"Eu tenho que continuar" Isso repetia em meus pensamentos de novo e de novo.
Meu corpo estava fraco, eu mal conseguia sentir minhas pernas enquanto forçava meus olhos a ficarem abertos .
O lugar era silencioso... Um labirinto fechado e cinza com musgos crescendo em todos os lados. Nas paredes, vários monitores estavam presos firmemente.
Em suas telas passava uma contagem regressiva de 10 para 0 .
Agora já estava no 5.
Eu não sabia o que fazer, eu apenas seguia em frente; apenas em frente sem olhar para trás.
Era possível ver uma porta no final, em sua placa estava escrito em negrito 'saída'.
Poderia ser o fim desse inferno. Eu poderia finalmente ir embora.
*5*
Estava tão perto. Poucos metros de distância.
*4*
Eu finalmente estou na porta. Minhas mãos trêmulas indo direto para a maçaneta.
*3*
Eu coloco a mão na maçaneta e a giro.
*2*
Ela começa a abrir e do outro lado um brilho forte que rivalizava com o sol.
*1*
As imagens de minha casa, de minha família passavam em minha mente. Minha esperança.
Eu iria voltar. Seria tudo como antes.
*0*
E então tudo ficou escuro.
No fim o brilho sumiu. E em seu lugar apareceu o grande mistério.
Uma simples e extensa parede de tijolos.
...
Não existia final. Não existia saída.
*Klink*
Espinhos longos metálicos empalavam todo o meu corpo. Eu não sabia o porque...
Mas eu sabia que era tudo uma armadilha. Era tudo falso. Tudo Falso.
...
TUDO UMA MENTIRA.
*GAME OVER*
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Acordo ofegante e assustado, meu corpo suava enquanto meu coração estava disparado. Tudo por causa de um pesadelo.
Um pesadelo semelhante a outro que eu já tive no passado, baseado na punição que Junko deu para Chiaki Nanami no final de Danganronpa 3.
Aquele final extremamente cruel e sádico me deixou triste de verdade e até assombrou meus pensamentos várias vezes.
Com o tempo eu tinha esquecido disso como uma ficção que era, porém, agora era diferente.
Eu estou na ficção.
Por causa dessa situação estressante as minhas memórias voltaram a assombrar.
Afinal, eu poderia ser o próximo punido cruelmente.
...
Balanço minha cabeça de um lado para outro. Preciso me recompor. Se deprimir mais só será anti-funcional nesse momento.
Pego meu MonoPad que ainda estava no meu bolso e o ligo.
As informações de todos os outros estudantes estavam aqui, altura, peso. Estava na hora de algumas precauções...
O que eu ia fazer é simples.
Com o caderninho de anotações que eu tinha em minha gaveta, irei anotar as informações que podem ser importantes para o julgamento. Coisas como altura, habilidades, regras pessoais, o tipo de pegada, podem ser importantíssimos nessa hora.
Isso sem contar sobre álibis e afins.
Eu não estou mas no jogo, o que significa que não tem mais 'Bala da Verdade' e coisas assim, ou seja, terei que me virar do meu jeito.
Olhando para o MonoPad percebo algo interessante. No meu perfil a categoria 'Gosta' e 'Não Gosta' estava vazio e escrito que podia ser personalizado.
Então eu tinha que preenche-las é, meio inesperado.
[Gosta: 'Nanami Chiaki']
[Não Gosta: Pimenta]
Pronto.
Agora que tudo estava feito, e meu pequeno caderno estava em meu bolso, era hora de ir para o refeitório encontrar os outros estudantes.
Hoje será anunciado o primeiro motivo afinal.
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Refeitório (1º andar)
8:01
POV RICK
A hora noturna acabou antes poucos minutos antes que eu chegasse ao refeitório.
Graças a isso eu fui o primeiro a entrar nele. E pelo lado bom, eu poderia escolher a cadeira que eu quisesse.
Por causa da minha fome matinal, fui para a cozinha fazer algo para comer. Mas, antes mesmo que eu pegasse algum ingrediente, ela apareceu.
"Desculpe senhor Rick, mas é melhor que você volte para o salão e relaxe, deixe que eu faça e sirva a comida." A Kirumi foi a segunda a chegar e ela veio direto para a cozinha assim que me viu.
"Okay então..." Fecho a gaveta e volto para o meu lugar na mesa, deixando a Ultimate Empregada mexendo na cozinha. Ela parecia feliz fazendo essas coisas chatas, então quem seria eu para me intrometer.
Era estranho ver ela tão feliz limpando a louça, fazendo a comida e o suco. Tudo ao mesmo tempo. Só uma ultimate mesmo.
Enquanto os outros não chegavam eu pegava o meu bloco de anotações e meu Monopad e começava a traçar o perfil dos estudantes.
Altura, Peso, Cores da roupa. O Monopad tinha até mesmo as informações do tamanho dos peitos das garotas. Não que isso fosse útil, mas é interessante pensar que o Monokuma provavelmente foi quem mediu isso.
"Olá, Acredito não nos apresentamos ainda." Levando minha cabeça para ver quem é a pessoa que me puxou a conversa. Infelizmente, era o Korekiyo que sentava em minha frente. "O meu nome é Korekiyo Shinguji, sou conhecido como o Ultimate Antropologista."
Começo a suspeitar que eu seja o Ultimate Azarado. "Prazer em conhecê-lo. Eu sou Rick Amami e não sei qual é o meu talento Ultimate."
O antropologista levanta a sobrancelha intrigado. "Ora... Você não sabe... Qual o motivo disso?"
"Não consigo me lembrar, e ele não aparece no MonoPad. Simples assim." Digo olhando mais para o MonoPad do que para ele.
"Interessante... Talv—"
"Bom dia irmãozão." Ouvindo minhas orações, Himiko chega e me salva se sentando na cadeira ao meu lado. "Ontem a noite, a Himiko conseguiu escovar os dentes e ir ao banheiro sozinha. Não é incrível?"
Eu não tenho certeza de qual seja a idade dessa garota, mas se ela consegue se orgulhar de algo tão comum como isso, deve ser bem menor do que imagino.
Bem vamos fazer o que ela quer afinal. "Parabéns Himiko, estou orgulhoso de você!" Coloco a mão em seu cabelo e faço um pouco de carinho. Ser o irmão mais velhos tem suas responsabilidades.
Ela da um sorrisinho fofo pelos elogios que recebeu. Como uma apresentadora de palco, ela deve adorar receber atenção e bajulações e talvez esse seja um dos motivos usados para que ela seja fisgada totalmente pelas maluquices de Angie.
"Ei, Macho degenerado! Como ousa tocar na Himiko!" Chegou quem não devia.
Após isso, a cara de Himiko foi de feliz para aborrecimento, com um pouco de raiva em seus olhos. "O problema não é seu! Além disso, eu deixo ele tocar em mim se ele quiser!" Sua declaração soou de forma muito errada chamando a atenção dos estudantes por perto.
Maki, pare de me olhar assim.
"M-Mas!"
"Sem mas!"
"Céus... O que está acontecendo aqui?" Disse o tenista que acabou de chegar no refeitório. Seus olhos estavam presos na figura de Tenko que parecia um filhote chutado.
"Eu explico." Preciso recorrer para medidas drásticas. Tudo pela minha reputação. "Eu e o Korekiyo estávamos discutindo sobre povos antigos, e essas duas aqui começaram a brigar sobre qual era o mais legal."
"Então era só isso." Diz Ryouma desinteressado. Ele se sentou na longe de todos e por causa de sua estatura era difícil percebe-lo. É sério, metade de sua cabeça estava para baixo da mesa.
Korekiyo me olhava com uma sobrancelha levantada, por eu ter mentido na cara dura.
Já as duas garotas problemáticas pararam a sua discussão estúpida, mais precisamente, Tenko percebeu a ambiguidade das frases anteriores e ficou quieta com o rosto vermelho. E Himiko ficou cansada e parece estar dormindo na cadeira.
Coloco o meu tablet e meu caderno de volta em meus bolsos, já que tinha acabado tudo por agora
"Já que estávamos falando sobre povos antigos, por que você não diz qual o seu favorito, digamos assim." Se aproveitando da minha mentira para puxar mais assunto, bem eu mereci isso.
"Eu não tenho certeza sobre um 'favorito', mas eu gosto bastante dos celtas." Na verdade, foi o primeiro que veio em minha mente.
"Celtas? Por que eles exatamente?" É terei que improvisar com o que eu sei.
"Por vários motivos. Um deles é que eu sou estrangeiro e os meus antepassados eram celtas." Continuo a conversa juntando meia verdades e alguns achismos. "E eu também gosto da mitologia deles, como a do Cú Chulainn e Rei Artur."
"Cú Chullain e Rei Artur!? Espera, vocês por acaso estão falando de Fate?" Tsumugi entra no meio do nada, como um jumpscare. Que susto da porra.
Mas eu peguei a referência.
"O que seria esse Fate?" Não conhece Fate? Heresia. ISSO É HERESIA.
"É um anime que envolve mitos de várias culturas diferentes. Muito famoso entre os otakus pela sua qualidade na animação e na história." Respondo o antropologista, que não conhecia um anime esplêndido. Se ele visse mais animes em vez de ficar matando garotas, a vida dele seria bem melhor.
"Entendo, então é específico de um nicho por isso minha ignorância." Disse Korekiyo passando a mão em sua máscara.
Enquanto isso a ultimate cosplayer me olhava com muito interesse.
"Uau, Você também conhece! Me diga qual é o seu personagem favorito! Eu gosto muito da Arturia e de como ela quer se redimir do passado e o design dela é tão lindo e majestoso..." Parece que ela é bem intensa quando falam sobre os seus Hobbies. Mas é sempre bom conversar com companheiros Weebs.
"Arturia é... Eu gosto mais da Rin."
"Da Rin? Por que ela?"
Porque ela tem as melhores coxas do anime, além que eu adoro uma tsundere.
...Nem no inferno que eu diria algo assim. Melhor ir pelo modo cult.
"Eu gosto da personalidade forte dela e de como ela tenta ajudar a todos, além que a história trágica da família dela me atrai bastante." Agora sim ficou melhor.
"Mas que papo de nerd é esse? Está me fazendo querer cada vez mais matar alguém." Chegou a criança maldita. "Ah não se preocupem. Era só mais uma mentira."
Kokichi já chegou acabando com todo o clima e com minha conversa otaku. A cosplayer se sentou na cadeira ao meu lado silenciosa. Um pouco ofendida com o que o supremo líder disse.
Não vejo o porque de se envergonhar sobre isso. Eles todos que deviam estar com vergonha por não saberem sobre o anime fantástico que é Fate. Bando de normie.
"Obrigado pela espera de todos. Aqui está a comida."
A mesa estava em instantes cheia de variadas formas de alimentos, e com pratos posicionados para cada pessoa. Como esperado da Ultimate Empregada, eficiência era sua virtude.
"Isso parece tão delicioso! Você é incrível mesmo Kirumi!" Kokichi soltava elogios alegre e animado. Porém, sendo o mentiroso que ele era, ninguém realmente acreditava totalmente em suas palavras.
"Obrigada pelos elogios, mas eu apenas fiz o meu dever." Tão formal, me faz me sentir como um rico famoso ou algo assim.
"Isso realmente têm uma cara boa! Finalmente, algo de bom desse lugar!" Kaito entrava no salão barulhento como sempre.
Mas ele estava certo, a comida parecia incrível. Ovos fritos, bacon, sanduíches de vários tipos, sucos, tigelas de arroz, e até molhos que eu não conhecia.
Como ela fez tudo isso em menos de 30 minutos? Mágica? Talvez a Himiko esteja mais certa do que todos pensavam...
Coloco o sanduíche de ovo e presunto na boca e mastigo. Bom, BOM DEMAIS.
Era um gosto caseiro tão perfeito que eu poderia comer vários sem nem enjoar.
Meus olhos estavam vidrados em Korekiyo, esperando o momento em que ele abaixaria aquela máscara. Mas ele nem mesmo tocou na comida.
Provavelmente só vai comer quando estiver sozinho.
Isso me lembrava...
Uso meu cotovelo e cutuco Shirogane para chamar sua atenção. E depois sussurro: "Você não acha que o Korekiyo parece uma fusão de Kakashi com Orochimaru?"
Seus olhos se esbugalham e se fixam no antropologista por um pequeno tempo, e depois voltam para mim.
"Agora que você diz... É como se ele estivesse de cosplay. Até o braço dele está enfaixado como uma referência a perda dos braços de Orochimaru." Ela sussurra.
"Interessante não? Imagino qual será o motivo de tal coincidência..." Provavelmente Kodaka teve inspiração no mesmo para criar esse psicopata. Já que os dois matam por seus ideais doentes.
"O que vocês dois tão cochichando ai? Por acaso estão planejando um assassinato?" Kokichi se intromete em busca de criar mais discórdia.
"É sobre anime, você não entenderia." Digo um pouco mais ofensivo do que o esperado.
"Woah, desculpe! Eu não queria ser intrometido." O mentiroso tinha um sorriso brincalhão em seu rosto. Era óbvio sua intenção de irritar todos.
"Sim! Apenas ignore essa criança idiota!" Disse Miu que também já estava no refeitório. Agora, faltava apenas os protagonistas.
"Correto. É melhor não levar a sério as coisas sem sentido que esse robofóbico fala." Percebo pela primeira vez Keebo que estava bem camuflado para um robô no meio de vários estudantes.
"O que está havendo aqui?" Chega Kaede parando uma provável discussão.
"Ah, é que o Kaito ameaçou o Rick de morte, o obrigando a contar todos os seus segredos. Nada demais."
"O-o quê!? Eu não fiz nada assim!" O astronauta empalidecia fazendo uma careta exagerada demais para o que claramente era uma mentira.
"Eu sei, foi só uma mentira." Terminou Kokichi com um grande sorriso em seu rosto.
"Ora seu pestinha!" Isso iria continuar por um bom tempo...
Minha visão se vira para a pianista que estava muito chateada como se fosse explodir a qualquer momento e- Oh droga.
"Já chega!" Filha da puta! Meus ouvidos quebraram agora! Como alguém pode ter um grito tão alto?
"Para com esses gritos vadia do caralho! Agora meus ouvidos estão doendo porra!" Tenho que concordar com a Iruma nessa.
"Desculpe, mas eu fiz isso para pararem com as brigas."
Então Kaede começou com suas frases de protagonista puro. 'Temos que ser amigos' e 'Devemos nos unir'.
Eu realmente já estava me enjoando disso.
Então ele apareceu.
"Opa! Desculpe, mas terei que me intrometer um pouco!" O urso monocromático aparece magicamente encima da mesa, tipo, eu não vi nenhuma passagem abrindo e ele só dropou lá. Ele estava encima dos sanduíches.
Ele destruiu os maravilhosos sanduíches.
"M-Monokuma?!" Gritou a Kaede, que teve seu clichê discurso interrompido.
"Eu mesmo. O incrível, belo, sedutor e carismático Mono—!"
"Qual é a desse animal de pelúcia?" Eu interrompo o narcisista robótico, apenas para irritá-lo.
"Eu não sou um animal de pelúcia! Não me chame assim!"
"Se eu apertar na barriga dele, ele para de falar?"
"Ora seu! ..." O olho irregular vermelho começa a brilhar ao mesmo tempo que sua pata se ergueu com três garras metálicas expostas. "Diga isso mais uma vez! Vamos ver se você tem coragem!"
Nós nos encaramos por um tempo, até que eu respirei fundo e falei. "Animal de pelúcia, animal de pelúcia, animal de pelúcia, animal de pelúcia, ani—"
~ Rise and Shine, Ursine! ~
"Wow, qual é a dessa barulheira toda?" Pergunta Monosuke segurando seus óculos.
Os monokubs começaram a analisar a situação até que seus 'olhos' pararam em seu 'pai'. Que estava claramente bravo.
"Wooow, Papa Kuma está muito puto!"
"O que será que deixou ele tão bravo?" Pergunta Monotaro, fingindo que não sabia o que tinha acontecido antes deles chegarem. Ou eles não sabiam mesmo? Eu não tenho certeza.
Mas irritar o Monokuma era hilário. A cara brava dele é muito engraçada, inclusive quando você imagina a Junko o controlando. Mesmo que não seja ela nesse caso.
"Você tem certeza que é uma boa ideia irritar ele?" Pergunta Ryouma nervoso. Na verdade, muitos dos outros estudantes me olhavam assustados e preocupados.
Diferente de mim, eles não sabiam o quão absoluto eram as regras.
"Como ousa me desrespeitar dessa forma... Parece que terei que usar você como um teste." Faço nem ideia do que ele está falando...
"Kubs! Está na hora de usar os Exisals!" Ah, entendi, ele vai blefar como fez com Kaito no começo. Isso me preocupou um pouco, mas ele não podia me matar só por eu ter 'insultado ele'.
Por isso, eu fiquei parado e indiferente, o encarando como se não ligasse nem um pouco.
"Finalmente iremos usá-los!" Monotaro chorava de satisfação, me deixando com mais dúvidas de como um robô podia chorar.
"Se prepare bastardo, você será usado de exemplo para todos." Disse Monotaro.
"Erg... Eu não gosto de coisas violentas assim... Irei apenas ficar de espectadora dessa vez."
Olho para a urso meio rosa e falo: "Monomi pirata."
"Serei a primeira a matá-lo." Disse a Monophanie com sua cara de 'brava' que era tão assustadora quanto a cara de um poodle rosnando.
"Espera ai, você vai matá-lo?" Kaito parecia muito preocupado agora que finalmente entendeu as implicações do que Monokuma dizia. "Você não pode fazer isso. E-Eu não irei permitir!"
"Fique quieto." Falei com meu tom normal de sempre, não querendo ouvir as gritarias do astronauta.
"C-Como você pode estar tão calmo? Não percebe que eles vão te matar!?" Pergunta Kaede, parecendo pronta para chorar. Tão exagerado.
"Quero ver eles tentarem." Minha voz saia como um desafio para os ursos, em especial o Monokuma, que continuava me encarando.
Continuamos a encarar um ao outro, eu esperava que algum monokub pegasse um Exisal. Mas eles apenas ficaram ali parados.
"Hmpf! Vocês adolescentes são realmente os piores. Mas, como estou de bom humor irei esquecer isso por enquanto" Disse o diretor que voltava para o seu jeito normal e sem garras.
"V-Você vai esquecer?" Olhando incrédula para o urso monocromático, Tenko relaxou seus membros tensos e firmes que estavam preparados para uma luta.
"Como esperado do grande irmão. O Monokuma ficou com tanto medo que desistiu até mesmo de enfrentá-lo." Não é bem por isso Himiko... Mas obrigado pelos elogios.
"Ele não tem medo de Monokuma, assim como um cavaleiro." Os olhos de Gonta brilhavam de adoração. Parece que eu consegui um fã.
"Tá, tá. Chega dessa estupidez!" Gritou o urso preto e branco, que continuou. "Agora, está na hora de dar o meu anúncio."
Todos olhavam para o ser encima da mesa, a espera de seu anúncio. Mas ele não disse nada e ficou lá parado. Depois ainda quer reclamar de eu irritá-lo.
"Que anúncio?" Perguntou Ryouma.
"Ah, como vocês apenas ficam nessa de serem amiguinhos uns dos outros, eu comecei a ficar entediado" Um sorriso brincalhão e cruel estampava seu rosto. "Pensei em aumentar as chances de que alguém tome a iniciativa e mate logo."
"Nem brinque com isso!" Gritava a irritada pianista. Sério, agora entendi porque ela tentou matar o 'mentor', os olhos dela estavam cheios de ódio contra o Monokuma. "Ninguém vai matar alguém aqui! Não importa o que você diga!"
"Puhuhu. Você tem certeza disso?" Ele estava claramente rindo da determinação da Kaede, aumentando a chamas de sua raiva.
"Sim, sem nenhuma dúvida! Ninguém aqui irá fazer o que você quer!" É tão brilhante, a sua certeza e pureza. O fato dela confiar tanto em pessoas que acabou de conhecer, é algo tão belo e raro.
É uma pena que ela esteja tão errada. Só pelo fato de ter um serial killer entre nós já mostra o quão errada ela está em confiar em todos. Isso sem contar os outros com tendências assassinas.
Miu, Kokichi, o suicida Ryouma e acredito que também a Angie. Se tirasse esses 4 daqui, o discurso de Akamatsu seria perfeito e sem falhas.
Porém como eles estão aqui, o seu discurso é apenas um poço de ingenuidade e ignorância.
"Então irei finalmente anunciar o primeiro motivo! Certifiquem-se de guardá-lo!"
É, monologuei demais de novo.
"Agora, o motivo especial que eu preparei é chamado de Bônus de Primeira Morte" Todos olhavam nervosos para o urso, o nome já deixava claro que seria algo ruim.
"Incrível, pela primeira vez que um assassinato acontecer, nenhum julgamento irá ocorre! Dá pra acreditar?" Não importa quantas vezes eu ouça, isso sempre parece uma armadilha. "Isso significa que o primeiro que matar irá se graduar, indo embora sem nenhum problema!"
...
"Poderão ir embora..." Fala Maki, pensando nas grandes implicações desse motivo.
"Então é só matar alguém que poderá ir embora desse lugar?!" Diz Miu com uma cara hostil.
"Como assim 'só matar'? Se acalme!" O robô junto a outros estudantes se afastavam da inventora, com medo que ela realmente fizesse algo assim.
"E-Eu não faria isso... Era só estava constatando o que ele disse..." Disse Iruma em seu modo covarde e defensivo.
"Que idiotice." Eu digo chamando a atenção de todos.
"Hã, idiotice?" O astronauta me olhava com suspeita, acho que seus pensamentos sobre mim estão mudando muito hoje.
"Senhor Rick, eu acredito que isso é muito sério para ser considerado idiota." Corrige Kirumi, que incrivelmente estava bem indiferente com tudo.
"Pois eu acredito que isso seja totalmente idiota. Tipo, fala sério!" Sorrio para o Monokuma em zombaria. "Um pokemon falante querendo que humanos lutem entre si até a morte é muito irônico."
...
"Pffftt" Tsumugi coloca a mão em sua boca tampando sua risada silenciosa. Nesse meio tempo Monokuma começava a entrar no seu modo 'estou puto para caralho'.
"Já chega!" Garras saiam novamente de sua pata escura. "Os Exisals agora!"
"Essa não." Disse Kaito voltando a soar de medo.
"Eu serei o primeiro!" Monotaro corre para fora do salão, e depois um som alto de máquina passa por meus ouvidos.
"Corra Rick!" Grita Kaede, com lágrimas saindo de seus olhos.
Eu fiquei lá olhando indiferente até que o Exisal aparece e esmaga.
*SMASH*
O Monokuma é claro.
"GRRRRRAAHHH!" O urso monocromático estava embaixo das pernas de Monotaro Exisal. Por ser atacado seu sistema de defesa foi ligado e—
*BOOOM*
Ele explodiu.
...
"PAPAI!" Gritou Monotaro que tinha aparecido no lugar de seu Exisal vermelho.
"O pai virou uma pilha de lixo!?" Disse Monophanie, vomitando algo branco. Nojento.
"Isso foi pelo meus sanduíches." Digo, antes de ir voltar para a minha cadeira e pegar um bacon.
Carne é tão bom... Te entendo Akane.
"Mas o que tá acontecendo?" O astronauta inclinava a cabeça em confusão total.
"Eu não faço ideia." Disse Tsumugi que desistiu de entender a situação e voltou para a comida assim como eu.
"Só sei que o Monokuma está em pedaços." O tenista observava um fragmento de metal queimado que tinha caído em seus pés.
Engulo a maravilhosa carne, que também era infelizmente a última da mesa. "O Monokuma morreu, só isso." Depois de falar isso, volto minha atenção para os ovos que sobraram.
O quê? É claro que estou com muita fome... Não como algo consistente faz quase um dia.
"O Monokuma morreu?!" A pianista olhava atentamente para a mancha de queimado do chão. Não acreditando no que ela tinha ouvido.
"Espere, certamente que o controlador deve ter criado cópias de reserva." A Ultimate empregada era inteligente como sempre, acertando de primeira.
"Não tem nenhuma cópia! Não trate a vida dele tão futilmente assim!" Disse Monophanie, continuando seu choro triste.
Os outros Kubs também falavam um monte de baboseira mais eu estava mais focado nos outros estudantes e na comida.
"Então, é só isso... Estamos livres?" Maki parecia indiferente como sempre, mas eu podia ver um pouco de alívio em seus olhos.
"Acredito que sim." Disse Tojo.
"Viva! Nós conseguimos! Nyahahaha!" Angie levantava suas mãos feliz pela vitória.
"Nós estamos livres! E tudo graças ao Rick!" Claro que o Kokichi jogaria tudo para cima de mim.
"Por causa desse degenerado?" Disse a lutadora levando seus olhos para minha pessoa.
Também não vou com a tua cara.
"Claro, foi ele que causou a destruição do Monokuma!" Graças as falas do supremo líder todos estavam me encarando.
"O quê? Vao ficar me encarando mesmo?" Depois de minha fala, eu me levanto e vou direto para o lado da Kaede. "Já que querem tanto minha opinião. Por que não escutam o que a Kaede tem para dizer."
Sim, eu joguei toda a atenção para a protagonista. Esse é o trabalho dela, cuidar de todos e essas merda.
"E-Eu?" Disse a pianista.
"Sim, você! Eu adorei o seu discurso de amizade é mágica e pode derrotar tudo." Eu não conseguia conter o meu sorriso, mas mesmo assim tentei falar o mais sério possível. "Eu apenas causei a destruição do Monokuma por causa de sorte, mas eu acredito que você tem muito mais chances de derrota o 'mentor' do que eu."
"O que você está dizendo?! O mentor já foi destruído!" Disse Kokichi, um pouco irritado por eu não ter seguido do jeito que ele queria.
Meu sorriso aumentava enquanto meus olhos ficavam mais assustadores. "Você acredita mesmo nisso?"
Minha fala foi tão intensa que pareceu ecoar na sala.
Todos que antes estavam relaxados começaram a ficar tensos mais uma vez.
"O-O que caralhos você quer dizer com isso?!" A inventora tentava ser hostil mesmo com medo, era fofo.
"Sim! Desembucha seu macho degenerado!"
"O que eu quero dizer?" Deveria explicar para eles o porque claramente o jogo não tinha acabado?
...
Nah. "Descubram por si mesmos." Me viro e vou para fora, deixando todos os idiotas confusos e curiosos.
Seria mais divertido assim. Eles precisam descobrir algo por si mesmos, como os símbolos da esperança que são.
Hehehe, pareço até o Nagito.
Mas agora devo começar os preparativos. Não posso procrastinar aqui também.
Afinal... Um erro poderá custar minha vida.
-XXXXXXXXXXXX-
Refeitório (1º andar)
10:20
POV KAEDE
Eu só fiquei lá, olhando para o Rick indo embora do salão depois de soltar uma bomba.
Era claro que ele sabia ou suspeitava que o 'mentor' estava vivo. Bem, eu também pensei que seria bom até demais que ele tivesse simplesmente morrido tão facilmente.
Parecia forçado demais, devia ser algum tipo de teatro.
Mas, todos tinha a esperança que tinha acabado. Todos queriam acreditar que já tinha terminado.
Sua esperança declinou com a frase de Rick, e a tensão voltava com tudo para todos.
"Himiko! onde você está indo!?" O grito chamou minha atenção para a garotinha ruiva que estava andando para fora da sala.
"Estou indo atrás do grande irmão." Disse Yumeno antes de continuar sua caminhada até fora da sala.
"Eu vou também! Não se sabe o que aquele degenerado pode fazer com você!" Tenko a seguiu rapidamente usando uma desculpa bem fraca.
Já tinha sido menos três juntos. Mais não foram só esses que saíram.
"Eu vou também. Acredito que pessoas da nossa cultura são melhores juntos." Eu não entendi qual era o significado do que ela tinha dito, mas Tsumugi também saiu em busca de Rick.
"Também devo seguir Rick! Atua me disse que ele sabe o melhor caminho!" Angie saiu logo depois.
"Espera! Não seria melhor que ficássemos juntos em uma hora como essa!?" Eu tinha medo que isso começasse a separar todos nós.
"Cala boca." Maki me encarou com tanta hostilidade que eu me senti mal. Muito mal. Eu só queria ajudá-los. "Ninguém mais liga para os seus discursos de meia tigela..." Após isso a silenciosa babá foi embora da sala.
Esse sentimento... Isso doía.
"Eu achava que o jogo tinha acabado... Mas se o Rick acredita que ele ainda está acontecendo então..." Disse Kokichi enquanto olhava para mim.
"Então?" Perguntou Ryouma.
"Nada de mais. Além disso, acho que já acabamos por aqui!" Disse o garoto com o mesmo sorriso brincalhão de sempre em seu rosto.
Já que eu ninguém tinha mais nenhuma ideia todos se separaram e foram fazer o que quisessem.
Eu fui para o meu quarto exausta. Lágrimas caíram dos meus olhos quando entrei nele. Eu não tinha certeza do motivo, já que nessa situação existia vários.
Mas era tão frustrante.
Eu apenas fiquei chorando na minha cama por um tempo, até que a campanhia do meu quarto tocou.
*DING DONG*
Eu limpei minhas lágrimas, e mesmo com um pouco de medo eu abri a porta.
"Shuichi?" O familiar detetive estava me esperando na frente da minha porta. Ele deve ter um bom motivo para isso.
"Kaede... Você está bem?" Saihara parecia preocupado, bem, meus olhos ainda devem estar vermelhos por causa das minhas lágrimas.
"S-Sim, só estou um pouco frustada... Nada demais." Minha voz saia com meu tom de sempre e eu sorria não querendo deixá-lo preocupado.
"Quero que saiba que não foi sua culpa, aquela passagem secreta foi feita para enganar a todos. Para quebrar a nossa esperança."
"Sim, eu sei." Mas isso não diminuia a dor de ver eles decepcionados comigo.
...
"Eu sei como você se sente Kaede... E eu acredito em você."
"Você acredita em mim?" A felicidade que eu sentia apenas por essa simples frase era realmente incrível. O Shuichi é muito melhor encorajando do que eu pensava.
"Tenho algo que quero te contar. Poderia vir para a biblioteca comigo?"
Biblioteca? Bem, isso parecia um pouco suspeito.
Mas é o Shuichi. Assim como ele confia em mim, eu confio nele.
"Claro, vamos!" Meu humor tinha melhorado, e com isso nós dois andávamos para a casa em direção ao porão.
No meio do caminho encontramos Rick em uma situação estranha.
"MALDIÇÃO! PARE DE ME SEGUIR!" Ele corria feito um condenado para fora da escola, e atrás dele uma garota familiar.
"Ya-haha! Você não vai escapar! Atua adorará sua oferenda!" A veloz Angie o seguia em alta velocidade. Parecia que eles estavam se divertindo.
"Vamos, é por aqui." Mesmo assim continuamos nosso caminho para a biblioteca sem nenhuma outra interrupção.
O que será que teria de importante naquele lugar?
