Onde eu estava? Esse pensamento veio a mim vagamente no meio da escuridão.
Era totalmente desconfortável, ser apertado por todos os lados como se estivesse em uma caixa de metal. Eu não era claustrofóbico, mas mesmo assim era agonizante.
Me empurro nas paredes metálicas querendo sair, me debatendo a procura de uma abertura.
E quando finalmento acerto o lado da porta, eu saio...
E caio de cara no chão quase quebrando meu nariz.
Isso dói muito... Espero que não deixe nenhuma marca.
Levanto a cabeça e toco levemente meu nariz tendo certeza que ele não quebrou. Não tinha nada de muito anormal, só estava um pouco inchado.
Me levanto e observo o cenário. Eu estava em uma espécie de sala de aula, só que totalmente vazia e com arames farpados nas janelas.
Não parecia ser de uma escola brasileira, e sim daquelas que você vê em animes. Não pelo estilo ser japonês, mas por parecer uma animação 2D.
Isso era muito familiar...
MUITO FAMILIAR.
Eu esperava estar errado... Porém os dois armários, sendo um aberto, e o monitor gigante pareciam confirmar minha suspeita.
Minha terrível suspeita.
Para ter certeza eu coloco a minha mão no bolso da minha calça e sinto um objeto quadricular, que como eu imaginava, era um MonoPad.
Era isso mesmo... O item que todos os estudantes de Danganronpa possuem. E não qualquer Danganronpa, mas a versão V3.
O único jogo de Danganronpa que eu não tinha visto o final e nem mesmo sabia quem era o 'mentor'. Estou provavelmente tão perdido quanto todos os outros nesse quesito. Apenas tenho informações detalhadas dos personagens e sobre os acontecimentos no geral.
'Agora eu devo...' Olho suspeitamente para a porta, tentando escolher que caminho seguir.
Talvez fazer amigos? Mas sendo Danganronpa eles provavelmente vão se apresentar no ginásio, então pode ser deixado para depois.
Procurar Waifus? Infelizmente, estou na versão com menos waifus de todos os jogos de Danganronpa. Falando sério, as únicas que realmente valem alguma coisa seriam a 'Kaedead', a Miu e quem sabe a Tsumugi. Mas nenhuma delas é nível Kurogiri ou a lindissima Chiaki.
Aiai... O que eu não faria para que fosse o Danganronpa 2 em vez do V3.
Deixando os sonhos de lado eu meio que não consigo pensar em nada de útil para fazer a não ser o básico, sobreviver.
Mesmo assim esse lugar parecia tão irrealista como alguma espécie de sonho, não tinha como aceitar isso normalmente. É como se minha cabeça pensasse que fosse acordar alguma hora.
Suspiro liberando minhas frustrações, é melhor conseguir alguma informação sobre o que está havendo.
Olho para os dados do meu perfil no MonoPad e sou recebido com um pano de fundo amarelo, o nome 'Rick Amami' e minha ultimate descrita como um monte de pontos de interrogação.
Amami não é o sobrenome do Rantaro? Isso significa que eu peguei o lugar dele?
O lugar do primeiro cara a morrer...
Morrer por causa de um maldito mal entendido...
Isso não é nem um pouco bom.
Só digo que se eu morrer para um mal entendido irei amaldiçoar Kokichi por toda enternidade. Por que ele matou Gonta e isso é inaceitável.
*BAM*
Um barulho alto ecoou pela sala fechada anunciando outra pessoa que tinha saído do armário e caído no chão.
E foi uma das garota mais problemáticas do jogo.
"Nyahaha! isso foi estranho, mas muito divertido!"
A voz vinha de uma garota morena com cabelos loiros platinados e roupas de surfista e que por algum motivo tinha um maio como sua roupa principal.
Ah sim, a agitada Angie Yonaga infelizmente foi parar na mesma sala que eu.
"Olááá! eu realmente não tinha te visto aí." Sua voz era alta e alegre mesmo em uma situação claramente ruim de estar em um local desconhecido.
Eu realmente não queria ter algo com essa doida. Talvez se eu a ignorasse, ela pare de falar comigo?
"Não precisa ficar com essa cara emburrada. É muito melhor colocar um sorriso no rosto e viver feliz e alegre! É isso que Atua diz!" Ela se aproximava de mim enquanto seus olhos azuis como oceano me analisavam como potencial devoto.
...
"Ya-haha, que timidez! Vamos diga qual o seu nome, Atua adora ter novos crentes!" Disse Yonaga enquanto se aproximava cada vez mais. Ela sem dúvida iria fazer a coisa que eu mais odeio que os outros façam; Entrar no meu espaço pessoal.
Droga. Parece que terei que usar técnicas proibidas para escapar, a também conhecida como NIGERUNDAYO.
Viro em 180 graus esperando correr para a porta semi aberta. Mas em vez de ver a porta acabo encontrando um rosto sorridente familiar.
"O meu nome é Angie Yonaga. Eu sou a Super Colegial Artista!" Como ela foi tão rápida? Virou a Pinkie Pie agora?
Não posso fazer mais nada, terei que me render por enquanto.
"O meu nome é Rick S-... Amami." Quase errei o sobrenome, eu meio que tenho que me acostumar com o meu novo agora. Como se lidar com uma adolescente fofa extrovertida com tendências manipuladoras já não fosse suficiente.
"Eu vejo, eu vejo. Um nome realmente incomum, interessante..." Vou levar isso como um elogio.
A garota então tira um pincel do além, também conhecido como interior de suas roupas, e começa a pensar profundamente enquanto o apoia em seu rosto.
Parece que ela finalmente caiu a ficha de estar em um local estranho.
E eu que ainda estou desacreditado de estar em um jogo de assassinato e com class trials(Julgamento de classe).
Matar uns aos outros em busca de uma esperança inalcançável de ir para casa. Mesmo para alguém insensível como eu, isso era muito para se lidar.
E não estou falando isso como um EDGY qualquer que fica se achando por ser sem empatia e essas coisas. Não, eu tenho problemas reais sobre isso, tipo certas partes do meu cérebro funciona diferente do normal por causa de fortes traumas que tive que lidar.
Não fui diagnosticado como um sociopata por não ser tão grave assim, mas teve certas consequências. Uma delas é uma pequena dificuldade de sentir empatia e culpa.
Bem já deu de dar minhas informações pessoais.
Pelo menos meu monólogo deve ter sido suficiente para Angie parar de prestar atenção em mim.
Viro meu rosto e olho para a garota. Não, ela ainda ta me observando como um falcão e seu pincel tinha sumido.
Ela quer que eu fale da minha Ultimate ou algo assim? Eu nem sei se tenho algo como isso. Ou talvez as interrogações sejam o talento? Algo como Ultimate Charada...
...
Nah, to viajando. Aqui não é Gotham.
Talvez se eu apenas pegar a do Rantaro ou algo assim seja mais fácil? Ele não está aqui para reclamar de qualquer jeito.
~ "RISE AND SHINE – URSINE!" ~.
Cinco pequenos ursos saem de buracos do teto, cada um tendo uma metade branca e outra de uma cor diferente.
"Rise and Shine - Ursine!." Monotaro repete a sua fala anterior. Como se já não fosse enjoativo o suficiente.
Esses ursinhos chatos e irritantes que só serviam para fazer piadas sem graça, desnecessárias, nojentas e etc...
Em resumo, eu não gostava deles.
O único que eu me identificava um pouco era o Monosuke e só. O resto podia explodir que não fazia a menor diferença.
"Oh, como vocês estão?." Disse a Monomi pirateada.
"Ehh?! Eu não sou uma Monomi, eu sou a Monophanie!" Droga falei em voz alta.
"O que é uma Monomi afinal?" Perguntou o ursinho metade vermelho inclinando a cabeça.
Eles não deviam saber sobre a Monomi? Talvez eles saibam e só estejam se fazendo de ignorantes, ou só são muito burros mesmo. Todas as opções são válidas.
"Vocês são tão fofos! Por acaso gostariam de serem seguidores de Atua?" Nem mesmo nossos sequestradores conseguem escapar do radar de Yonaga. Estou impressionado e não de um jeito bom.
"Quem no inferno é Atua?" Pergunta o urso meio amarelo com listras escuras. Eu rio mentalmente por causa da ironia de sua frase.
Aproveitando o momento eu vou vagarosamente embora e deixo os idiotas para trás. Preciso ficar o mais longe possível desses problemáticos para sobreviver, com ênfase na Angie. Os monokubs são ameaças fracas perto dessa manipuladora.
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POV MONOKUBS
"Já entendemos! Já entendemos que você gosta desse Deus Atua. Não precisamos que você fale mais, ok?! Chega!" Monosuke parecia irritado com a borbulhenta garota que atrasou sua tarefa.
"Sim, viemos falar sobre... sobre o que mesmo?"
"Para responder as perguntas deles! Monotaro estúpido!" Respondeu Monosuke franzindo a testa robótica.
"Ah relaxa, já respondemos o suficiente, não?"
"ONDE - ESTÁ O - OUTRO GAROTO?" Fala Monodam inexpressivo como sempre.
"Hãn?!" Monosuke finalmente percebe que o estudante masculino tinha ido embora sem que ele ao menos percebesse. "Monodam estúpido! Por que você não avisou antes!?"
Monokid então pega sua pequena guitarra e a quebra na cabeça de Monodam. "HAHAHA! Finalmente posso bulinar o Monodam com uma justificativa."
"Bem a culpa não é nossa que ele foi embora. Vamos contar como se ele não tivesse dúvidas então." Disse Monosuke passando a pata em seu rosto cansado.
~ SO LONG! BEAR – WELL!" ~
Depois do som característico, os ursos sumiram por uma passagem que se abriu no chão embaixo de cada um deles.
Deixando a garota sozinha na sala.
"Isso foi muito divertida! Talvez tenha mais pessoas para crerem em Atua nessa escola?... Ya-haha, mal posso esperar!" Disse a artista saindo da sala saltitante e alegre.
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POV RICK
Essa escola é enorme. Eu sabia que era grande, mas isso é outro nível.
Não passou 10 minutos e eu já estava perdido como em um labirinto. Um labirinto gigante.
Então decidi apenas ficar olhando meu reflexo em um espelho que encontrei no corredor. Meu rosto assustadoramente inexpressivo me olhava de volta; era meio medonho ver você mesmo em formato de anime.
Como estou em Danganronpa, parece que eu posso mudar minhas expressões faciais drasticamente de uma forma impossível anatomicamente. Eu posso fazer olhares assustadores, colocando sombras na frente de meus olhos, deixando eles negros e grandes de forma ameaçadora e até mesmo fazer sorrisos enormes que parecem ter vindo de uma creppypasta.
Parece que depende totalmente do meu estado emocional e da minha vontade. Se eu querer fazer uma cara assustadora eu preciso pensar nisso e depois meu rosto irá voluntariamente para a expressão desejada.
É incrível. Meu lado fanboy está maravilhado com tais possibilidades, porém por enquanto irei ficar com meu rosto inexpressivo misterioso. Vai que aparece os protagonistas do nada, ou pior, a Angie novamente.
Falando de personagens importantes, eu encontrei a garota cosplayer perto da estatua de um dragão. Eu poderia conversar, mas preferi não, ela parecia estar extremamente interessada na no dragão de pedra então porque atrapalhar.
Como estou em um mundo de Danganronpa é necessário ter uma estratégia, mas não tenho certeza de qual será a minha.
Tem tantas opções...
O Amigável que fala e gosta de todo mundo. A vantagem é que tendo seus sentimentos eles iram me defender até que irracionalmente, mas isso seria destruído em um julgamento de todo jeito então seria só enrolação. Basicamente, meu oposto completo.
O Neutro. Não liga muito para o jogo e fica na dele, no julgamento não participa muito e quando participa é para dar uma dica importante que todos não perceberam. De alguma forma parece combinar comigo.
O Caótico. Faz o que quer quando quer, zoa e engana nos julgamentos apenas por diversão e só fica sério quando necessário. Basicamente o Kokichi.
Hmm... Todos parecem bons de alguma forma, mas o neutro é de longe o melhor. Com ele eu não ficarei do lado negativo das pessoas como no caótico e talvez eu possa ter alguns aliados também, de preferência não os protagonistas ou pessoas tipo manipuladores natos e assassinos. Estou falando de você mesmo Korekiyo e Maki. Mesmo a Maki sendo fofa como o inferno.
Na verdade, as garotas desse lugar são todas fofas demais. Não sendo gado nem nada, é só que ver personagens de 'anime' na vida real é algo inexplicavelmente incrível. A beleza parece ultrapassar os limites do ser humano, ou algo assim.
Talvez eu seja um pouco gado de garotas 2D mesmo. Como o grande Hifumi Yamada, homem de cultura.
Minha caminhada aleatória me deixa em um corredor igual aos outros; cheio de mato, flores e até árvores. Como que uma escola ficou assim exatamente? Eu não lembro qual foi a justificativa no jogo.
"Bem, voltando um pouco é a estátua do dragão." Eu olho para a estátua e para a Tsumugi que está sendo cutucada por uma garota de cabelos loiros junto a um cara com boné.
Dou a volta rapidamente, não querendo encontrar os protagonistas ainda. Inclusive a garota que pode ser a primeira assassina. E pior, nessa analogia eu seria a vítima.
Encontro as escadas e desço tendo cuidado com os pés, ela é bem estreita.
Explorando o andar encontro outro corredor e várias portas. Uma delas tinha uma placa com o nome de 'Loja da Escola' e outra com o nome de 'Armazém'.
Relembrando minhas memórias eu vou para a grande porta que não tinha placa e parecia ser feita de madeira. Dentro havia uma grande quantidade de cadeiras ao redor de uma mesa grande. O refeitório.
Olho para as pessoas dentro da sala: Uma garota de cabelos vermelho curtos e um chapéu de mago junto a uma garota de cabelos castanhos escuros com laço de cata-vento, uma relativamente perto da outra.
Se me lembro bem; seus nomes são Himiko para a 'maga' e Tenko para a odiadora de homens.
E que odiadora de homens... ela já está até me dando um olhar hostil, eu que não vou me meter em seu caminho.
Ela deve ter se apaixonado pela Himiko agora... Eu acho... Isso era bem estranho e sem explicação no jogo. Talvez seja algum tipo de fetiche por crianças fofa, tipo, amor não deve ser. Elas mal se conhecem.
Não me venha com amor a primeira vista que isso não existe. Romancismo já acabou a séculos atrás.
Nah, quem sou eu para julgar afinal.
Saio e vou explorar outra sala, dessa vez o armazém. E encontro alguém interessante.
"Não tem nada aqui, droga!" Uma garota de cabelos longos loiros morango e com dois ahoges, vestindo uma roupa excêntrica e tendo um grande decote.
Mas qual a necessidade desses cintos pelo corpo? Parece algo que um chuuni usaria para chamar atenção.
A Super Colegial Inventora foi de longe uma das pessoas mais úteis do jogo. Ela conseguiu fazer ferramentas que podiam destruir as defesas do Monokuma e até controlar os Exisals.
E mesmo assim ela não teve um único amigo aqui. Faz sentido levando em conta sua personalidade agressiva e que agora ela está procurando algo para se drogar.
"Ei, Virjão! Tu vai ficar ai encarando a minha bunda mesmo? Você pode dar uma boa olhada se quiser, mas que tal me ajudar um pouco também!?"
Então personagens podem começar uma conversa afinal, eu pensei que ela ia ficar esperando eu chegar nela como no jogo. Terei que me acostumar com isso.
"Certo, certo. O que você está procurando exatamente?" Digo dando meu olhar inexpressivo de sempre, foi bem fácil dominá-lo nesse lugar.
"Remédios. Preciso de algo químico para me acalmar nessa situação de merda!" Ela continuou abrindo caixas enquanto falava. Ela olhava dentro da caixa e jogava para o lado, amontoando um monte no chão. Dava para ouvir seus rosnado de raiva a cada tentativa fracassada.
Eu pego uma das caixas também e olho para ver se encontro algo interessante, porém só têm latas de salsicha
"Só para saber, porque você quer remédios?" Tento continuar uma conversa.
"Você é idiota?! Eu preciso de remédios para ficar drogada, seu imbecil!"
"Entendo..." Me seguro muito para não chamá-la de muitas palavras ruins.
Seja amigável... Não soque a cara dela... Não vale a pena...
Continuei ajudando ela na sua procura. E depois de várias caixas não encontramos nenhum remédio, mas eu achei uma caixa de pirulitos de uva.
Coloquei uns 5 no meu bolso para depois.
"Mas que droga... Onde diabos está isso?" Ela continuava xingando alto para livrar de suas frustrações de não encontrar nada nas prateleiras. E isso acabou chamando atenção de certas pessoas.
"Hey, O que você está procurando?" A sorridente Kaede aparece novamente junto ao seu adorável cãozinho, Shuichi. Sério o cara segue ela como um animal abandonado, é meio triste.
"Não se mete aqui, vadia!" É a hora perfeita para sair no escuro.
Dou a volta nos protagonista sem fazer barulho e saio da sala, usando a famosa habilidade 'Hikki Stealth' de Hikigaya Hachiman.
Bem, essa foi por pouco.
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POV KAEDE
Parece que Shuichi está muito calmo depois que ela falou do boné dele. Será que é algo de especial para ele?
O Ultimate Detetive começa a olhar ao redor um pouco surpreso. "Miu, não tinha um garoto junto com você a alguns instantes?"
Agora que eu penso bem, tinha duas pessoas nessa sala quando entramos; um garoto baixo que parecia ter uns 15 anos com cabelos escuros e um olhar inexpressivo.
Mas, ele não estava em lugar nenhum da sala.
"Era apenas outro virjão! Aquele idiota era tão inútil que nem mesmo conseguiu me ajudar até o final!"
O que significa que ele estava aqui e saiu assim que nós chegamos, talvez ele tenha medo de algum de nós?
Isso é estranho. O Shuichi nem parece assustador e eu sou só uma garota normal, não tem nada para se temer da gente. Não é?
"Muito estranho." Disse Shuichi colocando a mão em seu boné. "Ele também estava perto da Tsugumi e fugiu quando viu a gente."
"O que?! Então ele realmente está fugindo da gente?"
"Não sei. Mas se o encontrarmos poderemos descobrir."
"Certo, então vamos falar com ele então!"
Quando encontrarmos eu mostrarei o quão legal somos. Se prepare garoto, você também será um dos meus amigo.
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O portão abriu finalmente, tive que esperar uns minutos até liberarem o caminho para a entrada.
O que significa que os protagonistas já descobriram os laboratórios dos Super Colegiais. Será que eu tenho também? Nunca foi mostrado um laboratório do Rantaro, então é provável que não.
A espera foi estranha porque o Korekiyo ficou me olhando esperando eu ir falar com ele.
Eu não fiz isso é claro. O cara é um psicopata serial killer, nem fudendo que eu chego perto desse merda.
Abro o portão de entrada ignorando o Super Colegial Antropologista que claramente estava se preparando para ir falar comigo.
O vento e o céu azul falso iluminam minha visão enquanto um calafrio passa por todo o meu corpo.
A gaiola gigante era realmente uma coisa assustadora, dava um sentimento de insegurança e medo. Não importa onde eu olhasse, as grades cercavam toda a escola.
~ "RISE AND SHINE – URSINE!" ~.
Os monokubs saem de buracos do chão na minha frente. Talvez por eu ter sido o primeiro a sair ao ar livre.
Monotaro é o primeiro a falar. "Surpreso com a gaiola, huh? Eu totalmente entendo como você se sente."
Eu sabia sobre a gaiola, mas vou fingir ignorância para não ter problemas. "Sim. Ela é... Bem grande."
O que mais poderia caracteriza-la, afinal?
"Sim, ela é bem grande." Não repita o que eu disse, me faz parecer idiota.
"Ohh! Mas ela é enormemente grande! Eu entendo agora porque chamam de parede do fim" Diz Monokid, que por algum motivo está muito soado. Como animatronicks podem soar em primeiro lugar?
"Eu não acho que seja por isso." Respondo inexpressivo.
"Exato." Concorda comigo Monosuke. "Ela é chamada de 'Parede do Fim' não por causa do seu tamanho, mas sim por representar o fim desse mundo"
Faz um pouco de sentido. Nós ficamos nos olhando esperando alguém falar algo.
...
Mas nenhum de nós abriu a boca.
...
...
"Você não vai gritar por ajuda ou perguntar algo sobre a parede e tals?" Pergunta Monotaro, nervoso por eu não demonstrar nenhuma reação.
"Não."
...
...
~ SO LONG! BEAR – WELL!" ~
Buracos abrem no chão embaixo dos ursos coloridos que somem rapidamente; pelo menos não é teleporte como no jogo.
Acho que devo ter os assustado um pouco.
Opa, aquele é o dormitório. Finalmente, poderei voltar a me trancar no meu quarto.
Corro para a construção e encontro ninguém pelo caminho, minha recompensa por ser o primeiro a sair afinal.
-XXXXXXXXXXXXXX-
Entro na construção cilíndrica, procurando o meu quarto no meio desses 16.
O meu estava embaixo do quarto do Kaito, e felizmente tem minha foto em vez da do Rantaro. Seria um inferno explicar caso fosse uma diferente.
Entro no meu quarto... Só que não.
"Está trancado, droga!" e nem mesmo tenho a chave.
Eu queria tanto descansar um pouco; eu andei muito e minhas pernas estão cansadas.
Eu me sento e encosto minhas costas na porta do meu quarto, mereço um pouco de descanso.
Mesmo que seja apenas alguns minutos...
Fecho os olhos e me aconchego na calma escuridão.
...
-XXXXXXXXXXXXXX-
POV KAEDE
"Essa é uma pergunta bem difícil, o que nós devemos fazer?..." Não tenho muita certeza de nada hoje, essa situação é tão estressante e confusa.
"O que você prefere fazer, Kirumi?"
"Eu não posso dar opiniões ou dizer os meus desejos. Como uma empregada, devo apenas satisfazer todos os desejos dos outros." A aura elegante e sofisticada ao redor dela aumentou drasticamente com suas falas.
Então essa é uma empregada de verdade... Incrível.
"Então por favor, pense no que você deseja e me diga. Pois não importa o que aconteça, eu estou aqui para servir a todos." Kirumi tinha um sorriso no rosto ao falar.
Mesmo nessa situação, ela prefere ajudar os outros do que a si mesma... Bem, ela é a Super Colegial Empregada, depois de tudo.
Olho para Shuichi que estava estranhamento quieto agora.
Seus olhos estavam vidrados em outra pessoa.
Era o mesmo garoto que fugiu antes, e ele parecia estar dormindo sentado em frente a porta de seu quarto.
Aproximamos dele cuidadosamente, sem fazer barulho. Como ele conseguia dormir em uma situação dessas? Ele não percebe que pode estar em perigo? Tipo, a gaiola gigante meio que sinaliza isso.
"Devemos acordá-lo?" Pergunto.
"Eu já estou acordado." Responde uma voz calma do garoto sentado; os olhos dele se abrem revelando iris negras como a noite. Eu conseguia ver um pouco de aborrecimento em seu olhar.
"Ah, oi, desculpe eu não queria te acordar." Ele apenas ficou olhando para meu corpo de cima para baixo, era como se ele estivesse me avaliando ou algo assim.
Espero que ele não seja um pervertido...
Seus olhos então se fixaram nos meus mas ele não tinha se levantado. "Não precisam se preocupar. Eu já estava acordado quando vocês chegaram."
Ele parecia como a Maki, o tipo de pessoa silenciosa que não fala muito... Não. Ele falava apenas o que precisava e nada mais.
Então ele seria mais parecido com o... Shuichi... Parece meio errado.
"Certo, certo. O meu nome é Kaede Akamatsu, eu sou a Super Colegial Pianista."
"E eu sou Shuichi Saihara, suponho ser o Super Colegial Detetive."
"Você ainda diz que supõe? Pare com isso Shuichi, você é o Super Colegial Detetive!"
Nós esperamos ele se apresentar, mas ele ficou só olhando para nós, encarando eu, depois o Shuichi, depois eu. Talvez ele não saiba o que falar?
"Então... Você devia ser apresentar agora sabe."
Ele me olhou e levantou a sobrancelha. "Se apresentar? Para quê?"
"É... Para nos conhecermos melhor e nos tornarmos amigos?" Por que isso soou como uma pergunta?
"Amigos é..." Seu olhar ficou distante, ele devia estar refletindo profundamente sobre isso. Mas isso era tão óbvio, porque seria necessário pensar tanto?
Talvez ele seja o tipo de pessoa que não quer ter amigos? Eu já conheci alguns indivíduos com esse pensamento, normalmente eles são focados demais no trabalho e no objetivo e acreditam que amizade apenas atrapalharia seu esforço.
Uma lógica tão sozinha e amarga.
Eu nunca gostei desse tipo de pensamento.
"Meu nome é Rick Amami, e meu talento é desconhecido." Fala o garoto com seu olhar monótono natural.
"D-Desconhecido!? Como assim?" Ele não se lembra do seu talento? Isso é muito ruim certo!?" Talvez seja por isso que ele está tão quieto e sozinho.
"Meu Monopad não têm descrito meu talento e eu não me lembro dele, só isso mesmo."
"I-Isso é verdade?!"
"Sim."
Talvez os nossos sequestradores também são responsáveis por sua perda de memória? Parece provável, já que ele é o único sem as devidas descrições no Monopad. Se quem criou esses tablets foram os sequestradores, então a ocultação de seu talento foi claramente proposital.
Seu rosto ainda estava inexpressivo, porém eu sentia uma vibe ruim dele.
Algo tão triste e perdido. Eu não aguentava deixá-lo nesse estado.
"Não se preocupe! Assim que sairmos desse lugar, você poderá descobrir seu talento rapidinho." Eu sorria enquanto olhava em seus olhos, esperava pelo menos animá-lo um pouco.
Porém, seu rosto ficou mais sombrio e sombras cobriram seus olhos. "Você realmente acha que isso será tão fácil assim?"
Shuichi foi mais rápido do que eu em perguntar. "O que você quer dizer com isso?"
"Apenas uma pergunta simples. Você acredita que será fácil sair desse lugar?" Mesmo que seus olhos estivessem sombreados, a sua voz continuava no mesmo tom de antes.
"Sim. Quero dizer, pode ser um pouco difícil mas temos dezesseis Super Estudantes Colegiais aqui, acredito que podemos dar um jeito de sair dessa situação. Se trabalharmos juntos é claro."
...
Ele não demonstrou nenhuma reação por um tempo. Até que seus olhos voltaram ao normal.
"Você é interessante." Disse Rick com um sorriso fino. Ele então se levanta e começa a ir embora, nos ignorando completamente.
Ele era muito estranho e misterioso, mas algo me dizia que ele não era perigoso. Chamarei isso de instinto feminino.
*DING DONG BING BONG*
"Que sino foi esse!?" Um barulho que parecia vir de vários lugares ao mesmo tempo; o que ele sinalizava afinal?
"Kaede, olha! A tela do monitor!"
O monitor que estava encima da porta de entrada do dormitório ligou mostrando cinco ursos coloridos familiares.
Monophanie — "Olaaa! Obrigado por sua paciência!"
Monokid — "Vocês bastardos estavam esperando, huh!?"
Monotaro — "Todos, devem ir até o ginásio, por favor!"
Monokid — "A cerimônia de abertura pode finalmente começar!"
Monotaro — "Ufa. Nós Finalmente terminamos os preparativos!"
Monosuke — "Vocês perceberam que leram suas falas ao contrário, certo?"
~ SO LONG! BEAR – WELL! ~
A tela desligou novamente.
"Ginásio? Cerimônia de abertura?" Shuichi estava nervoso e suando.
Eu estava muito preocupada também.
"Kaede... O que devemos fazer?"
"Devemos ir é claro. Afinal, todos devem estar indo também."
"É verdade mas... estou um pouco preocupado com isso."
Bem, eu não estou um pouco preocupada... Eu estou muito preocupada.
O Rick também tinha sumido, provavelmente indo para o ginásio também.
Espero que isso responda algumas perguntas no final.
Mas eu não queria ir. Não sei porque. Eu só sentia um mal pressentimento.
Um grande mal pressentimento.
