-se embalar ao som do timbre baixo da melodia...

-Garotos insolentes! Voltem para os seus quartos e como castigo só terão refeição quando acabarem de ler todos os livros da prateleira! – A senhora de coque apertado, falou rigidamente, enquanto trancou a porta do aposento guardando a chave entre os seios escondidos pelo pano preto de seu vestido longo.

Os dois meninos escutaram o som do salto se afastar no corredor. Um deles desceu da cama e foi ate a prateleira, ficando na ponta do pé, puxando o livro mais grosso que achara. Voltou para a cama e sentou-se ao lado de seu melhor amigo.

-Está tudo bem Jay?

O garoto apenas acenou com a cabeça torcendo os dedos das mãos pequenas. Ele parecia envergonhado. Mas, um sorriso tímido apareceu no rosto deste, quando sentiu um beijo em sua bochecha.

- A Sra. Hilston é uma rabugenta. Mas ela não fará nada contra nós, por que eu vou proteger você. E um dia, você me prometeu que não deixaria nada ruim acontecer comigo, certo?

O cabelo castanho do menino caiu em seus olhos quando este virou-se para encarar o garoto ao seu lado. Ele achava o cabelo do seu amigo, diferente, parecia da cor de areia. Cada vez que ele olhava para os fios loiros, ele se lembrava da areia das praias, do mar...

-Claro que sim, Jens.

Jared olhou atentamente para a aliança em seu dedo anular.

-Ok, agora eu quero que você prove este cupcake, tenho certeza de que este você vai gostar. – Jared riu quando viu a careta que o outro fazia. Este seria o sexto bolinho que o loiro provava, e parecia não aguentar mais.

Só que aquele cupcake em especial, Jensen teria que dar uma atenção redobrada.

-Amor, me desculpe, mas... Eu sei que estão todos bons, eu degustei a maioria. É só por na vitrine e vender. – O loiro se aproximou dando um selinho nos lábios finos de Jared que não se deu por vencido.

-Não, não. Eu insisto. – O moreno empurrou o doce para os lábios carnudos de Ackles que revirou os olhos, rindo.

-Por que?

-Você vai descobrir quando provar. – Ele piscou e assim, observou ansioso, Jensen dar de ombros e dar uma mordida generosa no cupcake de chocolate. O loiro o encarava enquanto mastigava calmamente. Prestes a perguntar o que tinha de especial, quando...

Ackles arregalou os olhos ao quase se engasgar com algo circular e pequeno entre os confeitos do chocolate em sua boca. Quando tirou o tal objeto entre os seus lábios, não conseguiu disfarçar a surpresa.

Uma aliança.

Então, ele levantou os olhos verdes para olhar Jared e viu que este o encarava com uma expectativa tão imensa... Uma rápida lembrança sobre um Jared, criança, encarando um bolo de baunilha com avidez no orfanato, passou em sua cabeça.

-Oh...

-Oh? Sério Jensen? – Eles não evitaram o riso.

-Você quase mata o seu futuro marido engasgado e quer que eu diga o que?

Jared arregalou os olhos, as covinhas em rosto acentuando-se.

-Anh... Sim?

Jensen sorriu e se aproximou, beijando-o demoradamente dando assim, sua resposta.

Não, não... Ele não podia deixa-lo partir.

Saindo de casa apressado, correu até o pequeno e velho Seat 600 vermelho que estava com a lataria se desfazendo, e os pneus carecas. Ligou a chave na ignição partindo para a estação do trem.

Só que, o motor nem sequer deu sinais de vida.

-Argh, por favor, não piore as coisas ok? Eu e Jensen compramos você com um sacrifício imenso e só pra lembrar você, ninguém quis te comprar além de nós dois, então não me deixe na mão quando eu mais preciso de transporte! – Jared gritou para o ar dentro do carro. Um casal que passava pela calçada olhou para ele, que deu um sorriso amarelo.

Respirando fundo, ligou a chave na ignição e suspirou de alivio quando escutou o barulho do motor.

Quando estava saindo do carro, eram cinco horas.

O trem saía apenas em dois horários. Às sete da manhã e às cinco da tarde.

Ele podia sentir seu coração bater tão rápido que o deixava nervoso de deixar a porta do carro aberta e correr até a plataforma da estação. Viu desesperado o trem se afastar, a alguns metros, deixando para trás um rastro de fumaça preta no ar, indo em direção aos morros e colinas...

Até que ele olhou para uma figura sentada no banco, encolhida, passando despercebida para os poucos que estavam saindo de lá. Soltou um riso aliviado, enquanto sentia as lagrimas desceram pelo seu rosto. Com passos cautelosos, andou ate o homem que apoiava os cotovelos nos joelhos, e o rosto entre as mãos.

-Então... –Engoliu em seco. – Você perdeu o trem.

Jensen levantou os olhos, vermelhos por um choro recente.

-Eu não consegui subir no trem, Jared. Eu... – Jensen engoliu um soluço enquanto olhava para o anel em seu dedo anular.

-Hey Jens... – Jensen olhou-o novamente. – Seus amigos fizeram o convite de ir para a capital... Prometeram a você, uma vida melhor, um trabalho e ate mesmo um lugar para morar, provisoriamente, apesar de eu achar que em meio a guerra, aqui na Irlanda em pleno século 40 ser difícil... Mas mesmo assim, se você conseguisse tudo isso... Seria feliz?

Jensen fechou os olhos, as lagrimas correndo por seu rosto, negando com a cabeça.

-Não Jay... Acho que eu não suportaria viver com um aperto insuportável dentro de mim, ficando longe da única coisa que me importa. Eu não me importo com o dinheiro, eu só... Me machuca viver todos os dias, sem poder comprar algo do bom e do melhor, ou comprar algo pra você... Não lucrar com o nosso investimento na confeitaria...

-Se a vida fosse fácil demais, que graça teria, Jens? – Jared apertou a mão do marido entre as suas, e recebeu o aperto de volta. – E eu sei, que em algum lugar aí dentro de você, adora um desafio...

-É... Por isso que eu casei com você, Padalecki. – Eles riram, observando o sol começar a se por. Jensen voltou-se para o homem ao seu lado e o seu sorriso permaneceu no rosto quando viu que o garoto que ele havia conhecido, tinha amadurecido. E sendo assim o seu suporte.

Jared o beijou, ate que de repente teve um sobressalto quando olhou uma flor atrás de Jensen, no banco de madeira.

Uma tulipa amarela.

E quando Padalecki viu as íris verdes brilharem em uma cor intensa, não sentiu medo.

Estava voltando para a sua vida normal.

Para a sua casa.

Continua...


*Abre a porta devagar rangindo no aposento vazio* Oi?

Okay. Vamos do inicio, leitores.

Eu sei, seeeeei que pisei feio na bola com vocês por ter sumido tanto tempo, sem atualizar. Mas, a faculdade esta sugando todo o meu tempo, e o descanso que sobra, eu uso para dormir e dormir, shuashuashua. E eu também, estava meio desmotivada com a historia. Minha mente simplesmente deu *paine* total e fiquei enferrujada com Sete Desejos.

Então, um dia desses, eu resolvi ir escrevendo aos poucos, e yaaay, saiu o capitulo onze. Eu realmente espero que vocês tenham gostado e entendido um pouco da essência dele.

Apesar do capitulo ser divido em gêneros de filmes já que Jensen transportou eles dois para as diversas dimensões, ele teve um valor importante para o Jared. Como um voto de confiança dele para o seu gênio da lâmpada que sim, ainda continuará aprontando, shushuashua. Mas, no próximo capitulo, haverá uma pequena surpresa... E não muito agradável, na minha opinião. Ah, e sobre os gêneros, claro que faltou alguns, mas preferi colocar os que eu gosto mais.

Mas hey, continuem lendo e comentando caríssimos! Não vou prometer quando irei postar de novo, mas quando eu estiver a todo vapor, a fic será atualizada.

Peço desculpas pelos possíveis erros ortográficos, heeeh.

Beijão e até o próximo capitulo!