AMOR INESPERADO ONE SHOT

Risos que ecoavam na torre de Astronomia. Deveriam estar ali? Claro que não. Mas o que importava era que não poderiam ser pegos. Sorrisos, beijos e mais beijos. James voltava a comer o pedaço de torta contrabandeado por seu amante da cozinha mais cedo. Nossa, como Severus ficava bonito com aquela luz de solstício de verão, sua pele branca parecia brilhar conforme o crepúsculo atingia Hogwarts.

Faziam alguns meses desde que tudo começara, o primeiro beijo, a primeira transa e enfim o amor. Talvez ambos já soubessem disso quando se deitaram juntos pela primeira vez, escondidos, ali mesmo na torre de astronomia. Quando que James Potter poderia imaginar que se apaixonaria pelo mesmo garoto que vinha atazanando desde o segundo ano? Seboso, o sonserino que ele e seus amigos marotos infernizavam há anos?

As vezes ou talvez sempre, o amor não era racional, não era fruto de convicções ou preconceitos firmados. Por este motivo James e Severus se cruzaram e estavam ali meses depois, sorrindo, se beijando e tendo uma noite secreta- não tão secreta assim pois os marotos ficaram de acobertá-los- de diversão a dois.

Potter. Se alguém dissesse a Severus Snape que ele teria se apaixonado ou mesmo beijado a boca de um grifinório e que este grifinório seria o insuportável –talvez não mais tão insuportável na verdade- de James Potter, diria não apenas que esta pessoa deveria procurar o hospital psiquiátrico de St Mungus, como estaria disposto a lançar uma azaração para se vingar do comentário. Quem diria não é mesmo Snape? Mordeu com afinco sua própria língua e estava a se deliciar no veneno que havia destilado antes de conhecer o amante. Amante. De arquinimigos para amantes? Havia sido uma grande mudança na relação.

Os marotos. Como começar a explicar os marotos? Talvez não seja o caso aqui, mas digamos que vocês precisem saber que o grupo, formado por James, Sirius, Remus e Pedro não eram de fato muito amigáveis com Snape ou qualquer estudante da sonserina.

Aliás, poucos momentos antes de começarem a noite a dois e pedirem ajuda ao grupo para acobertá-los, James se lembrara como a relação do grupo com seu agora namorado havia evoluído.

-Flashback-

No início a resistência foi nítida. Os amigos achavam que Snape havia enfeitiçado James com alguma poção do amor ou algo do gênero, o que causara não apenas raiva em James, mas fizera Snape quase entrar numa briga física com Sirius.

Aqui, uma ressalva, Sirius e Remus haviam assumido o namoro há pouco tempo, mas Sirius não conseguia aceitar que fosse Snape o homem dos sonhos de James.

-Sonhos? Quem tem homem dos sonhos Sirius? O amor acontece assim, sem a gente esperar. Você não pode querer escolher quem eu devo ou não amar. Eu amo vocês três e vocês sabem disso. Mas eu também amor Severus Snape e você não podem mudar isso. Vocês precisam aceitar a relação que eu escolhi, pois isso é o que amigos de verdade fazem.

-James, eu... não foi isso que quis dizer.

-James, desculpe o Sirius, nós, nós estamos tentando. Nós te amamos. Você sabe disso. Prometo que vamos melhorar. Não fique chateado.

-Eu sei que estão tentando Aluado. Mas eu estou chateado. Vou a biblioteca ler e encontrar Severus. Espero que vocês repensem isso, não aguento mais brigar só porque amo alguém que vocês não escolheram. Tchau!

- Fim do flashback-

Depois desse episódio, as coisas pareciam ter tomado um novo rumo. Sirius deixou de ser agressivo e de tentar convencer James de desistir de Severus. O grupo começou a aceitar a presença de Snape durante os estudos em grupo na biblioteca.

A realidade era que o grupo não havia se permitido conhecer aquele garoto magro e branquelo que na verdade se mascarava com uma expressão e ar de superioridade para esconder suas inseguranças, medos e rejeições. O garoto que James agora conhecia e tinha o prazer de chamar de amor.

Mais um beijo. Um beijo com gosto de torta? Snape sorria como nunca havia sorrido antes em Hogwarts. Todo o tempo sofrendo rejeição, não apenas dos Marotos, mas de todos os alunos, como exceção alguns sonserinos, mas sem ter amizades. Havia beijado alguns quando descobrira sua sexualidade, mas nada havia sido sério. Nada passara de uma única noite. Mas não com James. O grifinório de fato mudara sua vida em Hogwarts. Continuava sendo um sonserino fechado e introvertido, mas quando estava com James, tudo mudava. O garoto introspectivo parecia finalmente sair do casulo e os sorrisos e conversas afloravam para fora de seu mundo particular.

Ah, o amor. Arrebatador, intenso e por muitas vezes, inesperado.