Sai do dormitório já sabendo sobre o aviso dos monokubs para ir ao ginásio, depois que eu meti uma de 'Rantaro 2' nos protagonistas.
Meu rosto ficou um pouco vermelho de vergonha com o quão cringe aquele final da conversa tinha sido. Parecia uma cena de encontro de rivais em um anime de luta.
Além disso acabei tendo um pequeno problema. Olhando para o lado, um corredor cheio de grama e portas. Para o outro uma escada.
Onde era o ginásio afinal?
Eles não me deram um mapa, como eu iria saber? Eu não decoro localizações em jogos. E meu senso de direção era horrível.
Solto um suspiro, minhas mãos nos bolsos da minha calça enquanto eu olhava de um lado para o outro tentando escolher qual ir.
Minha atenção volta para trás quando ouço alguns passos e virando minha cabeça avisto Kaede eu seu amigo novamente, indo literalmente na direção oposta a minha.
É... Eu terei que segui-los.
E de uma distância considerável para não ser notado.
Os dois estudantes passaram por corredores e uma porta de grade até entrarem em uma porta grande e de metal, que imagino ser a entrada do ginásio.
Espero um tempo antes de entrar também, para não parecer que claramente estava seguindo eles.
Uns 5 minutos depois coloco minha mão na porta e a empurro.
Minha visão era tomada por vários adolescentes familiares e únicos. E todos me observavam atentamente.
Isso fazia meu lado introvertido implorar para eu virar um avestruz e jogar minha cabeça para baixo da terra.
"Agora, todos os 16 de nós estamos aqui." Disse Kirumi que observava o entorno tendo certeza de que estava certa.
Eu fui para um canto que parecia relativamente seguro e não chamativo, ao lado de Gonta, Miu e Tsumugi e embaixo da cesta de basquete.
Por que esse lugar tinha uma quadra de basquete afinal? Ela nunca foi usada no jogo... Só decoração, talvez?
Os estudantes falavam suas preocupações entre eles, e em voz alta.
Como eu também estava meio entediado comecei a prestar mais atenção nas suas conversas do que no ambiente.
"Perdoe-me, mas... Precisamos ficar em guarda. Não temos como saber os perigos que nos aguardam." Disse o garoto robô.
"N-Não diga isso... Eu estou com tanto medo... Eu não faço ideia do que fazer e..." Disse Kokichi, que estava amedrontado e com pequenas lágrimas saindo de seus olhos.
"Você mente mal, sabia?" Eu falo sem querer. Um dos meus hábitos ruins, falar o que penso.
Seu rosto mudou drasticamente para um sorriso feliz. "É, você me pegou nessa!" Seus olhos mostrando clara diversão.
"Nyehhh... Vocês dois são tão estranhos..." Disse a voz cansada de uma super colegial mágica.
Meus olhos se encaminharam para ela. "Olha quem fala."
Não acredito que alguém aqui possa ser chamado de normal, no fim das contas.
Ela faz um biquinho e vira o rosto para baixo. Acho que era essa sua expressão de 'estou chateada'.
"Ei, como ousa ofender a Himiko seu macho degenerado!" Gritou Tenko em posição de combate, ela parecia pronta para me atacar.
"Calma, gente! Não precisamos brigar, certo?" Fala Kaede, que claramente tinha medo que uma briga começasse. Alguém amigável como ela deve odiar conflitos como veganos odeiam churrasco.
Miu também pensava a mesma coisa, porém expressava isso de outro jeito. "Vocês tem problema mental ou algo assim!? Se recomponham porra!"
No meio da 'discussão' um baixo som robótico apareceu, ao olhar para cima, vejo 5 grandes buracos abrindo no telhado. Parecia que tinha passagens escondidas em todos os lugares dessa escola.
"...Huh? O que é isso?" Perguntou Gonta, seu rosto estava com uma expressão preocupada ao ouvir o som estranho.
No entanto, ninguém além de mim tinha percebido o buraco ainda. É meio engraçado, já que eles só precisam olhar para cima.
O Ultimate Tenista foi o primeiro a perguntar a Gonta. "O que, qual o problema?"
"É um som de meca." Respondo me afastando dos lugares embaixo dos buracos, já sabendo o que sairia de lá. "Algo está vindo."
"O que está ..." Antes que Ryouma terminasse seu questionamento, cinco máquinas que pareciam transformers haviam caído do teto e cada uma tinha uma cor característica.
~ Yoo-hoo! Rise and Shine, ursine! ~
A voz alta e seu tom metálico tomava conta da sala deixando muitos estudantes intensamente assustados, e bem, eu não os julgava.
Afinal essas máquinas eram amedrontadoras, e pareciam feitas especialmente para combate.
"Kyaaaaaaah!" Tsumugi corre com medo e se esconde atrás da primeira pessoa que viu. E sim, era eu.
Eu acho que o universo está rindo de mim, por algum motivo...
Mesmo aterrorizado, Gonta avança e fica na frente de todos enfrentando os exisals. "Todos, atrás de Gonta!"
"Q-Que inferno são esses monstros!?" Disse Tenko, suando e tremendo de nervosismo enquanto ficava na frente de Himiko.
"Whoooooa... Tão legal!" Kokichi diferente de todos, não parecia preocupado e ainda olhava como se os robôs fossem a coisa mais daora que ele já viu.
Eu aproveitei que os monokubs iam começar suas falas para tentar sair da sala, só tentar mesmo.
E bem Tsumugi me seguiu. Eu virei minha cabeça para trás com um olhar que dizia "O que você está fazendo?"
"Ah, desculpa. Eu não queria me intrometer..." Ela tremia bastante e seu rosto estava bem pálido. A garota precisava de alguém para ajudá-la a se acalmar.
E esse alguém não seria eu.
Indo para a porta tento puxá-la mas a mesma estava completamente presa, era meio esperado, eles não iriam querer que alguém fugisse ao ver os exisals.
Percebo que a cosplayer ainda estava ao meu lado, e agora também estava com mais medo do que antes, vendo que agora estava trancada em uma sala cheia de robôs assassinos. E para alguém que viu muitos animes, ela já deve ter uma ideia do que pode acontecer.
Piorando a situação o monokid acabou percebendo minhas ações. "Ei, imbecil! Por que você está tentando sair?! Eu ainda não terminei meu aviso!"
"O que vocês querem afinal?" Pergunto ao animatronick azul cansado de toda a sua enrolação. Eles não podem me machucar, eu não feri nenhuma regra. Ao dizer isso continuamente em minha mente, eu conseguia me acalmar.
"O que nós queremos é... Nossa isso vai ser muito bom... Nós queremos que vocês participem de –"
"UM JOGO DE ASSASSINATO." Monodam rouba a fala Monokid, o deixando irritado, ou melhor, espumando de raiva.
...
"Como ousa roubar minha fala Monodam! Eu irei te destruir com esse Exisal aqui!" Ameaçou Monokid avançando seu robô no do monokub verde.
"Qualé pessoal. Não é hora de brigarmos entre nós." Disse a Monophanie.
"É! Se não pararem logo, eu irei acabar com vocês com esse exisal aqui."
...
"Você também, Monotaro? Se isso continuar assim eu irei acabar com vocês quatro com esse exisal aqui."
Foi tão estúpido, surreal e rápido que deixou todos chocados.
Até eu que sabia que isso ia acontecer fiquei de borca aberta.
Os monokubs dentro de seus exisals começaram a se xingar e se encarar se preparando para um luta.
Os estudantes começaram a se afastar do que parecia ser uma inevitável briga mortal.
E então...
A voz brincalhona apareceu...
"Calma, calma, calma..."
A voz parecia vir de vários locais ao mesmo tempo ecoando na sala. Ela me dava calafrios em meu corpo, ao mesmo tempo que gerava um pouco de felicidade de um fã ouvindo seu ídolo de perto.
É, eu admito ter algum parafuso solto. Talvez eu devesse pedir desculpas à Himiko e dizer que ela estava certa.
"Meus doces e amados cubs... Vocês tem que parar com essas brigas..."
Era tão familiar que doía. Eu estremecia a cada começo de frase, e esperava não ser notado.
Muitos procuravam a fonte da voz misteriosa enquanto eu ficava parado no lugar olhando para o palco, já sabendo quem iria aparecer.
Os monokubs estavam felizes falando sobre a chegada de seu 'pai'. Seus exisals tinham sumido antes que eu pudesse perceber, e os cinco já estavam no palco esperando a entrada do 'diretor.'
O ginásio então ficou escuro.
"O que?" Perguntou Kaede no meio da escuridão. Eu podia sentir o pavor dela e de vários outros estudantes, apenas sentindo a atmosfera do lugar.
Chamando a atenção de todos, algumas luzes começaram a ser ligadas e todas apontando para o balcão no palco.
...
E de trás saiu um urso monocromático preto e branco com asas em suas costas, descendo como um anjo até o balcão.
Ao se sentar as suas asas caíram como enfeites baratos, acabando com a sensação angelical de sua entrada.
"Eu sou o deus desse novo mundo... E o diretor da academia de Super Colegiais!" A voz era alta como se fosse falado por um microfone. "O primeiro e o único... Monokuma! Prazer em conhecê-los!"
Ele falava em um tom animado com uma leve diversão, seu olho irregular vermelho era brilhante e chamava a atenção de todos que o observavam.
Eu tentei abrir a porta para sair mais uma vez, ela continuava trancada e sem se mover. Droga.
O monokuma começou a chamá-los de fofos e todo essa merda sem graça que era para ser algum tipo de piada. Mas não era boa.
"O que diabos está acontecendo?!" Gritou a inventora, totalmente confusa com a situação surreal que a cercava.
"Outro urso apareceu." Disse Ryouma.
"Não só isso, consigo sentir uma enorme quantidade de desespero rodeando aquele urso." Disse o incestuoso Korekiyo.
Olhando para o palco era possível ver o Monokuma 'socando' os monokubs enquanto dizia que não estava puto.
Ah... Eu já estava de saco cheio.
"Oh, filho da puta!" Chamei atenção dos ursos no palco que pararam suas palhaçadas. Os outros alunos me olhavam aterrorizados por eu estar enfrentando quem poderia ser extremamente perigoso.
"O-o que?" Monokuma realmente não esperava minha explosão de raiva.
"Vai falar sobre o que estamos fazendo aqui ou não?!" Mesmo parecendo com raiva meus olhos não mostravam alteração aparente. Pois era fácil controlar sua expressão facial nesse mundo e eu queria parecer o mais controlado possível.
"Certo, certo... Não precisa ficar estressado." O urso monocromático se recompôs em sua mesa com um microfone em sua frente.
"O por que de vocês estarem nesse lugar é simples." Seu olho vermelho ficou mais brilhante enquanto ele fez uma pausa dramática. "Eu quero que vocês estudantes com seus talentos Super Colegiais participem de um jogo de assassinato."
"J-jogo da morte? A gente?" Kaede soava de medo, entendendo as implicações dessas palavras.
"Como se alguém fosse concordar com algo como isso!" Kaito parecia tão irritado que o medo sumiu de seu rosto.
"Hã? Você não quer participar?" Disse Monokuma, fingindo ignorância.
"Mas é claro que não, Ninguém faria uma coisa dessas!" Continuou Kaito. Seu rosto mostrando uma expressão raivosa, era possível que ele atacasse o Monokuma a qualquer momento.
"Que pena, pois esse é o único motivo de vocês estarem presos aqui." O urso preto e branco abria um sorriso mostrando dentes afiados como facas. "Com os nossos exisals aqui, vocês não podem nos derrotar. Então terão que seguir minha exigência."
"Então temos que matar alguém se não morremos?" Essa não era a regra natural dos jogos de danganronpa, mas nesse 'v3' em específico, teve um momento que realmente era necessário matar alguém para não ser morto pelo Monokuma. E foi bem no começo.
"V-Você está me zuando! Eu não machucaria meus amigos!?" Disse Tenko, descrente com a situação.
"Puhuhuhu... Vocês são amigos? Vocês não são amigos. E sim inimigos que devem matar uns aos outros."
A sua fala não tinha fundamento ou sentido, seu único propósito era gerar dúvida e insegurança em todos. Mas eu podia concordar que alguns aqui eram realmente inimigos. Sim, é você de quem estou falando, Korekiyo.
"Hmmm, Eu ainda não aprendi o sarcasmo do papai." Você tem que aprender o que é sarcasmo antes.
Monokid quebra sua guitarra mostrando estar mais uma vez com raiva. "Tudo isso não faz sentido para mim! Eu tenho que bater no Monodam para aliviar o estresse!"
Monodam continuava com seu rosto inexpressivo sem nenhuma reação. Ele era o mais sinistro de todos os monokubs com certeza.
"Eu não gosto dessas coisas... Sangue... Morte... Tudo isso é muito nojento." Eu não aguento esse urso meio rosa. Fingindo ser 'inocente' apenas para ser algum tipo de alivio cômico... Me irrita.
"Já chega dessas piadinhas, você disse que é para nos matarmos, certo? Você vai nos dar armas?" Questionou Ryouma. Deixando muitos pálidos pensando em qual seria o proposito de sua pergunta.
"O que no inferno, cara!? O que você está perguntando?" Disse Kaito.
"É." Eu não aguentei e entrei no meio. "Por acaso vocês vão dar os exisals também? Parecem úteis para um assassinato."
"Por favor, parem! Vocês estão me dando medo!" Kaito assim como vários outros Super Colegiais já estavam até mesmo tremendo. Talvez eu tenha ido longe demais... Nah.
" O que? Armas e Exisals? Que tipo de barbaridades vocês estão planejando fazer?" Questionou o Monokuma, com um tom leve de diversão em sua voz. "Porém, vocês estão muito enganados! Aqui na Academia dos Super Colegiais o jogo da morte é refinado e sofisticado!"
"Sofisticado?" Maki fala pela primeira vez desde que estou aqui. Pelo menos alguém introvertido que parece comigo. Mesmo que seja uma assassina de aluguel.
"Sim... Aqui o Jogo de Assassinato funciona com Julgamentos de Classe."
Então os Kubs aproveitaram para fazer uma explicação 'detalhada' sobre o que seriam esses julgamentos de classe.
Resumindo: Todos se juntam em uma sala para discutir quem seria o assassino, depois da discussão seria a hora da votação onde a maioria votaria em quem fosse concluído ser o assassino. Se o voto fosse correto, o assassino seria punido(morto) e todos os que sobrarem continuaram aqui; caso a maioria votasse errado, todos os estudantes seriam mortos exceto o assassino que iria poder ir embora.
Simples e assustador. Um erro e todos morreriam.
"Vocês foram bem kubs, mas deram detalhes demais, talvez se fossem um pouco mais sensuais como seu velho aqui." Disse Monokuma, querendo fazer algum tipo de humor. E por que inferno ele têm uma língua? Uma longa por sinal.
"Nojento." Concordo completamente Himiko.
"Portanto, o importante é que não é só necessário matar alguém, também é preciso sobreviver ao julgamento de classe." Explicou o diretor.
"Isso é doente..." Kaito parecia horrorizado.
"Eu já joguei alguns jogos parecidos." Eu disse, tentando mostrar que era alguém experiente. Isso poderia tirar algumas suspeitas mais tarde.
Então continuei "Deixa eu adivinhar... A 'punição' vai ser a morte ou algo assim certo?"
"O-o que..."
"Correto! A punição é uma execução!" Monokuma interrompe a pergunta amedrontada de Gonta e confirmando minha suspeita.
"Entendo..." Disse Korekiyo enquanto passava sua mão em seu queixo coberto por uma máscara. Eu realmente não queria saber oque ele estava pensando agora.
"Uhhh... Eu pergunto quais serão as punições... Imagine o tanto de sangue e cérebro voando para todo lado! É o tipo de coisa que me deixa duro!" Ah não Monokid vai começar as piadinhas sexuais estúpidas.
Autor pule isso. PULE AGORA!
( Um pequeno pulo pelas falas chatas dos monokids depois ...)
"Hahaha... Crianças vocês são tão adoráveis!" Disse Monokuma, rindo alto deixando seus dentes amostra.
"Mas o que diabos têm de adorável nisso?!" Disse Kaito, limpando o suor de seu rosto.
"Muito bem, vamos começar esse semestre de matar e de tirar o folego de uma vez!" Disse o urso preto e branco que continuou. "Vocês tem total liberdade para matar como bem entenderem."
"Tipo espancando! Ou esfaqueando! Sem criatividade? Tente estrangulamento! Com preguiça? Tente envenenamento!" Suas falas eram horríveis e maliciosas, e carregavam um tom de brincadeira que deixava qualquer um enojado. E elas não pararam.
"Que você atire, queime, afogue, exploda, esmague, eletrocute, ou faça a vítima rir até a morte..."
"Vocês podem usar o método que quiserem para matar quem vocês quiserem. Do jeito que quiserem!" Eu estava com vontade de vomitar, minhas mãos estavam brancas de tanto que eu as apertava para não perder minha compostura.
"Na Super Escola para Alunos Prestigiados, vocês descobrirão seu potencial para matar!" Esse lixo queria diversão, queria brincar com todos nós, isso era claro em sua voz. Isso me deixava tão irritado.
"Dezesseis super adolescentes, todos competindo pelo primeiro lugar num jogo da morte..."
"Não há lugar melhor para este tipo de evento do que na Academia dos Ultimates!"
Todos estavam paralisados, as palavras gerando insegurança em suas mentes e os fazendo refletirem. Ninguém falou nada é claro, o primeiro a fazer essa função era Rantaro que não estava aqui.
Eu que não tinha motivos ou um próposito nesse lugar. Que não sabia como ao menos eu tinha sido levado para um mundo que deveria ser fictício. Eu não tinha nada.
Mas agora eu tenho. Um próposito claro e objetivo.
Diferente de heróis como Makoto, eu odeio ser usado como brinquedo, e quando isso acontece. Eu me vingo.
Eu irei matar quem estiver por trás desse jogo de merda, assim como irei matar quem me levou para esse inferno. Eu não tenho nada a perder afinal.
Familia e amigos? Não existem nesse mundo. Minhas conquistas, minhas finanças, tudo foi perdido.
Para eu fazer algo é preciso que eu queira fazer isso. E eu quero que o arrombado que está por trás daquele boneco de urso morra. Piedade é o caralho, rota genocídio é a certa.
"Kehehe... Arriscar nossas vidas em um mero jogo é um absurdo." Falou o assassino que já deve estar querendo tirar a vida de um monte de pessoas daqui.
"Wow... Por que você está encarando o mascarado tão intensamente?" Pergunta Kokichi, olhando diretamente para... Eu? Droga.
Eu desvio o olhar e tento sair de novo da sala, mesmo é claro, parecendo muito suspeito no momento.
Ainda fechada, Merda.
"Puhuhuhu... Você não pode fugir, a participação do jogo da morte é obrigatória!" Não é por isso que eu quero sair da sala, mas fodase você também Monokuma.
"Não!" Um grito feminino enche meus ouvidos. Olho para fonte e vejo a garota de cabelos longos e loiros.
"Não importa o que você diga... Nós não iremos participar disto!" Então esse é o carisma de um protagonista, huh? Tão brilhante e ingênuo. Eu poderia estar do lado dela se não soubesse a verdade de certas pessoas daqui.
"Nós nunca iremos participar desse jogo da morte!" Sua voz possuindo uma certeza inabalável, um sentimento tão forte e firme. "Não importa o que você planeje, eu nunca farei isso!"
O Monokuma apenas ficava lá parado, olhando com diversão para a garota.
"Kaede! Você não deveria desafiar essa coisa –"
"Não, não! Eu aceito a resistência dela! Esse tipo de espirito é especial para o jogo da morte." O urso interrompe Tenko, com as mão na boca como se estivesse segurando uma risada. "É divertido ver essas pessoas eventualmente sujando as próprias mãos..."
Arg... Isso ainda me anojava.
"O-O que isso deveria significar...?" Disse Kaede ainda nervosa, seu rosto pálido e com muito suor em sua testa.
"Todo mundo ama um pouco de brutalidade em jogos! Especialmente eu!" É eu também gostava um pouco mas apenas na ficção. Afinal eu joguei todos os danganronpas e só não consegui terminar o v3.
"Isso nunca fica velho! É tão interessante que meu coração não pode URSOportar!" Que trocadilho horrível. "Além disso, como diretor, é meu trabalho forçar vocês a fazer isso."
"Ahahahahahaha!" O urso monocromático ria alto como um vencedor.
"Kyahahahahaha!" Os monokubs acompanharam a risada de seu 'pai' deixando os estudantes cercados pelo insurdecedor som.
Tudo isso signicava apenas uma coisa. O jogo tinha acabado de começar.
Um alarme saiu de meus bolsos, assim como dos bolsos de todos os outros estudantes.
Esse som vinha do meu monopad, que mostrava as regras do 'jogo'. As regras do julgamento de classe, uma falando que não podia atacar o Monokuma e que ele não podia atacar um de nós, e por fim a regra de que se no final de vários julgamentos sobrarem duas pessoas, elas poderão se formar. Também falava sobre não quebrar o monopad e sobre o horário noturno que era as 10 da noite, nesse horário alguns lugares seriam fechados.
Essas regras tinham vários buracos, coisas importantes que ficaram de fora.
O mais importante delas era os monokubs. Eles não eram mencionados nenhuma vez. O Monokuma não podia matar ninguém e não podia ser atacado, mas os monokubs poderiam matar? Assim como eu poderia destruí-los? Terei que perguntar isso para o 'diretor' depois.
"Você está bem aí?" Sou tirado de meu monológo pela voz feminina de Tsumugi. Que mesmo assustada ainda pensava no bem estar dos outros. Mas eu preferiria que ela me ignorasse.
Vários estudantes que estavam conversando entre si começaram a me olhar com preocupação, parece que terei que ser sociável ou eles não me deixarão em paz. "Estou apenas percebendo algumas coisas deixadas de fora das regras."
"Coisas deixadas de fora?" Perguntou Shuichi, que foi a pessoa que menos falou até agora. A sua voz era tão familiar, igual ao do jogo.
"Bem, os monokubs por exemplo não foram mencionados nas regras." Respondo olhando para baixo. Falar com um monte de pessoas te olhando é meio difícil para mim então eu tento não fazer contato visual com ninguém.
"O que isso implica exatamente?" Tenko ainda não havia entendido. Enquanto Shuichi tinha uma pose pensante, ele devia já estar criando um monte de hipóteses em sua mente.
"Os Monokubs são os responsáveis por controlar os exisals... E mesmo assim não tem nenhuma regra que diz que eles não podem nos atacar ou vice e versa." Explico para eles ainda olhando para baixo.
"Entendo..." Disse Shuichi, finalmente entendendo o que eu queria dizer. "Isso é bem ruim... Com nenhuma regra os atrapalhando, eles basicamente podem nos matar sem nenhum problema."
"O-o que?!" Tsumugi parecia pronta para desmaiar depois da conclusão do detetive. Porém um som familiar chamou a atenção de todos antes que isso acontecesse.
Ele vinha do Monopad novamente, mostrando dessa vez mais uma regra.
- Os Monokubs não podem atacar nenhum estudante que não tenha infringido as regras. Assim também, um estudante não poderá atacar qualquer Monokub.
Ele adicionou a regra. Eu pensei que tinha um motivo oculto pela falta dos Monokubs nas regras, mas o responsável simplesmente tinha esquecido deles. Que besteira.
"É, não precisamos mas nos preocupar com isso." Digo cansado, aposto que a porta está aberta agora. Finalmente irei sair de perto de tantas pessoas.
"Para o inferno com essa porcaria! Quem é que vai aceitar isso afinal!?" Gritou Kaito, enquanto se preparava para jogar seu Monopad no chão. É agora que Rantaro o impede, mas eu deveria fazer isso ou ver o que acontece quando se quebra as regras?
A resposta era óbvia.
"Não faça isso, idiota." Minha voz para suas ações. "Se você quebrar uma regra, será executado. Quer mesmo isso?" Minha sobrancelha levantada olhava intensamente para o Ultimate Astronauta, que colocou seu tablet de volta em seu bolso.
"Tudo bem cara... Relaxa." Meu olhar devia ser mais forte do que eu pensei, mas quem se importa. Perder o único cara que pode humanizar a Ultimate Assassina não seria bom.
"Ah, esqueça sobre ele! Se ele morrer é menos um idiota para nos dificultar!" Nossa isso foi muito pesado Miu, entendo agora porque você não tinha amigos no jogo.
"Ei! Quem se tá chamando de idiota!?" É obviamente você Kaito. Eu na verdade o classificaria como um idiota legal, do tipo que confia nos seus amigos até demais.
"EII! PAREM DE BRIGAR!" Ai meu ouvido, filha da puta. Quer me deixar surdo, porra?
"Whoa! O-o que foi –!?"
Kaede continuou sua fala, interrompendo o surpreso Kaito. "Nós não devíamos estar brigando entre a gente. Nessa hora, nós temos que trabalhar junto." A Super Colegial Pianista tinha uma expressão aborrecida em seu rosto, que suavizou. "Honestamente... Eu estaria mais inspirada se pudesse tocar um som agora..."
Os seus olhos ficaram mais determinados enquanto ela levantava os seus dois braços para encorajar a todos. "O 'Militar Polonês' de Chopin perfeito para ajudar a nos unir agora." Eu faço nem ideia de que música seja essa...
"Sim, eu adoraria uma bolonhesa agora, mesmo que eu não goste de carne ou tomate." Legal, Essa eu não lembrava. Kokichi vegetariano fodase.
"Eu concordo com a Kaede! Nós devemos nos lembrar de quem é o nosso verdadeiro inimigo!" Falou Tenko, que por algum motivo estava em uma posição de luta.
Concorda com você garota, vamos atacar o Korekiyo quando ainda a tempo. Estilo Dexter, se traz o papel plástico que eu trago as facas.
"D-De qualquer forma... Vocês todos estão muito nervosos... Apenas... Fiquem calmos... Como eu..." Disse a britadeira ambulante conhecida como Himiko.
"Wow! você está tremendo muito!" Todos já perceberam isso Angie.
"Mesmo minhas mãos não conseguem vibrar! E confie em mim... Eu tenho muita experiência!"
...
Miu do céu...
Eu fiquei olhando para a inventora com uma sobrancelha levantada expressando minha total descrença.
"O que? Por que você está me olhando desse jeito?!"
Então Kaede interrompe uma possível discussão que eu ia começar, "De todo jeito... Por que não trabalhamos juntos para achar uma saída desse lugar?"
A cosplayer respondeu. "Mas, nós já olhamos todos os lugares da parede e não encontramos nenhum buraco." Quando eles fizeram isso? Eu não vi...
"Espera... Se não tem nenhum buraco, como nós entramos aqui em primeiro lugar?" Boa lógica, Keebo.
"... Oh, bom ponto." Concordou Tsumugi.
Isso faz sentido, mas não é como se fosse impossível que eles fechassem o buraco depois que nos colocassem aqui.
Espera eu sei onde fica os buracos... Tinha um no esgoto, outro escondido no subterrâneo e mais um na...
"Significa que deve ter uma abertura em algum lugar por aqui! Nós temos apenas que encontrá-la!" Disse Kaede que continuou. "Quem nos trancou aqui deve querer que briguemos entre nós..."
"Então vamos mostrar para eles que isso não irá acontecer!" Kaede falava com convicção e levantava os braços em uma pose animada. "Nós não vamos brigar entre si! Nós vamos trabalhar juntos! tá legal!?"
Lembrei, tinha uma passagem secreta na biblioteca. Preciso ir ver se ela ainda está lá.
Vou direto para a porta de metal e a puxo, finalmente aberta.
"E-Espera! Onde você está indo?"
Hã? A voz feminina da Ultimate Pianista... Ah é, eu estou no meio desses caras ainda. Eu meio que perdi o que ela estava falando tentando me lembrar das coisas do jogo.
"Tenho coisas para fazer." Depois de dizer isso, eu saio do ginásio caminhando para a biblioteca.
Andando por alguns corredores, eu percebo que não só preciso encontrar a biblioteca como também necessito de um mapa desse lugar. Ou pelo menos decorar, as localizações importantes.
Se não estarei ferrado.
XXXXXXXXX
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POV KAEDE
.
"Será que eu falei alguma coisa errada? Por isso o Rick foi embora desse jeito?" Eu perguntei, olhando para o lugar onde o Rick saiu. Mesmo depois de todo o meu discurso para nos unirmos.
"Tão suspeito..." Kokichi olhava atentamente para a porta, seu sorriso mostrava clara diversão. Uma coisa que percebi é que o garoto tinha um claro interesse pelo Rick, ele ficou olhando para o mesmo grande parte do tempo que ficamos no ginásio.
"Acredito que o senhor Rick apenas não goste de ficar perto de multidões." Disse Kirumi que continuou. "Os seus sinais corporais indicavam claro desconforto sempre que alguém falava ou ficava perto dele."
Hmmm... Ainda é meio triste que ele tenha saído desse jeito. Mas se é desconfortável para ele tudo bem. Com o tempo, talvez eu consiga fazê-lo mais sociável.
"Além disso, seu discurso foi muito motivador. Eu adorei." Ver a Kirumi falando tão bem de mim me deixou tão envergonhada. Eu só tinha falado o que vinha do meu coração afinal.
"É, eu ia dizer a mesma coisa. Você está totalmente certa" Disse Kaito.
"Vamos nos separar e encontrar uma saída! Ohhhh! Atua nos de forças!" Angie parecia animada, mais do que quando o Monokuma apareceu.
Era tão bom ver todos melhores e trabalhando junto, Talvez de tudo certo afinal...
"Oh! Espere..." Huh? Gonta parecia lembrar de algo.
"Nyehh... O que foi? Estávamos prestes a começar..."
"Huh, talvez não muito importante. Mas Gonta encontrou um bueiro mais cedo. Na grama, atrás da escola."
"Um bueiro?" Eu disse surpresa, talvez nós conseguíssemos encontrar uma saída por lá afinal.
"Gonta encontrou ele. Muito grande, passagem subterrânea. talvez seja saída." Isso é bom, provavelmente deve ter um caminho para fora desse lugar. Onde a água é tratada.
"...Desculpe. É provavelmente não tão simples assim"
"V-Você tinha que ter mencionado algo importante assim mais rápido!" Disse Tenko, com um pouco de raiva. Eu queria que ficássemos mais calmos, só que nessa situação é meio impossível pedir isso.
"Gontaencontrou! Viugrandepassagemparasubterrâneo! Talvezsejaumasaida!"
"Espera, não assim! Você só está falando muito rápido!"
"Então a passagem está atrás da escola, né Gonta? Poderia nos levar até lá?" Perguntou a Ultimate Empregada.
"Certo! Todos, sigam Gonta!" E foi o que fizemos.
Saímos de pressa do ginásio atrás de Gonta. Ansiosos para o que poderia ser uma saída... Mas eu ainda estava pensando um pouco sobre o Rick. Imaginando o que ele estava fazendo agora.
Eu virei para o Shuichi não aguentando mais ficar com isso apenas para eu mesma. "Shuichi, você também acha que tinha algo de errado com o Rick?"
Ele parou e confirmou minhas suspeitas. "Sem dúvida... Parece que ele está escondendo alguma coisa. Mas o que será?"
O que ele está escondendo, huh? Talvez seja o seu medo, eu não vi ele expressando muitos sentimentos até agora. Além dele não falar muito. Ou talvez seja...
Algo mais.
