Handshake
Autor: Flamingo in Chaos
Rated: T
Sinopse: Bella se forma na faculdade e lá está Edward, observando-a da plateia, feliz por estar presenciando este momento tão especial.
Crepúsculo pertence à Stephenie Meyer
"Em algum lugar no sono
Há alguém que não viu isto chegando
Se tudo isto te deixa pra trás
Isto não significa nada."
- Wake Up, Two Door Cinema Club
Bella
Dia Dois
Não havia nada mais a se fazer, a não ser esperar por Edward Cullen e isso me frustrava. Parecia que eu estava de volta ao último ano do colegial, olhando pela janela e esperando que Edward entrasse furtivamente.
Me arrependi de tê-lo expulsado no instante em que ele sumiu da minha frente e a única coisa que me impediu de gritar para que ele voltasse foi o orgulho que criei depois de todos esses anos.
Quando comecei a notar sua presença distante, sempre me imaginava como seria minha abordagem, se iria apenas correr até ele ou se iria pular em seus braços e impedi-lo de fugir... Essas fantasias bobas me impediam de dormir às vezes e, quando caía no sono, meus pesadelos sempre o envolviam, geralmente me rejeitando em público.
Tentando ser produtiva, arrumei minha mala pra Paris. É claro que minha mente começou a viajar novamente. Será se Edward gostaria de me ver nessas roupas? Ele sempre gostou daquela blusa azul, talvez eu devesse levar aquele vestido azul marinho...
Quando olhei para a minha mala meia hora depois, todas as peças de roupas eram de algum tom de azul, então, desfiz tudo e excluí qualquer peça de roupa que fosse azul.
Arrumei o apartamento, varri e esfreguei o chão até que ele estivesse brilhando. Reguei as plantas e fui até Ângela combinar a frequência de vezes que ela deveria cuidar das plantas enquanto eu estivesse fora, ela é a vizinha mais próxima, mora no andar acima do meu. Nós duas acabamos vindo juntas para a faculdade, após seu namoro com Bem Cheney ter chegado ao fim junto com o colegial.
Ao fim do dia, com as malas prontas e o apartamento já arrumado e todos os detalhes da viagem acertados, não restava para fazer.
Suspirei e liguei a TV, pronta pra assistir algum programa sem noção para me distrair e me deparei com um filme de herói. Homem-Aranha. Parecia um filme inofensivo, cheio de ação e lições de moral. Eu evitava fortemente comédias românticas.
Fiz pipoca e até peguei refrigerante para assistir.
Peter Parker estava fazendo de tudo para chamar a atenção da Mary Jane que como todo par romântico que se preze, estava sempre em perigo, exigindo sempre que o pobre Homem-Aranha fosse atrás dela e, é claro, ela estava interessada no herói.
Algo estava me incomodando a respeito do jeito que o filme estava progredindo, mas não consegui identificar até que fosse tarde demais. Peter Parker dispensou Mary Jane, a garota dos seus sonhos, quando ela finalmente reconheceu que estava gostando dele, porque ele era um super-herói cheio de inimigos e não poderia colocá-la em perigo.
Os créditos começaram a subir enquanto as lembranças daquele almoço em particular enchiam minha mente.
"Quais são suas teorias?"
Eu corei. No último mês, andei vacilando entre Bruce Wayne e Peter Parker. Não havia jeito de eu confessar isso.
"Não vai me dizer?" Perguntou ele, inclinando a cabeça de lado com um sorriso tremendamente tentador.
Soltei um grito de pura agonia enquanto as memórias frescas inundavam a minha cabeça. Minha mão pegou a primeira coisa pela frente, que acabou sendo a tigela com os restos da pipoca, e joguei na TV. Observei com assombro a TV cair lentamente para trás, soltando um barulho infernal quando chegou ao chão.
"MEU DEUS, BELLA! COMO VOCÊ É ESTÚPIDA!" O copo com refrigerante havia caído também, o liquido escuro estava se espalhando e manchando o carpete.
A vontade de chorar apenas aumentou e parecia que uma represa havia quebrado dentro de mim. Alguém começou a bater na porta.
"Bella, você está bem?" Ângela estava batendo freneticamente na minha porta. "Você está machucada?"
Tentei levantar e abrir a porta, mas meu corpo não estava respondendo. Tudo o que eu conseguia fazer era chorar freneticamente.
"Por favor, me conte só uma teoriazinha." Seus olhos ainda ardiam para mim.
"Hmmm, foi picado por uma aranha radioativa?" Ele também sabia hipnotizar? Ou eu é que sou uma covarde irremediável?
Sim, eu sou uma covarde irremediável. Sempre evitei pensar nele e agi como se tivesse o esquecido, quando na verdade estava apenas ignorando os danos que aquele término traumático causou. Como eu poderia ter feito essa proposta estúpida a ele quando as consequências resultariam em mais um dano ao meu coração?
"Bella! O que você está fazendo no chão?" Olhei pra Ângela por um momento. Como ela tinha conseguido entrar? AH! Eu dei a ela uma cópia da chave mais cedo...
Ângela analisou a bagunça e chegou a única conclusão possível, considerando meu histórico de acidentes.
"Você caiu em cima da TV?"
Balancei a cabeça entre soluços.
"Então..."
"Lembra do Edward? Ele apareceu na cerimônia de formatura."
Ela se sentou ao meu lado, evitando o refrigerante.
"Foi uma coincidência? Ele veio ver outra pessoa e vocês dois acabaram se esbarrando..."
"Não sei..., mas tivemos uma conversa e acabou mal. " Não tinha como explicar para Ângela a complexidade do meu relacionamento com Edward. Para todos os efeitos ele é apenas um ex-namorado que terminou comigo e quebrou meu coração.
"Primeiros amores nunca são esquecidos." Sua voz era cheia de saudade e eu sabia que ela estava pensando no Ben. "Sempre que vou até Forks visitar meus pais, passo pela casa dele no caminho até a minha e sinto muita saudade de tudo que aconteceu, tivemos um término tranquilo e mútuo, mal posso imaginar como você se sente."
"O que me frustra não é o término, é que ainda sinto a falta dele. Eu ainda sou apaixonada por ele. Parece que minha vida deu somente uma pausa até ele aparecer novamente, quando o vi no meio de todas aquelas pessoas, a primeira coisa que fiz foi sorrir pra ele. Eu estava feliz em vê-lo. Eu ofereci uma chance a ele."
"O quê?"
"A viagem a Paris, eu falei que estava disposta a tentar novamente e, se ele quisesse também, poderíamos nos encontrar no aeroporto." Ângela começou a secar minhas lagrimas, novamente eu estava chorando e não tinha percebido. "Acha que eu cometi um erro ao oferecer uma segunda chance a ele?"
"Eu teria oferecido uma segunda chance ao Ben. O importante é que você foi sincera com ele e consigo mesma, fingir que não sente nada não iria leva-la a lugar algum."
Assenti, concordando com ela. Meu coração não estava mais pesado. Ângela se levantou e começou a ajeitar a TV.
"E o que Edward Cullen tem a ver com a sua TV derrubada?"
Dei de ombros.
"Nada. Fiquei irritada com o final do filme e arremessei a tigela de pipoca nela."
Ângela começou a rir enquanto recolhia a tigela e o copo.
"Você sempre foi muito dramática, deveria parar, já somos adultas."
"Acredite em mim, o drama foi completamente necessário. "
N/A: Este capítulo acabou fluindo e acabou um pouco maior do que eu pretendia, espero que tenham gostado meus queridos leitores fantasmas. Queria agradecer a pessoa anônima que deixou um review, obrigada pela sua atenção. Até mais.
