Yu Yu Hakusho

Amor à Deriva

Autor: LeFuri

Disclaimer:

- Obviamente Yu Yu Hakusho não me pertence.

- A fanfic se inicia após os eventos do penúltimo episódio da série de TV. Episódio 111/112

- Se você gostou ou não da Fanfic, deixe seu Review, seja ele positivo, negativo ou uma sugestão. Atitudes como essa ajudam com trabalho do escritor.

Legendas:

Narração

- Fala -

"Pensamento"


Capitulo II – Semelhança ou Diferença?

A noite no Makai já era plena, e a escuridão avançava pela floresta. Após as palavras, um vento, forte e gélido, soou alto soprando os cabelo dos dois, sentiram o gélido vento trazer calafrios as suas peles, Botan se incomodou se retraindo, Hiei já estava acostumado. Por um momento, que parecia eterno, eles se encararam, a dona dos orbes azuis claros estava boquiaberta e tremendo de medo, já o dono dos orbes vermelhos a encarava com seriedade e as sobrancelhas cerradas. Ele não entendia como uma mulher do Reikai pudesse ser tão estúpida a ponto de parar no Makai, mas se tratando dela, talvez fosse possível, já que ela não costumava segurar seus impulsos e a maioria deles findavam em insucesso. Botan não se incomodou com o Insulto, já que havia convivido algum tempo com o Yokai das chamas negras.

Botan: - Eu não sou idiota... eu só... – Ela dizia baixo, tentando acertar a ponta do dedo da mão direita na ponta do dedo da mão esquerda. Lembrou-se que não poderia dizer o que pensava interrompendo a si mesma.

Hiei esperou que ela completasse a fala, mas ela simplesmente abaixou a cabeça e silenciou-se, o que o fez apertar os dentes de impaciência.

Hiei: - Diga de uma vez! Qual o motivo de você estar aqui? Você por acaso se esqueceu que mulheres fracas como você aqui no Makai se tornam brinquedo de Yokai?

A mulher de cabelos azuis continuou em silêncio e de cabeça baixa, se sentia idiota por ter ido até lá, mas ela era assim, impulsiva, corria atrás dos seus objetivos, mesmo que algo aparentasse inalcançável ou simplesmente fosse impossível acontecer. Ela aos poucos levantou a cabeça um pouco corada, os arranhões que sofrera estavam ardendo devido ao vento gélido. Hiei esperava uma resposta impaciente apertando ainda com mais força o cabo da espada que segurava em sua mão direita.

Botan: - Eu... Eu não posso te dizer... Hiei... – "Burra... Burra... Ele vai me matar..." Foi o que ela pensou quando terminou de dizer as palavras, foi o melhor que pode dizer diante da situação, mas aquilo não era o suficiente pra ele.

Hiei arqueou as sobrancelhas e deixou cair a ponta da espada próximo ao solo, era um sinal de que ele havia desistido de saber qual a motivação dela estar no Makai.

Hiei: - Hum... que infantilidade. – Disse com um meio sorriso no rosto.

Se aproximou e estendeu a mão esquerda para que Botan pudesse levantar, parecia indefesa demais para se erguer sozinha. Incrédula, ela visualizou a mão próxima do seu rosto e receosa, vagarosamente colocou as ponta dos dedos na palma da mão estendida, a mão dele era quente e ao contrário do que pensava, tinha a pele macia. Hiei apertou os dedos finos com o polegar e a palma da mão, fazendo um movimento puxando-a para si, e aos poucos a mulher foi se erguendo bem próximo à frente de seu corpo. Seus corpos permaneceram frente a frente, muito próximos, ali no meio do nada, o rosto do Yokai dava de frente com o pescoço da guia do Reikai*, sentiram o mútuo calor de seus corpos muito próximos, mesmo diante do frio e da escuridão.

Hiei: - Eu tenho que te levar de volta para o ningenkai... – Disse virando seu corpo e dando de costas para Botan.

Botan: - Eu não vou voltar... – Sacudiu a cabeça de um lado para o outro, refutando à ideia de voltar.

Hiei: - Rhum... – Sua paciência se esgotava aos poucos. Apertava os dentes uns contra os outros, enquanto pensava na razão de se importar com aquela mulher. A verdade é que não se importava.

Hiei: - Eu não vou desperdiçar meu tempo com você... faça como quiser! – Abriu um meio sorriso se distanciando um pouco da guia espiritual. Ele pôde sentir o corpo dela congelar estagnado, talvez ela não esperasse esse tipo de atitude dele. Talvez a realidade estivesse finalmente atingindo-a.

Botan: - Não me deixe aqui... – Pediu em voz baixa como se estivesse rezando, ou mesmo aceitando a ideia de ter que implorar a presença dele ali. Pensava na probabilidade de sobreviver sozinha naquele mundo escuro e frio.

Ela tinha um sempre um pé atrás pra falar qualquer coisa com ele, sempre medindo as palavras. Com todos ela esbanjava alegria e sorrisos, mas com ele, era diferente. Como poderia ser assim com alguém frio? que nunca sorria plenamente, que só conhecia sangue e luta. Mas Hiei parou, mesmo com a voz tão baixa, ele parou e virou-se para ela em silêncio. As sobrancelhas azuis se arquearam junto com um sorriso que surgiu, ela mal podia acreditar que finalmente aquele teimoso lhe deu ouvidos.

Botan: - Eu preciso de você... – Disse de cabeça baixa, não conseguia encarar os olhos vermelhos do manipulador de chamas negras. Estava extremamente corada e com a voz trêmula. "Não... Não... O que eu estou fazendo? Ele vai rir da minha cara... eu sou uma idiota..." Estava confusa, sua mente dizia o contrário de suas ações.

Hiei: - Morra... – Depois que terminou a palavra, arremessou a espada na direção do rosto da guia espiritual, que ficou perplexa, sem mover um único dedo.

Botan: - ... - A espada seguia rápido em sua direção, mas ela já havia morrido ao término da palavra que Hiei havia dito. Toda sua expectativa, toda sua força de vontade e esperança haviam morrido com aquilo. Era melhor mesmo ter sua cabeça partida pela espada dele. Era melhor aceitar a morte como ele já havia aceitado a muito tempo atrás. A ponta da espada se tornava cada vez mais próxima. E próxima. Era o fim. Mas no último momento, antes de atingir sua cabeça, a espada rumou para esquerda desviando de seu rosto. A espada atingiu a cabeça de um Yokai que iria abocanhar com os dentes afiados o fino pescoço da guia espiritual. O sangue jorrou e respingou no rosto afeminado. Botan cambaleou para frente assustada, mas foi parada por Hiei que colocou a mão sobre seus ombros. Novamente seus olhares se chocaram, o dela tremendo e o dele fixo.

Hiei: - Nós temos que sair daqui... – Olhou por cima dos ombros da mulher de cabelos azuis e viu uma imensa horda de Yokais se aproximando deles. Os demônios possuíam várias formas, amarelos, verdes, com chifres, com garras. Eram muitos. Se ele estivesse sozinho, poderia enfrentá-los facilmente, mas com ela ali. Tudo se tornava difícil.

Botan: - Aham... – Sacudiu a cabeça positivamente pra ele, ainda um pouco desnorteada.

Hiei apressadamente pegou a mão da mulher de cabelos azuis e correu floresta a dentro, passava árvore por árvore, se embrenhando na penumbra.

Botan: "A mão dele é quente... macia..." admirou a mão que estava junto a sua. Não conseguia acompanhar o ritmo das passadas, o que tornava a corrida lenta. Não demorou muito para que alguns dos Yokais os alcançassem.

Hiei: - Lenta demais... – Percebeu que os Yokais estavam muito próximos.

Prontamente parou de correr e deu um puxão na mão de Botan que a fez ficar atrás de seu corpo. Com a espada na mão direita desferiu golpes extremamente rápidos, retalhou o primeiro Yokai, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto, eram muitos, sangue espirrava por todos os lados. Sorrateiramente uma adaga foi atirada por um dos Yokais, distante e escondido na penumbra que as árvores da floresta moldavam.

Botan recuava alguns passos, seu coração batia aceleradamente e sua respiração se tornava cada vez mais ofegante. Percebeu a adaga vindo em sua direção, em uma fração de segundo seu cérebro calculou que seria impossível desviar. A única ação que teve foi reduzir a silhueta de seu corpo e fechar os olhos. Sangue respingou em seu rosto, mas ela não sentiu dor. Ao abrir os olhos, viu o antebraço esquerdo de Hiei a sua frente, perfurado pela adaga.

Botan: - HIEI! - Gritou desesperada olhando perplexa para o antebraço.

O demônio das chamas negras retirou a adaga fincada em seu braço. O sangue foi expelido e começou a escorrer pelo antebraço. Aquela dor não lhe causava qualquer incomodo, nem se comparava a dor que sofrera quando Shigure** implantou o Jagan em sua testa.

Hiei: - Malditos... – Começou a aceitar a possibilidade de ter que usar o truque supremo, as chamas negras mortais.

Hiei: "Eu me satisfaria ao vê-los queimar, mas acontece que Kurama, Yusuke e aquele imbecil do Kwabara não me deixariam em paz se algo acontecesse com a guia espiritual."

As chamas negras mortais exigia demais do corpo de seu manipulador e depois de executada, ela traria as mesmas consequências de outrora, quando Hiei utilizou o truque. Seu corpo consequentemente se desligaria em meio a floresta escura e hostil, um prato cheio para os novos Yokais que aparecessem, causando a sua própria morte e a da guia espiritual. Talvez ele não estivesse preocupado consigo, mas ela, ela não poderia morrer ali, por inúmeros motivos que ele considerava fúteis, mas sabia que era importante para outras pessoas. A verdade é que sua cabeça doía só de pensar no quanto o perturbariam.

Diante do antebraço ensanguentado, Botan tentou ignorar o seu pavor, arrancou a fita que prendia seu cabelo amarrando-a no ferimento. Hiei apenas a deixou terminar o curativo improvisado sem esboçar qualquer reação. Rapidamente o tecido Branco tornou-se carmesim, porém o sangue que antes escorria pelo antebraço, agora estava contido pelo tecido. Por culpa dela, ele estava sendo forçado a fazer algo que odiava profundamente, e isso só alimentava a impaciência pelas ações da mulher de cabelos azuis. Os orbes vermelhos alcançaram de relance o rosto pálido afeminado.

Hiei: - Idiota... agora vai ter que usar a sua fita ensanguentada... – abriu um meio sorriso que pela escuridão da floresta não dava para ser visto, mas a guia espiritual pode imaginar. Ela sorriu de forma nervosa vacilando em dizer algumas palavras.

Botan: - E... ela agora é sua... – Mal conseguia falar, estava atônita, não enxergava um palmo a sua frente. Um escuro infinito, frio, Yokais perseguindo-a para matá-la e um aliado que provavelmente não acharia ruim se isso acontecesse. Quando parecia que não poderia piorar, sentiu algo em seu ombro, que começou num movimento leve e terminou em um aperto muito forte. A guia deu um gemido de dor e virou seus olhos para fitar o que estava comprimindo o ombro. Seus olhos se arregalaram, viu uma mão áspera e dura com garras grandes. O coração da mulher de cabelos azuis vacilou uma batida, sua respiração parou e um frio gélido percorreu seus ossos. Talvez aquela fosse a sensação da morte iminente. Mas antes que ela pudesse pensar que iria morrer, o braço que comprimia o ombro separou-se do antebraço e um berro alto de dor ecoou pela floresta. A espada de Hiei estava mais uma vez banhada em sangue, enquanto o Yokai que estava atrás de Botan tremia ajoelhado segurando o braço cortado.

Hiei: - Rhum... disfarçou seu cheiro, só pra eu não percebê-lo. – Cravou a espada no peito do Yokai, que sem forças caiu morto no solo. "Esses desgraçados estão nos cercando..." - Vamos sair daqui... – Pegou firmemente a desnorteada Botan pelo pulso e correu pelo único caminho livre que conseguiu visualizar e nem sentir o mal odor dos Yokais. As pernas da guia espiritual entraram em um ritmo acelerado, quase que arrastada.

Botan: - Espera... Desse jeito eu vou acabar caindo... – A mão do manipulador de chamas negras machucavam seu pulso, mas ela tinha que aguentar, a culpa de tudo era dela. "Talvez... fosse melhor cair...". Instantaneamente refutou esse pensamento balançando a cabeça. Não! Estava cansada de ser fraca esse tempo todo. Precisava aguentar. "Hiei quase perdeu o braço pra me salvar, é o mínimo que posso fazer"

Eles ultrapassaram várias árvores e algumas pedras grandes pelo caminho, escutavam ao fundo o barulho de galhos se quebrando e de flechas e adagas zunindo em seus ouvidos. A mulher de cabelos azuis respirava freneticamente, estavam correndo a algum tempo, ganharam mais alguns metros e perceberam um descampado em frente com uma luz de cor alaranjada vindo de baixo. Ao se aproximar do local viram suas esperanças se esvair. Estavam no alto de uma colina íngreme e logo abaixo um grande vilarejo silencioso e quieto, com várias estruturas de madeira e luzes alaranjada. Pararam por um segundo sobre a ponta da colina íngreme para avaliar se teriam sucesso em descê-la.

Botan: - Você não está pensando em descer não é? – Perguntou incrédula olhando para o grau de inclinação da colina.

Hiei: - Só existe essa opção, ou você morre... – Deu ênfase na palavra Você. Já que só estava ali por ela.

Botan: - Mas eu vou me quebrar toda. – Agarrou, com as duas mãos, o tecido próximo do pescoço de Hiei, que não esboçou nenhuma reação a não se encará-la, e novamente os orbes azuis trêmulos encontraram os orbes vermelhos.

Hiei: - Idiota... – Agarrou os punhos dela e retirou as mãos de sua roupa, mas dessa vez de forma suave. O solo tremia com a aproximação da Horda Yokai.

Botan: - Eu não consigo. – Dizia em tom de desespero. Mas naquele segundo algo ocorreu, algo que congelou o tempo naquele segundo, que repousou seu coração num misto de paz e felicidade, que expulsou todos os seus pensamentos ruins, que fez com que nada mais tivesse importância, só aquele momento. Hiei passou seus braços pelo abdômen da guia espiritual e acomodou seu rosto acima dos seios dela. Ele a abraçou. Desnorteada e eufórica ela respondeu ao abraço de olhos fechados esperando que seu coração saltasse de sua boca.

Botan: - Hiei... – Não pôde diferenciar se realmente havia dito algo ou se era só sua mente gritando muito alto. "Talvez nós não sejamos tão diferentes assim..."

O desejo utópico de Botan rompeu-se. Hiei impulsionou seus pés contra o solo, seus corpos flutuaram no ar unidos e despencou sobre o íngreme da colina. Rolaram colina abaixo chocando-se contra algumas árvores, galhos e arbustos, a união de seus corpos não aguentou os impactos e separaram-se. O corpo de hiei foi parado por uma estrutura de madeira maciça, já o corpo de Botan foi parado pelo tronco de uma árvore no pé da colina.

Botan: - Ai... ahn... – Gemeu de Dor. Suas costas pareciam estar destruídas, haviam hematomas em seus braços e pernas e um corte superficial na testa que preencheu alguns fios dos cabelos azuis em vermelho, porém nada grave. Levantou-se cambaleante procurando por aquele cujo o abraço ainda lhe despertava euforia. Ele estava caído, inconsciente, próximo a uma casa de madeira. Rapidamente ela o alcançou

Botan: - Hiei... Hiei... – Balançava o Yokai das chamas negras freneticamente.

Hiei: - Para de me balançar idiota... – A íris vermelha trêmula encarava Botan. Ela rapidamente retirou as mãos num susto. Com dificuldade, Hiei se reergueu. Um ferimento considerável acima da sobrancelha direita escorria sangue atravessando o olho e a maçã do rosto.

Botan: - Você está bem? – Perguntou preocupada obtendo como resposta um aceno positivo.

Hiei: - Vamos... – Ele abriu uma pequena porta ao lado da madeira a qual havia se chocado. Visualizou uma pequena escada, uma luz alaranjada dentro de um recipiente de vidro no centro do cômodo, coisas antigas decoravam o lugar. Uma mesa empoeirada de alquimia, um monte de palha juntas formando um local aconchegante para repousar, uma estante com alguns livros também empoeirados e uma mesa grande com algumas cadeiras inteiras e outras quebradas. Hiei iniciou a descida dos degraus da escada seguido por Botan que fechou a pequena porta.

Hiei: - Não seja desastra... – Não terminou a frase. Seu corpo colapsou e desabou, rolou o resto dos degraus e atingiu o solo. Prontamente a guia espiritual o socorreu.

Hiei: - Frio... - Tremeu, vulnerável. A mulher de cabelos azuis tocou seu rosto.

Botan: - Você está... QUEIMANDO! – Espantou-se sem saber o que fazer.

Continua...


Off:

*Reikai: Mundo Espiritual

**Shigure: Cirurgião do Makai e Subordinado de Mukuro.

- Depois de um tempo considerável está pronto o capitulo 2, espero postar o terceiro em um intervalo de tempo menor.