Yu Yu Hakusho

Amor à Deriva

Autor: LeFuri

Disclaimer:

- Obviamente Yu Yu Haksuho não me pertence.

- A fanfic se inicia após os eventos do penúltimo episódio da série de TV. Episódio 111/112

- Se você gostou ou não da Fanfic, deixe seu Review, seja ele positivo, negativo ou uma sugestão. Atitudes como essa ajudam com trabalho do escritor.

Legendas:

Narração

- Fala -

"Pensamento"


Capitulo I – Acaso ou Revés?

Nuvens negras dançavam vagarosamente no imenso céu avermelhado. Uma simples visão como essa já era suficiente para amedrontar qualquer ser, diferente de um Youkai, que ousasse pisar naquele mundo chamado Makai*. As nuvens negras estavam sempre presentes, não importando em que época vivessem. Já o céu avermelhado, hora tinha uma tonalidade marsala* que se equivalia a noite no Ningenkai*, hora tinha uma tonalidade sangue que se equivalia ao dia. As noites no Makai eram muito frias e os dias eram geralmente calorentos. As florestas se faziam repletas de árvores cujas folhas eram de um verde seco, troncos de um marrom acinzentado. Nada manifestava vida. E ali, no meio daquele ambiente sem vida, um Yokai classe S, de nome Hiei, retornava de mais um dia monótono de Trabalho.

Sentia uma brisa fria trazer seus cabelos negros espetados de um lado para o outro enquanto pisava sobre as folhas caídas no solo. Vestia uma simples blusa preta sem mangas, calça preta presa por amarras vermelhas e uma espécie de coturno, porém sem nenhum tipo de cadarço. Estava entediado com mais um dia de trabalho, já fazia algum tempo que recolhia humanos estúpidos que entravam no Makai por acidente ou com alguma motivação banal, e os devolvia ao Ningenkai. Ao longe no horizonte, o manipulador das chamas negras já conseguia ver a gigantesca fortaleza móvel de Mukuro, local onde esteve vivendo os últimos 6 meses. Após a luta que teve com Mukuro, decidiu alterar seu estilo de vida, talvez a vida de matança e sangue já não fazia mais sentido para si. Mas a verdade é que sentia falta da luta, sentia falta da explosão singular de uma batalha, da satisfação indescritível da vitória e do oponente deitado imóvel sob seu olhar altivo. Lembrou-se dos tempos de time Urameshi e da emoção que vivia a cada luta em que não se sabia que tipo de poder o oponente escondia. De repente um pensamento atravessou sua mente:

Hiei: "Yusuke... o que aquele desgraçado tem feito aqui no makai?"

É óbvio que jamais admitiria, mas admirava Yusuke e sua poderosa energia espiritual, só ele poderia vencê-lo novamente em uma luta, além de Mukuro é claro. Se aproximou da entrada da fortaleza móvel e uma enorme porta se abriu. Hiei entrou e seu corpo sumiu em uma grande escuridão, mas ele sabia que estava passando pelo saguão principal, indo em direção aos aposentos de Mukuro. Enquanto passava pelo saguão, incontáveis Yokais que seguiam Mukuro evitavam passar por Hiei, receoso pelo imenso poder do Koorime. Colocou a mão sobre uma espécie de maçaneta e a porta se abriu, logo de frente para a porta estava Mukuro deitada sobre a cama vestindo uma blusa branca e uma calça verde. Estava lendo um livro de capa azul, mas quando ouviu o ruído da porta se abrindo sua atenção voltou-se para Hiei.

Mukuro: - Dia Difícil? – Perguntou Mukuro, mirando Hiei por cima das páginas do livro.

O Yokai das chamas negras, abriu um meio sorriso e sentou-se de frente para Mukuro em uma cadeira de madeira negra, vinda de uma famosa árvore do Makai. Cruzou os braços e respondeu com seu tom de voz indiferente.

Hiei: - Não... Só esse tipo de trabalho que está me cansando. –

Mukuro: - Eu pensava que esse estilo de vida estava te satisfazendo. – Sua expressão transparecia decepção.

Hiei Fechou os olhos e continuou o diálogo com o mesmo tom de voz de indiferença. – Por um tempo me satisfazia, mas eu não sirvo pra isso... –

Um silêncio formou-se, com Mukuro desviando o olhar para um lugar aleatório e Hiei de olhos fechados, como se estivesse em profunda meditação. Desde a batalha que tiveram a relação dos dois tornou-se bem próxima, alcançando um nível de intimidade no qual só os dois poderiam entender os sinais corporais um do outro. Mukuro quebrou o silêncio.

Mukuro: - Quer voltar a vida de matança e sangue? Na luta que tivemos, você se desligou do seu passado... e eu do meu... – Seu tom de voz vacilou nas últimas palavras.

Hiei abriu os olhos e lançou um olhar firme a Mukuro. – Você não passa de uma covarde mentirosa. –

Foi seco em suas palavras como estava acostumado a fazer. – Você nunca se desligou do seu passado. Ainda não consegue evoluir o tipo de relação que nós temos... tudo por conta do seu passado. -

Mukuro repousou o livro em suas mão na cama e fechou o semblante para Hiei. – Porque corromper o tipo de relação que temos? É algo bonito... –

Hiei: - A sua mente é distorcida... a parte intocável do seu corpo, é a parte que estraga sua personalidade... –

O koorime observou detalhadamente o corpo da mulher de cabelos curtos. A parte intocada pelo ácido era realmente de uma beleza magnifica, cabelos ruivos lisos, a pele sedosa, seios grandes e duros. Possuía o nariz fino e pontudo, as maçãs do rosto levemente aparente, o olhar forte e sua boca com lábios finos e delicados. Mas a outra parte era a que mais chamava a atenção de Hiei, mesmo deteriorada pelo ácido, ainda assim as cicatrizes mantinham uma perfeita simetria e harmonia. Não lhe incomodava em nada.

A mente de Mukuro foi invadida pela sensação da dor que sentiu quando jogou ácido em seu próprio corpo, por causa dos abusos que sofreu. As palavras de Hiei eram duras, mas ela já estava acostumada, a algum tempo no passado, ela também foi assim. Fechou os olhos e soltou o ar acumulado nos pulmões.

Mukuro: - Eu não quero, de forma alguma, que essa conversa se torne uma discussão desnecessária entre nós. -

Hiei levantou-se da cadeira e fez menção de sair dos aposentos de Mukuro, porém foi impedido por uma espécie de barreira criada com energia espiritual da youkai de cabelos ruivos.

Hiei: - Rhum... – Soltou um grunhido e voltou seu olhar para Mukuro que estava de joelhos sobre a cama. – Deve ser por essa razão que você não consegue controlar todo seu poder. A sua mente é fraca, não consegue mensurar o tanto de poder que você possui – Abriu um meio sorriso na última palavra.

Mukuro: - Já considerou a possibilidade de que eu, simplesmente, nunca quis usar todo o meu poder? –

Hiei deu de costas, estendeu o braço direito enfaixado e quebrou a barreira de Mukuro sem muito esforço utilizando sua energia espiritual. Caminhou para fora dos aposentos da yokai de cabelos ruivos, que abaixou a cabeça e deixou seu corpo cair sobre a cama como um sinal de conformação. Seguiu em direção ao seu alojamento na grande fortaleza móvel. A porta se abriu e ele rapidamente entrou. Retirou sua roupa que estava com cheiro de perfume humano e entrou no chuveiro deixando a forte ducha cair sobre sua cabeça baixa. Visualizou as pedras preciosas que carregava em seu pescoço e a beleza absurda que sustentavam. Suspirou e se perdeu em pensamentos:

Hiei: "Já faz algum tempo que não vejo aqueles idiotas do ningenkai... como será que estão levando a vida? Nunca pensei que poderia sentir vontade de voltar lá um dia..."

As gotas de água passavam pelos cabelos negros e escorriam pelo rosto até tocar o chão. Após banhar-se, vestiu algo leve e jogou seu corpo sobre a cama quente, não demorou muito até que seus olhos se fechassem e ele dormisse.

O dia chegou novamente no Makai. Hiei já estava de pé, ao lado do Yokai narigudo, vestindo sua manta negra com o tecido branco em volta do pescoço. Segurava a bainha de sua espada com a mão direita e torcia para que não tivesse algum humano imbecil nas proximidades. Assim o tempo se foi. O céu ia se tornando cor marsala e as nuvens negras tornavam-se cada vez mais negras. A noite dava as boas vindas enquanto Hiei retornava de mais um dia Tedioso. Mas repentinamente ele ouviu algo que com todas as forças desejou não ouvir.

Yokai Narigudo: - Sinto cheiro... sinto cheiro... – Estava inquieto e apontava com o imenso nariz a direção da qual vinha o odor.

Hiei franziu o cenho: - Não brinque comigo seu desgraçado... –

Por um momento ele duvidou, mas pela inquietação do Yokai narigudo percebeu que poderia ser verdade. Pulou do veículo que os carregavam e rumou na direção em que Narigudo havia indicado. Adentrou na floresta silenciosa, o vento remexia as folhas sem vida das arvores e a escuridão dominava o ambiente. Ao longe, o manipulador das chamas negras ouvia risadas e a voz de uma mulher que gritava em negação. Andou mais um pouco à frente na densa floresta e visualizou o corpo de uma mulher próximo ao tronco de uma árvore com três Yokais cercando-a, um era verde e possuía chifres, o segundo era amarelo e tinha 4 braços e o terceiro era também verde e possuía garras e dentes afiados. O de chifres parecia estar rasgando as roupas da mulher. Rapidamente, Hiei acelerou o passo retirando a espada da bainha, investiu contra os Yokais. O Yokai de chifres teve seu pescoço atravessado pela espada, jorrando sangue para todos os lados, o que deixou os outros dois assustados.

Yokai amarelo de 4 braços: - DESGRAÇADO!- Correu na direção de Hiei para atacá-lo, mas lhe restou apenas o tronco retalhado pela espada, separando-o das pernas.

O Yokai verde de dentes afiados observava tudo perplexo, sentiu um calafrio percorrer todo seu corpo pelo medo da morte iminente. Tentou fugir, mas era tarde demais. O Yokai de cabelos negros o alcançou e atravessou a espada em seu coração, o sangue cobriu a espada e ele a retirou.

Hiei fechou os olhos e guardou sua espada na bainha. Nem conseguiu sentir prazer em uma luta tão fácil, mas sentia satisfação com sua espada cortando a carne do oponente. Então lentamente caminhou na direção da mulher que estava assustada e abraçava as próprias pernas com a cabeça escondida nelas. Ela usava os cabelos azuis presos, tinha parte da calça jeans azul rasgada nas coxas, vestia uma jaqueta marrom e uma blusa vermelha com rasgos na altura dos seios. Ela ouviu os passos leves se aproximar e de forma brusca parar próximo. A mulher tremia esperando a morte, mas a morte não veio. Então vagarosamente suspendeu seu olhar e os orbes azuis encontraram os orbes vermelhos petrificados.

Botan: - Hii... Hiei... –

Hiei: - Idiota... –

Continua...


Off:

*Marsala: Cor derivada do vermelho, sendo um tom mais escuro de vermelho.

*Makai: Mundo dos Yokais (mundo das trevas) em Yu Yu Hakusho.

*Ningenkai: Mundo dos humanos em Yu Yu Hakusho.

- Os capítulos sairão em intervalos de no máximo 15 dias.